PPGLITCULT PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LITERATURA E CULTURA (PPGLITCULT) INSTITUTO DE LETRAS Telefone/Ramal: Não informado
Dissertações/Teses

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2020
Dissertações
1
  • ELIENE SANTANA DOS SANTOS
  • VIOLÊNCIA E SUBVERSÃO EM FE EN DISFRAZ DE MAYRA SANTOS-FEBRES

  • Orientador : JULIA MORENA SILVA DA COSTA
  • Data: 03/03/2020
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  • Essa pesquisa objetiva examinar as representações das mulheres negras encontradas no romance Fe en disfraz (2009), da escritora negra porto-riquenha Mayra Santos-Febres. Nesse romance, dentre outros temas, a escritora aborda a violência colonial relatada pelas personagens e como elas reverberam no corpo das mulheres negras na atualidade. Nesse contexto, propõe-se a analisar quais relações a autora faz entre os tempos passado e presente, e como ela apresenta os paralelos, diferenças e continuidades da trajetória das personagens. Busca-se também analisar como a colonialidade do poder produziu discursos sobre corpos subjugados e como a autora reescreve os trilhos de mulheres negras nesse deslocamento decolonial na narrativa. Apresentará ainda quais estratégias a escritora usa na relação porosa entre o real e o ficcional, como dispositivo para criar possibilidades de subversão dentro do sistema de herança colonial, tanto na história como na literatura.

2
  • VICTOR CAMPOS MAMEDE DE CARVALHO
  • O SEGUNDO MITÓGRAFO DO VATICANO: TRADUÇÃO ANOTADA DAS NARRATIVAS RELACIONADAS A SATURNO E SEUS DESCENDENTES

  • Orientador : JOSE AMARANTE SANTOS SOBRINHO
  • Data: 04/03/2020
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  • Este trabalho propõe uma tradução anotada das narrativas míticas relacionadas a Saturno e seus descendentes, constituintes da obra do Segundo Mitógrafo do Vaticano. Para isso, o trabalho se divide em três partes: a primeira aborda os Mitógrafos do Vaticano e a tradição mitográfica; a segunda discute sobre elementos de teoria da tradução considerados no trabalho; e a terceira constitui a tradução propriamente dita. Por Mitógrafos do Vaticano se entende a designação geral dada ao conjunto de três obras encontradas, em 1831, por Angelo Mai, então prefeito do Vaticano. As obras – que são nomeadas como Primeiro, Segundo e Terceiro Mitógrafos – reúnem mitos greco-romanos diversos, se inserindo dentro da extensa tradição mitográfica. Para contextualizar onde se posiciona o Segundo Mitógrafo, é apresentado um breve histórico sobre a mitografia e suas principais obras. No âmbito da tradução, são exibidas noções da teoria clássica da tradução para então contextualizar a prática da tradução na contemporaneidade, desse modo procurando-se compreender no que consiste o ato de tradução e qual o papel do tradutor dentro desse processo. Também se discute sobre o papel ético do tradutor ao criar novas identidades e imaginários sobre as culturas das obras de que traduz. Por fim, apresenta-se a tradução dos mitos, com as notas explicativas servindo para elucidar passagens mais obscuras, identificar figuras históricas ou mitológicas, e apontar as fontes clássicas dos textos.

3
  • NORMA SUELI DE ARAÚJO MENEZES
  • A CONSTRUÇÃO DA MEMÓRIA EM AMULETO, DE ROBERTO BOLAÑO

  • Orientador : JULIA MORENA SILVA DA COSTA
  • Data: 06/03/2020
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  • Esta pesquisa apresenta como tema central a construção da memória a partir da análise da obra Amuleto (1999), do escritor chileno Roberto Bolaño (1953-2003). Nosso objetivo é identificar de que maneira se dá a construção da memória na personagem narradora Auxilio Lacouture, entendida por nós como a personificação/imagem das memórias literárias e políticas. Para a elaboração deste trabalho foram realizadas interlocuções com teóricos que tratam da questão da memória, da história e do passado, bem como autores que apontam nos movimentos de vanguardas prováveis caminhos para a literatura por considerarmos que estas questões, além de permearem a obra analisada e estarem diretamente relacionadas ao tema da pesquisa, se fazem necessárias para melhor entendimento do estudo aqui proposto. Foi possível constatar que, na obra Amuleto, o relato delirante da personagem narradora Auxilio Lacouture reconstrói seu passado a partir das lembranças de fatos por ela vividos direta e indiretamente. Verificamos também que os textos ficcionais são instrumentos que colaboram na reconstrução de outros discursos que não os oficiais e que a história pode ser recontada e reconstruída através de narrativas como a que foi analisada neste trabalho.

4
  • DÂMARIS CARNEIRO DOS SANTOS
  • HISTÓRIA DA PAIXÃO DO SENHOR: EDIÇÃO GENÉTICA E ESTUDO DO PROCESSO DE CRIAÇÃO

  • Orientador : ISABELA SANTOS DE ALMEIDA
  • Data: 26/03/2020
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  • Do teatro baiano produzido na década de 1960, destaca-se o fazer teatral do ator e dramaturgo João Augusto Azevedo, através da ação do grupo A Sociedade Teatro dos Novos, cuja primeira montagem expressiva se deu no ano de 1961 com o texto História da Paixão do Senhor( HPS), nos bairros de Salvador e algumas cidades do interior da Bahia. O texto resulta da adaptação e compilação de dois textos medievais, Mistério da Paixão de Arnould Gréban e O pranto da Madona de Jacopone da Todi, e um texto moderno A via Sacra de Paul Claudel, tendo sido traduzidos por Estela Froés. O estudo aqui proposto busca evidenciar o processo de criação de HPS realizado por João Augusto. A partir da construção e do estudo do dossiê genético foi selecionado um manuscrito (1961) o qual, por sua circunstância de rascunho, possui em sua materialidade rasuras, para a feitura de leituras genéticas acerca do texto e do projeto de escrita de João Augusto, por meio de uma edição genética. Este estudo trouxe à cena mais uma das facetas do dramaturgo João Augusto, contribuindo com informações sobre o início de sua carreira na Bahia e corrobora com seu status de importância na história do teatro popular baiano.

5
  • MAURÍCIO SILVA DA ANUNCIAÇÃO
  • Hiv positivo, corpos que resistem: escrevivências, identidades e subjetividades

  • Orientador : ARIVALDO SACRAMENTO DE SOUZA
  • Data: 22/06/2020
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  • No Brasil, estima-se que 900 mil pessoas vivem com hiv e muitos destes encontram-se em seu anonimato reféns dos estigmas que foram construídos e acompanham as transformações históricas e sociais ocorridas nas sociedades. Considerando-se esse contexto, é analisado como a linguagem e o discurso são ferramentas fundamentais para formular representações discursivas sobre corpos que convivem com o diagnóstico de positivo para hiv/aids. Verifica-se de que forma a Literatura Brasileira Contemporânea pode ser acionada como dispositivo de abertura, afirmação e reexistência de corpos dissidentes que buscam contestar o seu lugar de fala. Além disso, analisa-se como são elaboradas as representações de pessoas vivendo com hiv/aids, esta dissertação aponta que, para além dos estereótipos há um apagamento sistemático de corpos negros que escrevem literatura posit[hiv]a retratando as suas escrevivências. Assim, o estudo propõe-se a elaboração de uma epistemologia afrodiaspórica para ler e narrar a produção literária de corpos negros vivendo com hiv/aids. Para tal investe-se na noção de Literatura negro-posit[hiv]a, como aquela que busca fissurar os processos sociais hegemônicos que procuram instituir normas anulando as subjetividades corpóreas. Para tanto, são acionadas as escrevivências e inquietações do pesquisador soropositivo há sete anos, mas que, ao mesmo tempo buscou ultrapassar os limites da sua relação com a sorologia mobilizando outras vozes posithivas para ampliar o dialogo pela ótica desconstrutiva ao recusar-se ser narrado pelo desejo do outro. Assim, o estudo propõe amplificar o olhar para as produções advindas daqueles que, historicamente, foram representados pelos discursos branco hegemônicos.

6
  • MONALISA SACRAMENTO DE OLIVEIRA
  • “NEGRAS CANDACES, NEGRAS FORTES NO PODER”: A intelectualidade negro-feminina do Ilê Aiyê.

  • Orientador : ARIVALDO SACRAMENTO DE SOUZA
  • Data: 23/06/2020
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  • Neste estudo foram analisadas as produções intelectuais de mulheres negras, que estão
    inseridas no contexto do Bloco Afro Ilê Aiyê. Foram utilizados operadores teóricos como
    escrevivência e tornar-se negra, respectivamente, de mulheres intelectuais negras, a
    saber: Conceição Evaristo e Neusa Souza Santos. Questões relacionadas à construção
    identitária negra, desde as memórias do racismo até o reconhecimento da própria estética,
    foram aqui analisadas. Assim como novos lugares de enunciação, que se fizeram
    presentes com o intuito de subverter construções discursivas sem legitimidade,
    considerando, assim, a possibilidade de diferentes formas de existir. O diálogo entre o
    local e o global apresentou o bloco afro como o pioneiro no processo de mudança da
    trajetória de afro-baianos e afro-brasileiros. Com este trabalho foi possível concluir que o
    Ilê Aiyê é um lugar comum de contribuição para a escrevivência da autora desta
    dissertação, assim como para as de outras mulheres negras, que construíram e ainda
    constroem as suas produções intelectuais tendo o bloco afro como perspectiva. Por ser
    inegável a invisibilidade de atuações femininas diante das tomadas de decisões, bem
    como a ínfima quantidade de compositoras de letras de canções do bloco, o estudo
    buscou romper com silenciamentos e manifestar as produções artísticas e intelectuais de
    um corpus selecionado.

7
  • TIAGO CORREIA DE JESUS
  • POÉTICA DO ENCONTRO: QUESTÕES DE REPRESENTAÇÃO TESTEMUNHAL E DE SUBALTERNIDADE EM INDULGÊNCIA PLENÁRIA, DE ALBERTO PIMENTA

  • Orientador : SANDRO SANTOS ORNELLAS
  • Data: 08/07/2020
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  • O presente trabalho tem como objetivo estudar o livro Indulgência Plenária (2015), originalmente publicado em 2007 pelo escritor, poeta, professor e ensaísta português Alberto Pimenta (1937-), que a partir de um poema extenso dividido em cinco seções apresenta o caso da brasileira transexual Gisberta Salce. Torturada e assassinada, em 2006, por um grupo de adolescentes da Oficina São José, instituição vinculada à Igreja Católica na cidade do Porto, em Portugal. Gisberta morreu após ser atirada no poço de um prédio abandonado. Entendemos o poema uma “Poética do Encontro” entre o sujeito poético e Gisberta, encontro que ocorre com o sujeito poético falando por, de e com Gisberta. Buscamos discutir as implicações da representação de Gisberta pelo sujeito poético nessa “poética do encontro” a partir de duas teorias: a teoria do testemunho de Giorgio Agamben no livro O que resta de Auschwitz (2008) e a teoria da subalternidade de Gayatri Spivak em Pode o subalterno falar? (2014). Assim, a partir da forma como o jogo das subjetividades se organiza no poema, procuramos verificar se é possível identificar nele os limites categóricos entre testemunho e subalternidade na representação de Gisberta. Entretanto, concluímos que os dois campos teóricos em questão não se complementam, mas estão em permanente suplementação um em relação ao outro.

