PPGPSI PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA (PPGPSI) INSTITUTO DE PSICOLOGIA Telefone/Ramal: (71) 8707-1083/6442
Dissertações/Teses

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2020
Dissertações
1
  • LILIANE VIANA DE SOUZA
  • Lidando com a incerteza: significações sobre a hospitalização em UTI construídas por familiares de pacientes ao longo do tempo de internação

  • Orientador : MARILENA RISTUM
  • Data: 09/01/2020
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  • A hospitalização em unidade de terapia intensiva está associada a estados afetivos intensos nos atores envolvidos nessa experiência. Naperspectiva dos familiares, a condição de ter um membro da família internado em UTI, em algumas circunstâncias, surge como uma ruptura no cotidiano, lançando as pessoas em uma situação deimprevisibilidade. Frente a este cenário, este estudo teve como objetivo geral compreender o processo de construção de significados sobre a hospitalização na UTI adulto, ao longo do tempo de internação do paciente, considerando a perspectiva dos familiares. Foram estabelecidos os seguintes objetivosespecíficos: 1) analisar os processos de ruptura-transição, identificando os recursos utilizados para lidar com a experiência de ter um membro da família hospitalizado em UTI e 2) analisar os elementos que participam da construção de significados sobre a experiência de hospitalizaçãona UTI, caracterizando: a) a experiência afetivo-semiótica dos participantes,b) os pontos de tensão/ambivalência em seus discursos,c) a configuração das relações dialógicas neste contexto ed)os processos imaginativos imbricados nessa experiência. Como referencial teórico, foram utilizadas a Psicologia Histórico-Cultural e a Psicologia Cultural de orientação semiótica, utilizando-se os conceitos de significado, ruptura e transição. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada na UTI de um hospital público especializado, situado em Salvador/BA. Participaram do estudo três familiares de pacientes adultos em estado crítico de saúde, internados na UTI, sendo um familiar por paciente. Com cada participante, foram realizadas três entrevistas semiestruturadas, sendo que a primeira entrevista ocorreu entre o quarto e sexto dia de hospitalização do paciente, a segunda entre o 11º e o 13º dia e a terceira entre 18º e o 21º dia. Os dados foraminterpretados à luz do referencial teórico e com base nos objetivos do estudo. No que tange aos significados construídos pelos participantes, emerge a significação da UTI como um espaço de recuperação e que promove o alívio da dor, assim como a associaçãodesta unidade hospitalar aos significados de sofrimento, morte e terminalidade. Essa dinâmica de significação foi atravessada pela ambivalência entre a esperança de recuperação e a perspectiva de morte iminente. No decorrer do processo de hospitalização, um dos polos dessa dualidade se fortaleceu na experiência singular desses familiares, associando-se às mudanças no quadro clínico do paciente. Os participantes experienciam descontinuidades no fluxo de sua vida cotidiana, sendo que essa situação repercute em outras esferas de experiências, tais como o trabalho e as relações familiares. Nota-se que eles buscam restabelecer algum equilíbrio em suas rotinas, utilizando recursos tais como a religiosidade, as relações interpessoais, o apoio da equipe assistencial, além de recursos ligados a suas características pessoais. No que concerne aos processos imaginativos, destacam-se aqueles direcionados ao futuro, marcados pela ambivalência entre acreditar na recuperação do paciente e considerar a possibilidade de sua morte. Com o decorrer dos dias de hospitalização, a possibilidade de perda do ente querido passa a ser considerada, emergindo a imaginação sobre a vida sem a presença do familiar internado. Por outro lado, o futuro imaginado também contempla a alta hospitalar do paciente e a continuidade do tratamento de saúde, permitindo pensar na vida que segue após essa experiência de ruptura. Finalizando, sugere-se que a assistência da equipe de saúde no âmbito dos cuidados intensivos deve incluir os familiares, considerando o binômio paciente-família na integralidade do cuidado.

2
  • ANA LUISA FIDALGO RIBEIRO
  • QUEM NÃO CONHECE O YOUTUBE? UMA PERSPECTIVA PARTICIPATIVA DAS PRÁTICAS DE CRIANÇAS EM PLATAFORMA DE VÍDEOS ONLINE

  • Data: 04/02/2020
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  • Os enunciados produzidos por adultos em relação ao uso das tecnologias digitais por crianças focalizam suas ameaças latentes, sem uma compreensão mais ampla do fenômeno e deixando de lado o saber dos próprios sujeitos envolvidos. A interação das crianças com as tecnologias de informação e comunicação ainda se mostra como uma área pouco estudada no que diz respeito ao modo como as crianças se apropriam dessas ferramentas. Tendo em vista a palpitante presença do YouTube no cotidiano das crianças, esse se torna um importante campo a ser explorado na busca por uma compreensão mais íntegra das infâncias vigentes e dos contextos de desenvolvimento contemporâneos. Essa pesquisa teve como objetivo conhecer as práticas de produção e consumo de conteúdo no YouTube por crianças de 7 a 12 anos, através da perspectiva das próprias crianças, compreendendo suas percepções sobre essas práticas e as apropriações particulares do uso dessa plataforma pelas culturas infantis. Trata-se de uma investigação participativa, escolha ética que corrobora com a defesa da produção de conhecimento sobre a criança a partir da parceria com as próprias crianças. A coleta de dados foi realizada em duas etapas integradas e com a colaboração transversal de uma criançainvestigadora que participou do processo de construção da pesquisa, desde o planejamento e coleta até a análise dos dados. Na primeira etapa participaram 65 crianças, oriundas de uma escola particular e uma escola pública da cidade de Salvador, que responderam individualmente a um questionário aplicado por meio de Tablet. Para a segunda etapa foram selecionadas 8 crianças estudantes dessas escolas, que participaram, individualmente ou em duplas, de entrevistas-conversas e observação participante de atividade relacionada ao YouTube. A análise de dados adotou uma perspectiva qualitativa e contou com o auxílio da criança-investigadora, assegurando a presença do olhar infantil para o fenômeno. Os achados apontam para a importância do YouTube no cotidiano das crianças, apropriado pelas mesmas como ferramenta lúdica, educativa e interativa. As crianças fazem um uso diversificado dessa plataforma – acessam conteúdos heterogêneos e se engajam de forma variada nas possibilidades de participação e interação disponíveis. Foram encontradas diferenças entre as escolas, principalmente em relação a frequência de uso, reconhecimento de riscos e interatividade. A análise da preferência de canais pelas crianças mostrou diferenças de gênero em relação ao conteúdo acessado na plataforma. Foi percebido que a interação com os pares, dentro e fora da rede, é um fator central nas práticas das crianças no YouTube. A produção e postagem de vídeos se apresentou como uma importante prática lúdica contemporânea. Essa pesquisa evidencia as práticas das crianças no YouTube como um importante campo de estudo para a compreensão da infância vigente, indicando caminhos para futuras investigações acerca do tema. Destaca-se a necessidade de realizar investigações acerca do uso de tecnologias de informação e comunicação que incluam crianças em condições socioeconômicas desfavorecidas. Pretendese com esse estudo contribuir para uma compreensão menos dicotômica acerca dos usos das tecnologias pelas crianças e promover o entendimento das mesmas enquanto atores sociais reflexivos e competentes, que devem ser incluídas na produção de conhecimento.

3
  • ANGRA VALESCA ALMEIDA DE JESUS
  • AVALIAÇÃO DO RECRUTAMENTO E SELEÇÃO DO SETOR HOTELEIRO NA CIDADE DE SALVADOR

  • Orientador : ADRIANO DE LEMOS ALVES PEIXOTO
  • Data: 14/02/2020
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  • A importância das pessoas nas organizações evidencia a necessidade de pesquisas que busquem as melhores práticas de recursos humanos e as implicações na relação indivíduoorganização. O processo seletivo como uma subárea da gestão responsável pela alocação entre trabalhadores e tarefas torna-se um desafio em relação às práticas adotadas, os objetivos organizacionais e suas implicações para um processo elaborado com efetividade e baseado em competências. A busca por modelos se torna mais desafiante em setores específicos da economia que se diferenciam de outras organizações, como o setor hoteleiro, caracterizado por trabalho intensivo e não qualificado. Com o objetivo de estudar o processo seletivo e suas implicações neste setor, esta pesquisa entrevistou 14 hotéis na cidade de Salvador, Bahia. Os resultados apontam que, apesar das redes independentes, nacionais e internacionais de hotéis utilizarem as mesmas ferramentas de recrutamento, estas últimas usam fontes de maior alcance aos candidatos. Além disso, o processo se configura de forma diferente para os cargos de recepcionista. A pesquisa aponta caminhos de interligação entre as necessidades do setor e suas implicações em busca de um modelo de processo seletivo.

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  • MÔNICA FERREIRA SAMPAIO VENÂNCIO
  • Luto, construções clínicas e elaborações subjetivas de familiares  diante da morte de  seus entes hospitalizados em UTI 

  • Orientador : CRISTIANE DE OLIVEIRA SANTOS
  • Data: 14/02/2020
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  • Este estudo tem como objetivo analisar como se desenvolvem, a partir da clínica psicanalítica, os processos inconscientes que caracterizam a complexidade do trabalho do luto de sujeitos que se deparam com a morte de um ente hospitalizado em uma UTI, considerando a hospitalização da morte e a psiquiatrização do luto. Neste trabalho, concebeu-se o luto, a partir do referencial teórico da psicanálise freudolacaniana, como um trabalho psíquico realizado diante de uma perda que pode ser compreendida como o encontro com o real. A ferramenta metodológica utilizada foi a Construção de Caso Clínico em psicanálise.  A partir da investigação teórica realizada e das elaborações subjetivas e construções clínicas dos atendimentos realizados a dois sujeitos enlutados foi possível afirmar que não é qualquer perda que convoca o sujeito ao luto, somente aquela de algo/alguém que lhe foi essencial.  O luto consiste em um trabalho do inconsciente e sua complexidade tem a ver com a relação estabelecida com o objeto perdido e o remanejamento libidinal exigido pela perda. A morte do ente querido pode ser pensada como uma ruptura e exige do sujeito enlutado outra temporalidade psíquica. Sendo assim, é esperado que haja o retorno da libido para o eu e o desinteresse pelo mundo externo, caracterizando certa depressividade no luto. Ao considerar a psicodinâmica imbricada no trabalho do luto, esta dissertação questiona a tendência em categorizar o sofrimento humano em patologias, propondo refletir sobre outras modalidades de tratamento em contraponto à primazia da terapia medicamentosa. Defende-se, assim, os ambulatórios no campo da Saúde Mental como recurso terapêutico e se acredita que este estudo pode contribuir para ampliar as discussões em torno do tema, problematizar a patologização do luto; subsidiar a orientação dos profissionais que lidam com sujeitos que se deparam com a morte de seus entes, e, até mesmo, fomentar a construção de espaços de assistência psicológica aos enlutados. 

5
  • ROBSON DE ALMEIDA SILVA
  • Cognição e gestão: esquemas cognitivos que estruturam a atuação de gestores universitários

  • Orientador : ADRIANO DE LEMOS ALVES PEIXOTO
  • Data: 18/02/2020
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  • O presente estudo tem como objetivo analisar como gestores docentes e gestores técnico-administrativos de uma universidade pública estruturam esquemas cognitivos sobre a gestão e a caracterização de suas práticas gerenciais. A pesquisa parte do pressuposto teórico que concebe a gestão como uma prática social, e assume a perspectiva da cognição social nas organizações para compreender o papel das crenças, significados compartilhados e estruturas de conhecimento que orientam a ação de gestores docentes no contexto universitário. Dada a natureza do objeto de estudo, foi adotada como estratégia metodológica a abordagem qualitativa interpretativa. Seguindo tal perspectiva metodológica a coleta de dados foi realizada por meio de entrevista semiestruturada, e os dados levantados passaram por meio de análise de conteúdo e análise de frequência. Os participantes do estudo foram 7 gestores docentes e gestores técnico-administrativos que ocupam cargos estratégicos em uma universidade pública federal. Os resultados mostram que gestores docentes e técnicoadministrativos compartilham concepções sobre a gestão e empregam práticas similares em sua atuação. Os conceitos que estruturam as concepções dos entrevistados sobre a gestão e acerca da natureza do trabalho gerencial se mostraram relacionados com as dinâmicas e características próprias do contexto da gestão universitária. Por fim, o estudo mostrou que os dois grupos de gestores expressaram percepções distintas acerca da experiência gerencial, as quais podem estar relacionadas ao lugar da gestão na identidade profissional e na trajetória dos participantes de cada grupo.

6
  • JÚLIA TORRES DIAS
  • Filhos entre laços familiares judicializados: uma leitura psicanalítica sobre o fenômeno da alienação parental

  • Orientador : CRISTIANE DE OLIVEIRA SANTOS
  • Data: 28/02/2020
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  • Esta pesquisa situa-se no contexto contemporâneo de transformações que inauguram novas configurações familiares, novos modos de subjetivação, de expressão do sofrimento e de tratamento deste, no qual aos desconfortos e aos mal-estares experimentados são ofertados paliativos médicos e jurídicos. Deste cenário, destacaram-se como objeto de estudo os impasses intersubjetivos experimentados em relações familiares judicializadas sob a insígnia do fenômeno designado como alienação parental (AP), tratado pelas Leis nº 13.431/2017 e nº 12.318/2010 e, recentemente, incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Trata-se de uma pesquisa documental, desenvolvida através do estudo de casos judicializados, e que tem como método de tratamento de dados a análise dos discursos apoiada nas perspectivas freudo-lacaniana e foucaultiana. A partir das noções de discurso, Foucault e Lacan forneceram recursos que permitem pensar a judicialização dos conflitos que abarrotam os tribunais. Nessa perspectiva, o discurso não se restringe ao texto, é ato, envolve as práticas, os rituais e os agentes que os colocam em movimento. Através de uma parceria de oferta e demanda, entre Estado e sociedade, a intervenção da lei é acionada, a fim de regular o social através das relações privadas e (re)mediar o mal-estar do sujeito no campo familiar. Esse ato, que envolve um enlace entre operadores do direito, peritos e famílias, faz circular práticas e palavras na instituição judiciária, produzindo efeitos tanto no campo social quanto no subjetivo. O estudo teve como objetivo geral analisar os discursos sobre o fenômeno designado como AP, a partir dos impasses emergentes no exercício das funções parentais na trajetória de sujeitos que judicializam a reorganização familiar. As análises empreendidas nos textos dos autos processuais demonstram que os processos de medicalização e judicialização da parentalidade tendem a ser marcados por discursos patologizantes, naturalizantes, criminalizantes e vitimizantes, que se articulam como vetores de normalização. Os estudos de caso, por sua vez, evidenciam os matizes dos conflitos intersubjetivos vivenciados, permitindo situar que aquilo que se aborda discursivamente como AP condensa os efeitos de cenas que superpõem os embaraços da conjugalidade e da parentalidade. A partir do fio singular do desejo de cada sujeito que borda a trama familiar, pode-se observar que o outro com quem se litiga na cena judicial reflete os (des)encontros e mal-entendidos da linguagem, o Real que atravessa os laços conjugais e parentais. O litígio vivenciado pelas crianças, por sua vez, demonstra que os conflitos por elas experimentados refletem seus embaraços com o Outro, encarnado em sua família, na busca por respostas aos seus próprios enigmas e afetos, em meio à guerrilha daqueles que se ocupam das funções parentais. Por fim, a proposta de releitura do conflito familiar judicializado, a partir dos referenciais psicanalítico e foucaultiano, localiza a dimensão de “travessias necessárias” que redimensionam a compreensão da AP: de um atravessamento sócio-histórico das formas de se conceber e recriar os laços conjugais e parentais; de uma passagem pelos lutos que os sujeitos realizam no percurso de uma recomposição familiar; da universalidade do fenômeno à singularidade do sintoma de cada sujeito; da reinvenção das práticas de atuação das equipes psicossociais das Varas de Família, das quais os(as) psicólogos(as) fazem parte. Espera-se, a partir do desenvolvimento deste estudo, poder repensar os dispositivos disponíveis ao tratamento do conflito, contribuindo para a produção de uma práxis mais crítica e qualificada dos(as) psicólogos(as) que atuam no Judiciário, transformando os olhares cristalizados sobre o tema da alienação parental e enriquecendo a interlocução entre Psicanálise e Direito. 

7
  • MAURICIO CARDOSO BORGES LACERDA MOURA
  • PERCEPÇÕES SOBRE INTIMIDADE EM RELACIONAMENTOS DE JOVENS ADULTOS MEDIANTE USOS DE REDES SOCIAIS DIGITAIS

  • Orientador : JOSE CARLOS SANTOS RIBEIRO
  • Data: 04/03/2020
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  • A intimidade é entendida como um fenômeno multifacetado aplicável a diferentes experiências de interação social humana. As principais origens da intimidade estão no estabelecimento contínuo de dinâmicas entre os contextos público e privado, enquanto suas transformações foram causadas pela crescente proliferação de interações sociais mediadas por artefatos sociotécnicos que logo se tornaram conhecidos como Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), conectadas em todo o mundo através do advento da Internet. A estrutura eletrônica das TICs possibilitou novos ambientes sociais e digitais pela Internet, ampliando no tempo e no espaço as possibilidades de interação com outros indivíduos. Tradicionalmente, a intimidade era entendida nos campos social e acadêmico como particularidade da interação face a face. À medida que a interação social se depara com plataformas de redes digitais, novos conjuntos de práticas são estabelecidos, alterando as formas pelas quais a intimidade é estabelecida. Utilizando a perspectiva dramatúrgica de Goffman (2010) sobre o self e um modelo de intimidade interpessoal (Prager, 1995) como principais fundamentos, o objetivo da presente pesquisa foi discutir como ocorrem as interações íntimas nos relacionamentos estabelecidos em condições contemporâneas de sociabilidade que se apresentam nas redes sociais digitais. Para tanto, foi realizada uma pesquisa qualitativa e exploratória, na qual foram entrevistados 10 jovens adultos participantes. Os participantes compartilharam percepções e experiências sobre relacionamentos, intimidade e seus usos de dois aplicativos de rede social digital que normalmente são entendidos como aplicativos para estabelecer relacionamentos: Whatsapp e Tinder. Uma análise de conteúdo (Bardin, 2006) foi realizada com base nas particularidades sociais e técnicas dessas plataformas e nas três principais características definidoras da interação íntima: (1) exposição de si (self-disclosure); (2) envolvimento positivo; e (3) compreensão mútua. A percepção dos participantes indicou que, dentre as plataformas, o Whatsapp é o contexto preferencial para estabelecer e desenvolver a intimidade em níveis mais altos, além de ser uma necessidade comunicacional da vida cotidiana. O contexto do Tinder foi identificado como a melhor maneira de conhecer novas pessoas de
    maneira superficial e desassociada do desenvolvimento da intimidade, ainda que possa ocorrer em níveis baixos. Os resultados sugerem que a intimidade se estabelece em graus variados, como uma propriedade das interações que podem ocorrer nos contextos mediados ou face a face, de maneira híbrida. As condições sociotécnicas do Whatsapp indicam regulações ativas de audiências para acesso rápido e prático, gerando uma expectativa social de disponibilidade constante entre os indivíduos, embora de forma assíncrona. Em relação ao Tinder, o gerenciamento da privacidade como forma de acessar informações sobre si é decisivo para direcionar a interação para condições mais próximas da intimidade. Essa direcionalidade das interações provou ser regulada pelo aspecto técnico do contato telefônico, conduzindo principalmente ao espaço mediado do Whatsapp. A exposição de si possibilitada pelos contextos mediados dessas plataformas aponta possibilidades de interação íntima nas redes sociais digitais como uma extensão da intimidade nos relacionamentos interpessoais.

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  • PAULA KLEIZE COSTA SALES
  • Práticas maternas de socialização emocional e autorregulação emocional infantil

  • Orientador : PATRICIA ALVARENGA
  • Data: 12/03/2020
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  • A autorregulação emocional envolve o controle voluntário da tendência comportamental associada à experiência emocional para atingir objetivos e ajustar-se às demandas da situação. Esse processo repercute em diferentes aspectos dos domínios socioemocional e cognitivo, influenciando o ajustamento psicossocial do indivíduo. Diversas variáveis relacionam-se com a autorregulação emocional. Entre essas variáveis, as práticas adotadas pelos pais para ensinar os filhos a entender e administrar as emoções parecem exercer um papel importante no desenvolvimento da autorregulação emocional. Assim, o objetivo deste estudo foi investigar as relações entre as práticas maternas de socialização emocional e a autorregulação emocional infantil. Para alcançar este objetivo, foi utilizado o delineamento correlacional. Participaram deste estudo 33 mães com filhos de ambos os sexos com idade entre seis e sete anos e 30 crianças, selecionadas entre os filhos das mães participantes. As mães responderam à Ficha de Dados Sociodemográficos, à Escala de Reações Parentais às Emoções Negativas dos Filhos – CCNES e ao Inventário de Autorregulação Emocional – ERC. As crianças responderam à Entrevista para Avaliação das Estratégias de Autorregulação Emocional Infantil. Os resultados confirmaram o poder preditivo das reações não apoiadoras da expressão emocional da criança, que resultam em menor capacidade de autorregulação emocional por parte da criança, de acordo com o relato das mães. Quanto à autorregulação relatada pelas crianças, os resultados não confirmaram o poder preditivo das práticas maternas de socialização das emoções sobre essa variável. De qualquer modo as análises preliminares indicaram correlações positivas entre algumas das práticas maternas apoiadoras e certas subcategorias de estratégias de enfrentamento relatadas pela criança e correlações negativas entre esse tipo de prática e algumas das subcategorias de estratégias de fuga mencionadas pelas crianças. Algumas categorias de práticas maternas não apoiadoras, por sua vez, correlacionaram-se positivamente com algumas subcategorias de estratégias de fuga relatadas pelas crianças, e negativamente com certas subcategorias de estratégias de enfrentamento descritas pelas crianças. Os achados indicam a relevância de intervenções que promovam nos pais práticas apoiadoras da expressão de emoções por parte dos filhos de modo a favorecer o desenvolvimento emocional infantil. Quanto ao relato infantil das estratégias de autorregulação, é fundamental que novas pesquisas longitudinais e experimentais incluindo amostras maiores continuem investigando essas relações.

9
  • EMILI DE LIMA MARQUES
  • AS RELAÇÕES ENTRE PERCEPÇÃO DE SUPORTE SOCIAL, SUPORTE FAMILIAR E DESEMPENHO ACADÊMICO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES 

  • Orientador : THATIANA HELENA DE LIMA
  • Data: 13/04/2020
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  • O desempenho acadêmico de crianças e adolescentes envolve o desenvolvimento da habilidade de compreensão de leitura que colabora para a construção de uma trajetória acadêmica. Estudos têm evidenciado que as redes de suporte social, em especial, a família, podem atuar favorecendo ou prejudicando este desenvolvimento, apresentando relações entre a percepção de suporte social e familiar de crianças e adolescentes com o desempenho acadêmico. Suporte social é definido por meio dos recursos psicológicos e materiais disponibilizados pelas redes sociais que podem ser diferenciados em suporte instrumental, informacional e emocional. Suporte familiar, por sua vez, é responsável pelo apoio e suporte psicológico, emocional e social compartilhados entre os membros e que contribuem para o enfrentamento de situações transicionais estressantes. Nesse sentido, o presente estudo investigou as relações entre percepção de suporte social, suporte familiar e desempenho acadêmico de crianças e adolescentes. O delineamento metodológico utilizado foi o correlacional, de abordagem quantitativa.  Os resultados constataram a existência de correlações positivas, fracas à moderadas, entre percepção de suporte social, suporte familiar e desempenho acadêmico de crianças e adolescentes, com diferenciações no desempenho acadêmico considerando-se o gênero, tipo de escola e anos escolares, e diferenças nas percepções de suporte social e familiar em detrimento do gênero, tipo de escola e etapa do desenvolvimento. Dado o exposto, é evidenciado a relevância desta temática para o estreitamento das relações que envolvem os principais contextos de aprendizagem. 

