Dissertações/Teses

Clique aqui para acessar os arquivos diretamente da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFBA

2020
Dissertações
1
  • TEOFANES DE ASSIS SANTOS
  • Itinerários terapêuticos de pessoas com câncer colorretal em tempos de medicina personalizada: Um estudo sobre o acesso e tratamento da doença em Salvador- BA

  • Orientador : JORGE ALBERTO BERNSTEIN IRIART
  • Data: 27/02/2020
  • Mostrar Resumo
  • O câncer colorretal (CCR) é o 3º tipo de neoplasia mais comum no Brasil. A estimativa de novos casos de câncer colorretal para o ano de 2019 é de 36.360, segundo o Instituto do Câncer (INCA). Este tipo de neoplasia é mais incidente em pessoas com idade acima dos 50 anos, razão pela qual a recomendação para o rastreamento clínico se dá a partir dessa idade. O tratamento do CCR que até a década de 90 era unicamente cirúrgico tem mudado a partir da incorporação de novas biotecnologias e abordagens clínicas, como a Medicina Personalizada ou de Precisão. Nesse sentido, esse estudo teve como objetivo analisar os itinerários terapêuticos de pessoas com câncer colorretal cujos tratamentos estão sendo realizados em centros oncológicos públicos, privados do município de Salvador, buscando identificar as principais dificuldades/facilidades para acessar o diagnóstico e o tratamento incluindo o acesso às novas tecnologias genômicas. Nesse estudo qualitativo foram realizadas entrevistas semiestruturadas com dez participantes, sendo cinco usuários do serviço público e cinco de em serviço privado considerado de excelência na Bahia. Foi utilizada a técnica de análise de conteúdo temático de Bardin. Os resultados apontam que, embora as tecnologias para o diagnóstico e tratamento do câncer colorretal tenham evoluído, os usuários do serviço público têm dificuldades básicas que os fazem peregrinar para acessar recursos essenciais em saúde, em contraposição a agilidade encontrada pelos usuários da rede privada. As principais dificuldades encontradas pelos usuários do sistema público de saúde para o diagnóstico e tratamento estão relacionadas ao transporte, alimentação, acesso a médicos especialistas e a exames complementares. Os resultados indicam que a presença de mediadores e redes sociais bem consolidadas, formadas por familiares, amigos e vizinhos são importantes para o enfrentamento das situações adversas nos processos de busca por cuidado e como forma de minimizar e de resistir às dificuldades e vulnerabilidades entre aqueles pertencentes aos grupos sociais menos favorecidos. O diagnóstico de CCR se caracterizou como um momento disruptivo nas biografias dos participantes do estudo, independente do tipo de inserção nos serviços de saúde, no entanto, sua associação imediata com o sofrimento foi mais presentes entre os usuários da rede pública. O afastamento do trabalho foi a principal ruptura observada nas trajetórias dos participantes desse estudo. Mudanças corporais, nos padrões alimentares e das necessidades biológicas contribuíram para o aumento do isolamento e a elaboração de estratégias que evitassem situações de estigma social. O processo de escolha do tratamento foi marcado por decisões complexas relacionadas não somente com a dimensão material, mas também àquelas relacionadas com os valores e crenças tecidas na interação individual-coletiva.

2
  • FABIANA ALMERINDA GONÇALVES PALMA
  • CONHECIMENTO, ATITUDES E PRÁTICAS ASSOCIADOS À TRANSMISSÃO POR LEPTOSPIRA EM RESIDENTES DE UMA COMUNIDADE URBANA DE SALVADOR-BAHIA

  • Orientador : FEDERICO COSTA
  • Data: 28/02/2020
  • Mostrar Resumo
  • Introdução: A leptospirose é uma doença multifatorial, negligenciada e afeta, principalmente, populações em contextos de vulnerabilidade social. Não existem estudos que tenham estabelecido uma associação entre conhecimento, atitudes e práticas (CAP) com à transmissão da Leptospira entre os residentes de comunidades urbanas de baixa renda. Assim, é necessário compreender se essas dimensões impactam no risco da transmissão para subsidiar intervenções de prevenção da leptospirose urbana. Objetivo: Analisar às dimensões do CAP associadas à transmissão pela Leptospira entre residentes de uma comunidade urbana de Salvador-Bahia. Metodologia: Foi realizado um estudo transversal de base comunitária com 248 participantes residentes da comunidade de Marechal Rondon, conduzido de abril a junho de 2019 e usando questionário validado. Análises foram realizadas para caracterizar o CAP dos participantes e verificar sua associação com a presença de anticorpos contra a Leptospira através de teste qui-quadrado e posterior análise de regressão logística. Resultados: Um total de 157 (63,3%) participantes do sexo feminino e 91 (36,7%) do sexo masculino, maioria com idade > 40 anos foram entrevistados. A evidência sorológica de infecção prévia pela Leptospira foi 11,7% na população do estudo. A maioria dos participantes apresentou níveis satisfatórios de conhecimento 203 (82,5%), de atitudes 238 (96,0%) e das práticas 244 (98,4%) de prevenção sobre a leptospirose. O conhecimento insatisfatório (OR: 3,8, IC95%:1,47 – 9,68) e as práticas insatisfatórias de prevenção da doença (OR: 22,4, IC95%: 2,22 – 225,40) estiveram independentemente associados a presença de anticorpos contra a Leptospira, em um modelo em que também manteve as variáveis idade > 40 anos (OR: 4,9, IC95%:1,68 – 14,08) e o contato com água de esgoto nos últimos doze meses (OR: 2,6, IC95%:1,02 –6,63). Conclusão: A maioria dos participantes apresentou conhecimento, atitudes e práticas de prevenção satisfatórias e o conhecimento e as práticas de prevenção insatisfatórias estiveram associadas a maior chance de infecção. Nossos achados sugerem, que ações futuras de prevenção e controle da leptospirose devem priorizar dois tipos de intervenções. Intervenções dirigidas as deficiências do conhecimento sobre o agente etiológico, os modos de transmissão, sinais e sintomas, complicações e práticas de prevenção da leptospirose, contemplando os grupos mais expostos através de ações de educação em saúde participativa, que visem o empoderamento comunitário e sejam condizentes com a realidade local. Intervenções dirigidas, a reduzir os problemas na infraestrutura deficiente das comunidades que limitam às práticas de prevenção adequadas.

3
  • FERNANDA SILVA SCHER
  • INSERÇÃO DOS SANITARISTAS EGRESSOS DA GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA NO MUNDO DO TRABALHO

  • Orientador : ISABELA CARDOSO DE MATOS PINTO
  • Data: 04/03/2020
  • Mostrar Resumo
  • O mundo do trabalho está sendo transformado de modo significativo, alterando, inclusive, os objetos de trabalho e forma de inserção profissional dos trabalhadores. A Graduação em Saúde Coletiva completou uma década de existência no cenário brasileiro e tem enfrentado desafios no que tange a inserção dos seus egressos. Neste estudo foram investigados 244 bacharéis em saúde coletiva de todo o Brasil, de modo a compreender como vem se dando sua inserção profissional, quais são as principais áreas de atuação, faixa salarial, vínculo e outros aspectos do perfil do egresso inserido no mercado de trabalho. Para a produção dos dados os sanitaristas responderam a um questionário auto aplicado, enviado por e-mail e redes sociais. A análise dos dados aponta que a maioria dos egressos está inserida profissionalmente, dentro da sua área de formação (45%). A área da gestão da saúde é a mais ocupada pelos sanitaristas. A renda individual dos egressos varia em sua maioria de 2 a três salários mínimos.

4
  • ANA CAROLINE CALDAS DE ALMEIDA
  • FATORES DE RISCO PARA ESCORPIONISMO FATAL EM CRIANÇAS BRASILEIRAS

  • Data: 09/03/2020
  • Mostrar Resumo
  • Introdução. Escorpionismo é o envenenamento por escorpião. A evolução do escorpionismo para óbito associa-se ao táxon do escorpião, menor idade do paciente, atraso para início da assistência e qualidade do tratamento soroterápico. Objetivo. Este estudo buscou identificar fatores de risco para o escorpionismo em crianças brasileiras. Métodos. Estudo de caso-controle com casos de envenenamento por escorpião (CID X-22) de crianças de até 10 anos, notificados ao Sistema de Informação de Notificação de Agravos (SINAN), entre 1° de janeiro de 2007 e 18 de julho de 2016. Os casos corresponderam a todos os óbitos por escorpionismo ocorridos no período; os controles foram aleatoriamente selecionados dentre os que não evoluíram para óbito, na razão de quatro controles para cada caso. Os fatores de risco investigados foram: sexo, idade, grupo étnico, zona de ocorrência, tempo decorrido entre o acidente e a chegada ao serviço de saúde, unidade de atendimento e tratamento soroterápico (variável que combinou se o tipo de soro era adequado ou inadequado com o número de ampolas de soro utilizadas). Foram incluídos apenas casos e controles com informações completas para todas as variáveis investigadas. Os fatores associados ao óbito por escorpionismo em crianças foram identificados com técnicas de análise de regressão logística bivariada e multivariada, com uso do programa estatístico STATA 12.0. Resultados. Foram investigados 254 óbitos por escorpionismo fatal e 1.083 controles. Após ajustamento do modelo final, os fatores de risco para o escorpionismo fatal em crianças foram: idade ≤5 anos (OR=1,6), ocorrência em zona não urbana (OR=2,0), tempo entre o acidente até a chegada ao serviço de saúde ≥3 horas (OR=3,0), tratamento soroterápico com soro adequado e número excessivo de ampolas (OR=2,2), soro adequado e número insuficiente de ampolas (OR=6,9), soro inadequado (OR=5,7) e sem uso de soro (OR=5,3). Soroterapia não foi utilizada em 9,4% dos 254 pacientes que morreram. A efetividade do tratamento soroterápico em impedir a evolução fatal foi de 70,0% e de 77,0%, quando o paciente chegou ao serviço de saúde em menos de 3 horas após a ocorrência do agravo. A efetividade do tratamento foi de 66,0% nos pacientes de 0 a 2 anos, 67,0% nos de 3 a 5 anos, 74,0% nos de 6 a 8 anos e 75,0% nos de 9 a 10 anos. Conclusão. O escorpionismo fatal em crianças associou-se a fatores de risco que revelam problemas no acesso ao serviço de saúde, como ocorrência em zona não urbana e chegada precoce (<3 horas) ao serviço de saúde, baixa qualidade do tratamento soroterápico prestado e idade mais jovem da criança. A efetividade do tratamento soroterápico foi maior em crianças mais velhas e naquelas que chegaram precocemente ao serviço de saúde.

5
  • LUCAS MONTEIRO SANTOS
  • Associação entre Programas de Transferência de Renda e o desenvolvimento cognitivo de crianças com a Síndrome Congênita associada ao vírus Zika

  • Orientador : LETICIA MARQUES DOS SANTOS
  • Data: 20/03/2020
  • Mostrar Resumo
  • A Síndrome Congênita associada ao vírus Zika compõe uma série de alterações neuroanatômicas que afetam crianças cujas mães tenham sido infectadas durante a gestação. Provocando diversas alterações estruturais no Sistema Nervoso Central, presume-se que a Síndrome possa ocasionar efeitos devastadores ao desenvolvimento da função cognitiva durante a primeira infância. Diversos elementos estão ligados ao desenvolvimento cognitivo na primeira infância e dentre eles um dos mais importantes é a renda, que pode estar associada com a estimulação no ambiente domiciliar. Houve nas últimas décadas queda significativa na desigualdade social e aumento na renda média da população que, dentre outros fatores, foram impactados pelos Programas de Transferência de Renda, como o Programa Bolsa Família (PBF) e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A população afetada pelo vírus Zika foi, em sua maioria, de pessoas vivendo em situação de vulnerabilidade e supõe-se que a dupla carga de pobreza a que essa população está exposta afete negativamente o desenvolvimento da função cognitiva, que pode ser amenizada através da concessão de Programas de Transferência de Renda. Objetivo: Avaliar a associação entre programas de transferência de renda, características socioeconômicas da família e do ambiente domiciliar com o desenvolvimento cognitivo na primeira infância em crianças de Salvador/BA que nasceram com a Síndrome Congênita associada ao vírus Zika. Métodos: Estudo exploratório de tipo transversal aninhado a uma coorte prospectiva que avalia o desenvolvimento de crianças que nasceram em Salvador, Bahia durante a epidemia do vírus Zika. Foram avaliadas durante a linha de base 147 crianças cujas mães tinham sorologia negativa para STORCH e confirmadas para a Síndrome Congênita do vírus Zika segundo os critérios adotados pelo Ministério da Saúde, em investigação conduzida pelo serviço de vigilância epidemiológica de Salvador. Foram avaliadas características socioeconômicas dos cuidadores e das famílias, a qualidade da estimulação no ambiente domiciliar através do inventário HOME e o desempenho cognitivo através da escala Bayley-III. Foram realizadas análises descritivas, bivariadas e multivariadas para explorar as variáveis associadas ao desempenho cognitivo. Resultados: Observou-se que 71,4% das crianças apresentavam o desempenho cognitivo abaixo do esperado para a idade. Além disso, apenas 50,3% das crianças eram beneficiárias do BPC e 30,6% participavam do PBF. No modelo multivariado observou-se associações estatisticamente significantes com o desempenho cognitivo para as o trabalho do cuidador (OR 4,53 IC95% 1,05 – 19,4) e para o PBF (OR 12,01 IC95% 2,13 – 68,7) dentre as crianças que não recebiam o BPC. Não se encontrou associação entre as variáveis de estímulo no ambiente domiciliar com o desempenho cognitivo. Na análise bivariada, identificaram-se diferenças estatisticamente significantes entre o desempenho cognitivo e o BPC (p<0,000), o PBF (p<0,000), o trabalho da cuidadora (p<0,003) e para a renda familiar (p<0,001). Foram realizadas novas análises bivariadas entre o BPC e as variáveis socioeconômicas e do ambiente domiciliar. Notou-se associação para o trabalho da cuidadora (p<0,000) e renda familiar (p<0,000), mostram que há diferenças entre os grupos que recebem e que não recebem o BPC. Conclusões: Programas de transferência de renda podem contribuir para o desenvolvimento da função cognitiva na primeira infância de crianças com a SCZV. Os resultados podem contribuir com o fortalecimento de políticas públicas voltadas para a proteção social, especialmente para aqueles com deficiência múltipla.

6
  • ROMINA MARGARITA HAMUI
  • Retardos na atenção hospitalar e complicações do aborto: um estudo de usuárias do sistema público de saúde no nordeste brasileiro

  • Data: 27/03/2020
  • Mostrar Resumo
  • Introdução: O aborto expressa as iniquidades presentes nas populações, principalmente em contextos onde sua prática é criminalizada. As complicações do aborto como causa de morte são menos frequentes do que outras causas obstétricas, mas quando presentes são mais letais. Tanto o retardo na procura de atendimento quanto a demora em receber tratamento adequado e oportuno têm se destacado como fatores determinantes na evolução de eventos negativos à saúde. No presente estudo pretendeu-se analisar este último retardo, e sua associação com a ocorrência de complicações decorrentes do aborto.
    Métodos: Este estudo se insere na pesquisa GravSus.NE, estudo multicêntrico realizado em três cidades do Nordeste brasileiro: Salvador, Recife e São Luís, entre agosto e dezembro de 2010, avaliando todas as mulheres maiores de 18 anos internadas em situação de abortamento em 19 maternidades públicas. Os dados foram produzidos por meio de entrevistas e extração de dados dos prontuários hospitalares. Procedeu-se a análises descritivas, estratificadas e multivariadas; assim como o cálculo do Índice de Youden para estabelecer o retardo. Foram avaliados dois modelos, um reunindo todas as mulheres e outro contemplando somente aquelas que chegaram em boas condições de saúde, com o intuito de evidenciar as complicações ocorridas durante sua permanência nas unidades de hospitalares e fatores associados.
    Resultados: Um total de 2371 mulheres foram incluídas neste estudo. A maior parte delas tinha menos de 30 anos de idade (62,3%), com uma mediana de 27 anos, e 89,6% se declararam pardas ou pretas. Em geral, chegaram à maternidade em boas condições de saúde (90,5%), mas 4,0% apresentavam condições regulares, e 5,5% condições graves ou muito graves. Mulheres pretas e aquelas admitidas em plantões noturnos chegaram em piores condições de saúde. O tempo mediano entre a admissão e a realização do procedimento de esvaziamento uterino foi de 7,9 horas, e a partir do cálculo do Índice de Youden, chegou-se a um ponto de corte de 10 horas, a partir do qual a ocorrência de complicações graves aumentava. O retardo no esvaziamento uterino mostrou-se associado à ocorrência de complicações graves (OR 1,97; IC95% 1,55-2,51), e na subanálise das mulheres que chegaram em boas condições de saúde, confirmou-se também esta associação (OR 2,56; IC95% 1,85-3,55), mesmo ajustando-se pela idade gestacional e pelo tipo de aborto declarado.
    Discussão: O perfil das mulheres é consistente com a literatura e expressa a situação de vulnerabilidade social daquelas que se internam por aborto no Sistema Único de Saúde no Brasil. A contribuição original do presente estudo é a mensuração objetiva do intervalo de tempo entre admissão e realização do procedimento de esvaziamento uterino, e o estabelecimento de um ponto de corte, com base em critérios conceituais e epidemiológicos, para definir retardo. Entretanto, fazem-se necessárias mais pesquisas testando o retardo proposto no presente estudo em outras amostras ou populações, assim como desenvolvendo novas mensurações do mesmo, de modo a aprimorar sua acurácia na prevenção de complicações potencialmente ameaçadoras da vida das mulheres.

7
  • EDSON DE ANDRADE NHAMUAVE
  • DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DA INCIDÊNCIA DE TUBERCULOSE EM MENORES DE 15 ANOS E SUA RELAÇÃO COM A OFERTA DE SERVIÇOS NA ATENÇÃO BÁSICA NOS MUNICÍPIOS DO BRASIL, NO PERÍODO DE 2012-2014

  • Orientador : FLORISNEIDE RODRIGUES BARRETO
  • Data: 30/03/2020
  • Mostrar Resumo
  • Introdução. Até um passado recente a TB era considerada uma doença de menor prioridade enquanto problema de saúde pública entre crianças e adolescentes, mas dados recentes têm mostrado aumento da morbimortalidade por TB neste grupo populacional. Objetivo: analisar o padrão de distribuição da incidência de TB em menores de 15 anos e sua relação com a qualidade dos serviços de assistência à saúde ofertados, nos municípios que participaram no PMAQ durante o período de 2012 a 2014. Método: estudo ecológico espacial de base populacional, tendo como unidade de análise municípios brasileiros que participaram do II ciclo de avaliação do PMAQ-AB e que notificaram no SINAN pelo menos um caso novo de TB em menores de 15 anos. Dados do SINAN, PMAQ-AB, IBGE e do SIAB foram usados para construção de indicadores de qualidade das ações de prevenção e/ou detecção de TB. Realizou-se análise exploratória espacial dos mapas temáticos para identificar padrões de distribuição da incidência de TB. Para análise da autocorrelação espacial, empregou-se o Índice Global de Moran. Utilizou-se o Índice Local de Autocorrelação espacial de Moran para a identificação de clusters, com nível de significância de 0,05. Para avaliar a associação entre a qualidade das ações de assistência à saúde ofertadas e as taxas de incidência de TB, empregou-se o modelo SEM (Spatial Error Models) bivariado e multivariado. Resultados: 1074 municípios participaram do II ciclo de avaliação do PMAQ-AB. A região Nordeste apresentou a maior proporção (41%) e a região Centro-Oeste a menor (8,2%). Foram notificados 7344 casos de TB em menores de 15 anos nestes municípios, sendo a taxa média anual de 7,8/100 mil habitantes. A região Sudeste foi a que apresentou a maior proporção de casos (41,4%) e a Centro-Oeste a menor (6,1%). Observou-se autocorrelação espacial (p<0,001) entre as taxas de incidência de TB em municípios vizinhos do Brasil. As regiões Nordeste, Sudeste e Sul apresentaram autocorrelação local (LISA) com maior número de áreas Alto-Alto (High-High) e as regiões Sudeste e Sul apresentaram maior número de áreas Baixo-Baixo (Low-Low). Observou-se associação positiva entre a variação espacial das taxas de incidência de TB e as seguintes variáveis: cobertura da ESF (β=1,53; p=0,000), solicitação de exames de radiografia de tórax (β=1,73; p=0,047); realização de busca ativa de TB (β=3,73; p=0,049). Verificou-se também associação negativa com realização da avaliação de risco e vulnerabilidade no acolhimento dos usuários (β=-5,55; p=0,000), realização do TDO do usuário (β=-5,46; p=0,038), realização de grupos com enfoque de orientar sobre doenças transmissíveis, conforme necessidade do território (β=-7,75; p=0,052), realização de visitas as famílias da área de abrangência de AB com periodicidade distinta de acordo com avaliações de risco e vulnerabilidade (β=-1,15; p=0,000). Conclusão: Os resultados sugerem que as taxas de incidência de TB em menores de 15 anos estão associadas com a qualidade dos serviços de assistência à saúde ofertados, evidenciando a necessidade do fortalecimento de ações de avaliação do risco, vulnerabilidade, diagnóstico e busca ativa de casos novos de TB em menores de 15 anos considerando a possibilidade de infecção ou doença por TB em todas as visitas.

8
  • LIZETH YUBALENA OROZCO BELTRAN
  • IMPLEMENTAÇÃO DE UMA TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO APLICADA AO ACOMPANHAMENTO E PROMOÇÃO DO CUIDADO À GESTANTE

  • Orientador : EDUARDO LUIZ ANDRADE MOTA
  • Data: 30/03/2020
  • Mostrar Resumo
  • Introdução: a incorporação de tecnologias da informação na área da saúde é um processo crescente, diversas iniciativas mHealth têm sido desenhadas para assistir em condições vulneráveis como a gravidez. Existe pouca informação sobre os condicionantes do uso de tecnologias moveis de informação pelas mulheres gravidas no contexto brasileiro.

    Objetivos: esta pesquisa teve como o objetivo criar uma tecnologia da informação que forneça informação auxiliar sobre o cuidado do pré-natal durante o acompanhamento à gestante e avaliar a sua percepção do uso e o seu efeito imediato.

    Métodos: foi criado um aplicativo móvel em formato Web (WebApp) para ser usados por mulheres com gravidez de risco habitual numa maternidade de referência por um período de aproximadamente três semanas. Duas entrevistas semiestruturadas foram aplicadas nas participantes antes e após três semanas de uso do WebApp. Foi realizado um análise de conteúdo das entrevistas realizadas. Outras caraterísticas sociais, demográficas e obstétricas foram obtidas para contextualizar os nossos resultados.

    Resultados: as participantes compartilharam algum grau de necessidade de informação. As tecnologias da informação (internet, aplicativos) foram os meios de informação mais frequentemente utilizados e considerados mais úteis perante busca ativa de informação. A caderneta da gestante foi o meio menos procurado mas considerado como de utilidade aceitável. Os aplicativos moveis foram considerados como fontes adicionais de informação com caraterísticas como rapidez, clareza e disponibilidade de recursos audiovisuais que ajudam para se informar. Caraterísticas como estrutura simples, linguagem clara e entendível foram destacados como pontos positivos para o uso do WebApp, entanto que dificuldades no acesso, e a falta de recursos audiovisuais foram citados como pontos negativos.

    Discussão: o uso de recursos tecnológicos, não foi afetado pela escolaridade, renda, numero de filhos, gestações previas, mas a necessidade de informação poderia diferir segundo os atendimentos recebidos, a idade gestacional e o numero de filhos. Como destacado em outras pesquisas, é cada vez mais relevante a inclusão de recursos audiovisuais e ferramentas interativas.

    Conclusões: durante a gravidez existe necessidade de se informar sobre diversos aspectos, as tecnologias moveis da informação são frequentemente utilizadas como fonte de informação. É importante nesse sentido fortalecer o desenho destas tecnologias a partir do conhecimento das necessidades de informação da população alvo, tanto quanto do seu contexto

9
  • JULIANA DOS SANTOS OLIVEIRA
  • Gestão Hospitalar e Consórcios de Saúde: o caso do SUS Bahia

  • Orientador : ISABELA CARDOSO DE MATOS PINTO
  • Data: 26/05/2020
  • Mostrar Resumo
  • Frente a complexidade do planejamento e gestão da atenção hospitalar no SUS, que envolve problemas desde o alto custo terapêutico e tecno-assistencial até a desigual alocação inter-regional das unidades, a busca por alternativas pelos administradores públicos fez emergir as relações entre entes públicos e privados, enquanto perspectiva dos modelos (neo) gerencialistas da Reforma Administrativa do Estado Brasileiro da década de 1990. Acompanhando a tendência de expansão dos Modelos Alternativos de Gestão Indireta - MAGI, o SUS Bahia ampliou a adoção desses modelos na implementação da Política de Atenção Hospitalar do Estado, especialmente com adoção de OS e PPP. E, para além delas, outra via alternativa adotada pela Secretaria Estadual de Saúde da Bahia (SESAB), foi o Consórcio Público, ente definido como modelo administrativo de atuação interfederativa que favorece negociação, articulação, coordenação e implementação cooperada de políticas públicas. Embora haja grande número de estudos sobre os Consórcios, verificou-se uma lacuna do conhecimento referente aos processos decisórios e experiências de gestores públicos priorizando tal modalidade de gestão hospitalar no SUS, em detrimento de outros modelos já adotados. Desse modo, este estudo teve como objetivo analisar a decisão por Consórcio Interfederativo de Saúde como modelo de gestão para hospital da rede própria do SUS Bahia. Foi desenvolvido enquanto estudo de caso com abordagem qualitativa, tendo como referencial teórico o Neo-institucionalismo. Foram utilizados dados secundários (documentos) e primários (entrevista semiestruturada), com participação total de seis pessoas, sendo a maioria de atuantes no nível central da gestão estadual da saúde. Os achados empíricos demonstraram que o processo decisório foi definido essencialmente por motivações políticas e com atuação predominante de atores vinculados à cúpula governamental. Ou seja, a adoção do modelo consorciado deu-se sem respaldo no planejamento técnico e com incipiente participação da área técnica da secretaria. Por outro lado, o estudo evidenciou uma perspectiva positiva de ampliação da discussão, no âmbito das instâncias gestoras, quanto ao potencial do modelo consorciado no sentido de favorecer a descentralização e a regionalização da gestão da saúde e atenção hospitalar. Finalmente, houve ainda a indicação da necessidade de realização de novas investigações que aprofundem a compreensão sobre modelos de gestão na atenção hospitalar, relacionando-os com eficiência e qualidade dos serviços prestados à população.

2019
Dissertações
1
  • GABRIELA EVANGELISTA PEREIRA
  • CONDIÇÕES DE TRABALHO E SAÚDE MENTAL: UM ESTUDO COM AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE NO BRASIL

  • Orientador : ISABELA CARDOSO DE MATOS PINTO
  • Data: 30/01/2019
  • Mostrar Resumo
  • Objetivo: Investigar a ocorrência de Transtornos Mentais Comuns entre os Agentes Comunitários de Saúde no Brasil e sua relação com as condições de trabalho desses profissionais. Metodologia: Estudo transversal, analítico, desenvolvido com amostra nacional de ACS. Para coleta de dados, utilizou-se questionário socioeconômico e demográfico e o Self Reporting Questionaire – SRQ-20. Inicialmente foi realizada uma análise descritiva para caracterização da amostra quanto às suas características do perfil socioeconômico, demográfico e das condições de trabalho. Para verificar a associação entre as características dos ACS e o TMC, os dados foram submetidos a análise bivariada e Análise de Regressão Logística Múltipla (ARLM). Resultados: A prevalência de TMC entre os ACS do Brasil foi de 21%. A chance de apresentar TMC foi maior entre os ACS do sexo feminino, com tempo de atuação de mais de 5 anos, entre aqueles que não se sentiam respeitados pelos colegas e entre os ACS que estavam insatisfeitos com o trabalho. Conclusão: Os resultados desse estudo evidenciam que uma parcela dos ACS do Brasil apresenta sintomas que se configuram como Transtorno Mental Comum e os achados reforçam a associação entre TMC e as condições de trabalho, no que se refere aos aspectos: antiguidade no cargo, insatisfação com o trabalho e condições sociogerenciais (relações interpessoais).