8
  • BRUNA LOUIZE MIRANDA BEZERRA CASSIANO
  • TRAGAR NO CORPO, VERTER EM PALAVRAS: A ESCRITA DA SOLIDÃO EM QUARTO DE DESPEJO

  • Orientador : LIVIA MARIA NATALIA DE SOUZA SANTOS
  • Data: 10/07/2020
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  • Esta dissertação detém-se sobre a escrita da solidão disposta em Quarto de
    despejo: diário de uma favelada (1960), obra da escritora negra Carolina Maria
    de Jesus. Analisa a forma como Carolina expressa um Eu solitário em seu diário,
    avaliando os atravessamentos das experiências cotidianas que culminavam em uma
    solidão fundante, fenômeno capaz de estruturar as relações afetivas dentro e
    fora da favela do Canindé, situada na capital paulista, onde a narradora morava
    com os filhos durante a década de 1950. A solidão aparenta estar situada em toda
    parte, possuindo de uma vasta teia de significados (PACHECO, 2013) que agem como
    fios condutores do sentido na leitura de Quarto de despejo, atravessando a
    miséria, a fome, o abandono, a luta pela vida, as frustrações e os sonhos de
    Carolina. Seu corpo e o seu diário eram redutos de solidão. Para essa análise
    interpretativa, este trabalho organiza-se da seguinte maneira: em um primeiro
    momento, investiga a construção do solo narrativo da obra, explorando o
    compartilhamento das histórias entre Carolina Maria de Jesus e os demais sujeitos
    da favela, tendo em foco os afetos que davam substância à escrita da própria
    solidão, parte elementar das suas escrevivências (EVARISTO, 2008); em seguida,
    reflete sobre a particularidade dessa solidão, questionando determinadas
    compreensões acerca da palavra “solidão” firmadas em uma lógica universal que
    ignoram a existência de pessoas como Carolina Maria de Jesus, condicionadas à
    uma solidão específica, firmada, sobretudo, em seus corpos negros; por fim,
    propõe um mapeamento da solidão nos lugares percorridos pela narradora,
    analisando o modo como ela se percebia só e apontava as múltiplas violências que
    se convergiam em diferentes aspectos de uma solidão vivida entre a favela e o
    centro de São Paulo. Em Quarto de despejo, a solidão exibe-se conforme uma
    gradação de cores e imagens, reagindo a movimentos que oscilam e interferem na
    maneira como pode ser captada. Logo, não há como encerrar Carolina Maria de
    Jesus em uma imagem fixa de solidão, do mesmo modo que não se pode aprisionar a
    expressão do seu Eu solitário em uma acepção única da palavra. A análise do tema
    revela que a solidão de Carolina não se restringia às amarguras de se saber só.
    Não se tratava de uma solidão inoperante, que estanca o sujeito na próprio
    desamparo. Sob certas circunstâncias, a solidão retratada pela narradora era
    pura potência, força criadora capaz de agir na elaboração de uma obra voltada
    para a sobrevivência de quem padecia à margem. Para alcançar esse entendimento,
    mantém-se um diálogo constante com intelectuais negros e intelectuais negras.
    São estes: Conceição Evaristo (2008), Achille Mbembe (2014), Frantz Fanon (2008)
    bell hooks (1995), Grada Kilomba (2018), Patricia Hill Collins (2016), Neusa
    Souza (1983), Milton Santos (1979), dentre outros, cujas contribuições teóricas
    são fundamentais para a execução deste trabalho e se espalham ao longo de toda
    a discussão proposta.



9
  • ANA PAULA SILVA SANTOS
  • O Livro I do Primeiro Mitógrafo do Vaticano: estudo introdutório, tradução e notas.

  • Orientador : JOSE AMARANTE SANTOS SOBRINHO
  • Data: 15/07/2020
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  • Como forma de contribuição para o estudo e tradução de obras literárias da Antiguidade tardia e da Idade Média que estão em desenvolvimento na Universidade Federal da Bahia, no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura, o presente trabalho consiste em apresentar a primeira proposta de tradução para o português da obra conhecida como Primeiro Mitógrafo do Vaticano, Livro I, cujo autor é anônimo. A obra, parte do grupo conhecido como Mythographi Vaticani, é uma compilação de mitos clássicos que, durante a Idade Média, foram reinterpretados à luz da filosofia moral cristã. A tradução é acompanhada de notas e de um estudo introdutório em que se aborda sobre o gênero mitográfico e a sobrevivência dos mitos antigos por meio de interpretações (evemerista, física, psicológica e moral), e em que se discute também a tradição manuscrita, a impressa, e as fontes utilizadas pelo mitógrafo.

10
  • RAMON SILVA DO ROSÁRIO
  • SEMIÓTICA E TRADUÇÃO: A POESIA CONCRETA COMO TRADUÇÃO INTERSEMIÓTICA E SEUS DESDOBRAMENTOS

  • Orientador : JORGE HERNAN YERRO
  • Data: 23/07/2020
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  • Este trabalho tem como objeto de estudo a relação entre a Semiótica e a Tradução, a partir da Poesia Concreta, que, enquanto gênero intermidiático, pressupõe a existência de relações tradutórias entre o sistema verbal e o não verbal. Insere-se, portanto, dentro da área Literatura, na linha de pesquisa de Tradução Intersemiótica. Presume-se a tradução como um ato comunicativo, possivelmente presente onde houver comunicação. O trabalho, aqui realizado, pretende repensar conceitualmente a tradução a partir da compreensão de que na Poesia Concreta ocorre tradução intersemiótica em si mesma, isto é, entre o verbal e não verbal, tendo como base a Semiótica Peirceana. Repensar significa re-significar o ato tradutório, entendendo-o como atividade vital dos seres humanos enquanto seres possuidores de linguagem. O Concretismo profana a convenção da própria língua/linguagem com signos icônicos. O entrelugar dos dois sistemas apresenta um diálogo que constitui parte principal da materialização dos poemas. É no cerne destas relações que acontecem as traduções. Para reconhecer estas relações de tradução é necessário rever o que se sabe sobre o ato de traduzir e o que se aplica, ou não, aos poemas concretos. A desconstrução desencadeada pelo Concretismo abre espaço para novas possibilidades de recepção do texto. O poema concreto pode ser lido a partir de vários sentidos, sem uma linearidade, sem prioridade cronológica e lógica (características comuns em traduções convencionais) entre o verbal e o não verbal, como decorrência de ser produto da criação-tradução de um autor-tradutor.

11
  • VAILSON DA SILVA ARAUJO
  • DA MATÉRIA DE QUE SÃO FEITOS OS SONHOS”: ESTUDO DA NARRATIVA ONÍRICA NA PROSA FRAGMENTÁRIA DO LIVRO DO DESASSOSSEGO, DE BERNARDO SOARES/FERNANDO PESSOA

  • Orientador : MARCIO RICARDO COELHO MUNIZ
  • Data: 24/07/2020
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  • Este trabalho pretende apontar os contornos oníricos da prosa do Livro do Desassossego, bem como as hipóteses subjacentes à expressão fragmentária na composição pessoana, instaurando, deste modo, um novo viés interpretativo e teórico. A partir da reflexão sobre o conceito de fragmento, vislumbra-se uma possível concepção textual assentada na compreensão da dinâmina das narrativas de natureza onírica, transpostas ao contexto da prosa poética, em sua estreita relação com a fragmentariedade que caracteriza e garante a sobrevida da obra. Para tanto, busca-se promover um diálogo entre os fragmentos e passagens alusivas ao sonho e ao estado de sonolência manifestado por Bernardo Soares em seus movimentos de escrita.

12
  • ALINE CESAR CARVALHO
  • PRINCESAS, GUERREIRAS E REVOLUCIONÁRIAS:

    Repensando padrões de gênero e discutindo identidades por meio da literatura infantojuvenil.

  • Orientador : MILENA BRITTO DE QUEIROZ
  • Data: 04/09/2020
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  • Partindo da leitura crítica de obras de literatura infanto-juvenil contemporâneas publicadas no Brasil, a presente dissertação discute acerca da reprodução dos padrões de gênero na infância e suas implicações na manutenção de estruturas opressoras que prescrevem lugares demarcados para o feminino socialmente. Para tanto, recorre-se a uma genealogia da emergência do conceito de infância que permite flagrar de que modos a construção social em torno de uma feminilidade ideal orientou a fundação da literatura infantojuvenil enquanto ferramenta didático-moralizante. Nesses termos, fez-se necessário também retornar à história das mulheres, de modo a entender como as opressões de gênero, raça e classe, historicamente impostas a elas as direcionaram à necessidade de se unirem enquanto grupo e fundarem um movimento organizado de luta pela libertação feminina, cujas demandas e questionamentos orientaram o início de um processo de reflexão acerca dos impactos das representações literárias na formação das gerações de mulheres que cresceram lendo essas histórias. A partir da teoria feminista, e considerando o gênero como ferramenta teórica de análise literária, procurou-se ainda observar como a literatura infantojuvenil brasileira contemporânea tem proposto lugares de protagonismo feminino que rompem com estereótipos físicos e comportamentais comumente condicionados ao feminino. Seis obras literárias infantojuvenis de autoria feminina, publicadas no Brasil, foram escolhidas para compor o corpus dessa pesquisa, sendo elas: A pior princesa do mundo (Anna Kemp, editora Paz e Terra), Por que só as princesas se dão bem? (Thalita Rebouças, editora Rocco), os dois volumes de Histórias de ninar para garotas rebeldes (Elena Favilli e Francesca Cavallo, Vergara & Ribas editoras), Meu crespo é de rainha (bell hooks, editora Boitatá) e Rainhas(Ladjane Alves Souza, editora EDUFBA). Ao analisá-las enquanto representativas de um segmento literário e editorial contemporâneo, buscou-se fortalecer o debate acerca da importância da literatura infantojuvenil para a construção do imaginário, e de uma educação feminista e antirracista para a formação de uma consciência crítica desde a infância.