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  • IAGO ANDRADE CARIAS
  • Competências Socioemocionais e Desempenho Docente na Educação Básica: Desenvolvimento de Medida e Teste de Modelo

  • Orientador : SONIA MARIA GUEDES GONDIM
  • Data: 17/07/2020
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  • O principal objetivo desta dissertação foi analisar as relações entre competências socioemocionais (CSEs) e o desempenho contextual de docentes do ensino fundamental. As CSEs são resultantes da articulação entre conhecimentos, habilidades e motivações para lidar com demandas socioafetivas. O desempenho contextual corresponde a ações não formalmente previstas nas descrições de um cargo, mas que contribuem para a efetividade profissional e organizacional. No trabalho de educadores do ensino fundamental, esse desempenho pode incluir comportamentos do dia a dia de sala de aula que também favorecem a formação integral dos estudantes. Esse é o caso das práticas docentes promotoras de um clima para criatividade em sala de aula e de uma relação professor-aluno funcional. Para cumprir o objetivo principal foram desenvolvidos dois estudos. O Estudo 1, de caráter metodológico, teve como objetivo construir e testar as propriedades psicométricas de uma medida de competências socioemocionais de docentes do ensino fundamental (EMODOC). O Estudo 1 foi realizado em duas etapas. No primeiro momento, realizaram-se grupos focais e entrevistas com educadores do ensino fundamental para auxiliar na construção do instrumento e no refinamento do modelo teórico de CSEs. No segundo momento, as qualidades psicométricas do EMODOC foram avaliadas em amostra composta por 188 docentes da rede pública de ensino de uma capital do nordeste brasileiro. Os resultados do Estudo 1 indicaram a unidimensionalidade da medida. O Estudo 2 teve como objetivo testar o poder preditivo das CSEs no desempenho contextual dos docentes, avaliado por meio de suas facetas de clima para criatividade em sala de aula e da relação professor-aluno funcional. Participaram desse estudo 90 professores da amostra anterior que lecionavam do 4º ao 9º ano do ensino fundamental. Também participaram do Estudo 2 três alunos de cada um dos professores para gerar os indicadores das facetas do desempenho contextual dos docentes. Além do EMODOC, os professores responderam à Escala de Relação Professor-Aluno. Os alunos responderam à Escala de Clima para Criatividade em Sala de Aula. Os resultados do Estudo 2 indicaram que as CSEs são preditoras apenas da relação professor-aluno funcional (alta afinidade e baixo conflito). As principais contribuições desta dissertação são: (1) oferecer um modelo teórico de CSEs docentes contextualizado ao ensino fundamental; (2) oferecer uma medida unidimensional de CSEs dos docentes; e (3) trazer evidências de haver relações, ainda que parciais, entre CSEs e desempenho contextual docente.

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  • KATLYANE COLMAN MACHADO DE MACHADO
  • Tipos de Inovação em Micro e Pequenas Empresas: O papel das características pessoais e de gestão do empreendedor

  • Orientador : SONIA MARIA GUEDES GONDIM
  • Data: 20/07/2020
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  • A inovação mostra-se como um fenômeno central para o êxito de micro e pequenas empresas. Diversos fatores de natureza pessoal, ambiental e de estilo do negócio mostram-se associados à inovação, embora o foco recaia prevalentemente na inovação tecnológica. A questão que se procura responder neste estudo é se os fatores de natureza individual, como características pessoais e o estilo de gestão do microempreendedor, poderiam ajudar a explicar diferentes tipos inovação. Para tentar responder a essa pergunta, foram propostos dois estudos. O primeiro teve como objetivo desenvolver uma medida, com base no modelo proposto por Silva (2018), que contemplasse dois fatores: características individuais do empreendedor e características da gestão do negócio. O segundo teve o objetivo de testar de modo exploratório as associações entre esses fatores e diferentes tipos de inovação (produtos, processos, marketing e organizacional). A amostra do primeiro estudo contou com 149 donos de micro e pequenas empresas, enquanto o segundo contou com 148 microempreendedores. O estudo 1 indicou que a estrutura bifatorial prevista pela medida separando características individuais do empreendedor e sua forma de gerenciar o negócio não foi confirmada. A solução bifatorial encontrada, após exclusão dos itens de características individuais do gestor, e que melhor se ajusta aos dados foi a de duas orientações de gestão: uma com foco nas tarefas e outra com foco nas pessoas. O estudo 2 apontou que o estilo de gestão orientado para tarefa foi o único fator com impacto significativo nos quatro tipos de inovação aqui analisados, sugerindo que as características individuais e o estilo de gestão orientado para pessoas não contribuem para explicar o tipo de inovação. Os estudos contribuem para a literatura da inovação, oferecendo uma medida de orientação da gestão a ser aplicada em contexto das micro e pequenas empresas, haja vista o papel central do microempreendedor no desenvolvimento de seu negócio. Oferece indícios a serem explorados em estudos futuros de que apesar de a literatura apontar para a importância das características pessoais do empreendedor, a gestão mais focada nas tarefas parece explicar melhor a inovação tecnológica e não tecnológica.

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  • NAYLANA RUTE DA PAIXÃO SANTOS
  • RACISMO E EVENTOS PRODUTORES DE ESTRESSE: EXPERIÊNCIAS DE IDOSAS (OS) NEGRAS (OS)

  • Data: 26/08/2020
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  • A velhice é uma experiência heterogênea e complexa e o contexto de desenvolvimento da pessoa e as oportunidades sociais são elementos indispensáveis à reflexão da maneira como o estresse se apresenta no cotidiano, inclusive como elemento estruturante da vivência pessoal e coletiva. As desigualdades sociais e raciais influenciam na maior exposição a eventos estressantes, especialmente na população negra e velha, cuja trajetória de vida é marcada por situações discriminatórias originárias do racismo estrutural. O presente estudo objetivou analisar os eventos considerados produtores de estresse por idosas (os) negras (os). Participaram 11 idosas (os) autodeclaradas (os) negras (os), escolhidos por meio de amostra não probabilística por acessibilidade, dos quais 9 eram mulheres e 2 homens; cujas idades variaram entre 60 a 83 anos. A entrevista narrativa foi utilizada como método de coleta de dados, e a análise das entrevistas foi realizada por meio do método proposto por Schutze, de modo a captar as trajetórias singulares e coletivas. Os resultados mostraram que os eventos vivenciados ao longo da vida (antes da velhice), envolveram o relacionamento conjugal especialmente das mulheres, o adoecimento, o trabalho, a morte e o luto, as restrições materiais, a família, a mudança de casa e a discriminação racial. Na velhice, permearam os temas da saúde e autonomia, descendência, afetividade e suporte social, discriminação e racismo e as condições materiais. Observou-se que as vivências ocorridas ao longo da vida apresentaram eventos não esperados, marcados pelo contexto social de desenvolvimento da população negra e feminina. Os eventos da velhice abarcaram situações encontradas em outros estudos com a população idosa em geral e eventos que continuaram vigentes desde a juventude, como o adoecimento, relacionamento conjugal conflituoso, necessidades financeiras e situações de discriminação. Os resultados mostram a interrelação desses eventos com o racismo. As mulheres negras e velhas, sobretudo, experimentaram a atuação do racismo intercalada com a lógica patriarcal desde o início de suas vidas.

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  • LIVIA D'OLIVEIRA TOHMÉ
  • O acolhimento da demanda em um CAPS i: estudo de caso sobre o trabalho da equipe

  • Orientador : ANDREA HORTELIO FERNANDES
  • Data: 21/09/2020
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  • A presente dissertação, fruto de um trabalho de pesquisa de mestrado, se propõe a estudar o tratamento dado ao sintoma da criança a partir do acolhimento da demanda em um Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil (CAPS i) da Região Metropolitana de Salvador. O CAPS i faz parte do legado da reforma psiquiátrica no Brasil. Autores da área apontam que o acolhimento na saúde mental infanto-juvenil não evoluiu no mesmo compasso que a assistência a adultos, apontando ainda para práticas normativas, medicalizantes e patologizantes. Assim, a pesquisa apresenta como temática central a demanda do sujeito e a clínica do acolhimento na saúde mental infantil, buscando investigar os giros discursivos dos profissionais que no dispositivo atuam, de forma a examinar se as práticas têm se afastado do modelo antimanicomial e qual a participação da psicanálise neste processo. Propus-me, então, a pesquisar de que forma os dispositivos de saúde mental infanto-juvenil da rede de atenção psicossocial têm recepcionado os usuários em suas demandas e que discursos perpassam suas práticas profissionais no momento do acolhimento. A forma como a clínica do acolhimento é trabalhada pelos técnicos em determinada instituição pode, como constatei, ser um índice de como os discursos circulam ali dentro. Assim, o estudo do dispositivo da clínica do acolhimento é essencial para pensar o bom funcionamento da assistência em saúde mental infantil. A pesquisa teve como objetivo geral investigar os discursos presentes no tratamento dado ao sintoma da criança no acolhimento à demanda num CAPS i, a partir do estudo de casos discutidos nas reuniões da equipe técnica; e como objetivos específicos: identificar o funcionamento da clínica do acolhimento em um Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil; examinar os efeitos do discurso do analista no acolhimento à demanda do sujeito em um Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil; discutir a circulação dos discursos e a direção do tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil a partir da teoria dos discursos de Lacan. Para alcançar tais objetivos, me inseri como observadora no CAPS i estudado durante um período de catorze meses, posteriormente desenvolvendo estudos de casos atendidos na instituição e examinando-os a partir da teoria dos discursos de Lacan.

Teses
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  • GILCIMAR SANTOS DANTAS
  • Processos duais e preconceito em dois temas de interesse para segurança pública: Redução do racismo automático na identificação de armas e a tomada de decisão sobre a responsabilização penal de adolescentes.

  • Orientador : MARCOS EMANOEL PEREIRA
  • Data: 30/01/2020
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  • Este trabalho está dividido em duas partes. A primeira se caracterizou pela implementação de um software de identificação de armas de imersão em realidade 3D que se caracterizou por dois estudos. O primeiro estudo, com 20 trials – aparições de avatares portando armas ou celulares – teve como objetivo verificar se o racismo poderia influenciar no padrão de resposta de participantes brasileiros e moçambicanos a avatares brancos e negros portando armas de fogo ou celulares. O segundo estudo triplicou a quantidade de trials (60) com o intuito de verificar se uma maior aparição de avatares negros e brancos portando
    armas de fogo e celulares diminuiria ou exacerbaria o efeito do racismo na tarefa.Os resultados mostraram que os participantes apresentam um maior número de acerto para um avatar negro desarmado (estudo 1) e que as medidas de sensibilidade e critério não dependem da raça do avatar e que 60 trials não são o suficiente para produzir padrões de resposta conclusivos (estudo 2). A segunda parte desta pesquisa teve como objetivo verificar se o tipo de framing poderia impactar no grau de responsabilização a um adolescente que atenta contra vida de outras pessoas e se isto possuiria alguma relação com o ultraje moral, a ameaça e as emoções (estudo 1) e o quanto esta tomada de decisão poderia sofrer efeito do preconceito quando se tratasse de um adolescente negro, emuma amostra brasileira (estudo 2), ou quando se tratasse de um adolescente árabe, em uma amostra espanhola (estudo3). Os resultados mostraram que a raiva teve mais impacto que o medo na responsabilização de um adolescente
    (estudo 1), que os participantes submetidos ao framing individualizado apresentaram maiores escores de ultraje moral e responsabilização para o adolescente branco (estudos 2 e 3). Questões sobre processos duais,automatismo e controle, framing, racismo e segurança pública foram apresentadas e discutidas.

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  • CATIELE PAIXAO DOS SANTOS
  • Controle parental em contextos afetados pelo adoecimento de crianças com fibrose cística

  • Orientador : PATRICIA ALVARENGA
  • Data: 07/02/2020
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  • A fibrose cística é uma doença crônica genética, potencialmente letal, que compromete o funcionamento de órgãos dos sistemas respiratório e gastrointestinal. O diagnóstico da fibrose cística tende a ser realizado ainda na infância e afeta os principais cuidadores provocando alterações na sua rotina diária e, em muitos casos, prejuízos à saúde mental e na interação com a criança. Mães de crianças com fibrose cística tendem a apresentar importantes sintomas de depressão e prejuízos na qualidade da interação com a criança. O presente estudo teve o objetivo geral de avaliar as relações entre contextos da vida de crianças com fibrose cística e as estratégias de controle materno, e possíveis efeitos benéficos do treino em habilidades para resolução de problemas sobre a saúde mental e o controle materno (suporte apropriado, controle crítico ou superproteção). Para tanto foram realizados dois estudos complementares. O Estudo 1 teve o objetivo de descrever as estratégias controle parental em diferentes contextos da vida de crianças com fibrose cística (rotina diária e interação com pares). Participaram deste estudo 14 mães e dois pais de crianças com fibrose cística que tinham entre cinco e 12 anos de idade (M = 7.00; DP = 2.25). Os instrumentos utilizados foram uma Ficha de Dados Sociodemográficos, uma Ficha de Informações Clínicas da Criança, a Entrevista sobre Práticas Educativas Parentais e a Entrevista Estruturada sobre Práticas Educativas Parentais e Socialização Infantil. Os dados foram avaliados através de análises de estatística descritiva. Os resultados indicaram que o suporte apropriado foi mais frequente nos dois contextos avaliados, 83.9% na rotina diária e 44.37% na interação com pares. Na rotina diária os relatos de controle crítico foram pouco frequentes (15.68%), especialmente em situações relacionadas ao tratamento da doença. Na interação com pares os relatos de superproteção foram mais frequentes (38.48%) do que os de controle crítico (17.15%). Os achados deste estudo permitem concluir que pais de crianças com fibrose cística podem ser mais flexíveis e responsivos às dificuldades das crianças associadas ao tratamento do que a outros tipos comportamentos problemáticos na rotina diária, enquanto os problemas nas interações com pares tendem a evocar estratégias de superproteção. O Estudo 2 avaliou os efeitos de uma intervenção com treinamento de habilidades de resolução de problemas para mães de crianças com fibrose cística sobre a saúde mental e as estratégias de controle materno. As participantes desse estudo foram duas mães de crianças com fibrose cística que haviam participado do estudo anterior. Este foi um estudo de delineamento experimental de caso único AB. Além da Ficha de Informações Sociodemográficas e da Ficha de Informações Clínicas da Criança, foram usados o Inventário Beck de Depressão II, para avaliação dos sintomas de depressão, e a Entrevista sobre Práticas Educativas Parentais, para acessar as estratégias de controle materno. As avaliações pré e pós-teste foram realizadas em domicílio e as oito sessões de intervenção foram implementadas em um ambulatório multiprofissional de fibrose cística. Os resultados revelaram redução dos sintomas de depressão materna nos dois casos. Em apenas um dos casos houve um pequeno aumento de estratégias de suporte apropriado e uma modesta redução de estratégias de superproteção. Intervenções baseadas no treino de habilidades de resolução de problemas podem contribuir para a redução de sintomas de depressão em mães de crianças com fibrose cística, mas são insuficientes para modificar estratégias de controle materno.

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  • ANA CRISTINA PASSOS GOMES
  • Comprometimento Organizacional e Cidadania Organizacional: em busca de uma delimitação conceitual e empírica 

  • Data: 31/03/2020
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  • Historicamente, a maior parte das pesquisas sobre comportamentos de cidadania organizacional têm o considerado como um consequente do comprometimento organizacional, havendo uma carência de estudos que investiguem a sobreposição conceitual entre tais construtos quando tomados a partir da perspectiva comportamental. O presente trabalho realizou uma delimitação conceitual entre comprometimento e cidadania e testou empiricamente se a concepção de comprometimento organizacional associada a comportamentos de proatividade do trabalhador em relação à sua organização seria equivalente à definição tradicional de comportamentos de cidadania organizacional. Para tanto, um levantamento foi conduzido com 768 trabalhadores, os quais responderam tanto em papel como eletronicamente a sete escalas: a Escala de Intenções Comportamentais de Comprometimento Organizacional (EICCO), Escala de Intenções Comportamentais de Cidadania Organizacional (EICCOrg), a Escala Comportamental de Cidadania Organizacional (ECCO), um conjunto de escalas atitudinais de comprometimento afetivo, uma escala de comprometimento com a equipe, uma escala de comprometimento com o trabalho e uma escala de intenções de saída da organização. Os procedimentos de análise de dados foram divididos em quatro etapas. A princípio, testou-se a validade de construto da EICCOrg e, em um segundo momento, buscou-se verificar se ela apresentou validade convergente com a ECCO. Posteriormente, uma série de modelos de equações estruturais testou a principal hipótese do estudo acerca da sobreposição conceitual entre comportamentos de comprometimento organizacional e de cidadania organizacional. No último estágio, uma nova técnica psicométrica chamada de redes psicológicas foi empregada para verificar como os itens de cidadania e comprometimento se comportam espacialmente. Os resultados sugerem que a EICCOrg, ao confirmar os estudos anteriores que atestam sua estrutura unidimensional, apresenta evidências de validade de construto e de validade convergente com a ECCO. A partir dos modelos de segunda ordem e bifatorial entre as dimensões da EICCO e da EICCOrg pode-se observar que as medidas se agrupam em torno de um fator geral de segunda ordem, bem como possuem itens os quais apresentaram valores de lambda superiores em seu fator comum do que no fator geral, apontando para uma forte associação entre os construtos cidadania organizacional e comprometimento organizacional. Os testes adicionais com o comprometimento afetivo como antecessor de ambos comprometimento e cidadania sugerem padrões similares de predição, assim como ocorreu com as variáveis comprometimento com o trabalho e comprometimento com a equipe, cujos modelos se desempenharam de formas similares nas suas relações com cidadania e comprometimento tanto para os modelos de covariância como para os modelos de moderação. Finalmente, a análise de redes sociais demonstrou que os itens da EICCOrg e da EICCO se apresentam mais próximos e misturados na rede em comparação com os itens da ECCO e de comprometimento afetivo, embora os itens da ECCO mostrem-se ainda mais próximos espacialmente dos itens de intenções comportamentais. A topologia de tal rede foi confirmada pela análise de comunidades, em que três comunidades foram automaticamente identificadas, sendo todos os itens da EICCO e da EICCOrg agrupados em uma comunidade única, formando os itens da ECCO e das escalas afetivas duas comunidades separadas. O conjunto de análises e relações identificadas entre cidadania organizacional e comprometimento organizacional demonstra forte evidência empírica de sobreposição conceitual entre os construtos, sendo que todas as hipóteses deste estudo foram confirmadas. Não obstante tais resultados, aponta-se para a importância de que estudos futuros venham a testar novas relações do comprometimento e da cidadania com outras variáveis moderadoras e em diferentes cenários, a fim de verificar se elas respondem da mesma forma quando outras características psicológicas são levadas em consideração, bem como se os resultados derivados deste estudo podem ser generalizados para outros contextos culturais e organizacionais.

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  • JACIRA DA SILVA BARBOSA
  • ITINERÁRIOS ESCOLARES E EXPERIÊNCIAS UNIVERSITÁRIAS DE FILHAS DE FAMÍLIAS MATRIFOCAIS: A INSUBORDINAÇÃO ÀS PROFECIAS 

  • Orientador : SONIA MARIA ROCHA SAMPAIO
  • Data: 31/03/2020
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  • Este estudo, vinculado ao Observatório da Vida Estudantil (OVE), analisou histórias de bom desempenho escolar nas trajetórias vivenciadas, até o início da vida adulta, com o ingresso na universidade pública, por jovens universitárias que nasceram em contextos adversos, especificamente em famílias matrifocais pobres, e como os diversos ambientes de desenvolvimento contribuíram para a sua longevidade escolar e acadêmica. Com foco na Psicologia do Desenvolvimento, esfera em que se abriga este doutorado, teço reflexões a partir da Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano de Urie Bronfenbrenner, perspectiva teórica que discute os processos de interação da pessoa nos diversos sistemas sociais humanos, sendo útil na compreensão da família como contexto relacionado a outros contextos de influência. Pela própria complexidade e especificidade da temática em estudo, esta tese tem um caráter interdisciplinar e, além dos referenciais supracitados, dialoga com outras áreas de saber, como a sociologia, a filosofia e a antropologia. De forma análoga, os dados empíricos evidenciaram a necessidade e a importância de retomar o debate acerca de três principais eixos de dominação que se intersectam e recortam uns aos outros – gênero, raça e classe social, sendo por isso aqui também discutida a questão da interseccionalidade, referência fundamental do feminismo negro. Esta investigação teve delineamento qualitativo, pautado em estudo de casos. Foram realizadas entrevistas reflexivas com seis estudantes do sexo feminino, beneficiadas pelas políticas de ações afirmativas, de três instituições públicas do Estado da Bahia: UFBA, IFBA e UNEB, que viveram, desde a infância, em lares matrifocais. A investigação também incluiu entrevistas com as mães das estudantes no sentido de conhecer suas contribuições para a longevidade escolar das filhas, e tratar a complexidade desse processo no contexto de realidades familiares de mulheres negras e pobres. A análise dos dados produzidos ao longo das entrevistas foi dividida em distintas seções de forma a compreender e ressaltar os significados ordinários e idiossincráticos, pessoais e coletivos das trajetórias das participantes nos diferentes ambientes onde vivem suas vidas. A análise contextual dos resultados nos permitiu perceber diversos pontos referentes aos desafios e limites rotineiros impostos às estudantes e às suas famílias ao longo dos anos na luta pela manutenção de sua subsistência nos sistemas interligados de desenvolvimento, no interior de uma sociedade capitalista, patriarcal e racista. Contudo, a ênfase maior desta investigação foi direcionada para ressaltar as potencialidades, as virtudes, as forças e os recursos por elas desenvolvidos e utilizados para fazer frente àqueles desafios, tais como o cuidado materno, a determinação, a perseverança, a rede de apoio e de solidariedade, a coesão da relação mãe-filha, a espiritualidade, a fé e a esperança. Esses elementos foram imprescindíveis para o ingresso e permanência das estudantes na educação superior pública, ainda hoje um privilégio de renda, cor e origem social.

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  • LIANA SANTOS ALVES PEIXOTO
  • Mindfulness, regulação emocional e carreira acadêmica: uma investigação com estudantes de pós-graduação

  • Orientador : SONIA MARIA GUEDES GONDIM
  • Data: 03/07/2020
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  • O objetivo geral da tese foi o de analisar os efeitos da prática de mindfulness na reatividade emocional, na regulação emocional, e também na percepção de bem-estar psicológico e de estresse em estudantes de pós-graduação. A escolha desta população decorre do aumento do sofrimento psíquico de estudantes no enfrentamento de demandas emocionais na formação acadêmica. Esperava-se que a intervenção baseada em mindfulness viesse a reduzir a reatividade emocional e a percepção de estresse, além de aumentar a percepção de bem-estar psicológico e a atenção plena, com melhorias no processo regulatório das emoções vivenciadas no contexto da pós-graduação. Na revisão de literatura sobre as relações de mindfulness e o processo de regulação emocional, foi indicada a necessidade de mais estudos que considerassem o aspecto processual de mindfulness e possibilitassem capturar a vivência subjetiva da prática de mindfulness. Foram então propostos dois estudos empíricos, para explorar diferentes efeitos da prática de mindfulness. O primeiro estudo teve como objetivo explorar os efeitos desta prática na reatividade emocional, mensurada a partir de medidas de a) autopercepção sobre valência e alerta na avaliação de imagens afetivas; e b) oscilação postural na visualização destas imagens. No segundo estudo investigou-se os efeitos da prática de mindfulness na regulação emocional, mensurada por escalas de percepção de estresse e bem-estar psicológico e entrevistas pré e pós-intervenção. Participaram do estudo 45 estudantes de pós-graduação, alocados aleatoriamente em grupos de intervenção e controle. Foram aplicadas medidas pré e pós-intervenção baseadas em mindfulness. Procederam-se a testes de análise de variância de medidas repetidas e, no caso das entrevistas, fez-se uso da técnica de análise de conteúdo temática. Nos resultados do primeiro estudo empírico foi demonstrado mudança no padrão postural basal do grupo de intervenção, somente nas imagens neutras, com aumento da oscilação postural, sugerindo maior exploração do espaço pessoal, bem como redução na percepção de alerta nas imagens desagradáveis entre os estudantes que passaram pela intervenção. Nos resultados do segundo estudo empírico foi observado um aumento nos níveis de atenção plena e no bem-estar psicológico, com redução do estresse percebido e uso de estratégias de enfrentamento ao estresse nos grupos de intervenção. Apesar de algumas limitações, a tese traz evidências empíricas de efeitos positivos da prática de mindfulness. Espera-se que os resultados sejam incorporados nos processos de formação de novos pesquisadores, tornando-os mais capazes de lidar com os desafios de uma carreira com demandas crescentes que requerem maior gerenciamento emocional.

