TECENDO O FUMO, BORDANDO MUNDOS:
AS PERFORMANCES DAS DESTALADEIRAS DE ARAPIRACA, JALA,
COMPOSTELA E SANTIAGO IXCUINTLA
Arapiraca; Memória; Território simbólico fumageiro; México.
Os cantos das mestras do fumo fazem parte das expressões culturais da cidade de Arapiraca, no
Agreste de Alagoas, no Brasil, e em Santiago Ixcuintla, no estado de Nayarit, no México. Neste
estudo, viso analisá-los e compreender a sua importância para a formação histórica e a cultura
local, bem como para a sua constituição identitária. O presente trabalho busca discutir as
manifestações culturais das destaladeiras de fumo de Vila Fernandes, Canafístula em Arapiraca
no estado de Alagoas e Gavilan Chico, em Santiago Ixcuintla Jala e Compostela em Nayarit.
Tendo como base a história oral, destaco as transformações destas performances ritualísticas
através de entrevistas semiestruturadas. Enquanto arcabouço teórico, foram mobilizadas as
discussões com articuladores teóricos que fundamentam a reflexão sobre oralitura, memória e
performance no trabalho das destaladeiras de fumo no Brasil e no México, como, por exemplo,
Martins (2002) e Zumthor discutindo sobre a compreensão da oralidade como prática corporal
e performática, Gumbrecht (2004) fortalecendo a noção de produção de presença, deslocando
a memória para além da hermenêutica. Ayoh’omidire (2020), reforçando a oralitura como
forma de conhecimento ancorada na ancestralidade, e Hartman (2021) tensionando os silêncios
e apagamentos históricos. Esses referenciais orientam a análise dos cantos e gestos como
práticas de saber e resistência. A pesquisa demonstra que, mesmo diante das
multiterritorialidades que atravessam o território simbólico das destaladeiras, a permanência de
seus rituais no trabalho constitui uma forma de oralitura de resistência. Em meio às dinâmicas
da modernidade líquida e às tendências de homogeneização promovidas pela indústria cultural
e pela lógica de uma cultura-mundo, essas práticas reafirmam identidades coletivas e preservam
saberes que se enraízam na experiência local, tensionando os processos de padronização
cultural.