Dissertações/Teses

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2020
Dissertações
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  • GABRIEL SOEIRO ALEXANDRINO OLIVEIRA
  • Seleção de habitat baseada em pistas quimiossensoriais em filhotes de tartarugas cabeçudas (Caretta caretta Linnaeus, 1758)

  • Data: 15/01/2020
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  • Após eclodirem em ambiente terrestre, as tartarugas marinhas precisam alcançar o habitat marinho. Entretanto, como os filhotes se orientam para encontrar habitats adequados para desenvolvimento, estes que podem variar entre as espécies, ainda se configura como uma lacuna. Apesar das tartarugas adultas apresentarem habilidades quimiossensoriais para orientação em ambiente marinho, é possível que esse mecanismo seja a base da primeira migração de filhotes pós-eclosão. Entretanto, a quimiorrecepção é frequentemente prejudicada pela poluição química. Por exemplo, os filhotes que atraversam as águas costeiras podem encontrar aguas poluídas (química ou biologicamente) como resultado das atividades humanas (e.g., esgotamento doméstico urbano). Em uma espécie de tartaruga marinha (Caretta caretta), determinamos i) o papel da quimiorrecepção na escolha do habitat marinho (costeiro e oceânico), e ii) se a poluição química costeira interfere nesse mecanismo sensorial. Usando um tanque “Y”, que possibilita apresentar dois fluxos de água distintos concomitantes, as tartarugas estiveram livres para nadar em ambos os fluxos por um período total de 10 minutos. No primeiro experimento, os filhotes quase 70% do tempo na água oceânica. No segundo experimento, quando os filhotes tiveram que escolher entre água costeira e água poluída (coletada em uma praia com escoamento doméstico), não houve escolha entrepreferência pelo fluxo de água costeira ou costeira poluída. Contudo, essas evidências demostram o papel da quimiorecepcão na seleção de habitat e a falta de reconhecimento de condições potencialmente prejudicias (poluição) o que poderia comprometer a aptidão, por exemplo, caso haja maior mortalidade por contaminação.

2
  • RAFAEL PIEDADE FÉLIX
  • Fatores de Atração para a observação de aves e alternativas para gerir os impactos no Brasil

  • Orientador : CHARBEL NINO EL HANI
  • Data: 20/01/2020
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  • A observação de aves é um serviço ecossistêmico cultural crescente no mundo, com importantes influências na economia, sociedade e meio ambiente em muitos lugares do mundo. A observação de aves gera impactos diretos (por exemplo, efeitos negativos do uso de playback para atrair pássaros) e impactos indiretos (por exemplo, aumento de incentivos a projetos de conservação). Os impactos estimulam retornos sobre o uso deste serviço do ecossistema, e os lugares mais visitados são os mais impactados (positiva ou negativamente) pelos observadores. Um fator determinante na escolha de viagens dos observadores de pássaros é a riqueza de espécies presentes nos locais visitados. Devido aos seus hotspots de biodiversidade e conservação, os países neotropicais tornaram-se um destino crescente para os observadores de aves. Particularmente no Brasil, 90% dos registros disponíveis em uma plataforma para observadores de aves denominada WikiAves, foram feitos em apenas 22,3% dos municípios e, portanto, os impactos gerados pelo aviturismo estão relativamente concentrados em poucos lugares. Compreender os fatores de atração que influenciam as decisões de viagem dos avituristas e identificar novas áreas em potencial para esse tipo de turismo nos permite gerenciar os impactos negativos e positivos da observação de aves nos sistemas ecológicos e socioeconômicos. Nesse sentido, o presente estudo tem como objetivo investigar quais variáveis melhor explicam os registros de observadores de aves nos municípios brasileiros, considerando: cobertura por Áreas Importantes para a Conservação de Aves (IBA), Cobertura por Unidades de Conservação (CA), diversidade beta, número de acomodações, distância de aeroportos, Índice de Desenvolvimento Humano do Municipio (MHDI), Produto Interno Bruto (GDB) per capita e classe de turismo. Nossos resultados mostram que os registros de observadores de pássaros estão fortemente associados à classe de turismo, o que reflete a disponibilidade de outros tipos de turismo em um determinado lugares. Como previsto, a riqueza de espécies também pesou bastante no modelo, devido ao perfil colecionador de espécies de muitos observadores de aves. Outro importante resultado foi o baixo peso que as áreas de conservação tiveram no modelo, mostrando que há uma subutilização da CA e IBA pelos observadores. Finalmente, discutimos as possíveis explicações para cada um desses resultados, bem como alternativas para reduzir os impactos da observação de aves como um serviço ecossistêmico cultural.

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  • CAROLINE GONÇALVES BIRRER
  • Priorização espacial para a conservação de linhagens evolutivas independentes de Lutrinae do Neotrópico

  • Orientador : RICARDO DOBROVOLSKI
  • Data: 22/01/2020
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  • Abordar as relações evolutivas inter- e intraespecífico é um passo importante para a conservação da biodiversidade. Contudo, o aspecto filogeográfico ainda é pouco explorado no campo do planejamento sistemático para a conservação para o estabelecimento de áreas prioritárias para a conservação. A filogeografia comparativa pode identificar espécies que tem uma história comum de vicariancia. A sub-família Lutrinae tem quatro espécies nativas do Neotrópico: Lontra longicaudis, Lontra Felina, Lontra provocax e Pteronura brasiliensis. Todas espécies exercem o importante papel de predador de topo e ainda, devido a sua sensibilidade à degradação ambiental, são bons indicadores da saúde ambiental. Aqui nesse trabalho, analisamos então, as linhagens para cada uma dessas espécies e suas filogeografias para assim determinar áreas prioritárias para a conservação seguindo o planejamento sistemático para a conservação.  Aqui nós mostramos que as espécies de Lutrinae do Neotrópico se separam em 3,3,2 e 4 linhagens para Lontra longicaudis, Lontra Felina, Lontra provocax e Pteronura brasiliensis respectivamente. Ainda há uma concentração de diversificação na região central amazônica e no norte do chile. Contudo, para a conservação devem ser priorizadas também as áreas com maior endemismo, incluindo assim o México e as ilhas chilenas do Sul.  Nosso trabalho é o primeiro estudo que direciona a priorização do complexo de espécies de Lutrinae do Neotrópico e ainda em uma escala macroecológica para as diferentes linhagens e ao destacar regiões de maior endemismo de linhagens e, por consequência, genético traz uma contribuição para pensar medidas de conservação para o clado que esta ameaçado pela perda de habitat e por contaminação ambiental de origem antrópica.

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  • EHIKO JERELHIN RIOS ALVA
  • Macroecologia do canto de anúncio das rãs macaco (Anura: Phyllomedusidae)

  • Orientador : BRUNO VILELA DE MORAES E SILVA
  • Data: 22/01/2020
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  • Estudos de vocalizações de anfíbios em escalas locais tem expandido nosso entendimento ecológico sobre está importante característica do grupo. Todavia, ainda existe uma grande lacuna sobre como esses entendimentos sobre as vocalizações dos anfíbios em pequena escala se refletem em padrões geográficos e evolutivos em larga escala. Neste trabalho, utilizamos as espécies da família Phyllomedusidae para descrever os padrões espaciais e filogenéticos na vocalização do grupo, bem como compreender os fatores que afetam os diferentes parâmetros do canto dessa família. Especificamente, medimos a autocorrelação espacial e filogenética entre as espécies deste clado usando o autocorrelograma do I de Moran, também relacionamos o tamanho do corpo, temperatura e precipitação com a duração do canto, a frequência dominante e o pulso das vocalizações através de uma regressão linear múltipla. Nossos resultados mostraram uma baixa auto correlação espacial e filogenética indicando que as espécies desse grupo possuem uma baixa conservação das caraterísticas do canto ao longo da filogenia, e pouca estrutura espacial. A regressão mostrou uma relação negativa entre o tamanho de corpo e a frequência dominante, seguindo o padrão alométrico encontrado para outros anfíbios e vertebrados. Também foi observada uma influência positiva da temperatura sobre o número de pulsos emitido pelas espécies, possivelmente explicada por uma relação com a taxa de metabolismo, maior em regiões mais quentes em anfíbios. Em conjunto, os resultados desse trabalho apontam para uma rápida evolução e modificação das características relacionadas ao canto dos Phyllomedusidae, que ao mesmo tempo são restritas por fatores endógenos (tamanho do corpo) e exógenos (temperatura do ambiente).

5
  • AMANDA DOMINGUES MARTINS FREITAS
  • FUNÇÕES ECOLÓGICAS DE POLIQUETAS (ANNELIDA; POLYCHAETA) AO LONGO DE ESTUÁRIOS TROPICAIS

  • Orientador : FRANCISCO CARLOS ROCHA DE BARROS JUNIOR
  • Data: 23/01/2020
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  • As funções ecológicas são importantes para manutenção dos ecossistemas e podem ser

    definidas como os papéis desempenhados pelos organismos no ambiente. A abordagem

    funcional permite um melhor entendimento da influência dos organismos sobre o

    funcionamento dos ecossistemas em relação a outras abordagens (e.g. classificação

    taxônomica). As funções podem ser estudadas através dos traços funcionais dos

    indivíduos e as propriedades do ecossistema (e.g. resiliência) dependem da distribuição

    e abundância destes no tempo e no espaço. Contudo, diversos estudos têm utilizado

    todos os traços e que não necessariamente estão associados a funções. Muitos estudos

    realizados em ecossistemas estuarinos investigam a distribuição de táxons da

    macrofauna bentônica e os padrões espaciais e/ou temporais. Entretanto, ainda é pouco

    conhecida a distribuição das funções desempenhadas pela macrofauna ao longo deste

    sistema. No presente trabalho, nossa hipótese é de que a composição funcional da

    macrofauna bentônica não se altere significativamente ao longo dos gradientes e em

    diferentes períodos, embora a composição taxonômica mude, uma vez que diferentes

    táxons podem apresentar conjuntos de características similares para realizar uma mesma

    função. Foi utilizado um lote de dados dos 3 principais estuários da Baía de Todos os

    Santos (Jaguaripe, Paraguaçu e Subaé) ao longo de 10 ou 11 estações, amostrados em

    pelo menos em 4 períodos diferentes. Primeiramente, foram levantadas as funções

    ecológicas importantes para os ambientes estuarinos e estabelecidas combinações de

    traços funcionais, diretamente relacionadas a funções ecológicas específicas.

    Posteriormente, foram testadas potenciais diferenças na distribuição das funções entre

    as zonas de salinidade dos estuários e ao longo dos anos. As funções ecológicas

    consideradas importantes para os estuários foram bioturbação, fragmentação da matéria

    orgânica, estabilização do sedimento, ciclagem de nutrientes e produção secundária. Um

    total de 11 categorias de traços foram utilizadas para descrever as funções ecológicas,

    incluindo: mobilidade, tipo de movimento, modo de alimentação, aparato utilizado para

    entrega de alimento, presença de mandíbula, compartimento sedimentar, tamanho

    corporal, modo de reprodução, idade da primeira reprodução, expectativa de vida e taxa

    de fecundidade. De maneira geral foi identificado redundância funcional para os traços

    associados a bioturbação do sedimento e ciclagem de nutrientes nas regiões mais

    marinhas com característica de grãos mais finos enquanto que nas regiões a montante

    dos estuários com presença de sedimento de grãos mais grossos foi identificado

    principalmente traços associados a função de fragmentação da matéria orgânica. A

    abundância de organismos com traços associados a estabilização de sedimentos foi

    muito baixa e os conjuntos de características associadas à produção secundária parecem

    aumentar à medida que a salinidade diminui. Nem todas as funções se mantiveram ao

    longo do gradiente estuarino, devido a ausência de poliquetas com traços similares

    capazes de compensar a perda de táxons em determinadas regiões. As funções

    desempenhadas pelos poliquetas apresentaram diferenças entre as zonas de salinidade

    do estuário (estuário Jaguaripe), assim como para interação entre os anos de coleta e as

    zonas de salinidade (estuário Paraguaçu), e diferenças também entre os anos (estuário

    do Subaé). Os resultados desse estudo contribuem para compreender o funcionamento e

    manejo dos ecossistemas estuarinos. Estudos empíricos que testem a relação dos traços

    funcionais descritos com as funções ecológicas mencionadas devem ser realizados para

    que seja possível medir o real potencial dos traços funcionais dos organismos no

    funcionamento dos ecossistemas.

6
  • EMERSON CAMPOS BARBOSA JÚNIOR
  • Efeito da plasticidade comportamental na resiliência de ambientes que sofreram distúrbios antropogênicos

  • Orientador : HILTON FERREIRA JAPYASSU
  • Data: 27/01/2020
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  • As mudanças ambientais causadas por seres humanos tem afetado negativamente a biodiversidade. Frente as estas, ser plástico pode aumentar o fitness médio populacional, dando mais persistência as populações. Com base nisso, entender como a plasticidade comportamental influência na resiliência de ambientes é importante para previsões e generalizações sobre paisagens afetadas por distúrbios. Neste trabalho, verificamos: (a) o efeito da plasticidade comportamental dos indivíduos na resiliência da comunidade em contexto de distúrbio (fragmentação através da perda de habitat) causado por seres humanos; e (b) o efeito da plasticidade comportamental dos indivíduos no número de estados ecológicos após distúrbios de diferentes intensidades. Além disso, verificamos diferenças na resiliência entre: o custo da plasticidade e o grau e a fractalidade (pequenas e grandes fazendas) do distúrbio. Para isso, utilizamo-nos de modelagem baseada em indivíduos (ABM), através do software NetLogo. Elaboramos um modelo com 10 espécies e 3 níveis tróficos. Os animais tiveram plasticidade ativacional na dispersão (tamanho máximo do salto para fugir) com um custo energético associado. Utilizamos a ANOVA multifatorial para observar diferenças na resiliência – esta representada pela distância de Shannon (valor de Shannon pré-distúrbio diminuído pelo valor pós-distúrbio – valores retirados pós-estabilização). Encontramos: (a) que ter plasticidade é melhor que não ter; (b) que em contextos de grandes distúrbios o aumento da plasticidade comportamental aumenta a resiliência do sistema; (c) um estado pré-disturbio e outro pós; e (d) maior resiliência em contextos de maior fractalidade e menor grau no distúrbio (não houve diferença no custo). Em contextos de maior plasticidade ambientes disturbados talvez possam ter seus pontos de declive alterados.

