Memórias como Práticas Educativas em Espaços de Ensino Formal e não Formal na Comunidade Quilombola Vila Juazeiro-BA
Memórias; Educação; Quilombola; Identidade; Cultura; Espaços de Educação Formal e não formal
Esta pesquisa tem como questão central investigar de que maneira as memórias são inseridas em práticas educativas em espaços de ensino formal e não formal, partindo do pressuposto de que a identidade das comunidades quilombolas se manifesta na prática educativa por meio da valorização da memória e da cultura local. Tal valorização promove um ensino que reconhece e integra os conhecimentos tradicionais, a história e os costumes do grupo. O estudo foi realizado na Comunidade Quilombola de Vila Juazeiro, localizada no Extremo Sul da Bahia, distrito do município de Ibirapuã. O objetivo geral consiste em compreender como o ensino quilombola e as memórias partilhadas, por meio da oralidade, podem configurar-se como práticas educativas na transmissão da cultura e identidade quilombola, tanto no espaço escolar formal quanto no não formal, articulando ambas as vivências. Especificamente, busca-se: (i) analisar de que forma as novas gerações de Vila Juazeiro aprendem o que é ser quilombo/quilombola nos espaços escolares formais e não formais; (ii) entender como ocorre a aprendizagem dessa identidade, ou seja, como os moradores transmitem-na nas instâncias supramencionadas; (iii) investigar os procedimentos adotados na educação do ser quilombola; (iv) identificar o papel das memórias nesse processo; (v) compreender a relevância da referência “ser quilombo/quilombola” na vida dos moradores, no cotidiano das famílias juazeirenses, frente ao modelo do agronegócio do eucalipto no Extremo Sul baiano. A metodologia adotada combina revisão bibliográfica sistemática com métodos qualitativos, incluindo entrevistas semiestruturadas e conversas informais registradas em formato audiovisual. A revisão bibliográfica foi realizada em bases como Portal Capes e SciELO, visando identificar estudos sobre educação quilombola e o uso das memórias em práticas educativas formais e não formais. As entrevistas foram conduzidas com professores(as) e gestores da Escola Municipal Maurina Oliveira, buscando compreender experiências e desafios na implementação da Lei nº 10.639/03 e na utilização das memórias históricas da comunidade na formação identitária. As conversas informais envolveram famílias selecionadas, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Para análise dos dados, aplicou-se a técnica de análise de conteúdo, identificando padrões e temas recorrentes que revelam as interações entre ensino, memórias e identidade na transmissão de saberes. Os resultados preliminares indicam que a memória, entendida como instância cognitiva e cultural, atua como elemento estruturante na constituição do conhecimento, articulando experiências vividas e processos racionais. Sua presença no campo educativo não se limita à evocação de fatos passados, mas se manifesta como operação ativa de construção de sentido, capaz de integrar o tempo histórico à formação intelectual. Essa dinâmica interfere tanto na educação formal quanto na não formal, influenciando as novas gerações com base nos saberes tradicionais da comunidade, fortalecendo a identidade negra e quilombola frente aos desafios contemporâneos.