Teses
1
  • MOISÉS OLIVEIRA ALVES
  • LABORATÓRIO CLARICE: EXPERIMENTAÇÃO, CLÍNICA E VIDÊNCIA

  • Orientador : JORGE HERNAN YERRO
  • Data: 16/03/2020
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  • Propõe-se o presente trabalho a uma análise do romance A paixão segundo G.H e do conto O ovo e a galinha, de Clarice Lispector, a partir de um glossário da arte contemporânea como experimentação, clínica, território, produção de vidência e delicadeza. Nesta perspectiva, os textos poéticos são tratados como ensaios, manifestos de arte, performances da escrita, em que se desdobram conceitos de arte, obra, vida e escrita, construídos por Clarice. O objetivo é capturar a singularidade da escritora e seus modos de ler nosso tempo presente. O encontro de quem escreve o presente texto e dos textos dessa artista se dá numa encruzilhada, situando a tese na rede teórica da crítica performativa ou dramática, fraturando desse modo as fronteiras opositivas entre literatura, crítica e filosofia, e alargando no volume máximo as relações entre escritura, afeto, pensamento e vida.

2
  • MICHEL SILVA GUIMARÃES
  •  

    CESAR BRIE: RUBRICAS SOBRE RAPSODIA, DIALOGISMO, INTERTEXTUALIDADE E CORALIDADE

  • Orientador : CASSIA DOLORES COSTA LOPES
  • Data: 08/07/2020
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  • Esta pesquisa investiga e coteja quatro textos dramáticos de autoria de César Miguel Brie, a saber: El mar en el bolsillo ([1989] 2013b), La Ilíada ([2000] 2013a), Otra vez Marcelo ([2005] 2013a) e Karamazov ([2011] 2017). Tais textos foram escolhidos, a princípio, pelo espaço temporal entre cada um, o que permitiu cotejar os traços constantes da fatura poética do autor, assim como sua progressão, na presença de temáticas políticas e em sua performance textual, sobretudo, na rapsódia de outros autores, respectivamente: Fernando Pessoa, Homero, Marcelo Quiroga Santa Cruz e Fiódor Dostoiévski. Cada uma das peças apresenta uma singularidade que torna o seu estudo o mais oportuno dentro da vasta bibliografia dramática do rapsodo. Vale-se, de um lado, de um corpus teórico formado por autores que pensam a dramaturgia contemporânea, como Jean-Pierre Sarrazac, com os conceitos de rapsódia e coralidade e, de outro, de um corpus formado pelos pressupostos que tentam caracterizar as formas de criação do romance contemporâneo, tais como reiventividade e hibridismo, em diálogo com as características já presentes na forma do romance moderno, como acanonicidade, dialogismo e intertextualidade. Assim, analisa-se a (re) configuração do drama enquanto gênero, a partir da irrupção do romance no teatro, e a potência dessa (re) configuração para trazer ao texto e ao palco temáticas políticas relevantes, que geram discursividades, imagens e performances cujos fulcros estão na revisão da história hegemônica e no confronto às verdades.

3
  • JOBER PASCOAL SOUZA BRITO
  • O corpo como tela, a cidade como arena: As vias do corpo nos filmes Cidade BaixaÓ Paí, Ó

  • Orientador : DECIO TORRES CRUZ
  • Data: 14/08/2020
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  • Este trabalho adota o corpo como uma via produtiva para se chegar aos longas-metragens Cidade Baixa, de Sérgio Machado (2005) e Ó Paí, Ó, de Monique Gardenberg (2007) os quais nos servirão de escopo científico neste estudo. A partir de uma constatação do atual contexto de espetacularização das cidades contemporâneas, procuramos investigar quais “microrresistências” resultam desse processo e quais experiências urbanas são estimuladas no corpo das personagens, dos atores configurando diferentes corpografias. Procederemos a esta análise estreitando o diálogo com questões que envolvem a pragmática ocupação das cidades através de práticas inventivas do espaço e a memória social efetivada no registro da experiência – uma espécie de pele ou grafia urbana – em que a própria urbe redige e configura no sujeito através de suas vivências. Tal registro também imprime suas marcas nas narrativas cinematográficas cuja pele é a tela na qual a experiência cotidiana se entrelaça à grafia urbana como vestígio e testemunha. Nesse sentido, entende-se o cinema enquanto parte do repertório de imagens continuamente multiplicadas pela cidade. A linha de raciocínio que articula as ideias aqui expostas busca ressalvar as relações ambivalentes entre os corpos humanos e urbanos, em que os modos de simbolização e ritualização do laço social se entrelaçam aos fluxos informacionais que tornam a cidade uma arena da multiplicidade, definindo fronteiras e acomodando novas técnicas de intervenção e resistência a partir da adoção de experiências errantes. O levantamento bibliográfico e o objeto de investigação nos conduziram a uma série de discursões descerrada no aporte teórico produzido por Gilles Deleuze, Félix Guattari, Michel Foucault, Michel de Certeau, Guy Debord, Giorgio Agamben, Zygmunt Bauman, Vladimir Safatle, Milton Santos, Achille Mbembe, Frantz Fanon, Paola Berenstein Jacques, dentre outros autores.

4
  • JORGE AUGUSTO DE JESUS SILVA
  • MODERNISMO NEGRO: Amefricanidade, oralitura e continnum em Lima Barreto

  • Orientador : JOSE HENRIQUE DE FREITAS SANTOS
  • Data: 19/08/2020
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  • Resumo: Esse texto investe na discussão acerca da existência, constituição e caracterização de um modernismo negro, na literatura brasileira, desencadeado a partir da obra de Lima Barreto. Em um primeiro momento, após uma breve discussão sobre as formações discursivas centrais do modernismo paulista, investigamos as tensões, continuidades e rupturas que marcam as relações entre o autor carioca e o grupo da semana de 22. Nesse quadro, categorias centrais na constituição do campo literário nacional como: entre-lugar, ruptura e assimilação crítica são entendidas inapropriadas, como aparato crítico exclusivo, para instrumentalizar a compreensão das especificidades da obra barreteana, que, por sua vez, põe em cena um repertório epistêmico e político vinculado a tradição cultural negra no Brasil, até então negligenciado pelo campo tradicional da crítica brasileira. Com esse movimento a obra de Lima Barreto exige, para sua exegese, um conjunto novo de dispositivos teórico-críticos que desafiavam e desafiam o campo literário. Na sequencia buscamos demonstrar como os atributos da obra barreteana são marcados pela cultura negro-brasileira. Utilizamos três noções como base desse argumento: língua, território e memória. A partir desses núcleos discursivos nos esforçamos em apresentar dois aspectos centrais da obra barreteana: a) como a obra do romancista negro dialoga intensivamente com o repertório cultural afro-brasileiro, resultante dos processos de reterritorialização da cultura africana no Brasil; b) o fato de sua obra se constituir em um potente aporte crítico ao projeto moderno, sobretudo, do modo como ele foi desenvolvido no Brasil, por meio da duplicação da estrutura colonial nos movimentos modernizadores da sociedade brasileira. No terceiro movimento desse texto, buscamos especular sobre as contribuições da obra de Lima Barreto para a sociedade brasileira contemporânea, partindo de três núcleos: a constituição de uma ética, sua contribuição para o trabalho do intelectual negro, e sua importância na constituição de uma crítica da literatura que seja menos eurocêntrica e mais aberta aos diálogos com as múltiplas inscrições epistêmicas da cultura brasileira. Como ponto de partida dessa pesquisa, estabelecemos como corpus os romances de Lima Barreto, e empreendemos um levantamento bibliográfico sobre suas obras e sobre o modernismo brasileiro. No estabelecimento do referencial teórico recorremos ao diálogo com um campo que vem se solidificando na crítica brasileira e que se caracteriza pela produção de um repertório crítico e analítico produzido a partir da cultura negra no Brasil, portanto, condizente com o objetivo central deste estudo, ou seja, analisar a obra de Lima Barreto a partir de um referencial teórico não-eurocentrico, pensando e esgarçando os limites do campo crítico das letras brasileiras. Para tanto dialogamos mais intensamente com os trabalhos de Muniz Sodré (2002), (2017), Leda Maria Martins (1997), Lélia Gonzáles (1988) e Beatriz Nascimento (2007), José Henrique Freitas (2016), Edmilson de Almeida Pereira (2010), (2017).

5
  • MURILLO CESAR DA SILVA SILVA
  • Quando eu me encontrava preso: a narrativa lítero-autobiografemática de Caetano Veloso

  • Orientador : IGOR ROSSONI
  • Data: 25/08/2020
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  • A presente tese, baseada em metodologia qualitativa de caráter bibliográfico, tem como finalidade analisar, na narrativa “Narciso em férias” (p. 349-402), que compõe a terceira parte da obra Verdade tropical (2017), o discurso do cantor e compositor santamarense Caetano Veloso (1942-). A construção do referido texto de perfil autobiográfico, concebido na hibridez de gêneros, projeta-se a partir de um tratamento especial dado à linguagem, valendo-se de recursos estilísticos que conferem à narrativa status literário. Para o desenvolvimento da trama – a prisão ocorrida em dezembro de 1968, ao lado do também cantor e compositor Gilberto Gil (1942-) –, a entidade real, Caetano Veloso, ao instituir um narrador funcionando em 1ª pessoa, fazendo-se personagem de si, adota, como impulso narrativo, um “autobiografema”: a dificuldade com o sono, fazendo emergir dos textos de gêneros diversos, que constituem a obra em questão, uma narrativa que, sob a dominância da função poética da linguagem, proporciona ao leitor experienciar – no universo escritural – os horrores do clima tensivo da ditadura militar brasileira. Para a composição do corpus teórico principal, selecionamos os seguintes autores e as respectivas obras: Anna Caballé, Figuras de la autobiografía (1987); Elizabeth Bruss, Actos literarios (1991 [1976]); José Amícola, La autobiografía como autofiguración: estrategias discursivas del Yo y cuestiones de género (2007); Leonor Arfuch, O espaço biográfico: dilemas da subjetividade contemporânea (2002); Néstor García Canclini, Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade (2003); Philippe Lejeune, O pacto autobiográfico: de Rousseau à internet (2014) e Roland Barthes, A câmara clara (1984 [1980]) e Sade, Fourier, Loyola (1990 [1971]). Com as discussões provenientes da seleção em destaque, buscamos situar Verdade tropical no contexto cultural contemporâneo e, como resultado de nossa pesquisa, evidenciar a existência de mais uma possibilidade de leitura do produto estético do artista tropicaliano: a narrativa lítero-autobiografemática.