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  • ANA CELIA ARAUJO SIMOES
  • Trabalho emocional: Da caracterização conceitual à proposição de um modelo preditivo multinível no contexto da saúde

  • Orientador : SONIA MARIA GUEDES GONDIM
  • Data: 21/07/2020
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  • Desde a sua gênese, o trabalho emocional (TE) vem se constituindo em um objeto de pesquisa de grande interesse por parte dos estudiosos da Psicologia Organizacional e do Trabalho. A despeito dos diferentes entendimentos e ênfases sobre seus processos e resultantes, há certa unanimidade em relacioná-lo aos processos de regulação e expressão emocional empreendidos pelos trabalhadores para atender a regras de expressões emocionais da ocupação e ou organização (Hochschild, 1983/2003). Na tentativa de compreender melhor um fenômeno tão complexo e esclarecer resultados imprecisos e díspares, pesquisadores têm buscado desenvolver modelos teóricos mais amplos que articulem preditores, consequentes e variáveis mediadoras e moderadoras do TE. Nesta perspectiva, o objetivo geral desta tese foi o de testar um modelo teórico-empírico de caráter exploratório e multinível que explicasse as relações entre os elementos que compõem o TE (demandas emocionais, estratégias de regulação e desempenho emocional) e a variável traços de afetividade em uma instituição hospitalar, considerando dois públicos-alvo de interação: pacientes e seus acompanhantes e os colegas de trabalho. Escolheu-se a variável traços de afetividade por ser um importante preditor e moderador do TE. O modelo teórico-empírico se propôs, principalmente, a testar se as demandas emocionais e seus efeitos no desempenho emocional do trabalhador poderiam ser explicados pelo nível de compartilhamento de tais demandas entre os membros de uma mesma equipe de trabalho, o que sugeriria haver variabilidade neste desempenho para os dois públicosalvo. Optou-se por testar o modelo no ambiente hospitalar pela forte presença de demandas emocionais neste setting. Participaram da pesquisa 306 trabalhadores pertencentes a 45 setores do hospital que foram avaliados em seu desempenho emocional por 30 gestores. Realizam-se três estudos. O primeiro objetivou sistematizar as definições conceituais e de medidas do TE apartir de uma revisão de literatura integrativa. O segundo testou as evidências de validade de uma medida de desempenho emocional aplicável ao contexto da pesquisa. O terceiro realizou o teste empírico do modelo teórico multinível proposto. Os resultados do primeiro estudo apontaram para a necessidade de se definir e apreender o TE a partir de seus três elementos constitutivos (demandas, estratégias e desempenho emocional) de modo interrelacionado. A medida proposta para a mensuração de desempenho emocional para o contexto de pesquisa apontou evidências de validade para suas três dimensões: padrão emocional expresso pelo trabalhador, autenticidade emocional e empatia. Os resultados do terceiro estudo não apoiaram a suposição de efeito do compartilhamento das demandas emocionais no desempenho emocional. Isto sugere que, talvez, uma identidade do profissional de saúde acabe por não diferenciá-los na percepção de regras de expressão emocional, mesmo tendo em conta a presunção de que as diferentes unidades em que atuam variam em termos da intensidade de demandas (setor de diagnóstico, emergência, unidades de tratamento intensivo, etc.). Foi evidenciada a mediação da estratégia de ação profunda na relação entre a demanda emocional para expressar compaixão e o desempenho emocional para com pacientes e acompanhantes. Por último, as demandas para expressar compaixão para com pacientes e acompanhantes e ocultar a raiva para com os colegas de trabalho moderaram, respectivamente, as relações entre a afetividade positiva e ação profunda e entre a afetividade negativa e a ação superficial, intensificando o uso dessas estratégias.

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  • SHINIATA ALVAIA DE MENEZES
  • INTERAÇÕES CRIANÇA-CRIANÇA EM UM PÁTIO ESCOLAR: A CONSTITUIÇÃO DO GRUPO DE BRINCADEIRA COMO LUGAR POLÍTICO

  • Orientador : ILKA DIAS BICHARA
  • Data: 06/08/2020
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  • A tese proposta compreende o grupo de brincadeira (GB) como lugar de sustentação e, simultaneamente, como promotor do processo de desenvolvimento. Concebe o GB como matriz de formação de vínculos, portanto locus privilegiado de interações e relações sociais vitais ao desenvolvimento, visto que a sobrevivência física e a transmissão/recriação cultural dependem das trocas intersubjetivas. A tese está orientada para contribuir com a fundamentação teórica do GB, ancorando-o em pressupostos da Psicologia do Desenvolvimento Evolucionista (PDE) articulados com pressupostos da teoria histórico-cultural, teoria da aprendizagem cultural, sociologia da infância e ciência das relações humanas. A partir desses referenciais, a tese inova ao propor o construto GBP (grupo de brincadeira como lugar político), que explicita a reciprocidade entre dois conceitos que emergem das/nas brincadeiras e interações das crianças no contexto escolar: lugar de criança e território ressignificado. O grupo de brincadeira assume o status GB-P quando exibe modos de agir interacional, coletivo, que demonstram habilidade, engenhosidade e diplomacia na construção e vivência de planos de ação que resultam em estratégias criativas, possibilitando que o GB seja um lugar de defesa, resistência e expressão da cultura de pares. O GB-P é constituído por duas dimensões complementares: (1) a dimensão tópica, que possibilita pensar o GB enquanto lugar/pilar construído na dinâmica interacional – GB como lugar de criança e GB como território/microssociedade; (2) a dimensão funcional, que, atribui a cada um desses lugares/pilares determinadas funções: – função estratégica/instrumental; função comunicativa e de gestão de relações interpessoais. Visando ilustrar a tese proposta com dados empíricos, desenvolveu-se pesquisa qualitativa com crianças na faixa etária dos 5 aos 7 anos, em escola pública do município de Feira de Santana/BA, utilizando método que conjugou observações diretas de brincadeiras espontâneas no pátio escolar com rodas de conversa mediada por desenho temático e conversas informais com as crianças, individualmente ou em pequenos grupos. Além de ilustrar as dimensões do construto GBP, os dados apontaram para a criação de duas novas estratégias de resistência e de enfrentamento à cultura escolar.

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  • ADRIELLE DE MATOS BORGES TEIXEIRA
  • Tensões subjetivas e culturais na experiência identitária de ser um estudante universitário negro: a emergência de um Self Decolonial 

  • Orientador : MARIA VIRGINIA MACHADO DAZZANI
  • Data: 22/09/2020
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  • Esta pesquisa teve como foco as experiências vividas pelos estudantes negros na universidade
    e as suas relações com o desenvolvimento psicológico. Seu propósito foi propiciar uma
    discussão que ultrapassasse a comparação de desempenho acadêmico entre estudantes cotistas
    e não cotistas, abrangendo as implicações do vivido em um contexto marcado pelo racismo
    estrutural nos processos de subjetivação da pessoa negra. Deste modo, seu objetivo geral foi
    analisar como estudantes negros negociam significações na construção do self nas suas
    trajetórias universitárias. Para tanto, teve como objetivos específicos: 1) Conhecer como os
    estudantes negros universitários compreendem suas experiências identitárias raciais e a
    participação das vivências universitárias nesta compreensão; 2) Analisar como estudantes
    negros universitários se relacionam com as múltiplas vozes que participam do seu processo
    acadêmico-universitário e; 3) Identificar os recursos simbólicos e sociais utilizados por
    estudantes negros para enfrentar dificuldades encontradas nas suas trajetórias universitárias.
    Compreendendo que os processos de escolarização influenciam nos modos de subjetivação e
    constituição de si, esta pesquisa baseou-se na tese de que as experiências universitárias podem
    ensejar processos de transformação na compreensão que o estudante negro(a) possui sobre sua
    própria experiência identitária racial. Estes processos, por sua vez, relacionam-se com novas
    (re)construções semióticas e novos posicionamentos de si. Adotando como referencial teórico
    a Teoria do Self Dialógico e a perspectiva da Psicologia Cultural Semiótica, realizou-se um
    estudo de natureza qualitativa, a partir de três estudos de caso, utilizando como instrumento a
    entrevista narrativa. As participantes foram estudantes autodeclaradas negras, matriculadas em
    universidades públicas de Salvador/BA. A partir do material empírico analisado e considerando
    que o Self, da forma como é compreendido pelas teorias euro-ocidentais (predominantes na
    Psicologia), não contempla as especificidades de desenvolvimento psicológico daqueles que
    não correspondem ao padrão de ser humano universal adotado por elas, foi proposta a
    elaboração de um construto teórico que considere as especificidades de desenvolvimento da
    pessoa negra, a saber: o Self Decolonial, isto é, um Self que, sendo dialógico, emerge quando
    a pessoa negra, imersa em uma semiosfera marcadamente racista, acessa, interage e dialoga
    com discursos e experiências contra-hegemônicos (seja através de estudos teóricos, seja através
    do contato com pessoas e contextos), desencadeando novas configurações subjetivas que
    levarão à uma nova experiência identitária racial.

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  • ANDERSON FONTES PASSOS GUIMARAES
  • PERFORMANCES E PERFORMATIVIDADES DE GÊNERO POR CORPOS DISSIDENTES: UM ESTUDO SOBRE TRAJETÓRIAS DE GAYS AFEMINADOS QUE ATUAM COMO DRAG-QUEENS

  • Orientador : JOSE CARLOS SANTOS RIBEIRO
  • Data: 23/09/2020
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  • Esta é uma tese cujo objetivo é analisar as trajetórias de gays afeminados que atuam como drag-queens na cidade de Salvador (Bahia), a fim de problematizar a relação entre performance (atuações como drags) e performatividade (relativas à vivência do gênero), essa última compreendida na teoria de Judith Butler como sendo a repetição e a estilização de atos reificados, os quais não passariam pela dimensão da agência do sujeito, como no caso das performances da drag. A partir disso, discute-se sobre performatividade e performance como construtos indissociáveis e como estratégias de convivência e de enfrentamento social de gays afeminados; evidenciando através da análise das trajetórias narradas pelos participantes que ambas podem ser exercidas a partir da agência do sujeito, ao tempo que também podem funcionar por meio da repetição e da reificação de atos estilizados por identificação do gênero. Com isso, analisa-se quais as estratégias de práticas sociais, costumeiramente, utilizadas por estes sujeitos frente aos tensionamentos produzidos por conta de suas performances e de suas performatividades de gênero. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, na qual foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com três homens gays que se reconhecem afeminados, que são reconhecidos socialmente como tais no contexto em que vivem e que trabalham como drags da cidade de Salvador (Bahia); esta última condição foi elencada por se tratar de um ofício em que, pelo menos, inicialmente, se demanda a agência do sujeito para a construção e montagem da personagem, o que em relação à condição de gay afeminado, pode-se supor a repetição e a reificação de atos como principal característica desta condição. Esta pesquisa toma a teoria da performatividade de gênero de Judith Butler como central para suas análises, articulando com os estudos queer e com as perspectivas teóricas de Michel Foucault sobre poder. As discussões da pesquisa sinalizam para a compreensão de que: primeiro, os entrevistados fazem uso do revezamento entre performance e performatividade de gênero tanto quando estão montados de drags quanto quando estão fora da personagem, na condição de gays afeminados; e segundo, que ao performar a personagem da drag acabam exercendo a performatividade de gênero, ao passo que na condição de gays afeminados, por estarem confrontando a norma, podem performar o gênero para parecer que estão performatizando-o. Assim, propõe-se que, mesmo considerando a possibilidade de compartilharem de características semelhantes, performance e performatividade permaneçam enquanto categorias descritivas diferenciadas e que, com isso, adote-se a perspectiva analítica para perceber nas trajetórias dos sujeitos como ambas são acessadas a fim de parecer uma ou outra por conta das normas de gênero, e como isso se repercute na percepção sobre si desses sujeitos, na possibilidade de transitar nos lugares e na forma como seus afetos serão vivenciados. Por fim, compreende-se que no caso de corpos dissidentes das normas sexuais e de gênero, como gays afeminados, o desenvolvimento de uma consciência reflexiva devido à resistência diante dessas normativas, e consequentemente, da agência do sujeito, será fundamental para a vivência da performatividade do gênero.

2019
Dissertações
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  • PABLO MATEUS DOS SANTOS JACINTO
  • ADOLESCÊNCIAS E ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL: A CONSTRUÇÃO NARRATIVA DE IDENTIDADE DIANTE DA POSSIBILIDADE DE DESLIGAMENTO COMPULSÓRIO POR MAIORIDADE

  • Orientador : MARIA VIRGINIA MACHADO DAZZANI
  • Data: 07/01/2019
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  • O acolhimento institucional se configura, atualmente, como uma estratégia estatal de proteção a crianças e adolescentes em situação de risco por violação de direitos. Sua configuração se baseia no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), documento legal promulgado em 1990 que orienta as políticas públicas voltadas para essa parcela da população. Entretanto, a institucionalização de crianças e adolescentes não é um fenômeno recente no país, e tem variado suas configurações desde o período colonial até o momento atual. Percebe-se que a esse processo se lastreia em interesses das hegemonias de cada período histórico e se sustentam em diferentes modos de compreensão acerca do fenômeno da infância e adolescência, em especial, aquelas em vulnerabilidade econômica e social. Nas normas do ECA, o acolhimento institucional se configura como uma medida protetiva, que busca amparar os indivíduos em situação de risco e reestabelecer seus direitos violados. Em geral, o público dessas instituição consiste em crianças e adolescentes que passaram por situações de abandono, violência, negligência e, mais raramente, orfandade. Após a institucionalização, as equipes multiprofissionais buscam tornar viável a reinserção familiar, já que – por lei – a família deve exercer seu papel de cuidado em parceria com o Estado e a sociedade. Não havendo tal possibilidade, o sistema de justiça opta por destituir o poder familiar e disponibilizar a criança ou adolescente institucionalizada para inserção em família substituta. Entretanto, essa questão é complexa e envolve a construção de vínculos e as expectativas construídas por cada família, além dos perfis geralmente pretendidos nos processos de adoção. Observa-se, portanto, que muitas crianças institucionalizadas atingem a adolescência ainda sob essa condição, por não terem sido adotadas ao longo do período de institucionalização. Os dados oficiais revelam que, em 2018, aproximadamente 31,6% do público institucionalizado consiste em adolescentes entre 12 e 17 anos. A desinstitucionalização de adolescentes em situação de abrigamento merece atenção, pois há falta de políticas públicas adequadas a assistir jovens que completaram 18 anos após passarem grande parte de sua vida institucionalizado. Existência de estereótipos negativos, relações interpessoais e institucionais fragilizadas, dentre outros aspectos, podem contribuir com a formação de adolescentes sem preparação ou boa perspectiva de futuro pós-abrigamento. Portanto, é importante compreender como ocorre o processo de construção identitária de adolescentes que vivenciam a institucionalização, reconhecendo como tal processo pode impactar na trajetória de vida desses sujeitos. Nesse sentido, esta pesquisa buscou descrever e analisar o processo de construção narrativa das identidades de adolescentes em situação de abrigamento considerando seus posicionamentos diante da possibilidade de desinstitucionalização compulsória por maioridade. Especificamente, buscou-se entender como a construção narrativa da identidade dessas adolescentes opera a partir dos posicionamentos que elas adotam perante si mesmas, perante os outros e perante um discurso dominante – no caso, o discurso jurídico sobre a infância e juventude – ao longo da narrativa. Por fim, intentou-se identificar como o processo de construção identitária dessas adolescentes se relaciona com suas expectativas diante da possibilidade de desinstitucionalização compulsória por maioridade. Esta pesquisa consiste em um estudo empírico qualitativo de caráter exploratório e de cunho idiográfico, cuja estratégia de investigação adotada é a pesquisa narrativa. A fundamentação teórico-metodológica que embasou esta investigação parte da perspectiva narrativa da psicologia. Tal abordagem se baseia na noção de self como um fenômeno historiado, constituído a partir da elaboração de narrativas que exercem um papel que ultrapassa a socialização, operando também como um processo cognitivo. Através da narrativa, os sujeitos constroem verdades sobre si, balizadas nos posicionamentos que adotam perante os outros e perante o mundo. As identidades, neste enquadre, são dinâmicas e constantemente reelaboradas pelos indivíduos em sua prática social e são acessadas a partir da análise dos posicionamentos que o indivíduo adota ao longo da construção narrativa. São destacados três níveis de posicionamento, que orientaram a análise: Eu-Eu, Eu-Outro, e Eu-Discurso dominante. A partir da análise desses posicionamentos, foi possível compreender como as adolescentes constroem os sentidos de si ao contrastarem-se, através da narrativa, consigo mesmas, com outros personagens e com o discurso dominante escolhido para este estudo, o discurso jurídico brasileiro sobre a infância e adolescência. As adolescentes que participaram da pesquisa narraram suas trajetórias a partir de uma entrevista narrativa e, através de uma ferramenta nomeada Livro da Vida, desenharam e escreveram de modo mais detalhado temas destacados na primeira entrevista. Foi possível identificar como as adolescentes constroem suas identidades ao longo e através do processo narrativo. Elas apresentam os sentidos de si quando contam histórias sobre suas trajetórias de vida e relação com pessoas e instituições, além da autorreflexão. Percebeu-se que a institucionalização põe as adolescentes em uma complexa rede de relações e vivências que são parte desse contexto, como o contato com o sistema de justiça ou com famílias interessadas em apadrinhamento ou adoção. As adolescentes têm umas nas outras referência e estar em contato com pares parece tornar o processo de abrigamento mais tolerável. Ao perceberem a redução do número de adolescentes na instituição, as meninas entrevistadas passaram a reavaliar sua permanência na instituição. Sustentam para o futuro que vão desde a profissionalização ao desejo de serem adotadas. Elas assimilam a condição de institucionalização compreendendo, em certa medida, seus impactos, regras, e desafios, mas sustentam um sentido de si no qual não cabe a desinstitucionalização compulsória por maioridade. Espera-se que haja maiores investigações sobre a temática, em especial diante de um momento histórico de ataque às políticas sociais e ao ECA no intuito de fornecer subsídios que embasem políticas públicas e ações profissionais conscientes dos fenômenos trabalhados e das reverberações de suas intervenções no cenário social e na vida de cada adolescente institucionalizado.

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  • SANDRA ANDRADE DA SILVA
  • PERMANÊNCIA DE ESTUDANTES DAS CAMADAS POPULARES NO CURSO DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

  • Orientador : SONIA MARIA ROCHA SAMPAIO
  • Data: 08/01/2019
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  • A inserção de grupos tradicionalmente excluídos da educação superior é um fenômeno recente na educação brasileira. Apesar das políticas de expansão e democratização, o perfil estudantil em cursos universitários de alto prestígio ainda refere-se a estudantes brancos e de setores hegemônicos da sociedade. Neste sentido, o curso de Medicina é o maior representante das carreiras monopolizadas pelas elites. Este estudo teve como objetivo principal analisar as experiências relacionadas à consolidação da permanência de estudantes provenientes das camadas populares no curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia. Os participantes foram seis jovens oriundos de camadas populares, de baixa renda, pertencentes a famílias sem percursos de longevidade escolar e que representam a primeira geração a ingressar na educação superior. A abordagem do tema foi qualitativa e adotou-se o referencial teórico do Interacionismo Simbólico, vertente microssociológica que analisa os processos interacionais entre os sujeitos e seus contextos, bem como os significados que surgem destas experiências. As técnicas de produção de dados utilizadas foram diário de campo e entrevistas ancoradas na proposta metodológica da Entrevista Compreensiva. Os estudantes revelaram a construção dos itinerários que os conduziram até o ensino superior, os motivos identificados para a escolha do curso e os processos até a aprovação na seleção, as primeiras vivências e os enfrentamentos das dificuldades e, por fim, os significados sobre a construção da permanência no curso de Medicina. Os relatos dos estudantes permitem compreender que a permanência na educação superior é marcada por transições, adaptações e criação constante de estratégias de integração a um contexto desafiador. As exigências econômicas e pedagógicas e a rede de apoio destacaram-se em suas narrativas, assim como o intenso sofrimento pela vivência cotidiana da seletividade socioeconômica e racial, característica dos cursos de alto prestígio social. Por outro lado, alcançar este nível educacional significou possibilidades e transformações nas perspectivas de vida dos participantes.

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  • ZELMA FREITAS SOARES
  • Adaptação de uma intervenção breve sobre a responsividade de mães de bebês hospitalizados

  • Orientador : PATRICIA ALVARENGA
  • Data: 10/01/2019
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  • No Brasil, muitas famílias vivem em contextos de vulnerabilidade social que expõem as crianças a inúmeros riscos à saúde, resultando em hospitalizações. A associação desses diferentes fatores aumenta a probabilidade de que a mãe se comporte de forma menos responsiva com seu bebê hospitalizado, pois os recursos psicológicos e as fontes contextuais de estresse desempenham um papel central na qualidade na responsividade materna. Considerando esses aspectos, o presente estudo teve como objetivo adaptar uma intervenção breve sobre a responsividade materna para a implementação com mães de recém-nascidos hospitalizados para tratamento de sífilis congênita, provenientes de contexto de vulnerabilidade social, bem como fazer uma avaliação preliminar de seus efeitos sobre os comportamentos maternos responsivos. Adicionalmente foram avaliados possíveis efeitos dos componentes da intervenção direcionados a pensamentos e emoções sobre a flexibilidade psicológica das mães. O estudo adotou delineamento pré-experimental somente com pós-teste e foi realizado em um hospital-maternidade na cidade de Salvador/BA. Participaram 20 díades, distribuídas entre os grupos intervenção e comparação. Na avaliação pré-intervenção foi preenchida a Ficha de dados sociodemográficos e a Ficha de informações clínicas do bebê. Além disso, foi realizada avaliação da flexibilidade psicológica das mães a partir do AAQ-II, bem como avaliação da saúde mental materna por meio do SRQ-20. No pós-intervenção foi realizada nova avaliação da flexibilidade psicológica, além de medidas da responsividade materna, a partir de uma observação da interação livre entre mãe e bebê, e da satisfação das participantes do grupo intervenção com o programa. Ambos os grupos foram submetidos aos mesmos procedimentos do pré e pós-intervenção, com exceção da avaliação da satisfação com o programa que foi aplicada somente no grupo intervenção. Após a avaliação pré-intervenção, as díades do grupo intervenção participaram do Programa de responsividade materna/Recém-nascidos. Esse programa é uma adaptação do Programa de Responsividade Materna para o contexto hospitalar. O programa original envolve oito visitas domiciliares, entre o terceiro e o décimo mês de vida do bebê. O modelo adaptado envolve seis sessões e, a principal adaptação esteve relacionada à introdução de técnicas da abordagem psicoterapêutica Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) nas duas sessões iniciais, com o objetivo de intervir sobre as emoções e preocupações das mães diante da doença e da hospitalização do bebê. Além disso, o número de sessões destinadas à intervenção sobre a responsividade materna foi reduzido, levando em consideração as caraterísticas específicas do contexto hospitalar, bem como das díades participantes. Portanto, nas sessões três, quatro e cinco foram trabalhados três temas relacionados à responsividade materna: o potencial interativo do recém-nascido, a importância da contingência social para o desenvolvimento e os riscos da intrusividade para o desenvolvimento. A última sessão foi destinada a revisão dos temas trabalhados nas sessões anteriores, tanto relacionados à ACT quanto à responsividade. Os resultados indicaram que a intervenção apresentou efeito positivo sobre uma dimensão da responsividade materna: interpretar o comportamento do recém-nascido. As mães do grupo intervenção apresentaram uma frequência mais alta desse tipo de resposta ao comportamento do bebê do que as mães do grupo comparação durante a interação livre. Entretanto, não houve efeito da intervenção sobre as emoções e pensamentos das mães, investigados por meio do construto flexibilidade psicológica. Discute-se a importância do comportamento responsivo materno de interpretar os sinais e pistas do bebê para o desenvolvimento infantil e para a qualidade da interação da díade, bem como a necessidade de dar continuidade à pesquisa sobre o programa de intervenção com vistas a alcançar resultados mais expressivos sobre a responsividade. Quanto à flexibilidade psicológica das mães, foi analisada a complexidade do construto e suas implicações no contexto de intervenções breves.