7
  • KARLA VIEIRA MORATO
  • Influência da cobertura florestal nativa e da estrutura da vegetação local nas interações tróficas em plantações de cacau sombreadas no sul da Bahia

  • Data: 10/02/2020
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  • RESUMO EM PORTUGUÊS: No sul da Bahia, um dos centros de endemismo na Mata Atlântica, o cacau é o produto agrícola mais importante e cerca de 70% da produção é realizada sob o sistema agroflorestal conhecido como cabruca. Este sistema concilia a produção do cacau com a manutenção da biodiversidade original. Apesar de sabermos que os artropodes podem causar uma redução da produção anual do cacau, não sabemos se mudanças na abundancia de aves e artrópodes predadores, desencadeadas por alterações na quantidade de floresta na paisagem ou na simplificação estrutural da lavoura cacaueira em decorrência do aumento da intensidade de manejo através da remoção da vegetação  nativa  para   aumentar  a produtividade pode influenciar na taxa local de herbivoria. O objetivo deste estudo foi investigar o impacto do processo de desmatamento e da simplificação da estrutura da vegetação nos padrões locais de herbivoria e testar, de maneira experimental e da amostragem efetiva de aves e artrópodes, se estas alterações podem ser decorrentes de um relaxamento do controle top-down, oriundo de mudanças na paisagem e na estrutura local a floresta. Esse estudo foi conduzido em 18 cabrucas localizadas na região sul da Bahia, ao longo de um gradiente de cobertura florestal (3-66%). Em cada sitio amostrado foram dispostos modelos de lagartas artificiais que foram observados durante 4 dias para verificação da taxa de predação. Foram amostradas aves de sub-bosque e artrópodes presentes em folhas de cacau, além da coleta de folhas para medir o dano foliar, aqui um proxy para herbivoria. Foram também coletados dados de cinco descritores locais da floresta (estratificação vertical, área basal, sombreamento, abundancia de arvores nativas e abundância de cacaueiros). A análise estatística foi feita a partir da modelagem com equações estruturais (path analysis) e regressão linear múltipla. Evidenciamos que a pressão de predação sobre os artrópodes herbívoros em folhas de pé de cacau, aqui avaliada por lagartas artificias, foi realizada principalmente por invertebrados e não por aves ou outros vertebrados. Esse controle top-down foi corroborado pelo resultado da path analysis, na qual a crescente abundância real de artrópodes herbívoros no cacau não estava relacionada à abundância local de aves, mas ocorre como uma resposta a uma redução na abundância local de artrópodes predadores. Embora a taxa de predação em lagartas artificiais tenha aumentado com o desmatamento, enquanto diminuída sob densidades mais altas de pés de cacau, não encontramos evidências de que a paisagem ou as características locais aqui avaliadas tenham influenciado as assembleias reais de invertebrados (predadores ou herbívoros) e os danos às folhas de cacau. Embora tenhamos detectado uma cascata trófica envolvendo invertebrados, ou seja, predadores que controlam herbívoros, essa interação não influenciou a quantidade real de dano foliar observado nos pés de cacau.

     

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  • ENEE PEREIRA GOTTSCHALK MORAIS
  • Influência do ambiente em diferentes escalas na abundância de duas espécies de morcegos frugívoros.

  • Data: 17/02/2020
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  • Sistemas agroflorestais possuem ampla área de cultivo no sul da Bahia, representados por plantações de cacau sob o sistema tradicional de cultivo, as chamadas cabrucas. Nestas agroflorestas o cacau é cultivado sob a sombra de espécies florestais nativas, que servem de habitat para uma grande variedade de morcegos, entre elas as espécies Carollia perspicillata e Rhinophylla pumilio. Embora ambas as espécies possuam tamanhos semelhantes, forrageiem na região do subosque e sejam importantes dispersoras de sementes principalmente de espécies pioneiras, ao contrário de C. perspicillata, R. pumilio é mais rara nesses ambientes. Assim, o presente estudo teve como objetivo avaliar como a abundância dessas duas espécies de morcegos varia em função de variáveis em escala de paisagem (porcentagem de cobertura florestal e de cabruca, e quantidade de borda) e de variáveis locais (estrutura da floresta e quantidade de recursos) em áreas de cabrucas no Sul da Bahia. Os resultados do estudo sugerem que tanto C. perspicillata quanto R. pumilio, são afetadas positivamente pelo gênero Piper, e que ambas possuem preferência por áreas de remanescentes mais preservados e com menos borda. Sugerem também que C. perspicillata é menos afetada pelos atributos presentes nas áreas de amostragem, enquanto que R. pumilio é mais sensível à mudanças ambientais. Concluímos que as cabrucas possuem importância na atividade de Carollia perspicillata e Rhinophylla pumilio, porém não substituem os fragmentos florestais, sendo estes de extrema importância para a abundância das espécies de morcegos.

9
  • VERENA HENSCHEN MEIRA
  • Onda de calor altera mudança de fase em recifes de coral

  • Orientador : IGOR CRISTINO SILVA CRUZ
  • Data: 17/02/2020
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  • A mudança de fase é caracterizada por uma alteração abrupta na estrutura de uma comunidade em resposta a um distúrbio que seja capaz de romper a resistência do sistema, podendo levá-lo ao colapso. Este fenômeno foi reconhecido em diversos ecossistemas e vem preocupando os cientistas há meio século que apontam as atividades humanas como causadoras da mudança de fase na maior parte dos estudos. Contudo, as reações das comunidades em mudança de fase à distúrbios antrópicos vêm sendo negligenciadas pela comunidade acadêmica. Nas últimas décadas, ondas de calor resultantes das mudanças climáticas têm se tornado cada vez mais frequentes e intensas, afetando especialmente os recifes de coral. Como resultado, eventos de branqueamento de corais em massa estão se tornando cada vez mais recorrentes, sendo reconhecidos como a principal causa do declínio dos ecossistemas recifais em escala global. Em 2019, uma onda de calor sem precedentes atingiu os recifes de coral da Baía de Todos os Santos (BTS) causando branqueamento em masa de corais numa intensidade nunca registrada em uma série histórica de 34 anos. No presente trabalho, nós analisamos os efeitos deste evento sobre a resistência dos recifes da BTS em mudança de fase para a dominância do zoantídeo Palythoa cf variabilis. Utilizando dados de cobertura bentônica de 2003, 2007, 2011, 2016, 2017 e 2019, analisamos 6 recifes da BTS: 3 normais e 3 em mudança de fase. Para cada recife, estimamos cobertura de coral, de zoantídeos, de P. cf variabilis e de Palythoa caribaeorum e o branqueamento de corais e de P. cf variabilis para cada recife em porcentagem. Até o branqueamento em massa de 2019, a cobertura de corais em recifes normais apresentou queda enquanto a cobertura de zoantídeos não se alterou, porém, houve queda na cobertura de zoantídeos em recifes em mudança de fase após a onda de calor. Nossos resultados indicam que a resistência da comunidade recifal em mudança de fase foi quebrada, levando à alteração de sua estrutura. Nosso trabalho revelou que os recifes em mudança de fase foram mais suscetíveis ao distúrbio da onda de calor do que os recifes normais.

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  • GABRIELA TEIXEIRA VANEGAS DE LA ROSA
  • PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E CONSERVAÇÃO COM BASE EM PARTICIPAÇÃO COMUNITÁRIA NO ESTUÁRIO DO ITAPICURU, BA

  • Orientador : CHARBEL NINO EL HANI
  • Data: 18/02/2020
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  • Uma grave crise ambiental nos ecossistemas, ocasionada principalmente por ações antrópicas,  tem se desenrolado nas últimas décadas com substancial impacto sobre a biodiversidade mundial. Evidenciando a importância de que modelos de conservação da natureza, que frequentemente incluem somente aspectos técnicos e científicos, passem a considerar as relações entre humanos e natureza atavés da inclusão de conhecimentos locais das populações humanas tradicionais. Assim, o presente trabalho analisou em que medida o planejamento participativo influência a percepção da comunidade sobre o tema conservação ambiental e de que forma reflete no processo de tomada de decisão das partes interessadas em Siribinha, município do Conde-BA. Em outubro de 2018, começaram a ser realizadas Oficinas Informativas e Participativas, visando construir com a comunidade conhecimentos acerca de conservação, sustentabilidade, fauna, leis e qualquer conhecimento pertinente para que eles pudessem se envolver nas tomadas de decisão sobre a preservação da sua forma de vida e região onde vivem. Para traçar se há perfil no engajamento social dos moradores da comunidade e analisar o padrão de assimilação de conceitos por grupos de interesse, foram realizadas, ouvidas e transcritas gravações de áudio das entrevistas semi-estruturadas. De posse desses dados, foram realizadas análises qualitativas. Observamos que as Oficinas influenciaram positivamente o entendimento sobre conservação, houve um ganho de entendimento sobre questões ambientais na comunidade, medidas que poderiam ser tomadas para remediar tragédias embientais e decisões políticas na região. Os resultados desse trabalho corroboram que a visão transdisciplinar, através da utilização de planejamentos estratégicos participativos, é capaz de atuar na modificação da percepção da comunidade tradicional e dos pesquisadores, se refletindo nos comportamentos e atitude ao longo do tempo.

2019
Dissertações
1
  • ALICE REIS DE BARROS E AZEVEDO
  • .

  • Orientador : FRANCISCO CARLOS ROCHA DE BARROS JUNIOR
  • Data: 21/01/2019
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  • Um habitat pode ser considerado refúgio de inúmeras perturbações, como refúgio contra predação, herbivoria, estresse fisiológico, competição. No ambiente estuarino, os refúgios podem ser encontrados em vários habitats, como marismas. Poucos estudos se concentraram nas marismas tropicais e nada se sabe sobre seu papel como refúgio para a fauna nesta região. Aqui, nós testamos a hipótese de que as marismas tropicais servem como refúgio contra (i) variações na temperatura de sedimentos superficiais e (ii) predação para megalopa e juvenis de caranguejos chama-maré. Foram realizados experimentos mensurativos e manipulativos para testar a hipótese. Os resultados deste trabalho mostram que as marismas tropicais não servem como refúgio contra variações de temperatura ou contra a predação para megalopas e juvenis de caranguejos violinistas. Os dados indicam que, embora haja uma redução da temperatura da superfície do sedimento com o aumento da densidade da vegetação, as abundâncias de megalopa e juvenis não se correlacionam com o gradiente de temperatura. Além disso, embora os dados indiquem uma correlação positiva entre a densidade da vegetação e a abundância de megalopa e a predisposição de megalopa e juvenis para buscar vegetação, isso não reflete proteção, uma vez que a predação é semelhante nas áreas de marismas e nas áreas não vegetadas próximas. No entanto, a presença de vegetação parece desempenhar um papel no recrutamento desses indivíduos. Estudos futuros devem considerar a avaliação do papel da hidrodinâmica no assentamento e disponibilidade de alimentos em plantas de marismas tropicais.

