USABILIDADE E REPRODUTIBILIDADE DE ESCALAS DE PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO MODIFICADA PARA ATLETAS COM BAIXA VISÃO.
Deficiência Visual, Esforço físico, Esportes para Pessoas com Deficiências, Psicometria, Adaptações
As escalas de percepção subjetiva de esforço (PSE), como a Escala de Borg, são amplamente utilizadas para o monitoramento da intensidade do exercício, porém podem apresentar limitações de uso em atletas com baixa visão, demandando adaptações que favoreçam a acessibilidade. O presente trabalho compreende dois estudos complementares. O primeiro teve como objetivo propor versões visualmente adaptadas da PSE, com contrastes de cores aprimorados, visando facilitar sua utilização por pessoas com deficiência visual. O segundo estudo teve como objetivo investigar a usabilidade, a resposta afetiva e a confiabilidade dessas escalas adaptadas em praticantes esportivos com baixa visão, ampliando sua aplicabilidade no contexto do esporte paralímpico. Este segundo estudo adotou um delineamento em duas fases: na fase um, 20 profissionais (treinadores, educadores e oftalmologistas) avaliaram três versões adaptadas da PSE (azul & amarelo, preto & branco e amarelo & preto) por meio do System Usability Scale (SUS). Na fase dois, oito atletas do sexo masculino com baixa visão avaliaram a escala tradicional e as escalas adaptadas em dois dias não consecutivos, reportando suas respostas afetivas por meio da Feeling Scale. A confiabilidade teste–reteste foi analisada pelo Coeficiente de Correlação Intraclasse (CCI) e pelo erro típico de medida (ETM). Os resultados indicaram alta usabilidade para todas as escalas adaptadas (SUS ≈ 78), respostas afetivas mais positivas e excelente confiabilidade (CCI > 0,90), com menores valores de ETM em comparação à escala tradicional. Conclui-se que escalas de PSE com alto contraste visual representam uma estratégia acessível, confiável e emocionalmente mais positiva, reforçando a importância do design inclusivo no esporte paralímpico.