2
  • FERNANDA MACEDO DA SILVA LIMA
  • GESTAÇÃO EM TEMPOS DE ZIKA VÍRUS: EXPERIÊNCIAS DE MULHERES QUE ENGRAVIDARAM APÓS O SURGIMENTO DO ZIKA VÍRUS NO BRASIL.

  • Orientador : JORGE ALBERTO BERNSTEIN IRIART
  • Data: 14/02/2019
  • Mostrar Resumo
  • A chegada do zika vírus ao Brasil em 2015 e a sua principal consequência, a síndrome congênita do zika vírus, com repercussões sobre o desenvolvimento fetal e infantil, causou comoção nacional e evidenciou a necessidade do desenvolvimento de cuidados especiais entre mulheres em idade reprodutiva e, principalmente, por gestantes. Esta nova conjuntura influenciou a experiência das mulheres que engravidaram logo após a epidemia deste vírus no país. Todavia, até o momento nenhum estudo investigou a experiência de gestantes, segundo as suas condições socioeconômicas e os contextos culturais e ambientais específicos. Portanto, o objetivo deste estudo foi compreender os significados, práticas e estratégias de prevenção desenvolvidas por gestantes de diferentes estratos sociais da cidade de Salvador-Bahia, bem como a contribuição de seus parceiros para lidar com o risco de infecção após o surgimento do zika vírus no Brasil. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, baseado na análise de conteúdo de entrevistas semiestruturadas com 18 gestantes, sendo nove com gestantes de camadas populares e nove com gestantes de classe média/alta. Estas mulheres foram estratificadas segundo o nível de escolaridade, local de residência e tipo de inserção nos serviços de saúde. Os dados produzidos demonstraram insuficiências no conhecimento das gestantes sobre aspectos importantes da infecção pelo zika vírus, apesar de todas estarem vinculadas aos serviços de saúde para o acompanhamento pré-natal. As mídias sociais se caracterizaram como importantes veículos de informação sobre o zika vírus, o que influenciou a maneira como as gestantes significaram o vírus. Enquanto as gestantes de classe média/alta retrataram o zika vírus como uma “apreensão” ou “uma preocupação a mais durante a gravidez”, as gestantes de camadas populares significaram o zika vírus como uma “doença muito grave” e que desenvolve sentimentos como “medo”, “pânico”, fazendo com que elas passem a “gravidez inteira insegura”. A estratificação social e o contexto ambiental também influenciaram nas estratégias de prevenção desenvolvidas por estas mulheres. O desenvolvimento de práticas ambientais e corporais para reduzir o risco de infecção foram mais evidentes entre gestantes de camadas populares por se sentirem mais expostas ao risco no ambiente em que vivem. Os parceiros exerceram intensa cobrança sobre as gestantes quanto as ações de prevenção, porém estes não desenvolviam práticas de cuidados corporais para evitar a picada dos mosquitos, apesar do vírus também ser transmitido por via sexual. Portanto, é fundamental investir em ações de saúde que incluam os homens como sujeitos igualmente responsáveis por práticas preventivas durante a gestação, além de desenvolver capacitações para que os profissionais de saúde assegurem a disponibilização de informações relevantes e culturalmente pertinentes para as mulheres sobre a infecção pelo zika vírus e suas consequências.

3
  • JUAN PABLO AGUILAR TICONA
  • Incidência de desfechos clínicos e alterações no desenvolvimento em crianças nascidas durante o surto de ZIKV: estudo de coorte em uma comunidade urbana do Brasil.

  • Orientador : FEDERICO COSTA
  • Data: 18/02/2019
  • Mostrar Resumo
  • O Nordeste de Brasil foi o epicentro da epidemia do Zika em 2015, ainda existe limitada informação prospectiva na região sobre a transmissão do vírus Zika em mulheres grávidas e os desfechos clínicos nas crianças. Desde janeiro de 2013, temos realizado um estudo prospectivo de base populacional sobre leptospiroses em residentes de uma comunidade em Salvador, Brasil. Nesta população foram identificadas mulheres que estiveram grávidas entre janeiro 2015 e junho 2016 e foram analisadas as amostras coletadas bianualmente para identificar eventos de soroconversão para o anticorpo monoclonal ZIKV35 usando o Blockade of Binding (BoB) assay. Foram avaliados os desfechos clínicos e as alterações no desenvolvimento das crianças nascidas durante o período de estudo, a través de entrevistas às madres, medidas antropométricas, exames neurológicos (Hammersmith Infant Neurological Exam, HINE), neurodesenvolvimento aplicando as escalas de Bayley III, avaliações audiometrias e oftalmológicas. Entre as 655 participantes em idade reprodutiva dentro da coorte, 66 (10%) teve ao menos uma gravidez durante o período de estudo. Completamos o seguimento de 46 (70%) das 66 mulheres, das quais 13 (28%) foram consideradas expostas (com soroconversão durante a gravidez) e 33 (72%) não expostas (sem soroconversão ou antes ou depois da gravidez). As 46 crianças avaliadas não tiveram evidencia de microcefalia ou defeitos congênitos ao nascimento, no entanto, as 13 crianças das mães que soro converteram durante a gravidez tiveram mais risco para ter scores de desenvolvimento cognitivo baixo menor a 1 DS (RR 2.96; 95% CI 1.32 – 6.63) quando comparados com as crianças de mães que não soroconverteram durante a gravidez (4 de 13 [31%] vs. 2 de 33 [6%], respectivamente). Da mesma forma, crianças de mães que soroconverteram durante a gravidez, tiveram maior risco (RR 6.82: 1.54 – 30.17) para alterações na avaliação auditiva comportamental quando comparados com as crianças de mães que não soroconverteram durante a gravidez (5 de 13 [39%] vs. 2 de 31 [7%], respectivamente). Estes achados sugerem que, crianças expostas no útero ao vírus do ZIka tiveram significativamente um nuerodesenvolvimento menor , ainda que com ausência de evidencia clínica para sequelas neurológicas.

4
  • ACÁCIA MAYRA PEREIRA DE LIMA
  • UTILIZAÇÃO DE PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO AO HIV (PEP) ENTRE MULHERES TRABALHADORAS DO SEXO NO BRASIL

  • Data: 07/03/2019
  • Mostrar Resumo
  • Introdução: O uso de profilaxia pós-exposição ao HIV (PEP) é fundamental para as mulheres e especialmente para mulheres trabalhadoras do sexo (MTS) como um método de prevenção da transmissão do HIV. No entanto, as MTS ainda enfrentam barreiras ao acesso a PEP em muitos lugares, inclusive no Brasil. Nosso objetivo foi analisar os fatores associados ao uso de PEP entre MTS após agressão sexual no Brasil. Metodologia: Estudo transversal de 4.245 MTS recrutadas em 12 cidades brasileiras por amostra respondente (RDS) em 2016. As participantes foram entrevistadas e as associações de variáveis comportamentais, sociodemográficas, relacionadas aos serviços de saúde, apoio social e histórico de violência e discriminação com o uso da PEP após a agressão sexual foram analisadas. Para cada cidade, os indivíduos foram ponderados usando o estimador RDSII. Os dados combinados foram analisados pelo procedimento de amostra complexa do STATA 14, usando cada cidade como um estrato e cada grupo de mulheres recrutadas pela mesma TS como um cluster. Odds ratios e IC95% foram estimados por meio de regressão logística. Resultados: A maioria das MTS apresentavam idade abaixo dos 30 anos e 48% não concluíram o ensino médio. 73,9% se autodeclararam pretas; com baixo nível socioeconômico (56,2%). 31% afirmaram conhecer PEP e 26,3% relataram um episódio de violência sexual durante toda a vida. Após a violência sexual, 7,5% afirmaram ter utilizado PEP, 18,7% procuraram um serviço de saúde, mas não tiveram acesso à PEP e 73,8% não procuraram assistência em saúde. Os fatores associados ao uso da PEP após a agressão sexual foram: conhecimento de PEP (OR: 3,71); participação em atividades educativas sobre HIV (OR: 1,53); revelar ser trabalhadora do sexo nos serviços de saúde (OR: 1,80) e o número de clientes por dia (1-9 versus 10 ou mais) (OR: 6,67). Conclusões: Apesar da política existente para vítimas de violência sexual no Brasil que inclui o serviço de PEP, o uso da tecnologia de prevenção após violência sexual foi extremamente baixo entre MTS, mesmo para aquelas que procuraram assistência de saúde, indicando iniquidade no acesso. Triagem, documentação e cuidados para vítimas de violência sexual, como aconselhamento e engajamento em cuidados adequados são essenciais para promover o acesso a serviços preventivos para HIV. Os serviços de saúde devem estar melhor qualificados para cuidar de vítimas de violência sexual.

5
  • FLAVIA CONDE CABRAL E DIAS
  • PARTICIPAÇÃO EM SAÚDE: PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA 2003 - 2016

  • Orientador : CARMEN FONTES DE SOUZA TEIXEIRA
  • Data: 19/03/2019
  • Mostrar Resumo
  • A participação tem sido incorporada aos movimentos ideológicos, políticas e programas de saúde a mais de meio século, tendo sido incluído ao debate público no Brasil desde os anos 70. Constitui objeto de controvérsias conceituais e avanços e retrocessos no que diz respeito à sua efetiva institucionalização no âmbito da Política de Saúde, particularmente nos últimos 30 anos, no contexto de construção do Sistema Único de Saúde. É assim, um tema relevante de investigação científica, tendo estimulado a produção de um conjunto heterogêneo de estudos e pesquisas que abordam diversos aspectos e práticas de participação. O objetivo desse trabalho é mapear e analisar a produção científica sobre participação em saúde no Brasil no período 2003-2016, buscando caracterizar a evolução temporal e a distribuição dos artigos sobre o tema, segundo veículo de publicação e procedência institucional dos autores, bem como identificar e analisar as formas de participação em saúde abordadas nos artigos selecionados na base Scielo. Foram analisados 216 artigos, evidenciando-se um crescimento considerável no período 2003-2016, sendo a maioria procedente de autores vinculados a instituições da região sudeste do país. Encontrou-se uma predominância de estudos que abordam as formas institucionalizadas de participação, em conselhos e conferências de saúde, notadamente ao nível municipal, porém é expressivo o número de artigos que abordam práticas de participação em programas de controle de doenças ou na atenção primária em saúde. Foram também identificados estudos que analisam a participação em movimentos sociais e a participação de representantes destes movimentos na formulação de políticas de saúde. Discute-se a possível relação dessa produção com o estimulo decorrente da implementação de políticas, programas e normas institucionais, que culminaram com a implementação da Política Nacional de Gestão Estratégica e Participativa – PARTICIPASUS, concluindo-se com a reflexão acerca dos riscos a que esta política está exposta na atual conjuntura.

6
  • ANNY KAROLINY DAS CHAGAS BANDEIRA
  • ASSOCIAÇÃO ENTRE ATIVIDADE FÍSICA NO TEMPO LIVRE E DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA NÃO ALCÓOLICA EM ADULTOS PARTICIPANTES DO ELSA-Brasil.

  • Orientador : FRANCISCO JOSE GONDIM PITANGA
  • Data: 26/04/2019
  • Mostrar Resumo
  • Estima-se que a prevalência global da doença hepática gordurosa não alcóolica (DHGNA), diagnosticada por exames de imagem, está em torno de 25,24%. Evidências corroboram que a prática regular de atividade física proporciona melhora nos índices no perfil lipídico, além de controle da obesidade abdominal e resistência à insulina, sendo fatores importantes para o tratamento de DHGNA. O presente estudo tem como objetivo avaliar a associação entre atividade física no tempo livre e doença hepática gordurosa não alcóolica em adultos participantes do ELSA-Brasil. Estudo transversal com dados da linha de base do projeto “Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil).” A amostra após critérios de inclusão e exclusão foi composta por 12 554  servidores públicos, com idade entre 35 e 74 anos, ativos e aposentados de instituições de ensino e pesquisa em seis capitais brasileiras (Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Vitória), realizada entre 2008 e 2010. Para se determinar associação entre a atividade física(AF) e a  DHGNA, foi utilizado o modelo de regressão logística com a modelagem backward, partindo-se do modelo completo até o ajustado. Para análise do efeito dose-resposta na associação entre AF e derivações da DHGNA foram criadas variáveis dummies para comparação entre o grupo de referência (inativo fisicamente) e cada um dos outros estratos da variável AF (pouco ativo, ativo e muito ativo).  Foi utilizado intervalo de confiança IC (95%) As análises foram realizadas utilizando-se o programa estatístico Stata, versão 12.0. Os resultados mostraram que o nível de atividade física  na amostra é baixo 38,69% e a prevalência de DHGNA é de 39.74%. Ao ser analisada a AF de forma dicotomizada observa-se fator de proteção entre homens e  mulheres eutróficas/ excesso de peso. Já entre os obesos a atividade física não se comporta como fator de proteção significativo. Quando foi analisada a AF em quatro categorias observou-se que tanto entre mulheres quanto em homens eutróficos/ excesso de peso quanto mais atividade física maior fator de proteção em relação a DHGNA. Nas mulheres obesas observou-se fator de proteção apenas entre aquelas insuficientemente ativas e muito ativas fisicamente. O efeito dose-resposta não foi observado em homens obesos. Conclui-se que o exercício físico é uma estratégia terapêutica importante para prevenir a doença hepática gordurosa. Nota-se que quanto maior a quantidade de atividade física, em pessoas eutróficas/ sobrepeso mais resposta de proteção a DHGNA tanto em homens quanto em mulheres. No grupo de risco que são os obesos, a atividade física isolada não mostra-se totalmente efetiva principalmente em homens uma vez que necessita de outras terapêuticas combinadas para colaborar com a melhora da saúde dos indivíduos.

7
  • GELVISON GOMES MACÊDO
  • A CONSTRUÇÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE INTEGRAL DA POPULAÇÃO LGBT NO BRASIL

  • Orientador : CARMEN FONTES DE SOUZA TEIXEIRA
  • Data: 06/05/2019
  • Mostrar Resumo
  • ARTIGO 1: O objetivo deste trabalho é analisar as características e tendências da produção científica
    sobre a Saúde da População LGBT no Brasil, buscando identificar seus problemas e
    necessidades de saúde, bem como os desafios e obstáculos que enfrentam para o
    atendimento de suas demandas por ações e serviços e pela garantia do direito à saúde.
    Trata-se de uma revisão sistemática de literatura, que analisou 70 trabalhos publicados
    do período 2000 a 2018, indexados nas bases Scielo e Lilacs. Os resultados evidenciam
    precariedade do acesso aos serviços e baixa qualidade da atenção à saúde da população
    LGBT, motivados pela ocorrência de discriminação, preconceitos e violência simbólica
    nas instituições. Observa-se também importante percentual de indivíduos em práticas
    sexuais desprotegidas e com comprometimento psíquico. Conclui-se que existe
    necessidade de maior desenvolvimento de pesquisas nessa área, principalmente sobre
    prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, bem como na abordagem da
    homossexualidade feminina e suas necessidades especificas de saúde, de modo a
    subsidiar a busca de alternativas e o aprimoramento dos programas que ofertam
    cuidados de saúde a esta população, visando garantir o pleno exercício dos seus direitos.

    ARTIGO 2:O objetivo deste trabalho é analisar o processo de construção da Política Nacional de
    Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e transexuais no SUS (PNSILGBT).
    Para isso utilizou-se como referência a teoria do ciclo da política pública,
    tratando-se de caracterizar o cenário político em que se deu o processo de entrada do
    tema na agenda governamental, os atores governamentais e não governamentais
    envolvidos no processo, e os problemas e propostas elaboradas para seu enfrentamento
    e solução, atores e propostas. As informações coletadas e analisadas foram extraídas de
    documentos oficiais do Ministério da Saúde (MS), Atas do Conselho Nacional de Saúde
    (CNS), Relatórios das Conferências nacionais de Saúde e documentos elaborados por
    entidades do Movimento Social LGBT. Os resultados mostram que a saúde da
    população LGBT foi incorporada à agenda governamental na década de 80, a partir do
    enfrentamento da epidemia de HIV/AIDS, porém uma perspectiva ampliada da
    problemática do preconceito, discriminação, violência, e da necessidade do
    enfrentamento das desigualdades e iniquidades em saúde que atingem esta população,
    somente se configurou a partir de 2004, com a elaboração do programa Brasil sem
    Homofobia. Especificamente no que diz respeito à construção da PNSI-LGBT,
    identifica-se os momentos em que os problemas de saúde desse grupo foram discutidos
    em reuniões do CNS e nas Conferencias de Saúde realizadas entre 2000 e 2007,
    sistematizando-se as propostas que compuseram os eixos estruturantes da PNSI-LGBT,
    aprovada pelo CNS em 2009. Conclui-se, apontando o movimento social LGBT como
    ator político que, com sua atuação nos espaços institucionais aproveitou a “janela de
    oportunidade” que se abriu nos Governos Lula I e Lula II (2003-2010), para inserir esse
    tema na agenda e construir, juntamente com dirigentes e técnicos do MS e outros órgãos
    do governo federal, a PNSI-LGBT.

8
  • JULMER CAISARA PACAYA
  • Efeitos do uso do álcool nos modos de existência de Povos Indígenas do Brasil segundo contextos culturais: uma revisão de literatura

  • Orientador : MONICA DE OLIVEIRA NUNES DE TORRENTE
  • Data: 29/05/2019
  • Mostrar Resumo
  • Tradicionalmente, existem perspectivas que informam que entrar em contato com o álcool tem uma repercussão muito clara sobre a mudança das atitudes e dos comportamentos dos indivíduos e das populações. Outras abordagens, mais contextualizadas e críticas, defendem que não se pode focar exclusivamente na substância psicoativa e nos seus efeitos sobre o comportamento das pessoas ou grupos, mas é necessário observar sempre o tripé substância, indivíduo e contexto (OLIEVENSTEIN, 1985), analisando as complexas relações estabelecidas entre os mesmos. 
    No caso das populações indígenas, pode-se identificar essa concepção mais ampliada e contextualizada do consumo das drogas, por exemplo, em estudos que focalizaram no consumo de álcool (bebidas destiladas, fermentadas) como parte de manifestações culturais de determinados povos, entendidas a partir dos costumes de cada povo, aspectos que não são possíveis de ignorar (SANCHEZ, NAPPO, 2007).
    A despeito da ampla presença nas culturas, tem que se ter em conta que este consumo tinha restrições em várias delas, sendo usado apenas pelas pessoas que tinham um tipo de iniciação ou conhecimento sobre formas de se comunicar com os deuses ou espíritos. De um modo geral, os relatos informam que, historicamente, os padrões culturais de consumo de álcool foram transformados e, nas sociedades tradicionais, deixaram de ser praticados em um uso ritual e passaram a ser principalmente entendidos ou representados como um “vício” e, mais recentemente, como “formas de doença”. Mudou-se a ideia que era prevalente durante décadas e, aos poucos, se foi relacionando a prática do consumo de álcool com pessoas que são dependentes, construindo-se concomitantemente a noção de uma população discriminada ou, inclusive, afastada (ou marginal), que não seria bem vista pela sociedade. 
    Esta historicidade e amplitude do consumo de álcool leva a ver o quão reducionista seria limitar-se a uma análise sobre a existência, ou não, do uso do álcool pelas populações indígenas, ou pensá-lo a partir de uma dicotomia entre o normal ou o patológico. Melhor seria tentar entender como essas práticas, existentes de modo tradicional, ou criadas ou modificadas, a partir de novos encontros culturais, conseguiram operar sobre os comportamentos das populações indígenas dentro das aldeias. Nesse caso, destacaria, os próprios conceitos de alcoolismo presentes nos contextos indígenas, levando em conta um contexto de globalização, além do contínuo caminho de urbanização das aldeias que se encontram nas periferias das cidades.
    Isso dito, é inegável a relação que tem sido encontrada entre o uso abusivo de álcool em qualquer espaço social e o flagelo que isso tem acarretado. As populações indígenas não escapam a essa relação problemática. É necessário, no entanto, fazer uma abordagem sistemática e crítica dos estudos que têm se debruçado sobre essa temática para entender o que é possível resgatar para construir uma melhor compreensão a partir do aporte acadêmico a esse respeito. Esse é o interesse do presente estudo e se tem em conta os trabalhos encontrados de corte indígena, trabalhos realizados no Brasil, tentando mostrar vários contextos do significado do álcool dentro das diversas populações indígenas e conseguindo mostrar suas próprias características de consumo e como com o passar do tempo vai se modificando ou vão se adaptando.

9
  • NATANAEL DE JESUS SILVA
  • Determinantes da dupla carga de má nutrição em crianças beneficiárias do Programa Bolsa Família: uma análise longitudinal dos municípios brasileiros.

  • Orientador : RITA DE CASSIA RIBEIRO SILVA
  • Data: 10/06/2019
  • Mostrar Resumo
  • Introdução: O declínio da desnutrição infantil, ainda prevalente em grupos populacionais socioeconomicamente vulneráveis, tem sido acompanhado pelo aumento progressivo do excesso de peso e doenças crônicas não transmissíveis, resultando em um cenário de dupla carga de má nutrição (DCMN) em diversos países em desenvolvimento. Objetivo: Dimensionar a dupla carga de má nutrição e seus determinantes socioeconômicos em crianças beneficiárias de um programa de transferência condicionada de renda nos municípios brasileiros. Metodologia: Estudo ecológico usando dados em painel sobre a prevalência de déficit de estatura e excesso de peso em crianças menores de 5 anos beneficiárias do Programa Bolsa Família em 4.443 municípios brasileiros entre 2008 e 2014. Os municípios foram classificados segundo quatro cenários de coexistência entre desnutrição e excesso de peso, incluindo a DCMN. Modelos de regressão logística multinomial com efeitos fixos foram conduzidos para avaliar a associação entre as variáveis socioeconômicas e os cenários nutricionais. Resultados: Redução média de 14,2% para 12,7% na prevalência de baixa estatura para idade e aumento médio de 17,2% para 18,4% na prevalência de excesso de peso foram observados. Os cenários nutricionais predominantes na maioria dos municípios foram representados principalmente por altas taxas de excesso de peso e DCMN, ambos associados ao aumento progressivo do PIB per capita. Expectativa de anos de estudo, taxa de desemprego e aglomeração domiciliar também estiveram associados aos cenários analisados. Conclusões: Nossos achados evidenciam um estágio avançado da transição nutricional entre as crianças do estrato mais socioeconomicamente vulnerável da população brasileira, marcado pelo aumento da carga de excesso peso isoladamente ou coexistindo com a desnutrição (dupla carga).
    Palavras-chave: dupla carga, obesidade, desnutrição, crianças, pobreza, fatores socioeconômicos

10
  • MATEUS FREIRE DE LIMA E SOUZA
  • Da droga ilícita ao psicofármaco: a medicalização nos itinerários terapêuticos de jovens atendidos em um CAPSad de Salvador, Bahia.

  • Orientador : LENY ALVES BOMFIM TRAD
  • Data: 03/07/2019
  • Mostrar Resumo
  • O uso de drogas ilícitas é prevalente na população jovem e frequentemente se associa a situações de vulnerabilidade social. O tratamento para usuários de drogas é baseado em múltiplas abordagens psicossociais, sendo o encaminhamento para tratamento psiquiátrico e psicofarmacológico uma ocorrência comum; entretanto, não há evidências de que o tratamento medicamentoso seja indicado para quadros de dependência a maconha ou cocaína/crack. Para investigar como a medicalização afeta os itinerários terapêuticos de jovens usuários de drogas ilícitas, foi realizado um estudo de caso qualitativo em um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSad) de Salvador, Bahia. Foram conduzidas entrevistas semiestruturadas com 14 jovens atendidos no serviço e 7 profissionais de saúde. Adicionalmente, relatos e anotações de campo autoetnográficas foram realizadas pelo pesquisador principal, que também é psiquiatra em atuação no CAPSad estudado. Os dados foram analisados utilizando-se o modelo holístico para itinerários terapêuticos proposto por Trad, L. A escolha pelo tratamento sofreu a influência de múltiplos fatores contextuais, incluindo renda, situação da família, acesso a serviços de saúde e questões judiciárias. A maioria dos jovens já tinha iniciado tratamento psicofarmacológico antes de chegar ao CAPSad. A medicalização em muitos casos ocorreu através de uma substituição da droga ilícita, usada como medida de autocuidado, pelo medicamento psiquiátrico. A crença de que os psicofármacos atuam, direta ou indiretamente, sobre o desejo e a busca pela droga se fez presente no discurso dos entrevistados. O acolhimento por profissionais e a autonomia dos indivíduos em relação às escolhas pelo tratamento foram fundamentais para uma qualificação positiva das experiências de cuidado.

11
  • ELIS PASSOS SANTANA
  • CONHECIMENTO E RECUSA DE COMPRA DO AUTOTESTE DE HIV POR MULHERES TRABALHADORAS DO SEXO NO BRASIL

  • Orientador : SHEILA MARIA ALVIM DE MATOS
  • Data: 10/07/2019
  • Mostrar Resumo
  • Introdução: O sistema público de saúde do Brasil adotou recentemente a distribuição do autoteste com o objetivo de ampliar a frequência na testagem do HIV. Essa ampliação do acesso é importante nas populações-chave para a epidemia de HIV. A prevalência de HIV em MTS no Brasil é de 5,3%. A testagem constitui-se em uma porta de entrada para os cuidados em saúde e tratamento do HIV. Este estudo tem o objetivo de investigar os fatores associados à recusa do autoteste de HIV por MTS no Brasil. Metodologia: Tratou-se de um estudo transversal com 4245 MTS recrutadas em 12 capitais do Brasil por RDS no ano de 2016. As participantes responderam a um questionário e foram analisadas as associações entre variáveis sociodemográficas, comportamentais, relacionadas aos serviços de saúde, suporte social e aceitabilidade do autoteste. Utilizou-se a rotina de amostras complexas do programa STATA 14 para a análise dos dados, considerando cada cidade como estrato e cada grupo de recrutadora e recrutadas como um conglomerado. Em cada estrato, a ponderação foi calculada pelo estimador RDS-II. Realizou-se análise multivariada com regressão logística. Resultados: Metade das MTS tinham 18 a 39 anos (49,7%), a maioria se autodeclarou de cor preta/parda (73.9%), possuía baixa escolaridade (73,8%), baixo nível socioeconômico (56,2%) e 47.3% referia mudança no tratamento no serviço de saúde após revelar que era MTS. 22.5% nunca tinha feito o teste de HIV e apenas 32.4% conhecia o autoteste de HIV antes do estudo. A aceitabilidade do autoteste foi alta (85.6%). Os fatores associados à recusa do autoteste foram: idade maior que 40 anos (OR:1.26); cor preta/parda (OR:0,71); 10 ou mais programas por dia (OR: 1,98) e trabalho em ponto de rua (OR:1,25). Conclusão:O conhecimento sobre o autoteste ainda é baixo entre as MTS no Brasil. Mas é reconfortante que a aceitabilidade seja alta. Isto representa uma oportunidade para aumentar a cobertura de testes entre MTS onde há uma lacuna no diagnóstico de HIV. A autonomia, a privacidade, o acesso rápido aos resultados e a conveniência devem ser enfatizadas como motivações no desenvolvimento de estratégias programáticas para o aumento da oferta do autoteste entre as MTS.