2
  • BEATRIZ LIMA VIEIRA
  • FORAMINÍFEROS PLANCTÔNICOS COMO INDICADORES PALEOCLIMÁTICOS NA COSTA NORDESTE BRASILEIRA

  • Orientador : DORIEDSON FERREIRA GOMES
  • Data: 21/01/2019
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  • Durante o Holoceno, que corresponde à época geológica pós glacial datada dos últimos 10 a 12 mil anos,
    as atividades humanas se tornaram, gradualmente, em forças transformadoras dos processos naturais do
    nosso planeta. As variações resultantes das atividades humanas conferem alterações no funcionamento dos
    sistemas ecológicos principalmente ao provocar mudanças climáticas globais e perdas irreversíveis da
    diversidade biológica. As mudanças climáticas naturais ou de origem antropogênica são a principal
    ameaça para a aceleração da perda da biodiversidade marinha global pois afeta a dinâmica da população e
    da comunidade e, a longo prazo, a estrutura e função da comunidade. Devido à dificuldade de se obter
    registros ecológicos contínuos a longo prazo, as análises de maior abrangência temporal da história das
    alterações ecológicas marinha ainda são escassas. Porém, através do registro da estrutura e composição das
    assembleias de foraminíferos planctônicos fósseis é possível acessar as mudanças climáticas e respostas
    ecológicas para além das últimas décadas.
    Ainda não se conhece o estado da arte sobre publicações envolvendo esses organismos no Brasil, porém,

    estudos prévios sugerem que há uma escassez de dados para o atlântico tropical leste, se comparado com a
    costa sudeste do país. Nesse sentido, o Atlântico Tropical é responsável por importantes fenômenos
    climáticos do Nordeste do país e apresenta grande potencial científico ainda pouco explorado. Assim, a
    presente dissertação tem como principais objetivos: i. Realizar um levantamento cienciométrico de
    publicações envolvendo foraminíferos no Brasil; ii. Analisar e descrever a fauna fóssil de foraminíferos
    planctônicos na região oceânica adjacente à costa nordeste do país; iii. Inferir eventos paleoclimáticos e
    paleoceanográficos a partir da paleoecologia desses organismos na mesma região. Para a cienciometria,
    protocolou-se e realizou-se a recuperação de artigos publicados na plataforma científica Scopus. Para
    análise e descrição das paleoassembléias foi coletado testemunho na área de estudo que datado apresentou
    uma recuperação de aproximadamente 8 mil anos. O sedimento coletado foi fateado e em cada fração
    foram triados 300 a 500 indivíduos. Esses organismos foram identificados a nível de espécie de acordo
    com a literatura e artigos recentes. Para reconstrução paleoambiental utilizou-se Modelos Aditivos
    Generalizados (MAGs) que propiciou inferências acerca das variações climáticas no passado geológico e
    as principais respostas ecológicas. Nossos resultados principais registraram uma tendência crescente do
    estudo desses organismos no Brasil ainda que, se comparado a outros países, esteja abaixo da média. Além
    disso, registrou-se que a região sudeste é mais produtiva em estudos com esse grupo, e também contempla
    as áreas mais estudadas. Descrevemos a nível de espécie, pela primeira vez, a fauna fóssil de foraminíferos
    planctônicos no talude a 1900 metros de profundidade da região estudada, no qual 15 espécies foram
    registradas pela primeira vez na região. Inferimos, a partir da ecologia das espécies, um aumento da
    temperatura da superfície do mar de 8 mil anos até o presente, bem como um crescimento das condições
    de oligotrofia. Por fim, o presente estudo contribui com a identificação da necessidade de ampliação dos
    esforços em pesquisa que contemplem esses organismos, excepcionalmente nas regiões norte/nordeste do
    país, bem como com a importância de maior atenção ao monitoramento de larga escala temporal, que
    permita elucidações sobre a crise de biodiversidade marinha em vista das mudanças climáticas.

3
  • FÁBIO NEVES SOUZA
  • Efeitos do habitat e da pluviosidade sobre a distribuição e atividade de roedores em comunidade urbana:
    um estudo longitudinal

  • Orientador : FEDERICO COSTA
  • Data: 28/01/2019
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  • Ambientes urbanos carentes favorecem o estabelecimento e distribuição de
    animais vetores e hospedeiros de patógenos zoonóticos. Dentre estes animais a espécie Rattus norvegicus
    é a mais abundante e distribuída nestes espaços urbanos. A manutenção da sua abundância e ocupação
    pode está ligada a disponibilidade de recursos e a atributos físicos e climáticos dentro do habitat, como
    por exemplo, a pluviosidade. Essas condições modulam seu comportamento, movimento e persistência
    dos roedores nestes espaços. Nosso objetivo é entender temporalmente as condições do habitat em
    diferentes escalas contribuem para presença de roedores e o efeito da pluviosidade sobre estas populações
    em uma comunidade urbana tropical. Utilizamos o método de placa de rastreamento para estimar
    atividade espacial e a probabilidade de presença de ratos durante seis períodos de amostragem entre os
    anos de 2014-2017 em comunidade urbana do Brasil. Informações ambientais locais, espaciais e de
    precipitação foram coletadas para unidade amostral e estas foram analisadas por meio de modelos
    generalizados mistos. Encontramos que as populações de ratos apresentam uma variação temporal e
    espacial nos espaços urbanos carentes, essa variação está associada às condições do habitat, como à
    presença de lixo, esgoto a céu aberto, vegetação, presença de entulho que associam positivamente com a
    atividade de ratos. Contrariamente, superfícies impermeáveis dentro destas comunidades funcionam como
    fator de proteção para a presença de ratos. A chuva acumulada da semana afeta significativamente na
    atividade dos roedores, sendo que essa atividade varia verticalmente dentro da comunidade em um
    gradiente precipitação. Estes resultados contribuirão para ações estruturais e de controle populacional de
    roedores definindo tempo e momento para estas ações tendo impacto na incidência de doenças zoonóticas
    em comunidades urbanas tropicais.

4
  • MYRLA JOSEFA SANTANA ROCHA
  • Áreas prioritárias para conservação da biodiversidade no estado da Bahia

  • Orientador : RICARDO DOBROVOLSKI
  • Data: 30/01/2019
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  • Dentre as principais consequências oriundas da atual época geológica, o Antropoceno, está a crise da biodiversidade, evidenciada por elevadas taxas de extinção de espécies e que tem sido o foco da Ciência da Conservação. Atualmente, além da biodiversidade, os bens e serviços provenientes da natureza passaram também a ser alvo de pesquisas em conservação. Frente às atuais pressões de conversão e fragmentação de áreas naturais, torna-se essencial compreender como se comportam espacialmente a distribuição de prioridades de biodiversidade e serviços afim de viabilizar a manutenção de ambos através da explicitação e conflitos e sinergias. Utilizando como caso de estudo o estado da Bahia, verificou-se como áreas prioritárias para conservação da biodiversidade de vertebrados terrestres, oriundos de bases de dados globais, no estado se relacionam as prioridades de conservação de remanescentes de vegetação natural, utilizados como proxie para serviços ecossistêmicos. Além disso, comparamos nossas priorizações com a proposta oficial de áreas prioritárias da Secretaria de Meio Ambiente do Estado da Bahia. Constatou-se que os cenários de priorização espacial alcançados com alvos de biodiversidade tiveram desempenho superior na proteção das espécies utilizadas no trabalho se comparado com os cenários de priorização de remanescentes de vegetação natural e a proposta oficial. As melhores áreas para uma expansão da atual rede de reservas obtidas com base nas maiores porcentagens de remanescentes na paisagem não apresentaram bons desempenhos com relação à proteção da biodiversidade, o que implica na possibilidade de estabelecer prioridades intercambiáveis entre estes dois atributos no contexto desse estudo. Além dos resultados com relação a definição de prioridades de conservação na Bahia, enfatizamos como os resultados obtidos a relevância e as possibilidades do uso de dados globais para guiar abordagens locais de conservação.

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  • TALITA MOTTA BENELI
  • Impactos da pesca fantasma em hidrocorais e nas assembleias de peixes associados

  • Orientador : FRANCISCO CARLOS ROCHA DE BARROS JUNIOR
  • Data: 18/02/2019
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  • A pesca artesanal pode geralmente resultar na pesca fantasma e ameaçar os ambientes recifia, já que as linhas de pesca podem emaranhar, danificar ou até matar diversos organismos. Estruturas de recifes complexos, como os corais ramificados, estão entre os mais afligidos pela pesca fantasma devido à sua forma e a Millepora é o único gênero de hidrocoral ramificado nos recifes do Atlântico Sul, oferecendo vários recursos para muitas espécies de peixes recifais. Embora os impactos da pesca fantasma sejam bem conhecidos por afetar a indústria pesqueira e a megafauna, seus impactos nos principais organismos recifais, como corais ramificados e associações de peixes associados, permanecem praticamente desconhecidos. Nós hipotetizamos que as linhas de pesca perdidas e emaranhadas no hidrocoral ramificado M. alcicornis resultariam em um aumento da mortalidade enquanto reduziriam a abundância e a riqueza das de peixes de recifais associados. Além disso, investigamos se as linhas de pesca emaranhadas, resultando em simplificação estrutural, alterariam a freqüência dos comportamentos de refúgio, agonístico e de forrageio em diferentes espécies de peixes associados. Foram pesquisadas 30 colônias de M. alcicornis onde foi estimando seu volume, percentuais de ocupação das linhas de pesca nas colônias e a mortalidade. As colônias foram gravadas com vídeos para estimar a abundância total de peixes, a riqueza de espécies e quantificar o comportamento dos peixes. Nossos resultados demonstram altas porcentagens de mortalidade em hidrocorais com grandes quantidades de linhas de pesca emaranhadas. Além disso, encontramos uma diminuição significativa na frequência de tentativas de forrageio de duas espécies de peixes herbívoros associados (Acanthurus bahianus e Ophioblennius trinitatis) que desempenham um papel fundamental na dinâmica dos recifes de corais. A pesca fantasma resultante de pequena escala pode, portanto, ter impactos negativos em ecossistemas recifais rasos, particularmente em corais ramificados. Por sua vez, esses efeitos estruturais podem ser prejudiciais às interações entre peixes e corais. Testar as ramificações ecológicas e funcionais desses impactos em ecossistemas recifais rasos é um importante próximo passo.

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  • VICTOR ROCHA BANDEIRA
  • ECOLOGIA POPULACIONAL DO BOTO-CINZA Sotalia guianensis (VAN BÉNÉDÉN, 1864) NA BAÍA DE TODOS OS SANTOS

  • Data: 18/02/2019
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  • Ao longo das últimas décadas um tema vem sendo amplamente discutido dentro da comunidade científica: a perda de biodiversidade. A extinção pode ocorrer em escalas diferentes, que variam da local até a global, no entanto os processos de extinção ocorrem com maior frequência em uma escala local, em nível de populações, com número estimado em três ordens de grandeza maiores do que taxas de extinção de espécies. Em vista disso, a ecologia vem sendo aplicada com o intuito de entender o impacto das atividades antrópicas nas populações, com o propósito final de buscar estratégias para conservá-las. Os cetáceos possuem grande importância ecológica, atuando no controle das populações dos níveis tróficos inferiores, promovendo assim uma estabilidade do sistema natural. Uma das metodologias mais utilizadas para estudos com cetáceos nos últimos anos é a captura-marcação-recaptura (CMR), que consiste basicamente na captura de indivíduos, seguida de marcação e liberação destes indivíduos na população, para em um segundo momento, recapturá-los. Este método pode ser combinado com a técnica da fotoidentificação. Estudos com cetáceos na Baía de Todos os Santos são escassos, e pouco se sabe sobre a população de botos-cinza da região, e até o presente momento não se foi realizada uma estimativa da população residente, tampoco projeções que simulem o comportamento no futuro desta população. Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo realizar estimativa da população presente na Baía de Todos os Santos baseado no método de captura-marcação-recaptura,  desenvolver uma Análise de Viabilidade Populacional para a espécie na área de estudo, e elaborar um catálogo de identificação, visando uma futura elaboração de planos de ação, conservação e manejo. As coletas foram realizadas entre os anos de 2016 e 2018 a bordo de embarcação a vela, com esforço amostral diário de aproximadamente 10h. Foi criado um catálogo de identificação para a fotoidentificar os indivíduos seguindo um protocolo próprio para confecção dos croquis. Para a estimativa populacional foi utilizado o programa RStudio, com utilização do pacote RMark com correção do Theta (θ) para estimativa total. Para a análise de viabilidade populacional foi utilizado o software VORTEX 10.0, com análise em três cenários diferentes. Foram fotoidentificados 86 indivíduos com aproveitamento de 14% das fotografias, e pico de descoberta no mês de Novembro de 2017. O modelo mais parcimonioso foi o Mt, resultando em uma estimativa de 139 (116-179) indivíduos marcados. Após a correção do θ, a estimativa total foi de 207 (173-267). A análise de viabilidade populacional apontou para um declínio da população de S. guianensis, com probabilidade de extinção abaixo de 50% em todos os cenários modelados. As taxas de crescimento para os cenários modelados foram de -0,01 (SD = 0,101), -0,008 (SD = 0,13) e -0,009 (SD = 0,107), com N(final) = 44, 76 e 56 indivíduos, respectivamente, e tempo médio para extinção de 207,9 anos para o cenário 1, 216,6 anos para o cenário 2 e 231,4 para o cenário 3

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  • ANDRÉIA TEIXEIRA ALVES
  • Drivers of benthic metacommunity structure along tropical estuaries (Fatores determinantes da estruturação das metacomunidades bentônicas em estuários tropicais) 

  • Orientador : FRANCISCO CARLOS ROCHA DE BARROS JUNIOR
  • Data: 21/02/2019
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  • A abordagem de metacomunidades trouxe avanços no entendimento sobre como os filtros ambientais e os processos de dispersão estruturam as comunidades ecológicas. Acessar essas questões, pouco claras para muitos sistemas naturais sujeitos a impactos humanos, como estuários, é importante para a elaboração de estratégias efetivas de conservação. Nosso objetivo foi investigar como os filtros ambientais, preditores espaciais e temporais influenciam a estrutura das metacomunidades da macroinfauna bentônica ao longo do gradiente de salinidade em estuários tropicais. Era esperado que os filtros ambientais explicassem a proporção mais alta da variação total devido aos fortes gradientes de salinidade e sedimento e padrão Gleasoniano (isto é, espécies exibem respostas individualistas com mudança gradativa de composição ao longo de um gradiente) como a estrutura principal para metacomunidades bentônicas. Primeiro, utilizamos os Elementos Estruturadores das Metacomunidades (Elements of Metacommunity Structure- EMS) para identificar a estrutura de metacomunidades que melhor representa às comunidades bentônicas ao longo do gradiente de salinidade em três estuários da Baía de Todos os Santos. Em seguida, utilizamos a partição de variação para quantificar as influências dos preditores ambientais, espaciais e temporais nas estruturas identificadas. No geral, a metacomunidade bentônica seguiu o padrão aninhado. Encontramos uma alta influência do componente compartilhado de preditores ambientais e espaciais, provavelmente devido à estrutura espacial dos filtros ambientais (ou seja, a diminuição da salinidade do mar para a água doce). A metacomunidade bentônica estuarina seria aninhada devido a duas razões principais. Primeiro, porque subconjuntos aninhados são comuns em comunidades sujeitas a perturbações, como alguns dos sistemas estuarinos da Baía de Todos os Santos. Em segundo lugar, porque a maioria das espécies estuarinas possui origem marinha e diversificação e, conseqüentemente, locais mais próximos do mar seriam mais ricos, enquanto os locais mais distantes do mar seriam subgrupos mais pobres, onde menos espécies poderiam chegar e / ou sobreviver em condições de água doce. Em termos de estratégias adequadas para o manejo da conservação, uma estrutura perfeitamente aninhada pode permitir a priorização de apenas um pequeno número dos sites mais ricos.

