Infraestrutura em dissenso: a ferrovia e o monotrilho na produção/expropriação da vida no Subúrbio Ferroviário de Salvador/BA
Infraestrutura, Subúrbio Ferroviário, Monotrilho, dissenso, conflito, desenvolvimento
Este trabalho busca realizar uma discussão sobre a intervenção do monotrilho e desativação do trem do Subúrbio Ferroviário de Salvador, a partir do ato de seguir o conflito instaurado por esse projeto proposto pelo Governo do Estado da Bahia através de uma Parceria Público Privada (PPP). Para conduzir esta pesquisa me proponho a acompanhar e, sobretudo, colaborar com as ações coletivas de moradoras/es e suas alianças, visando incidir no projeto em questão. Diante disso, mobilizo ferramentas para seguir o conflito a partir do olhar daquelas/es que vivem no território e estão sujeitas/os às ameaças invocadas pela intervenção, seja acompanhando o debate público, audiências, reuniões e conversas com moradoras/es, que me conduzem a documentos públicos e pessoais, notícias e demais fontes, aqui trianguladas para apreender as dimensões do encontro da produção dessa infraestrutura com a forma com que as pessoas fazem a cidade neste território. É seguindo o conflito que encaro o dissenso como uma força criativa e política na qual as/os moradoras/es tensionam os significados e efeitos das políticas de infraestrutura, evidenciando desenvolvimento e progresso como modos de gerir diferencialmente suas vidas e seus territórios racializados. A infraestrutura é observada como uma imagem que promove a visualização da operação da racionalidade governamental e oferece essa racionalidade para o debate político. É mobilizando o dissenso diante das promessas dessa racionalidade que as/os moradoras/os estimulam e reposicionam o conflito no debate público, e assim, mesmo frente aos ausentes espaços de participação, constroem política. Confrontando os discursos de desenvolvimento sustentados pela expropriação e pelo banimento racial nos seus territórios, exigem serem incluídos no futuro anunciado pela nova infraestrutura. A pesquisa evidencia que, ainda que esse futuro anunciado agora esteja em ruínas, as/os moradoras continuam nos lembrando cotidianamente que a cidade é feita pelos seus movimentos no espaço e no tempo, para além dos planos urbanísticos do Estado e dos agentes privados.