12
  • TIAGO BAHIA FONTANA
  • ZIKA VÍRUS NO BRASIL (2015-2017): Entrada na Agenda Governamental, Alternativas e Formulação da Resposta à Emergência de Saúde Pública.

  • Orientador : SONIA CRISTINA LIMA CHAVES
  • Data: 18/07/2019
  • Mostrar Resumo
  • Problemática: O Brasil declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN), em novembro de 2015, logo após ser notificado sobre os primeiros casos de microcefalia possivelmente associados à infecção por Zika vírus. Desde a declaração da ESPIN até o final de 2017, ano do seu encerramento, o MS recebeu notificações de 15.298 casos suspeitos de alterações no crescimento e desenvolvimento possivelmente relacionadas à infecção pelo vírus Zika e outras etiologias infecciosas, dos quais 3.071 foram confirmados, 339 foram classificados
    como prováveis e 230 como inconclusivos (BRASIL, 2018).
    Objetivo: Este estudo caracterizou e analisou as respostas estatais relacionadas ao Governo Federal brasileiro no contexto da ESPIN, no período de 2014 a 2018.
    Metodologia: Este foi um estudo de caso, de abordagem qualitativa, a partir de análise documental, tendo como foco as respostas estatais do Governo Federal brasileiro no contexto da ESPIN. Foram investigados documentos oficiais do Ministério da Saúde e de outras organizações participantes dos processos políticos-gerenciais do Sistema Único de Saúde (SUS), tendo como perspectiva teórico-metodológica a Análise de Políticas Públicas (clima político-nacional, entrada na agenda e alternativas), bem como os Determinantes Sociais da Saúde (DSS).
    Resultados: a síndrome congênita associada à infecção pelo Zika vírus (SCZika) alcançou prioridade na Agenda Governamental, no Brasil, em função de um conjunto de acontecimentos, onde o problema “Zika vírus” foi identificado em abril de 2015 e a primeira menção ao problema, nas atas do Conselho Nacional de Saúde (CNS), ocorreu em novembro deste ano, mesmo período em que a Portaria de Declaração da ESPIN foi publicada. Portanto, entre sua identificação e a entrada na agenda governamental, passaram-se sete meses. No clima político-nacional, observou-se que a agenda colocou a Presidente Dilma Rousseff em uma situação de liderança junto aos estados e municípios, opção estratégica para sustentar seu capital político num período marcado pelas mudanças de governo e das forças políticas com sua baixa governabilidade, que ainda assim não impediu o processo que culminou com seu Impeachment, em 2016. Este estudo revelou três períodos. O primeiro período (2014-2015) foi marcado pelo aprendizado internacional do manejo de eventos de saúde pública (Ebola e Chikungunya) e a preparação para eventos de massa (Copa FIFA 2014 e Jogos Olímpicos e Paralímpicos 2016). O segundo período (2015-2017) foi caracterizado pela identificação do Zika vírus no Brasil; identificação de casos de microcefalia e outras alterações congênitas associadas ao Zika vírus, com posterior epidemia; e o processo de aprendizado decorrente da resposta à ESPIN. O terceiro período (2017-2018) foi marcado pela incorporação de novas referências e práticas no âmbito da Política de Saúde, como a obrigatoriedade do levantamento entomológico de infestação por Aedes aegypti; a manutenção das ações da Sala Nacional de Coordenação e Controle (SNCC), e a implementação de ações integradas entre Vigilância e Atenção Básica em Saúde.
    Conclusão: Apesar disso, a adoção das alternativas de enfrentamento dos Determinantes Sociais da Saúde não foi implementada. O apelo às ações de combate ao Aedes aegypti junto à comunidade representa um esforço pouco efetivo, já que aspectos estruturais das condições de vida, incluindo planejamento urbano, são condição primeira ao enfrentamento desse problema nacional.

13
  • ALINE CRISTINA GUSMAO SOUZA GOMES
  • FATORES CONTEXTUAIS ASSOCIADOS À NOTIFICAÇÃO DE PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUÍDO NO SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE AGRAVOS DE NOTIFICAÇÃO NO BRASIL

  • Orientador : SILVIA FERRITE GUIMARAES
  • Data: 24/07/2019
  • Mostrar Resumo
  • Introdução: Informações geradas pela notificação de doenças e agravos em Saúde do Trabalhador (ST) no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) podem ser valiosas para a vigilância, planejamento de ações e avaliação do seu impacto. Entre os agravos notificáveis relacionados ao trabalho está a perda auditiva induzida por ruído (Pair), de caráter irreversível e um dos problemas de saúde ocupacional mais disseminado e prevalente no mundo. No Brasil, ainda é incipiente o número de casos de Pair notificados no Sinan, fato coerente com as evidências de subnotificação, comum no campo da ST. Não há registro de estudos que tenham investigado fatores que podem influenciar na notificação da Pair no Sinan. Objetivo: Investigar fatores contextuais associados à notificação de Pair no Sinan no Brasil. Métodos: Trata-se de estudo epidemiológico do tipo ecológico misto, exploratório, no qual as unidades de observação foram os 5.570 municípios brasileiros existentes entre 2013 e 2015. A variável principal foi a notificação de Pair no Sinan. As variáveis foram agrupadas em duas dimensões: a) relacionadas aos municípios: cobertura por Cerest, sede de Cerest, macrorregião do país, unidade da federação (UF), distância até a capital da UF, extensão territorial, População economicamente ativa e ocupada (Peao), Peao TEC - proporção da Peao nos ramos de atividade da indústria de transformação, extrativa e construção, Peao na indústria de transformação, Peao na indústria extrativa, Peao na indústria de construção, Peao com emprego formal e o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM); b) relacionadas aos Cerest: ano de habilitação, número médio de vínculos, proporção da equipe com vínculo estatutário, número médio de fonoaudiólogos e rotatividade de profissionais. Na análise, foram descritos o número e a proporção de municípios que notificaram Pair no Sinan de acordo com as variáveis descritas em cada dimensão, obtidas a Odds Ratio (OR) bruta e ajustada pela Peao (ORaj), e conduzida a regressão logística separadamente para os conjuntos de variáveis de cada dimensão de análise. Inferências estatísticas foram realizadas com intervalos de confiança a 95%. Resultados: Entre 2013-2015, 277 (5,0%) municípios notificaram 2.588 casos de Pair no Sinan. Das UF, Mato Grosso do Sul apresentou a maior proporção de municípios notificantes (25,3%). No modelo final da dimensão das variáveis relacionadas aos municípios, mantiveram-se associadas positivamente ao desfecho: ter cobertura por Cerest, ser sede de Cerest, pertencer à região Centro-Oeste, menor distância até a capital da UF e ter IDHM alto/muito alto. Pertencer à região Norte foi associado negativamente ao desfecho. No modelo final da dimensão das variáveis relacionadas ao Cerest, mantiveram-se associadas positivamente ao desfecho: ter pelo menos um fonoaudiólogo na equipe do Cerest e baixa rotatividade de profissionais. Conclusão: Fatores contextuais influenciam na notificação de Pair pelos municípios, tanto pelas características dos próprios municípios quanto pelas características dos Cerest a cuja área de abrangência pertencem.

14
  • FRANCIANA CRISTINA CAVALCANTE NUNES DOS SANTOS
  • QUALIDADE DOS REGISTROS DE OCUPAÇÃO NAS DOENÇAS ASSOCIADAS AO ASBESTO – ANÁLISE DOS DADOS DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO SOBRE MORTALIDADE NO BRASIL

  • Data: 29/07/2019
  • Mostrar Resumo
  • Objetivo – Estimar a qualidade do registro da ocupação no Sistema de Informação sobre Mortalidade, SIM, para os óbitos por doenças associadas ao asbesto no Brasil.
    Métodos – Este é um estudo transversal, conduzido com dados de óbitos de trabalhadores maiores de 16 anos de idade, registrados no SIM, entre 2000‐2016, com diagnósticos de doenças associadas ao asbesto: mesotelioma, asbestose e placas pleurais. O registro da “ocupação” foi analisado para a completude e consistência.
    Resultados – Foram identificados 3.764 registros, entre os quais 20,2% (n=760) dos campos ocupação não estavam preenchidos. Dados inválidos da ocupação representaram 40,1% (n=1.508), concentrando‐se, especificamente, em registros de aposentados e donas de casa, não reconhecidos como ocupações. Casos de asbestose tiveram a pior qualidade, 69,0% de incompletude/inconsistência e, correspondentemente, 64,2% para as placas pleurais. A má qualidade do registro de ocupação foi superior a 50,0% dos registros de DAA em todas as
    regiões do país. Não houve diferenças expressivas da qualidade dos registros de ocupação em relação aos diagnósticos específicos, se DAA ou outros.
    Conclusão – A qualidade do registro da ocupação no SIM precisa ser melhorada, especialmente na completude e dados consistentes com a CBO, tanto para as doenças associadas ao asbesto quanto outros diagnósticos.

15
  • TATIANA SOUZA OLIVEIRA
  • OS FILHOS DA ZIKA: significados atribuídos à associação entre microcefalia e epidemia do Zika vírus, por cuidadores das crianças afetadas e suas experiências de cuidado

  • Orientador : MARCELO EDUARDO PFEIFFER CASTELLANOS
  • Data: 08/08/2019
  • Mostrar Resumo
  • A epidemia do Zika vírus, antes caracterizada como infecção branda, assumiu notoriedade do cenário nacional quando uma possível associação ao aumento do número de casos de microcefalia em crianças foi aventada. Da suspeita dos médicos até o reconhecimento pelo Ministério da Saúde, a sensação de incerteza só aumentava. O nascimento de crianças com malformações cerebrais, até então pouco visibilizado pela mídia e autoridades, tornou-se uma preocupação que exigia rapidez na tomada de decisões e necessidade de divulgar informações. Chama atenção como classes menos privilegiadas foram atingidas em sua maioria. Assim, o impacto familiar que este acontecimento tem causado e o processo de vulnerabilização a que as famílias mais atingidas estavam expostas há décadas no Brasil, despertaram o interesse sobre esta temática. Objetivo geral: compreender os significados atribuídos por cuidadores de crianças com microcefalia associada ao ZIKV a tal evento e se esses significados se relacionam (ou não) às suas experiências de cuidado. Objetivos específicos: identificar a visão dos cuidadores sobre a etiologia da microcefalia associada ao ZIKV e o eventual papel do Estado em relação ao controle de alguns dos seus condicionantes; compreender o olhar dos cuidadores frente à criança, considerando sua experiência de cuidado; identificar se as situações de vulnerabilidade a que estas famílias estão expostas, estão presentes em suas narrativas. Estratégias Metodológicas: Realizada pesquisa qualitativa envolvendo mães de crianças com microcefalia associada ao ZIKV atendidas na unidade Sarah/Salvador da Rede Sarah de Hospitais do Aparelho Locomotor. Realizou-se, através de análise de prontuário, um levantamento sociodemográfico de 261 mães de crianças com diagnóstico de microcefalia e ZIKV, atendidas naquela unidade. Foram realizadas entrevistas semiestruturada com 25 dessas mães, gravadas e transcritas. Procedeu-se a análise temática de conteúdo das transcrições, orientada pelo Interacionismo Simbólico. Resultados: A maioria das mães atendidas são procedentes de bairros periféricos de Salvador e do interior, quanto a escolaridade predominou aquelas que cursaram até o ensino médio. Observou-se que as mães não têm dúvidas quanto a microcefalia ser uma consequência da contaminação pelo vírus. As mídias foram as principais fontes de informação. Apesar de reconhecer os riscos ambientais aumentados de exposição, a maioria das mães não as relacionam às desigualdades sociais. Os significados atribuídos à relação entre a epidemia e a microcefalia estão direcionados a experiências de ruptura biográfica, que situam os desafios enfrentados no contexto familiar e de trabalho. Esses desafios envolveram o abandono das atividades laborais, isolamento social e a necessidade de buscar ajuda para apoiar o cuidado compartilhado dos filhos. As relações de interação que emergiram com a epidemia, a gestação e nascimento de uma criança com microcefalia por ZIKV, levaram essas mães a ressignificar o cuidado dos filhos, seus projetos de vida e a se organizar como um novo sujeito coletivo. Considerações finais: Ao trazer para reflexão a compreensão das cuidadoras sobre o fenômeno, fomentamos o debate com o objetivo de dar visibilidade às crianças e suas famílias, visando a discussão de políticas que possam ampará-las diante do caráter permanente do adoecimento e da ausência do Estado como intermediador deste processo.

16
  • FILIPE MATEUS DUARTE SIMÕES
  • Eu chego catando gente: análise de narrativas de jovens gays sobre a busca por cuidados após a descoberta da infecção por HIV, em Salvador, Bahia

  • Orientador : LUIS AUGUSTO VASCONCELOS DA SILVA
  • Data: 19/08/2019
  • Mostrar Resumo
  • No Brasil, nos últimos 10 anos, tem-se desenhado um quadro de crescimento de casos de HIV/aids entre jovens, com incremento da taxa de detecção, principalmente, entre jovens gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH). Também nos últimos anos, a referência às novas tecnologias de prevenção e de tratamento vem produzindo impactos na história natural da infecção por HIV e nas narrativas de jovens e demais pessoas vivendo com HIV. Na 4ª década da epidemia de HIV/aids, esses elementos têm possibilitado a gestão médica completa e a “normalização” clínica do HIV, pressupondo que este se constitua como uma parte regular da saúde e das relações sociais. O presente trabalho tem como principal escopo compreender aspectos das trajetórias de jovens gays após a descoberta de suas sorologias positivas para HIV. Para esse fim, foram conduzidas entrevistas narrativas com 14 jovens gays que receberam diagnóstico em 2016, no âmbito de um inquérito epidemiológico realizado na cidade de Salvador-Bahia. Nessa direção, serão discutidas as formas como esses jovens passam a construir suas relações cotidianas a partir do HIV, bem como as repercussões no processo de busca por um serviço de saúde e o processo do cuidado contínuo do HIV. Para alguns jovens, a partir da descoberta da nova condição sorológica, o cotidiano será habitado por uma porção de “ingredientes”, como os desafios no campo do trabalho e da família, a expectativa de um “amor correspondido” ou mesmo de uma “transa casual” que supere a presença (secreta ou revelada) do HIV, bem como será vivenciado com a presença de obstáculos individuais, coletivos e programáticos à manutenção do seu cuidado à saúde. Assim, mesmo em tempos de “normalização” da aids, o cotidiano vivenciado após esse evento não se dará de maneira uniforme para todos, já que revelar ou manter em segredo a sorologia pode ser um desafio, um processo complexo ao longo do qual presentifica-se o medo da rejeição, a ideia de culpa e o sentimento de vergonha, na medida em que o estigma, o preconceito e a discriminação ainda justificam dificuldades.

17
  • ANNE SOARES SILVEIRA
  • Análise da oferta na atenção especializada e hospitalar na Região Metropolitana de Salvador.

  • Orientador : JAIRNILSON SILVA PAIM
  • Data: 27/08/2019
  • Mostrar Resumo
  • A análise do sistema de saúde brasileiro revela a expansão do acesso e cobertura de procedimentos de atenção básica e de cuidados complexos. Entretanto, permanecem problemas que afetam a prestação de serviços. Por exemplo, a concentração de recursos de média e alta complexidade em grandes centros urbanos e, sobretudo, a dependência do SUS ao setor privado. Com o objetivo de analisar a adequação da oferta na atenção especializada e hospitalar foi realizado estudo de agregados da oferta de estabelecimentos de saúde e a cobertura potencial dos leitos, consultas, equipamentos e profissionais médicos, tendo como unidade de análise os municípios que integram a Região Metropolitana de Salvador, Bahia, entre os anos de 2012 e 2017. Foram utilizados dados secundários disponíveis no Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS), Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), Rede Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Os parâmetros nacionais existentes para o setor público serviram como referência para a avaliação da oferta. Verificou-se concentração de estabelecimentos de saúde no município de Salvador (82,7%), sendo que 90,7% deles não atendem ao SUS. Por sua vez, há elevada oferta de equipamentos diagnósticos e déficit em todas as especialidades médicas analisadas. Ainda que a oferta de leitos hospitalares alcance o padrão preconizado, os leitos SUS representam menos de 50% do total. Os achados deste estudo podem contribuir especialmente no âmbito da organização da rede de serviços na RMS, visando auxiliar no planejamento em saúde, bem como dar maior visibilidade ao controle social a ser exercido pela população.

18
  • ARLINDO PACHECO DOS SANTOS NETO
  • APRECIAÇÃO NORMATIVA DA ATENÇÃO ÀS MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL EM UM SERVIÇO DE REFERÊNCIA EM SALVADOR

  • Orientador : ANA LUIZA QUEIROZ VILASBOAS
  • Data: 28/08/2019
  • Mostrar Resumo
  • Estima-se em nível global, que 2 a 5% das mulheres sejam vítimas de violência sexual, uma incidência de 12 milhões de casos a cada ano, o que corresponde a 20% das mulheres vítimas da violência no mundo. No Brasil, calcula-se que a cada sete minutos uma mulher é vítima de violência sexual. Este é um estudo avaliativo do tipo Normativo, cujo objetivo foi analisar a atenção às mulheres vítimas de violência sexual, a partir da percepção dos profissionais médicos de um serviço de referência em Salvador Bahia. Para tanto, se procedeu à construção dos modelos teórico-lógico e modelo lógico-operacional, baseados em Normas Técnicas do Ministério da Sáude do Brasil, que orientam a atenção às pessoas vítimas de violência sexual. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semi-estruturadas, aplicadas face a face de médicos obstetras, envolvidos diretamente na atenção às mulheres atendidas no serviço, além do gestor da unidade. Em seguida, os dados foram analisados, considerando a matriz de julgamentoque pontuou as ações realizadas, à luz daquelas previstas nas Normas Técnicas, segundo quatro dimensões: Humanização do Atendimento; Disponibilidade e Suficiência de Insumos; Registro de Informações; Coleta de Vestígios; Conhecimento das Normas Técnicas e Divulgação do Serviço. Os resultados mostram que a atenção no serviço estudado está parcialmente implantada. A discussão foi realizada dispondo as dimensões em duas vertentes: Humanização dos serviços e Conhecimento da Norma Técnica e divulgação do serviço. Foram consideradas a importância da capacitação do profissional médico e da divulgação deste serviço para fortalecer sua visibilidade e seu acesso às mulheres vítimas de violência sexual.

19
  • CAMILE BATISTA CABRAL
  • Desenvolvimento Infantil no Contexto da Atenção Básica: modelo de intervenção para crianças com deficiência e cuidadores

  • Orientador : DARCI NEVES DOS SANTOS
  • Data: 27/11/2019
  • Mostrar Resumo
  • A política da pessoa com deficiência não se traduziu na implementação de uma linha de cuidado na Atenção Básica nem em propostas operacionais estruturadas, tornando a atenção infantil ainda insuficiente e sem clareza neste nível de atenção. A ocorrência do surto de microcefalia e demais alterações decorrentes do Zika Vírus, aumentou o número de crianças com deficiência, colocando em evidência problemas estruturais na oferta do cuidado em saúde, dando visibilidade para esta questão. Este estudo tem por objetivo analisar os limites e as possibilidades dos recursos da atenção básica, para caracterizar a natureza do cuidado para a promoção do desenvolvimento infantil e a saúde mental dos familiares, considerando a densidade tecnológica requerida neste espaço de cuidado e suas relações com o nível especializado de atenção. Foi realizado uma revisão sistemática do tipo integrativa para identificar as evidências disponíveis para orientar a prática com crianças e suas famílias no contexto da AB. Foram examinados estudos primários que descreveram ações implementadas no contexto da atenção primária entre 2014 e 2018. Este estudo categorizou: 4 programas de treinamento, uso de 12 tipos diferentes de instrumentos de rastreio e identificou 11 ações, sendo cinco de apoio / estimulação do desenvolvimento, cinco de apoio / suporte familiar e uma de base comunitária. detecção precoce (uso de ferramentas de triagem). De maneira geral, estas proporcionaram o aumento nos níveis de desenvolvimento e participação social; oferta de orientações e de informações de saúde / recursos comunitários; definição de projeto terapêutico articulado com outros níveis de atenção; e acolhida familiar. Esta revisão forneceu evidências da lacuna existente na assistência para o acompanhamento do desenvolvimento infantil no contexto da APS, principalmente da criança com deficiência. A natureza destes estudos também traz uma importante reflexão sobre as intervenções disponíveis, visto que sua grande parte está voltada para triagem e detecção, deixando de lado o espaço onde a vida acontece: a família e a comunidade.

20
  • MICHELLE CASTRO MONTOYA FLORES
  • Acomodações previstas no instrumento de avaliação de desempenho cognitivo: uma experiência com crianças com múltiplas deficiências acometidas pela síndrome congênita do Zika Vírus.

  • Orientador : DARCI NEVES DOS SANTOS
  • Data: 02/12/2019
  • Mostrar Resumo
  • A síndrome congênita do Zika Vírus (SCZV) abrange um conjunto de defeitos e alterações que interfere no curso e no progresso da maturação do Sistema Nervoso Central (SNC) repercutindo em múltiplas deficiências de sistemas que podem interferir nas habilidades cognitivas e na interação social e familiar da criança. Perante essa condição, ressalta-se a importância de realizar uma avaliação precoce do desenvolvimento propondo o uso de acomodações nos Instrumentos possibilitando maior precisão na estimativa de resultados do que testes convencionais, tendo como opção a Escala Bayley. O objetivo deste estudo foi descrever acomodações propostas para o Instrumento Bayley para a avaliação do desenvolvimento de crianças com múltiplas deficiências. O estudo teve como delineamento uma revisão bibliográfica sendo selecionado artigos publicados entre 2001 e 2018 nas revistas indexadas nas bases de dados PubMed, Scielo, Lilacs e no portal periódicos CAPES. Seguindo a estratégia de busca foram identificados 69 artigos e baseado nos critérios de inclusão e exclusão do presente estudo foram selecionados no final somente 04 artigos. Foi incluído também para análise final o Manual com Acomodações para o Instrumento Bayley elaborado como orientação técnica para auxiliar na administração da Bayley com acomodações no estudo de coorte, ao qual o presente trabalho está aninhado. Em relação às acomodações utilizadas, os estudos classificaram como: acomodações materiais, de procedimento e de instrução, observando-se que a maioria delas foram propostas nas provas para minimizar predominantemente a condição de deficiências motoras e sensoriais. Os resultados mostraram que crianças com múltiplas deficiências podem se beneficiar das acomodações para avaliação do desempenho especialmente na escala cognitiva da Bayley. Resultados semelhantes poderiam ser observados em possíveis estudos que utilizassem acomodações na avaliação de crianças com múltiplas deficiências decorrentes da SCZV.

21
  • STEFFANE CAVALCANTI RODRIGUES
  • Eu sei que o que eu vivo muitas outras mulheres vivem: Uma perspectiva político-feminista sobre o cuidado na vida de mulheres Agentes Comunitárias de Saúde

  • Orientador : CLARICE SANTOS MOTA
  • Data: 04/12/2019
  • Mostrar Resumo
  • Existe uma alocação desigual em torno das tarefas do cuidado que não é aleatória e obedece a uma estrutura opressiva de sociedade, funcionando por meio de hierarquias de sexo, raça/cor e classe social. Entre as pessoas que cuidam há mais mulheres, as mulheres negras e pobres; entre os que recebem cuidados mais intensivos (em qualidade e quantidade) estão os homens, brancos e mais ricos da população. Observamos que a base da pirâmide social brasileira (mulheres negras e pobres) corresponde a uma população de profissionais do cuidado da atenção básica do SUS, as Agentes Comunitárias de Saúde, que são uma categoria profissional formada majoritariamente por mulheres, as mais negras e mais pobres dentre as(os) demais profissionais. Estas mulheres são responsabilizadas diferencialmente pelos trabalhos de cuidado, o que acarreta diversas condições de vulnerabilidades ao longo de suas vidas. O objetivo principal desta dissertação é compreender as realidades do cuidado presentes na vida de mulheres Agentes Comunitárias de Saúde que vivem na zona rural da Chapada Diamantina, na Bahia. Recorremos teórica e metodologicamente à ética do cuidado, à teoria política e ao conceito de interseccionalidade pensados pela ótica de autoras feministas. Foram realizados seis meses de trabalho de campo na Unidade de Saúde da Família de Caeté-Açú, Bahia, com coleta de dados apoiada pela observação participante e por entrevistas narrativas. Os resultados apontam para desigualdades de gênero e vulnerabilidades associadas às tarefas de cuidado na vida dessas mulheres, que foram elencadas em macro e micro categorias. Dentre elas, socialização das mulheres, responsabilidade diferenciada, autocuidado, reciprocidade, divisão sexual e racial do trabalho doméstico, âmbitos público e privado, família, maternidade e violência. Concluímos que o fortalecimento da socialização do cuidado e de políticas públicas que visem contribuir com o fim das desigualdades sociais, de gênero e raça/cor, presentes nos trabalhos de cuidado, significam o fortalecimento de modelos de sociedade mais justos e democráticos. O cuidado precisa ser entendido como uma responsabilidade política prioritária e o equilíbrio de suas práticas precisa ser feito entre as atrizes e atores sociais, como preconizado por uma perspectiva político-feminista do cuidado.

22
  • ANTONIO ANGELO MENEZES BARRETO
  • Desemprego e suicídio na população brasileira em um cenário de crise do capitalismo.

  • Orientador : LUIS EUGENIO PORTELA FERNANDES DE SOUZA
  • Data: 18/12/2019
  • Mostrar Resumo
  • Nas últimas três décadas do século XX, o capitalismo vivenciou uma série de transformações sócio históricas que impactaram de modo significativo no mundo do trabalho. No ano 2008, eclodiu uma crise financeira nos Estados Unidos (EUA), que acabou minando muitas das instituições financeiras neste país, e prejudicando boa parte do sistema financeiro mundial. Um dos desfechos que se tem verificado em virtude da crise global do capitalismo é o desemprego. Compreendendo que a saúde é determinada socialmente é que muitos estudos vêm avaliando mudanças no comportamento suicida relacionadas a crises econômicas e sua associação com o desemprego, notadamente. O nosso estudo tem como objetivo estimar a associação entre desemprego e ocorrência de suicídio na população brasileira em período anterior (2011-2013) e durante a crise econômica de 2014 a 2016. Trata-se de um estudo de corte transversal, utilizando-se os registros de óbitos por suicídio da população brasileira para o período de 2011 a 2016. Os dados de mortalidade foram extraídos do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde (MS), codificados segundo a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, na sua décima revisão (CID-10). Os resultados evidenciaram que o perfil de suicídio da população brasileira no período de crise foi semelhante ao perfil no período pré-crise, em certos aspectos – homens e raça/cor branca – e distinto em outros – mulheres, grupo de idade, raça/cor, escolaridade, estado civil e situação de trabalho (empregado e desempregado). Ao longo do período 2011-2016, os Coeficientes de Mortalidade (CM) por suicídio em pessoas empregadas e desempregadas evoluíram de tal forma que é possível identificar um aumento percentual nos dois grupos. Em ambos os períodos, as ocupações de aposentado/pensionista, dona de casa, trabalhador agropecuário em geral, trabalhador volante da agricultura, pedreiro e estudante foram as seis com maior proporção de casos de suicídio. Os nossos resultados não estão totalmente alinhados com os dos outros estudos revisados. Na qualidade de convergência, podemos citar o aumento na taxa de suicídio geral no período de crise, e em particular, um maior aumento nas taxas de suicídio entre pessoas desempregadas quando comparado as empregadas; o risco de suicídio nas ocupações de donas de casa e de trabalhadores/as da agropecuária; o fato de os CM por
    suicídio serem mais elevados na população indígena quando comparados a outras categorias da variável raça/cor; maior proporção de casos de suicídio e um maior risco de mortalidade por suicídio entre os homens. Contudo, os nossos achados divergem de estudos que encontraram um maior risco de suicídio para empresários e alguns funcionários de alta patente, para o período de crise econômica. A análise ajustada pelas covariáveis identificou menores chances de ocorrência de suicídio entre desempregados em relação aos empregados, tanto no período pré-crise quanto no período de crise econômica. Embora os resultados encontrados, para o período de crise, tenham apresentado significância estatística, sugerindo a existência de associação não-casual entre desemprego e suicídio, não se pode afirmar que o desfecho estudado sofra efeitos do desemprego.