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  • PRISCILLA FERREIRA FERRAZ
  • Alterações no padrão de coloração da concha de Neritina virginea (Mollusca: Gastropoda) como mecanismo de defesa frente a predação

  • Orientador : FRANCISCO KELMO OLIVEIRA DOS SANTOS
  • Data: 21/02/2019
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  • A predação é um dos fatores que interferem na abundância e distribuição das espécies. Os organismos com maiores chances de sobrevivência são os capazes de conseguir escapar dos predadores. A camuflagem é um mecanismo antipredatório primário comum em gastrópodos marinhos. Neritina virginea é uma espécie de gastrópodo marinho abundante no litoral do brasileiro, caracterizada pela presença de variados padrões de coloração da concha. Este estudo visa verificar se os distintos padrões de coloração na concha desta espécie funcionam como um mecanismo de defesa frente à predação. Na região de Mangue Seco – BA, os dados foram coletados em quatro períodos amostrais distintos, entre os anos de 2013 e 2015, nos períodos secos e chuvosos. Foram coletados 2.530 indivíduos de Neritina virginea, e a maioria destes foi predada (com uma média de 75,68% de predação nos períodos de amostragem). Nos quatro períodos amostrais, a predação por peixes e aves teve maior porcentagem, com média de 58,69% de predação. A tabela de contingência indicou que não existe relação entre a adequabilidade da cor da concha dos indivíduos e a cor do substrato com a redução das chances de predação. Ao longo dos anos, quanto mais às presas especializam-se em se esconder dos predadores, estes especializam-se em encontrá-las. A população de N. virginea nos três períodos amostrais é composta em sua maioria por indivíduos juvenis, e no quarto período amostral por indivíduos adultos. O teste de Cochran Mantel-Haenszel indicou que os predadores não exibem preferência na escolha das suas presas com base na classe etária. Portanto, os diversos padrões de coloração da concha de N. virginea, na área estudada, não podem ser considerados como um mecanismo de defesa eficiente frente a predação.

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  • GABRIELA SANTIAGO MERCÊS PEREIRA
  • Impacto da espécie Stenoplax purpurascens (Mollusca: Polyplacophora) nas assembleias de moluscos em recifes costeiros após o distúrbio do El-Niño

  • Orientador : FRANCISCO KELMO OLIVEIRA DOS SANTOS
  • Data: 22/02/2019
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  • A introdução de espécies exóticas é um problema mundial e representa uma das maiores ameaças à biodiversidade do planeta. Distúrbios ambientais desestabilizam a comunidade nativa deixando-a mais vulnerável, favorecendo, dessarte, o estabelecimento de espécies exóticas. Este estudo avaliou o impacto da espécie Stenoplax purpurascens na malacofauna nativa, buscando correlações de dominância, influência e as possíveis razões do sucesso desta espécie nos recifes de corais do Litoral Norte da Bahia. O estudo foi realizado em quatro recifes costeiros do Litoral Norte da Bahia (Abaí, Guarajuba, Itacimirim e Praia do Forte) entre os anos de 1995 a 2015. Em cada recife foram lançados, ao acaso, 35 quadrados de 1m² (no topo e na parede recifal), onde todos os moluscos foram contabilizados e fotografados in situ e posteriormente identificados. Foi observada uma redução significativa na densidade e na diversidade dos moluscos nativos no período do El-Niño de 1997-98. Após este evento, as assembleias observadas apresentaram uma recuperação parcial, porém não retornaram aos valores prévios, conforme esperado, permitindo o estabelecimento de S. purpurascens, o que justifica a redução significativa na densidade e na diversidade das assembleias de moluscos nativos, após sua colonização. Desta forma, observou-se que os distúrbios ambientais provenientes do El-Niño deixaram o ecossistema vulnerável, acarretando no estabelecimento S. purpurascens que impactou a estrutura e composição da malacofauna nativa.  

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  • LUANA OLIVEIRA DOS SANTOS
  • Monitoramento de longo prazo de recifes de corais usando poliquetas como indicadores ambientais.

  • Orientador : FRANCISCO KELMO OLIVEIRA DOS SANTOS
  • Data: 22/02/2019
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  • As assembleias de poliquetas dos recifes de corais do litoral norte da Bahia (Brasil) foram estudadas durante quatro períodos visando analisar a variabilidade espacial e temporal na estrutura da comunidade, bem como a influência da resolução taxonômica na interpretação dos resultados. Dez quilos de substrato recifal foram amostrados de cada recife de coral, durante os anos de 2000, 2005, 2010 e 2016. Neste período 120 espécies foram registradas. Nos dois primeiros períodos amostrais, as famílias mais abundantes foram Eunicidae (55,8% e 60,14%, respectivamente), Nereididae (13,5% e 14,3%) e Syllidae (8,7% e 6%). No terceiro período, as famílias Eunicidae (61,1%) e Nereididae (19,3%) foram as mais abundantes e, por fim, em 2016 a família Eunicidae (92,5%) tornou-se dominante. A análise de cluster identificou três agrupamentos significativamente distintos, agregando os recifes de corais dos anos 2000 e 2005, sendo este cluster distinto dos outros dois, nos quais os recifes foram segregados de acordo com os dois últimos períodos amostrais. A dominância de espécies bioerodidoras, pertencentes a família Eunicidae, e a redução na abundância de silídeos, bem como a redução na diversidade caracterizaram o último período avaliado. Testou-se o uso da Suficiência Taxonômica nos resultados obtidos, realizando análises nos níveis de espécie, gênero e família. Os resultados indicam que, independentemente do nível taxonômico considerado, a estrutura das assembleias diferiu significativamente ao longo do período estudado. Demonstrou-se a adequabilidade do uso da resolução taxonômica no nível de gênero, quando a identificação a nível de espécie for inviável. Este estudo reforça a hipótese que os recifes do litoral norte do estado da Bahia vêm experienciando um estresse antrópico crônico, colocando os recifes em condições desfavoráveis favorecendo a atividade de bioerodidores.

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  • JOSUÉ DAFLES COQUEIROS DE DEUS
  • Influência da restauração florestal nas redes de interações planta-visitante-floral em cultivo agrícola

  • Orientador : BLANDINA FELIPE VIANA
  • Data: 25/02/2019
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  • Uma das principais causas do declínio de visitantes florais em cultivos agrícolas é a perda de hábitat. A restauração florestal é uma possível forma de mitigar esse impacto negativo, propiciando locais de nidificação e recursos florais fora do período de floração do cultivo, entretanto, a influência da restauração florestal em propriedades mantenedoras da comunidade de visitantes florais dentro do cultivo, como a robustez, ainda é pouco conhecida. Assim, nosso objetivo foi investigar se a restauração florestal adjacente aos cultivos aumenta a robustez das redes de interações planta visitante floral dentro do cultivo. Para tanto, foram realizadas coleta ativa de insetos dentro de cultivos de café próximos e distantes da restauração, na Chapada Diamantina, Bahia, nas florações entre 2015 e 2017. Construímos redes bipartidas, com plantas identificadas pelo grão de pólen em um vértice, e o visitante no outro vértice, sendo a interação o contato dos grãos de pólen no corpo do visitante. Para acessar a robustez, simulamos retiradas aleatórias de visitantes florais da rede, e complementariamente, mensuramos métricas de estrutura de rede (número de interações, aninhamento, força de assimetria e generalidade). Nossos resultados indicam que ambientes restaurados possuem maior número de interações, principalmente devido ao aumento na abundância de espécies generalistas. Entretanto, esse aumento não corresponde diretamente ao aumento nas métricas de estrutura de rede. Além disso, nossos resultados sugerem que plantas ruderais são importantes para manutenção das interações dentro do cultivo, e pode ser uma técnica adicional à restauração para garantir a manutenção da biodiversidade e do serviço ecossistêmico da polinização em cenários agrícolas.

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  • INAJARA VIANA GOMES LIMA
  • Comportamento sexual em Anastrepha obliqua (Diptera: Tephritidae): a criação em laboratório pode influenciar no comportamento de corte dos machos e na preferência das fêmeas?

  • Orientador : IARA SORDI JOACHIM BRAVO
  • Data: 29/04/2019
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  • A moscas-das-frutas Anastrepha obliqua é conhecida por ser uma praga agrícola importante para fruticultura mundial. Nessa espécie, o sistema de acasalamento inclui um comportamento de “lek” dos machos, seguido da exibição de um comportamento de corte dos mesmos, que as fêmeas utilizam para selecionar e aceitar os machos para a cópula. Em espécies de importância econômica, como A. obliqua, o estudo do comportamento sexual tem também importância aplicada, uma vez que pode ser usado para o aprimoramento da Técnica do Inseto Estéril, na qual machos estéreis criados em laboratório são liberados no campo para competir com os machos selvagens pelas fêmeas. Desse modo, os machos criados em laboratório devem ser capazes de sobreviver, competir e exibir repertório comportamental adequado para terem sucesso reprodutivo. Neste trabalho comparou-se uma linhagem de laboratório e uma selvagem de A. obliqua quanto ao comportamento de corte e sucesso de cópula dos machos. Foram comparados o padrão temporal de emissão de feromônio dos machos, a frequência e a sequência das unidades comportamentais de corte dos machos e a escolha de machos para a cópula pelas fêmeas. Os resultados evidenciaram similaridades no padrão temporal de emissão de feromônio e no tamanho e duração da sequência de corte entre as duas linhagens, porém foram encontradas diferenças significativas na frequência das unidades comportamentais, de maneira que essas linhagens foram separadas em grupos distintos na análise discriminante. As duas linhagens apresentaram diferenças nas unidades comportamentais ligadas ao mating. Os machos de ambas as linhagens apresentaram o mesmo sucesso de acasalamento, não tendo sido demonstrada preferência das fêmeas por machos de uma linhagem específica. Esses resultados demonstraram que a manutenção de colônias em laboratório, em pequena escala, forneceu condições adequadas que preservaram as características comportamentais relevantes para a manutenção do repertório comportamental de corte e para o sucesso de acasalamento dos machos de Anastrepha obliqua. 

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  • JULIANA MACEDO DE SOUZA
  • INTERAÇÕES ENTRE ABELHAS E FUNGOS E SUAS IMPLICAÇÕES PARA O CONTROLE BIOLÓGICO DE PRAGAS

  • Orientador : BLANDINA FELIPE VIANA
  • Data: 05/07/2019
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  • A broca-do-café (Coleoptera: Scolytidae: Hypothenemus hampei) é considerada como a praga que causa maior prejuízo à produção do café no mundo. Por muito tempo o inseticida Endosulfan  foi utilizado para combater essa praga, mas devido aos efeitos deletérios desse agente químico sobre a saúde humana, ao meio ambiente e à biodiversidade, muitos países decidiram banir o uso dessa substância.  Dessa maneira, o inseticida biológico baseado em esporos do fungo entomopatogênico Beauveria bassiana (Balsamo) Vuillemin tornou-se uma das principais medidas no manejo integrado de pragas do café. Porém, a liberação desse microrganismo através da pulverização requer altas concentrações de esporos, aumentando assim o custo da sua utilização. Uma alternativa eficaz para a aplicação/dispersão desses microrganismos contra pragas agrícolas é a utilização de polinizadores como vetores.  Sabe-se que a abelha A. mellifera é  considerada um importante polinizador da espécie C. arabica  e o fungo B. bassiana é um dos principais organismos utilizados para o controle da broca-do-café. A escassez de estudos que  avaliam o efeito das interações entre  A. mellifera e o fungo B. bassiana dificulta a utilização do entomovetor no controle biológico de pragas. O presente trabalho tem como  objetivos: 1) Discutir sobre o ponto de vista teórico e de maneira não-sistemática, como o controle biológico aliado à polinização podem ser utilizados  como parte do manejo da broca-do-café  e 2) avaliar o impacto do isolado fúngico PL63 de B. bassiana sobre o  desenvolvimento e mortalidade das colônias  de A. mellifera em condições de campo.  Para o ensaio com as colônias em campo, o inóculo foi prepado através da mistura do fungo com o inerte Vectorite à concentração 1 x 108 esporos/g.  O grupo controle foi tratado apenas com Vectorite. Foram realizados dois ensaios: 1) mortalidade de abelhas nas colmeias e 2) avaliação do tamanho da área de cria. Não foram encontradas diferenças significativas no número de abelhas mortas coletadas entre o tratamento e o controle, nem a interação com os dias de coleta. A variação do tamanho da área de cria não foi estatisticamente significativa entre o tratamento e o controle.  O tamanho da área de cria operculada das colônias controle e tratadas reduziu drasticamente ao longo das cinco avaliações, 0-19 dias, impedindo a tomada de decisão sobre os possíveis efeitos do fungo B. bassiana sobre a cria operculada. Porém, os dados de mortalidade de abelhas adultas do presente estudo demostram o agente de controle microbiano B. bassiana não causa a mortalidade de A. mellifera em condições de campo.