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  • JULIANA DIAS BASTOS
  • ORGULHO E PRECONCEITO, YOUTUBE E REDES SOCIAIS:
    NOVAS ADAPTAÇÕES PARA NOVAS MÍDIAS E ESPECTADORES
    Salvador

  • Orientador : DECIO TORRES CRUZ
  • Data: 28/08/2020
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  • Adaptar obras literárias é uma atividade bastante antiga, mas, mesmo assim, enfrenta certo preconceito por seu caráter de reconstrução de uma outra obra. Esta tese se propõe a discutir a adaptação não como inferior mas sim considerando-a uma atividade de recriação e reconstrução da obra de partida. Esses princípios orientarão a identificação e análise de algumas das escolhas feitas pelos adaptadores do romance Orgulho e preconceito para a narrativa transmídia da websérie The Lizzie Bennet Diaries de modo que esta última se tornasse mais compreensível para o espectador do século XXI. O corpus consiste das obras Orgulho e Preconceito e a narrativa transmídia da websérie The Lizzie Bennet Diaries formada pela série principal citada e três outras mini séries: The Lydia Bennet Diaries, Maria of the Lu e Domino: Gigi Darcy. Por fim, os perfis dos personagens da websérie na rede social Twitter terminarão de compor o corpus. Serão discutidos aspectos do romance e da adaptação por meio do instrumental teórico fornecido pela teoria desconstrutivista da tradução concentrando-se em três aspectos: espaço-tempo, temática e gênero/sexualidade, para demonstrar como esta adaptação contemporânea atualiza características da obra de partida. Entendendo que o meio para o qual a websérie é criada, a internet, tem características que contribuem para moldar esta adaptação, teóricos da comunicação agregaram conceitos à tese. Além das teorias desconstrutivistas de Walter Benjamin (2008) e Jacques Derrida (1973, 1976, 1995, 2006) e das teorias de adaptação de Linda Hutcheon (2011), esta análise se baseou em teorias da área de comunicação, como Henry Jenkins (2009), Vicente Gosciola e Andrea Venutti (2012) e Daniela Zanetti (2013) para discutir, respectivamente, a cultura da convergência, a narrativa transmídia e o desenvolvimento da websérie. Por fim, para analisar os eixos espaço-tempo, temática e gênero/sexualidade, autores como Edward Said (2011), Susie Steinbach (2004), Shulamith Firestone (1976) e Michel Foucault (2015) compuseram também o referencial teórico da análise feita nesta tese.

     

     

     

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  • CRISTÓVÃO JOSÉ DOS SANTOS JÚNIOR
  • OPVS DVRISSIMVM: DA ARS EXPERIMENTAL NO LIPOGRAMA DAS IDADES DO MUNDO E DA HUMANIDADE
    DE FULGÊNCIO, O MITÓGRAFO.
    DUAS TRADUÇÕES, CRÍTICA FILOLÓGICA E ESTUDO POÉTICO

  • Orientador : JOSE AMARANTE SANTOS SOBRINHO
  • Data: 01/09/2020
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  • Esta tese propõe a realização de duas traduções inéditas para a língua portuguesa da De aetatibus mundi et hominis, considerada o mais antigo lipograma que o passado nos legou, partindo-se da edição crítica fixada pelo filólogo latinista Rudolf Helm (1898). Desse modo, oferta-se a primeira tradução alipogramática para nosso idioma, que visa a permitir um melhor acesso ao texto latino, atendendo, inclusive, a pesquisadores da seara teológica, filosófica e histórica que possam se interessar por essa obra. Além disso, é realizada a primeira tradução lipogramática da De aetatibus, tendo em vista que, até então, ela só recebeu traduções alipogramáticas: uma para o inglês, realizada por Leslie Whitbread (1971) e outra para o italiano, efetuada por Massimo Manca (2003). Assim, nossa proposta tradutória constritora busca valorizar a dimensão formal do escrito examinado, destacando esse importante registro para a história da arte e também servindo para um processo de fruição poética. Esse lipograma é atualmente atribuído ao autor norte-africano e tardo-antigo Fábio Plancíades Fulgêncio, o Mitógrafo, muito embora já tenha sido creditado a um homônimo, o Bispo de Ruspe. No processo de conhecimento dessa composição, viu-se necessário discutir seu pertencimento à tradição das Idades e à tradição Poética Experimental, debatendo o processo de marginalização da escrita constrangida, da arte medieval e, em particular, de seu lipogramista. A obra está dividida em um prólogo e em 14 Livros, em uma costura restritiva de caráter consecutivo, e possui como fulcro diegético a Bíblia Sagrada Cristã. Assim, na elaboração de suas narrativas de cunho litúrgico, o Mitógrafo adota o mecanismo de supressão de letras, evitando unidades lexicais que apresentem registro nos 14 elementos iniciais de seu alfabeto líbico-latino, algo que está sendo mantido na proposta de tradução lipogramática. Ademais, foi realizado um trabalho de crítica filológica, voltado para um melhor conhecimento do processo de transmissão textual da De aetatibus, de seu compositor e da própria edição crítica de partida, que se valeu de cinco códices diversos. Por fim, também se buscou tensionar o arcabouço epistemológico de inserção teórico-filosófica das presentes propostas tradutórias, fomentando-se variados movimentos dialógicos com múltiplos pensadores.

2019
Dissertações
1
  • EDSON CÉSAR DE SOUSA SOBRINHO
  • TRÊS ENSAIOS TRADUZIDOS: ÉDOUARD GLISSANT EM CRÍTICA AFRODIASPÓRICA.

  • Orientador : JORGE HERNAN YERRO
  • Data: 29/01/2019
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  • No horizonte das questões da tradução literária e cultural, este trabalho pretende discutir através da crítica afrodiaspórica a tradução de três ensaios em língua francesa para o português. Assim, do campo da tradução partirá o caminho relevado para fazer ponte nesta discussão (tradução) crítica. Para tanto, o nosso corpus é composto por três ensaios de autoria do filósofo negro da Martinica Édouard Glissant: autor de peças de teatro, romances, poesias e ensaios filosóficos que transversam imaginários como as da Relação, do Diverso e da Poética. Esses, além da
    Memória, nos ajudarão a pensar o processo de construção e análise da tradução dos ensaios: Le cri du Monde, La Pensée Archipélique e La memóire Delivrée do autor mencionado. Acrescento ainda, que a minha formação como tradutor se deu - também - através dos discursos críticos da negritude, estudos culturais, filosofia e tradução cultural. Dessa maneira, realçamos o pertencimento racial e cultural do autor aqui escolhido. Por isso, será, portanto, através do Pensar Afrodiaspórico que circularão nossas observações e comentários. Sempre atento à multiplicidade das formações dos modos intelectuais que se deram – nas Américas e não somente – das diásporas negras. Desejo com isso dizer, que afrodiaspórico não é uma circunscrição numa região geográfica ainda que não exista - afrodiaspórico - fora de alguma geografia. Em outras palavras, irei apresentar uma crítica afrodiaspórica a partir e através dos estudos tradutórios e em seu processo criativo. A confecção dessa crítica se dará sob a forma de ensaios críticos com análise-comentários a respeito da tradução e das questões próprias ao autor escolhido. Assim, em diálogo aberto e sugestivo às questões próprias ao local da tradução em comunhão com as questões advindas de todo processo de análise e feitura das traduções. É preciso dizer ainda que não há neste ensaio (dissertação de mestrado) um desejo finalista. Visto que, este (ensaio) mais bordeja o exercício filosófico para melhor entender relações, tradução. Tal como, em certa medida, fazem os estudos culturais e a negritude tomados neste trabalho
    como exemplo e rota (ator). Sem esgotar o possível, estudando em processo e construindo novos objetivos e fins.

2
  • CÁTIA MARIA LANTYER DUARTE
  • Onde andará Dulce Veiga?, cabra marcado pra morrer e outras contranarrativas do golpe civil-militar de 1964: Literatura e cinema na reconstrução da memória do trauma. 

  • Orientador : LIGIA GUIMARAES TELLES
  • Data: 13/02/2019
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  • A presente dissertação de mestrado toma por base o eixo narrativo coincidente entre o romance Onde andará Dulce Veiga? (1990), de Caio Fernando Abreu, e o documentário cinematográfico Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho, para apresentar uma proposta de leitura sobre o processo de ocorrência, reconhecimento e ressignificação do trauma (traumas psíquicos) consequente da repressão violenta praticada pelo Estado brasileiro contra cidadãos e grupos que se opuseram ao regime imposto por setores da elite, em sintonia com os interesses do imperialismo norte-americano. O método de trabalho escolhido para atingir tal objetivo foi a análise e interpretação das citadas representações literária e cinematográfica em diálogo com a pesquisa histórica acadêmica existente que trata da perseguição, da tortura, do assassinato e do desaparecimento de civis praticados pela ditadura militar no Brasil (1964-1985)

3
  • KELLANE DOS SANTOS REIS
  • MISOGINIA E FEMINICÍDIO NA LITERATURA DE CORDEL: UMA ANÁLISE ACERCA DAS RELAÇÕES DE GÊNERO

  • Orientador : ALVANITA ALMEIDA SANTOS
  • Data: 08/03/2019
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  • O universo dos folhetos de cordel é amplo e compreende todos os aspectos sociais e culturais da vida de um povo. Reflete, assim, todo o processo de realidade desse povo, desde as dificuldades do dia a dia, as injustiças sociais sofridas, o trato diário com as pessoas, a pobreza e as atividades laborais. As fugas do cotidiano ocorrem através do sonho, da imaginação, do misticismo, significando simultaneamente uma compensação, uma forma de lidar com as desigualdades sociais e os desafios constantes que emergem dessa realidade. Dentre uma diversidade de temas apresentados pelos poetas populares, a temática feminina é uma constante, assim como as narrativas que revelam a inferiorização do feminino pelo masculino. Essa hierarquização dos papéis sociais determina a vulnerabilidade da mulher nos poemas de cordel, o que à expõe às mais diversas formas de humilhação e violência de gênero. O objetivo dessa pesquisa é analisar os folhetos de cordel nos quais observei a descrição de alguma prática de misoginia ou feminicídio; identificar os processos de dominação ideológica e cultural impostos às personagens femininas, na literatura popular, capazes de determinar as relações de dessas violências; analisar a representação da mulher nos poemas selecionados utilizando-me das teorias acerca das poéticas da oralidade e das relações de gênero; evidenciar o lugar subalterno imposto às mulheres nas sociedades patriarcais e as violências às quais são expostas na sociedade que refletem na literatura de cordel. As violências físicas, domésticas, emocionais, sexuais, a objetificação do corpo feminino e o feminicídio são algumas das violências que observei nos poemas selecionados. Analiso a representação das personagens femininas no processo de submissão e insubmissão ao masculino, os artifícios socioculturais que as tornam culpadas nos processos que as vitimam e descrevo as estratégias utilizadas pelos cordelistas como meio de subversão das injustiças sociais em que a impunidade masculina prevalece, demonstrando a cumplicidade entre os homens sobre o feminino. Discorro sobre a importância do engajamento dos intelectuais frente às injustiças sociais e a relevância da literatura em manter-se na luta pela democratização dos espaços de poder e ativa na defesa da igualdade de direitos. A desigualdade social, legitimada pelo falocentrismo e pela naturalização dos papéis sociais – determinada pela diferença dos sexos, é arbitrária e se mostra presente nos poemas em que personagens femininas têm seus corpos violados, revelando o domínio do masculino sobre o feminino, em uma relação dinâmica entre ficção e realidade.