23
  • FABIOLA AZEVEDO ARAUJO
  • DESAFIOS DO CUIDADO INTEGRAL À DOENÇA FALCIFORME: LIMITES E POSSIBILIDADES DE SENSIBILIZAÇÃO PROFISSIONAL ATRAVÉS DE UM CURSO DE EXTENSÃO EM EAD

  • Orientador : CLARICE SANTOS MOTA
  • Data: 18/12/2019
  • Mostrar Resumo
  • Curso de Extensão em Saúde Coletiva sobre Atenção Integral à Saúde de Pessoas com Doença Falciforme (ExtSCDF) surgiu como uma demanda do Ministério da Saúde, no sentido de avançar na inclusão das pessoas com doença falciforme (DF) na rede de atenção básica, visando a oferta de ações voltadas para promoção da saúde e prevenção das complicações da doença. O curso foi desenvolvido para sensibilizar e atender as necessidades de conhecimento e aprendizado dos profissionais da atenção básica acerca da doença falciforme e tinha como meta atingir 1.500 profissionais de saúde, abrangendo todo o Brasil. O foco na Atenção Básica se deveu ao fato de que, além de serem os primeiros profissionais a atender usuários com a doença nas unidades de saúde, são também os que têm menos aproximação com a temática, até então restrita à alçada da atenção especializada, sob o crivo de hematologistas, privando a pessoa que convive com a doença do cuidado integral. Entretanto, ao longo do Curso, outros profissionais foram se inserindo, bem como pessoas do controle social, membros das Associações de pessoas com DF. Este estudo tem como objetivo principal analisar os limites e possibilidades do Curso ExtSCDF para a sensibilização dos profissionais de saúde na percepção dos educandos residentes em Salvador. Foram realizadas entrevistas com pessoas que fizeram o curso em Salvador, Bahia, através de um roteiro semiestruturado, analisado através da técnica de Análise de Conteúdo. Diante dos relatos dos participantes do estudo, foi possível constatar que o curso proporcionou muito mais possibilidades do que limites para mudanças nas práticas de trabalho dessas profissionais ao se depararem com pessoas que convivem com a doença falciforme. Isso mostra que o curso de alguma forma conseguiu sensibilizar as profissionais a ponto de implementar e até modificar suas práticas de trabalho contribuindo para o cuidado integral.

Teses
1
  • ELZO PEREIRA PINTO JUNIOR
  • IMPACTO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NAS HOSPITALIZAÇÕES POR CAUSAS EVITÁVEIS EM CRIANÇAS MENORES DE 1 ANO

  • Data: 24/01/2019
  • Mostrar Resumo
  • As internações por condições sensíveis à atenção primária (ICSAP) são eventos considerados evitáveis se a atenção primária à saúde (APS) for organizada de modo a garantir serviços resolutivos e representam um importante problema de saúde pública no grupo infantil, dada a sua magnitude. Esta Tese teve como objetivo avaliar o impacto da atenção primária à saúde (APS) nas hospitalizações evitáveis em crianças menores de um no Brasil e foi construída no formato de cinco artigos, que exploram diferentes metodologias para descrever indicadores e avaliar o impacto de intervenções públicas de larga escala em desfechos de saúde. Os dois primeiros artigos foram de caráter descritivo e os outros três artigos utilizaram métodos quasi-experimentais. Os artigos 1 e 2, que objetivaram analisar o comportamento das taxas e dos gastos com ICSAP, utilizaram análises de tendência temporal com cálculo de variação percentual anual (Annual Percent Change – APC) a partir de modelos lineares de Prais-Winsten, e regressão de Joinpoint para estimar os APC em segmentos específicos de uma série histórica, e a partir de seus valores e do tamanho de cada segmento, estimar a variação anual percentual média (Average Annual Percent Change - AAPC). Os resultados destes dois estudos mostraram redução de 7,4% nas taxas de ICSAP em menores de 1 ano (APC=-7,4%; IC95%:-10,9; -3,8) e diminuição anual média de 3,3% (AAPC=-3,3; IC95%: -4,8; -1,7) nos gastos com essas internações, que diminuíram de 154,57 para 84,32 milhões de reais de 2000 a 2015. No terceiro artigo, que avaliou o efeito da Estratégia Saúde da Família (ESF) nas internações evitáveis em crianças, utilizou-se modelos de regressão binomial negativa, com painel de dados, cujos resultados revelaram que a consolidação da cobertura da ESF esteve associada à redução das ICSAP. Foram encontrados efeitos em todos os estratos de municípios, exceto naqueles com população superior a 500 mil habitantes, sendo de maior magnitude a redução nos municípios com população de 50-100 mil habitantes (RR=0,74; IC95%:0,69-0,80). O quarto artigo teve como objetivo avaliar o impacto do Programa Mais Médicos (PMM) no provimento de médicos nos serviços de APS no Brasil e foi realizado com base na metodologia de séries temporais interrompidas (Interrupted Time Series – ITS). Antes da criação do Programa Mais Médicos observou-se que as taxas de médicos de APS apresentavam tendência estacionária no conjunto de municípios brasileiros, sendo menores no grupo de municípios que aderiu ao programa. Após a implantação do PMM foi possível notar aumento dessas taxas no grupo de municípios que aderiu ao programa e tendência estacionária naqueles que não haviam aderido, sendo observadas diferenças estatisticamente significantes nas taxas de médicos de APS nos grupos com e sem intervenção. Destaca-se que nos municípios com 20% ou mais da população em extrema pobreza, o grupo que aderiu ao PMM apresentou maiores taxas de médicos de APS, superando aqueles que não haviam aderido ao programa, evidenciando assim o sucesso desse programa no provimento de médicos. O último artigo da tese avaliou o impacto do PMM nas internações por condições sensíveis à APS em menores de 1 ano no Brasil, com o uso de uma combinação de métodos quasi-experimentais. A definição da intervenção PMM incluiu critérios de duração e proporção de médicos do PMM no total de médicos de APS. Foi realizado o pareamento por escores de propensão (Propensity Score Matching-PSM) para tornar os grupos mais comparáveis em relação a um conjunto de covariáveis confundidoras, elencadas a partir da construção de um modelo teórico. Para a estimação do impacto da intervenção utilizou-se o método das Diferenças em Diferenças (Difference-in-Difference – DiD) com um modelo de regressão com resposta binomial negativa, ponderando as análises pelos escores de Kernell obtidos com o PSM. O Programa Mais Médicos demonstrou impacto na redução das internações por condições sensíveis à atenção primária em menores de 1 ano e nos pós-neonatos em municípios que possuem considerável parcela de sua população vivendo em situação de pobreza. Esta Tese evidenciou que a consolidação da cobertura da Estratégia Saúde da Família e a criação do Programa Mais Médicos podem ser consideradas intervenções efetivas para a melhoria das condições de saúde das crianças brasileiras. Desse modo, destaca-se a importância de fortalecer a APS enquanto eixo organizador do Sistema Único de Saúde, o que inclui garantir sustentabilidade financeira para o desenvolvimento de suas ações e serviços

2
  • SILVÂNIA SALES DE OLIVEIRA
  • DECISÃO E IMPLEMENTAÇÃO DO MODELO EBSERH: o caso dos hospitais universitários da Bahia

  • Orientador : ISABELA CARDOSO DE MATOS PINTO
  • Data: 07/02/2019
  • Mostrar Resumo
  • A pesquisa aborda a gestão hospitalar como temática importante na análise de políticas públicas de saúde e objeto de constante preocupação por parte dos gestores. A delimitação relacionada aos hospitais universitários (HU) foi o enfoque da análise do presente estudo. A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) foi criada em 2011 para gestão dos HU no Brasil, e considerada para a pesquisa um modelo de gestão alternativo para o SUS. Assim, o objetivo geral desse estudo é analisar o processo de formulação e implementação do modelo EBSERH nos hospitais Universitários da Universidade Federal da Bahia/UFBA de 2010 a 2017. E como objetivos específicos, identificar os marcos jurídicos e normativos para criação da EBSERH; descrever como se deu o processo de decisão pelo modelo na UFBA (cenários, atores, processo decisório e alternativas políticas); analisar o processo de implementação da gestão EBSERH nos HU da UFBA e analisar a política de gestão do trabalho adotada pela empresa na perspectiva dos distintos atores envolvidos no processo. Para tanto utiliza-se o referencial do Ciclo da Política Pública, e para a produção das informações fontes secudárias através da análise documental e fontes primárias, perfazendo um total de 85 entrevistas com gestores e trabalhadores dos HU. Toma-se o Ciclo da Política Pública como referencial teórico. A aprovação da EBSERH na UFBA foi resultante de inúmeras tensões decorrentes de distintas posições de atores envolvidos nas arenas de decisão. Os diferentes atores participaram do processo motivados por interesses, ideologias e objetivos diversificados. Os conflitos permearam todo o processo, desde a proposta da política, o anúncio, a aprovação da Lei, a decisão no Conselho Universitário, até a assinatura do contrato com a empresa. A implementação da política EBSERH se deu num contexto de incertezas e insatisfação dos trabalhadores. Em relação a gestão do trabalho pôde-se observar um acirramento nas relações de trabalho e das desigualdades entre os trabalhadores de diferentes vínculos jurídicos e condições salariais. Os resultados sugerem que em relação ao modelo anterior o novo modelo implantado nos HU aproxima-se da proposta do Novo Gerencialismo Público no que se refere a política de resultados e foco numa nova performance do serviço público. O referencial teórico mostrou-se uma importante ferramenta analítica, permitindo esclarecer vários pontos relativamente obscuros sobre como as decisões são tomadas indicando também aspectos cruciais da elaboração e implementação da EBSERH na UFBA

3
  • VINICIO OLIVEIRA DA SILVA
  • GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA NO BRASIL: MÚLTIPLOS OLHARES SOBRE A DOCÊNCIA

  • Orientador : ISABELA CARDOSO DE MATOS PINTO
  • Data: 26/02/2019
  • Mostrar Resumo
  • Este estudo trata do processo de construção/reconstrução das identidades profissionais dos docentes dos cursos de graduação em Saúde Coletiva no Brasil e suas relações com a formação do sanitarista. Foi realizado um estudo exploratório, de natureza qualitativa, que toma por objeto a identidade dos docentes dos cursos de Graduação em Saúde Coletiva no Brasil, analisada com base na teoria da construção das identidades sociais e profissionais de Claude Dubar. O objetivo geral, portanto é analisar o processo de construção/reconstrução das identidades profissionais dos docentes dos cursos de graduação em Saúde Coletiva no Brasil. Os objetivos específicos incluem: a) caracteriza a formação, a trajetória socioprofissional e a prática dos docentes dos cursos de graduação em Saúde Coletiva; b) analisar a percepção dos docentes sobre os cursos e o campo da Saúde Coletiva; c) discutir a relação entre o processo de construção/reconstrução da identidade profissional dos docentes e a formação dos sanitaristas. A produção dos dados adotou a técnica de entrevistas semiestruturadas, do tipo individual - em profundidade. A análise do material foi realizada partindo da teoria da construção das identidades sociais e profissionais. Os resultados desse estudo evidenciam que, de fato, a implantação dos CGSC, envolveu docentes com diversas formações em Saúde e em Ciências Humanas e Sociais, diversidade característica do campo da Saúde Coletiva, desencadeando um processo de reconstrução da sua identidade profissional que pode se apresentar como uma sequência de formas identitárias ao longo da sua trajetória socioprofissional. Apontando a construção de uma identidade docente, a partir dos processos de socialização, influenciados tanto por fatores profissionais quanto pelas formas típicas de suas trajetórias individuais, de mundos sociais e sistemas de práticas. Espera-se que esses resultados e reflexões possam contribuir para identificação de questões e desafios que precisam ser superados no âmbito da formação em Saúde Coletiva, bem como no debate sobre a constituição deste campo.

4
  • SUÉLEM MARIA SANTANA PINHEIRO FERREIRA
  • O EFEITO DA CONDIÇÃO PERIODONTAL NA DETERMINAÇÃO DA EVOLUÇÃO CLÍNICA DA DOENÇA RENAL CRÔNICA

  • Orientador : MARIA ISABEL PEREIRA VIANNA
  • Data: 27/03/2019
  • Mostrar Resumo
  • Alguns estudos abordam a periodontite como fator de risco não tradicional para complicação
    e progressão da DRC. Assim, o objetivo deste estudo foi investigar a associação de condições
    periodontais e da periodontite com a DRC, em indivíduos sob tratamento de hemodiálise. Os
    resultados foram organizados em três artigos científicos. O 1º artigo compreendeu uma
    revisão sistemática com metánalise, de estudos que investigaram a associação da periodontite
    com desfechos relacionados à complicação ou progressão da DRC. As medidas de associação
    metanalíticas apontaram para a associação positiva da periodontite com hipoalbuminemia
    (RP=2.47, IC95%: 1.43-4.26), altos níveis de proteína C-reativa (RP=1.39, IC95%= 1.07-1.81),
    óbito por doença cardiovascular (RR=2.29, IC95%: 1.67-3.15) e óbito por todas as causas
    (RR=1.73, IC95%= 1.32-2.27). Os outros dois artigos fazem parte de um estudo de coorte
    prospectiva de prognóstico, realizado com 217 indivíduos com DRC, sob tratamento de
    hemodiálise, em Feira de Santana-BA. Dados foram coletados através de questionário, exame
    bucal e registros médicos. O seguimento dos indivíduos foi realizado entre agosto de 2016 e
    dezembro de 2018. O 2º artigo investigou a associação de parâmetros periodontais com a
    evolução de biomarcadores laboratoriais utilizados no monitoramento clínico. O nível de
    inserção clínica (NIC) foi negativamente correlacionado aos níveis séricos médios de cálcio
    (p=0.021), fósforo (p=0.020) e albumina (p=0.025), em doze meses de seguimento.
    Adicionalmente, indivíduos com maior NIC apresentaram alterações significativas nos níveis
    de fósforo (p=0.053) e fosfatase alcalina (p=0.005), nos primeiros seis meses de seguimento.
    Indivíduos com maior profundidade de sondagem apresentaram um crescimento significativo
    nos níveis séricos de fosfatase alcalina (p=0.008) entre 0 e 6 meses de seguimento. Ademais,
    a perda dentária foi negativamente correlacionada com os níveis médios de fósforo (p<0.001)
    e albumina (p==0.001), ao longo de doze meses de seguimento. No 3º artigo, estimou-se o
    efeito da condição periodontal na sobrevida e no risco de óbito. Indivíduos com grande perda
    dentária (p=0.025) e altos níveis de NIC (p<0.001) tiveram menor sobrevida que seus
    respectivos grupos de comparação. Indivíduos com maior perda dentária (p=0.025) e maior
    NIC (p<0.001) tiveram menor sobrevida. Aqueles com maior NIC também tiveram o risco de
    óbito aumentado em mais de duas vezes (HR= 2.88; IC95%: 1.55-5.36 / HRajustado= 2.28; IC95%:
    1.12-4.62). Conclui-se que a condição periodontal foi positivamente associada aos
    biomarcadores de complicação da DRC, relativos ao distúrbio do metabolismo mineral e
    ósseo e desnutrição energético-proteica, bem como à progressão da DRC, através da redução
    da sobrevida e aumento do risco de óbito.

5
  • PATRICIA MAIA VON FLACH
  • EXPERIÊNCIAS DE SOFRIMENTO SOCIAL E MOVIMENTOS DE RESISTÊNCIA ENTRE TRABALHADORES E GENTE DE RUA (USUÁRIOS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS), NA PRAÇA DAS DUAS MÃOS − SALVADOR-BAHIA

  • Orientador : MONICA DE OLIVEIRA NUNES DE TORRENTE
  • Data: 17/04/2019
  • Mostrar Resumo
  • Este estudo teve por objetivo analisar as experiências de sofrimento social e os movimentos de resistência expressos e/ou constituídos no cotidiano e no encontro entre os trabalhadores de rua e a gente de rua. Justifica-se pela inegável relevância social do tema, mas, também, pela constatação de que esta é uma problemática pouco estudada na perspectiva da relação entre trabalhadores e gente de rua. Esta pesquisa utiliza a abordagem etnográfica, tendo a Praça das Duas Mãos, no bairro do Comércio (Salvador-BA) e suas imediações como recorte espacial. Os sujeitos participantes da pesquisa foram definidos a partir dos encontros no campo de pesquisa, no caso da gente de rua, e escolhidos segundo critérios detalhados na metodologia do estudo, no caso dos trabalhadores de rua. Teve como principal referência teórica e metodológica, ainda que no diálogo com outros autores, a sociologia reflexiva de Pierre Bourdieu, apoiando-se, também, nos estudos e reflexões do campo da Bioética para a defesa inconteste da dignidade e sacralidade da vida humana. Utilizou-se diferentes técnicas de investigação, quais sejam: entrevistas abertas com interlocutores-chave; observação participante do cotidiano da gente de rua e das reuniões de supervisão dos trabalhadores de rua; e entrevista em grupo com o movimento de população de rua – núcleo Feira de Santana. A análise dos dados se apoiou na hermenêutica de Paul Ricoeur. Como principais resultados, constatou-se que: (1) a violência imposta como condição para viver e sobreviver é a maior das violências e sofrimentos a que está submetida a gente de rua. Deixar morrer ou matar em nome da justiça e proteção social das classes dominantes tem sido o destino desta gente; (2) seja na perspectiva do uso e/ou do comércio, a “droga” é importante fator de classificação e definição da posição da gente de rua no espaço social, tornando-a ainda mais desqualificada e desnecessária e, portanto, alvo principal de um Estado penal que declara guerra às drogas, na verdade, guerra e extermínio a pessoas com baixo valor social; (3) acolhimento e reconhecimento, tempo e paciência, vínculo e aposta dos trabalhadores na/com a gente de rua possibilitam, sob determinadas condições bioéticas, mudar os “efeitos do destino” e a construção de saídas emancipatórias; (4) Este estudo reconhece a potência dos bons encontros – em toda a sua beleza, alegria e requinte – para a construção de sentidos políticos e movimentos de resistência nascidos no entre um e outro, trabalhador e gente de rua.

6
  • GEORGE AMARAL SANTOS
  • PRÁTICAS DE HOMENS TRANS PARA A PRODUÇÃO DE VIDA MELHOR: SOBRE (R)EXISTIR

  • Orientador : LUIS AUGUSTO VASCONCELOS DA SILVA
  • Data: 26/04/2019
  • Mostrar Resumo
  • O conhecimento produzido no campo da Saúde sobre a experiência de homens trans ainda está concentrado na patologização, na essencialização de identidades e na individualização de aspectos eminentemente sociais da experiência trans. Isso tem contribuído para a produção de sofrimento nesse grupo, seja pela obrigatoriedade de adequarem sua performance aos critérios de elegibilidade para o acesso a cuidados de saúde; seja pelos processos de desagenciamento, estigmatização e exclusão em razão do atestado de doentes. Objetivou-se analisar as práticas de homens trans para a produção vida melhor. A Teoria Ator-Rede desponta como uma abordagem útil para proporcionar insights sobre a dinâmica de homens trans no seu viver a vida - um cotidiano feito a partir da inter-ação entre diversos grupos, sentidos, instituições e coisas. A técnica de pesquisa foi o Shadowing, utilizada para acompanhar durante nove meses três homens trans em suas redes de associações. Resistir, no contexto deste estudo, assume o sentido de uma “gana de existir”. (R)existir trata, então, das práticas de homens trans para produzirem vida melhor para si, estando imersos em um contexto de rechaços por dissidirem das normas de gênero. Isso pode significar desde estratégias para conviver ou não com familiares até arquiteturas complexas de manutenção de sua existência. Em suas práticas, os agentes desta pesquisa evocam atores tão diversos e complexos quanto suas vidas são. Cerveja; testosterona; parentes; amigos; amigos-irmãos; médicos; movimentos sociais; coletivos trans; softwares para smartphones; comidas; redes sociais virtuais online; instituições de saúde, justiça, educação superior; trabalhadores de serviços de saúde; santos católicos; velas; terços; fármacos e uma incontável rede de atores componentes de uma nuvem instável de práticas que produzem vida melhor. A constituição do homem trans a partir do lugar de mímese de homem cis ou de antítese de mulher cis coloca o homem trans em um lugar de inferior e constitui uma narrativa que se apresenta nas práticas biomédicas, em algumas práticas acadêmicas, e em muitas práticas de disputas políticas com essa população. Isso é incorporado por alguns homens trans e produz sofrimento em suas vivências, colocando-lhes diante de caminhos irrealizáveis e em nada produtores de cuidado. No entanto, outros arranjos fazem pontos de partida “a partir” das identidades trans, em que vida melhor, um real múltiplo, emerge e atua realidades capazes de disputar com os construtos cisheteronormativos. Estéticas, semiologias, materialidades e narrativas trans que não partem da cisgeneridade como alteridade compulsória são potências que clamam por serem fortalecidas e encontram/produzem eco em algumas pessoas trans com as quais meus caminhos se cruzaram na tessitura deste trabalho.

7
  • ANA CLARA PAIXAO CAMPOS
  •  

    CURSO DOS SINTOMAS DE ASMA ENTRE A INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA: USOS, LIMITES E PERSPECTIVAS DE ESTRATÉGIAS DE ANÁLISE EM ESTUDOS LONGITUDINAIS


  • Orientador : LEILA DENISE ALVES FERREIRA AMORIM
  • Data: 29/04/2019
  • Mostrar Resumo
  • Apesar dos esforços para identificar fatores de risco/proteção para a asma/sintomas de asma, a etiologia da doença permanece pouco compreendida, bem como a sua dinâmica ao longo do tempo, especialmente na transição da infância para a adolescência. Inicialmente, realizou-se uma revisão sistemática sobre o uso de métodos estatísticos em estudos longitudinais de asma nos últimos 20 anos. Identificaram-se 45 estudos epidemiológicos, que demonstraram uma utilização incipiente de métodos estatísticos para dados longitudinais com medidas repetidas do desfecho e, por conseguinte, de estudos que avaliaram longitudinalmente os fatores de risco associados à ocorrência de asma/sintomas de asma em diversas fases da vida, como infância e adolescência. Seguiu-se com um estudo envolvendo dados longitudinais de asma provenientes do Projeto Social Changes, Asthma and Allergy in Latin América (SCAALA-Salvador), com participantes acompanhados desde a infância até a adolescência, com o intuito de avaliar os fatores de risco associados à ocorrência longitudinal de asma/sintomas de asma da infância à adolescência, através da aplicação de três técnicas estatísticas avançadas para modelagem de dados com medidas repetidas. Adicionalmente, avaliou-se o impacto da presença de dados faltantes na análise dos dados longitudinais de asma, bem como o uso da imputação múltipla como estratégia para lidar com os dados ausentes em covariáveis e no desfecho, considerando diferentes percentuais e mecanismos de dados faltantes, No geral, as estimativas dos modelos logístico GEE e logístico multinível foram consistentes na mesma direção, demonstrando o efeito deletério da atopia, asma materna e transtorno mental comum materno na ocorrência dos sintomas de asma ao longo do tempo. As análises com dados ausentes e imputação múltipla demonstraram que a presença de missing na covariável é mais prejudicial do que o missing no desfecho, e que, se uma única variável apresenta alto percentual de dado faltante as estimativas obtidas com o uso da imputação podem ser inválidas. Por fim, utilizou-se a Análise de Classes Latentes (LCA, Latent Class Analysis) para definir fenótipos de asma na infância e adolescência, assim como Análise de Transição Latente (LTA, Latent Transition Analysis) para explorar os padrões longitudinais dos sintomas de asma, avaliando as transições entre tais fenótipos e o efeito de preditores que foram associados à ocorrência longitudinal de sintomas de asma. Os fenótipos encontrados foram nomeados de “Saudável” e “Sintomático”. Cerca de 5% de indivíduos saudáveis na infância passaram a ser sintomáticos na meia infância, o mesmo tendo sido observado na transição da meia infância para a adolescência. Transtorno mental comum materno foi apontado como fator de risco para estados menos saudáveis tanto na infância quanto na adolescência. Estudos longitudinais são essenciais para o estudo da asma, uma vez que a sua história natural permanece pouco compreendida, assim como ainda não há consenso sobre os fatores que contribuem para a sua dinâmica ao longo do tempo. Sendo a asma a doença mais comum na infância, e responsável por altos custos para o sistema de saúde, a identificação de fatores associados pode contribuir substancialmente para formulação de estratégias visando não só a prevenção da doença, mas seu controle ao longo do desenvolvimento infantil e na adolescência.