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  • TAMIRES SANTANA SANTOS FREITAS
  • ESTADOS ESTÁVEIS ALTERNATIVOS EM UM SISTEMA ESTUARINO TROPICAL: FORAMINÍFEROS BENTÔNICOS COMO PALEOINDICADORES AMBIENTAIS.

  • Orientador : DORIEDSON FERREIRA GOMES
  • Data: 06/12/2019
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  • Diante da crescente preocupação com o modo de vida humano alterando definitivamente os sistemas ecológicos, surge a preocupação em utilizar dados paleoecológicos de longo prazo para guiar questões de gerenciamento ambiental, abordando questões que incluem a avaliação do grau de mudança histórica de ecossistemas específicosUma forma de identificar tais alterações, é através dos sinais de alerta precoce de mudanças. Estudos recentes mostram que os sistemas, antes de se aproximarem do limiar critico, geralmente, apresentam características semelhantes e, portanto, uma série de propriedades genéricas podem ser usadas para descrever as características semelhantes e consideradas como sinais comuns de alerta precoce em diferentes sistemasDessa forma, este estudo objetiva utilizar uma série temporal de diversidade de foraminíferos bentônicos preservados no sedimento de uma baía tropical impactada por ações antrópicas para investigar a presença de estados estáveis alternativos e sinais de alerta precoces de mudança entre esses estados. Hipotetizamos que próximo aos pontos de inflexão na série temporal, o sistema exibirá mudanças no padrão de autocorreção, assimetria e variância. Para isso, essa dissertação foi dividida em dois capítulos; O primeiro capítulo trata-se de um artigo a ser submetido ao periódico Marine Biology Research e visa descrever a estrutura e composição das assembleias de foraminíferos fósseis na Bahia da Ribeira, datadas nos últimos 30 anos a partir do testemunho CI8O segundo capítulo é um artigo a ser submetido ao periódico Ecological Indicators onde um algoritmo de segmentação heurística é aplicado aos dados paleoecológicos de foraminíferos bentônicos do testemunho CI8 da Baía da Ribeira, objetivando identificar os estados estáveis alternativos na baía e, além disso, uma investigação sobre a existência de sinais de alerta precoce da mudança de estado é realizada.

Teses
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  • RICARDO JESSOUROUN DE MIRANDA
  • IMPACTOS DE ESPÉCIES MARINHAS INVASORAS SOBRE PROCESSOS ECOSSISTÊMICOS

  • Orientador : FRANCISCO CARLOS ROCHA DE BARROS JUNIOR
  • Data: 15/02/2019
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  • As invasões biológicas ocorrem quando espécies são introduzidas em uma área onde elas não ocorriam naturalmente, como consequência de atividades antrópicas. Espécies são definidas como invasoras quando elas, após serem introduzidas, causam impactos ecológicos, econômicos e/ou sociais. Os impactos ecológicos podem ocorrer quando as espécies invasoras alteram processos biológicos que influenciam as funções do ecossistema. O objetivo da presente tese é avaliar efeitos de espécies invasoras sobre os processos ecológicos de ecossistemas recifais. Dois casos de invasões foram estudados, o coral-sol Tubastraea tagusensis e T. coccinea nos recifes de corais do Brasil e a alga-verde Caulerpa filiformis nos recifes rochosos da Austrália. No caso do coral-sol foram feitos experimentos de campo para avaliar os efeitos da abundância desse invasor sobre o processo de recrutamento de corais e sobre a interação peixe-bentos. No caso da alga-verde foram feitos experimentos no laboratório (mesocosmo) para avaliar o efeito interativo da presença da alga-verde com aquecimento da água sobre o processo de herbivoria do gastrópode Turbo militaris sobre as algas-marrons Ecklonia radiata e Sargassum vestitum. Os resultados revelaram que, em ambos os casos, a presença das espécies invasoras influenciaram os processos biológicos estudados. Os experimentos usando o coral-sol mostraram que, a alta abundância encontrada no recife estudado foi relacionada com a redução do número de recrutas de corais nativos assim como a cobertura dos adultos, o que sugere que a invasão pode alterar o processo de recrutamento dos corais nativos. Além disso, os resultados mostraram que a abundância do coral-sol reduziu o número de mordidas de peixes nativos sobre as espécies de algas, corais e esponjas nativas. Assim, o coral-sol alterou a intensidade de alimentação dos peixes nativos sobre o substrato, o que pode ter implicações para importantes funções do ecossistema como a bioerosão do substrato, o controle de algas e o transporte de sedimentos. No caso da alga-verde, os experimentos de laboratório mostraram que sua presença em condições de aquecimento da água (26°C) reduziu a intensidade e a preferência alimentar do gastrópode sobre a alga-marrom nativa Ecklonia radiata. O aquecimento da água intensificou o consumo das algas nativas pelos caracóis que tem seu metabolismo acelerado sob essas condições. Contudo quando a alga-verde invasora esteve presente mesmo sob essas condições de elevada temperatura, a atividade de alimentação sobre a alga nativa foi menor do que sem a alga-verde. Assim a presença da alga-verde invasora poderia potencialmente aumentar a sobrevivência da alga nativa (E. radiata) em cenários de mudanças climáticas. Assim, foi possível concluir que espécies invasoras podem alterar processos ecológicos nos ecossistemas marinhos, como o ciclo de vida de espécies chave e interações entre espécies nativas como a herbivoria, mas em cenários de mudanças climáticas os efeitos podem ser distintos. Dessa forma, entender como ocorrem as relações entre as espécies é essencial para avaliar o funcionamento dos processos, e para prever e manejar os ecossistemas invadidos em cenários futuros.

2
  • JAMILE CÂMARA DE AQUINO
  • Estratégias de competição e mecanismos de interação entre espécies de moscas-das-frutas (Tephritidae) nativas e invasora em um hospedeiro em comum

  • Orientador : IARA SORDI JOACHIM BRAVO
  • Data: 20/02/2019
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  • A competição interespecífica é uma das interações mais comuns após uma invasão biológica em espécies de insetos e o principal determinante deste tipo de competição é a utilização dos mesmos recursos pelas diferentes espécies. Após a introdução de C. capitata em diversas regiões do Brasil, muitas espécies do gênero Anastrepha foram diminuindo em abundância ou mudando a utilização dos seus hospedeiros. Conhecer as interações e estratégias competitivas entre as espécies de moscas-das-frutas e as respostas das espécies nativas em relação à invasora é importante para prever a dinâmica populacional dessas pragas em uma determinada cultura e compreender os riscos de invasões. O presente estudo analisou as interações competitivas de exploração e interferência de 03 espécies do gênero Anastrepha (nativas): A. obliqua, A. fraterculus e A. sororcula, com a espécie Ceratitis capitata (invasora) e avaliou como tais interações influenciam na ocupação de um hospedeiro em comum em diferentes estágios de maturação. Além disso, também foi analisada a atratividade de A. suspensa pelos hospedeiros em diferentes estágios de maturação. Concluiu-se que as espécies nativas de Anastrepha utilizam-se de estratégias que acabam por diminuí-las em abundância quando restringem o uso do recurso devido ao compartilhamento e coexistência com a espécie invasora; as espécies estudadas competem pelo recurso exibindo comportamentos agonísticos entre elas praticamente na mesma intensidade e fêmeas de A. suspensa têm receptores para os voláteis dos frutos em diferentes maturações.

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  • ELMO BORGES DE AZEVÊDO KOCH
  • PADRÕES ECOLÓGICOS ESPACIAIS QUE ESTRUTURAM A COMUNIDADE DE FORMIGAS DE SERAPILHEIRA NA MATA ATLÂNTICA DA BAHIA

  • Data: 22/02/2019
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  • Entender os fenômenos responsáveis pela formação e manutenção da biodiversidade de organismos tem sido o objetivo de numerosos estudos em ecologia e biogeografia. O reconhecimento dos padrões de diversidade, assim como a compreensão dos processos e fatores que os produzem e afetam a biodiversidade são fundamentais para estabelecer os princípios de manejo, recuperação e uso sustentável de áreas naturais. A busca por compreender as implicações das mudanças na biodiversidade sobre o ecossistema tem demonstrado que tanto variações na diversidade taxonômica quanto na diversidade funcional podem acarretar em alterações ambientais. As Florestas Tropicas compreendem alguns dos ambientes terrestres mais biodiversos do planeta. A Mata Atlântica brasileira é um dos 35 hotspots de biodiversidade da Terra, que correspondem a regiões com altas taxas de biodiversidade e de endemismo, que são altamente ameaçados pelas atividades humanas. Invertebrados são grande importância nos processos ecológicos que ocorrem nos ecossistemas terrestres. Entre esses, as formigas compreendem um dos grupos de organismos mais abundantes e diversos. Esses organismos exercem um importante papel na dinâmica ambiental, fornecem diversos serviços ecossistêmicos e são consideradas bioindicadoras confiáveis. Tais características fazem das formigas uma ferramenta útil para o monitoramento dos ecossistemas. O objetivo principal dessa tese foi estudar diferentes padrões e processos responsáveis pelas diversidades taxonômica e funcional, bem como as variações dessas, em assembleias de formigas de serapilheira no domínio da Mata Atlântica. A área de estudo compreendeu 65 paisagens de Floresta Atlântica, distribuídos em aproximadamente uma área de 130 x 50 km e abrangendo 26 municípios no sul do estado da Bahia, Brasil. Em cada localidade, as formigas foram coletadas em 50 amostras de 1m² de serapilheira, com o auxílio de extratores de Winkler. No primeiro capítulo, foi estudada a diversidade de formigas de serapilheira dessa região e foi avaliado se a diversidade taxonômica apresenta uma correspondência com a diversidade funcional dessas formigas. Foi registrado um total de 364 espécies, distribuídas em 68 gêneros e 10 subfamílias. Essas foram atribuídas a 13 grupos funcionais quando se considera uma classificação baseada no conhecimento disponível sobre os gêneros de formigas e a 26 grupos funcionais quando se considera uma classificação baseada em informações disponíveis sobre as espécies. Foi observado que a diversidade taxonômica não apresenta uma correspondência clara com a diversidade funcional de formigas de serapilheira, embora tal relação sofra uma influência da abrangência da classificação funcional utilizada. No segundo capítulo, foi avaliado se as comunidades de formigas da serapilheira apresentam um padrão saturado ou não saturado, e se a resposta difere de acordo com a abordagem. Foi verificado que as comunidades de formigas de serapilheira apresentam um padrão não saturado nas diferentes localidades estudadas, independente da métrica e método utilizados. No terceiro capítulo da tese, foram feitas avaliações e comparações do uso de categorias de resolução taxonômica de diferentes níveis como possíveis substitutos para descrever padrões de diversidade taxonômica e funcional de assembleias de formigas da serapilheira. Foi demonstrado que uma resolução mista, envolvendo a identificação de um número limitado de espécies enquanto a grande maioria do material biológico permanece identificado somente ao nível de gênero, é o melhor substituto quando se considera tanto a diversidade taxonômica quando funcional. Tais resultados podem ser de grande utilidade para estudos de bioindicação e monitoramento ambiental. No quarto capítudo revisamos a importância do termo guilda para a ecologia, avaliamos o uso indevido do termo e discutimos a importância de homogeneizar os diferentes termos conotativos e definir de maneira clara as diferentes guildas utilizadas a fim de se obter uma linguagem que nos permita entender o alcance do termo sem ambiguidade. Finalmente, nossos resultados sugerem que diferentes padrões e processos ecológicos e biogeográficos contribuem para as diversidades taxonômica e funcional e as variações observadas nessas em assembleias de formigas de serapilheira no domínio da Mata Atlântica no sul da Bahia, Brasil. Acreditamos, entretanto, que futuros estudos considerando algumas variáveis não avaliadas aqui, como cobertura florestal, complexidade estrutural, bem como outras métricas de paisagempara elucidar o real efeito de dessas, serão de suma importância para entender como diferentes variáveis podem influenciar o número de espécies e processos ecológicos envolvendo as assembleias de formigas de serapilheira na Floresta Atlântica.

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  • DANIEL ALVARES SILVEIRA DE ASSIS
  • Avaliação do ciclo de vida do robalo-peva Centropomus parallelus Poey 1860 (Teleostei: Centropomidae) na costa da Bahia: Dieta, reprodução e uso do habitat

  • Data: 29/04/2019
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  • Os peixes constituem um importante recurso econômico e de subsistência para populações de cidades localizadas próximas a regiões de estuários. Dentre as espécies exploradas, os robalos estão entre as mais importantes em todo o litoral brasileiro. O robalo-peva Centropomus parallelus é uma das poucas espécies de peixes com distribuição no Brasil que apresenta medidas protetivas. Ainda assim, apresenta poucas informações sobre a ecologia de suas populações. O objetivo do presente estudo foi investigar características do seu ciclo de vida e avaliar o uso de novas metodologias para estudos ecológicos desta espécie. A reprodução do robalo-peva no estuário de Canavieiras se caracterizou pela atividade reprodutiva ao longo de todo o ano, com um tamanho mínimo de primeira maturação de 224 mm e 141 mm para fêmeas e machos, respectivamente. A presença de hermafroditismo protrândrico foi observada através da segregação entre os sexos nas classes de tamanho e pela presença de um indivíduo em transição sexual. A dieta de C. parallelus foi investigada nos estuários da Baía de Todos os Santos (BTS) e Caravelas. O robalo-peva apresentou comportamento oportunista, uma vez que ele se alimenta das presas de maior disponibilidade e capturabilidade no ambiente em que se encontra, com o maior consumo de peixes na BTS e Aratu em Caravelas, sendo observada uma correlação positiva entre o tamanho de C. parallelus e o tamanho das presas. O otólito sagitta do robalo demonstrou ser uma ferramenta eficaz para se estimar o comprimento total dos peixes, caso encontrado em conteúdo estomacal ou em registros fósseis, e na investigação de padrões de uso de habitat através da análise microquímica, onde foram observados dois padrões migratórios, um de robalos que nascem em águas salgadas e migram para água doce em determinado momento da vida e o outro nascendo em água doce e migrando para água salgada. O terceiro padrão foi de peixes residentes em água salgada. O registro de três padrões na BTS evidencia a plasticidade dessa espécie no comportamento migratório. A adaptabilidade do robalo-peva em características bioecológicas fica evidente no presente estudo e demonstra a importância da investigação de populações em outras localidades para a obtenção de um manejo mais adequado, devido à possíveis divergências nas características de seu ciclo de vida.