4
  • SÉRGIO MARCONE DA SILVA SANTOS
  • Literatura e Internet: Práticas Literárias Contemporâneas

  • Orientador : LUCIENE ALMEIDA DE AZEVEDO
  • Data: 25/03/2019
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  • Este trabalho destina-se a investigar se algumas obras produzidas no século XXI podem incorporar a lógica dominante dos tempos digitais, bem como seus modos de fazê-lo, considerando que a técnica de cada época pode afetar os modos de produção, difusão e fruição das obras literárias. Reconhecendo que algumas dessas obras passaram a ser produzidas a partir de processos que lembram a forma descentralizada e colaborativa com a qual programadores lidam com softwares open source, ou utilizando gestos corriqueiros entre os usuários da internet (como o copiar e colar), suspeitamos que práticas similares podem ensejar uma lógica peculiar à literatura produzida no presente, nos permitindo pensar em novas configurações para a autoria, a obra e sua fruição. Para alcançarmos esse fim, fundamentamos a pesquisa nas obras de Süssekind (1987), Murray (2003), Laddaga (2012, 2013) e Goldsmith (2015), além de submeter nossa hipótese à análise de algumas produções digitais, a saber: É preciso aprender a ficar submerso (2011), do poeta Alberto Pucheu e da artista visual Danielle Fonseca; Sonata dos espectros [2018], de Cínthia Marcelle et al.; Dois palitos [2013], de Samir Mesquita; Um estudo em vermelho (2009), de Marcelo Spalding; Como piedra y martillo (2018), de Carolina Mendonça; e obras não digitais, como Traffic (2007) e Trânsito (2016), de Kenneth Goldsmith, dublada por Leonardo Gandolfi e Marília Garcia, e Sessão (2017), de Roy David Frankel.

5
  • DJANINE ALEONORA BELÉM GOMES
  • "Brilhando, autor, / como se ele mesmo fosse o poema": o imaginário do corpo na poética de Herberto Helder.

  • Orientador : SANDRO SANTOS ORNELLAS
  • Data: 27/03/2019
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  • Esta dissertação dedica-se ao estudo d’ O Imaginário do corpo na poética de Herberto
    Helder, a partir da leitura dos poemas do livro Ou o Poema Contínuo (2006), do referido
    autor madeirense, considerando as categorias de análise: a linguagem; o corpo; o erotismo.
    Uma vez que sua linguagem poética visa fundar um mundo utópico, ao invés de executar a
    mediação do real, acreditamos, desta maneira, que Herberto Helder aponta possíveis reflexões
    sobre algumas transformações estéticas e culturais que marcam a contemporaneidade.
    Procura-se analisar a obra do poeta mediante esse fio condutor, tomando como exemplo o
    procedimento realizado por Erich Auerbach (1950). Ao analisar a subjetividade dos poemas,
    observa-se que autor e obra entram em processo de resistência, assumindo uma postura crítica
    da poética moderna. Tais observações estão alicerçadas nos conceitos de Ilegibilidade,
    Obscuridade e Resistência, propostos nos estudos críticos de Dal Farra (1986), Guedes (1979)
    e Bosi (1977), respectivamente. Além disso, observa-se a culminância dessa linguagem em
    um corpo erótico, tal como Georges Bataille analisa (1980). Assim, a poética herbertiana
    assina uma performance estética entre palavra e corpo em estado de desconstrução e
    construção contínuo, uma espécie de metamorfose erótica em permanente estado de
    continuidade com o corpo poético.

6
  • VANESSA IVE PIMENTA DOS SANTOS
  • A CRÔNICA NA CONTEMPORANEIDADE:
    CORALIDADE E EXPOSIÇÃO DE SI NAS CRÔNICAS DE ANTONIO PRATA,
    TATI BERNARDI, GREGORIO DUVIVIER E ANDRÉ SANT'ANNA

  • Orientador : LUCIENE ALMEIDA DE AZEVEDO
  • Data: 08/04/2019
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  • A dissertação tem como objetivo principal investigar alguns modos de produção da
    crônica escrita hoje. Dada a diversidade dessa produção, o trabalho apresenta duas
    possibilidades distintas de leitura. O primeiro recorte investe na análise da
    superexposição do sujeito que escreve e toma como corpus as crônicas de Antonio Prata
    ( Trinta e poucos , 2014) e Tati Bernardi ( Homem-objeto e outras coisas sobre ser
    mulher, 2018); a segunda perspectiva de análise investiga a presença da coralidade (um
    termo oriundo dos estudos sobre o teatro contemporâneo) em crônicas de Gregorio
    Duvivier ( Put some farofa, 2014) e André Sant’Anna ( O Brasil é bom, 2014). A partir
    de características constitutivas do gênero, como o uso da 1ª pessoa e a atenção do
    cronista ao entorno, a pesquisa analisa os deslocamentos promovidos pelo olhar do
    cronista que põem o gênero em diálogo com as narrativas do “eu”, os escritos da
    internet e os fenômenos de visibilidade discutidos por Paula Sibilia (2008) e Denise
    Schittine (2004). Por outro lado, identifica também, no universo da produção cronística
    atual, uma lógica coral que descentraliza a figura do cronista para investir numa
    profusão de falas registradas pela crônica. A presença da coralidade nas crônicas
    apropria-se das discussões apresentadas por Jean-Pierre Sarrazac (2002), no teatro, e por
    Flora Sussekind (2013), para pensar a literatura contemporânea. A diversidade da
    produção cronística atual e o investimento teórico-analítico levado a cabo por este
    trabalho reforçam o caráter plural do gênero e a continuidade no presente de um gênero
    atento a seu entorno e a questões de interesse da teoria literária.

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  • GABRIEL WIRZ LEITE
  • "O romancista está livre, o biógrafo amarrado": Virginia Woolf e a biografia

  • Orientador : ANTONIO MARCOS DA SILVA PEREIRA
  • Data: 12/04/2019
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  • A biografia tem tido cada vez mais destaque nos debates críticos contemporâneos, marcados, entre outras
    coisas, pelo rompimento cada vez maior das fronteiras que separam os gêneros textuais e literários, por
    novos estatutos estéticos e por diferentes concepções de subjetividade e identidade. Diante disto, escolhi
    como recorte deste trabalho a crítica do gênero biografia feita pela escritora Virginia Woolf em seus dois
    principais ensaios sobre o tema, e a relação do pensamento articulado em tais ensaios com o que ela realizou
    em Orlando, livro que tem “uma biografia” como subtítulo. Para tal, faço considerações sobre o gênero
    biográfico, analiso os referidos ensaios - The new biography e A arte da biografia – e a relação do
    pensamento da escritora no tocante ao campo no qual estava inserida. Em seguida, apresento algumas
    críticas contemporâneas do pensamento de Woolf sobre a biografia, analisando, por fim, Orlando. Tal
    análise é feita em virtude dos pontos tratados nos capítulos anteriores, tais como: a repercussão das
    produções de Lytton Strachey e Harold Nicolson na obra, a mistura de autobiografia com biografia e ficção,
    e as quebras de paradigmas não só epistemológicos ou artísticos, mas também de subjetividade, identidade,
    gênero e sexualidade.

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  • JIRLAINE COSTA DOS SANTOS
  • ROSA CUCHILO, DE ÓSCAR COLCHADO LUCIO A YUYACHKANI: PERFORMANCE E VIOLÊNCIA POLÍTICA NO PERU

  • Orientador : CARLA DAMEANE PEREIRA DE SOUZA
  • Data: 23/04/2019
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  • O conflito armado ocorrido no Peru entre os anos de 1980-2000 resultou em diversas mortes, sequestros e desaparecimento de pessoas, o que marcou a história do país por seus efeitos traumáticos, com a morte de mais de 70 mil pessoas. Diante disso, muitas famílias foram afetadas pela perda de seus parentes. Mulheres perderam seus filhos e esposos sem ter nenhuma resposta de seus destinos. A fim de lutar por seus direitos e trazer sempre à memória a difícil situação em que viviam, em 1983, sob a liderança de Angélica Mendonza, foi criada a ANFASEP - Asociación Nacional de Familiares de Secuestrados, Detenidos y Desaparecido del Perú. Essa associação tem por objetivo lutar pelos direitos humanos e buscar respostas e informações sobre seus mortos e desaparecidos durante o conflito. A luta dessas mulheres teve uma grande repercussão em todo o mundo, estando assim representada também na literatura de seu país através do livro Rosa Cuchillo (1997), do escritor ancashino Óscar Colchado Lucio. A narração do romance apresenta o testemunho ficcional da protagonista Rosa Wanka, que, em meio à violência da guerra, sai à procura do filho Libório, sequestrado pelos guerrilheiros. A presente Dissertação apresenta a análise do processo de tradução intersemiótica do romance para a ação cênica desenvolvida pelo Grupo Cultural Yuyachkani, em 2002. A pesquisa realizada a partir de abordagens interdisciplinar e comparativa, no bojo dos estudos de Tradução Cultural e Intersemiótica, estabelece diálogos entre os estudos andinos, a literatura e as artes cênicas e a performance. Assim, serão identificados os aspectos envolvidos no processo de tradução do texto narrativo, que tem como objetivo a manutenção da memória coletiva, como também dar ênfase à cultura andina, através da representação de sua cosmogonia.

9
  • CRISTIANA ALMEIDA DE SOUSA
  • ATOS DE TRADUÇÃO PARA O MONÓLOGO – CONTRASTO PER UNA SOLA VOCE - DE DARIO FO E FRANCA RAME

  • Orientador : JORGE HERNAN YERRO
  • Data: 30/04/2019
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  • Esta dissertação pretende apresentar à comunidade acadêmica e teatral o monólogo Contraste de uma só voz, uma tradução do monólogo Contrasto per una sola voce, do casal italiano Dario Fo e Franca Rame, que compõe o espetáculo Tutta casa, letto e chiesa, bem como comentar, a partir de pressupostos teóricos, como se deu esse processo tradutório. Também debruçar sobre a experiência da tradutora, como forma de evidenciar a  subjetividade que atravessa o processo tradutório, seja por meio de atos realizados de maneira consciente quanto inconsciente. Inicialmente, as ideias da tradutora Lenita Esteves foram norteadoras, ao conceber, a partir da Teoria dos Atos de Fala do filósofo da linguagem, John Austin, a tradução na sua dimensão de atos, evidenciando o seu caráter performativo. Por se tratar de um texto teatral, com suas especificidades para leitura e tradução, o aporte teórico de Patrice Pavis foi fundamental. É preciso destacar a contribuição do teórico Henri Meschonnic por abordar questões sobre o ritmo do texto e a necessidade do tradutor inscrever-se como sujeito na tradução. Para análise da prática tradutiva, algumas negociações realizadas entre os textos de partida e de chegada foram destacadas e comentadas. Portanto, buscou-se realizar uma tradução, em que o texto de chegada trouxesse algumas marcas do texto de partida, mas que apresentasse, também, marcas culturais locais.

