GRUPOS DE APOIO COMO ESTRATÉGIA DE ADESÃO À DESPRESCRIÇÃO DE BENZODIAZEPÍNICOS: REVISÃO DE ESCOPO
Abstinência; tolerância; uso prolongado; adesão; dependência
Os benzodiazepínicos estão entre os medicamentos mais prescritos no mundo,
tendência também observada no Brasil. Embora sejam considerados medicamentos
seguros, o uso prolongado pode ocasionar diversas complicações, como risco de
quedas, problemas cognitivos e desenvolvimento de dependência e tolerância. O
uso crônico, em desacordo com as recomendações e os protocolos terapêuticos
vigentes, é prática frequente e representa, atualmente, um relevante problema de
saúde pública. A desprescrição desses fármacos pode constituir intervenção de
grande relevância clínica quando adequadamente indicada e integrada a um
processo ampliado de cuidado ao paciente, principalmente, com ênfase na adesão a
esta intervenção. No entanto, há reconhecida resistência por parte dos pacientes em
aceitar o processo de desprescrição, bem como em concluí-lo após o início da
intervenção. Objetivo: Mapear as evidências disponíveis na literatura sobre o uso de
grupos de apoio de pacientes como estratégia de adesão à desprescrição de
benzodiazepínicos em indivíduos em uso prolongado e desnecessário. Métodos: Os
critérios de inclusão foram definidos com base no mnemônico PCC (População:
pacientes adultos [≥18 anos] em uso prolongado e desnecessário de
benzodiazepínicos; Conceito: grupos de apoio, grupos terapêuticos e intervenções
coletivas como facilitadores da desprescrição; Contexto: serviços ambulatoriais). A
revisão foi conduzida de acordo com as recomendações metodológicas do Joanna
Briggs Institute (JBI) para revisões de escopo. As buscas foram realizadas nas
bases de dados PubMed, Cochrane Library, EMBASE, LILACS/BVS e Web of
Science, além da literatura cinzenta no Google Acadêmico. Foram selecionados
apenas estudos que relataram o uso de reuniões ou grupos de pacientes como
estratégia de apoio à desprescrição de benzodiazepínicos em contextos
ambulatoriais. Resultados: Ao todo, 209 artigos foram analisados quanto à
elegibilidade conforme os critérios estabelecidos; desses, 23 foram selecionados
para leitura do texto completo, resultando em apenas 2 estudos: um que abordou a
criação de um protocolo de grupo de apoio de pacientes específico para a
desprescrição de benzodiazepínicos e um único que atendeu ao objetivo desta
revisão. As evidências disponíveis são limitadas, porém indicam que intervenções
grupais podem aumentar o sucesso da desprescrição de benzodiazepínicos quando
comparadas ao manejo padrão. Conclusão: Evidenciou-se lacuna de conhecimento
quanto à resposta da pesquisa, especialmente sobre a contribuição real e
determinante desses grupos como facilitadores do processo de adesão à
desprescrição de benzodiazepínicos, além da possibilidade de funcionar como fator
de encorajamento para a tomada de decisão e aceitação da intervenção de
desprescrição.