Castrati em cena, mito e contexto cultural na Europa e na Bahia do século XVIII
Barroco - Castrati – Ópera - Europa barroca - Brasil colônia
O projeto visa uma pesquisa apurada sobre o nascimento, desenvolvimento e difusão nos diversos territórios do fenômeno classificado, historicamente e a posterior, com o termo de Barroco: neste caso restrito ao mundo do canto e, especificamente, da ópera.
A pesquisa parte desse movimento de canto surgido na Europa no século XVII e que nasceu da afirmação, na Espanha, da voz dos castrati, vinda do mundo árabe.
Para atender à necessidade de maior extensão para o agudo, a Igreja, que havia proibido as mulheres de participar de coros religiosos, aproveita o momento para introduzir sopranos castrados em seus corais.
A pesquisa visa sondar e trazer à tona o quanto esse fato afetou e influenciou a sociedade da época, principalmente entre as classes menos abastadas, para não dizer claramente pobres, que viam na carreira do cantor castrado um futuro melhor para seus próprios filhos. O percurso desta pesquisa destaca não apenas os grandes resultados artísticos e econômicos que apenas alguns cantores castrados conseguiram alcançar, quando o fenómeno, espalhou-se a partir dos corais, atingiu o mundo da ópera, mas também os dramas que na maioria dos casos afetaram os menos dotados e os mais pobres.
O caminho da pesquisa não dispensa enumerar os grandes sucessos que, graças à voz dos castrati, as casas de ópera obtiveram, não só na Itália, onde o fenômeno nasceu e se difundiu, mas também em todos os teatros da Europa.
Nesse ponto, considerando que a obra italiana também tocou em Portugal, a investigação se desloca para as colônias, cidades deste último País. A pesquisa visa sondar e estabelecer se essa forma de entretenimento, ou melhor, se os cantores emasculados dominaram ou se enraizaram na primeira colônia portuguesa brasileira, identificada como Salvador da Bahia.