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  • HENRIQUE JÚLIO VIEIRA GONÇALVES DOS SANTOS
  • ILDÁSIO TAVARES: O ESCRITOR ENTRE LÍNGUAS

  • Orientador : EVELINA DE CARVALHO SA HOISEL
  • Data: 02/05/2019
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  • No Brasil, são remanescentes em Terreiros de Candomblé e comunidades quilombolas aportes lexicais e construções sintáticas originários de línguas africanas, trazidas por africanos transladados no processo diaspórico fomentado pelo Estado português durante a colonização. Considerando-se esse contexto, é analisado o emprego desse repertório linguístico pelo escritor Ildásio Tavares nas composições do LP Os Orixás (1979) – feito em parceria com o músico Luís Berimbau – e no libreto de Lídia de Oxum: Uma Ópera Negra (1995), de sua autoria. Verifica-se de que forma o uso artístico desse repertório estabelece linhas de fuga à compreensão da literatura como expressão de uma língua nacional a partir dessa representação linguística e identitária. Além disso, analisa-se como esses traços da yorubaianidade na escrita de Ildásio Tavares, coloca em contato o repertório da cultura popular, da cultura midiática e da cultura erudita. Nascido em região cacaueira da Bahia, Ildásio Tavares destacou-se por um perfil de atuação múltipla na cena cultural – como poeta, dramaturgo, ficcionista, ensaísta e professor de literatura portuguesa da UFBA –, somada à sua vivência religiosa no Ilê Axé Opô Afonjá, tradicional Terreiro de Candomblé de nação ketu, situado na cidade de Salvador (Bahia), onde recebeu o título de Otum Obá Até – constituinte do corpo de Obás de Xangô, criado por Mãe Aninha, em 1936, para designar os dozes ministros do orixá e seus suplentes, conselheiros da Ialorixá nas questões civis da casa.

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  • SHEYLA SUSANA DO NASCIMENTO
  • A CASA E A CIDADE COMO ESPAÇOS AFETIVOS NA POESIA DE SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

  • Orientador : SANDRO SANTOS ORNELLAS
  • Data: 06/05/2019
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  • Esta dissertação tem como objetivo analisar os espaços ―casa‖ e ―cidade‖ na obra poética da escritora portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004). Considerando os acontecimentos históricos vivenciados em Portugal: Regime Salazarista (1926-1974), Revolução dos Cravos (1974) e o período posterior a Revolução (1975), é possível perceber que na poética de Sophia os espaços ―casa‖ e ―cidade‖ acompanham essas mudanças, à medida que traduzem os afetos agenciados pela autora e pela maioria dos portugueses que experienciaram os horrores de quase 50 anos de um regime ditatorial. Pretendemos, portanto, analisar a forma como esses espaços são presentificados em poema, a partir de uma motivação afetiva. Esta análise foi realizada com o auxilio teórico-critico dos estudos sobre os afetos, presença e atenção de: Baruch Spinoza (2009) em diálogo com outros estudiosos, entre eles, Gilles Deleuze (1992), Hans Ulrich Gumbrecht (2010), Gaston Bachelard (2000), Roberto Da Matta (1997) e Renato Cordeiro Gomes (1994).

12
  • GISELE MOREIRA SANTOS
  • AUSTEN 3.0: ADAPTAÇÃO E TRANSMIDIAÇÃO NA AUSTENMANIA CONTEMPORÂNEA

  • Orientador : CARLA DAMEANE PEREIRA DE SOUZA
  • Data: 17/05/2019
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  • A presente dissertação trata das relações da transmidiação com a Austenmania
    contemporânea, entendida aqui como resultado da constante presença de adaptações de obras
    da escritora inglesa Jane Austen (1775 – 1817) para o cinema, TV e internet que se
    reinventam dialogando, com uma gama de gêneros e público. Jane Austen cujos romances
    completos Razão e Sensibilidade (1811) Orgulho e Preconceito (1813), Mansfield Park
    (1814), Emma (1815), A Abadia de Northanger (1818) e Persuasão (1818) ecoam na cultura
    pop, se firmou um nome de relevância dentro da literatura inglesa por se tornar um marco na
    consolidação da tradição do romance feminino; a partir deste, apontamos o contexto no qual a
    escrita de Austen se formou ilustrando o surgimento do romance como um gênero de
    importante relevância na Inglaterra, o qual se tornou popular principalmente ao público leitor
    feminino. Com o tempo, as mulheres da época iniciaram a utilizar do romance para escrever
    suas próprias narrativas sob seus pontos de vista mesmo sendo silenciadas pelas convenções
    da sociedade patriarcal como apontam Woolf (2014), Showalter (1977) e Grundy (1997).
    Delineamos aqui como a Austenmania surgiu com a consolidação de Jane Austen como um
    clássico, seu culto pelos fãs, e a relação desta com as novas mídias para as quais suas obras
    têm sido adaptadas. Tendo como recorte as adaptações das obras de Austen lançadas a partir
    dos anos 90 e a relação com a indústria cultural, tornando Austen – textos e vida – recorrente
    nas produções mass-media. Apresentamos brevemente como as ondas de Austenmania foram
    se delineando através das décadas e como estas seguiram convergindo entre as mídias.
    Questionamos, dialogando com o conceito de cultura da convergência (JENKINS, 2008), as
    razões que fazem os romances de Austen serem relevantes para a contemporaneidade e a
    capacidade que encontramos na sua escrita de fornecer materiais que sirvam de construto para
    a transmidiação que por meio das novas mídias, potencializa as possibilidades de leitura e
    interação do público com os objetos aqui escolhidos para ilustrar essas relações; a web série
    The Lizzie Bennet Diaries (GREEEN, SU, 2012) e o romance Orgulho e Preconceito
    (AUSTEN, 1813).

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  • JOAO RICARDO BISPO JESUS
  • LITERATURA EM LÍNGUA DE SINAIS: A PERFORMANCE DO

    ESCRITOR SURDO MAURÍCIO BARRETO

  • Orientador : SUZANE LIMA COSTA
  • Data: 31/05/2019
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  • Os surdos têm apresentado o seu lugar de fala através de suas estéticas em língua sinais. Essas
    estéticas se manifestam em performances corporais que exibem uma plasticidade na língua de
    sinais e, principalmente, se constituem como um ato de resistência dos surdos, os quais, com os
    seus corpos, demonstram traços culturais e identitários, bem como lutam contra todo tipo de
    opressão social. Podemos compreender as singularidades da cultura surda através das
    produções de Maurício Barreto. Essa pesquisa objetiva analisar literariamente as performances
    deste que tem conquistado grande admiração entre surdos e ouvintes ao criar um espaço de
    identificação em suas produções em língua de sinais. O trabalho concentra a sua análise nas
    produções de Maurício Barreto ao apresentar duas performances – “Farol da barra em Libras”
    e “Números em Libras” – para perceber traços da cultura surda e identificar como a literatura
    em língua de sinais tem sido usada como ato político. A singularidade das produções em línguas
    de sinais nos permite identificar um discurso contemporâneo, que narra a forma como os surdos
    têm resistido, enquanto grupo linguisticamente menor, às barreiras cotidianamente a eles
    expostas. Além disso, as performances em língua de sinais descentralizam ideias fixas sobre o
    literário com um discurso que exibe subjetividades surdas, reconhecimento das línguas de sinais
    e compreensão do corpo enquanto suporte para práticas discursivas. As reflexões se dão em
    diálogo com as teorias de Marvin Carlson (2010) sobre performance; Florencia Garramuño
    (2014) acerca do inespecífico das artes; Christinne Greiner (2005) sobre o corpo enquanto
    suporte para novos discursos; Marta Morgado (2011) e Lodenir Karnopp (2010) sobre a
    literatura surda; Rachel Spence & Ronice Quadros (2006) que apresentam os discursos surdos
    nas poesias em língua de sinais. A pesquisa, de um modo geral, possibilitou a compreensão de
    que os surdos também mobilizam discursos por meio da arte.

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  • JEFERSON SANTOS DO SOCORRO
  • POR UMA ANÁLISE CRÍTICA E AFRODIASPÓRICA DA TRADUÇÃO DO ROMANCE PONCIÁ VICÊNCIO, DE CONCEIÇÃO EVARISTO

  • Orientador : DENISE CARRASCOSA FRANCA
  • Data: 06/06/2019
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  • Este trabalho é uma análise e reflexão teórico-crítica acerca do processo de tradução do romance Ponciá Vicêncio, da escritora afro-brasileira Conceição Evaristo (2003), para o inglês estadunidense, feita pela hispano-estadunidense Paloma Martinez-Cruz e publicado pela Host Publication em 2007. Para a análise em pauta, levamos em consideração a tradução como prática cultural atravessada pela relação interseccional entre o texto, os contextos (estético, político-econômico, social, histórico) mediados pela subjetividade, classe social, condição étnico-racial, gênero, interesses e motivações do sujeito tradutor. Traduzir textualidades afrodiaspóricas não é uma atividade apenas linguística, mas, sim, uma atividade ética, estético-política, ontológica que possibilita (re) conectibilidades múltiplas de modos de ser, ver e existir no mundo das diversas culturas que foram forçosamente dispersas no mundo pelos processos de escravização e colonização. Esse tipo de tradução tem sua complexidade extremada, visto que grande parte das textualidades apresenta teor político e ético com vistas a causar efeitos de sentidos que possam contribuir para a restituição da dignidade humana de maneira holística das populações negras na Afrodiáspora. Tal análise será feita levando em consideração as especificidades culturais, linguísticas, estéticas, contexto histórico-cultural e político de produção da narrativa intrinsecamente relacionada às questões afrodiaspóricas e ao projeto literário da escritora, posto que tenha flagrado incongruências tradutórias com as especificidades mencionadas, cujas reverberações são bastante significativas. O trabalho dialoga com teóricos e críticos da tradução e da literatura afro-brasileira a exemplo de Kwame Anthony Appiah (1993), Raquel de Souza (2017), Florentina Sousa (2006), Maria Nazaré Lima (2006), Cristian Salles (2017), entre outras. São trazidas à baila também duas intelectuais afrodiaspóricas, a afro-estadunidense Geri Augusto (2017) e a afro-brasileira Denise Carrascosa (2017), cujo pensamento orientou de forma transversal todo o trabalho.