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  • ALDIENE VITÓRIA NASCIMENTO
  • Construção e evidências de validade de uma escala para medir ambientes organizacionais inovadores

  • Orientador : JANICE APARECIDA JANISSEK
  • Data: 11/01/2019
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  • A inovação se configura como um dos poucos diferenciais competitivos das organizações na atualidade. Isso justifica o crescente interesse de pesquisadores e organizações pela temática. Nesse sentido, é possível perceber o aumento de publicações sobre inovação nas organizações nas últimas décadas. O presente estudo é parte do esforço da comunidade acadêmica em direção a consolidação do campo da inovação e teve como objetivo construir e testar as evidências de validade de uma escala para medir ambientes organizacionais inovadores. A partir de características encontradas na literatura científica acessada, um instrumento foi construído. Depois de passar por validação semântica, foi aplicado a uma amostra de 514 trabalhadores brasileiros das cinco regiões do Brasil uma escala com 33 itens. As análises fatoriais conduzidas não permitiram validar o instrumento na estrutura apresentada e na população brasileira pesquisada, fato que conduziu a pesquisa a testagens alternativas em busca de soluções estatisticamente interpretáveis. Chegando a sugestão de uma bateria de instrumentos que se proponham a mensurar a inovação através da quantificação de outros fenômenos como: a gestão da aprendizagem na organização, o suporte a inovação oferecido aos trabalhadores e a quem pertence a responsabilidade na tomada de decisões dentro da organização. Isso por que o fenômeno da inovação é complexo e multifacetado, assim um instrumento único de mensuração pode ser inviável, mas várias escalas mensurando aspectos específicos podem ser uma alternativa. Nesse sentido, o presente trabalho pretende contribuir com os estudos em inovação em direção ao desenvolvimento de maior compreensão da temática.

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  • EDIWAGNER NUNES SAVEIA DANIEL FRANCISCO
  • ADAPTAÇÃO E VALIDAÇÃO DO QUESTIONÁRIO DE DESENHO DO
    TRABALHO (QDT) E DA MEDIDA DE COMPROMETIMENTO
    ORGANIZACIONAL (MCO): UM ESTUDO EXPLORATÓRIO NO CONTEXTO DE
    TRABALHO ANGOLANO
    Dissertação

  • Orientador : ADRIANO DE LEMOS ALVES PEIXOTO
  • Data: 11/02/2019
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  • Esta dissertação discorre os meios que suscitam a compreensão sobre o trabalho e os fenômenos
    associados a ele, em diferentes contextos organizacionais de Angola. Trata-se de um estudo
    exploratório, neste contexto, que parte do uso do conhecimento produzido em Comportamento
    Organizacional e na Psicologia do Trabalho, visando produzir subsídios que não só possibilitem
    as atividades de pesquisas, mas também favoreçam a gestão do trabalho e estratégias
    organizacionais no país. Para tanto, escalas com validade e confiabilidade adequadas são vistas
    como instrumentos simples, econômicos e eficazes, que medem exatamente o que se pretende
    medir. O objetivo deste trabalho, no formato de artigos, foi adaptar, avaliar a confiabilidade e
    validade dos instrumentos de mensuração do Desenho do Trabalho e do Comprometimento
    Organizacional. Os dois artigos originais desenvolveram duas escalas, válidas e confiáveis, a
    partir de testes psicométricos em instrumentos construídos e conteúdo validado, em outros
    estudos. Propôs-se uma escala para medir a natureza do trabalho e o modo como se configura,
    e a outra, numa perspectiva unidimensional, foi proposta para a mensuração do apego afetivo e
    a disposição do indivíduo para permanecer na organização. Os instrumentos foram aplicados a
    505 trabalhadores ligados a organizações de diferentes atividades econômicas em Angola. Os
    dados foram submetidos a análise fatorial exploratória utilizando o método de extração de
    máxima Verossimilhança e rotação Oblimin. Na confiabilidade, a consistência interna foi
    medida pelo alfa de Cronbach e análise discriminatória. A primeira escala, o Work Design
    Questionnaire (QDT), inicialmente composto por 77 itens e, após análise fatorial, reduzido a
    67 itens, revelou uma estrutura de 18 fatores, com seus respectivos alfa de Cronbach variando
    entre 0,59 e 0,87, distribuídos entre as quatro dimensões latentes do desenho do trabalho, ambas
    com níveis adequados de validade convergente e discriminante. Possíveis interpretações dessas
    relações são discutidas e, como suporte adicional para a validade do construto, foram avaliadas
    as diferenças entre três categorias ocupacionais (administrativa, gerencial e operacional),
    considerando as 18 características do trabalho, com diferenças significativas detectadas em 9
    delas. A segunda escala, a Medida de Comprometimento Organizacional (MCO), indicou uma
    solução unifatorial, que explica 61.37% da variância total, com o alfa de Cronbach acima de
    .90, composto por sete itens com cargas ≥ .636. As análises de correlação detectaram
    associações positivas e significativas entre o comprometimento organizacional e o desenho do
    trabalho, indicando a capacidade do instrumento em detectar diferentes níveis de
    comprometimento de acordo com cada característica do trabalho. As duas escalas validadas
    apresentam boas características psicométricas, são ferramentas valiosas, podendo ser úteis em 
    pesquisas futuras que visem compreender a natureza do trabalho e o papel das atitudes nos
    contextos organizacionais e podem contribuir para o avanço desta área de estudos em Angola.

     

     

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  • LAILA LORENA NOGUEIRA BATISTA DA SILVA
  • FATORES ASSOCIADOS À PERCEPÇÃO DE BAIXA AFETIVIDADE NAS RELAÇÕES FAMILIARES DE IDOSOS

  • Data: 26/04/2019
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  • O objetivo foi investigar a associação entre a percepção de baixa afetividade nos relacionamentos familiares de idosos com a faixa etária, o sexo e as condições de saúde física e psicológica. Participaram 134 idosos do interior da Bahia e os dados foram coletados no domicílio, utilizando-se os instrumentos: Questionário de Informações sociodemográficas; Questionário de doenças e de sinais e sintomas autorrelatados; Índice de Independência nas Atividades de Vida Diária; Desempenho de atividades instrumentais de vida diária; Escala de Depressão Geriátrica; Inventário de Ansiedade de Beck e Familiograma. A análise estatística foi feita com o IBM SPSS Statistics, utilizando os teste qui-quadrado ou o teste de Exato de Fisher para comparar as variáveis categóricas e a análise de regressão logística univariada e multivariada, com critério Stepwise de seleção de variáveis (p<0,05). Os resultados mostraram maior frequência de idosos mais jovens, com idade entre 60 a 74 anos (p=0,003) e de idosos com dependência nas atividades básicas com percepção de baixa afetividade p=0,045). Os idosos com maior risco de relatarem baixa afetividade foram: os mais jovens (risco 14.0 vezes maior nos idosos de 60 a 74 anos) e os com dependência em atividades instrumentais de vida diária (risco 4.3 vezes maior). Este estudo mostrou que a faixa etária e a capacidade funcional se apresentam como fatores de risco para a percepção de baixa afetividade, o que pode implicar na qualidade nas relações familiares.

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  • THIANNE PASSOS LUZ
  • O Processo de Influência Social entre Influenciadoras Digitais de Moda e suas Seguidoras na Plataforma de Rede Social Instagram

  • Orientador : JOSE CARLOS SANTOS RIBEIRO
  • Data: 24/05/2019
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  • A influência social é um processo de mudança de comportamento, crenças, atitudes, opiniões ou sentimentos a partir de como é percebido e interpretado o comportamento de outras pessoas. Esta pesquisa teve como objetivo geral analisar os mecanismos do processo de influência social exercido por influenciadoras digitais de moda em suas seguidoras, partindo de ambas as perspectivas da relação processual. Para isso, a investigação buscou definir quais os comportamentos emitidos por influenciadoras digitais de moda de Salvador que correspondam às estratégias do Processo de Influência Social conhecidas e já mapeadas por pesquisadores da Psicologia Social; identificar a percepção dos atores sociais envolvidos no processo; e esclarecer as repercussões desses comportamentos nas condutas das seguidoras em questões relacionadas à moda. Nessa perspectiva, a fundamentação teórica sobre o tema principal é, em sua maioria, composta por referenciais relevantes no campo da psicologia e complementada por teóricos importantes de outras áreas do conhecimento. Por meio da abordagem qualitativa, com entrevistas semiestruturadas, participaram do estudo três influenciadoras digitais de moda e três seguidoras. A análise dos dados foi realizada por análise de conteúdo e houve a divisão em categorias que permitiram encontrar respostas para as indagações iniciais. O Instagram foi apontado como o principal canal de comunicação utilizado pelas participantes sobre o tema moda. As principais estratégias de influência social desenvolvidas em perfis de Instagram voltados especialmente para a moda, são de persuasão, e são classificadas como reciprocidade, comprometimento e consistência, validação social, admiração e afinidade, identificação e internalização; as bases de poder mais utilizadas foram de informação, de especialista e de referência. O processo de influência que ocorre através dos perfis foi percebido positivamente pelas entrevistadas. As repercussões nas condutas que foram relatadas apontaram que as seguidoras passaram a repensar a efemeridade de tendências de moda e a necessidade da prática do hiperconsumo. Constatou-se também que a influência não costuma ser percebida conscientemente pelas participantes analisadas.

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  • VÍCTOR MANUEL CARRASCO BELMONT
  • Cognições do Microempresário Soteropolitano: Casos de sucesso e fracasso no setor Comércio Varejista

  • Orientador : ANTONIO VIRGILIO BITTENCOURT BASTOS
  • Data: 01/07/2019
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  • O desdobramento das microempresas tem mostrado sua importância na estabilidade econômica dos países em desenvolvimento. No Brasil, o Cadastro Central de Empresas registrou que das 4,8 milhões de empresas ativas, 87,3% são consideradas microempresas. Assim mesmo, tais empresas, em consonância com as pequenas empresas, são as principais geradoras de riqueza no setor comércio do país (53,4% do PIB deste setor). Apesar da relevância na economia brasileira, estudos mostram que a taxa de sobrevivência das microempresas diminui com o passar dos anos, pois este tipo de negócios apresenta curta durabilidade. O objetivo deste estudo é mapear os esquemas cognitivos construídos por microempresários soteropolitanos do setor comércio varejista, identificando as atribuições causais sobre o sucesso e o fracasso nas microempresas. Os esquemas enfatizam a construção da realidade e constituem blocos da cognição, reunindo o conhecimento e a experiência que as pessoas adquirem em relação a um elemento da realidade. Reconhecer o peso atribuído aos fatores ambientais e psicossociais, assim como as causas que podem estar passando despercebidas no microempresário, é uma tentativa de ampliar o panorama sobre esse tipo de empresas, seu desenvolvimento e possíveis melhorias no funcionamento. O método proposto para esta pesquisa é de natureza qualitativa e interpretativa. Participaram do estudo dez microempresários do setor varejista da cidade de Salvador. Para a coleta de dados foram utilizadas entrevistas semiestruturadas que constaram de duas etapas. Na primeira etapa, o participante respondeu a perguntas relacionadas com a sua trajetória empresarial. Na segunda etapa, o participante selecionou, entre 18 fichas com fatores que a literatura aponta como fontes de sucesso e fracasso, aquelas que explicariam episódios da sua trajetória e a de outros microempresários. Foram utilizados mapas cognitivos para representar visualmente como os participantes esquematizaram as percepções individuais e coletivas, permitindo ter uma visão detalhada de cada caso, assim como comparar os fatores de sucesso e fracasso atribuídos nas suas microempresas com os reconhecidos nas microempresas alheias. Foi possível também comparar as atribuições feitas pelos participantes considerando as suas condições de gênero, escolaridade e experiência profissional. Os resultados mostraram que os microempresários tendem a atribuir o sucesso, próprio e alheio, aos fatores psicossociais. Enquanto ao fracasso, suas percepções mostraram divergências, sendo que, o fracasso próprio é devido principalmente a fatores ambientais, enquanto que o fracasso alheio é atribuído principalmente aos fatores psicossociais, resultados congruentes com a teoria da atribuição causal. Podemos concluir que os fatores persistência e autoconfiança, administração e logística adequada, produtos de qualidade e fidelidade com o cliente tiveram maior peso nas explicações de sucesso, enquanto que o ações do governo, a falta de redes de apoio, desconhecimento do mercado e gestão inadequada receberam maior peso na explicação do fracasso.

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  • NARA JESUS BRITO
  • Intervenção Precoce com crianças nascidas com a Síndrome Congênita do Zika Vírus: dinâmicas de regulação afetivo-semiótica construídas por profissionais de saúde 

  • Orientador : VANIA NORA BUSTAMANTE DEJO
  • Data: 26/07/2019
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  • Entre os anos de 2015 e 2016, emergiu no Brasil uma epidemia de nascimentos de crianças com a Síndrome Congênita do Zika Vírus (SCZV). Até o ano de 2018, foram contabilizadas 3.279 crianças com esta síndrome, das quais 550 estão no estado da Bahia. A síndrome é caracterizada por múltiplas deficiências e malformações e reduzido desenvolvimento cognitivo. O governo brasileiro preconizou a assistência em saúde pautada na estimulação precoce, dedicada ao cuidado multidisciplinar das crianças de zero aos três anos de idade, promovendo o desenvolvimento infantil em situações nas quais um risco é apresentado. Neste estudo buscouse compreender o fenômeno a partir da experiência vivida por profissionais da intervenção precoce dedicados à assistência das crianças com a SCVZ e suas famílias. Assim, através da Psicologia Semiótico-Cultural, objetivou-se identificar e analisar as estratégias de regulação afetivo-semióticas construídas por profissionais da intervenção precoce no acompanhamento de crianças nascidas com a SCZV e suas famílias. Realizaram-se entrevistas narrativas com dez profissionais que atuam em uma equipe multidisciplinar de intervenção precoce de uma instituição pública de saúde na cidade do Salvador/BA. Na análise destas narrativas, dedicouse especial atenção à compreensão dos processos de construção de significados, intersubjetividade, ação simbólica e experiência afetiva. Assim, investigou-se como estes processos repercutiram na regulação afetivo-semiótica das profissionais, bem como nas práticas de intervenção precoce com as crianças com a SCZV e suas famílias. Como resultado das análises compreendeu-se que a emergência da SCZV se deu enquanto uma experiência inquietante para as profissionais da equipe, e demandou delas um trabalho afetivo-cognitivo na busca pela construção de novos significados que dessem conta desta vivência. Ademais, a intersubjetividade e afetividade revelaram-se enquanto promotores da autorregulação semiótica das participantes, contribuindo para a construção de práticas mais adequadas. A forma como a regulação afetivo-semiótica se deu com as profissionais também teve repercussões nas expectativas de futuro construídas sobre o desenvolvimento das crianças. 

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  • FELIPE MELO SOUZA SANTOS
  • Amor romântico, ideais e a satisfação nos relacionamentos amorosos 

  • Orientador : MARCOS EMANOEL PEREIRA
  • Data: 05/08/2019
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  • A temática dos relacionamentos amorosos é um tópico de grande relevância para o campo da psicologia social e para o público leigo. A produção de conhecimentos em relacionamentos amorosos tem uma tradição em avaliar possíveis fatores que influenciam na satisfação que um indivíduo sente em seu relacionamento. Dentre os fatores de influência, encontram-se os estudos sobre ideologias românticas e suas descrições e prescrições de como homens e mulheres devem se comportar nos relacionamentos, bem como o que devem esperar de seus parceiros. Partindo-se disto, este estudo buscou avaliar como a discrepância entre o parceiro real e ideal, o amor, e os sexismos benevolente e hostil influenciam na satisfação nos relacionamentos amorosos de indivíduos heterossexuais. A pesquisa avaliou 192 participantes, sendo 155 mulheres e 37 homens atualmente num relacionamento amoroso por pelo menos um ano. Foram aplicados quatro inventários para avaliar os níveis de discrepância entre parceiro real e ideal, o nível de amor (i.e., intimidade, paixão e compromisso), sexismo e satisfação. Os participantes responderam a estes inventários, bem como a um termo de consentimento livre e esclarecido e um questionário sociodemográfico. A partir da análise de dados, foi encontrado efeito significativo dos impactos da discrepância e do amor na satisfação dos relacionamentos amorosos, mas não dos sexismos num primeiro momento. Um modelo geral da satisfação foi criado, calculando o impacto relativo de todas as variáveis, e o sexismo hostil emergiu como uma variável relevante reduzindo a satisfação em relacionamentos românticos. O modelo é interpretado como uma estrutura abrangente sobre os fatores que afetam a satisfação. Os resultados foram discutidos, assim como as limitações e possibilidades futuras derivadas.

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  • POLLYANA SILVEIRA DE ALMEIDA
  • Trançar e tecer a feminilidade na adolescência: uma construção de caso clínico em psicanálise

  • Orientador : ANDREA HORTELIO FERNANDES
  • Data: 27/09/2019
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  • Esta dissertação surge no campo de saberes sobre a adolescência a qual seria uma espécie de espaço de fronteira entre a infância e vida adulta que comporta algumas especificidades no que concerne à estruturação subjetiva, sendo frequentemente associada a um mal-estar psíquico diante das convocações relativas ao corpo em transformação, à sexualidade e ao laço social. Nesse campo discursivo, a psicanálise de Freud e Lacan entra no debate com a contribuição sobre o sujeito adolescente em uma perspectiva que permite fazer um cruzamento entre o que há de estrutural desse processo de transição e as respostas singulares de cada um aos impasses que advém daí. O sujeito adolescente se depara, em muitos níveis, com a questão “quem sou eu?”, que se desdobra na tensão entre as gerações, no manejo da imagem corporal e no despertar da sexualidade, além das demandas do Outro social. Diante dessas diversas convocações, elejo como recorte de estudo a sexuação, em especial, o que toca à feminilidade como aquilo que aponta para uma impossibilidade lógica de completude entre os sexos. Essa escolha veio da prática clínica na qual têm sido frequentes narrativas que tratem desse embaraço. Dizer-se mulher implica nos traços de identificação que um sujeito tomou de empréstimo do Outro, mas assim como a partícula “eu”, “mulher” ou “homem” são significantes que indicam a posição de um sujeito e somente um, não sendo, portanto, generalizáveis. Além disso, esses traços identificatórios, não encerram a questão. Algo escapa porque as “escolhas” não se dão inteiramente no campo da consciência, sobretudo àquelas na sexuação. Se a anatomia não é suficiente e a identificação comporta contradições, então como explicar a identidade sexual e a escolha de objeto? Frente a isso o sintoma aparece muitas vezes como tentativa de elaboração. Isso posto, no entrelaçamento da adolescência demais conceitos eleitos como fundamentais, esta dissertação tem como pergunta central: Como a feminilidade está implicada nas respostas sintomáticas singulares do sujeito adolescente? Para tanto, propus como objetivo geral: Investigar as escolhas do sujeito adolescente na sexuação a partir da estratégia metodológica de construção de caso clínico orientada pela ética da psicanálise. Como objetivos específicos: (1) Discutir o tratamento dado pela psicanálise à temática da adolescência no tensionamento entre o singular e o universal; (2) Abordar a diferença sexual em psicanálise e suas implicações no tempo lógico da adolescência; (3) Examinar, no que se decantou do percurso de uma análise, os traços identificatórios que dizem respeito ao posicionar-se na sexuação enquanto mulher; (4) Analisar como estão articulados o sintoma do sujeito adolescente, suas identificações e os impasses da feminilidade. A pesquisa a partir da construção do caso clínico pode fornecer elementos importantes para um debate crítico à universalização da adolescência, além de poder agregar subsídios tanto ao campo de saberes diversos sobre a adolescência, quanto à própria psicanálise, já que é partindo do fazer clínico que a teoria é convocada a relançar as questões que se atualizam na contemporaneidade.

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  • CAROLINA SILVA PEREIRA REBOUÇAS
  • As significações de parentalidade para pai e mãe que vivenciaram violência intrafamiliar na infância e ou adolescência

  • Orientador : MARILENA RISTUM
  • Data: 10/10/2019
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  • O presente estudo aborda as significações da parentalidade para genitores que vivenciaram a violência intrafamiliar na infância e adolescência. Para tanto, construímos um diálogo integrando discussões sobre filialidade, parentalidade e violência intrafamiliar contra a criança e ou adolescente. Tendo em vista esta problemática, optou-se por tratá-la a partir do referencial teórico da Psicologia Semiótico Cultural. Especificamente, buscou analisar (1) os modos como a experiência de violência perpetrada pelos pais na infância se relacionam com as significações sobre filialidade e; (2) analisar as significações que os participantes constroem sobre suas experiências de parentalidade. Como método, foi adotado uma abordagem qualitativa com o uso da narrativa dos sujeitos, elegendo o estudo de casos múltiplos. A análise da narrativa dos sujeitos foi realizada de forma que atendesse aos objetivos específicos deste estudo. O estudo foi realizado no contexto do “Brincando em Família”, um projeto de extensão do Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia que oferece atendimento psicológico em grupo a partir do brincar para as crianças e suas famílias. Sendo assim, alguns pais que se adequaram aos critérios estabelecidos, foram convidados a participar da pesquisa empreendida, sendo o convite realizado a partir de uma breve explicação sobre os objetivos do estudo. Este estudo foi realizado com dois sujeitos (um pai e uma mãe). Entre os resultados, percebeu-se que para os participantes as significações sobre a filialidade (primeiro objetivo) foram atravessadas pela vulnerabilidade social e econômica e pela violência intrafamiliar. Na narrativa de José, a filialidade relacionada à figura paterna foi significada por sentimentos de ambivalência. No que diz respeito a sua mãe, José define a relação entre ambos como permeada por muito amor, cuidado mútuo, companheirismo e proteção. Também fica claro que suas significações de parentalidade estão também relacionadas com o seu próprio pai, descrevendo pontos negativos da relação que estabeleceu com ele, refletindo criticamente sobre como tais atitudes o impactaram e, deste modo, relata agir diferente em relação ao próprio filho, buscando ser atencioso e presente. As significações de filialidade desenvolvidas por Diana, referentes à própria mãe, assumem, primeiramente, sentimentos positivos como o de ser amada, querida e acarinhada. Com a saída da mãe do contexto familiar, tais significações foram atravessadas pelo abandono material e afetivo, tristeza, ambiguidade, sentimento de inferioridade, além de violência física e psicológica sofrida por parte das irmãs. Quanto ao pai, seus relatos evidenciam as significações de filialidade perpassadas pelo distanciamento afetivo e a negligência. Para Diana, a experiência da maternidade mostrou-se como um evento disruptivo na sua trajetória. Em sua narrativa, a participante expressa que seus interesses pessoais conflitam com o exercício da maternidade, evidenciando especialmente na falta de investimento afetivo. Com os dois sujeitos desta pesquisa percebemos que a violência intrafamiliar experienciada na infância com os próprios pais, mesmo sendo um evento passado pode estar imbricada na experiência presente da parentalidade, embora não a determine.

