O CENÁRIO DA PRESCRIÇÃO E INTERMEDIAÇÃO DE ÓRTESES PLANTARES NO BRASIL: UM ESTUDO TRANSVERSAL COM ESPECIALISTAS.
Plantar Orthoses; Professional Practice; Assistive Technology
Introdução: As órteses plantares são recursos essenciais para a correção biomecânica e redução de sobrecargas; contudo, a literatura aponta uma lacuna sobre a dinâmica de sua intermediação no Brasil. Diferente dos modelos internacionais, o cenário nacional apresenta desafios operacionais específicos e inexplorados, decorrentes da atuação compartilhada entre diversos especialistas. Objetivos: O estudo teve como objetivo caracterizar o cenário da prática de prescrição e intermediação de órteses plantares no Brasil, traçar os perfis dos especialistas, identificar a prevalência da intermediação e analisar os modelos de obtenção, desafios e percepções do itinerário. Métodos: Trata-se de um estudo observacional transversal, conduzido por meio de questionário online autoaplicável, respondido por 162 especialistas de todas as regiões brasileiras. Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva e inferencial, aplicando-se o Teste Qui-Quadrado e Exato de Fisher para verificar associações entre as variáveis. Resultados: Os dados evidenciaram a hegemonia da Fisioterapia (81,5%) na condução do serviço, exercido predominantemente no setor privado (89,1%) por profissionais com experiência média de 9,2 anos, cuja formação técnica baseia-se majoritariamente em cursos livres de curta duração (69,3%). Identificou-se uma forte cultura de verticalização do cuidado, com 77,8% dos participantes optando pela fabricação interna em detrimento da terceirização, motivados pela necessidade de controle de qualidade e pela desconfiança na cadeia de suprimentos externa. A infraestrutura tecnológica revelou-se híbrida, combinando avaliação digital via baropodometria com manufatura artesanal. No âmbito econômico, a inexistência de cobertura por planos de saúde (82,1%) configurou o custeio integral pelo paciente como a principal barreira à adesão. A análise inferencial demonstrou ausência de associações robustas entre tempo de experiência, localização e modelos de gestão, sugerindo uma prática heterogênea e individualizada. Conclusão: Conclui-se que o mercado brasileiro de órteses plantares se encontra em expansão e tecnicamente maduro, porém marcado por informalidade acadêmica, gargalos logísticos na terceirização e elitização do acesso, demandando a estruturação de políticas de gestão e o fortalecimento da cadeia produtiva para democratizar esta tecnologia assistiva. [JV1]O problema não foi bem colocado.