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  • ISABELA ARAÚJO CALMON
  • EDIÇÃO E CRÍTICA FILOLÓGICA DE

    UMA ALEGRE CANÇÃO FEITA DE AZUL DE YUMARA RODRIGUES

  • Orientador : ROSINES DE JESUS DUARTE
  • Data: 07/06/2019
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  • Pretende-se, com este trabalho, apresentar uma proposta editorial paraUma Alegre Canção Feita de Azul de Yumara Rodrigues, texto escrito em 1973, no Rio de Janeiro, para ser encenado pela própria dramaturga que, naquele momento, já era uma atriz baiana reconhecida e prestigiada. Trata-se, que de acordo com a autora, de um monólogo autobiográfico, que integra o conjunto dos textos teatrais censurados durante a ditadura militar no Brasil. Através do trabalho editorial, bem como do exercício de crítica filológica, é possível perceber que dessa escrita femininaemana uma densa orquestração arregimentada que revela um discurso contra-hegemônico. Essa prática filológica, viabilizada pela realização de estudos que perpassam diferentes áreas do saber como a Literatura, a História e os Estudos Culturais, possibilita a apreensão do texto teatral censurado enquanto patrimônio cultural testemunhal de uma sociedade e de um período histórico. Por fim, acredita-se que ao trabalhar com um manuscrito para estabelecê-lo criticamente, o leitor filólogo-editor vê não apenas a possibilidade, mas também a necessidade de se executar um gesto filólogo cuja práxis passa a se posicionar cada vez mais contra os projetos estético-político narrativos de dominação.

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  • THAISA CRISTOFOLETI DE VASCONCELOS
  • Literatura e políticas literárias: uma leitura crítica do Plano Nacional Biblioteca da Escola (PNBE)

  • Orientador : SUZANE LIMA COSTA
  • Data: 10/06/2019
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  • A partir da compreensão de que a ideia e o valor de literário acolhem definições transitórias, construídos por agenciamentos discursivos que se deslocam em um campo simbólico, e sendo as políticas literárias de Estado uma das principais agentes de promoção e legitimação do campo literário, como a ação do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), o objetivo dessa pesquisa é compreender quais constructos literários foram engendrados a partir do PNBE. É possível compreender como o acervo do PNBE contribuiu para fortalecer ou dissolver padrões literários hegemonicamente estabelecidos? Identificar e analisar quais representações literárias e culturais articularam-se como projeto nacional, por meios de documentos oficiais e pela leitura crítica de um dos mais recentes acervos literários, faz emergir os processos de seleção e de exclusão que institucionalizam cânones literários. Sustentados em estudos de Eagleton (2006), Souza (2002), Reis (1992), Lajolo e Zilberman (2004), Dalcastagnè (2012), após a análise dos editais de seleção e da leitura crítica do acervo PNBE Literário 2013, os resultados dessa pesquisa demonstraram que o PNBE esteve dividido em três fases com concepções literárias e políticas distintas, em constante progressão ao longo dos anos, na tentativa de ampliar o campo de legitimação do panorama literário (temáticas, gêneros, autorias, representatividade), superando o calço de uma visão panorâmica restrita, produzida pelos próprios processos de seleção. A pesquisa concluiu que essa disputa do território literário, em um projeto nacional, pode contribuir potencialmente para construção de um imaginário discursivo e de memória cultural literária e coletiva ao longo das gerações de leitores em formação por todo território nacional.

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  • CAMILA DO NASCIMENTO CARMO
  • RIOGRAFIAS E REEXISTÊNCIAS NEGRAS: A POESIA DE LÍVIA NATÁLIA

  • Orientador : ARIVALDO SACRAMENTO DE SOUZA
  • Data: 11/06/2019
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  • Esta pesquisa apresenta uma cartografia em riografias de poemas publicados pela poeta Lívia Natália. Para esta construção coloco em movimento os procedimentos estéticos, artísticos e políticos dasproduções literárias da escritora em busca de compreender comoconsistem em reexistências aos estereótipos coloniais, racistas e sexistas na direção de mulheres negras de maneira a romper as fronteiras da literatura colocando-a em expansão.Os discursos fabricados sobre o corpo da mulher negra que escreve movimentam-se nas fissuras e rachaduras e expõem os modos de funcionamento da colonialidade do gênero, com issoasreexistências dizem do racismo e sexismo que funcionam no discurso colonial e desnudam as condições de produção da escrita literária negra e feminina. Sendo assim, desenvolver problematizações acerca dos poemas publicados nos livros da poeta a fim de analisar discursos que circulam e são produzidos sobre a mulher negra de maneira a compreender como as relações de poder são estabelecidas frente a produção literária negrofeminina fazem parte dos elementos constitutivos deste trabalho. Além de construir tais problematizações acerca dos textos literários da escritora baiana contemporânea Lívia Natália, o entendimento delineado é o de que, tanto a pesquisa quanto a poética dos textos selecionados para este trabalho consistem em riografias, entendo-a como um procedimento de criação estético para o labor crítico-teóricoda qual as águas põem-se a escorrer pelo mapa. Sendo assim, problematizar as contradições entre hegemonia e reexistências na poética baiana contemporânea no contexto de colonialidade, respondem ao que pode uma lírica de rupturas existentes na poética de Lívia Natália.

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  • BRUNA LOPES ARAUJO
  • LITERATURA AFRO-PERUANA: POESIA E PERFORMANCE EM MÓNICA CARRILLO

  • Orientador : CARLA DAMEANE PEREIRA DE SOUZA
  • Data: 18/06/2019
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  • O presente estudo tem como objetivo estudar alguns dos poemas que estão no livro
    Unícroma (2007), da poeta, performer e ativista negra-feminista Mónica Carrillo,
    através das teorias da performance, tendo-a como elemento rupturista, uma vez que
    se cria novas epistemes à literatura peruana, perpassando questões relevantes da
    linguagem, da política e da memória. Com isto, o estudo tem intuito de trazer à luz o
    debate que entorna as questões tocantes à comunidade afro-peruana desde a
    perspectiva do sujeito feminino afro-peruano. Na contemporaneidade, poetas como
    Carrillo encenam a memória coletiva afro-peruana em sua escrita que, inserida num
    contexto diaspórico, constitui o que Henrique Freitas (2016) convencionou chamar de
    afro-rizoma. Durante muito tempo a história oficial, contada pela ótica do colonizador,
    cuidou de operar um apagamento das expressões dos povos negros na América
    Latina. Desde então, buscar ocupar os espaços, como incluir-se na vida pública e
    constituir de forma participativa a sociedade, tem sido uma luta diária da mulher negra
    latino-americana. Mónica Carrillo, em sua poética, dá voz aos silenciamentos de uma
    comunidade que, em meio a uma hegemonia política e da linguagem,
    (des)territorializa e ressignifica identidades. Cabe sinalizar que nosso escopo teórico
    básico relaciona-se com os conceitos e temas evocados pelo corpus em questão, por
    exemplo, Leda Maria Martins (2003) e Diana Taylor (2011), para estudos das
    performances; Pierre Nora (1993), para pensarmos a memória; Henrique Freitas
    (2016), Stuart Hall (2003), Denise Carrascosa (2017) para discutirmos as relações
    culturais e identitárias do homem negro e da mulher negra em diáspora.

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  • MIRELA DORNELLES GONZALEZ PAZ
  • Cartilha Três vivas para o bebê! em audiolivro: a criação de um roteiro para peça radiofônica

  • Data: 08/08/2019
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  • Análise do processo de criação de um roteiro para peça radiofônica, sob a perspectiva do olhar de uma atriz. Especificamente, neste caso, uma adaptação que teve como ponto de partida a cartilha intitulada Três Vivas para o bebê!. O material foi, originalmente, desenvolvido pelos grupos Movimento Down e Abraço à Microcefalia, tendo sido publicada a cartilha em março de 2016, com distribuição gratuita. Ela foi idealizada para servir como um guia de instruções e apoio a mães e pais com filhos portadores de microcefalia. Já o audiolivro Três Vivas para o bebê!!!, foi produzido com o intuito de dar acessibilidade ao material para pessoas com baixo nível de escolaridade, deficientes visuais ou com baixa visão.

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  • MIRELA GONÇALVES CONCEIÇÃO
  • UM ESTUDO DO ROMANCE LEITE DERRAMADO DE CHICO BUARQUE: PROSA POÉTICA, CANÇÃO E HISTÓRIA

  • Orientador : ANTONIA TORREAO HERRERA
  • Data: 20/08/2019
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  • O presente trabalho analisa a construção narrativa do romance Leite Derramado (2009), de Chico Buarque, enfatizando a relação existente entre a sua postura autoral e a obra estudada. Apesar de mais famoso por se expressar como cantor e compositor, o autor possui uma produção literária que se efetiva em confluência com sua obra musical e, pelo fato de ser consagrado como cantor e compositor, ele causa uma tensão no interior do campo literário, porque restam dúvidas sobre o valor de sua obra. O termo “músico” usado por seus destratores para a sua inferiorização enquanto escritor é o mesmo termo que ele utiliza para marcar a sua singularidade no espaço literário. Além disso, percebe-se nas intervenções de Chico Buarque e no romance estudado a manutenção de uma marca que se manifesta na extensão de sua carreira: a análise crítica da sociedade brasileira. Desse modo, a dissertação busca analisar o romance Leite Derramado considerando aspectos de sua produção intelectual pregressa, tanto no que se refere à música, quanto ao seu posicionamento político, apostando na emergência de uma figura autoral na superfície do romance que não se descola da sua postura do escritor. Para tanto, utilizou-se a noção de campo literário desenvolvida por Pierre Bourdieu e a noção de postura literária, tal qual estudada por Jérome Meizoz. Silviano Santiago forneceu lastro teórico para pensar a caracterização do escritor latino-americano e sua condição periférica que o impele a reescrever as narrativas tradicionais inserindo a sua condição. O conceito de “homem-cordial” de Sérgio Buarque de Holanda foi utilizado para pensar de que maneira o escritor Chico Buarque revisita e reescreve a história. Para tratar dos aspectos relativos à poesia utilizamos Octávio Paz, de Paul Valéry e T.S. Eliot. E para pensar a interpenetração da canção no romance, utilizamos Miguel Wisnik (2004) e Luiz Tatit (2002).

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  • MATHEUS NOGUEIRA BACELLAR
  • O NEGRO NO TEATRO PORTUGUÊS QUINHENTISTA

  • Orientador : MARCIO RICARDO COELHO MUNIZ
  • Data: 22/08/2019
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  • Este trabalho pretende analisar a representação da personagem-tipo do negro nos autos que compõem o corpus da dramaturgia portuguesa quinhentista, propondo uma revisitação desses textos sob a ótica e pressupostos dos Estudos Culturais, especialmente as teorias dedicadas ao discurso colonial e ao racismo estrutural. Considerado o período áureo do Império Marítimo Português, o século XVI também foi o momento em que o teatro lusitano conheceu seu auge, tendo como seu maior expoente, Gil Vicente. Busca-se verificar, através da leitura crítica dos autos, se e como a narrativa colonial se constrói através desses textos dramatúrgicos, tentando identificar quais elementos do discurso racista são utilizados para atingir esse objetivo. Parte-se, a princípio, de uma contextualização do período de expansão do Império Marítimo Português até o momento em que o negro passa a integrar a sociedade portuguesa quinhentista; das expectativas portuguesas no início das viagens de descobrimento, passando pelos primeiros contatos na África e, por fim, abordando a  escravização e o convívio social em solo lusitano. A partir do confronto entre discurso histórico e discurso literário, busca-se uma compreensão de como o negro era representado na sociedade portuguesa do século XVI, os mecanismos utilizados na construção dessa representação, os agentes envolvidos nesse processo e a participação do próprio negro nele. Espera-se que, ao final do embate dialético entre história e dramaturgia, suplementado pelas teorias dos Estudos Culturais, evidencie-se as formas como a narrativa colonial se estabelece e se justifica nesse teatro, criando uma representação artificial cujo intuito é oprimir ideologicamente o colonizado, com o objetivo de mantê-lo eternamente vinculado à condição de subalternidade. Também espera-se verificar, a partir desses dados, se o teatro português quinhentista operava como uma espécie de aparelho ideológico do Estado, funcionando como fator chave da circulação do discurso racista e da construção de uma sociedade organizada através do racismo estrutural.