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  • LARISSA MELO COSTA
  • Funções Executivas e Recursos do Ambiente Familiar em escolares com sinais e sintomas de TDAH

  • Orientador : JOSE NEANDER SILVA ABREU
  • Data: 23/10/2019
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  • Nos últimos anos, pesquisas vêm destacando que déficitis nas Funções Executivas (FE) se constituem uma das principais características do funcionamento cognitivo de indivíduos com o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Identificam-se dificuldades em divesrsas habilidades e tais prejuízos impactam negativamente a vida desses indivíduos. O TDAH é um problema de saúde mental bastante freqüente em crianças, adolescentes e adultos em todo o mundo. É caracterizado pela presença de três grupos de sintomas: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Pesquisas indicam que os indivíduos portadores do TDAH podem também apresentar, além dos déficits atencionais, alterações nas funções executivas. Crianças com o transtorno apresentam prejuízos claros no seu funcionamento do aprendizado escolar e no desenvolvimento social e emocional. O diagnóstico do TDAH é clínico, porém os estudos dos prejuízos atencionais e das funções executivas nestes pacientes têm permitido uma melhor caracterização dos diferentes subtipos clínicos, além de serem fundamentais na elucidação diagnóstica de algumas comorbidades e na proposta de intervenção e/ou
    reabilitação. Esta dissertação, por meio de dois estudos empíricos, buscou analisar a possível relação entre recursos do ambiente familiar e funções executivas de escolares com sinais e sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). OBJETIVO: O Estudo 1 visou investigar diferenças no desempenho em tarefas que avaliam funções executivas (memória operacional, controle inibitório e flexibilidade cognitiva) entre escolares com sinais e sintomas do TDAH e crianças típicas. Foram aplicadas tarefas de memória operacional
    (Subteste Dígitos), controle inibitório (FDT e TIF) e flexibilidade cognitiva (FDT e TIF) em crianças de 7 a 10 anos de idade divididas em dois grupos (grupo clínico e grupo controle). Já o estudo 2 teve como objetivo analisar a relação entre recursos do ambiente familiar, aspectos socioeconômicos e funções executivas em escolares. MÉTODO: Neste estudo transversal realizado entre fevereiro e outubro de 2018, foram selecionadas 89 crianças de ambos os sexos, entre 7 e 10 anos de idade,divididas em dois grupos: grupo não clínico, composto por 35 crianças com desenvolvimento típico e grupo clínico com 54 crianças com sinais e sintomas do
    TDAH, sem comorbidades, estabelecido segundo os critérios do DSM-V, com QI≥70. RESULTADOS: 1) Encontram-se diferenças significativas (p<0,05) entre o grupo clínico e o grupo controle no desempenho das funções executivas; 2) foram observadas associações entre os recursos de ambiente familiar, aspectos socioeconômicos e funções executivas das crianças. CONCLUSÕES: De acordo com os resultados, através da maioria dos testes neuropsicológicos utilizados, foi possível apresentar evidências de alterações das funções executivas em crianças com TDAH e a relação do ambiente familiar e aspectos socioeconômicos como moderadores deste desempenho. Um dos achados desta dissertação pode contribuir para o planejamento da
    avaliação e intervenção nas habilidades executivas de crianças em desenvolvimento típico ou com TDAH, bem como para a elaboração de programas de estimulação de componentes executivos em contextos clínicos e educacionais.

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  • YURI EDUARDO GOMES DE SANTANA
  • PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS DO TESTE DE ARRUMAÇÃO DO ARMÁRIO

  • Orientador : JOSE NEANDER SILVA ABREU
  • Data: 30/10/2019
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  • A memória operacional (MO) é uma função cognitiva importante e prejuízo nesta função é uma característica em diversos quadros pré-clinínicos e clínicos. Um adequado processo de validade é essencial para adequação e interpretação de um instrumento. O objetivo é verificar as propriedades psicométricas do Teste de Arrumação do Armário (TAA), um teste para avaliação de memória operacional visuoespacial. São apresentadas evidências de validade para o TAA: validade de conteúdo, com análise de juízes, utilizando o índice de validade de conteúdo (IVC) e o Coeficiente de Cohen Kappa. Foi realizada uma análise fatorial exploratória para verificar a qualidade e a correlação item-fator, e uma análise fatorial confirmatória para verificar o ajuste do modelo. Foi realizada uma correlação bayesiana de Pearson para verificar a validade convergente do TAA com a tarefa de Cubos de Corsi e a validade discriminante com o Teste dos Cinco Dígitos (FDT). O IVC apresentou um resultado de 0,98 e o Coeficiente de Cohen Kappa foi de 1,00, indicando nível de concordância acima do ponto de corte dos critérios utilizados. A análise fatorial exploratória agrupou os itens em um fator, com valor de discriminação acima de 1,00 para todos os itens. A correlação item-total apresentou valores acima de 0,30, indicando correlação considerada boa entre os fatores. A análise fatorial confirmatória apresentou índices de ajuste adequados (GFI=0,96; CFI=0,99; NFI= 0,95; RMSEA= 0,04) para o modelo com 1 fator. Para a validade discriminante, a correlação do TAA com o FDT apresentou valores de correlação considerados insignificantes a negativos baixos (r mínimo de -0,253 e máximo de -0,366), o que indica pouca correlação entre os instrumentos. Para a validade convergente, a correlação entre o TAA e a ordem inversa de Cubos de Corsi foi considerada positiva moderada (r= 0,502), indicando correlação entre os instrumentos. Estas correlações apresentaram fator de bayes considerado decisivo (log(BF10)>2). Estes resultados indicam que o TAA apresenta propriedades psicométricas adequadas, tornando o TAA uma alternativa para a avaliação de binding visuoespacial da MO em uma perspectiva com características ecológicas.

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  • TIAGO FERREIRA DA SILVA
  • Configurações subjetivas de práticas policiais e estratégias de sobrevivência de jovens negros em uma cidade da Bahia

  • Orientador : MONICA LIMA DE JESUS
  • Data: 01/11/2019
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  • Este estudo foi desenvolvido a partir das minhas experiências pessoais, acadêmicas e profissionais com a temática do racismo e seus efeitos psicossociais, tendo como principal objetivo compreender as configurações subjetivas de jovens negros residentes em comunidades periféricas relacionadas às práticas policiais. À luz da Psicologia Histórico-Cultural, nos inspiramos na Epistemologia Qualitativa do teórico cubano Fernando Gonzalez Rey, na qual a pesquisa assume como principal finalidade o conhecimento da produção e organização dos sentidos subjetivos nos diferentes espaços sociais que constituem as subjetividades social e individual. Em termos teórico-metodológicos, conduzimos a produção das informações por meio do método construtivo-interpretativo do conhecimento, utilizando instrumentos grupais e individuais. A Oficina e a Roda de Conversa foram realizadas com homens e mulheres jovens, majoritariamente negros/as, com idade entre 18 a 29 anos, na sede de um Programa vinculado a secretaria de Justiça e Direitos Humanos em uma cidade da Bahia. No tocante aos estudos de casos, acompanhamos dois jovens negros (22 e 29 anos), também inscritos no referido Programa, entre os meses de maio e novembro de 2018. As informações produzidas foram analisadas com base na Teoria da Subjetividade em articulação com outras áreas do conhecimento, particularmente especializadas nas relações raciais. Elas indicam que as configurações subjetivas das/os jovens sobre a Polícia Militar e suas práticas são constituídas por sentidos subjetivos relacionados à compreensão dessa instituição como violenta, que pratica atos ilícitos por meio de procedimentos desrespeitosos, igualmente violentos e discriminatórios no território onde residem. Sendo que os policiais geralmente não são responsabilizados pelas instituições competentes, o que gera subjetivamente sensações de desconfiança, insegurança e medo. Assim sendo, o jovem negro que consegue sobreviver às expectativas de morte comumente aceita e esperada por alguns seguimentos sociais, tem de lidar com os estigmas que o enquadram como um marginal em potencial, forçando-o a criar estratégias de sobrevivência para evitar ou contornar a relação com a polícia, marcando suas experiências existenciais por tensões que envolvem o pertencimento a um grupo social racializado em contraposição a outro que se percebe apenas como humano (branco), assim como pela complexa operação subjetiva do encontro com pessoas negras (policiais) que reproduzem o racismo, reatualizando processos históricos que permanecem reverberando em suas subjetividades racializadas, fundadas na necropolítica e no racismo estrutural. Esperamos ter contribuído para aceitação de que é preciso desenvolver uma perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural sensível às produções de sentidos e configurações subjetivas racializadas, que não dizem respeito apenas aos processos subjetivos da população negra, mas da população em geral.

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  • NILTON CORREIA DOS ANJOS FILHO
  • O papel das crenças maternas sobre as emoções das crianças na socialização emocional dos filhos

  • Orientador : PATRICIA ALVARENGA
  • Data: 27/11/2019
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  • As crenças parentais acerca das emoções dos filhos são compreendidas como ideias, suposições, regras e avaliações que os pais podem ter a respeito do valordas emoções, da expressividade emocional e da regulação das emoções. De acordo com a Teoria Cognitivae com a Filosofia da Metaemoção Parental, as crenças dos pais sobre processos emocionais mediariam a relação entre a expressividade emocional da criança, com função de estímulo ambiental, e as práticas de socialização emocional, que seriam a resposta comportamental dos pais a essa estimulação antecedente.O desenvolvimento emocional das crianças, por sua vez, seria afetado pela interação entre esses fatores. Assim, o objetivo deste estudofoianalisaro papel das crenças maternas acerca das emoções das criançasnas práticas de socialização emocionaldos filhos. Para tanto, foram realizadosdois estudos complementares. O Estudo 1 examinouas relações entre as práticas de socialização emocional e as crenças maternas sobre as emoçõesdas crianças por meio de um delineamento correlacional. Participaramdo Estudo 133 mães de crianças entre 6 e 7anos de idade, selecionadas por conveniência em duasescolasda rede particular de ensino da cidade de Salvador/BA. As mães responderama uma ficha de dados sociodemográficos, à Escala de Reações Parentais às Emoções Negativas dos Filhos (CCNES) e ao Questionário de Crenças Parentais sobre as Emoçõesdas Crianças (PBACE). Análises de regressão confirmaramo poder preditivodas crenças sobre o custo da positividade sobre as práticaspunitivas, de ignorar e de minimizarrespostas emocionais, e também sobre o agrupamento das práticasnão apoiadorasda expressividade emocional da criança. Ademais, foiconfirmado o poder preditivo das crenças no valor da raiva, quecorrelacionaram-sepositivamentecom as práticasde incentivo ecom o agrupamento das práticasapoiadoras da expressividade emocional.O Estudo 2tevecomo objetivo avaliar os efeitos de um programa de intervenção direcionadoàs práticas desocialização emocional sobre as crenças maternas acerca das emoções das crianças. Participaramdo Estudo 2 12mães que compuseram a amostra do Estudo 1. As participantes foramdesignadas ao grupo intervenção (n=6)com base no critério único de interesse e disponibilidade para participar do programa“Vivendo Emoções”. As participantes dogrupo comparação (n=6) foramselecionadasentre as mães que não participaram da intervenção, de modo a produzir um pareamento satisfatório com as díades do grupo intervenção, a partir dos critérios desexo eidadeda criança. Opré-testecorrespondeuàsrespostas das medidas de crenças sobre as emoções edepráticas de socialização emocional realizadas no Estudo 1 e foiseguido pela implementação do programa no grupo intervenção. Oprograma foi implementado em oito sessões grupaiscom duas horas de duração cada, que aconteceram nas duas escolas em que o recrutamento do Estudo 1 foi realizado. O objetivo do programa foi promover práticas apoiadoras da expressividade emocional e reduzir aspráticas não apoiadoras. O grupo comparação não foi submetido a nenhum tipo de tratamento. Após trêsmeses dafinalização da intervenção foirealizado o pós-teste em que as mães dos dois grupos responderam novamente à CCNESeao PBACE. O resultadodoTeste Wilcoxon revelou aumento da frequência de crenças maternas sobre o valor da raiva no grupo intervenção no pós-teste em comparação à avaliação no pré-teste. Os resultados do Teste Mann-Whitney revelaram ausência de diferenças significativas em todas as crenças examinadasna comparação entre osdois grupos no pós-teste. A discussão dos dois estudos realizados destacouo papel relevante das crenças maternas sobre as emoções das crianças como preditoras das práticas desocialização emocional dos filhos,e a importância de incluir atividades que contemplem a identificação e reestruturação de crenças disfuncionais nos programas de intervenção.

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  • BRUNA LANTYER OLIVEIRA GARCIA
  • Psicólogos (as) no Contexto Digital: Gerenciamento de Impressões em Redes Sociais

  • Orientador : JOSE CARLOS SANTOS RIBEIRO
  • Data: 06/12/2019
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  • Os (as) psicólogos (as) brasileiros (as) têm utilizado e se apropriado da internet para fins profissionais há pouco mais de vinte anos. O atendimento psicoterapêutico mediado por TICs, por exemplo, passa a ser permitido oficialmente no final dos anos 2018 apenas, após aproximadamente dezoito anos de pesquisas empíricas e teóricas acerca do tema. Ao mesmo tempo, estes profissionais se apropriam da internet a partir de plataformas de rede sociais digitais, tanto para fins pessoais quanto profissionais. À medida que o uso de redes sociais digitais passa a fazer parte das dinâmicas interacionais cotidianas destes profissionais, algumas práticas singulares de interação são fomentadas, bem como novos acordos sociais passam a entrar em vigor nesta arena. Ao mesmo tempo, variáveis técnicas e sociais verificadas em tal contexto, simultaneamente, se apresentam significativas para a manutenção e os ajustes das apresentações e exposições de aspectos do self destes interagentes em tal ambiente. Nesta direção, a presente pesquisa buscou investigar de que modo os psicólogos brasileiros, que atuam online, gerenciam as impressões que desejam passar aos seus interagentes na principal rede social digital utilizada. Para isto, foram mapeados os usos e apropriações que estes profissionais fazem das TICs, bem como as estratégias de gerenciamento das suas impressões para as audiências, nas principais redes sociais digitais utilizadas por eles. Os resultados apontam para o uso dos dispositivos móveis e das principais redes sociais digitais tanto para fins pessoais, quanto profissionais. Ao mesmo tempo, os profissionais criam perfis particulares de interação, que apresentam entre si aproximações e afastamentos quanto às situações vivenciadas. As estratégias utilizadas para gerenciar suas impressões às audiências, nas redes sociais digitais e a partir de cada tipo de perfil, envolvem a percepção de variáveis técnicas e sociais. Aponta-se que pesquisas futuras devem investigar as especificidades envolvidas nos usos profissionais de plataformas digitais por psicólogos (as), bem como sua influência nas expectativas sociais acerca da profissão.

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  • AILA NUNES NUNES
  • TORNANDO-SE MÃE DE GÊMEAS PREMATURAS: uma perspectiva autoetnográfica

  • Orientador : MARIA VIRGINIA MACHADO DAZZANI
  • Data: 11/12/2019
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  • A maternidade pode ser considerada como um dos mais importantes processos de transição na vida de uma mulher. Eventos não normativos como a gestação de bebês múltiplos e o nascimento prematuro costumam ser vivenciados como rupturas no curso do desenvolvimento esperado, despertando conflitos e provocando tensões do sistema de self. Considerando a importância de compreender esses eventos a partir da perspectiva das mães, e diante da escassez de estudos com foco na experiência pessoal dessas mulheres, como mãe de gêmeas nascidas prematuras e internadas em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, minha dissertação se configurou como uma pesquisa autoetnográfica, uma abordagem que busca descrever e sistematicamente analisar experiências pessoais para entender experiências culturais. Partindo da minha vivência pessoal, objetivei explorar, analisar e discutir questões práticas, emocionais, psicológicas, sociais e culturais relacionadas a esse fenômeno de tornar-se mãe de gêmeos prematuros em contexto hospitalar. Este estudo utiliza como ponto de partida os diários escritos na época da gestação e nascimento de minhas filhas que serviram como disparadores para a recordação e narrativa da experiência que, com base nas revisões da literatura sobre maternidade, prematuridade, gemelaridade, redes de apoio e de conceitos da psicologia cultural, foi analisada relacionando-a com as experiências de outras mães, através da literatura disponível e do contato pessoal, fomentando discussões a respeito de questões sociais e culturais envolvidas na experiência de tornar-se mãe.

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  • EGON RALF SOUZA VIDAL
  • Efeitos da meditação sobre a atenção, as funções executivas e o desempenho escolar de crianças

  • Orientador : THATIANA HELENA DE LIMA
  • Data: 12/12/2019
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  • O Brasil vem sofrendo com uma crise de aprendizagem expressa cada vez mais no desempenho de seus estudantes. Dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) e o Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF) denotam este problema. Nesse contexto, estratégias de intervenção e estimulação vêm emergindo, aplicadas no ambiente escolar ou não, a fim de promover melhoramentos em competências associadas ao desempenho acadêmico/escolar de estudantes. Algumas dessas competências – como as funções e os processos cognitivos – têm sido identificadas em forte associação com o bom desempenho dos estudantes. Este é o caso da atenção e das funções executivas, que são habilidades mentais altamente recrutadas no processo educacional e também em tarefas cotidianas. A meditação, por sua vez, tem sido alvo de muitas investigações e validada, quanto a sua eficácia, sobre vários aspectos, problemas e necessidades presentes no contexto educacional, tais como a estimulação de competências associadas à aprendizagem, a estimulação do desenvolvimento socio-emocional, entre outros. Assegurado nestes pressupostos, a presente dissertação teve como objetivo central investigar os efeitos da meditação sobre a atenção, as funções executivas e o desempenho escolar de crianças, estudantes do Ensino Fundamental I de uma escola municipal do interior da Bahia. Nesse sentido, foram desenvolvidos três artigos no decorrer desta dissertação: duas revisões e um estudo empírico. O artigo I foi uma revisão integrativa de literatura, baseada no protocolo PRISMA, no qual se buscou conceituar o que é o desempenho acadêmico/escolar e identificar os fatores que lhes são associados. Foram consultadas três bases de dados – ERIC, PubMed e PlosOne – e ao todo foram revisados 140 artigos. 121 fatores foram identificados em associação com o desempenho acadêmico/escolar de estudantes de todos os níveis de instrução. Esses fatores foram organizados segundo as suas dimensões de origem, quais sejam: biológica, psicológico-comportamental, sócio-ambiental e espiritual. O desempenho acadêmico/escolar foi conceituado como o nível objetivo de eficiência e eficácia cumulativos do exercício e da expressão (ou de suas ausências) de uma série de performances sobrepostas do estudante, oriundas das dimensões biológica, psicológico-comportamental, sócioambiental e espiritual. Ademais, um modelo teórico-conceitual foi proposto para explicar a interação do conceito com os fatores. O artigo II teve como objetivo identificar e caracterizar os efeitos da meditação em fatores associados ao desempenho acadêmico/escolar. Desse modo, foi realizada uma revisão sistemática de literatura com base no método PRISMA para revisões. A base de dados PubMed foi consultada e, ao todo, sete artigos empíricos foram revisados. Foram identificados dez fatores associados ao desempenho acadêmico/escolar dos estudantes. A meditação foi eficaz sobre todos os fatores identificados e, em alguns casos, apresentou efeito sobre o desempenho acadêmico/escolar. Finalmente, o artigo III teve como objetivo investigar os efeitos da meditação sobre a atenção, as funções executivas e o desempenho escolar de crianças. Assim, foi realizado um estudo quase-experimental, do tipo pré-teste e pós-teste, com grupo comparação, no qual participaram 44 crianças com idade média de 10,84 anos (DP=1,07) do Ensino Fundamental I, organizadas aleatoriamente em dois grupos: controle (n=22) e experimental (n=22). Os resultados indicaram que não houve diferenças significativas das variáveis investigadas entre os grupos avaliados, exceto para as funções executivas. No entanto, houve diferença para todas as variáveis na comparação intragrupo. Concluiu-se que a meditação foi eficaz para a estimulação da atenção, das funções executivas e para a melhora do desempenho escolar dos estudantes.

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  • JÔNATAS REIS BESSA DA CONCEIÇÃO
  • DESENVOLVIMENTO E INVESTIGAÇÕES PSICOMÉTRICAS DO TESTE DO DESEMPENHO ATENCIONAL EM ADULTOS

  • Orientador : JOSE NEANDER SILVA ABREU
  • Data: 13/12/2019
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  • O uso da atenção no cotidiano é fundamental para a funcionalidade do ser humano. Tal função cognitiva é basilar de outras funções, e nos permite realizar diversas atividades. Uma maneira eficiente de avaliação de funções cognitivas é por intermédio de testes e instrumentos. O uso de instrumentos computadorizados e de preferência com cenas ecológicas pode prover uma mensuração mais acurada e próxima da realidade do desempenho do indivíduo. O Teste do Desempenho Atencional é um instrumento computadorizado e que simula uma cena do cotidiano e tem um tempo total de execução de seis minutos. O propósito do instrumento é avaliar a capacidade de atenção contínua, construto que envolve sustentação e de detecção de estímulos, bem como avalia a presença de respostas impulsivas ou desatentas. O presente estudo apresenta os parâmetros de evidências de validade baseados no conteúdo, construto e critério, bem como a análise de confiabilidade do TDA. A busca de evidencias de validade baseadas no conteúdo foi dívida em dois processos diferentes. O primeiro foi a análise de juízes, no qual sete experts na área de avaliação julgaram o instrumento, obtendo por resultado uma alta concordância que o TDA mensura o que se propõe, bem como a adequação entre os seus itens e sua execução ao público alvo (k = 0.84, I.C = 0.71 - 0.95, p = 0.00). O segundo processo realizado foi a analise baseada na resposta aos itens, ou seja, analise semântica. O público participante, formado por 12 pessoas, realizou um piloto e indicou uma alta concordância que o teste apresentou comandos, figuras e manejo de execução do teste adequados para as faixas etárias indicadas (k = 0.77, I.C = 0.60 - 0.84, p = 0.00). A análise fatorial exploratória sugeriu que os indicadores do instrumento convergem em quatro fatores, sendo eles chamados de: atenção sustentada, alerta/detecção de estímulos, impulsividade e desatenção. Os dados referentes aos índices de confiabilidade do Teste do Desempenho Atencional indicaram valores próximos a 1 em todos os quatro fatores, o que está de acordo com o que é sugerido pela literatura psicométrica. As análises de evidencia baseados em variáveis externas sugeriram que o Teste do Desempenho Atencional apresentou divergência com tarefas que avaliam outros tipos de operacionalização da atenção, como por exemplo: seletividade, alternância e atenção dividida com correlações fracas ou espúrias. Em contrapartida, quando comparado com um teste que mensura a atenção continua, observou-se convergência com correlações moderadas. Este dado, sugere evidência que o instrumento mensura o que se propõe. Quando realizada uma regressão entre os indicadores do TDA e a variável idade dos participantes, observa-se que a idade foi preditora no desempenho da atenção continua na maior parte dos 12 indicadores do instrumento, salvo os indicadores de erros por ação (Log(BF10) = 0.46) ; vigilância de erros por ação (Log(BF10) =0.00), perseveração motora (Log(BF10) = 0.39) e vigilância de perseveração motora (Log(BF10) = 0.68). O conjunto de resultados das análises realizadas sobre o TDA mostrou que este novo instrumento é válido e fidedigno para avaliação de atenção contínua. Espera-se que o efeito destes resultados seja o uso deste instrumento em contextos diversos, como por exemplo a clínica e a pesquisa. É esperado que o TDA corrobore na promoção de uma avaliação mais acurada do público adulto na atenção contínua, bem como fortaleça e incentive a pesquisa nacional na área de desenvolvimento de testes psicológicos modernos.

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  • MARIA IVANA AMADO CHAVES GUERRA
  • OS ESTÁGIOS CURRICULARES SUPERVISIONADOS EM PSICOLOGIA: UMA PERSPECTIVA DE ESTUDANTES EM FORMAÇÃO

  • Orientador : MARIA VIRGINIA MACHADO DAZZANI
  • Data: 13/12/2019
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  • A graduação em psicologia tem como objetivo a formação de psicólogos direcionados para a pesquisa, o ensino e a atuação da psicologia. Os estágios supervisionados em psicologia foram definidos como uma série de atividades de formação permeadas pelo planejamento e pela supervisão direta de professores da instituição de ensino superior. Nessa modalidade de ensino da graduação pretende garantir a consolidação e a articulação das competências para a formação em psicologia. As diretrizes curriculares nacionais visaram assegurar que o estágio supervisionado seja caracterizado pelo contato do estudante com conjunturas, contextos e instituições com vistas ao desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes que se efetivam em ações profissionais. Os fundamentos teóricos são o modelo de competências conceituais, procedimentais e atitudinais e a psicologia histórico-cultural. Esta pesquisa teve como objetivo analisar a experiência dos estágios curriculares supervisionados em psicologia a partir da perspectiva dos estudantes. O método consistiu na pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória. A produção dos dados ocorreu com a entrevista narrativa semiestruturada e os “flash cards” com três estudantes do sexo feminino do 9º e 10º semestres do curso de psicologia de uma instituição de ensino superior privado em Salvador. Os resultados foram categorizados a partir das competências conceituais, procedimentais e atitudinais durante os estágios e as significações dos estágios supervisionados construídas por estudantes na formação em psicologia. A partir da análise dos dados foi possível identificar que as estudantes enfrentaram os desafios dos estágios através da construção coletiva do conhecimento e vinculação com colegas e professoras, sendo destacado o espaço da supervisão. As estudantes enfatizam que a formação em psicologia é uma experiência transformadora em termos pessoais, profissionais, sociais e éticos. Assim, foi possível concluir que a experiência do estágio supervisionado na formação em psicologia possibilitou o desenvolvimento de aprendizagens significativas pessoais e profissionais propiciadas pelas atividades nos campos de prática.

