Exergaming combinado à estimulação transcraniana por corrente contínua no tratamento de pacientes pós-avc: uma revisão sistemática com metanálise.
Palavras Chaves: Acidente Vascular Cerebral; Exergaming; Estimulação Transcraniana por corrente contínua; fisioterapia.
Introdução: O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma afecção que ocorre quando a circulação sanguínea responsável pela irrigação cerebral é afetada de forma aguda e provoca uma interrupção ou extravasamento de sangue em áreas específicas do cérebro. Esse acometimento pode ocasionar sequelas motoras, sensoriais, cognitivas e/ou psicológicas, sendo necessárias intervenções bem direcionadas ao longo de todo o processo de neurorreabilitação. Uma das abordagens de fisioterapia é a Neuromodulação não-invasiva por meio da Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (tDCS), na qual se aplicam correntes elétricas com o objetivo de modular os estímulos neuronais, otimizando a neuroplasticidade. Outra possibilidade promissora é o uso da Realidade Virtual para fins terapêuticos, a exemplo do Exergaming, que capta os movimentos humanos e promove a interação das pessoas com o jogo durante o tratamento. Objetivo: Avaliar a eficácia do Exergaming combinado à tDCS em pacientes com sequela de AVC. Método: Foi realizada uma revisão sistemática com metanálise, conduzida conforme as recomendações PRISMA. Ensaios clínicos randomizados foram identificados nas bases de dados PubMed/MEDLINE, EMBASE, PEDro, BVS, Scopus e CENTRAL, sem restrições quanto ao idioma ou ao ano de publicação. As análises estatísticas foram realizadas no software Review Manager (RevMan) versão 5.4. Resultados: Sete estudos foram incluídos, sendo um apenas para análise qualitativa. As metanálises demonstraram que o tDCS ativo combinado à RV apresentou efeito estatisticamente significativo na função motora do membro superior (SMD = 0,53; IC95%: 0,03–1,03; p = 0,04; I² = 16%) e no equilíbrio, tanto com tDCS anódico (SMD = 1,33; IC95%: 0,65–2,01; p = 0,0001; I² = 0%) quanto cerebelar (SMD = 1,28; IC95%: 0,46–2,09; p = 0,002; I² = 29%). A qualidade de vida também apresentou melhora significativa (DM = 45,60; IC95%: 3,83–87,37; p = 0,03). Para independência funcional, espasticidade, cognição global, função executiva, atenção, controle inibitório e força muscular, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas, embora tenham sido identificadas tendências favoráveis ao grupo experimental. As comparações com tDCS isolado, RV isolada, terapia ocupacional e fisioterapia convencional não demonstraram superioridade estatisticamente significativa do protocolo combinado. Conclusão: A associação entre tDCS e RV apresentou efeitos positivos, especialmente sobre a função motora do membro superior, o equilíbrio e a qualidade de vida em indivíduos pós-AVC. Entretanto, os achados devem ser interpretados com cautela devido ao número reduzido de estudos, aos tamanhos amostrais pequenos e à limitação dos desfechos avaliados, reforçando a necessidade de ensaios clínicos mais robustos.