8
  • KAIO VINICIUS FREITAS DE ANDRADE
  • EFEITOS DE ESTRATÉGIAS DE PROTEÇÃO SOCIAL E DOS DETERMINANTES SOCIAIS NA TUBERCULOSE E HANSENÍASE

  • Data: 29/04/2019
  • Mostrar Resumo
  • Tuberculose (TB) e hanseníase são doenças infecciosas cujo controle efetivo requer não apenas o fortalecimento dos programas de prevenção, diagnóstico e tratamento, mas também de estratégias de proteção social que contribuam para o desenvolvimento socioeconômico das populações mais vulneráveis e para o enfrentamento das dificuldades financeiras decorrentes do adoecimento. Objetivos: 1) Identificar e avaliar evidências sobre os efeitos da proteção social nos desfechos do tratamento da TB em países de baixa e média renda ou com alta carga da doença; 2) Analisar a associação entre o desfecho do tratamento com as características sociodemográficas e os benefícios sociais recebidos por indivíduos com TB acompanhados em Salvador, Bahia; 3) Identificar a associação de fatores geográficos e socioeconômicos com o abandono do tratamento da hanseníase global e de acordo com a classificação operacional (paucibacilar - PB e multibacilar - MB), região geográfica e zona de residência (urbana e rural) dos casos de hanseníase em uma subpopulação da “Coorte de 100 milhões de Brasileiros”; 4) Avaliar o efeito do Programa Bolsa Família (PBF) no coeficiente de detecção de casos novos de hanseníase em menores de 15 anos de idade, residentes nos municípios brasileiros altamente endêmicos para essa doença. Métodos: Para o alcance do objetivo 1, foi conduzida uma revisão sistemática dos estudos realizados em países de baixa e média renda ou com alta carga de TB, publicados entre 1995 e 2016, por meio de buscas nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, ScienceDirect e LILACS. Foram incluídos apenas estudos que investigaram efeitos das estratégias de proteção social sobre desfechos do tratamento da TB, sendo 25 estudos selecionados para a revisão sistemática. As meta-análises foram realizadas com 9 estudos randomizados e controlados, totalizando 1.687 participantes. Para o alcance do objetivo 2, realizou-se um estudo de coorte em Salvador, Bahia, durante 2014-2016, no qual foram acompanhados indivíduos com TB pulmonar residentes em Salvador, Bahia, que receberam benefícios sociais durante o período do tratamento, entre os meses de setembro de 2014 a outubro de 2016. Foram analisadas as associações bivariadas entre desfecho do tratamento da TB, características sociodemográficas e benefícios sociais. Para o alcance do objetivo 3, realizou-se um estudo de coorte, no qual foi conduzida uma
    análise hierárquica multivariada dos fatores geográficos e socioeconômicos associados com o abandono do tratamento por indivíduos com hanseníase cujas famílias estavam inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do Governo Federal, por meio de linkage entre o CadÚnico e o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN-hanseníase), durante 2007-2014. Foram ainda realizadas análises estratificadas adicionais, segundo classificação operacional (PB/MB), região e zona de residência dos casos (rural/urbana). Para o alcance do objetivo 4, realizou-se um estudo ecológico tendo os municípios brasileiros como unidades de análise, durante 2004-2015. As variáveis independentes principais foram as coberturas do PBF para a população-alvo (famílias pobres e extremamente pobres) e para a população total dos municípios estudados. Os dados foram obtidos de bases públicas. Foram incluídos na análise 1.120 (de 5.570) municípios brasileiros. Na análise multivariada, foram empregados modelos binomiais negativos com efeitos fixos para dados em painel, ajustados para as coberturas municipais da Estratégia Saúde da Família (ESF) e para um conjunto de covariáveis sociodemográficas. Resultados: 1) referentes ao objetivo 1: estratégias de proteção social associaram-se com sucesso do tratamento da TB (RR = 1,09; IC95%: 1,03-1,14), cura (RR = 1,11; IC95%: 1,01-1,22) e menor risco de abandono do tratamento (RR = 0,63; IC95%: 0,45-0,89). Não foram detectados efeitos sobre falha terapêutica e mortalidade; 2) referentes ao objetivo 2: foram acompanhados 216 indivíduos, sendo 79,6% curados. Maior proporção de cura associou-se com escolaridade > 9 anos (87,5%; p=0,028), união conjugal (86,3%; p=0,031) e densidade domiciliar ≤ 2 pessoas/dormitório (84,1%, p=0,013), adotando-se como referência indivíduos com escolaridade ≤ 9 anos, sem união conjugal e densidade domiciliar > 2 pessoas/dormitório. Maior proporção de cura também foi verificada entre indivíduos que recebiam benefícios governamentais e não governamentais (90,5%) ou somente benefícios diretos, que consistiam em transferências de recursos financeiros diretamente os beneficiários (81,6%); 3) referentes ao objetivo 3: De 20.063 casos novos de hanseníase inscritos no CadÚnico e diagnosticados durante 2007-2014, 1.011 (5,0%) abandonaram o tratamento. Este desfecho associou-se com: residência na Região Norte do Brasil (OR = 1,57; IC95% 1,25-1,97); etnia negra (OR = 1,29; IC95% 1,01-1,69); não possuir renda (OR = 1,41; % CI 1,07-1,86), possuir renda familiar ≤ ¼ do salário mínimo vigente (OR = 1,42; IC95% 1,13-1,77), residir em domicílios com iluminação doméstica informal ou sem fornecimento de eletricidade (OR = 1,53; IC95% 1,28-1,82) e em domicílios com densidade maior que 1 indivíduo/cômodo (OR = 1,35; IC95% 1,10-1,66); 4) referentes ao objetivo 4: Foi identificada uma tendência crescente na cobertura mediana do PBF e uma tendência decrescente no coeficiente de detecção de casos novos de hanseníase em indivíduos
    com menos de 15 anos de idade. Esse indicador foi reduzido significativamente nos municípios com maiores coberturas de PBF da população-alvo (RR= 0,75; IC 95% 0,63–0,88) e maiores coberturas do PBF da população total dos municípios incluídos no estudo no período de 2004-2015 (RR=0,85; IC 95% 0,79–0,93). Conclusão: estratégias de proteção social capazes de contribuir não somente para o alívio imediato da pobreza, mas também que tenham impactos positivos sobre outros determinantes da TB e hanseníase devem ser incorporadas aos programas governamentais para o seu efetivo controle e alcance das metas de eliminação de ambas as doenças.

9
  • MARCELE CARNEIRO PAIM
  • OBSERVATÓRIOS: REDES DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO PARA POLÍTICAS DE SAÚDE?

  • Orientador : MARIA LIGIA RANGEL SANTOS
  • Data: 29/04/2019
  • Mostrar Resumo
  • A democratização e a facilidade de publicação da informação, apoiadas nas novas tecnologias de informação e comunicação (TIC), vem aproximando, de forma mais intensa, os momentos de produção e compartilhamento do conhecimento em saúde, bem como a formação de redes. Tem-se observado, nas últimas décadas, o uso crescente de observatórios ou rede de observatórios, como um dispositivo institucional para a Saúde e para as políticas de saúde. Esse estudo propõe analisar as potencialidades e limites desses observatórios na produção e disseminação de conhecimento para contribuir com a formulação e acompanhamento de políticas de saúde pelos gestores e sociedade. Contempla a a realização do mapeamento de observatórios de saúde e tipificação quanto à estrutura; instituições e sujeitos; recursos; público preferencial e repertórios lingüísticos; usabilidade e interatividade; identificação de informações, conteúdos, temáticas, buscando analisar os condicionantes, funcionalidades e características que podem ou não os constituir observatórios-rede. Pretende-se fundamentar na Cibercultura e na Teoria Ator-Rede para melhor compreender como atores humanos e não humanos podem se associar na composição de redes híbridas. As opções metodológicas contemplam: a) revisão de literatura acerca das narrativas existentes sobre os observatórios na área de saúde, caracterizando a produção científica sobre experiências brasileiras e internacionais dedicadas à temática da análise de políticas e sistemas, b) estudo exploratório de casos múltiplos para identificar observatórios brasileiros e internacionais de países que possuam sistemas universais de saúde, com foco na análise de políticas de saúde; c) estudo de casos múltiplos que analisou as associações que compõem os observatórios de saúde enquanto redes sociotécnicas em contextos de políticas e análises de sistemas de saúde a partir da Teoria-Ator-Rede. A presente investigação se propõe ainda estudar a dinâmica dos observatórios sob a perspectiva de atuação em redes e desenvolver um modelo teórico-metodológico para análise de observatórios de saúde.

10
  • ADROALDO DE JESUS BELENS
  • EXPERIÊNCIA DA DEPRESSÃO EM UMA COMUNIDADE VIRTUAL NO FACEBOOK

  • Orientador : MARIA LIGIA RANGEL SANTOS
  • Data: 30/04/2019
  • Mostrar Resumo
  • A depressão tem sido considerada como doença grave e de alta incidência, que se configura como problema de saúde pública em todas as regiões do mundo, por ser a maior causa de incapacidade e por ter relações causais com as condições sociais estabelecidas em alguns países (OMS, 2010). O objetivo do estudo foi analisar a experiência da depressão em uma comunidade virtual no Facebook. Trata-se de um estudo qualitativo. O método netnográfico foi utilizado para a produção de dados e análise sobre experiência da depressão Facebook. Para isto, foi feita imersão no campo, através de observação não participante, a coleta de dados arquivais e entrevistas com administradores e participantes da comunidade foram as técnicas utilizadas para produção de dados. Resultados e Discussão: A revisão internacional de literatura sobre Facebook e Depressão possibilitou conhecer como pesquisadores de diversas áreas têm abordado a questão e identificar a ausência, na literatura científica brasileira em saúde mental, resultados deste tipo de pesquisa; o método etnográfico contribuiu para o reconhecimento de novos objetos e problemas no estudo da depressão; e também para compreender como os atores que adoecem de depressão buscam as redes sociais para receber apoio emocional, para se informar sobre a doença e formas de cuidado; e para relatar emoções resultantes das relações sociais concretas, por ser acometido pela depressão, gerando mais sofrimento emocional. O mapeamento e caracterização da comunidade permitiram compreender o perfil social da comunidade e analisar os relatos sobre a experiência da depressão, cujos membros da comunidade do Facebook expressavam as suas emoções de tristeza, melancolia, luto e o sentidos atribuídos ao sofrimento, à dor, aos estigmas sofridos, à invisibilidade e exclusão social no cotidiano. Essas impressões eram debatidas nos ambientes virtuais fechados. Conclui-se que as comunidades fechadas no Facebook, enquanto campo de investigação, possibilitou a partir dos relatos de seus membros, compreender a experiência da depressão, a produção de sentidos em torno do sofrimento. Por sentirem protegida à sua identidade de pessoas do seu ambiente face a face, se motivavam a debater temas e questões da sua vida pública e privada associando-as a depressão e sem restrição. Foram nessas conversações coletivas que se observou a construção de teias de significados sobre experiência de sofrimento psíquico. Os relatos sobre a depressão nessa comunidade, bem como outras observadas, os membros associam situações da sua convivência no cotidiano com pessoas próximas e distantes; falam de si e do outro; as suas percepções sobre o adoecimento e os estigmas sociais enfrentados. Enfim, a imersão no campo a partir de uma pesquisa etnográfica revelou os sentidos e particularidades do ambiente virtual somente traduzidos por quem sofre de depressão.

11
  • ALDER MOURÃO DE SOUSA
  • Dinâmica do cuidado a crianças em situação de violência intrafamiliar na Atenção Básica: um olhar sobre as relações de poder e a governamentalidade em Salvador-Bahia

  • Data: 10/05/2019
  • Mostrar Resumo
  • O autor desta pesquisa tomou como ponto de partida ideias de Michel Foucault sobre poder, o qual se configura em uma teia de relações produtivas. Ao eleger como cenário de estudo duas unidades da Atenção Básica, buscou analisar o poder em seu lado positivo – não coercitivo – o lado que constrói, que cuida. Aqui visualizado em suas relações com o saber e com a produção de discursos com efeitos de verdade, bem como nas estratégias de governamento ao operar nos serviços e realizar a transformação da política pública da Estratégia Saúde da Família (ESF) em oferta de serviços à população do território. Com o objetivo de analisar a dinâmica do cuidado a crianças em situação de violência intrafamiliar nos contextos de trabalho da equipe multiprofissional da ESF, o autor desta pesquisa acompanhou por oito meses o trabalho das equipes de saúde implantadas em duas Unidades de Saúde da Família (USF) em bairro popular de Salvador-Bahia. Utilizou abordagem qualitativa com observação direta das atividades de rotina dos profissionais (visitas domiciliares, consultas de puericultura, grupos educativos e reuniões de equipe); também lançou mão das técnicas de diário de campo e entrevistas, resultando em 71 relatos e 19 entrevistas que foram codificadas com a ajuda do software ATLAS.ti. A contribuição analítica deste estudo está centrada na dinâmica deste tipo de cuidado, o que se vê pouco explorada em estudos acadêmicos publicados. A partir da descrição do território onde se localizam as USF, do contexto de violências que permeiam a vida e o trabalho dos profissionais nestes serviços, os resultados desta pesquisa apresentam outras nuances do cuidado a crianças em situações de violências físicas, psicológicas, sexuais e negligências. A análise se prende aos atos de cuidado das equipes da ESF, onde se discute o poder exercido por profissionais e por familiares que encaminham e interferem na condução dos casos identificados. Além de referendar dados já conhecidos da literatura, acrescenta outros relacionados ao cuidado. Os atos de cuidado desempenhados através das consultas e das visitas domiciliares também se mostram relevantes neste contexto, bem como a própria organização dos serviços, operada pelas estratégias de governamento das práticas via programas implantados nas Unidades, o que condiciona certos atos de cuidado desempenhados pelos profissionais, no bojo dos parâmetros biomédicos. Neste estudo também são discutidas questões subjetivas relacionadas às situações de violência intrafamiliar, em especial aquelas que envolvem o estresse e as emoções relacionadas ao cuidado no contexto social de muitas carências. Tendo a família como foco de atenção e a saúde da criança como uma prioridade, crianças são atendidas na Atenção Básica, principalmente para vacinação e puericultura, entretanto, percebe-se que a atenção e priorização das atividades dos profissionais estão voltadas para o cumprimento das metas de gestão estabelecidas, onde não figuram questões relativas aos casos de violência envolvendo crianças. Este fato alia-se ao escasso repertório dos profissionais para lidar com diferentes modalidades de cuidado parental e resulta em negação, em evasivas e no efeito de invisibilidade das violências que envolvem crianças nestes serviços de saúde.

12
  • SARA CRISTINA CARVALHO CERQUEIRA
  • O CONASS e as linhas de construção do SUS: análise política do período 2006-2016.

  • Orientador : CARMEN FONTES DE SOUZA TEIXEIRA
  • Data: 03/06/2019
  • Mostrar Resumo
  • Este trabalho analisa a ação política do CONASS, nos governos Lula e Dilma, a partir dos fatos produzidos no período, dos projetos defendidos e da posição política assumida em relação ao processo de construção do SUS. Trata-se de estudo de caso único, do tipo exploratório (YIN, 2005), que toma como objeto a ação do CONASS no processo político em saúde no Brasil, no período 2006 a 2016, tendo como marco inicial a aprovação do "Pacto pela Vida, em Defesa do SUS e de Gestão" (BRASIL, 2006) e como marco final o processo de impedimento da presidente Dilma Roussef em 2016. Foram utilizados como fontes de evidência, documentos elaborados pelo CONASS, entrevistas semiestruturadas com informantes-chaves e o diário de campo da pesquisadora, construído durante o período em que vivenciou o cotidiano do trabalho da Secretaria Executiva do CONASS, em sua sede em Brasilia/DF. Os resultados indicam a evolução do CONASS e a diversificação de suas funções, da representação política dos secretários de saúde no processo de condução do SUS ao nível nacional, ao apoio e cooperação técnica às SES para a formulação e implementação das políticas de saúde, no âmbito dos estados e em alguns municípios, constituindo-se, assim, em um ator politico estratégico, capaz de produzir fatos importantes, em decorrência da sua capacidade institucional e de sua prática politica. Nesse sentido, a análise da ação do CONASS no período estudado, evidencia o fortalecimento da governança (do SUS) em rede nos Governos Lula I e II (2006-2010), a despeito dos conflitos em torno do financiamento, na medida em que o CONASS atuou em consonância com o Ministério da Saude e o CONASEMS, em diversos momentos, imprimindo, uma direcionalidade ao processo de implementação do SUS coerente com seus princípios e diretrizes. No entanto, no governo Dilma I (2011-2014) constatou-se o tensionamento da relação entre MS e o CONASS, decorrente, inclusive, de alguns fatos produzidos neste momento no âmbito do governo federal, que apontaram na direção contrária ou pelo menos distinta, daquela que vinha sendo defendida pelo CONASS. No governo Dilma II (2015-2016), as tensões se acumularam, a ponto de ameaçar a tessitura da rede pelo aumento dos conflitos entre os atores participantes do processo de governança do SUS. Neste processo, a institucionalidade do CONASS lhe garantiu uma independência politica que o torna imprescindível na defesa do SUS, permanecendo como uma “trincheira” de resistência diante dos ataques ao SUS impetrados tanto pelo Executivo como pelo Legislativo e Judiciário na conjuntura 2006-2016.

13
  • LAISE REZENDE DE ANDRADE
  • A ESCOLHA DE PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA PARA GESTÃO HOSPITALAR NA BAHIA: Atores, interesses e estratégias

  • Orientador : ISABELA CARDOSO DE MATOS PINTO
  • Data: 11/06/2019
  • Mostrar Resumo
  • RESUMO
    O Sistema Único de Saúde, fruto de um amplo processo de luta, capitaneado pela
    concepção político-ideológica do Movimento pela Reforma Sanitária Brasileira foi desde o
    seu início combatido pelas forças políticas hegemônicas que defendiam a ampla participação
    do setor privado na gestão, atenção e financiamento da saúde. Nesse contexto perene de
    disputas, novos modelos de gestão apresentaram-se como capazes de resolver velhos
    problemas da gestão em saúde, tais como a gestão de pessoas, infraestrutura, propagando-se
    como possuidores de modos de gestão inovadores. Um desses modelos, o de Parceria Público-
    Privada (PPP) vem sendo fomentado pelo Banco Mundial através de consultorias em diversos
    países do mundo e, no Brasil, vem ganhando espaço no setor saúde. No contexto de crise
    crônica, caracterizado pela baixa capacidade de financiar novas estruturas, associado as
    restrições da lei de responsabilidade fiscal, o Estado da Bahia ampliou seu escopo de
    utilização de modelos de gestão, aderindo ao modelo PPP para a gestão hospitalar. Diante
    disso, a questão que orientou a pesquisa foi porque e como foi adotado o modelo PPP para
    gestão hospitalar no SUS? Com objetivo de analisar os processos de tomada de decisão e
    incorporação desse modelo para gestão hospitalar na Bahia. O detalhamento da trama
    desenrolada no processo decisório apoiou-se no quadro teórico constituído pelo modelo do
    Ciclo de Políticas Públicas e da Teoria de Jogos de Poder de Matus; em revisão bibliográfica
    e; em entrevistas com atores-chaves no processo de decisão. A pesquisa apontou as
    dificuldades da gestão hospitalar em saúde, debateu vantagens e desvantagens dos modelos de
    gestão para enfrentamento desses problemas e concluiu que determinantes não apenas
    financeiros, mas político e ideológicos marcaram o processo de decisão acerca do modelo no
    Estado, que teve como fomentador e consultor, para desenho e viabilização do projeto, o
    braço direito do Banco Mundial, o International Finance Corporation.
    Palavras chaves: Sistema Único de Saúde, Parceria Público-Privada, Gestão Hospitalar, Ciclo
    de Políticas Públicas

14
  • JOAO HENRIQUE ARAUJO VIRGENS
  • Análise política em saúde: contribuições teórico-metodológicas acerca das dinâmicas estruturais, conjunturais, dos sujeitos e das ações políticas

  • Orientador : CARMEN FONTES DE SOUZA TEIXEIRA
  • Data: 12/06/2019
  • Mostrar Resumo
  • Resumo
    O interesse de pesquisadores da área da saúde coletiva pelo estudo do processo político tem
    crescido nos últimos anos e isso tem contribuído para o aprofundamento de críticas
    epistemológicas e para o desenvolvimento teórico-metodológico de uma vertente de pesquisa
    que tem sido denominada de ‘análise política em saúde’. Diante disso, esta tese visa, tanto
    sistematizar algumas dessas elaborações, quanto problematizá-las, com um propósito de
    superação que se fundamenta epistemologicamente em uma abordagem dialética,
    desenvolvida por um sujeito implicado; metodologicamente em correntes de análise textual
    acionadas para examinar as produções científicas revisadas, seja de modo sistemático ou
    narrativo; e teoricamente em abordagens marxianas e anarquistas, que privilegiam tratar três
    momentos de maneira articulada: (1) da análise dos aspectos estruturais e conjunturais, de
    modo a pensar conjuntamente sobre o ‘estado das coisas’ que perdura no tempo e os fatos de
    diferentes passados, inclusive o mais recente, que tenta acompanhar o presente, nos âmbitos
    local e internacional; (2) da elaboração de objetivos e propostas que subsidiam seus projetos,
    ou seja alimentam expectativas acerca do futuro; (3) da constituição dos sujeitos, de suas
    articulações e do ato de colocar em curso, no presente, estratégias e táticas fundamentadas no
    passado, mas com um olhar voltado para o futuro. Nos artigos analisados, diferentes teorias e
    métodos foram identificados, mas merece destaque o fato de a maioria não se preocupar em
    explicitá-los. Naquilo que se refere à análise de conjuntura, foram localizadas elaborações
    teórico-metodológicas que subsidiam sua aplicação no âmbito científico e, no caso de aplicála
    ao estudo de setores específicos como a saúde, ficou evidente a importância de evitar que o
    olhar se limite a eles, já que desconsiderar fatores que os extrapolam pode prejudicar a ação.
    Sobre os estudos acerca do movimento sanitário, foi observado que a escolha dos referenciais
    teórico-metodológicos impactou, tanto nos aspectos privilegiados e alcance das análises,
    quanto na ação dos sujeitos. Merece destaque o fato de que muitos estudiosos da Reforma
    Sanitária Brasileira se apresentam enquanto sujeitos políticos do movimento. Por outro lado, o
    principal silenciamento identificado está relacionado à forma de organização desses sujeitos e
    esse é um dos fatores que leva a questionamentos acerca de formulações que propõem tratá-lo
    como uma única organização coesa. Foi possível identificar ações desencadeadas por diversos
    sujeitos individuais e coletivos, mas os artigos tratam pouco da maneira como se
    relacionavam organizacionalmente, seja no interior dos grupos que agregaram sujeitos
    individuais ou daqueles que se constituíram a partir de vínculos entre sujeitos coletivos, em
    um formato que guarda semelhanças com o das federações identificadas no referencial
    anarquista. Percebeu-se também a importância de uma construção epistemológica que permita
    fortalecer elementos de convergência entre a práxis científica e a ação concreta dos sujeitos,
    inclusive naquilo que se refere à sua práxis política. Nesse aspecto, um problema a ser
    enfrentado é o da continuidade das relações de opressão que não dependem apenas do fato de
    alguém possuir meios de produção, mas são alimentadas também pelas desigualdades no
    acesso aos espaços de decisão e pelas imposições coercitivas ‘fundamentadas
    cientificamente’.

15
  • CARLA MARIA LIMA SANTOS
  • Construção social da atenção à saúde bucal da pessoa com deficiência no Brasil

  • Orientador : SONIA CRISTINA LIMA CHAVES
  • Data: 19/06/2019
  • Mostrar Resumo
  • O conceito de deficiência remete à estreita relação entre a concepção desse fenômeno social e respostas políticas do Estado. Na intersecção entre a atenção à saúde bucal e a pessoa com deficiência, a Política Nacional de Saúde Bucal – PNSB (2004) pode ser considerada como resposta do Estado brasileiro aos problemas de saúde bucal. A PNSB aborda a pessoa com deficiência como “portadores de necessidades especiais”, sinalizando que a classificação da PcD é um objeto em disputa. Este estudo analisou a construção das respostas políticas do Estado brasileiro aos problemas de saúde bucal da pessoa com deficiência no período entre 1992 e 2012. Foram adotados como marcos históricos o Programa Nacional de Assistência Odontológica Integrada ao Paciente Especial (1992) e a implementação da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência – RCPcD, no âmbito do Sistema Único de Saúde (2012). A análise do espaço social adotou como referencial teórico a sociologia reflexiva de Pierre Bourdieu e as proposições de Patrice Pinell para a análise sócio-histórica das políticas de saúde. O espaço de luta da pessoa com deficiência e a interface com a atenção à saúde bucal foi construído com seus agentes sociais, trajetórias, posições, disposições e tomadas de posição, mediante entrevistas semi-estruturadas e análise documental. Análise estatística fatorial foi aplicada para confrontação dos achados sobre a disposição do espaço social e definição do polo dominante. Foram entrevistados 30 agentes sociais, os que apresentaram maiores capitais burocrático e político foram preponderantes na demarcação da fração dominante. Os capitais militante e odontológico não foram frequentes nesse polo de dominação. Essa evidência revela o protagonismo dos agentes do Estado, e sua relação no campo político, nos atos de nomeação. O Estado assumiu o conceito de metacampo detentor de metacapital, portanto o espaço de luta dos dominantes de todos os campos sociais. O reconhecimento das necessidades de saúde, entre elas saúde bucal, da pessoa com deficiência ocorreu por pressões dos espaços associativos e pressões externas, sendo a Organização das Nações Unidas o organismo internacional mais expressivo. A necessidade de atenção à saúde bucal da PcD foi relacionada com mais frequência às pessoas com deficiência mental. A difícil acessibilidade dos usuários com deficiência mental, aos serviços odontológicos do SUS, foi referida como persistente. Esse fato explica a tentativa de uma rede de atenção para reconfigurar o acesso. A recente construção da rede assistencial e a ausência de instrumentos de avaliação não possibilitam estabelecer os impactos gerados pela implementação da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência.

16
  • SISSE FIGUEREDO DE SANTANA
  • Gestão Estadual da Atenção em Saúde Bucal no Brasil: modelização e avaliação da implantação.

  • Orientador : SONIA CRISTINA LIMA CHAVES
  • Data: 26/06/2019
  • Mostrar Resumo
  • Problemática: vasta produção acadêmica relacionada à Política Nacional de Saúde Bucal (PNSB) no Brasil tem sido divulgada a partir dos anos 2000, com priorização de análises nos âmbitos municipal e federal, secundarizando a atuação do âmbito estadual. Contudo, as instâncias estaduais têm sido compreendidas como fundamentais na configuração do arranjo federativo brasileiro para condução das políticas públicas. Objetivo: esta tese analisou a implantação da gestão estadual da atenção em saúde bucal pública em um estado do nordeste brasileiro, bem como buscou compreender elementos da trajetória social dos agentes implicados e seus pontos de vista acerca da atuação da esfera estadual e das condições históricas de possibilidade de implantação da política de saúde bucal no âmbito estadual. Metodologia: trata-se de uma pesquisa de natureza avaliativa, exploratória e qualitativa. No primeiro momento, elaborou-se um modelo lógico para subsidiar a avaliação da gestão estadual. Foram revisadas diretrizes internacionais da área da gestão em saúde, relatórios de gestão estadual de saúde, planos estaduais e nacionais de saúde, bem como estudos nacionais e internacionais, com o consequente desenvolvimento de uma matriz de critérios e padrões, validada por um comitê de onze especialistas da área através do método de consenso de Delphi. Foram entrevistados quinze dirigentes, coordenadores e técnicos ligados à área da saúde bucal do estado. A atribuição de pontos da matriz foi realizada por dois avaliadores separadamente, baseada na triangulação das evidências dos informantes-chave, observação in loco e análise documental. Por fim, caracterizou as trajetórias sociais e disposições dos agentes implicados no campo burocrático estadual de saúde bucal, a partir das categorias agente, disposições e campo, desenvolvidas pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu. Resultados e discussão: Este estudo revelou que o grau de implantação da gestão da saúde bucal no estado investigado foi incipiente, alcançando 32,8% do escore total, Ainda assim, as “ferramentas para implantação da política” e a “prestação de contas” foram consideradas intermediárias, com alcance de 37,2% e 37% respectivamente do total de pontos nestas dimensões. Há dificuldades relacionadas sobretudo à deficiência de comunicação entre as áreas dentro da instituição, problemas de infraestrutura física e à ausência de projetos regionalizados de atenção pública em saúde bucal. Quanto a análise das trajetórias, a maioria graduou-se em instituições públicas, com equilíbrio no grupo estudado em relação à origem social. A inserção no campo burocrático estadual foi influenciada pela disposição voltada ao campo burocrático, inquietação com o serviço público, redução do mercado privado e a expansão da saúde coletiva. A trajetória dos agentes evidenciou baixa interseção do campo burocrático da saúde bucal com os campos político e científico, além da baixa disposição política dos agentes da burocracia estadual. Há um grupo composto predominantemente por mulheres, com disposição sanitária, movido pelo interesse universal, expressando seu “amor pela clínica e pela saúde pública”. Neste sentido, a ambivalência de identidade dentista/ sanitarista decorrente da influência exercida pelo campo odontológico de origem pode dificultar as disposições de luta dos dentistas no interior do campo burocrático estadual. Conclusão: O presente estudo apontou que é provável que a disposição dos agentes, tendo em vista seu ajuste ao campo burocrático, pode facilitar ou dificultar a conformação da agenda, a prestação de contas e a gerência por operações.   