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  • MARIANA MATOS NASCIMENTO OLIVEIRA
  • Apresentação de Si de Adolescentes Obesas na Plataforma Digital Instagram

  • Orientador : JOSE CARLOS SANTOS RIBEIRO
  • Data: 13/12/2019
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  • O Instagram é atualmente considerado a maior plataforma digital com foco na imagem, sendo o Brasil o segundo país com maior número de usuários, dentre eles, adolescentes. Ao se ocupar deste espaço, os jovens utilizam convenções e normas sociais próprias, que se ajustam às particularidades técnicas da plataforma, e ao fazê-lo, realizam algum tipo de apresentação de si. Essa particular dinâmica interacional, analisada sob a luz da Teoria Dramatúrgica de Erving Goffman, não apenas fornece aos interagentes uma noção de como se espera ser tratado, como também direciona a forma pela qual se deve tratar os outros. A apresentação de si possui quatro consideráveis funções para as pessoas: influência interpessoal, realce da construção da identidade pessoal, manutenção da autoestima e promoção de emoções positivas. Compreendendo a adolescência como a fase marcada por mudanças físicas, psíquicas e sociais que costumam repercutir de forma significativa na vida dos indivíduos, acentua-se a construção da autoestima e da autoimagem corporal, que podem ser comprometidas por fatores como a obesidade. Definida como o acúmulo de tecido adiposo e tida como epidemia mundial, chega a atingir cerca de 23% dos adolescentes brasileiros, sendo a maioria constituída por jovens do sexo feminino. Presente no contexto digital, seja através de manifestações de preconceito e discriminação ou através de movimentos de empoderamento, ativismos e militâncias a favor do corpo gordo, a obesidade não é um fator impeditivo para que adolescentes com essa condição façam apresentações de si no Instagram. Constatou-se que a escolha das estratégias e do tipo de apresentação de si realizada estão mais fortemente condicionadas à influência das particularidades técnicas da plataforma, ao espaço ao qual determinada apresentação se destina, ao gerenciamento das audiências e ao posicionamento frente à condição física. Sendo assim, é realçada a necessidade do cuidado aos processos que integram o self destas jovens, para que possam construir suas apresentações de si de forma a manter suas interações sociais, tão importantes nessa fase, cada vez mais saudáveis.

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  • FLÁVIA MENDONÇA PROTÁSIO PEREIRA
  • VOZ E SILÊNCIO DE DOCENTES DE ENSINO SUPERIOR COM DIFERENTES VÍNCULOS COM O TRABALHO

  • Orientador : ANTONIO VIRGILIO BITTENCOURT BASTOS
  • Data: 18/12/2019
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  • A partir de uma concepção de organização como fruto da construção social, local de coalizão de interesses e valores, destaca-se a importância de se debruçar para entender o que motiva os sujeitos a se engajarem em comportamentos de voz ou permanecerem em silêncio. Ressalta-se ainda o impacto que os vínculos proporcionam na forma como o sujeito irá se relacionar com o seu trabalho, sendo precedidos pela maneira como o sujeito percebe, bem como sua atitude frente à empresa. A abordagem de múltiplos comprometimentos aponta a existência de diversos focos de comprometimento, podendo esses fazerem demandas convergentes ou mesmo antagônicas. O comprometimento com ações demonstra que o vínculo do sujeito pode se estabelecer em direção a alguma ação específica, algum projeto independentemente da sua vinculação com a organização. A aproximação da temática de voz e silêncio e comprometimento torna-se, então, relevante para a compreensão do comportamento organizacional. O presente trabalho visa testar o poder de predição do comprometimento organizacional e do comprometimento com as atividades profissionais no comportamento de voz e silêncio pró-social dos docentes universitários. Trata-se de um estudo de corte transversal, correlacional e quantitativo onde foi utilizado um questionário contendo diversos itens para avaliar as diferentes variáveis de pesquisa, entre eles, escalas já validadas para mensurar comprometimento e voz e silêncio nas organizações, além da Escala de Comprometimento com Ações Docentes que foi criada e validada neste estudo. Utilizou-se uma amostra de 483 docentes da Universidade Federal da Bahia. Foi possível estabelecer os perfis de comprometimento dos docentes com suas atividades profissionais, com base numa medida de comprometimento específica, e sua relação com o vínculo global com a organização. Os resultados apontaram a existência de uma correlação positiva e fraca entre comprometimento organizacional e os comportamentos tanto de voz como de silêncio. Foram encontradas ainda diferenças significativas quanto ao poder preditivo do comprometimento com ações em relação aos comportamentos de voz pró-social. O trabalho abre perspectiva de novos estudos que ampliem a generalização dos resultados obtidos e desenvolvam modelos teóricos mais complexos para analisar a relação entre múltiplos comprometimentos e comportamentos de voz e silêncio.

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  • LARISSA MARIA MAGALHÃES VIEIRA CARNEIRO
  • VIESES RACIAIS NA APLICAÇÃO DE MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS:LEVANTAMENTO NO ESTADO DA BAHIA

  • Orientador : MARCOS EMANOEL PEREIRA
  • Data: 18/12/2019
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  • O presente estudo teve como objetivo investigar a influência dos vieses raciais na aplicação de medidas socioeducativas para adolescentes acusados pelo cometimento de atos infracionais no Estado da Bahia. À luz da teoria do racismo institucional, definido como um conjunto de práticas que provocam desigualdades raciais, perpetuação de crenças e limitação da mobilidade social e no contexto do sistema de justiça juvenil do Brasil, foi elaborado um conjunto de hipóteses visando responder o problema da pesquisa: (h1) mantidas as constantes dos atos infracionais, os adolescentes negros estão sujeitos a sentenças judiciais mais severas que os adolescentes brancos; (h1.1) os adolescentes terão sentenças mais severas caso não estejam frequentando a escola; (h1.2) em caso de adolescentes reincidentes, medidas em meio fechado serão mais aplicadas; (h1.3) adolescentes entre 12 e 14 anos terão menor probabilidade de determinações para cumprimento de medidas socioeducativas em meio fechado. Metodologicamente, empreendeu-se a análise das relações entre as categorias raça/cor, frequência escolar, movimentação, faixa etária e as decisões judiciais por meio de tabelas de contingências entre as variáveis previamente apresentadas, mediante a utilização do teste qui-quadrado. Os dados são provenientes do banco de dados disponível pela FUNDAC, que utiliza o SIPIA – Sistema de Informações para Infância e Adolescência – corresponde aos anos de 2017 e 2018, no qual constam os registros de todos os adolescentes, da capital e interior, que deram entrada no Pronto Atendimento da cidade de Salvador. Os resultados apontaram para tratamento desigual dispensado aos adolescentes pretos e pardos. A variação da cor da pele exerceu efeitos diferentes nas decisões judiciais. Quando os critérios legais foram utilizados nas sentenças proferidas, não houve associação com as decisões para liberação, ao contrário, foram fatores de influência para o recrudescimento das decisões dirigidas aos negros. Essas descobertas demonstram que, para os adolescentes negros, em especial os autodeclarados pretos, todos os critérios foram utilizados para sentencia-los às medidas em meio fechado. Para os adolescentes brancos, nenhum dos fatores interferiu nas decisões judiciais. Conclui-se que o sistema socioeducativo atua como uma instituição que repercute, a partir das decisões dos operadores do direito, práticas do racismo institucional.

Teses
1
  • GUSTAVO MARCELINO SIQUARA
  • EFEITO DE ESTÍMULOS EMOCIONAIS E DO HUMOR NA MEMÓRIA OPERACIONAL VISUAL

  • Orientador : JOSE NEANDER SILVA ABREU
  • Data: 06/02/2019
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  • Estudos recentes buscam entender como os estímulos emocionais e o estado emocional podem interferir em processos cognitivos. A memória operacional (MO) é uma função cognitiva importante, por exemplo, para a aprendizagem e tomada de decisão. A MO é a capacidade de manipular informação na mente por um período de tempo. O objetivo da presente tese foi avaliar o efeito de imagens com valência emocional e alterações do humor na formação do binding visual objeto-localização da MO. A tese está divida em 2 estudos empíricos. No estudo empírico I, o objetivo foi analisar a capacidade máxima de recordação e a ordem de apresentação das imagens emocionais na formação do binding visual objeto-localização da MO. Os objetivos específicos foram de testar os modelos de ‘Slot’ e Recursos Compartilhados de capacidade máxima de binding em diferentes condições e avaliar qual o efeito da ordem de apresentação de imagens negativas sobre a recordação das imagens na formação do binding objeto-localização. Participaram nesse estudo, 106 estudantes universitários, sem histórico de transtornos psiquiátricos ou neurológicos. Para a construção do experimento foram utilizadas imagens do International Affective Picture System (IAPS). Foram selecionadas 24 imagens, sendo 12 de valência emocional neutra e 12 de valência emocional negativa. O experimento foi computadorizado e inserido dentro da plataforma Unit na linguagem C#. Foram realizados 4 experimentos com diferentes quantidades e ordens de apresentação das imagens emocionais em um bloco seriado. No experimento 1 foram apresentadas 4 imagens por bloco, experimento 2, 6 imagens por bloco, experimento 3, 8 imagens por bloco, experimento 4, 12 imagens por bloco. A ordem de apresentação das imagens neutras e negativas foi diferente para testar as hipóteses. Para a análise de dados foi utilizado estatística descritiva e inferencial com os testes de Friedman, Wilcoxon, Kruskal-walls e post hoc de Connover e Dunn. Os resultados dos experimentos indicam que as imagens negativas captam mais recursos atencionais ao mesmo tempo que produz mais “ruídos” na formação dos binding visuais. Por isso que a quantidade de imagens negativas e a ordem que elas são apresentadas interferem na formação do binding. Outro achado é que a medida que é aumentado a quantidade de imagens apresentadas o controle top-down para priorização das imagens passa a ser bottom-up. No estudo Empírico II o objetivo foi avaliar a relação entre Depressão Maior e o seu efeito sobre a formação do binding visual objetolocalização com uso imagens emocionais. Adicionalmente o estudo tem objetivo de investigar o efeito da indução de humor sobre o binding visual objetolocalização de imagens emocionais com diferentes tempos de intervalo para recordação. Foram selecionadas 24 imagens, sendo 12 de valência emocional neutra e 12 de valência emocional negativa. O experimento foi computadorizado e inserido dentro da plataforma Unit na linguagem C#. Foi utilizado o experimento com 4 imagens, sendo 2 neutras e 2 negativas em blocos de 4 imagens de maneira seriada. Os participantes foram um total de 168 pessoas esses foram divididos em grupos sendo, 136 estudantes universitários; 16 pessoas com até o 2o Grau Completo; 16 com Diagnóstico Psiquiátrico de Depressão Maior. Dentro do grupo de estudantes Universitários foram divididos em 4 grupos. O primeiro grupo com tempo de intervalo para recordação de 8 segundo e humor neutro, segundo grupo com tempo de intervalo de 1 segundo e humor neutro, terceiro grupo, tempo de intervalo de 1 segundo e humor induzido e o quarto grupo, tempo de intervalo de 8 segundos e humor induzido. Para a indução de humor negativo foi utilizado o procedimento de indução de humor de Velten. Os resultados indicaram que a indução do humor não foi suficiente para diminuir significativamente a capacidade de formação do binding visual apesar de ter sido encontrados diferenças. O tempo de intervalo para a recordação (1segundo X 8 Segundos) também não foi suficiente para diminuir significativamente a capacidade de binding. Ao comparar a capacidade de binding entre os Grupos Universitários, Não universitários e com Depressão Maior, o Grupo Universitário apresentou um melhor desempenho, seguido dos Não Universitários e o pior desempenho para o grupo com Depressão Maior. Ao analisar o total de imagens recordadas, dividindo entre as imagens neutras e negativas entre os 3 grupos citados anteriormente, foi possível observar que as imagens negativas são mais recordadas que as neutras, no entanto no grupo com Depressão Maior essa diferença apresentou um maior tamanho de efeito. O grupo com Depressão Maior apresentou uma menor capacidade de binding geral, mas uma maior tendência de lembrar das imagens negativas. O estudo da relação entre emoções e cognição, continua sendo um desafio a ser conquistado. O trabalho com imagens emocionais adiciona mais uma variável importante para a compreensão do fenômeno da codificação e recordação dos estímulos na memória. Tentar encontrar marcadores cognitivos que auxiliem na identificação e o risco para a Depressão Maior e o comportamento humano continua sendo um grande estímulo para as pesquisas futuras, apesar de o presente estudo ter encontrado resultados promissores.

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  • FRANCIANE ANDRADE DE MORAIS
  • EMOÇÕES NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA: CONTRIBUIÇÕES PARA A COMPREENSÃO DO TRABALHO EMOCIONAL DOCENTE

  • Orientador : SONIA MARIA GUEDES GONDIM
  • Data: 15/03/2019
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  • O trabalho emocional pode ser definido a partir da articulação de seus três componentes. De
    forma geral, é caracterizado como o esforço do trabalhador em regular suas emoções para
    atender às demandas socioemocionais laborais e produzir resultados satisfatórios. Há dois
    focos emergentes na literatura sobre o trabalho emocional. O primeiro sugere que deve se
    considerar o contexto em que ele ocorre, o segundo aponta para a necessidade de integrar seus
    componentes para melhor compreendê-lo. Nesse sentido, observa-se o florescimento dos
    estudos sobre o trabalho emocional docente, entretanto, ainda não se tem clareza sobre as
    demandas emocionais presentes nesse contexto laboral. Adicionalmente, ainda restam dúvidas
    sobre como os professores regulam suas emoções quando estão na sala de aula, visto que
    apenas um número limitado de estratégias de regulação emocional tem sido extensivamente
    estudado, além de não ter sido explorado como de fato elas são implementadas nesse contexto
    por meio de táticas específicas. Também são omissos estudos que investigam a influência de
    fatores pessoais. Outra questão que permanece em aberto refere-se aos desfechos da regulação
    emocional. Por fim, ainda não houve esforço de capturar o caráter dinâmico, processual e
    contextual do trabalho emocional docente. Assim, para contribuir com a literatura, esta tese
    teve por objetivo caracterizar o trabalho emocional do professor da educação profissional e
    tecnológica ao examinar as demandas, as estratégias e seus desfechos e articulá-los em um
    modelo integrativo do trabalho emocional docente no contexto da sala de aula no âmbito uma
    Instituição Federal de Ensino. Para tal, foram realizados três estudos empíricos, exploratórios
    e de natureza qualitativa que focaram em cada um desses componentes, respectivamente. Foi
    utilizada a técnica do grupo focal nos três estudos, no entanto no Estudo 1 foi realizada uma
    análise documental prévia para identificar as demandas emocionais contextuais e situacionais
    do ensino profissional e tecnológico. Nos Estudos 2 e 3, foram realizados oito grupos com 41
    professores do ensino profissional e tecnológico, alocados com base no período da carreira e
    área de formação/ensino do docente para examinar as emoções e as estratégias de regulação
    emocional adotadas pelos professores (Estudo 2) e avaliar o desfecho da regulação docente a
    partir da autopercepção do professor sobre o atendimento, ou não, da demanda emocional que
    ativou o processo regulatório (Estudo 3). Foi elaborado, ainda, um modelo integrativo de
    trabalho emocional docente para o contexto da sala de aula, a partir da articulação dos
    resultados dos três estudos. Assim, descobriu-se que os professores utilizam uma variedade de
    estratégias de regulação emocional, de forma isolada ou encadeada, operacionalizadas em
    táticas específicas para lidar com três tipos de demandas: as interacionais, técnicopedagógicas
    e intrapessoais. A análise contextual permitiu inferir que cada uma dessas
    demandas elicia diferentes emoções negativas nos professores. Descobriu-se também que a
    depender da demanda, estratégias consideradas prejudiciais pela literatura, como a supressão,
    podem ser funcionais para lidar com demandas específicas e em curto prazo, sugerindo que
    alguns tipos de estratégias podem ser melhor ajustadas em uma situação do que em outra,
    proporcionando desfechos satisfatórios. Juntos, esses achados ajudam a sustentar a tese de que
    o professor faz uso de estratégias de regulação emocional em sua prática profissional para
    lidar com as demandas emocionais presentes na sala de aula e alcançar desfechos satisfatórios
    para o seu bem-estar pessoal e desempenho profissional.

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  • ANA CLARA DE SOUSA BITTENCOURT BASTOS
  • Na iminência da morte: Cuidado Paliativo e Luto Antecipatório para crianças/adolescentes e os seus cuidadores

  • Orientador : MARILENA RISTUM
  • Data: 24/04/2019
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  • O câncer infanto-juvenil promove perdas na vida da criança e do adolescente, que se afastam do seu ambiente familiar para se submeterem ao tratamento, muitas vezes se distanciando também dos amigos e da escola, assim como acontece também com o cuidador principal. No momento em que a doença se torna mais grave e que não há mais possibilidades de cura, o contexto de cuidados paliativos pediátricos convida os atores envolvidos a entrarem em contato com a morte, o que envolve um processo de constante ressignificação, produzindo novos modos de agir, pensar e sentir. Este estudo buscou compreender a experiência de adoecimento da criança e do adolescente com câncer em cuidados paliativos, assim como a experiência do seu cuidador principal nesse contexto. Foram realizadas entrevistas narrativas com três crianças, quatro adolescentes, cinco mães e um pai, em um hospital filantrópico, no próprio ambiente de internação dos pacientes. As entrevistas foram gravadas em áudio e transcritas, com média de 70 minutos de duração. Para a análise dos dados foram construídas categorias, buscando compreender a dinâmica entre elas: a trajetória de adoecimento, a relação eu-outro, a regulação afetivo-emocional e a perspectiva de futuro. A análise foi realizada sob a luz da Psicologia Semiótico Cultural, focalizando, especialmente, os conceitos de ruptura, transição, ambivalência, regulação afetivo-semiótica e imaginação. Foi possível observar que o diagnóstico oncológico marca uma ruptura na vida dos participantes, evidenciando perdas ao longo de todo o processo, sendo necessário o uso de recursos para o processo de transição. Evidencia-se o signo hipergeneralizado da fé como promotor no processo de construção de
    significados frente às perdas vivenciadas pelas crianças e os adolescentes, nesse contexto, com destaque para o afastamento da escola Para os pais, o destaque foi dado para a perda do trabalho e a perda iminente do filho, sendo estes significados conduzidos também pelo signo hipergeneralizado da maternidade. A experiência da criança, do adolescente e dos pais demonstrou ser regulada de forma interdependente e o luto antecipatório assemelhou-se ao processo de luto não reconhecido, por não haver espaço social para sua expressão e elaboração. O luto antecipatório dos pais envolve uma intensa carga emocional, a qual demonstrou restringir a capacidade imaginativa direcionada ao futuro, orientando, desta forma, a construção de significados focalizada no presente. Por fim, frente às intensas emoções vivenciadas, destacaram-se momentos de ambivalência, a exemplo da dor de si x dor do outro, cura x morte, força x impotência, nos quais ocorreu um processo de intensificação da regulação afetivosemiótica e uma consequente forte produção de significados, em busca de continuidade no self.

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  • BRENA CRISTIANE BAHIA DE CARVALHO
  • Maternidade e filialidade para mães em sofrimento psíquico e suas filhas: Entre as delicadezas da experiência pessoal e os recursos de proteção social

  • Orientador : MARILENA RISTUM
  • Data: 09/05/2019
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  • A maternidade pode ser um evento disruptivo no ciclo vital. Quando atravessada pelo sofrimento psíquico, pode se tornar mais delicada. Compreendendo o self como um fenômeno narrativo, o sofrimento em suas dimensões semióticas, as trajetórias como experiências atravessadas por rupturas e transições, as fronteiras como espaços desenvolvimentais e a maternidade como um fenômeno culturalmente orientado, este estudo buscou compreender a experiência pessoal de maternidade e filialidade para mulheres em sofrimento psíquico e suas filhas. Mais especificamente, buscou analisar (1) as significações a respeito da maternidade e filialidade apresentadas pelas mães, por suas filhas e pela equipe de profissionais em saúde mental; (2) se e como a condição de sofrimento da mãe, na dinâmica das relações familiares, é significada pelas próprias mães, pelas filhas e pelos profissionais; (3) Analisar, no CAPS, se existem e como são os protocolos de cuidados para as mães apresentam sofrimento psíquico e para os seus filhos e (4) os itinerários terapêutico e jurídico percorridos pelas mães e suas filhas. Participaram da pesquisa duas mães em sofrimento psíquico (53, 46), suas filhas caçulas (12 ,18), o companheiro de uma delas (36) e um grupo de seis profissionais de um CAPS. Os dados foram produzidos com as seguintes estratégias: narrativas baseadas em mapas corporais (mães), autofotografia (filhas), entrevista semiestruturada (companheiro) e grupos focais (profissionais), e foram analisados a partir do modelo de equifinalidade de trajetórias e da construção de eixos temáticos. Percebeu-se que as significações sobre a maternidade, pelas mães, foram atravessadas pela vulnerabilidade social e econômica, pela violência doméstica, policial e conjugal, pela falta de amparo dos pais, e pela hipermedicalização. Entretanto, “ser mãe” foi considerado, por elas, como uma vivência central e que pode ser menos disruptiva quando há apoio paterno. Entre os profissionais, embora o ideal de maternidade tenha sido um forte viés, houve compreensões mais empáticas em que são reconhecidos legítimos os sentimentos ambivalentes. A filialidade foi significada pelas funções que os filhos assumem nas famílias, como o acolhimento emocional, a defesa de um cuidado em liberdade e o auxílio na realização das atividades domésticas. Os profissionais, entretanto, atribuíram, aos filhos, um lugar mais passivo nas dinâmicas familiares, não os incluindo diretamente no cotidiano de cuidado. Sobre o sofrimento psíquico, este foi configurado semioticamente tanto como um signo tipo ponto e inibidor, quanto como um signo que assume contornos mais pleromatizados e promotores. As filhas reconheceram o sofrimento de suas mães com naturalidade. A confiança no tratamento e uma compreensão mais plural sobre o sofrimento parecem possibilitar expectativas menos pessimistas. Os profissionais destacaram as condições psicossociais imbricadas com a possibilidade das vivências maternas mais sofridas. Não foram identificados protocolos de cuidados específicos para as mulheres mães. Entretanto, nota-se que esta questão atravessa os atendimentos. A análise do itinerário terapêutico mostrou, em um dos casos, uma centralização nos dispositivos territoriais de cuidado; no outro, houve as marcas iniciais do asilamento e do engajamento político. Em ambos os casos, nota-se o esgarçamento das redes de amparo e das políticas públicas. Quanto ao itinerário jurídico, percebeu-se que as trajetórias se deram à margem das instituições de proteção. Conclui-se afirmando a importância da análise das trajetórias, da inclusão dos filhos nos projetos de cuidado e das compreensões plurais acerca do sofrimento para que sejam desenvolvidas práticas de cuidado menos estigmatizantes.

5
  • VERÔNICA GOMES NASCIMENTO
  • Por uma inclusão escolar artesanal: para além da técnica, uma ética educativa

  • Orientador : MARIA VIRGINIA MACHADO DAZZANI
  • Data: 22/11/2019
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  • O presente estudo aborda o tema da inclusão escolar das crianças com autismo. Este tema, embora nasça no campo educacional, vem sendo ampliado a partir da articulação com outros campos do saber, tais como Direito, Psicologia, Medicina, Fonoaudiologia, dentre outros. A inclusão escolar envolve um posicionamento ético e político, e tem sido marcada pelo slogan “Educação para Todos”, o qual atravessa a prática educativa como uma palavra de ordem. Essa realidade revela sua importância diante de uma história marcada pela segregação escolar. Entretanto, o ato de “incluir” uma criança na escola regular tem se tornado um imperativo social - “temos que incluir” – que deixa de lado os aspectos da singularidade clínica que atravessam uma criança. De modo geral, os estudantes são reunidos simplesmente em grupos de acordo com os diagnósticos médicos que recebem a partir dos quais são estabelecidas “estratégias inclusivas” no sentido de “garantir” a inclusão escolar, não possibilitando um espaço para que os aspectos relativos ao sujeito compareçam singularmente no processo de escolarização. Diante disso, este estudo considera que a reunião das crianças em grupos direciona uma inclusão escolar que obedece um modelo estrutrado em “pacotes” e, em contraposição, apresenta uma proposta voltada para uma “inclusão artesanal”. Nesse sentido, a proposta da “inclusão artesanal” é pensada como um processo que considera que o ato de incluir deve acontecer partindo do caso a caso e não como uma inclusão em série (característica industrial). Além disso, a “inclusão artesanal” contempla a dimensão da constituição psíquica, sendo esta considerada tarefa da educação, de uma primeira educação. Para análise do tema proposto, compreende-se que a psicanálise sugere uma leitura importante sobre a educação e pode ofertar a noção da ética do sujeito para uma prática educativa que intenciona ser inclusiva. Desse modo, o objetivo da pesquisa foi identificar e analisar os elementos artesanais no processo inclusivo de estudantes autistas, matriculados na rede pública e privada de ensino brasileiro, a partir da experiência do Acompanhamento Terapêutico Escolar (ATE). A pesquisa é de natureza qualitativa e utiliza o estudo de caso de dois estudantes diagnosticados como autistas, os quais foram assistidos por acompanhantes terapêuticos escolares em seus processos de inclusão. A análise das experiências de inclusão escolar dos estudantes foi elaborada a partir dos desdobramentos de cada caso . Foram construídos eixos de análise, os quais serviram como organizadores para a leitura analítica do fenômeno em questão, sob a ótica da psicanálise. Consideramos que os casos ilustram os efeitos de uma proposta de inclusão artesanal, pois através da experiência inclusiva e prática do ATE alguns atores escolares mostraram investimento e aposta em seus estudantes enquanto sujeitos e estes revelaram avanços importantes em seus processos de escolarização, sobretudo nos aspectos constitutivos e na possibilidade de construção do laço social. 