5
  • FRANCO PORTO DOS SANTOS
  • Método experimental em ecologia - análise histórica das contribuições de Robert Paine

  • Orientador : CHARBEL NINO EL HANI
  • Data: 30/04/2019
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  • A presente tese de doutorado teve o objetivo de construir uma narrativa em história das ciências ecológicas com foco na trajetória intelectual do ecólogo norte-americano Robert Treat Paine (1933-2016) e no desenvolvimento de uma tradição de pesquisa experimental em praias rochosas, que foi liderada por ele entre as décadas de 1960 e 1980. Paine se destacou na ecologia como cientista experimental e criador do conceito de espécies-chave. Ele ainda desenvolveu o conceito de cascata trófica e a hipótese de que a predação exerce um grande efeito positivo sobre a diversidade de espécies. Esses e outros avanços conceituais, teóricos e metodológicos promovidos por Paine se deram através da realização dos seus experimentos clássicos de manipulação de espécies. Os estudos historiográficos de livros, artigos, cartas e entrevistas, dentre outros materiais, evidenciaram as linhas de pesquisa geradas pelos experimentos de campo e a influência deles na ecologia de comunidades e de teias tróficas. Este trabalho é constituído de dois capítulos em formato de artigos. O primeiro aborda o nascimento da tradição de pesquisa experimental em praias rochosas, examinando como Paine e outros pesquisadores lidaram com a variabilidade das condições ambientais do campo e tentaram estabilizar seus resultados. O segundo capítulo examina as principais contribuições de Paine para a ecologia de teia alimentar, um dos campos científicos em que ele mais colaborou.

6
  • FÁBIO ANGELO MELO SOARES
  • Morcegos insetívoros em paisagens antropogênicas da Mata Atlântica: efeitos da perda de florestas sobre grupos ecológicos

  • Data: 27/05/2019
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  • Mudanças na cobertura do solo tem convertido ecossistemas naturais em áreas agrícolas e pastagens, causando severos efeitos na biota. Um desses efeitos é a perda de cobertura florestal, que tem levado a extinção de espécies em nível alarmantes em todo o planeta. Por outro lado, a fragmentação do habitat tem efeitos diversos para a biota, podendo as espécies serem afetadas de forma positiva e negativa, ou ainda, de serem neutras a esse processo. Entretanto, respostas idiossincráticas têm sido observadas, sobretudo na região Neotropical, uma das mais diversas. Isso é particularmente importante para os morcegos, que podem ser afetados e/ou beneficiados pela ação antrópica. Entretanto, pouco se sabe sobre os efeitos da perda e fragmentação do habitat sobre o grupo dos morcegos insetívoros aéreos, uma vez que são subamostrados. O objetivo central dessa tese foi avaliar as respostas dos morcegos insetívoros aéreos ao processo de perda de floresta e fragmentação em 20 fragmentos de Mata Atlântica com diferentes níveis de cobertura florestal e localizados na região sul da Bahia, nordeste do Brasil. Utilizamos a técnica da bioacústica para acessar nossos dados por três noites em cada fragmento. Os gravadores (SM 2 BAT+) foram posicionados no interior e borda da floresta (> 2 m de altura) e no dossel do interior do fragmento (> 20 m de altura). Nossos resultados mostram que: i) morcegos insetívoros aéreos (florestais e de área aberta) são negativamente afetados pela redução da cobertura florestal na escala de paisagem, com maior riqueza e atividade em paisagens com maior quantidade de florestas; ii) morcegos insetívoros aéreos foram positivamente afetados pela fragmentação do habitat, havendo concentração da atividade e registro de maior riqueza na borda dos fragmentos; iii) o efeito de borda sobre os morcegos foi mais forte em paisagens com menor quantidade de floresta e é modulado pelo tipo de matriz adjacente; iv) a perda de floresta apresentou efeitos positivos e negativos sobre as métricas da diversidade funcional, podendo causar significativas alterações nos processos ecológicos desempenhados pelos morcegos insetívoros aéreos. Portanto, a presente tese demonstra que o desmatamento afeta negativamente os morcegos e que alguns grupos podem se beneficiar do processo de fragmentação do habitat. Todavia, enfatizamos que a manutenção de grandes porcentagens de floresta nativa é de fundamental importância para a persistência das espécies, em particular, as espécies dependentes de florestas. Ademais, manter grandes quantidades de floresta na paisagem além de auxiliar a diversidade de espécies é fundamental no provimento de serviços ecológicos, como a insetivoria, por exemplo.

7
  • ALESSANDRA RODRIGUES SANTOS DE ANDRADE
  • Assembléia de opiliões (Arachnida: Opiliones) na Floresta Atlântica: distribuição, influência de fatores históricos/ambientais e substitutos de diversidade

  • Data: 31/05/2019
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  • Estudos sobre os padrões de distribuição das espécies e os mecanismos responsáveis por tais padrões na Floresta Atlântica são importantes para conhecer a história biogeográfica do bioma e determinar áreas para a conservação. Os opiliões são importantes para estudos biogrográficos e ecológicos, pois apresentam baixa capacidade de dispersão e são sensíveis à alterações ambientais. Contudo, poucos são os estudos que avaliam a distribuição desses organismos em gradientes ambientais. Nós investigamos a distribuição espacial dos opiliões em um gradiente latitudinal de Floresta Atlântica e os fatores históricos e ecológicos que podem explicar tais padrões. Para fins de inclusão de opiliões em programas de monitoramento, analisamos a utilização de cinco resoluções taxonômicas (gênero, família, subfamília, taxa indicadores e resolução intermediária) como substitutas da riqueza e composição de opiliões no gradiente estudado. Os estudo foi conduzido em 19 localidades de Floresta Atlântica distribuídas nos Estados da Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Os opiliões foram coletados através de duas técnicas de amostragem: coleta manual noturna e amostra de serrapilheira. Foram coletados 3.566 indivíduos distribuídos em 7 famílias, 26 gêneros e 88 espécies. A análise de cluster separou a assembléia em dois principais agrupamentos: “Pernambuco” e “ Bahia”. A composição de espécies apresentou estruturação espacial correlacionada com a distância geográfica (R² = 67.7 ; p<0.001) e foram encontradas diferenças composicionais entre o núcleo de congruência e a região máxima de endemismo da AE “Bahia” (F= 3.2; p < 0,001). As variáveis ambientais mais correlacionadas com o gradiente amostrado foram: latitude, altitude, cobertura da vegetação na paisagem e temperatura média do trimestre mais quente. Entretanto, os dois eixos do CCA explicaram pouco da variação encontrada (27.6%). A proporção do componente turnover (βSIM = 0.8804) foi maior do que o componente aninhamento (βSNE=0.0572). Gênero (R² =0.933; p < 0.001) e resolução intermediária (R² = 0.939; p<0.001) foram classificadas como excelentes substitutos para a riqueza de opiliões. Em relação SECRETARIA DAS PÓS-GRADUAÇÕES NÚCLEO DE APOIO TÉCNICO-EDUCACIONAL INSTITUTO DE BIOLOGIA – UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA Rua Barão de Geremoabo, s/n. Ondina – Salvador – Bahia – CEP. 40.170-000 Telefone: (71)3283-6519 à composição de espécies, resolução intermediária (média = 0,995; desvio padrão = 0,10), gênero (0,935±0,122), taxa indicadores (0,904±0,141) e subfamília (0,808±0,162) foram considerados excelentes substitutos. A baixa explicação das variáveis ambientais sobre a distribuição das espécies de opiliões, juntamente com a separação norte-sul da assembléia de opiliões no gradiente estudado e o elevado turnover observado, sugerem que fatores históricos (aparecimento de barreiras geográficas e refúgios pleistocêncios), assim como, mudanças na fitofisionomia do bioma ao longo do gradiente influenciaram a distribuição dos opiliões. As mudanças composicionais observadas ao longo do gradiente, com diversas localidades apresentando uma fauna característica, indicam a necessidade de planos de conservação que envolvam o maior número possível de reservas, garantindo a conservação de uma maior riqueza de opiliões. Indicamos, para fins de rápidos inventários e monitoramento da biodiversidade, a utilização de gênero e resolução intermediária como substitutos adequados de riqueza e composição de opiliões na Floresta Atlântica

2018
Dissertações
1
  • CHRISTIELLY MENDONÇA BORGES
  • CONTRAÇÃO DA DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA PLEISTOCÊNICA COMO UMA PREDITORA DO RISCO DE EXTINÇÃO EM MAMÍFEROS

  • Orientador : RICARDO DOBROVOLSKI
  • Data: 26/02/2018
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  • As mudanças climáticas são consideradas uma das principais ameaças a persistência da biodiversidade no futuro. Essa expectativa é derivada das respostas de espécies às mudanças climáticas do passado, como extinção e declínio populacional. Atualmente, as taxas de extinção de vertebrados estão muito mais altas do que o esperado pelas taxas de extinção de fundo. Mamíferos são um grupo preocupante com 25% de todas as espécies em categorias de ameaça à extinção. Características intrínsecas de mamíferos como tamanho corporal grande, tempo de geração longo, alto nível trófico e distribuição geográfica pequena são usualmente correlacionados com o risco de extinção de espécies. O tamanho da distribuição geográfica, particularmente, tem sido um dos mais importantes preditores de risco de extinção. No entanto, ainda há uma lacuna no conhecimento sobre o efeito da dinâmica temporal dessa e de como e por que a distribuição geográfica de espécies é pequena. Considerando que as espécies sobreviventes hoje já enfrentaram mudanças climáticas no passado, esse trabalho propõe que as mudanças da distribuição geográfica ocorrida entre o Último Glacial Máximo (UGM) e o presente podem contribuir para explicar o risco de extinção dos mamíferos atuais. Para obter a distribuição geográfica do presente e do UGM, modelamos o nicho ecológico para cada espécie de mamífero terrestre e usamos as categorias de ameaça da IUCN como indicador do risco de extinção. Construímos modelos lineares gerais de efeitos mistos para testar se variação na distribuição geográfica e na adequabilidade entre o UGM e o presente podem predizer as espécies listadas como ameaçadas de extinção. Encontramos que a contração de nicho Pleistocênico e a redução em adequabilidade são importantes preditores de risco de extinção em mamíferos pequenos e primatas e que a maioria das contrações aconteceram nos trópicos. Essa resposta negativa à mudança climática histórica acoplada com impactos antropogênicos recorrentes implicam um futuro preocupante essas espécies. 

2
  • LUCAS SANTANA REQUIÃO
  • Servir ou não servir: Análise das relações entre as funções e os serviços dos ecossistemas

  • Data: 28/03/2018
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  • A humanidade vem enfrentando diversos problemas advindos da degradação ambiental e como parte de tentativa de se combater essa degradação e suas consequências, cientistas e economistas ambientais iniciaram uma abordagem antropocêntrica para a conservação ambiental. Um dos expoentes dessa abordagem são os serviços ecossistêmicos (SE), que tem ganhado bastante relevância e se tornado uma peça central em tratados e programas internacionais para a conservação do meio ambiente e da biodiversidade (CBD, IPBES). A abordagem dos SE tem seus méritos, mas também tem seus problemas e uma das dificuldades encontradas no uso dos SE é entender a relação que existe entre as funções e os serviços dos ecossistemas e a biodiversidade. Essa relação tem sido estudada de diversas formas, porém tais estudos, por influência do antropocentrismo que caracteriza os SE, tem sido enviesado podendo deixar de lado aspectos ecológicos importantes. O objetivo dessa dissertação foi avaliar, através de uma revisão de literatura, como podem acontecer as relações entre os serviços e funções ecossistêmicas, a partir de uma perspectiva ecocêntrica. Da avaliação das relações entre serviços e funções ecossistêmicas foi encontrado que: o conceito dos SE baseado na busca de benefícios causa uma possível negligência de importantes funções que ocorrem num ecossistema, mas não são de interesse humano e também ignora o fato de que as funções ecossistêmicas podem ter relações negativas com os SE, levando a uma possível deterioração das interações que acontecem entre as diversas espécies, afetando o funcionamento dos ecossistemas e o fornecimento de serviços. Para ambos os casos a biodiversidade pode ser de grande valia, funcionando como uma espécie de garantia contra consequências imprevisíveis da abordagem dos SE.

3
  • IGOR ESTEFANI LOPES MACEDO
  • Relação entre a propagação e os parâmetros acústicos do canto de anúncio de Scinax cretatus e Scinax auratus.