17
  • ÍTALO RICARDO SANTOS ALELUIA
  • Análise de uma região interestadual de saúde: do desenho político à dinâmica de poder

  • Data: 03/07/2019
  • Mostrar Resumo
  • As Regiões Interestaduais de Saúde (RIS) são espaços novos e pouco assumiram centralidade na política de regionalização do SUS. Caracterizam-se por importante complexidade política dada interdependência tríplice, onde além da União e municípios agregam, no mínimo, dois estados com configurações distintas desde o perfil epidemiológico a desigualdades de poder político-administrativo. As RIS são territórios singulares que envolvem tanto os entes federativos quanto diversos atores e instituições públicas e privadas com interesses múltiplos e divergentes, em um modelo federativo de poder compartilhado e sem um arcabouço jurídico suficiente para sustentar acordos e deliberações. Existem lacunas a serem respondidas em cenários tão complexos e heterogêneos como as RIS, desde como ocorrem as decisões nesses espaços a características da dinâmica de poder entre atores e instituições. Realizamos uma análise política de RIS Pernambuco-Bahia. Trata-se de estudo de caso que reuniu evidências por esferas de gestão. Adotamos o referencial teórico do Triangulo de Governo e da Teoria da Produção Social de Carlos Matus. A produção dos dados incluiu entrevistas com 35 formantes-chave e análise de 499 documentos do cenário municipal ao nacional. Apresentaremos os antecedentes políticos da RIS; os atores e o processo decisório de formulação do desenho regional; as condições de governabilidade e de capacidade de governo na RIS; a dinâmica de poder, enfatizando os atores mais influentes e suas motivações; as tipologias de poder em disputa e as características conflitivas e cooperativas na Região. O desenho político da Região emergiu de disputas financeiras intermunicipais e seu processo decisório contou com a participação de múltiplos atores do cenário municipal ao nacional. O desfecho das decisões foi permeado por diversas disputas e avançaram no sentido de implantar uma Rede Interestadual de Saúde (REIS). As condições de governabilidade na Região foram desfavoráveis à implantação da REIS pelo seu projeto ser altamente redistributivo entre as três esferas de governo e pelo controle desigual de variáveis políticas, econômicas, técnicas e administrativas, entre os atores sociais.  Não houve capacidade de governo suficiente dos atores e instituições para operacionalizar a Rede Interestadual e o seu desenho político se reduziu a uma ambiência institucional incerta e restrita ao plano ideológico. A distribuição do poder na RIS se concentrava tanto em atores influentes do setor saúde quanto em grupos econômicos e políticos, que influenciam as decisões regionais. Os entes federativos tinham capacidades políticas desiguais e predominava uma ambiência de relações conflitivas, com dupla dependência pública e privada e uma extensa rede atores influentes com motivações predominantemente econômica, partidária ou pessoal. Coexistiam várias disputas de poder na RIS e, dentre elas, predominavam a econômica e a política, com relações cooperativas mais propícias a acordos pouco transparentes e conflitos que combinavam, principalmente, divergências sobre leituras de realidades e de interesses. Em suma, a dinâmica de poder regional se distanciou dos propósitos de uma Rede Interestadual de Saúde, revelando que estamos muito mais na direção de disputas de mercado e aspirações do poder político do que construindo possibilidades institucionais de consolidar políticas interestaduais de saúde cooperativas e solidárias.

18
  • EDUARDO MARINHO BARBOSA
  • Exposições ocupacionais de interesse para a saúde em atividades econômicas domiciliares

  • Data: 23/08/2019
  • Mostrar Resumo
  • Antecedentes: Estima-se que 5% da população ocupada no Brasil trabalha na
    própria residência. Pouco se sabe sobre condições de trabalho e em especial as
    exposições ocupacionais que podem afetar a saúde desses trabalhadores.
    Objetivos: Descrever as características do trabalho, e fatores de risco ocupacionais
    potenciais, entre trabalhadores informais em atividade econômica domiciliar (AED).
    Materiais e métodos: Este estudo compõe as atividades do Projeto Integração SUS
    Liberdade, de ações de ensino-pesquisa-cooperação, iniciativa do ISC-UFBA,
    desenvolvido no Distrito Sanitário da Liberdade (DSL), Salvador, BA. Um dos seus
    subprojetos, Integração da Saúde do Trabalhador na Atenção Básica à Saúde,
    desenvolveu ações de formação de agentes comunitários de saúde (ACS) e sua
    incorporação ao cuidado e vigilância em Saúde do Trabalhador. Como parte do
    diagnóstico ocupacional e de formação das equipes, realizou-se um inquérito, de
    desenho transversal com trabalhadores em AED, cobertos pela Estratégia de Saúde
    na Família e Programa de Agentes Comunitários em Saúde. Empregaram-se dados
    do Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) coletados pelos ACS para a
    identificação dos trabalhadores em AED no território. Posteriormente,
    entrevistadores treinados acompanharam visitas dos ACS para a coleta de dados
    ocupacionais detalhados. Questionários eletrônicos em tablets foram empregados,
    complementados por medições quantitativas de formaldeído (ppm) e do ruído
    (dB(A)) obtidas em dosímetros. Resultados: Nas áreas cobertas pelos ACS no
    Distrito Sanitário foram identificados 468 trabalhadores em AED, que se
    concentravam no comércio varejista (35,3%), produção e venda de alimentos
    (25,8%), serviços pessoais/beleza (17,1%), confecção de roupas (9,4%), e outros
    (12 ,4%). A maioria dos trabalhadores era do sexo feminino (77,1%), com 40 anos
    ou mais de idade (67,3%) e que exercia atividades por ―conta própria‖ (92,5%), em
    jornada de mais de 44h/semana (62,5%), sem férias (63,0%). A maior parte
    trabalhava todos os dias (45,0%). A prevalência de exposição ocupacional referida
    ao ruído (P-ER), i.e., necessidade de se elevar a intensidade da voz para ser
    compreendido (a), foi 16,4%. Maior no grupo que relatou mais de 44 horas semanais
    de trabalho (P-ER=20,1%), com maior renda (P-ER=19,1%) e de 18 a 39 anos de
    idade (P-ER=18,9%). Em 18 amostras de 10 salões de beleza, a concentração de
    formaldeído no ar de 9 delas (50,0%) estava acima do limite de 0,3 ppm definido
    pela American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH). Entre as
    trabalhadoras de serviços pessoais de beleza, cabeleireiras tiveram exposição
    média ao ruído de 75,1 dB(A), menor que o nível máximo de LAEq,8h= 85 dB(A)
    definido pelo National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH), maior,
    entretanto, que os níveis para o ambiente domiciliar (Associação Brasileira de
    Normas Técnicas, ABNT) de LAeq=40 dB para sala de estar e LAeq=30 dB em
    dormitórios. Conclusões: Trabalhadores informais em AED são comumente de
    baixa renda, têm longas jornadas de trabalho, sem quase nenhum tempo de
    repouso. A maioria é do sexo feminino, do ramo de atividades de serviços e
    comércio e não contribuem para a previdência. São comumente expostos ao ruído
    ocupacional, notadamente vindo de fontes externas. A exposição a agentes
    viii
    químicos é comum em salões de beleza, especificamente ao formaldeído,
    substância reconhecidamente cancerígena. Esses achados reforçam a importância
    da participação das equipes da ABS na vigilância de ambientes de trabalho
    informais, e do seu papel estratégico na prevenção de exposições agravos à saúde
    do trabalhador e de suas famílias.

19
  • MARINA LUNA PAMPONET
  • Estilos de vida de adolescentes: padrões de comportamentos e seus determinantes

  • Data: 30/08/2019
  • Mostrar Resumo
  • Introdução: O estilo de vida é definido como o conjunto de hábitos e costumes, modo de vida, influenciados e modificados pelo processo de socialização ao longo da vida, que têm implicações para a saúde. Na adolescência, ao mesmo tempo em que os indivíduos experimentam mudanças biológicas, cognitivas, emocionais e sociais, vivenciam importante momento para adoção de novas práticas e comportamentos relacionados ao estilo de vida. Esta tese apresenta como objetivo caracterizar os padrões de estilos de vida, mensurados através de um indicador latente aos dados observados, considerando os comportamentos relacionados a alimentação, atividade física, uso de bebidas alcóolicas e tabaco, e identificar os padrões de estilo de vida e seus determinantes em uma população de adolescentes. Para alcançar os objetivos propostos, esta tese foi desenvolvida através de três estudos: 1. Os padrões de estilo de vida: uma revisão sobre o uso de modelos de classes latentes para mensurar o estilo de vida; 2. Os padrões de estilo de vida na adolescência: um estudo de análise de classes latentes; 3. Determinantes de padrões de estilo de vida de adolescentes. Métodos: O primeiro estudo foi desenvolvido a partir de uma revisão sistemática da literatura internacional, enquanto os outros dois foram estudos transversais, utilizando dados da linha de base do projeto PROSE, com uma amostra de 2.212 adolescentes do ensino médio de dez municípios baianos. As análises consideraram o desenho do estudo com amostragem complexa, sendo aplicadas análises de classes latentes (LCA). Resultados: O primeiro estudo demonstrou, diante da complexidade que é utilizar o construto estilo de vida em estudos empíricos, que ainda não há evidências claras sobre como os comportamentos se agregam, com grande variedade de comportamentos e indicadores utilizados pelos estudos, além da predominância dos comportamentos de atividade física, alimentação, uso de álcool e tabaco na conformação dos padrões de estilo de vida. O segundo estudo apontou que o construto de estilo de vida diferencia-se por sexo, apesar que para ambos foram discriminadas três classes latentes: Classe 1, "saudáveis" (com probabilidade não condicionais entre mulheres de 43,5% e entre os rapazes de 73,6%); Classe 2, "Menos saudáveis quanto a atividade física e alimentação" estilo de vida (49,8% entre mulheres e 15,9% entre os rapazes); e Classe 3, “Consumidores de álcool e tabaco” (6,6% entre mulheres 6,6% e 10,5% entre os rapazes). O terceiro estudo identificou os fatores de risco que aumentavam as chances de adoção dos padrões não saudáveis: para a classe 2, a autoavaliação negativa da saúde para ambos os sexos e apresentar problema de saúde ou sintomas inespecíficos para os rapazes. Já para a classe 3, os fatores de risco, entre as meninas, foram trabalhar e apresentar problemas de saúde ou sintomas inespecíficos, e, entre os meninos, foram está em atraso de série escola e ter pai ou mãe fumante ou com alto consumo de álcool. Os determinantes que diminuíram as chances de pertencer as classes menos sadáveis foram, para a classe 2, apresentar quadra de esportes ou locais para práticas de exercícios na vizinhaça, para ambos os sexos, e entre as meninas apresentar maior número de amigos, e ter religião para classe 3 entre ambos os sexos. Conclusões: O construto estilo de vida vem sendo estudado por métodos de análise que dão conta da combinação ou agregação de comportamentos, apesar da literatura apresentar uma grande variedade quanto aos comportamentos e indicadores, dificultando a comparação entre estudos. Os estilos de vida de adolescentes se diferenciam por sexo, assim como seus determinantes. Recomenda-se novas investigações e estudos longitudinais para melhor compreender os determinantes dos estilos de vida e as mudanças entre os padrões de comportamentos ao longo dos ciclos de vida.

20
  • LIVIA ANGELI SILVA
  • A emergência da higiene e da saúde pública na Bahia (1840 – 1889)

  • Data: 19/09/2019
  • Mostrar Resumo
  • A Higiene e a saúde pública na Bahia, como disciplina acadêmica e objeto de intervenção, respectivamente, têm sido investigadas e são consideradas pela bibliografia especializada como parte dos acontecimentos da primeira metade do século XIX. Diversas interpretações sobre o seu significado têm sido elaboradas apoiadas principalmente nos conceitos de Foucault sobre a medicina social.  Contudo, pouca atenção tem sido dada ao processo de sua institucionalização a partir da análise sobre as relações existentes entre os médicos envolvidos com essa produção de saberes e práticas, cuja principal referência estava na Europa com o desenvolvimento de um movimento higienista, sobretudo francês. Esta investigação, fundamentada na abordagem sócio-histórica de Pierre Bourdieu, buscou compreender a emergência da higiene e da saúde pública na Bahia oitocentista, indagando sobre a existência ou não de um espaço social de relações, implicado com os problemas de saúde populacionais. Buscou-se a partir dessa teoria, compreender a lógica de constituição dos campos médico, político e burocrático que emergiam naquele período no Brasil e que estavam relacionados ao espaço social investigado. Os achados evidenciaram que a criação do Conselho de Salubridade e o início das teses inaugurais da faculdade de medicina proporcionaram um espaço de debate e de circulação de ideias a partir de 1840. Mesmo que a higiene não tenha ocupado um status de saber especializado, médicos de diversas áreas de atuação se envolveram na discussão e produção acadêmica, ocupando posições que surgiam no âmbito governamental, voltadas para a saúde populacional. Nessa análise, foram identificados dois momentos com características distintas. O primeiro, entre 1840 e 1865, no qual o campo burocrático, através do conselho de salubridade, e depois também, as comissões de Higiene, foi o grande impulsionador de debates e formas de aproximação dos médicos com essas questões. No segundo momento, entre 1866 e 1889, evidenciou-se uma dinâmica diferente nos campos médico e burocrático. Por um lado, ocorreu um esvaziamento na participação governamental com a desativação do conselho de salubridade. De outro lado, a categoria já se organizava melhor por meio de suas entidades e da Gazeta Médica da Bahia, que passou a ser o microcosmo aglutinador dos debates em torno da saúde pública. Contudo, nos dois períodos, não foram encontrados elementos que permitissem caracterizar a higiene e a saúde pública como espaços específicos de lutas, que envolvessem agentes de diversas formações e áreas de atuação. O envolvimento com as temáticas correlacionadas com a disciplina da higiene e com a ocupação dos cargos públicos ficou restrita ao campo médico, envolvendo os campos político e burocrático por meio da inserção de médicos nos mesmos. A institucionalização das ações passou por descontinuidades e a preponderância da lógica política em detrimento do saber técnico-científico foi empecilho para a implementação de ações governamentais. Dessa forma, na Bahia, no período estudado, verificou-se um desenvolvimento distinto daquele observado nos países em que o movimento higienista consolidou-se na produção de conhecimento, criação de periódicos especializados e sobretudo na formulação de proposições voltadas para enfrentar os problemas de saúde das populações.

21
  • CAMILA REGO AMORIM
  • MEDIDAS DE RESILIÊNCIA E OCORRÊNCIA DE PROBLEMAS COMPORTAMENTAIS EM ADOLESCENTES DE UMA AMOSTRA COMUNITÁRIA EM SALVADOR-BA

  • Orientador : DARCI NEVES DOS SANTOS
  • Data: 16/10/2019
  • Mostrar Resumo
  • Embora as relações entre resiliência e saúde mental tenham sido amplamente discutidas nas últimas décadas, existem lacunas no conhecimento produzido sobre aspectos metodológicos utilizados em estudos epidemiológicos, acrescentando-se ainda restrita abordagem sobre adolescência, conferindo, portanto, relevância para esta temática. Iniciou-se este trabalho com uma revisão de literatura sobre tipos de medidas e principais achados de estudos epidemiológicos que utilizaram a Escala de Resiliência (ER), instrumento confiável e validado em diversos países inclusive no Brasil, sendo considerado o mais apropriado para estudos com adolescentes. Várias medidas têm sido utilizadas para avaliação deste construto, incluindo medidas quantitativas obtidas pela soma total das respostas da escala e medidas qualitativas com adoção classificações cujos critérios para escolha não foram bem estabelecidos e assim podem ser considerados arbitrários. Mesmo assim os achados evidenciaram efeitos de proteção exercidos pela resiliência perante o processo saúde-doença em diversas populações expostas a situações adversas, incluindo os adolescentes. Seguiu-se a investigação realizando um estudo com a finalidade de identificar critérios mais seguros para classificar os escores da ER e assim distinguir sub-grupos de indivíduos segundo níveis de resiliência em uma amostra comunitária de 1015 adolescentes, empregando-se a análise de classe latente (LCA, em inglês). Através desta análise foram encontrados modelos constituídos por três classes definidas como alta, média e baixa para as duas dimensões denominadas competência pessoal e aceitação de si e da vida. Tais modelos de LCA foram avaliados pelos critérios de bondade de ajustamento e a avaliação da associação com problemas comportamentais apresentou significância estatística apenas para a dimensão aceitação de si e da vida. Por fim, utilizou-se esta classificação obtida pela LCA para analisar o papel da resiliência na relação entre saúde mental materna e ocorrência de problemas comportamentais entre adolescentes em um delineamento transversal. Encontrou-se que, tanto a saúde mental materna como a dimensão de resiliência aceitação de si e da vida influenciaram a ocorrência de problemas comportamentais na adolescência em direções opostas, risco e proteção respectivamente. Contudo, não foi encontrada modificação de efeito da resiliência com a saúde mental materna sobre a ocorrência dos problemas comportamentais nos adolescentes. Assim, a classificação dos sujeitos segundo nível de resiliência através da LCA e o efeito protetor da resiliência sobre a saúde mental do adolescente num contexto de adversidade encontrados neste estudo constitui contribuição relevante para o conhecimento epidemiológico, que pode nortear futuras pesquisas nesta temática que apresenta escassez de estudos principalmente na adolescência.

22
  • TATIANE COSTA MEIRA
  • EPIDEMIOLOGIA DE EXPOSIÇÃO AO RUÍDO E PERDA AUDITIVA
    ENTRE TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO
    NA BAHIA, BRASIL, 2014-2018

  • Orientador : SILVIA FERRITE GUIMARAES
  • Data: 30/10/2019
  • Mostrar Resumo
  • RESUMO
    Introdução: O processo de trabalho na indústria de transformação comumente
    apresenta elevados níveis de ruído. Sua principal consequência é a Perda Auditiva
    Induzida por Ruído, doença ocupacional comum, embora passível de prevenção,
    irreversível e usualmente adquirida em idade produtiva, impondo prejuízos ao
    indivíduo, família e sociedade. Há lacunas acerca da extensão desses problemas,
    no Brasil e no mundo, em especial, no que concerne às diferenças de gênero.
    Objetivo: Conhecer a extensão da exposição ao ruído e da perda auditiva entre
    trabalhadores da indústria de transformação e seus sub-ramos, considerando as
    diferenças de gênero. Métodos: Inicialmente foi conduzido estudo teórico com vista
    à imersão na questão das diferenças de gênero no trabalho, com foco na saúde
    auditiva. Posteriormente, foram realizados estudos epidemiológicos utilizando-se
    dados secundários de todos os trabalhadores das empresas da Bahia que
    realizaram o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e o Programa
    Médico de Controle da Saúde Ocupacional (PCMSO) com o Serviço Social da
    Indústria do Departamento Regional da Bahia, entre 2014 e 2018, e que foram
    classificadas como indústria de transformação segundo a Classificação Nacional de
    Atividades Econômicas. As variáveis principais foram exposição ao ruído, definida
    a partir da avaliação realizada no PPRA e perda auditiva, definida com base na
    audiometria. Separadamente para homens e mulheres, foram estimadas as
    prevalências em cada sub-ramo da indústria de transformação. Resultados:
    Poucos estudos incluem alguma discussão da questão de gênero quando se trata
    da saúde auditiva do trabalhador, havendo certa negligência em relação ao gênero
    feminino nas pesquisas. Entre 2014 e 2018 foram atendidos 129.870 trabalhadores
    de empresas de todos os 24 sub-ramos da indústria de transformação, 73,5%
    homens. No período, a prevalência de exposição ao ruído foi de 13,9%, estimada
    em 16,9% entre homens e em 5,6% entre mulheres. Entre os homens, trabalhar
    exposto ao ruído foi mais comum na fabricação de produtos de madeira, fumo,
    minerais não-metálicos, têxteis, máquinas e equipamentos. Entre as mulheres,
    trabalhar exposta ao ruído foi mais comum na fabricação de produtos têxteis, fumo
    e de metal, exceto máquinas e equipamentos. A perda auditiva entre trabalhadores
    expostos a ruído foi de 17,8%, estimada em 19,2% entre homens e 5,8% entre
    mulheres. Entre os homens, em sete dos 24 sub-ramos havia pelo menos 1/4 dos
    trabalhadores com perda auditiva: fabricação de máquinas e equipamentos,
    produtos diversos, máquinas, aparelhos e materiais elétricos, produtos do fumo,
    outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores, bebidas e
    impressão e reprodução de gravações. Entre as mulheres, a perda auditiva foi mais
    prevalente na fabricação de móveis, produtos do fumo e confecção de artigos de
    vestuários e acessórios. Foram também verificadas variações na proporção de
    exposição ao ruído e perda auditiva entre ocupações, diferindo entre homens e
    mulheres. Conclusão: Na indústria de transformação, medidas possivelmente
    adotadas para evitar a exposição ao ruído e a perda auditiva ainda não são
    suficientes, pois parcela expressiva dos trabalhadores continuam em risco. O
    planejamento de intervenções deve ter como prioridade os trabalhadores de subramos
    de atividade e ocupações mais vulneráveis, reconhecendo as evidências das
    distinções por gênero.
    Palavras-chave: Ruído Ocupacional; Perda Auditiva; Indústrias; Saúde do
    Trabalhador; Epidemiologia.

23
  • VANESSA CRUZ SANTOS
  • Violência familiar e comunitária, aspectos étnicos/raciais e problemas comportamentais externalizantes na adolescência.

     


  • Orientador : DARCI NEVES DOS SANTOS
  • Data: 13/11/2019
  • Mostrar Resumo
  • Caracterizados por déficitis ou excedentes comportamentais, os problemas de comportamento atingem mundialmente cerca de 20% dos adolescentes. Geralmente tem início na infância com repercussões ao longo da vida, ocorrendo de forma diferenciada entre grupos étnico-raciais distintos. A raça/cor da pele, enquanto constructo social, histórico e culturalmente determinado, somada a ancestralidade biogeográfica a qual indica lugar de origem dos ancestrais de cada pessoa, tem sugerido que certos grupos étnicos-raciais por serem historicamente marcados por iniquidades, tornaram-se mais vulneráveis ás suas consequências. Há indicação também, de que a experiência das desigualdades sociais entre adolescentes negros e de alto grau de ancestralidade africana, favorece a exposição à violência familiar e comunitária no curso de vida e a outros eventos estressores relacionados à ocorrência de problemas comportamentais externalizantes na adolescência. Entretanto, observa-se uma lacuna na produção científica sobre está relação, principalmente no âmbito do conhecimento epidemiológico. Assim, este estudo objetiva investigar o efeito da violência familiar na infância e de exposição posterior à violência comunitária, na ocorrência de problemas comportamentais externalizantes na adolescência, analisando a influência da ancestralidade biogeográfica e raca/cor da pele do adolescente, enquanto modificadores de efeito nesta relação. Estudo transversal realizado com 755 adolescentes integrantes da primeira e segunda onda de seguimento de uma coorte recrutada em 24 microáreas em bairros periféricos de Salvador, enquanto unidades amostrais do projeto Social Changes, Asthma and Allergy in Latin America (SCAALA). Os instrumentos utilizados serão o Youth Self Report (YSR), para estimar a ocorrência de problemas de comportamento entre os adolescentes; Parent-Child Conflict Tactics Scales (CTSPC), para verificar a exposição do adolescente quando criança á violência familiar; questionário para verificar a exposição à violência comunitária na adolescência e respectiva percepção do seu nível, assim como questionário sociodemográfico para caracterizar aspectos sociofamiliares. Para a genotipagem da ancestralidade biogeográfica utilizará amostras de DNA de adolescentes africanos, europeus e nativo-americanos. O primeiro plano de análise fará uma descrição da população estudada. Para verificar associações entre violência familiar e comunitária e problemas comportamentais externalizantes, considerando-se as co-variaveis selecionadas, utilizou-se a análise de regressão logística bivariada e multivariada, estimando odds ratio (OR) e respectivos intervalos de 95% de confiança (IC95%). Para analisar as possíveis modificações de efeito para as associações estudadas, utilizou-se a modelagem por regressão logística multivariada adotando-se o procedimento backward. Para isso, estratificou-se a população segundo a raça/cor da pele e grau de ancestralidade biogeográfica individual. Considerou-se como modificadoras de efeito, as variáveis cuja OR de um estrato estivesse fora do IC do outro estrato.

24
  • SHIRLEI DA SILVA XAVIER
  • CONCEPÇÕES E PRÁTICAS DE GESTÃO EM UMA SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE

  • Orientador : ISABELA CARDOSO DE MATOS PINTO
  • Data: 11/12/2019
  • Mostrar Resumo
  • As organizações de saúde podem ser vistas como microcosmos sociais, se considerarmos a complexidade e abrangência das ações que necessitam operar. Dispõem de um numeroso contingente de profissionais, distribuídos hierarquicamente, com vistas ao desenvolvimento das atividades que lhes são características. Além de se constituírem em um vasto leque de possibilidades, envolvendo a criatividade daqueles que estão anelados aos processos, tais atividades dependem de conhecimentos e competências variados. A formação que os diferentes atores tiveram ao longo da vida e as experiências que vivenciaram no exercício da prática profissional também compõem esse cenário, favorecendo uma constante busca pelos sujeitos por compatibilizar os conhecimentos trazidos com os desafios colocados pela prática, dentro das instituições. Nesse sentido, ocasionalmente, gestores e técnicos, podem ser levados a ocupar cargos e desenvolver funções de gestão com pouco preparo e baixa apropriação do objeto de trabalho pelo qual foram responsabilizados. Este estudo teve como objetivo central analisar as concepções e práticas de gestão em diferentes contextos da Secretaria Estadual de Saúde da Bahia. Foram empregados como aporte teórico os conceitos de espaço social e capital de Bourdieu, capacidade de governo de Matus e processo de trabalho em saúde de Mendes-Gonçalves. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada em duas unidades da SESAB, utilizando-se como técnicas a entrevista semi-estruturada e análise documental. Foram realizadas vinte e nove entrevistas, no período de agosto a outubro de 2018, com oito técnicos e vinte e um gestores. Dentre os documentos que foram analisados estão as Diretrizes Estaduais das áreas de Vigilância e Atenção Integral à Saúde, o Plano Plurianual Participativo - PPA (2016-2019), o Plano Estadual de Saúde - PES (2016-2019), a Programação Anual de Saúde - PAS (2016, 2017) e os Relatórios Anuais de Gestão - RAG (2016, 2017). Entrecruzando-se as categorias formação e experiência profissional que alicerçam o conceito de capacidade de governo formulado por Matus e adotado para este estudo, aos capitais cultural e burocrático, da teoria de Bourdieu, observou-se que os agentes entrevistados, em sua maioria, estão fortalecidos pelas trajetórias que vêm desenvolvendo, para a atuação no subespaço da gestão em saúde. Todavia, aqueles agentes cujas trajetórias ainda estão distanciadas deste escopo de atuação, precisam ser contemplados por ações formativas que os preparem para o exercício de suas funções. Além disso, e de forma mais ampla, a reorganização dos processos de trabalho, em que prevaleçam o trabalho em equipe e o compartilhamento de saberes, utilizando-se perspectivas de gestão mais democráticas, horizontalizadas e participativas parecem favorecer o desenvolvimento dos agentes, ainda que apresentem inicialmente baixo volume dos capitais cultural e burocrático. Espera-se que os resultados deste estudo possam contribuir para o desenvolvimento dos agentes que atuam em subespaços de gestão em saúde, no que se refere à valorização social do trabalho que executam pelos próprios pares e a sociedade em geral. Ademais, tem-se como perspectiva que os elementos evidenciados conduzam a práticas de gestão do trabalho e promoção de processos formativos mais apropriados às reais necessidades da secretaria.