2018
Dissertações
1
  • FLAVIA SANTOS ALMEIDA
  • OYÊ E BRINCADEIRA: RELAÇÕES DE HIERARQUIA E INFÂNCIA ENTRE CRIANÇAS FREQUENTADORAS DO CANDOMBLÉ

  • Orientador : ILKA DIAS BICHARA
  • Data: 01/03/2018
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  • Ao ocuparem os espaços dos terreiros de candomblé, as crianças demonstram como o processo de criação de suas próprias culturas acontece a partir da interação com os costumes locais e da apropriação do espaço. Assim compreende-se que a brincadeira emerge quando a criança dispõe dos esquemas em estruturas construídos por meio das interações sociais a que têm acesso, de modo que estabelece-se, então, uma cultura lúdica própria, có-produzida e diversificada conforme os indivíduos, faixa etária, gênero, contexto histórico; resultando numa combinação entre as significações préexistentes nas brincadeiras e aquelas dispostas pelas crianças como resultado de suas vivências anteriores. Considerando tais aspectos, a pesquisa objetivou analisar as relações estabelecidas entre a infância, a brincadeira e os graus hierárquicos possivelmente exercidos pelas crianças inseridas no contexto que envolve as práticas do Candomblé a partir da caracterização das principais atividades lúdicas desenvolvidas pelas crianças na rotina de atividades dos terreiros observados; da descrição dos modos em que o local – Terreiro de Candomblé – altera a maneira como as brincadeiras acontecem entre as crianças que ali estão; e da identificação das peculiaridades das brincadeiras e práticas lúdicas exercidas entre as crianças que obtiveram elevação hierárquica no contexto candomblecista com seus pares. Os dados iniciais foram coletados através de observação direta dos eventos comportamentais e o fato de que aquelas crianças estavam ali hospedadas durante os dias da festividade assegurou a presença das mesmas, diminuindo o risco de impossibilidade da pesquisa. A partir deste momento traçou-se alguns aspectos a serem destacados para que fizessem parte das anotações: 1. a criança deveria estar em atividade lúdica reconhecida; 2. comportamentos e brincadeiras que trariam símbolos do Candomblé; 3. comportamentos lúdicos influenciados pelo fator hierárquico. Posteriormente, os dados da pré-coleta foram inseridos nas análises do diário de campo e das atividades surgidas durante a pesquisa. Concluiu-se que os cargos exercidos pelas crianças de candomblé influenciavam em suas ações cotidianas ante seus pares no momento em que lhes eram solicitadas funções distintas e exclusiva de seus postos, ao acessarem locais particulares para pessoas iniciadas ou graduadas. No entanto, esta graduação não lhes impedia de brincar de maneira igualitária com seus pares tanto nas brincadeiras de cunho religioso quanto nas atividades com outros temas. Tais resultados estão também sincronizados com os termos ontogenéticos debatidos, ao assegurar a correspondência entre o brincar e a importante estratégia de manutenção dos comportamentos adaptáveis ao ambiente, resolução de problemas e modos de existir em comunidade.

2
  • ÍRIS ARAUJO DOS SANTOS
  • Diferenças de Gênero nas Brincadeiras de Crianças em Sites e/ou Aplicativos: Segregação, Estereotipia e Tipificação

  • Orientador : ILKA DIAS BICHARA
  • Data: 14/06/2018
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  • O gênero é considerado uma importante categoria social que a criança começa a ter contato desde os primeiros anos de vida, tornando-se essencial durante as brincadeiras, pois é partir delas que observa-se as diferenças do brincar entre meninos e meninas, no que se refere a escolha de brinquedos, tipos de brincadeiras e modos de organização quanto a aspectos sociais e espaciais. O reconhecimento destas características torna-se possível, devido a três elementos que possuem uma relação de interdependência para melhor compreensão das diferenças de gênero nas brincadeiras: segregação, estereotipia e tipificação. Diversos estudos sobre brincadeira e gênero em diferentes contextos, revelam que crianças podem apresentar comportamentos distintos devido as particularidades estabelecidas em cada um destes ambientes. Ao considerar a importância das configurações contextuais na construção das identidades de gênero das crianças, as plataformas digitais têm se apresentado como um contexto inovador na promoção das brincadeiras e de novas práticas lúdicas na contemporaneidade. Levando em consideração estas características, as plataformas digitais tornam-se um caminho promissor para novas investigações, pelo fato das crianças acessarem frequentemente jogos presentes em sites e aplicativos endereçados para meninos e meninas. A partir da concepção das crianças como sujeitos capazes de se apropriar criativamente da cultura do universo adulto em detrimento de suas próprias culturas, esta pesquisa objetivou analisar como se configuram a segregação estereotipia e tipificação nas brincadeiras em sites e aplicativos e de como as crianças ressignificam as tipificações de gênero presentes nos jogos para meninos e meninas. Em relação ao método, este estudo tem caráter exploratório e qualitativo. Assim, visando alcançar o referido objetivo, foi realizada uma entrevista semiestruturada com 12 crianças (6 meninos e 6 meninas), na faixa etária compreendida entre 6 e 11 anos, residentes em bairros periféricos da cidade de Salvador/BA. Os dados coletados foram gravados, posteriormente transcritos e agrupados em categorias conforme o roteiro da entrevista. Os dados analisados demonstram que, crianças que apresentaram discursos menos estereotipados, são oriundos de seus respectivos núcleos familiares, pois possuem comportamentos menos conservadores em relação as diferenças de gênero. Dentre estes participantes, crianças na faixa etária de 7 e 8 anos apresentaram discursos menos estereotipados contrapondo outras pesquisas realizadas, enquanto as crianças de 6 anos demonstraram forte estereotipia em suas narrativas, e as de 9 a 11 anos, apresentaram tendências a discursos flexíveis e menos estereotipados, estando em acordo com as literaturas estudadas. Deste modo, conclui-se que mesmo as crianças estando em meio a explícita tipificação de gênero presente nos sites de jogos e aplicativos, apresentaram uma ressignificação cultural através dos seus discursos, confrontando a naturalização de gênero presente nestas plataformas digitais.

3
  • ICLEIA SANTOS DOREA SOARES
  • A INSERÇÃO DE NEGÓCIOS DE IMPACTO SOCIAL EM REDES
    INTERORGANIZACIONAIS E A ADOÇÃO DE PRÁTICAS DE GESTÃO AGENCYCOMMUNITY

  • Orientador : ANTONIO VIRGILIO BITTENCOURT BASTOS
  • Data: 10/07/2018
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  • A presente pesquisa almeja ofertar ao campo de POT e áreas correlatas um maior
    conhecimento acerca dos negócios de impacto social, do seu modelo de políticas e práticas de
    gestão de pessoas e das suas relações interorganizacionais. A articulação entre esses três
    campos de estudo, assumiu como objetivo geral a análise da inserção dos negócios de
    impacto social em redes interorganizacionais, avaliando os tipos de trocas e em que medida
    as interações desenvolvidas se relacionam com a intensidade com que o modelo híbrido de
    gestão de pessoas agency-community é adotado. Em termos metodológicos, este estudo
    caracteriza-se como descritivo, de corte transversal e enfoque quantitativo. Para empreendêlo,
    foi aplicado um instrumento de pesquisa inspirado nos desenvolvidos por Ribeiro (2006),
    Macambira (2013) e Impact Reporting and Investiments Standards, IRIS, (2016), além da
    Escala Agency-Community do modelo de gestão de pessoas (Grangeiro, 2006). Foram
    conduzidas análises estatísticas descritivas - com o intuito de caracterizar essas organizações
    no cenário brasileiro –, de cluster – a fim de identificar os diferentes perfis combinatórios das
    dimensões agency e community – e de redes – visando reconhecer os padrões relacionais
    estabelecidos pelas iniciativas estudadas. Os resultados obtidos permitiram a construção de
    três artigos: a) o primeiro volta-se para a caracterização dos negócios de impacto social
    brasileiros, tentando entendê-los em seus traços mais gerais e com base em seu perfil de
    gestão de pessoas; b) o segundo procura descrever os aspectos relacionais das redes
    interorganizacionais tecidas pelas organizações híbridas, estreitando a análise por tipo de
    informação trocada; c) o terceiro busca compreender os padrões interacionais dos negócios de
    impacto social, tanto com base nas diferentes naturezas organizacionais dos elos encontrados
    na rede quanto a partir dos diferentes perfis de adoção do modelo agency-community. De
    modo geral, as evidências apontaram que o cenário formado pelas organizações híbridas
    brasileiras é bastante complexo e diverso, suas práticas refletem o modelo agency-community
    mas com uma tendência coletivista. As redes apresentaram-se fragmentadas e os tipos de
    conteúdo mais transacionados são “consultoria” e “gestão organizacional”. Via de regra os
    negócios de impacto social apresentam padrões heterofílicos de relacionamento com
    possibilidade de isormorfismo mimético de práticas de gestão de pessoas entre perfis
    adotantes do modelo agency-community.

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  • DJEAN RIBEIRO GOMES
  • "A GENTE NÃO TEM NOSSO CANTO, NÃO TEM UM LUGAR": PRÁTICAS DISCURSIVAS SOBRE A ASSISTÊNCIA RELIGIOSA DE MATRIZ AFRICANA NO CÁRCERE

  • Orientador : MONICA LIMA DE JESUS
  • Data: 26/07/2018
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  • A realidade do sistema prisional é historicamente marcada por violações sistemáticas de direitos humanos que ocorrem de forma generalizada, desde a violência institucionalizada na prática de agentes penitenciários contra custodiados até o não cumprimento de direitos assistenciais garantidos por lei, inclusive, a assistência religiosa, que está prevista na Constituição Federal e na Lei de Execução Penal, dentre outros mecanismos normativos. O cumprimento seletivo do direito ao exercício religioso está diretamente associado ao contexto desigual e histórico de liberdade e expressão religiosas produzidas no Brasil. Sobretudo, direcionado às religiões de matrizes africanas que tiveram seu legado cultural e ritualístico, criminalizado, demonizado e patologizado pelo Estado através de diversos mecanismos estatais com base em intervenções científicas racistas e intolerantes. A respeito das religiões nos espaços de confinamento, a presença religiosa é marcante desde o modelo dos suplícios até o modelo prisional que testemunhamos na atualidade. Se antes havia uma exclusividade católica, com as transformações históricas e políticas, em especial, das formas de governo, a pluralidade religiosa nos espaços públicos foi possibilitada, principalmente, quando o Estado brasileiro se instituiu como laico. Apesar disso, a realidade religiosa do cárcere continua sob a égide do cristianismo, com a forte influência de vertentes cristãs pentecostais e neopentecostais, em contraponto, ao processo de demonização e desautorização que subjugam as religiões de matrizes africanas e seus adeptos. Dessa maneira, o objetivo desse estudo foi analisar como acontece a assistência religiosa direcionada a custodiados adeptos de religião de matriz africana e quais as suas possibilidades e limitações no contexto prisional, A pesquisa teve como lócus três unidades prisionais do Complexo Penitenciário Lemos Brito, na cidade de Salvador/Bahia. Utilizamos teórica e metodologicamente os princípios da Psicologia Social Construcionista, em particular, as noções de práticas discursivas, produção de sentidos e as contribuições de Franz Fanon como prisma para a produção dos dados, entendendo que a realidade é uma construção social e que é mediada pelo discurso. Para análise dos dados, utilizamos a análise categorial temática com base em entrevistas semiestruturadas de um agente religioso de matriz africana que atuou no sistema prisional, cinco custodiados que são religiosos/simpatizantes de alguma religião de matriz africana e três agentes penitenciários que demonstraram ter posicionamentos importantes na dinâmica prisional para refletir sobre o fenômeno da religiosidade investigada. Os resultados foram compilados em duas categorias temáticas centrais, significados do exercício religioso/de religião e estratégias para o exercício religioso. A primeira agrega quatro categorias: Sentidos da Religião/Religiosidade; Cuidado e Proteção do Corpo; e, Efeitos Psicossociais da Prisão no pertencimento religioso. O segundo agrupamento temático contempla: Estratégias Religiosas e Limitações Institucionais; Discursos Intolerantes e Privilégios Religiosos; e, Uso Conveniente da Religião. Os resultados apontam a não aplicabilidade da assistência religiosa para quem prática alguma religião de matrizes africanas, apesar também de descortinar formas de exercício e resistência religiosas dos custodiados mediadas por familiares nos momentos de visitas em um contexto árido de possibilidades, atravessados por práticas discursivas de intolerância religiosa e racismo institucionalizados por parte de custodiados cristãos, sobretudo de evangélicos/protestantes, e também por agentes penitenciários que no cotidiano prisional naturalizam a desigual desejabilidade social das religiões professadas, criando privilégios religiosos, por um lado, e desautorização e demonização, por outro.

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  • ANDRÉ DE FIGUEIREDO LUNA
  • Fatores de risco psicossociais do trabalho e autoeficácia ocupacional em trabalhadores da indústria: refinamento conceitual, adaptação de medidas e teste de mediação

  • Orientador : SONIA MARIA GUEDES GONDIM
  • Data: 27/07/2018
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  • A incapacidade para o trabalho tem crescido mundialmente. A perda ou redução, temporária ou permanente, da capacidade de trabalhar tem trazido impactos econômicos para sociedade e empresas. É crescente o interesse pelos determinantes da incapacidade que extrapolam as explicações baseadas nos impactos diretos de doenças, passando a incluir fatores que influenciam a possibilidade do trabalhador ser ativo e funcional na vida laboral. Nesse contexto, a gestão dos afastamentos do trabalho e o sucesso do processo de retorno ao trabalho ganharam maior importância, complementando o foco do tratamento biomédico com abordagens psicossociais no ambiente e nas interfaces do trabalho. Os fatores de risco psicossociais do trabalho (FRP) e recursos psicológicos individuais como a autoeficácia frente adversidades relacionadas ao adoecimento – o que propomos denominar autoeficácia ocupacional (AEO) – cresceram como campo de estudos e intervenção. A relação entre aspectos do ambiente psicossocial de trabalho e a percepção de AEO, no entanto, segue demandando modelos explicativos para esclarecer a relação entre os construtos e seus possíveis impactos sobre a percepção de saúde e as queixas de mal-estar físico e psicológico (MFP). Os estudos desenvolvidos nesta dissertação procuraram articular esses construtos a partir da adaptação e refinamento conceitual de suas medidas. Posteriormente analisou-se a mediação da AEO no impacto dos FRP sobre MFP num estudo de corte transversal. Foram conduzidos três estudos, apresentados separadamente no formato de artigos. O primeiro dedicou-se à adaptação e aos ajustes de uma versão do COPSOQ para uso no contexto industrial, tendo obtido bons índices de ajuste e boas propriedades psicométricas para a medida de 21 itens, distribuídos em três dimensões. O segundo estudo teve dois objetivos, adaptar uma medida de autoeficácia de retorno ao trabalho e propor uma nova abordagem denominando-a de autoeficácia ocupacional (AEO), que expande o público-alvo, ao incluir trabalhadores que não se afastaram ou não estão em processo de retorno ao trabalho, mas que podem vivenciar algum grau de desconforto relacionado à saúde (MFP). A medida de autoeficácia ocupacional (AEO) de 11 itens, distribuídos em três dimensões obteve bons índices de ajuste no teste confirmatório, apresentando também boas propriedades psicométricas. Os dois estudos incluíram amostras distintas de participantes predominantemente ou totalmente da indústria e seguiram procedimentos de validação e ajuste semântico, análises fatoriais exploratórias (AFE), avaliação de juízes com o públicoalvo (trabalhadores operacionais da indústria), novas AFE e, por fim, análise fatorial confirmatória (AFC). O terceiro estudo, realizado com outra amostra do mesmo público-alvo, testou e encontrou evidências da mediação da AEO na redução do impacto negativo dos FRP no MFP. Foram também encontradas diferenças significativas nos escores dos construtos estudados em função do sexo, nível educacional, cargo (operacional, administrativo, e de gestão), situação de emprego e vivência do ambiente de trabalho na empresa (indivíduos com contrato ativo versus contratos finalizados ou recém-iniciados). Os três estudos contribuíram para a discussão e o alinhamento conceitual dos construtos de FRP e AEO, apontando também para a importância de se criarem medidas adaptadas ao contexto. Do ponto de vista prático, os estudos oferecem diretrizes para realizar intervenções organizacionais e modificar o contexto psicossocial do trabalho em uma perspectiva preventiva em relação à redução da capacidade para o trabalho.

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  • ANGELICA SOFIA SANCHEZ MOLANO
  • TRABALHO EMOCIONAL NA STAND-UP COMEDY: INTERAÇÃO COMEDIANTE/AUDIÊNCIA EM DUAS CIDADES DA AMÉRICA LATINA

  • Orientador : SONIA MARIA GUEDES GONDIM
  • Data: 14/09/2018
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  • O fenômeno Trabalho Emocional (TE) é definido teoricamente como um processo no qual interagem os seus três componentes: demandas emocionais (DE), estratégias de regulação emocional (ERE) e desempenho emocional (DSE). No entanto, tem sido estudado de forma fragmentada e mediante o uso de metodologias que o apreendem de forma estática, desconsiderando o seu caráter dinâmico. A presente pesquisa almejou identificar e descrever a natureza processual do TE incluindo a interação dinâmica dos seus três componentes. O contexto ocupacional da stand-up comedy, caracterizado por constante interação pessoal e forte exigência de TE, permitiu captar in situ esse fenômeno em um curto espaço de tempo e explorar comparativamente a sua manifestação em duas cidades da América Latina. Sob uma abordagem qualitativa, foi realizado um estudo de casos múltiplos, integrando três técnicas de coleta que atingiram de forma inter-relacionada os três componentes do TE: a observação dos eventos ao vivo permitiu identificar as DE vindas da interação comediante-audiência; as entrevistas com os respectivos comediantes possibilitaram aprofundar nessas DE observadas, explorar as ERE por eles utilizadas e a autoavaliação do seu DSE; a aplicação de questionários com espectadores ao final de cada show permitiu identificar as expectativas do público sobre o show e a avaliação sobre o DSE do comediante. Analisaram-se seis shows (três em Bogotá Colômbia e três em Salvador-Bahia, Brasil). Realizaram-se análises de conteúdo intracaso, para entender o processo do TE em cada show, e análises comparativas intercasos, para integrar as informações de todos os shows, demarcar aproximações e especificidades do TE nas duas cidades, assim como criar os ciclos de TE. Os resultados apontam haver características comuns no processo do TE nas duas cidades. As principais DE encontradas em todos os casos foram situações inesperadas (e.g. reação negativa, silencio público), características do público (e.g. público introspectivo, heterogêneo) e expectativas do público (e.g. performance genuína, diversão). As principais ERE usadas pelos comediantes para atender estas demandas foram modificação da situação e seleção da situação, e o seu DSE manifestouse como eficaz e ineficaz dependendo de diferentes fatores. São apresentados e discutidos os modelos explicativos dos ciclos de TE encontrados para cada tipo de DE. A pesquisa contribui tanto metodológica quanto teoricamente para o estudo do TE. A metodologia utilizada permitiu reconhecer e analisar os três componentes do TE interagindo dinamicamente, para assim entender de forma mais ampla sua natureza processual. Propõe-se aplicar esta metodologia de coleta e de análise de dados em outras ocupações para se ter um maior alcance das particularidades do TE.

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  • INDYARA INDI ANDRADE DE SOUZA
  • Estratégias de coping e sua relação com o engajamento no trabalho: um estudo com professores universitários

  • Data: 14/09/2018
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  • Os docentes universitários, na atualidade, estão submetidos a diversos fatores inerentes ao trabalho, como a sobrecarga, a desvalorização profissional e as condições de trabalho. Diante desta realidade, devem ter a capacidade de enfrentar as tensões advindas do ambiente de trabalho, assim como engajar-se para a realização das atividades docentes com qualidade. Objetivo geral: analisar as estratégias de coping ocupacional utilizadas por professores universitários e como as estratégias se relacionam com o engajamento no trabalho. Objetivos específicos: caracterizar as estratégias de coping ocupacional mais utilizadas por professores universitários (controle, esquiva e manejo dos sintomas); identificar o nível do engajamento no trabalho (vigor, dedicação e absorção) entre docentes universitários; e relacionar as estratégias de coping ocupacional e o engajamento no trabalho dos professores universitários segundo a variável ocupacional tempo de serviço. Método: estudo descritivo de corte transversal do tipo survey, de natureza quantitativa. Participaram da pesquisa 206 professores universitários. A coleta de dados foi realizada de modo presencial e on-line. Resultados: as estratégias de controle apresentaram uma correlação positiva com o engajamento no trabalho e as estratégias de esquiva apresentaram correlação negativa com o engajamento no trabalho, enquanto que as estratégias de manejo dos sintomas não apresentaram relação significativa com o engajamento. As estratégias de coping mais utilizadas pelos professores universitários foram as estratégias de controle, e as menos utilizadas foram as estratégias de esquiva. No engajamento no trabalho, os participantes apresentaram uma média superior ao ponto médio da escala apresentando-se como profissionais engajados. No que diz respeito à variável ocupacional tempo de serviço, não foram encontradas diferenças significativas entre os participantes. Conclusão: as estratégias de coping apresentam relação com o engajamento no trabalho. Sugere-se uma agenda de estudos com este segmento ocupacional que aprofundem a análise dessas variáveis em docentes universitários.

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  • LAIS FLORES SANTOS LOPES COSTA
  • RESSONÂNCIAS DA INSÍGNIA DE PERICULOSIDADE EM ADOLESCENTES COM TRAJETÓRIAS DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL

  • Orientador : CRISTIANE DE OLIVEIRA SANTOS
  • Data: 17/09/2018
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  • Este trabalho objetiva analisar as ressonâncias do discurso de periculosidade nas trajetórias de adolescentes que passaram por acolhimento institucional. Para atender aos objetivos, utilizamos a história de vida de dois adolescentes que tiveram vivência de acolhimento institucional e envolvimento com o tráfico de drogas como ferramenta metodológica, a partir da análise dos prontuários de algumas instituições de acolhimento as quais os adolescentes tiveram passagem, bem como das entrevistas abertas e em profundidade realizadas com profissionais que os acompanharam no momento da institucionalização. Um adolescente do estudo também foi entrevistado, a fim de dar visibilidade à sua voz. Os dados encontrados foram analisados a partir da perspectiva teórica da psicanálise e da análise do discurso de inspiração foucaultiana. Como marco teórico, utilizamos as noções de indivíduo perigoso, poder disciplinar e biopoder analisadas por Foucault, os conceitos de homo sacer, de vida nua e de campo desenvolvidos por Agamben e a ideia de vida precária defendida por Butler. A partir da psicanálise, resgatamos os conceitos de adolescência, constituição e estruturação psíquicas e lei simbólica. Para situar historicamente o problema de pesquisa, fizemos um panorama sobre as leis brasileiras de proteção à infância que vigeram no país, sobre a noção de família, sobre a institucionalização de crianças e adolescentes e sobre as imagens que foram sendo construídas sobre a infância institucionalizada. Os casos apresentados possuem características comuns, como vivências de abandono e de violências muito precocemente na vida, dificuldade em se submeter às regras institucionais, a concepção de que são desafiadores das normas, ao passo que também comportam singularidades, como a extensão da circulação familiar e institucional, a posição ocupada nos discursos institucionais e a incorporação da ideia de sua suposta periculosidade. Discutimos que a lógica institucional de atendimento ainda está voltada para a disciplina e que isso fragiliza seu trabalho, que o olhar unívoco sobre o agir adolescente não abre espaço para novas identificações e que a precarização de uma vida a torna mais vulnerável à determinadas contingências. Por fim, esperamos contribuir para a desconstrução da essencialização da periculosidade atribuída a estes adolescentes, trazendo novas perspectivas sobre a travessia adolescente, sobre a função do acolhimento institucional para este público e sobre a discussão da redução da maioridade penal.