  • Data: 29/03/2018
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  • Nesse estudo comparamos o canto de anúncio de duas espécies de pererecas-de-fucinho (Scinax auratus e Scinax cretatus) observando a relação entre os parâmetros acústicos e a propagação da vocalização em lagoas do Parque das Dunas, Salvador, estado da Bahia. As espécies foram gravadas em seus habitats naturais frequentando o mesmo tipo de sítio de canto, composto por uma vegetação aquática onde os indivíduos ficavam empoleirados. Foram observadas diferenças nas caracteristicas temporais e espectrais do canto das duas espécies quando comparadas ao estudo descritivo das mesmas, assim como ao longo das categorias de distâncias que variaram de 50 cm a 8m do indivíduo para o gravador. A espécie S. cretatus obteve diferenças significativas ao longo da propagação entre os parâmetros de Taxa de Repetição de Canto, Pico de Amplitude, Amplitude Máxima, e Frequência Máxima. Já S. auratus, obteve apenas em Pico de Amplitude. As espécies estudadas demonstraram sofrer bastante influência do tamanho do corpo e da temperatura ambiente. A Amplitude Máxima não sofreu influência do CRC e a temperatura não influenciou a Taxa de Canto nas análises de S. cretatus. Entretanto, S.auratus obteve influências fortes em todos os parâmetros medidos quando relacionados à temperatura e tamanho do corpo. Esses resultados sugerem alterações no canto da população local e uma relação inversa principalmente dos parâmetros espectrais com a distância percorrida pelo canto no ambiente e que essas variáveis possuem ainda fortes imposições morfológicas e ambientais. As alterações observadas no canto das espécies têm fortes implicações na propagação e no reconhecimento da fêmea, sendo importante entender esta relação para contribuir com o conhecimentos dos aspectos evolutivos e ecológicos da comunicação animal, bem como, em futuros estudos, monitorar as possíveis interferências acústicas da extensão do aeroporto de Salvador.

4
  • REJANE SANTOS DA SILVA
  • Biogeografia das ilhas da plataforma continental brasileira

  • Orientador : RICARDO DOBROVOLSKI
  • Data: 06/04/2018
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  • O modelo da Teoria de Biogeografia de Ilhas (TBI) propõe que a riqueza de espécies nas ilhas é determinada pelos processos de imigração e extinção, e controlados pelo grau de isolamento e tamanho das ilhas, respectivamente. A TBI têm favorecido estudos empíricos com diversos grupos taxonômicos e tipos de ilhas, demostrando o papel das características fisiográficas na diversidade insular. O Modelo Dinâmico Geral (MDG) incorpora os estágios de desenvolvimento das ilhas vulcânicas para explicar a diversidade de espécies nesses ambientes, produzindo um padrão unimodal da diversidade ao longo do tempo. Porém, as ilhas continentais surgem principalemtne das flutuações do nível do mar parecem responder diferente do que as ilhas vulcânicas devido os processos de relaxamento. Aqui, nós testamos como a área (km2), o isolamento geográfico (km) e a idade das ilhas desde o Último Glacial Máximo (UGM) determinam a riqueza de vertebrados terrestres nas ilhas de plataforma continental do Brasil. Nós acessamos informações de ocorrência de anfíbios, répteis e aves em 67 ilhas > 0.1 km2. Estimamos a idade das ilhas desde o seu isolamento nos últimos 21.000 anos ajustando a variação do nível do mar a um modelo espacial altimétrico da área de estudo. Nós aplicamos a seleção de modelos baseada no Critério de Informação de Akaike - AICc, usando sete diferentes modelos que explicam o padrão de riqueza das ilhas e incluímos a estrutura espacial aos modelos para resolver o problema da autocorrelação presente nos resíduos dos modelos. Investigamos também a relação espécie-área (ISAR) avaliando os parâmetros de intercepto (logC) e inclinação (z-valor) da reta para cada grupo taxonômico. As ilhas da plataforma continental brasileira foram isoladas do continente entre 13.700-7.400 anos atrás. A autocorrelação espacial influenciou a escolha dos modelos, mas não alterou a ordem da importância relativa das variáveis preditoras. O tamanho das ilhas influenciou positivamente a riqueza de espécies nas ilhas explicando 34-66% da variância no conjunto de dados. A área esteve presente em todos os modelos parcimoniosos, sendo a variável preditora mais importante definindo o padrão de riqueza dos vertebrados. O z-valor foi maior que o comumente observado na literatura e não observamos diferenças na capacidade de dispersão entre os grupos taxonômicos (z-valor = 0.383 ± 0.055 - 0.43 ± 0.064). O logC oscilou entre os voadores (logC = 0.936 ± 0.073) e não voadores (logC = 0.359 ± 0.081). O valor maior para os voadores pode representar o efeito da maior habilidade das espécies em dispersar sobre água aumentando o efeito resgaste. O isolamento geográfico e o tempo de isolamento afetaram os não-voadores, reduzindo o número de espécies nas ilhas. O isolamento geográfico foi responsável por reduzir as taxas de imigração nos não-voadores, reduzindo por consequencia número de espécies nas ilhas. A riqueza de espécies nas ilhas da plataforma continental brasileira é determinada principalmente pelos processos de extinção que são responsáveis por reduzir a riqueza de espécies em ilhas supersaturadas. Além disso, as espécies não-voadoras são esperadas por serem mais afetadas que as espécies voadoras.

5
  • ELIENAI ELISIA BASTOS MORAES
  • ESTRUTURA E COMPOSIÇÃO DAS ASSEMBLEIAS DE CRUSTÁCEOS EM ESTUÁRIOS OLIGOTRÓFICOS DA BAÍA DE CAMAMU – BA


  • Orientador : FRANCISCO KELMO OLIVEIRA DOS SANTOS
  • Data: 30/04/2018
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  • Nos sistemas estuarinos, as assembleias macrobênticas estão sujeitas a variabilidade de fatores ambientais, como: salinidade, oxigênio dissolvido, temperatura, sólidos dissolvidos, além de nutrientes, o quais podem influenciar estrutura, composição e distribuição desses organismos. Apesar de existirem muitos estudos descrevendo os padrões de estruturação dessas assembleias nos zona de entremarés o conhecimento acerca dos grupos de crustáceos o conhecimento ainda é incipiente, principalmente, em estuários oligotróficos, uma vez que, neste ambiente os organismos estão sujeitos apenas a dinâmica natural. No presente estudo, a assembleia de crustáceos foi analisada no complexo estuarino da Baía de Camamu (BC), Bahia, Brasil. Os crustáceos foram coletados nos estuários de Maraú (RMA), Sorojó (RMS) e Serinhaém (RME), ao longo do mesolitoral inferior nos meses de abril (estação chuvosa) e outubro (estação seca) dos anos de 2013-2014, onde foram conjuntamente registrados variáveis físico-químicas e a presença de nutrientes, a fim de obter o melhor descritor das assembleias amostradas. Os resultados demonstram que a área estudada é complexo estuarino conservado e relativamente estável. A análise das concentrações de macro e micronutrientes (Na, K, Mg, Ca, P, Al, V, B, Fe, Mn, Cu, Zn, Si, Cr, Cd e Pb) revelaram que a área de estudo é um ambiente oligotrófico. O total de sólidos dissolvidos e percentagem oxigênio dissolvido apresentaram correlação positiva, representando um aspecto positivo para este tipo de ambiente. A carcinofauna é diversa, rica e equitativa. Onde foram coletados 1694 indivíduos, distribuídos em 83 gêneros e 141 espécies oriundos dos três estuários amostrados. Os resultados apresentaram um padrão similar de estrutura e composição das assembleias de crustáceos nos três estuários estudados ao longo do período amostrado, onde o fósforo foi a variável mais importante que melhor explicou a estruturação observada. Este foi o primeiro estudo que abordou a oligotrofia em habitat mesolitoral tropical em três sistemas estuarinos. Faz-se necessário a realização de estudos posteriores que contemplem outros estuários oligotróficos, considerando o gradiente estuarino e o mesolitoral inferior, bem como estudos comparativos que avaliem as interações biológicas e as compare com estuários eutróficos.

Teses
1
  • ALINE GONZALEZ EGRES
  • Perturbações por hidrocarbonetos policíclicos aromáticos sobre a estrutura taxonômica e funcional das assembleias bentônicas estuarinas na Baía de Todos os Santos

  • Orientador : FRANCISCO CARLOS ROCHA DE BARROS JUNIOR
  • Data: 16/08/2018
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  • As atividades antrópicas desenvolvidas nos ambientes marinhos são as maiores fontes de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs). Esta classe de compostos orgânicos faz parte da composição química do petróleo, e possui especial atenção devido ao seus efeitos tóxicos e mutagênicos sobre a fauna marinha. Diferentes tipos de eventos envolvendo HPAs têm resultado na exposição pontual (e.g. incidentes com embarcações) ou prolongada (e.g. resíduos de indústrias petroquímicas) sobre os ambientes estuarinos, resultando em cenários de contaminação de grande persistência sobre as assembleias bentônicas. As avaliações sobre os efeitos dos HPAs têm sido baseadas na abordagem taxonômica. No entanto, essa abordagem é inadequada para investigar as consequências ecológicas sobre a estrutura funcional da fauna. A abordagem indicada é a Análise dos Traços Biológicos, a qual reúne informações sobre as características morfológicas e ecológicas das espécies presentes nas assembleias, indicando os aspectos da sua ecologia funcional. Nesse contexto, a partir de uma abordagem mensurativa, a presente tese investigou a influência de uma grande indústria petroquímica situada no entorno da Baía de Todos os Santos (Salvador, Bahia) sobre a estrutura taxonômica e funcional de nematodas e da macrofauna. Baseado na análise de particionamento da variância foi testado que as concentrações de HPAs e/ou a proximidade espacial com a refinaria explicaria parte da variabilidade encontrada. Também foi avaliado, a partir de uma abordagem experimental in situ, os efeitos de curto prazo de um derrame de óleo diesel entre assembleias de nematodas e macrobentos próximas e distantes à refinaria. A hipótese testada foi que assembleias expostas as perturbações por óleo por décadas exibiriam uma maior resistência comparadas as assembleias não expostas. Neste experimento, um delineamento MBACI (multivariate before and after/control and impact design) foi conduzido onde tratamentos expostos ao óleo foram comparados com os controles, dois tempos antes e dois tempos após o derrame. A abordagem mensurativa desenvolvida, mostrou que uma grande fração da variação funcional e taxonômica das assembleias foram explicadas pela interação entre local (i.e., proximidade com a refinaria de óleo) e características do sedimento. O mesmo foi observado para a interação relativamente baixa, porém significativa, observadas para as concentrações de HPAs e as características do sedimento. As assembleias de nematodas mostraram serem mais sensíveis às concentrações de HPAs, proximidade com a refinaria de óleo e com as características do sedimento. Além disso, as espécies de nematodas permitiram maiores inferências mecanisticas em relação a analise funcional, i.e., se um padrão particular é uma resposta impulsionada pelas variáveis ambientais e/ou um efeito das perturbações geradas pelas atividades da refinaria. Em relação a abordagem experimental, as assembleias macrobentônicas foram resistentes ao derrame de óleo, expressa pela ausência de variações significativas na estrutura taxonômica e funcional, independente do histórico de perturbação. Diferenças significativas foram observadas sobre as assembleias de nematodas, especificamente em uma das áreas sem histórico de exposição por HPAs. Nesta área, a fauna apresentou uma queda na densidade geral após o derrame experimental e não se recuperou até o final do experimento (em torno de cinco dias depois). Considerando as escalas temporais e espaciais usadas, o efeito do óleo não causou variações significativas na composição dos traços funcionais. Outros experimentos devem ser desenvolvidos para investigar quais as escalas apropriadas e quais as combinações de traços podem ser afetadas por eventos de derrame de óleo.

2017
Dissertações
1
  • ARSINOÊ CRISTINA PERTILE
  • Avaliação do impacto do controle químico na ecologia da população de Rattus norvegicus de uma comunidade urbana de Salvador-BA

  • Orientador : FEDERICO COSTA
  • Data: 23/03/2017
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  • A urbanização têm favorecido o estabelecimento de espécies oportunistas, como o roedor sinantrópico Rattus norvegicus. A presença deste roedor em ambientes urbanos gera altos custos profiláticos e de controle, em função dos prejuízos à saúde humana, como pela transmissão ambiental da espiroqueta patogênica Leptospira interrogans. Uma das principais estratégias do Ministério da Saúde para prevenir a leptospirose é controlar roedores reservatórios, e, o controle químico é o método mais utilizado para eliminá-los em larga escala. Este estudo teve como objetivo avaliar as diferenças em características populacionais de R. norvegicus após uma campanha de controle químico, analisando abundância relativa, estrutura de sexo, massa corporal e idade da população, e, consequentemente, a efetividade do programa de controle. Este estudo foi realizado no bairro de Pau da Lima, Salvador-Bahia, Brasil, onde foram capturados indivíduos de R. norvegicus sistematicamente antes (out-dez 2014) e após (nov-dez 2015 e abr-mai 2016) uma campanha de controle químico. Durante a intervenção química, foram visitados 939 domicílios em 2 vales da área de estudo.  Na campanha pré-intervenção, foi realizado um esforço de captura de 310 armadilhas/noite que resultaram em 43 ratos capturados, e, na campanha pós-intervenção foi realizado um esforço de 312 armadilhas/noite resultando em 47 ratos capturados e 324 armadilhas/ noite com 36 ratos capturados . Utilizamos um índice de sucesso de captura para estimar a abundância relativa, também usamos testes de Anova para comparar médias de idade, massa corporal, número de embriões e idade de fêmeas grávidas, e, testes binomiais para verificar se a proporção sexual variou de 1: 1 entre as campanhas e se a variação entre as proporções de infestação foi significativa. Os resultados demonstraram que não houve diferença no sucesso de captura e nas características demográficas da população de roedores antes e depois da intervenção. Estes resultados sugerem que a campanha analisada não foi efetiva para alterar a população de R. norvegicus, e evidenciam a necessidade de  reavaliação das práticas de controle de roedores.