25
  • CAMILA DOS SANTOS SOUZA ANDRADE
  • Dos números às pessoas”: sociabilidade, violências e vulnerabilidades no cotidiano de famílias e crianças pobres e em situação de rua na cidade de Salvador - Bahia

  • Orientador : LENY ALVES BOMFIM TRAD
  • Data: 17/12/2019
  • Mostrar Resumo
  • A pesquisa objetiva analisar a distribuição espacial da violência intrafamiliar no segmento infantil em bairros de Salvador – BA e as imbricações da violência e da vulnerabilidade social nas experiências de sociabilidade de famílias e crianças pobres e em situação de rua. A tese caracteriza-se por um método misto. No domínio quantitativo, foi realizado um estudo descritivo, exploratório com os casos de violência notificados pelas as unidades públicas de saúde do Sistema Único de Saúde – SUS, obtidos do segmento infantil do componente contínuo do Sistema Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA). Os resultados mostraram que as crianças foram vítimas de diversas violências principalmente física e sexual, envolvendo aquelas do sexo feminino, no ambiente domiciliar, praticada por familiar e pessoas conhecidas da vítima. Com os dados dos casos de violência, um estudo ecológico foi possível, tendo como unidade de análise espacial os bairros de Salvador, georreferenciados pelos endereços de residência das crianças vítimas de violência. A distribuição espacial da violência intrafamiliar no segmento infantil foi associada a variáveis determinantes das condições de vida. Dentre os aglomerados, os bairros Calabar, Alto das Pombas, Comércio, Centro Histórico, Liberdade e Uruguai apresentaram clusters espaciais de alto risco (alto – alto) para a violência infantil e na modelagem espacial, as variáveis: homens no domicílio e receber até ½ salário apresentaram um efeito de aumento na taxa de violência infantil. Identificadas as áreas de risco (bairros) para este tipo de violência determinou-se o campo qualitativo da pesquisa. Os bairros escolhidos foram: Alto das Pombas, Comércio e Calçada. Nos bairros do Comércio e Calçada, nas Praças das Mãos e dos Mares respectivamente foi realizada uma etnografia. As experiências cotidianas de famílias em situação de rua foram analisadas tendo em foco a violência estrutural e a vulnerabilidade social, por meio de categorias narrativas: o encontro com as famílias; a relação com as drogas; com o medo e com a proteção social. Oportunizou compreender e discutir os processos de ruptura, rualização, comportamentos e sentimentos mobilizados em situações cotidianas da vida na rua. No bairro Alto das Pombas por intermédio da Escola Municipal, as experiências de crianças (8 a 11 anos) sobre violência e família foram observadas por meio de desenhos, falas do “Jogo das Sentenças Incompletas” e observação participante em dinâmicas interativas. Ao reportarem sobre família evocaram atributos positivos e relataram ser uma família infeliz aquela onde a violência está presente. Quanto aos desenhos foi possível verificar diferentes tipos de famílias (nucleares, monoparentais femininas) e nos contextos infantis de violência intrafamiliar foram retratados nos desenhos: como a força do pai, autor da agressão e o sentimento de não pertença à família, excluindo-se do desenho. Nesta mesma localidade uma narrativa familiar foi analisada à luz da vulnerabilidade social de Kaztman (1999). Nos três níveis (macro, médio e micro) da estrutura de oportunidades pôde-se observar que o acesso ao Bolsa Família, escola, Estratégia de Saúde da Família, ONG, rede de
    vizinhos e a busca por emprego são elementos positivos para a redução da vulnerabilidade porém insuficientes para a mobilidade social e boa qualidade de vida. Reconhecidamente, a violência e a vulnerabilidade social produzem consequências sociais e rupturas no cotidiano e nas experiências destes sujeitos, cujos desdobramentos e implicações reverberam nas interações, nos cuidados entre os membros familiares, especialmente crianças, nas redes de proteção e por fim na sociabilidade.

2018
Dissertações
1
  • WILLIAN JACKSON ABREU DE JESUS
  • CONCEPÇÕES DE SEGURANÇA DO PACIENTE NO PROGRAMA NACIONAL DE SEGURANÇA DO PACIENTE

  • Data: 07/05/2018
  • Mostrar Resumo
  • Em um contexto de mercado globalizado onde os riscos e os custos associados às inovações tecnológicas são uma preocupação, a magnitude dos eventos adversos e danos irreversíveis causados aos pacientes e familiares, na década de noventa, desencadeia a introdução da Segurança do Paciente no contexto internacional. No Brasil, o tema ganhou relevância a partir de 2013, quando o Ministério da Saúde instituiu o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), através da Portaria MS nº 529/2013, seguido da RDC nº 36/2013 da ANVISA que estabelece as ações de segurança do paciente nos serviços de saúde. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa que teve por objetivo analisar as concepções de segurança do paciente incorporadas na formulação do PNSP. Inicialmente, buscou-se identificar, na literatura, as principais concepções de segurança do paciente, para, em seguida analisar os documentos que estabelecem o PNSP e identificar as concepções de segurança do paciente incorporadas. Os resultados identificaram que o PNSP apresenta duas possíveis concepções de segurança do paciente, uma de natureza mais tecnológica e uma outra de natureza mais pedagógica que revelou um certo predomínio. O entendimento dessas concepções de segurança do paciente, à luz dos referenciais de segurança sanitária, riscos e cuidados em saúde pode contribuir com intervenções abrangentes sobre a segurança do paciente.

2
  • JOSEANE MOTA BONFIM
  • A PARTICIPAÇÃO CIVIL DE BLOGS NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: UM ESTUDO DE CASO NA MICRORREGIÃO DE SANTO ANTONIO DE JESUS/BA

  • Orientador : MARIA LIGIA RANGEL SANTOS
  • Data: 13/06/2018
  • Mostrar Resumo
  • A participação social no Sistema Único de Saúde, regulada pela Lei nº 8.142/1990, de 28 de dezembro de 1990, deve ser exercida por meio das Conferências de Saúde e dos Conselhos de Saúde. No entanto, observa-se que a existência de mecanismos oficialmente instituídos não inviabiliza outras formas de participação social que se proponham a colaborar na formulação, execução ou avaliação de políticas públicas, ou mesmo na reflexão críticas sobre as mesmas. Diante do desenvolvimento dos meios de comunicação e das novas tecnologias, as diversas mídias têm se destacado como importantes veículos de informação, dentre elas os blogs, que se apresentam como relevantes ferramentas de participação civil. Este estudo teve por objetivo geral analisar os blogs como espaço social de participação civil no Sistema Único de Saúde na microrregião de Santo Antônio de Jesus/Ba. Como objetivos específicos pretendeuse: a) caracterizar os blogs quanto à sua estrutura; b) caracterizar os agentes quanto às suas trajetórias e posições no espaço social; c) caracterizar seus públicos e principais temas de saúde abordados, relacionados ao SUS; d) caracterizar e discutir a relação dos blogs com o poder público local e suas respectivas posições frente ao SUS; e e) analisar os limites e as potencialidades dos blogs no processo de participação civil junto ao SUS na microrregião de SAJ/BA. Foi realizado um estudo de caso de natureza exploratória com abordagem qualitativa, cujo objeto é um conjunto de blogs criados e mantidos por blogueiros radicados na microrregião de saúde de Santo Antônio de Jesus/Ba, esta composta por vinte e três munícipios. Os resultados encontrados foram submetidos à análise de conteúdo, evidenciando-se que os blogs pesquisados apontam para ações com fins diversos. No entanto, observa-se que o impacto que o blog vem produzindo no Sistema Único de Saúde revela a configuração de um novo espaço de vocalização das demandas da população em relação à saúde na região, apresentando-se como mais uma alternativa de participação civil.

3
  • TAIA CAROLINE NASCIMENTO FERNANDES
  • ÍNTEGROS OU FRAGMENTADOS:
    OLHARES SOBRE A INTEGRALIDADE POR PARTE DAS PESSOAS COM DOENÇA FALCIFORME

  • Orientador : CLARICE SANTOS MOTA
  • Data: 03/08/2018
  • Mostrar Resumo
  • As pessoas que convivem com a doença falciforme (DF), condição genética e hereditária mais comum no Brasil e no mundo, apresentam um processo saúde-doença-cuidado atravessado por um contexto histórico e social bastante complexo. O reconhecimento desta complexidade e das necessidades de saúde de cada indivíduo é representado pelo princípio da integralidade. Em 2013, em resposta a pressão das organizações de pessoas com DF e com vistas à ampliação do cuidado, Salvador implantou o primeiro ambulatório especializado no cuidado à essa população, sob gestão municipal. Considerando o tempo de implantação do serviço e a relativa escassez de estudos com abordagem qualitativa que apresentem a perspectiva das usuárias e dos usuários sobre o contexto da atenção ambulatorial, esta pesquisa buscou analisar a percepção das usuárias e dos usuários sobre as experiências de integralidade neste serviço, identificando aspectos relacionados as dimensões focalizada e ampliada. Trata-se de um estudo de caso realizado no ambulatório especializado em doença falciforme e hepatites virais do Multicentro de Saúde Carlos Gomes, em Salvador/Bahia. Utilizou-se as técnicas de observação participante, entrevistas individuais semiestruturadas e análise documental para obtenção dos dados. Foram incluídas na pesquisa pessoas com diagnóstico confirmado de doença falciforme, idade mínima de 18 anos e que fossem cadastradas no ambulatório. As entrevistas foram gravadas, transcritas e a análise foi realizada com base na análise de conteúdo do tipo temático. Foram construídas duas categorias: 1) Integralidade ampliada: percepções das pessoas com doença falciforme sobre as articulações do ambulatório com a RAS; 2) Um encontro (a)efetivo?: percepções das pessoas com doença falciforme sobre a integralidade focalizada no espaço do ambulatório. Todos os preceitos éticos envolvendo pesquisas com seres humanos foram respeitados. Foram entrevistadas nove pessoas com doença falciforme, cinco mulheres e quatro homens com idade entre 24 e 40 anos. Os encaminhamentos para o ambulatório ocorreram através das unidades de saúde da atenção básica, maternidade de referência para gestantes com doença falciforme e hemocentro. Sobre o cuidado ofertado pela equipe do ambulatório especializado, a maioria referiu perceber mudanças desde que iniciaram o acompanhamento, a exemplo do aumento de informações sobre a enfermidade e o acompanhamento regular pela equipe multidisciplinar. Identificou-se, através das narrativas, que coexistem práticas mais próximas de uma atuação pautada na integralidade e outras que reproduzem uma lógica fragmentada. Na relação com os outros pontos de atenção da rede, a maioria das participantes referiu não frequentar a atenção primária com regularidade e disseram não recordar de situações de comunicação entre estes níveis de atenção. Para realização de exames e outras consultas especializadas, os participantes expressaram a necessidade do uso de serviços privados para aquelas que não eram ofertadas no espaço do ambulatório, sendo que todos informaram não usar exclusivamente o SUS, principalmente por conta dessa
    necessidade. Na articulação com a rede de urgência e emergência foi mencionado, por algumas entrevistadas, a presença do hematologista em alguns serviços, entretanto, de modo geral, foi apontado a grave ausência de uma retaguarda hospitalar em Salvador e a desinformação de alguns serviços sobre o cuidado para eventos agudos. A percepção das pessoas acompanhadas no primeiro ambulatório especializado em doença falciforme, sob gestão do município de Salvador, indica que a iniciativa do PAPDF pela busca por autonomia no cuidado especializado dos seus munícipes representa um importante marco no processo de descentralização e qualificação do cuidado ofertado a essa população. Contudo, mudanças estruturais como, a terceirização da gestão do ambulatório e do programa, além de questões da macropolítica do nosso sistema de saúde, certamente, vem impactando negativamente nas possibilidades de as trabalhadoras do serviço desenvolverem práticas pautadas na integralidade, além de afetar a capacidade de comunicação e articulação com os outros pontos da rede de atenção à saúde.

4
  • LUA SÁ DULTRA
  • Acesso da população em situação de rua na Atenção Básica: uma análise das práticas instituídas pela Saúde da Família no Centro Histórico de Salvador

  • Orientador : MONICA DE OLIVEIRA NUNES DE TORRENTE
  • Data: 16/08/2018
  • Mostrar Resumo
  • O fenômeno da população em situação de rua está associado à desvinculação ou inclusão precária ao mundo do trabalho e à fragilização dos laços sociais. A despeito de estar inscrita em múltiplos processos de vulnerabilidades, essa população encontra barreiras no acesso aos serviços de saúde, incluindo a Atenção Básica. Mesmo localizada dentro do território, a Estratégia de Saúde da Família tem estabelecido uma relação distante com o mesmo, ao não considerar suas características socioculturais, reduzindo-o a uma instância física puramente. A partir da abordagem etnográfica, a relação das pessoas em situação de rua com uma Unidade de Saúde da Família do Centro Histórico de Salvador foi estudada, tendo como norteador de análise o acesso – compreendido não apenas como demanda e oferta de serviços, mas principalmente na perspectiva do cuidado. Os desafios de se viver nas ruas trazem implicações para a saúde que provocam os serviços, tanto na relação estabelecida com esse segmento populacional quanto nas respostas que podem dar enquanto setor. O sofrimento da população em situação de rua, psíquico e social, associado às dificuldades de comunicação e inserção institucionais (reforçados pelas instituições), o frequente uso de substâncias psicoativas, o modo peculiar de se relacionar com o corpo, a distinta temporalidade e a usual linguagem da violência requerem atitudes proativas dos serviços de saúde para um cuidado pautado na equidade e na justiça social. No entanto, as distâncias produzidas entre a população em situação de rua e os serviços, que muitas vezes ignoram suas sociabilidades e singularidades, geram barreiras no acesso: desde a exigência de documentos ao exercício de práticas discriminatórias, que passam pelo mito da periculosidade, pelo julgamento moral, pela baixa disponibilidade de escuta, pela não absorção da demanda espontânea, pela abjeção à sujeira e entendimento do direito à saúde como concessão. Tais práticas se configuram como violência institucional, da qual o racismo é um operador, e indicam, dentre outras questões, que a categoria vulnerabilidade não tem sido utilizada para operacionalizar a equidade. É possível identificar nessa arena, em contracorrente, movimentos que ampliam o acesso, através da compreensão do vínculo enquanto recurso tecnológico e da reflexão constante sobre os enrijecimentos das normas e espaços de poder. Ao desnudar a burocratização da Estratégia de Saúde da Família frente ao cuidado junto às pessoas em situação de rua, procura-se desnudar sua burocratização como um todo, ancorada em um processo de trabalho muitas vezes instituído, capturado e sob risco de cristalização.

5
  • EMILY LIMA CARVALHO
  • ITINERÁRIO TERAPÊUTICO DE SUJEITOS PORTADORES DE DIABETES MELLITUS ACOMETIDOS POR PÉ DIABÉTICO

  • Orientador : MARCELO EDUARDO PFEIFFER CASTELLANOS
  • Data: 14/09/2018
  • Mostrar Resumo
  • O pé diabético (PD) é uma complicação do Diabetes mellitus (DM) amplamente conhecida e bem documentada quanto à origem e desfecho, possuindo estratégias de prevenção conhecidas e eficazes. É uma das sequelas mais incapacitantes da doença, respondendo por 40% das amputações não traumáticas, das quais 85% são precedidas de ulcerações. Ser portador de uma doença crônica, por si só, já traz graves consequências à vida cotidiana dos indivíduos, levando inclusive a rupturas identitárias. Ser acometido por uma complicação altamente incapacitante do adoecimento crônico como o pé diabético imprime outro significado à experiência e conduz a diferentes tomadas de decisão. A convivência com esta complicação, porém, é pouco explorada na sua dimensão qualitativa, principalmente no que se relaciona ao itinerário percorrido por esses sujeitos adoecidos, dessa forma, considerando a previsibilidade do PD e sua prevalência na população de portadores de DM. Esta dissertação expõe os resultados provenientes de uma pesquisa que teve como objeto de estudo o itinerário terapêutico de sujeitos portadores de diabetes mellitus que desenvolveram pé diabético em tratamento na rede estadual de atenção especializada localizada no município de Salvador. O objetivo geral deste trabalho foi analisar os itinerários terapêuticos (IT) de indivíduos acometidos por pé diabético e atendidos neste município,compreendendo os significados, motivações e contextos desses itinerários.A coleta de dados se deu entre dezembro de 2017 e janeiro de 2018, por meio de entrevistas narrativasde 18 sujeitos acompanhados no Centro de Endocrinologia e Diabetes da Bahia, observações não participantes com registros em diário de campo e preenchimento de ficha de dados sócio demográficos. Foram incluídosna pesquisa indivíduos maiores de 18 anos portadores de DM acometidos por PD, apresentando ferida ativa, com ou sem amputações menores. A análise das narrativas produzidas utilizou as prerrogativas de análise de narrativas de Fritz Schütze, valendo-se também da categorização de narrativas de Labov durante a descrição estruturada dos trechos narrativos. Como resultados, observou-se que a vivência com DM por períodos longos, o histórico familiar, a rede social dos indivíduos e suas relações com os serviços tem relação direta com as formas de condução dos itinerários terapêuticos. Ainda tendo como foco a análise do trajeto destes indivíduos, foi possível identificar uma série de barreiras de acesso às fontes de cuidado formais relacionadas às dimensões organizacional, simbólica, informacional e financeira. Concluiu-se, portanto que, faz-se necessário a ampliação do olhar sobre os portadores de PD para além do parâmetro engessado dos preceitos biomédicos sobre esta complicação. A dimensão social ganha na vida desses sujeitos uma matiz importante, mediando as formas como acionam as fontes de cuidado, sendo relevante desenvolver estratégiasde prevenção que considerem a configuração da condução dos cuidados coerente com a realidade de vida dos sujeitos, prezando por uma escuta qualificada.

6
  • DEBORA MOURA PASSOS
  • AS PRÁTICAS DAS EQUIPES DE SAÚDE DA FAMÍLIA NO CONTEXTO DO PROGRAMA MAIS MÉDICOS

  • Data: 24/10/2018
  • Mostrar Resumo
  • O Programa Mais Médicos (PMM), criado em 2013, possui como um dos principais eixos a provisão emergencial de médicos e fortalecimento dos serviços na Atenção Primária à Saúde (APS). Através do Programa mais de 18 mil médicos foram inseridos na Estratégia Saúde da Família em 2015, dos quais 11 mil eram cubanos. Alguns estudos apontam diversas mudanças nas práticas das equipes de saúde da família que receberam médicos do PMM. Entretanto, são poucos os estudos que investigaram, especificamente, as práticas dos médicos cubanos, considerando sua formação generalista com ênfase na APS e sua influência na equipe de saúde da família. Diante disso, o presente estudo tomou como objeto a possível influência do médico cubano no desenvolvimento das práticas dos profissionais da Estratégia Saúde da Família no contexto do Programa Mais Médicos. A pesquisa teve como suporte teórico-metodológico a Teoria do Processo de Trabalho em Saúde proposta por Mendes-Gonçalves, que embasou a definição das categorias analíticas como agentes, objeto, tecnologias, atividades e relações. Foi realizado um estudo comparativo de casos com um nível de análise, desenvolvido no âmbito da Estratégia Saúde da Família, com duas equipes, sendo que uma aderiu ao PMM e recebeu médica cubana e outra equipe não aderiu. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com duas médicas, uma enfermeira, duas técnicas de enfermagem e seis agentes comunitários de saúde, bem como foram observadas as práticas e o processo de trabalho desses profissionais. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA. Os resultados apontaram que a formação médica cubana se diferencia da formação brasileira pela ênfase na medicina generalista, com aproximação ao conteúdo da atenção primária desde o primeiro semestre do curso, de forma teórica e prática. Quanto ao processo de trabalho, a equipe ESF-PMM, quando comparada a equipe ESF, apresentou maior desenvolvimento das práticas referentes à territorialização, análise da situação de saúde, planejamento local, educação em saúde, ações intersetoriais, ações de controle de determinantes e vigilância epidemiológica e ações voltadas para os indivíduos e famílias. Concluiu-se que a inserção do médico cubano na equipe de saúde pode ter influenciado no desenvolvimento de práticas com maior número na realização de atividades e no modo diferenciado de executar as práticas, uma vez que esse profissional, com formação generalista, valoriza o trabalho na ESF e reconhece a necessidade de desenvolver práticas sanitárias baseadas no território e no vínculo profissional-usuário.

7
  • GOYA PITAGORAS FREITAS SANTOS
  • TRAJETÓRIA ESPAÇO-TEMPORAL DA EPIDEMIA DE CHIKUNGUNYA FEIRA DE SANTANA – BAHIA, 2014 – 2016

  • Orientador : MARIA DA GLORIA LIMA CRUZ TEIXEIRA
  • Data: 29/10/2018
  • Mostrar Resumo
  • Introdução: A Febre Chikungunya é uma arbovirose, transmitida pelo vetor Aedes aegypti. É considerada uma doença infecciosa grave, não só por produzir epidemias de grande magnitude, mas também por se tratar de doença altamente incapacitante e debilitante, para a qual ainda não se dispõe de tratamento específico. Atualmente tornou-se mais um problema de saúde pública que ameaça a sociedade brasileira e para muitos outros países onde há presença do vetor. Objetivo: Analisar a trajetória espaço-temporal dos casos notificados de chikungunya em Feira de Santana no propósito de identificar as áreas de maior risco de ocorrência no ambiente urbano, no período de 2014 a 2016. Metodologia: Estudo do tipo ecológico, de agregado espaçotemporal, tendo como unidade de análise temporal meses e unidade espacial setores censitários do município. Os casos notificados foram georreferenciados de acordo com endereço informado no Sistema de Informação de Agravos de Notificação - SINAN. A evolução dos padrões espaço-temporais da Chikungunya foi avaliada por meio de mapas sucessivos gerados para permitir melhor visualização da difusão da epidemia e utilizou-se a estimativa de razão de Kernel que possibilitou a identificação do padrão de distribuição da ocorrência desta doença no espaço da cidade. Resultados: Entre agosto de 2014 a dezembro de 2016 foram notificados 5.821 casos de Febre de chikungunya, correspondendo a incidência média no período de 942,7/100.000 habitantes, sendo a maioria dos casos em pessoas do sexo feminino. Com relação a faixa etária, os casos da doença ocorreram mais entre indivíduos de 20 A 59 anos, porém observou-se que quanto maior a idade maior a probabilidade de ser acometido por esta enfermidade de modo que nos indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos revelou a maior incidência. No que diz respeito a raça/cor declarada, a maior proporção foi observada nos que referiram cor parda, seguida pela raça/cor preta. Os valores das taxas de incidência da Febre chikungunya cresceram de 2014 para 2015 decrescendo em 2016, tendo o maior pico em maio de 2015. A distribuição espacial da incidência média do período de 2014 a 2016, por Setores Censitários (SC) da cidade, variou de zero a 225,2 casos por 1000 habitantes sendo os SC situados ao norte, nordeste e noroeste do município os que concentraram maiores taxas de 8 incidência. Duas áreas, uma ao leste e outra ao noroeste concentraram o maior número de casos por todo o período estudado, sendo consideradas como difusoras da epidemia Discussão: Praticamente, toda a malha urbana do município foi atingida por chikungunya, sendo que a epidemia se concentrou inicialmente em duas áreas e se manteve produtiva. O caso índice desta epidemia, importado da África/Angola no final de maio de 2014, foi identificado em uma dessas áreas, a qual possui densidade demográfica bastante alta, população totalmente naive e Aedes aegypti em abundancia, condições são extremamente favoráveis para a rápida transmissão dos arbovírus o que possivelmente, favoreceu a formação de novos clusters. A emergência do CHIKV em Feira de Santana desencadeou um processo de difusão por expansão o qual propiciou o rápido delineamento de duas ondas epidêmicas de grande magnitude, acometendo milhares de pessoas por esta grave e debilitante doença, trazendo impactos negativos na situação de saúde e qualidade de vida dessa população.

8
  • IZABELLE PINTO CAMARA
  • Uma análise sobre o Programa Mais Médicos: trajetórias e pontos de vista dos agentes médicos de Salvador.

  • Orientador : ISABELA CARDOSO DE MATOS PINTO
  • Data: 29/10/2018
  • Mostrar Resumo
  • O objeto de análise deste trabalho é o Programa Mais Médicos (PMM), que se configura, atualmente, como uma das estratégias prioritárias do Ministério da Saúde para o enfrentamento dos desafios da Atenção Básica (AB) no Brasil. Nesse sentido, realizou-se um estudo com foco nos agentes médicos do primeiro ano do PMM, no município de Salvador, buscando-se compreender as trajetórias dos participantes do programa, bem como seus pontos de vista em relação à medicina, ao PMM e ao Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, investigou-se as questões em jogo existentes na Atenção Primária à Saúde (APS). Para tanto, foram realizadas 15 entrevistas semiestruturadas com médicos do primeiro, segundo e quarto ciclos do programa, utilizando-se como referencial a teoria das práticas de Pierre Bourdieu. Verificou-se que os agentes médicos cubanos investigados tiveram suas trajetórias formativas conformadas no âmbito da APS, enquanto os agentes estrangeiros (intercambistas individuais) e brasileiros, de maneira geral, tiveram pouca ou nenhuma inserção na APS, durante a graduação. Essas trajetórias formativas dos agentes tiveram muitas influências na conformação de suas trajetórias profissionais, as quais são atravessadas também por elementos objetivos que compõem a superfície social em que estão inseridos. Tais trajetórias constituem e são constituídas a partir de um sistema de disposições adquiridas pelos agentes, ao longo da vida, que orientam seus esquemas de percepção e ação. Os distintos pontos de vista expressos pelos agentes, sobre a medicina e sobre o SUS, e os motivos que levaram os médicos a ingressar no PMM, também, revelaram correlações com as disposições e com as posições ocupadas pelos agentes. As questões em jogo, identificadas pelos agentes, tiveram naturezas diversas, desde as questões de infraestrutura inadequada e carência de recursos materiais até os aspectos de organização, gestão do sistema e funcionamento da rede de serviços, compreendendo-se que tais problemas se colocam como desafios históricos no processo de implementação da Atenção Primária à Saúde. As evidências desse trabalho apontaram, ainda, para a necessidade de um maior investimento num conjunto de mudanças, visando o fortalecimento da APS e do SUS, que envolvam melhoria das condições estruturais das Unidades de Saúde da Família e da organização da rede de atenção, além de estímulos à fixação de profissionais médicos na Estratégia de Saúde da Família.