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  • LARISSA MACHADO LOPES
  • DINÂMICAS DO SELF DE FILHAS ADULTAS FRENTE AO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO DOS PAIS IDOSOS 

  • Data: 21/09/2018
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  • O envelhecimento populacional observado nas últimas décadas tem evidenciado uma necessidade cada vez maior de se desenvolver estudos voltados para compreender melhor a velhice e suas repercussões, dentre as quais se destacam as mudanças nas famílias. Dentre estas mudanças, acrescenta-se a inserção das mulheres no mercado de trabalho, visto que, historicamente, as mesmas ocuparam a posição de cuidadoras dentro da família e, com esta mudança, a disponibilidade destas para o cuidado se tornou mais restrita. Este movimento representa um marco na realidade dicotômica entre a família tradicional hierárquica e a família moderna, que se volta para uma maior preocupação com a realização individual dos seus membros, permitindo a abertura de um espaço para o estabelecimento da família permeada por tensões constantes entre laços de dependência e escolha pessoal. No entanto, o que se vê é que as mulheres permanecem como a maior fonte de apoio para os seus familiares, independente das suas demandas atuais, o que as colocam numa posição de estar no meio entre diversas demandas que competem entre si, impelindo às mesmas a necessidade de reorganização do seu sistema de self. O processo de envelhecimento dos pais, assim, de modo contínuo, demanda uma reorganização dos papéis na família com consequente necessidade de reorganização do sistema de self dos envolvidos e é nesse movimento que o interesse deste estudo recai, tendo como objetivo analisar a dinâmica de reposicionamento do Self de filhas adultas na interação com o processo de envelhecimento dos pais idosos. Para tanto, o presente estudo se fundamenta na Psicologia Cultural de orientação semiótica com enfoque na Teoria do Self Dialógico e teve como estratégia metodológica o estudo de casos múltiplos a partir de entrevistas narrativas com seis filhas, estando elas na faixa etária entre 30-59 anos, tendo sido estabelecido três grupos etários: 30-39 anos; 40-49 anos; e 50-59 anos, nos quais, em cada grupo, foram entrevistadas duas participantes – uma com filho(s) e uma sem filho(s). Para orientar e estruturar a análise dos dados foi utilizado o Modelo de Equifinalidade de Trajetórias (TEM). Como resultados, evidenciou-se que a emergência da necessidade de cuidar e/ou prestar uma maior assistência aos pais idosos a partir do processo de envelhecimento impele a uma modificação da dinâmica familiar, que repercute em uma necessidade de reconfiguração não apenas da dimensão externa do ambiente, mas também interna, no que diz respeito a uma reorganização do sistema de Self das filhas e dos próprios pais, visto que os mesmos existem a partir da interação com seu mundo social e, na medida em que o externo é modificado, o sujeito também o é. Esse processo, por sua vez, é permeado por tensões e ambivalências, associados às normas sociais e culturas coletivas e pessoais, que inclui a questão do gênero, em torno das quais se estabelece o que é esperado da mulher diante da situação de cuidado, a partir de uma construção histórica. Assim, essas novas cuidadoras precisam negociar as suas novas posições de Eu (I-positions) a partir da autorregulação afetivo-semiótica, mediada dialogicamente com os outros significativos das suas vidas.  

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  • TANISE LINO CARDOSO
  • Funções Executivas em indivíduos com Depressão Resistente a Tratamento: Estudo dos efeitos neuropsicológicos do uso da Cetamina.

  • Orientador : JOSE NEANDER SILVA ABREU
  • Data: 26/11/2018
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  • O estudo das funções executivas vem ganhando espaço com o avanço das Neurociências. Existe um crescente interesse em compreender como estas funções, essenciais no gerenciamento de pensamentos e emoções, e adaptação de comportamentos de acordo com as metas, auxiliam na compreensão de doenças psiquiátricas epidemiológicas como a depressão. O entendimento da relação entre as funções executivas e a depressão, é importante para melhorar o manejo clínico destes pacientes, visto que déficits executivos podem dificultar sua adaptação social, laboral ou familiar. O objetivo geral deste estudo foi avaliar o efeito do uso da cetamina e sua mistura racêmica sobre o funcionamento executivo de indivíduos com depressão resistente ao tratamento. Este estudo incluiu um total de 45 indivíduos adultos, diagnosticados com depressão resistente a tratamento, submetidos a uma infusão em dosagem subanestésica de cetamina. O estudo buscou avaliar se esta infusão teve efeitos sobre o desempenho das funções executivas dos participantes, através de avaliações neuropsicológicas realizadas antes e após o tratamento com cetamina. Os artigos apresentados trazem resultados promissores. Tal infusão mostrou-se eficaz na redução dos sintomas depressivos, mensurados através da escala MADRS. Além de demonstrar que a cetamina tem efeito rápido, até 24hs após infusão, e boa tolerabilidade. Estes resultados foram acompanhados por melhora no desempenho das funções executivas dos participantes, o que sugere uma relação positiva entre o tratamento e os resultados cognitivos. A inibição, flexibilidade e memória operacional verbal tiveram ganhos significativos com a infusão. No presente estudo, as FE nucleares mostraram bom poder preditivo para adesão ao tratamento com cetamina, demonstrando o controle inibitório melhor resultado.

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  • ANTONIO CARLOS SANTOS DA SILVA
  • Impacto da doença crônica infantil sobre a saúde mental de cuidadores primários e o desenvolvimento socioemocional da criança

  • Orientador : PATRICIA ALVARENGA
  • Data: 13/12/2018
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  •        As doenças crônicas são altamente prevalentes e se caracterizam por sua longa duração e baixa expectativa de cura. A literatura internacional indica que, na infância, condições crônicas de saúde estão associadas a elevados escores de sintomas de transtornos mentais dos cuidadores e de problemas de desenvolvimento socioemocional das crianças. Diante da escassez de estudos brasileiros sobre essa problemática, o estudo teve o objetivo de investigar as relações entre a saúde mental de cuidadores primários de crianças com doenças crônicas e indicadores do desenvolvimento socioemocional infantil. O estudo teve o delineamento de grupos contrastantes e contou com a participação de 113 crianças de sete a 11 anos de idade e 111 cuidadores primários. Os participantes foram divididos em dois grupos: clínico e comparação e foram pareados de acordo com as seguintes variáveis: sexo da criança, idade da criança, escolaridade do cuidador e renda familiar. O grupo clínico foi formado por 57 crianças diagnosticadas com alguma doença crônica, excluindo-se doenças psiquiátricas e síndromes genéticas, e os respectivos 57 cuidadores primários. O grupo comparação foi composto por 56 crianças sem doenças crônicas e os 54 cuidadores primários das crianças. Para a coleta de dados, foram utilizados os seguintes instrumentos: Índice de Qualidade do Sono de Pittsburg (PSQI), que avalia a qualidade e perturbações do sono; Self-Report Questionnaire of Minor Psychiatric Disorders (SRQ-20), para avaliar sintomas de transtornos mentais comuns; Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL), utilizado para avaliar sintomas físicos e psicológicos de estresse; Inventário de Problemas de Comportamento de Crianças e Adolescentes entre seis e 18 anos, Child Behavior Checklist (CBCL/6-18), para avaliação dos índices de problemas internalizantes e externalizantes das crianças; e, Sistema Multimídia de Habilidades Sociais para Crianças (SMHSC-Del-Prette, 2005), que avalia o repertório de habilidades sociais infantis. Os resultados indicaram que, comparados aos cuidadores de crianças saudáveis, os cuidadores de criança com doenças crônicas apresentaram maiores escores de sintomas de transtornos mentais comuns, perturbações do sono e estresse. Além disso, as crianças com doenças crônicas apresentaram maiores escores de problemas internalizantes do que as crianças do grupo comparação. Entretanto, a análise de regressão hierárquica múltipla indicou que apenas os níveis de estresse dos cuidadores foram preditores significativos dos índices de problemas internalizantes e externalizantes do total de crianças da amostra. A discussão destaca o impacto das doenças crônicas infantis tanto sobre a saúde mental dos cuidadores quanto sobre o desenvolvimento socioemocional infantil. Adicionalmente, discute-se o impacto de adversidades, que caracterizam populações sociovulneráveis, sobre os níveis de estresse dos cuidadores e suas relações com o desenvolvimento de problemas comportamentais internalizantes e externalizantes nas crianças.

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  • JONATAN SANTANA BATISTA
  • Congruência Pessoa-Ambiente, Inteligência Emocional e Satisfação Intrínseca no Trabalho: Um estudo com base no modelo RIASEC

  • Orientador : SONIA MARIA GUEDES GONDIM
  • Data: 13/12/2018
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  • O objetivo geral dissertação foi o de investigar as relações entre congruência pessoa-ambiente, inteligência emocional e a satisfação intrínseca no trabalho. A congruência a partir do modelo RIASEC (Realista, Investigativo, Artístico, Social, Empreendedor, Convencional) desenvolvido por Holland representa o grau de ajuste entre os interesses profissionais e as demandas do ambiente ocupacional. A inteligência emocional de acordo com o modelo desenvolvido por Mayer e Salovey representa a habilidade de reconhecer, compreender facilitar, e regular as emoções em situações pessoais e interpessoais em prol do bem-estar. A satisfação intrínseca no trabalho resulta das condições do trabalho, do ajuste do trabalhador à atividade e das características pessoais dos trabalhadores e está associada a respostas emocionais positivas ao desempenho das atividades profissionais. Estudos empíricos apontam a necessidade de testar variáveis moderadoras nas relações de congruência pessoa-ambiente e satisfação intrínseca no trabalho. Evidências mais recentes apontam relações positivas entre habilidades emocionais e satisfação no trabalho. Para atender ao objetivo geral foram desenvolvidos dois estudos. O primeiro teve o objetivo de aperfeiçoar o Inventário de Classificação Ocupacional (ICO), uma medida de mensuração dos ambientes ocupacionais que permite medir também a congruência pessoa-ambiente baseada no modelo RIASEC, até então a única medida disponível para realização de estudos em território nacional. O segundo estudo testou dois modelos: o de predição da congruência sobre a satisfação intrínseca no trabalho e o de moderação da inteligência emocional nas relações entre congruência e satisfação intrínseca no trabalho. Participaram do estudo 486 trabalhadores divididos entre estagiários e profissionais formados (graduados e pós-graduados) com no mínimo seis meses de trabalho na mesma área profissional sendo 237 homens e 249 mulheres com idades entre 18 e 68 anos. Os participantes responderam à ICO-R (versão revisada) à Escala de Interesses Vocacionais (EIV), a Escala de Satisfação Intrínseca e ao Perfil de Competências Emocionais (PEC). A Análise dos Eixos Principais (PAF) indicou que ICO-R apresentou uma estrutura de seis fatores com índices de consistência internos satisfatórios, explicando os 52% da variância total. As relações das  dimensões do ICO-R com as dimensões da EIV ambas baseadas no RIASEC, indicaram relações variando entre moderadas e fortes nas dimensões correspondentes, e relações mais fracas, negativas ou mesmo inexistentes nas dimensões opostas,  em acordo com expectativa teórica do modelo hexagonal RIASEC. Desse modo o ICO-R foi utilizado no segundo estudo. Para fins de teste do estudo 2 os trabalhadores foram divididos em dois grupos profissionais, conforme modelo hexagonal do RIASEC: o primeiro cujas atividades estão mais voltadas às pessoas e o segundo cujas atividades estão mais voltadas aos processos de manejo de objetos, dados e ideias. A relação da congruência e a inteligência emocional com a satisfação intrínseca no trabalho foi mais forte no primeiro grupo que lida com pessoas do que no grupo que lida mais com objetos, dados e ideias. Embora tanto a congruência como a inteligência emocional sejam preditoras da satisfação intrínseca no trabalho, a inteligência emocional não atua como variável moderadora. Limitações, implicações teóricas e sugestões são discutidas ao longo do estudo.

Teses
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  • AVA DA SILVA CARVALHO CARNEIRO
  • TRANSIÇÃO PARA A VIDA ADULTA EM DUAS GERAÇÕES DE FAMÍLIAS DE ORIGEM POPULAR

  • Orientador : SONIA MARIA ROCHA SAMPAIO
  • Data: 24/09/2018
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  • Esta tese tem como objetivo principal compreender como os novos egressos das
    universidades públicas, que acessaram a educação superior pelo sistema de reserva de
    vagas, vivenciaram a transição para a vida adulta, e de que forma essa experiência de
    transição ocorreu nas gerações anteriores, na mesma família, considerando pais que
    interromperam os seus percursos escolares ainda na educação básica. Foram
    entrevistados cinco egressos da Universidade Federal da Bahia, suas mães, e dois
    pais. A pesquisa foi delineada a partir da abordagem da Teoria da Transição, proposta
    por Nancy Schlossberg, Elinor Waters e Jane Goodman. Os dados, produzidos através
    das Entrevistas Compreensivas, revelam a impossibilidade de analisar a transição para
    a vida adulta exclusivamente pelo referencial desenvolvido por essas autoras. A
    discussão sobre as mudanças que afetam essa nova geração a partir da experiência
    universitária, a compreensão a respeito dos processos de formação educacional nessas
    famílias e as noções desenvolvidas a respeito da adultez induziram à composição de
    um quadro teórico apoiado pelos conceitos de geração, de Karl Mannheim, e de espaço
    de experiência e horizonte de expectativa, de Reinhart Koselleck. Essa convergência
    teórica indicou que o prolongamento da juventude ainda não é um fenômeno presente
    entre os entrevistados, mesmo com o alongamento das trajetórias escolares, embora o
    investimento na educação tenha permitido uma vivência da adolescência praticamente
    inexistente entre os seus pais. A experiência no mundo do trabalho apareceu como o
    principal evento definidor da entrada na vida adulta. As políticas de permanência, parte
    do projeto das ações afirmativas, garantiram o adiamento ou a saída desse cotidiano
    laboral e asseguraram maior dedicação aos estudos entre os mais jovens, enquanto
    cursavam a graduação. Nesse sentido, cabe destacar a mudança no tempo,
    principalmente quanto às expectativas que esses filhos vão desenvolver em relação ao
    futuro, e a possibilidade que eles passam a ter de organizar as suas experiências. As
    transformações sociais, econômicas e culturais no Brasil, a partir dos anos 2000,
    apoiaram o início de um processo de democratização da educação superior que influi
    nesse novo panorama de experiências entre os jovens de origem popular.

2
  • LAILA LEITE CARNEIRO
  • Bem-estar, comprometimento e voz: Um modelo explicativo da relação indivíduo-trabalho-organização na perspectiva da psicologia positiva

  • Orientador : ANTONIO VIRGILIO BITTENCOURT BASTOS
  • Data: 28/09/2018
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  • Apesar da necessidade de construir relações positivas entre o trabalhador, seu trabalho e a organização na qual atua, as quais fomentem fenômenos como bem-estar, comprometimento e voz nas organizações, ainda se conhece pouco a respeito de como estes três se relacionam, especialmente no estado da arte brasileira. Ancorada no movimento da psicologia positiva e no modelo teórico de demandas e recursos (Job Demands-Resources Model – JD-R) (Demerouti et al., 2001), esta tese apresenta como objetivo central propor um modelo teórico-empírico que represente as associações que se estabelecem entre estes três fenômenos, considerando ainda a influência do suporte organizacional e de características individuais como o lócus de controle e a auto eficácia. Para tanto, foram operacionalizados cinco passos específicos. O primeiro foi analisar conceitual e empiricamente o fenômeno “bem-estar relacionado ao trabalho”, buscando identificar sobreposições e/ou os limites entre diferentes medidas do construto. Identificou-se que a medida utilizada por Paschoal e Tamayo (2008) apresentou vantagens em termos conceituais e empíricos, estando em consonância com o movimento recente do campo de junção das duas bases teóricas clássicas utilizadas na compreensão deste fenômeno. Esta foi a medida escolhida para a pesquisa empírica, quantitativa e de natureza transversal, que se conduziu sequencialmente. A partir dos dados coletados entre 360 trabalhadores brasileiros, comparouse diferentes modelos de mensurar e interpretar o bem-estar no trabalho (BET), buscando evidências empíricas que sustentem a melhor estratégia para pesquisa sobre o construto (uni ou multidimensional). Percebeu-se, então, que a interpretação deste fenômeno a partir de um indicador único é viável e mais adequada quando se pretende ter uma compreensão mais globalizada a seu respeito. Uma vez melhor esclarecidas questões relativas ao processo de mensuração do BET, seguiu-se na investigação sobre a associação entre o BET e o comprometimento organizacional (COMP), identificando se estes se comportam como fenômenos equivalentes, correlatos ou se o bem-estar é antecedente ou consequente do comprometimento. Foram encontrados indícios de que o BET e o COMP se influenciam mutuamente, sendo que a maneira como o indivíduo se sente em relação ao seu trabalho contribui para o fortalecimento do vínculo de identificação com a organização e vice-versa, podendo a direção desta associação ser melhor explicada na presença de outras variáveis. O quarto passou consistiu em descrever como os comportamentos de voz pró-social (VPS) se manifestam em diferentes grupos socio-ocupacionais, analisando, ainda, o poder preditivo do BET sobre estes comportamentos. Neste ponto, a tese contribuiu para a compreensão de um fenômeno ainda embrionário no estado da arte no Brasil, a VPS, identificando, ainda, que o BET é capaz de prever a VPS, informação esta não testada previamente nas pesquisas internacionais às quais se teve acesso. Por fim, a última etapa consistiu em submeter a teste modelos alternativos que expliquem a relação estabelecida entre o BET, o COMP e o comportamento de VPS sobre a influência de recursos organizacionais e individuais. Os resultados demonstraram que o COMP é um preditor direto de VPS, mediando a relação que o BET estabelece com este comportamento. Além disso, concluiu-se que JD-R é um modelo adequado na explicação da ocorrência destes fenômenos (X2 /gl = 1,653; GFI = 0,917; CFI = 0,977; TLI = 0,973; RMSEA = 0,043), indicando que os recursos, tanto de ordem individual quanto de ordem organizacional, são determinantes na vivência do BET, no estabelecimento do COMP e na emissão da VPS, sendo, conforme esperado, a relação mais intensa entre os recursos exógenos e o COMP e entre os recursos endógenos e o BET e a VPS.

3
  • RODRIGO DE SENA E SILVA VIEIRA
  • Idadismo: a influência de subtipos nas atitudes sobre os idosos

  • Orientador : MARCOS EMANOEL PEREIRA
  • Data: 27/11/2018
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  • Idadismo diz respeito a processos sistemáticos de preconceito e discriminação contra idosos.
    Trata-se de um tema ainda pouco estudado, tanto no Brasil quanto no exterior, embora suas
    consequ ê ncias possam ser claramente verificadas em instâncias como a individual, a
    institucional e a societal. Explicações de diferentes níveis são atribuídas ao fenômeno,
    como perspectivas individuais que associam os idosos à mortalidade do ser humano ou
    transformações socioculturais que lhes resultaram em baixo status. Ressalta-se que a maior
    parte dos atuais estudos sobre idadismo tem considerado uma figura genérica do idoso em
    detrimento da heterogeneidade deste grupo, o que não resolve o cenário de ambivalência
    observado nas atitudes sobre ele. Este trabalho parte de perspectivas sobre a categorização
    social para propor que idosos são mais bem representados através de subtipos, categorias
    subordinadas que carregam maior quantidade de informação, sejam elas consonantes ou
    dissonantes do estereótipo geral. Com base no modelo do conteúdo dos estereótipos,
    defende-se a tese de que os tipos de idoso considerados menos competentes estão mais
    próximos do estereótipo geral e sofrem mais preconceito; de maneira compatível, aqueles
    considerados mais competentes funcionam como exceções à regra e sofrem menos
    preconceito. Propõe-se também que contextos de aproximação fazem com que idosos sejam
    avaliados como mais sociáveis, sem impactos específicos na atribuição de competência, o
    que não aumenta seus status sociais; e que contextos de competição fazem com que o grupo
    seja visto como menos competente, sem variações significativas na sociabilidade, o que
    forma bases para avaliações negativas. Dois estudos empíricos, realizados com estudantes
    universitários, são apresentados para suportar tais hipóteses.

2017
Teses
1
  • LÚCIA ROBERTTA MATOS SILVA DOS SANTOS
  • Sentidos subjetivos sobre a humanização por profissionais de saúde em um hospital público

  • Orientador : MONICA LIMA DE JESUS
  • Data: 15/12/2017
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  • Este estudo teve como objetivo compreender os sentidos subjetivos configurados por trabalhadores de saúde da uma rede hospitalar acerca das práticas de humanização. Parte da ideia que a Política Nacional de Humanização (PNH) propõe a transformação dos padrões de relações estabelecidas pelos trabalhadores e a produção de mudanças nos processos de trabalho nos aspectos que provocam relações não humanizadas. Trabalhamos com o caminho das políticas públicas brasileiras, bem como com o pensamento do trabalho em saúde. Unificando a estas temáticas a tipologia das tecnologias em saúde, sendo elas leve, leves duras e duras, cujo foco principal do estudo seria as tecnologias leves, dos vínculos, das relações que fazem a saúde acontecer no meio interacional de trabalhadores. Este estudo utiliza como recurso teórico a Teoria da Subjetividade de González Rey e se trata de um estudo qualitativo realizado na cidade de Cabedelo (Paraíba), em um hospital municipal que atende diversas especialidades e presta serviço de urgência e emergência, além de contar com serviço ambulatorial e maternidade. Participaram dezessete profissionais de saúde que concederam entrevistas semi-estruturadas, foram baseadas na dinâmica conversacional e constituídas de três eixos temáticos: aspectos familiares e formação profissional, relação do profissional com o trabalho e compreensão acerca da humanização e da PNH. A análise ocorreu através da técnica de análise de conteúdo em distintas etapas: constituição do corpus, leitura flutuante, codificação e recortes, categorização do corpus, análise de sentidos subjetivos e tratamento dos resultados. Os resultados foram divididos em dois grandes momentos, sendo o primeiro de análise dos olhares sobre as trajetórias dos sujeitos retratando a trajetória dos participantes e o olhar da pesquisadora e o segundo momento analisamos cada uma das categorias temáticas enunciadas e seus sentidos. Na análise de dados advindos dos(as) profissionais surgiram quatro eixos temáticos e algumas categorias: 1- formação (motivação e processos de formação); 2- trabalho (sentido do trabalho, sentido de ser profissional da saúde, aspecto positivo, aspectos negativos e desejo por mudanças); 3- sentido da humanização (sentido de humanização, sentido de serviço ideal, vivência humanizada, vivência não humanizada e compromisso social em saúde) e 4- política nacional de humanização-PNH (conhecimento sobre PNH, sentido da PNH, sentido das relações profissionais, sentido da ambiência, enfrentamento com o subjetivo). Neste contexto, concluímos que as trajetórias dos sujeitos de pesquisa, suas vidas e escolhas profissionais influenciaram nos seus sentidos subjetivos. Observamos de forma geral que a subjetividade social dos participantes é historicamente configurada pelos seus cenários sociais, que seus sentidos de trabalho, de humanização e da Política Nacional de Humanização ao mesmo tempo que fazem parte de uma subjetividade individual, singular da prática particular de cada sujeito. Como considerações finais, podemos observar que os trabalhadores recepcionaram a PNH e que a Política já modificou o perfil dos profissionais de saúde e as práticas de saúde e tem seguido uma trajetória de luta pela igualdade e justiça de serviços, por uma saúde ampla, mais humana, igualitária e solidária.

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