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  • FERNANDA LEAL LORDERS
  • PREDAÇÃO DE ESPONJAS POR PEIXES RECIFAIS EM UM SISTEMA CORALÍNEO DO ATLÂNTICO SUL: EFEITOS SOBRE A ESTRUTURA DE ASSEMBLEIAS, ATIVIDADE DE FORRAGEIO E INTERAÇÕES COM CORAIS CONSTRUTORES

  • Orientador : FRANCISCO CARLOS ROCHA DE BARROS JUNIOR
  • Data: 24/03/2017
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  • A relação entre predadores e presas é um importante processo ecológico que regula o fluxo de energia e matéria de diversas teias alimentares, sendo proposto como um dos principais mecanismos reguladores da composição e da estrutura de assembleias biológicas em nível local.  Em recifes de corais do Caribe, recentes evidências mostraram que o controle de topo por peixes recifais (e.g. Pomacanthus arcuatusPomacanthus paru e Holacanthus ciliaris) regula assembleias de esponjas. Além disso, a predação pode evitar a exclusão competitiva de competidores superiores pelo controle de suas abundâncias no substrato que é recurso limitado para as espécies bentônicas recifais. As esponjas são consideradas um grupo competidor superior na aquisição de espaço, devido a reconhecidas estratégias de defesa (física e química), se comparadas aos corais hermatípicos (construtores de recife). Dessa forma, as esponjas podem afetar o processo de recrutamento e crescimento de corais, comprometendo importantes processos ecológicos. Alternativamente, impactos negativos da competição de esponjas sobre corais têm sido atenuados por efeitos indiretos da predação por peixes sobre as esponjas em recifes de corais de alta diversidade. Entretanto, essas relações não têm sido avaliadas no Atlântico Sul, importante região com alto endemismo e baixa diversidade relativa. Assim, o presente estudo investigou a influencia de peixes predadores sobre a estrutura das assembleias de esponjas de recifes de corais na Baía de Todos os santos, Bahia, Brasil. Foi investigada se existe uma relação negativa entre a cobertura de esponjas e a densidade de peixes espongívoros. Adicionalmente, foi avaliada a atividade de forrageio para investigar se existe seleção de esponjas por peixes espongívoros e para acessar o efeito da espongivoria sobre interações competitivas entre esponjas e corais hermatípicos. Os resultados do estudo mostraram que peixes predadores não controlam as assembleias de esponjas nos recifes de corais estudados. Entretanto, houve uma relação significativa entre a cobertura de Scopalina ruetzleri e a densidade de Pomacanthus arcuatus, sugerindo que o controle predador-presa pode ocorrer ao nível de espécie, mas não ao nível de assembleia. Os espongívoros selecionaram Desmapsamma anchorataScopalina ruetzleri, Aplysina cauliformis eNiphates erecta, espécies de esponjas que são consideradas na literatura como palatáveis ou não toleradas pelos predadores. Além disso, o aumento da densidade de peixes espongívoros não refletiu na diminuição do número de encontros naturais entre esponjas e corais hermatípicos. Assim, sugerimos que o efeito da predação por peixes sobre as interações com corais hermatípicos e sobre a cobertura de esponjas pode ser considerada fraco nos recifes de corais do Atlântico Sul. Possivelmente, a combinação de fatores naturais (e.g. sedimentação) e estressores antrópicos locais (poluição e pesca) na Baía de Todos os Santos podem explicar os padrões encontrados. Assim, recomenda-se um maior controle dos impactos locais, como pesca e poluição, por meio da implementação de planos de manejo de área marinha protegida já existente na região e da reavaliação de cotas para retirada de peixes para fins ornamentais  previamente estabelecidas no país.  A proteção efetiva de áreas marinhas pode potencialmente alterar as interações entre peixes e esponjas e indiretamente nas interações com corais hermatípicos, influenciando a integridade e o funcionamento dos recifes de corais.

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  • VANESSA LESSA AZEVEDO
  • MAPEANDO A SENSIBILIDADE DE MORCEGOS A PARQUES EÓLICOS NO BRASIL

  • Orientador : RICARDO DOBROVOLSKI
  • Data: 04/04/2017
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  • A alta mortalidade de morcegos advinda de impactos em parques eólicos tem gerado preocupação em todo o mundo. Esse fenômeno pode ser ainda mais grave em um país megadiverso e com importantes lacunas de conhecimento como o Brasil. A fim de criar uma ferramenta que auxilie na redução desse conflito, nós geramos um mapa da sensibilidade de morcegos aos impactos advindos da implantação de parques eólicos e avaliamos as áreas de conflito no cenário atual e de expansão desse setor. Para isso, realizamos uma modelagem dedutiva de adequabilidade de hábitat que permitiu refinar a informação sobre a distribuição desses animais no país, e analisamos atributos funcionais e características da paisagem que são relacionados com o risco de impacto desses empreendimentos. Além disso, sobrepomos o mapeamento de sensibilidade com a localização dos parques eólicos presentes no país e com as áreas de potencial eólico. Nossos resultados demonstraram que a região da Caatinga merece especial atenção no cenário atual, tendo em vista que dentre as áreas avaliadas, esse bioma foi o que apresentou maior conflito no cenário atual relacionado aos locais com empreendimentos eólicos. Em relação à avaliação do risco no cenário de expansão, observamos, por meio de uma correlação espacial entre o mapeamento da sensibilidade e as áreas de potencial eólico no país, encontramos uma correlação negativa, demonstrando que não existe um conflito conservação, já que as áreas que apresentaram maior sensibilidade, não são os locais que possuem maior potencial eólico, a exemplo da região Norte que demonstrou ser a mais a sensível, porém não apresenta elevado potencial para a produção eólica. Dentre as áreas de conflito encontramos que 0,5% das áreas avaliadas representam locais com alta sensibilidade e com alto potencial eólico. Com base nesse resultado, sugerimos que é possível expandir o setor sem gerar grandes risco para os morcegos do país se houver um planejamento adequado dessa expansão. Além disso, nosso estudo indica áreas que necessitam de mais atenção, e consequente rigorosidade nos critérios de licenciamento para futuros empreendimentos.

Teses
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  • LOURIANNE MANGUEIRA FREITAS SANTOS
  • Fotossíntese e bioconstrução das cincos espécies de corais mais representativas nos recifes dos Abrolhos (BA), Brasil

  • Orientador : RUY KENJI PAPA DE KIKUCHI
  • Data: 15/05/2017
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  •  Os recifes de corais são um dos ecossistemas mais importantes do ponto de vista biológico e econômico do planeta, oferecendo bens e serviços ecossistêmicos como proteção costeira, biodiversidade, materiais de construção, compostos bioquímicos, turismo e pesca. Todos esses bens e serviços ecológicos têm sido mantidos graças a uma estrutura tridimensional, os recifes de coral, construído por organismos bioconstrutores. A forma de crescimento e hábito dos bioconstrutores definem o volume e a rigidez dos recifes de corais. Por exemplo, bioconstructures com formas de crescimento do tipo ereta, maciça, ramificadas irão alterar a complexidade estrutural dos recifes. O crescimento de corais (ou calcificação) é descrito como um processo "biologicamente controlado" e "dependente da fotossíntese" devido a ser restringido a um ambiente delimitado, e por usar uma estrutura de matriz orgânica presente no holobionte (coral-alga) e, também, por depender dos produtos da fotossíntese. Estas algas, dinoflageladas do gênero Symbiodinium (comumente referidas como zooxanthellae), mantém uma relação simbiótica com espécies de corais, e são a razão pela qual os recifes de corais se desenvolvem na região dos trópicos Os recifes de corais brasileiros, pertencentes a região do Atlântico Oeste, são destacados destacam-se pelo Banco dos Abrolhos que contém os recifes de corais mais diversos e desenvolvidos do Oceano Atlântico Sul. Os recifes dos Abrolhos destacam-se dos demais recifes brasileiros devido à sua estrutura, a forma de crescimento semelhante a um cogumelo (Chapeirão), o alto endemismo, a baixa diversidade da fauna de corais e ao modelo de deposição de sedimento, que varia entre os recifes costeiros e ao largo da costa. Esta característica estabeleceu um padrão na comunidade de corais ao longo dos recifes devido à diferença na turbidez e consequentemente a disponibilidade de luz que atinge os recifes. A disponibilidade de luz varia em função da profundidade e da concentração do material em suspensão, assim, uma vez   que   os   corais   dependem   da   luz   refratada   para   realizar   a   fotossíntese   e, consequentemente, realizar o processo de calcificação, diferenças na comunidade de corais são esperadas. Durante sete anos consecutivos (2010-2016), recifes costeiros e ao largo da costa do banco dos Abrolhos foram avaliados através do protocolo AGRRA. Os dados do AGRRA foram utilizados para estimar o valor de bioconstrução das cinco principais espécies de corais encontradas em Abrolhos: Mussismilia braziliensis, M. hispida, M. harttii, Montastraea cavernosa e Siderastrea stellata. Além dos dados do AGGRA um experimento de campo avaliou a função metabólica de Mussismilia braziliensis, M. hispida, Montastraea cavernosa and Siderastrea stellata.   Os nossos resultados apontam uma alta variabilidade no valor de bioconstrução entre as espécies estudadas, e também entre os recifes analisados. Houve também diferença na produtividade bruta diária e assinatura fotossintética entre espécies. Os resultados mostram que M. braziliensis tem um desempenho metabólico superior às demais espécies estudadas. No entanto, uma observação pertinente é o papel secundário de M. cavernosa e S. stellata   na construção de alguns recifes. Devido a ser uma espécie resistente a taxas elevadas de sedimentação, e por ser adaptada a um ambiente de luz reduzida M. cavernosa tem assumido um papel secundário no desenvolvimento das áreas mais sombreadas dos recifes costeiros, e Mussismilia harttii demonstrou ser a espécie mais frequente dos recifes costeiros, junto a M. braziliensis. Além disso, a espécie S. Stellata, que também possui alta tolerância a estresse ambientais, juntamente com M. braziliensis contribuem para o desenvolvimento dos recifes do Parcel dos Abrolhos (PAB). Assim sendo, a causa subjacente do domínio de M. braziliensis é sua resistência a elevada taxa de sedimentação, e principalmente devido aos seus simbiontes, Symbiodinium clado A4 e C3, que possuem características que conferem a espécie M. braziliensis uma vantagem competitiva em condições de alta turbidez e alta irradiância.

2014
Dissertações
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  • RICARDO JESSOUROUN DE MIRANDA
  • Efeitos do coral invasor Tubastraea tagusensis sobre espécies de corais nativos e sobre as assembleias bentônicas de um recife de coral do Atlântico Sul Ocidental

  • Orientador : FRANCISCO CARLOS ROCHA DE BARROS JUNIOR
  • Data: 14/04/2014
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  • A bioinvasão é uma das principais causas de perda da biodiversidade e tem trazido impacto econômico e social em diversas partes do planeta. As espécies invasoras podem competir por recursos e reduzir a abundância de espécies nativas o que pode alterar a estrutura de comunidades biológicas nativas. O coral-sol Tubastraea spp. oriundo do Indo-Pacífico foi introduzido no Atlântico na década de 40. No Brasil, o primeiro registro foi feito na década de 80, e atualmente, no sudeste do Brasil, o coral-sol é considerado uma espécie invasora capaz de competir e matar espécies nativas e alterar a estrutura de comunidades bentônicas nativas. Recentemente, foi encontrado o coral-sol nos recifes de corais da Baía de Todos os Santos, Bahia, sendo este o primeiro registro desse invasor nos recifes de corais do Atlântico Sul ocidental. Contudo, os efeitos desse coral invasor nas comunidades de recifes de corais nunca foram de fato avaliados. Os recifes de corais são ambientes complexos e biodiversos nos quais o espaço é um recurso limitado para as espécies bentônicas, o que pode reduzir a susceptibilidade aos efeitos da invasão devido ao grande número de competidores. Nós estudamos interações diretas entre o coral-sol Tubastraea tagusensis e duas espécies abundantes de corais nativos bem como os efeitos dessa espécie invasora na estrutura da comunidade bentônica de um recife de coral na costa leste da Ilha de Itaparica, Baía de Todos os Santos. As espécies de corais nativos, Siderastrea stellata e Montastrea cavernosa, sofreram necrose tecidual com cinco dias de contato sem causar danos ao coral invasor e, após 60 dias de contato foi observado um aumento significativo da mortalidade S. stellata. Nós também encontramos menores abundancias de duas espécies de corais nativos (Mussismilia hispida e Madracis decatis) na zona recifal invadida quando comparada com duas zonas não invadidas. Além disso, a estrutura das assembleias dos grupos macrobentônicos (e.g. corais hermatípicos e algas filamentosas) também mostrou diferença no padrão cobertura entre as zonas invadidas e não invadidas. Portanto, os ecossistemas recifais da costa brasileira podem estar seriamente ameaçados. Nós recomendamos ações de controle e monitoramento de longo prazo para minimizar a expansão desse invasor na região nordeste do Brasil

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