Teses
1
  • CLARICE ALVES DOS SANTOS
  • TRAJETÓRIA ANTROPOMÉTRICA E PADRÕES DO ESTILO DE VIDA ASSOCIADOS À SARCOPENIA: RESULTADOS DA COORTE ELSA-Brasil

  • Orientador : SHEILA MARIA ALVIM DE MATOS
  • Data: 02/08/2018
  • Mostrar Resumo
  • A sarcopenia é um importante problema de saúde pública, não só pela elevada magnitude da sua ocorrência, mas também pela redução na capacidade física e qualidade de vida, maior suscetibilidade às doenças crônicas não transmissíveis e mortalidade. Definida pelo declínio progressivo da massa, força e/ou função muscular, essa condição é considerada uma das marcas do processo de envelhecimento, embora também pode ocorrer em fases precoces da idade adulta e acentuar-se durante os anos subsequentes em virtude de condições de saúde, exposições ambientais e sociais adversas durante o curso de vida. A trajetória antropométrica de baixo peso e os comportamentos de riscos à saúde incorporados no estilo de vida podem influenciar os mecanismos fisiopatológicos subjacentes à sarcopenia, implicando em maior declínio da massa muscular esquelética com o envelhecimento. Contudo, as contribuições desses fatores para ocorrência da sarcopenia em adultos ainda são pouco conclusivos. A presente tese procura preencher essa lacuna, investigando a trajetória antropométrica, os padrões do estilo de vida e sua associação com a ocorrência de sarcopenia em homens e mulheres da coorte ELSA-Brasil. Este estudo é parte do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), coorte observacional e multicêntrica com a finalidade de investigar prospectivamente doenças crônicos e seus fatores de riscos. Foram usados dados coletados na linha de base (2008-2010) e cerca de quatro anos após o início do seguimento (2012-2014). Os resultados são apresentados no formato de três artigos científicos: 1. Força de preensão manual como discriminador de sarcopenia e obesidade sarcopênica em homens e mulheres do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil); 2. Trajetória antropométrica no curso de vida e ocorrência de sarcopenia em homens e mulheres: resultados da coorte ELSA-Brasil; e 3. Padrões do estilo de vida e sarcopenia em homens e mulheres segundo estrato de idade: resultados da coorte ELSABrasil. A força de preensão manual (FPM) foi um bom discriminador da sarcopenia e obesidade sarcopênica, capaz de alcançar desempenho superior ou igual a biomarcadores de massa muscular. A prevalência de sarcopenia em homens e mulheres que mudaram a trajetória antropométrica para o baixo peso foi duas vezes maior quando comparada aos participantes com uma trajetória de peso estável. Homens e mulheres com padrões de mudança na trajetória para o peso em excesso apresentaram maior quantidade de massa magra. Os padrões de estilo de vida menos saudáveis aumentaram em 47% a chance de sarcopenia em homens mais jovens (OR= 1,47; IC95%: 1,03-2,10). Entre os homens menos saudáveis e que faziam uso de suplementos dietéticos, a probabilidade de sarcopenia foi 3,29 vezes maior (OR=3,29; IC95%: 1,60-6,74). Mulheres com padrões de estilo de vida menos saudáveis e prematuras ao nascer, tiveram uma chance 4,64 vezes maior de sarcopenia (OR=4,64; IC95: 1,34-16,05). O uso de suplementos dietéticos potencializou o efeito do padrão menos saudável do estilo de vida na ocorrência de sarcopenia em homens mais jovens, e nas mulheres a prematuridade acentuou o efeito do padrão menos saudável na ocorrência da sarcopenia. Ações de vigilância à saúde para promoção de estilo de vida mais saudável e mudanças mais seguras na trajetória antropométrica devem ser incentivadas para prevenir a ocorrência e progressão acentuada da sarcopenia em adultos.

2
  • PALOMA DE SOUSA PINHO FREITAS
  • Gênero, Trabalho, Família e Transtornos Mentais Comuns: um estudo com docentes do ensino superior do ELSA-Brasil

  • Data: 29/08/2018
  • Mostrar Resumo
  • A presente tese teve como objetivo analisar os efeitos do estresse ocupacional, conjugado às
    demandas familiares, sobre a ocorrência de transtornos mentais comuns entre docentes do
    ensino superior do ELSA-Brasil. Estudos sobre gênero, saúde, trabalho e família entre
    docentes ainda permanecem pouco presentes na literatura brasileira e internacional. Os
    transtornos mentais comuns são caracterizados por quadros de ansiedade, depressão e
    sintomas psicossomáticos, atualmente considerados um relevante problema de saúde pública
    e, se não tratados, podem desencadear processo difícil de ser revertido. Diversos fatores
    podem relacionar-se ao adoecimento mental, com distinções entre homens e mulheres. As
    recentes transformações do sistema educacional brasileiro impuseram à docência a lógica do
    trabalho intensificado e precarizado. A falta de apoio social e pressões decorrentes da
    alocação de lógicas produtivistas nas atividades docentes (pesquisa, ensino e extensão) têm
    sido documentados como importantes estressores ocupacionais em ambientes acadêmicos
    cada vez mais precários e com relações conflituosas. A interação entre demandas do trabalho
    e da família também tem gerado tensão e sofrimento, pelas dificuldades de conciliação,
    sobretudo temporais. Essa pesquisa integra o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto
    (ELSA- Brasil), um estudo multicêntrico que envolve centros em capitais de seis estados
    brasileiros (Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São
    Paulo). Trata-se de um estudo transversal incluindo 2252 docentes do ensino superior de
    diferentes instituições, sendo 952 mulheres e 1300 homens, entrevistados/as na linha de base
    do estudo longitudinal (2008-2010), ativos no momento da coleta e com idade variando entre
    35 e 69 anos. Foram contempladas nas análises características sociodemográficas, familiares,
    do trabalho, conflito trabalho-família e tempo insuficiente para cuidar de si e lazer com
    repercussões na saúde mental. Os estressores ocupacionais foram mensurados pela escala
    sueca do Questionário Demanda-Controle-Apoio Social (DCSQ) e os TMC pelo Clinical
    Interview Schedule (CIS- R). O pacote estatístico Stata versão 12.0 for Windows foi utilizado
    para análise dos dados. Como resultados da tese foram elaborados três artigos: (1) Estresse
    ocupacional, saúde mental e gênero entre docentes do ensino superior: revisão integrativa; (2)
    Transtornos mentais entre professoras e professores do ensino superior do ELSA-Brasil:
    determinantes do trabalho e da família; (3) Gênero, estresse ocupacional e transtornos mentais
    comuns entre docentes do ensino superior do ELSA-Brasil: o tempo insuficiente para cuidar
    de si e lazer modifica esta associação? Os achados permitiram identificar o pouco
    investimento em estudos empíricos com avaliação do estresse ocupacional e saúde mental na
    perspectiva de gênero entre docentes universitários. O estresse ocupacional apresenta-se como
    um problema atual nas universidades; docentes insatisfeitos/as com seu trabalho; elevadas
    prevalências de transtornos mentais e sintomas depressivos foram observados nos ambientes
    acadêmicos; necessidade de maior responsabilização por parte da gestão educacional e
    investimento no apoio social e em melhores condições de trabalho. Entre os/as 2252 docentes
    estudados/as, 26,8% das mulheres apresentaram TMC contra 13,6% dos homens. Entre elas,
    houve influência de todos os aspectos investigados, ou seja, o fato de ser negra, estar
    desenvolvendo trabalho ativo, passivo ou em alta exigência e conviver com desgaste no
    conflito do trabalho em direção à família e não ter tempo suficiente para cuidar de si e para o
    lazer foram determinantes para adoecimento mental feminino. Em contrapartida, entre os
    homens apenas o conflito trabalho-família teve influência para a ocorrência dos TMC. A falta
    de relaxamento, lazer ou realização de cuidados pessoais foi mediador importante na
    associação entre estresse ocupacional e transtornos mentais comuns entre as mulheres,
    sugerindo que tais achados são influenciados pelas desigualdades de gênero no campo das
    relações entre trabalho, saúde e tempo. Em síntese, aspectos relativos a gênero que envolvem
    trabalho, família, tempo insuficiente para si e saúde são temas que permanecem ausentes nas
    produções acadêmicas dessa temática. Os elementos pautados no debate explorados nas
    discussões dessa tese reforçam a legitimidade e necessidade de sua abordagem.

3
  • LEO PEDRANA
  • ATENÇÃO BÁSICA DIFERENCIADA ÀS COMUNIDADES PATAXÓ DA BAHIA. UMA ETNOGRAFIA POLIFÔNICA DAS PRÁTICAS DE CUIDADO NA PERSPECTIVA INTERCULTURAL

  • Orientador : LENY ALVES BOMFIM TRAD
  • Data: 31/08/2018
  • Mostrar Resumo
  • A atenção à saúde das populações indígenas nos termos de reconhecimento e valorização do saber indígena em saúde através da articulação entre práticas de cuidado é uma questão introduzida desde a declaração de Alma Ata (1978) e gradualmente incorporada nos sistemas e políticas públicas de saúde das nações. As análises das policies nos contextos de colonização anglo saxão e hispano-lusitana evidenciam a falta de paradigmas teóricos e variedade de abordagens para garantir o direito à um cuidado culturalmente apropriado. Todavia, a homogeneidade da hegemonia de práticas biomédicas expressa uma interculturalidade funcional ao domínio de Estado e Sociedade envolvente sobre as populações indígenas. No sistema sanitário nacional brasileiro (SUS), a definição de atenção “diferenciada” que estrutura a Política de Atenção as Populações Indígenas (PNASPI, 2002) é consensualmente considerada ambígua e contraditória. Na falta de avaliação institucional da sua operacionalização, um número limitado de estudos evidencia as transformações interculturais que os processos de implementação desencadeiam ao nível local e se refletem no cotidiano da relação sociocultural de cuidado.
    Na ausência de estudos sobre a atenção básica diferenciada as populações indígenas da Bahia, a tese foca na sua operacionalização a partir da referência à “interculturalidade critica” proposto pela autora Walsh C. (2005) e o modelo de “pesquisa intercultural” de Dietz G. (2011), através de um estudo exploratório, qualitativo, polifônico e multisituado, centrado na etnografia da Saúde Indígena em dois territórios Pataxó do sul da Bahia. O objetivo é descrever posicionamentos, tensões e aproximações entre as concepções e práticas de cuidado, a partir da análise do discurso dos atores e observação do cotidiano de equipes (EMSIs) e comunidades de usuários Pataxó no Polo Base de Porto Seguro do Distrito Sanitário Especial Indígena, Bahia (DSEI-BA).
    A análise da etnogênese resultou útil para evidenciar as nuances e hibridização da etnicidade e multidentidades Pataxó entre os extremos discursivos de indigenização, estruturada na fricção e conflitos interétnicos e branqueamento entre assunção e apropriação do modelo do branco que (re)produzem conflitos socioculturais, faccionalismo intraétnicos pelo poder comunitário e crescente diferenciação do tecido social.
    Essas tensões e hibridizações se refletem especularmente na polissemia que assumem as concepções de adoecimento, cura e atenção básica diferenciada e a poliformia das práticas de cuidado efetivamente realizadas pelos atores locais que participam ao processo de saúde, doença e (auto)atenção às comunidades Pataxó.
    A pesquisa evidencia as interações entre o sistema de conhecimento Pataxó em saúde e a medicina do branco que convivem não obstante a crescente hegemonia de práticas biomédicas e farmacológicas e a prevalência da visão formal da atenção diferenciada que limitam a possibilidades de articulação entre saberes. A visão produtiva do atendimento
    8
    e as graves carências da qualidade básica e deficiências na cobertura são considerados também limites à priorização do cuidado culturalmente diferenciado.
    Todavia a implementação dos modelos de atenção demostra mediações que produzem adaptações e transformações em sentido intercultural. Em ambas as realidades o profissional indígena emerge e se destaca nas EMSIs pelas sensibilidades, competências e práticas espontâneas de mediação e facilitação linguístico-cultural, enquanto o profissional não indígena consegue desenvolver aproximações e formas de articulação entre saberes quando são garantidas as condições pela fixação e convivência nas aldeias.
    A tese se conclui com uma sistematização dos resultados da análise agregados em três prioridades de ações de reforço da interculturalidade e as relativas sugestões de práticas para realizá-las: o “resgate” do saber Pataxó, a formação intercultural e a valorização das práticas de interculturalidade realizadas.
    Essas prioridades podem ser realizadas a partir da ativação dos recursos endógenos aos sistemas de saúde localmente coexistentes em um modelo bottom up. Todavia, os limites da formulação e da definição da operacionalização da atenção culturalmente apropriada e diferenciada precisam de uma revisão e reflexão crítica interculturalmente construídas para que as ambiguidades virem ambivalências e sejam resolvidas.

4
  • YADIRA ALEJANDRA MOREJON TERAN
  • Padrões de evolução da massa corporal e sintomas de asma em adolescentes de Salvador, Bahia-Brasil

  • Orientador : SHEILA MARIA ALVIM DE MATOS
  • Data: 13/12/2018
  • Mostrar Resumo
  • Este estudo encontra-se focado na compreensão do crescimento linear e ponderal das crianças no curso de vida, sua influência na remissão ou persistência da asma, e o efeito da adiposidade abdominal na presença de sintomas de asma na adolescência. Trata-se de um estudo prospectivo, desde 1997 até 2013, em crianças acompanhadas desde a infância até adolescência. Nesta tese inicialmente foi estudado o efeito do grupo étnico da mãe, o sexo da criança, as características socioeconômicas das famílias e ambientais nas trajetórias do crescimento físico desde a infância até adolescência. Observou-se que os indicadores Altura-Idade (A//I) e Índice-de-massa-corporal-para-a-idade (IMC//I) foram melhores para avaliar crianças que cresceram em áreas com saneamento ambiental. O peso ao nascer, aglomeração e escolaridade da mãe foram fatores importantes nas trajetórias de crescimento, sendo que quanto mais desfavoráveis, menor foram as médias dos z-scores dos indicadores A//I e IMC//I. Uma vez conhecida as trajetórias de crescimento das crianças se desenvolveu um estudo longitudinal para conhecer a associação entre os padrões de IMC//I no curso de vida e a persistência ou remissão de sibilos na adolescência. Não foram encontrados indícios de que o padrão de excesso de peso no curso de vida esteja associado positivamente com a persistência de sibilo até adolescência. Contudo, este achado no âmbito do estudo da asma ainda é um tema controverso e requer mais pesquisas que nos permitam entender os mecanismos involucrados neste processo, sobretudo a influência da puberdade na remissão dos sintomas. Baseados nas limitações do IMC//I como discriminador de gordura corporal e massa magra, e sobretudo em sua limitação para identificar a distribuição da gordura, realizou-se uma análise transversal para verificar a associação entre a obesidade global e abdominal e os sintomas de asma e atopia na adolescência. Também não se observou associação entre o IMC//I e os sintomas de asma e atopia, porém, evidenciou-se associação positiva entre a gordura abdominal e sibilo e atopia, especialmente em mulheres. Os resultados desta tese são relevantes para a saúde pública brasileira, uma vez que reforçam a relevância das políticas públicas amplas, como o saneamento ambiental, que atuam sobre as condições de vida das populações mais vulneráveis e vêm contribuindo, junto a outros fatores, para diminuição da desnutrição infantil, taxas de morbilidade e mortalidade das doenças crônicas não transmissíveis. O melhor entendimento das relações entre o excesso de peso corporal, acúmulo de gordura abdominal e remissão ou persistência dos sintomas de asma pode reforçar políticas públicas voltadas para o enfrentamento destes problemas.

2017
Dissertações
1
  • KELINE SANTOS DE CARVALHO
  • MULHERES NEGRAS USUÁRIAS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS EM UM MUNICÍPIO DO RECÔNCAVO DA BAHIA: VULNERABILIDADE E INTERSECCCIONALIDADE

  • Orientador : CECILIA ANNE MCCALLUM
  • Data: 04/09/2017
  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação analisa as especificidades, vulnerabilidades e interseccionalidades relacionadas ao consumo abusivo de substâncias psicoativas por mulheres negras em uma cidade do Recôncavo da Bahia. De modo mais específico, aborda as experiências de consumo, os itinerários terapêuticos e o tratamento de mulheres, buscando identificar as vulnerabilidades e interseccionalidades presentes e suas implicações. Trata-se de um estudo qualitativo na área da Saúde Coletiva, com abordagem em Ciências Sociais em Saúde. Justifica-se em função do consumo abusivo de substâncias psicoativas (SPA) ser atualmente considerado um importante problema de saúde pública no Brasil, além de dados oriundos de levantamentos epidemiológicos que apontam para o aumento do uso e abuso dessas substâncias pelo segmento feminino, bem como o início precoce e as dificuldades no acesso ao tratamento. O campo empírico para a realização do estudo foi um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSad) presente em um município situado no Recôncavo da Bahia. A metodologia utilizada contou com diferentes técnicas de coleta de dados, tais como: observações sistemáticas do serviço, observação participante do grupo “Conversas entre Mulheres” e realização de entrevistas semiestruturadas. Participaram do estudo 11 (onze) mulheres usuárias de SPA em tratamento no CAPSad. Os resultados evidenciaram características comuns entre as mulheres: todas negras, com renda igual ou inferior a um salário mínimo e idade entre 26 a 62 anos. Em seus relatos, observou-se a presença de desigualdades sociais múltiplas, de diferentes ordens, sentidas, percebidas e significadas de modo diferente por cada uma delas, mas com comum padrão desorganizador e implicações em maior risco para o início, manutenção do consumo abusivo de drogas e avanços terapêuticos. As desigualdades de raça e gênero, relacionadas aos efeitos da pobreza e da desigualdade econômica, traduziram-se na falta de acesso a bens e serviços elementares, configurando-se como importantes mecanismos de exclusão social e discriminação, fatores que dificultam o acesso aos meios para a prevenção e cuidado nas situações de uso abusivo de SPA e suas implicações. Assim, discute-se no trabalho as limitações do uso da noção de vulnerabilidade, em suas dimensões individual, social e programática, para o estudo de temas sociais complexos, como o abordado, haja vista as limitações inerentes a fragmentação da análise. Apresenta-se a noção de interseccionalidade como um modo de estudar o fenômeno de forma mais relacional e articulada, o que permite a compreensão das diversas formas em que a interação entre duas ou mais categorias (raça, classe, gênero) perpassam as experiências das mulheres estudadas. Desse modo, os dados do presente estudo apontam não só para a necessidade de avanços nas políticas sobre drogas, no que tange a inclusão das especificidades inerentes ao tratamento das mulheres, como demonstra como algo essencial um maior investimento na formação e educação continuada de profissionais de saúde para a oferta de serviços e ações de acolhimento e de cuidado sensíveis às diferenças de gênero. Para além, demonstra a necessidade da superação das desigualdades sociais (raça, gênero e classe) e ampliação da promoção da saúde e do indivíduo como um todo, visando à criação de mecanismos que reduzam os impactos provocados pelas iniquidades e determinantes sociais de saúde, e defendam a equidade, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e o bem viver das mulheres negras.

2016
Teses
1
  • IVETE MARIA SANTOS
  • Um mundo em pedaços: um estudo sobre os significados e usos da violência nos mercados de drogas

  • Data: 09/12/2016
  • Mostrar Resumo
  • O objetivo deste trabalho é conhecer os significados e efeitos dos usos da violência relacionada aos mercados varejistas de drogas ilícitas, altamente criminalizadas, nos bairros populares de Salvador, a partir da perspectiva dos operadores. Os altos níveis de violência letal, que figuram entre as principais causas de morte no Brasil, vêm sendo atribuídos aos conflitos nesse segmento do comércio de drogas. Para tanto, foram identificadas e analisadas as motivações, inserções e carreiras dos operadores, os modos de organização, a estrutura funcional, as características da ocupação, as interações principais, o modo de gerenciamento da violência no enfrentamento de conflitos, bem como os tipos e as formas de vitimização. Foram realizadas 46 entrevistas, 41 com homens e 5 com mulheres, sentenciados e que cumpriam pena por tráfico de drogas. Utilizou-se um diário de campo, e as entrevistas foram realizadas com profissionais e usuários de serviços de saúde que atendem às demandas de indivíduos com dependência química, familiares e operadores. Os altos níveis de violência letal encontrados nesses territórios estão relacionados ao grau de fragmentação e instabilidade dos mercados. Neles, muitas empresas criminais disputam pela expansão e monopólio do comércio de drogas, estimuladas pela atuação perversa e fomentadora de violência das polícias. Isso tudo faz com que a violência extrapole o gerenciamento de conflitos e se insira, de modo banalizado e cíclico, como elemento importante e valorizado na construção da identidade e da reputação dos jovens. Conclui apontando a extensão dos danos das violências praticadas nesses locais, com a morte e o adoecimento de um número cada vez maior de pessoas, bem como a ineficácia das políticas de enfrentamento e combate ao tráfico de drogas e a necessidade da adoção de medidas intersetoriais para melhorar esse panorama.

2015
Teses
1
  • SARA SANTOS CHAVES
  • Envelhecer não é igual para todos: significados de envelhecer bem para mulheres idosas que tiveram e que não tiveram filhos

  • Data: 02/06/2015
  • Mostrar Resumo
  • O tema do envelhecimento tem entrado na pauta das investigações acadêmicas brasileiras com maior frequência depois que o aumento da longevidade da população se fez evidente. O fato é que, embora a velhice sempre tenha estado presente em nossas vidas, é justamente na contemporaneidade que ela se torna um “problema” previdenciário e de saúde pública para os governos. Salientamos que neste estudo, a investigação sobre a velhice não foi direcionada pela perspectiva da velhice como problema a ser resolvido, mas a da velhice como fenômeno a ser compreendido por engendrar uma etapa do ciclo da vida, a ser experienciada por uma parcela das pessoas. Dessa maneira, baseando-nos na perspectiva da Psicologia Cultural, esta investigação teve o objetivo de analisar as transformações que ocorrem no campo do self , destacando a natureza afetivo-dialógico-semiótica dos processos de autorregulação ocorridos quando se ingressa na categoria social “ser velho”, envolvendo a construção de novos significados de si e do mundo, em direção a um envelhecer bem. Mais especificamente, buscou-se descrever sob que condições uma pessoa se torna “velha”; sob que condições uma pessoa considera que envelhece bem, a partir da experiência de ter ou não ter filhos; e analisar a experiência da temporalidade na velhice. Os resultados da investigação indicaram que, apesar de geralmente ser enquadrada num grupo homogêneo, a pessoa que envelhece tem características heterogêneas, fugindo aos padrões tradicionais de caracterização, quais sejam ser dependente, ser necessariamente vulnerável e ‘gagá’. Ao contrário, o conflito de significados gerados pela ambivalência ‘ser velha (o)’/ ‘não ser velha (o)’, gerou novas formas de experienciar a velhice entre os participantes, contribuindo para uma transformação dos significados do ser velho tanto no âmbito da cultura pessoal, quanto no da cultural coletiva, engendrando um processo de transição e transformação dos significados da cultura coletiva acerca do que significa ser velho (a). Os resultados também evidenciaram que políticas públicas que privilegiem a manutenção da agentividade da pessoa que envelhece, bem como sua autonomia financeira e manutenção de vínculos em sua rede social, contribuem para um envelhecer bem. A temporalidade na velhice foi percebida como tendo íntima relação com os significados construídos ao longo da trajetória de vida da pessoa que envelhece, bem como a existência de um sentido na vida; sendo os planos para o futuro redimensionados, conforme os significados construídos pela pessoa que envelhece acerca do que é ser velho, para planos de curto e médio prazo, através de percepções do futuro mediadas por signos tipo campo – que privilegiam a emergência da novidade, e portanto a continuidade do desenvolvimento – e por signos tipo ponto, mais focados em circunstâncias específicas e menos flexíveis à transformação.

2
  • SHEILA MONTEIRO BRITO
  • Retenção ponderal materna no pós-parto: um estudo de coorte em município do Nordeste Brasileiro

  • Data: 13/11/2015
  • Mostrar Resumo
  • Introdução: O ciclo gravídico-puerperal constitui risco de retenção ponderal materna, assumindo relevância epidemiológica na ocorrência de obesidade em mulheres. Metodologia: A proposta deste estudo foi analisar a associação entre estado antropométrico, consumo alimentar, fatores socioeconômicos, ganho de peso na gestação e a retenção ponderal materna nos seis primeiros meses pós-parto em mulheres de um município da região Nordeste do Brasil. Resultados: Os resultados desta investigação são apresentados em formato de três artigos. O 1º compreendeu um estudo de validação e calibração de um questionário de frequência alimentar (QFA), utilizando-se um Recordatório de 24 horas (R24h) como padrão de referência. Adotou-se o coeficiente de correlação de Pearson para validação e a regressão linear para extração de fatores de calibração. Os resultados do estudo indicam que o QFA superestimou, para os dados brutos, a disponibilidade de energia e a ingestão dos nutrientes cujos coeficientes variaram de -0,15 (gordura monoinstaurada) a 0,50 (carboidrato). O ajuste pela energia alterou a distribuição dos coeficientes, registrando-se variação de -0,33 (sódio) a 0,96 (folato). Após a análise de calibração os coeficientes variaram de -0,23 (sódio) a 1,00 (folato), indicando que a acurácia do instrumento validado foi satisfatória, para a energia, macronutrientes, gordura monoinsaturada, colesterol, vitaminas B12, C, folato, sódio, ferro e cálcio. Assim, o QFA estimou adequadamente o consumo alimentar das gestantes deste estudo. O 2º artigo apresenta resultados do estudo exploratório dos fatores associados à retenção ponderal materna no sexto mês pós-parto (RPPP) em coorte prospectiva de 127 mulheres, acompanhadas desde o primeiro trimestre gestacional. A RPPP foi estimada pela diferença entre o peso materno no sexto mês pós-parto e o peso pré-gestacional (Ppg). Utilizou-se regressão logística com abordagem hierárquica para estimar as associações de interesse. Adotou-se o odds ratio (OR) e o intervalo de confiança (IC 95%) para avaliar a significância estatística. Após ajuste pelas variáveis distais e intermediárias, mostraram-se diretamente associadas à RPPP os determinantes proximais: ganho ponderal gestacional excessivo (OR: 3,34; IC: 1,16-9,59), adesão ao padrão 2 de consumo alimentar (carnes vermelhas e ovos, produtos cárneos e embutidos, alimentos industrializados e café) (OR: 2,70; IC: 1,16-6,32) e ausência de aleitamento materno exclusivo no primeiro mês da criança (OR: 3,40; IC: 1,27-9,12). Dentre os determinantes intermediários, a paridade esteve associada ao desfecho (OR: 2,36; IC: 1,01-5,55). Os fatores distais não se associaram ao evento. O 3º artigo compreende o estudo da associação entre ganho de peso gestacional e retenção ponderal nos seis primeiros meses do seguimento pós-parto. Durante o seguimento foram aferidas três medidas do peso materno no período gestacional e duas no pós-gestacional. A retenção ponderal foi analisada pela técnica de modelagem linear de efeitos mistos. Observou-se que a cada quilo de peso materno ganho na gestação aumentou o incremento ponderal em 167 g nos seis meses do seguimento (p=0,016). Após o ajuste pelas variáveis peso pré-gestacional (β=0,602; p<0,001), cor da pele preta autodeclarada (β=1,527; p=0,013), idade gestacional no momento da captação (β= 0,344; p=0,010), consumo de frutas, leguminosas, leite e derivados (β=-1,785; p=0,039), ausência de aleitamento materno exclusivo no sexto mês (β=-3,333; p=0,022) e aumento da duração do aleitamento materno (β=-0,027; p=0,001). Conclusão: O ganho de peso materno na gestação influencia a retenção do peso após o parto. Destaca-se a importância da adoção de intervenções no pré-natal e no pós-parto para controle do ganho de peso materno, promovendo o adequado estado antropométrico e de saúde e possivelmente protegendo contra o sobrepeso na população feminina.

SIGAA | STI/SUPAC - - | Copyright © 2006-2020 - UFBA