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  • FERNANDA BARBOZA DE CARVALHO NERY
  • CORPO EM RUÍDOS: O feminino em Woman at Point Zero

  • Orientador : SUZANE LIMA COSTA
  • Data: 03/09/2019
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  • A presente dissertação expõe uma análise acerca da elaboração do corpo feminino na obra Woman at Point Zero, da escritora egípcia Nawal El Saadawi (2008). Com o objetivo de discutir as estratégias poéticas que constroem esta imagem, busco compreender como podem se constituir os diálogos capazes de indicar a supervivência feminina por meio de uma plasticidade artística, destacando sua marca de resistência, transgressão e ruptura. A fim de estruturar tal problematização, utilizo como método de pesquisa os ecos produzidos pela escritora no tocante às valorações e afetos do corpo, representado no livro, sobretudo, através da personagem Firdaus, cujo corpo é marcado pela circuncisão e pela violência concebidas pela patriarquia (esse projeto de poder que atua na sociedade como um sustentáculo do sistema neocolonial). Dito isso, por entender o estudo do feminino como essencial para a compreensão da obra de Nawal El Sadaawi (2008) e devido à relevância que atribuo ao posicionamento do corpo enquanto substância poética e política, estruturo esse trabalho nos pressupostos da crítica feminista. Recorro a nomes como Angela Davis (2016, 2017), Djamila Ribeiro (2017), Sandra Gilbert e Susan Gubar (1979), dentre outras, e também aos demais pensadores dos afetos como Baruch Espinosa (2003, 2009) e Vladimir Safatle (2018).

     

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  • KELLEN HAWENA PEREIRA SOUSA
  • Traduzir o trauma: imagens de memórias do Conflito Armado Interno do Peru nos relatos, desenhos e retábulos de Chungui

  • Orientador : CARLA DAMEANE PEREIRA DE SOUZA
  • Data: 06/09/2019
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  • A partir do trabalho político de visitação ao distrito de Chungui, realizado por Edilberto Jiménez, como parte da Comissão da Verdade e Reconciliação do Peru, foi possível que Chungui: Violencia y trazos de memoria, de Edilberto Jiménez (2009) chegasse até demais pesquisadores. No livro, Jiménez traz a recopilação de noventa e três relatos testemunhais e relatos visuais sobre o período do Conflito Armado Interno do Peru (CAI), ocorrido entre os anos de 1980-2000. Os relatos são as vozes dos próprios sujeitos andinos localizados em Chungui, que sobreviveram à violência do CAI. A obra revela facetas diversas de Edilberto Jiménez, como a de antropólogo preocupado com seu entorno, a de artesão por herança familiar e a de tradutor orgânico. Como parte dos corpora desta investigação tem-se a obra Universos de memoria: Aproximación a los retablos de Edilberto Jiménez sobre la violencia política, editada por Jürgen Golte e Ramón Pajuelo (2012), composta por um catálogo com os retábulos que dialogam diretamente com algumas vivências dos chunguinos durante a época do Conflito. São, então, três formatos que compõem as traduções intersemióticas presentes nesta Dissertação: os relatos, os desenhos e os retábulos, que se suplementam e revelam novas perspectivas à própria tradução e à memória traumática dos moradores de Chungui. Os formatos são importantes por trazerem novos regimes de verdade e colaborarem para que os chunguinos tenham um espaço de enunciação e possam denunciar a precariedade da vida a qual foram expostos. Esta pesquisa coloca em evidência as narrativas dos sobreviventes do CAI, destaca também o gênero relato testemunhal e a arte retablista; além de mostrar a ampla dimensão da cosmovisão andina. É por meio dos Estudos da Tradução Cultural e Intersemiótica e dos Estudos Andinos que será apresentada a relação existente entre a memória traumática nas traduções dos relatos literários, relatos visuais e retábulos de Chungui.

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  • CRISTÓVÃO JOSÉ DOS SANTOS JÚNIOR
  • TRADUZINDO O LIPOGRAMA FULGENCIANO DE AETATIBVS MVNDI ET HOMINIS

  • Orientador : JOSE AMARANTE SANTOS SOBRINHO
  • Data: 09/09/2019
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  • A presente pesquisa aborda o processo tradutório do prólogo e dos quatro primeiros livros da obra De aetatibus mundi et hominis, creditada ao autor norte-africano e tardo-antigo Fábio Plancíades Fulgêncio (o Mitógrafo), a partir da edição fixada por Helm (1898). Tal produção está dividida em 14 livros, em uma estrutura lipogramática de caráter consecutivo, e possui como fulcro diegético a Bíblia Sagrada Cristã. Na descrição de suas narrativas de cunho religioso, o Mitógrafo adota o mecanismo esteticamente inusitado de supressão de letras (lipograma), evitando palavras que apresentem registro nos 14 elementos iniciais do alfabeto latino, o que está sendo mantido na proposta de tradução. Nesse procedimento, em termos teóricos, estabelecem-se práticas dialógicas com variados autores, a exemplo de Jacques Derrida, Giorgio Agamben, Haroldo de Campos Michel Foucault, Antonhy Pym, Lawrence Venuti, Rosemary Arrojo, Lauro Amorim, Alice Ferreira e Michaela Wolf, no processo de discussão de epistemes atreladas ao campo tradutório. No que concerne ao âmbito prático, a seu giro, almeja-se uma atividade tradutória orientada por uma gama de critérios, tanto de ordem geral como direcionados a dar vida à constrição lipogramática, também se evitando, no português, o uso sequenciado das letras que vão de ‘A’ a ‘D’, por livro.

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  • ROBERTA DE ARAUJO LANTYER DUARTE
  • O DEVIR-RIO: REFLEXÕES SOBRE O VAZIO EM PONCIÁ VICÊNCIO, DE
    CONCEIÇÃO EVARISTO

  • Orientador : LIVIA MARIA NATALIA DE SOUZA SANTOS
  • Data: 12/09/2019
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  • Essa dissertação reflete sobre desenho subjetivo da personagem Ponciá Vicêncio
    analisando a sua emocionalidade a partir da noção de uma “sensação de vazio”,
    descrita no romance de mesmo nome, escrito por Conceição Evaristo e publicado em
    2003. A análise parte do vazio como sofrimento psíquico, como dor; mas também
    como “(re)existência” (SOUZA, A. 2009). O texto navega entre a constituição do Eu
    ou (como preferimos chamar) o traçar “riografias” (NATÁLIA, 2017) identitárias da
    personagem, pensando principalmente suas experiências na infância, sua
    identificação com seu avô e sua mãe e a importância da ancestralidade nesse
    processo que está sempre em movimento; segue para reflexões acerca dos processos
    diaspóricos da personagem (que identificamos como sendo três) e como eles afetam
    a sua emocionalidade e contribuem para o aumento das sensações de vazio da
    personagem; e, por fim, mas buscando manter o movimento fluido e ininterrupto que
    a obra de Evaristo suscita, essa dissertação toma o “vazio” como sofrimento psíquico
    e como (re)existência - principalmente a partir da noção de “banzo” (NUNES, 2008) –
    e defende que esse “vazio”, repleto de “força vital” (OLIVEIRA, 2005) dá origem ao
    devir-rio de Ponciá. Para discutir a constituição do Eu de Ponciá Vicêncio, assim como
    os efeitos do racismo e machismo na sua constituição psíquica, a psicanálise foi
    fundamental. Contudo, estaremos para além de Freud já que o sujeito da psicanálise
    freudiana se pretende universal e a universalidade branca da razão ocidental não
    alcança a subjetividade de mulheres negras. A psicanálise será acessada
    principalmente a partir de Virgínia Bicudo (2010), Neuza Souza (1983) e Isildinha
    Nogueira (2017) – psicanalistas negras que subverteram o sujeito da psicanálise,
    pensando a subjetividade de pessoas negras. Franz Fanon (2008) também será
    essencial à análise aqui pretendida. Além disso, tecemos “costuras” psicanalíticas,
    feministas e pós-coloniais para entender como Ponciá Vicêncio (re)existe ao e no
    vazio. Afinal, ao fim da narrativa ela está em “puro devir” (DELEUZE, 2015), torna-se
    devir-rio. O retorno de Ponciá Vicêncio ao rio, aos seus e à ancestralidade, nos dá
    pistas acerca das possibilidades de cura para os sofrimentos psíquicos da população
    negra (efeitos do racismo), assim como da criação mundo por vir; um mundo de plena
    humanidade.

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  • VAGNER DE SOUZA SANTOS
  • A CONSTRUÇÃO DO TELÚRICO E DO IMAGINÁRIO EM OSÓRIO ALVES DE CASTRO

  • Orientador : IGOR ROSSONI
  • Data: 26/09/2019
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  • Visa-se analisar a produção romanesca do escritor baiano Osório Alves de Castro, delimitada no modo como se estabelece a construção dos elementos do telúrico em Porto Calendário (1961) e do imaginário a partir da narrativa de Maria Fecha a Porta prau boi não te pegar (1978). A pesquisa, de cunho bibliográfico, tendo em vista o caráter pluridimensional da obra em tela, procede-se, então, abordagem temática dos referidos eventos apresentados no corpus. O enfoque existencial e a abertura filosófica distinguem a narrativa osoriana, não obstante, a inserção na crítica social característica da geração pós 1930. Deste modo, inicialmente no trabalho pensa-se o tecido da escrita do autor e sublinha questões espraiadas no texto, a saber, as complexas referências socio-históricas e a composição poético-filosófico da obra (ARAÚJO, 2008; 2009); (VALVERDE, 2007; 2008). O espaço/paisagem sertanejo narrado por Osório imerge em dado telurismo plurissignificativo e simbólico, visto além do aspecto fixo e circundante, atravessado pelo imaginário e devidas articulações com o poder do mito. A partir disso, na segunda seção envereda-se no telúrico, mas também a ambiência, ou seja, os elementos naturais a ele conectados, procura-se analisar leituras possíveis de materialidade e geopoética na obra de Osório (BACHELARD, 2003; 2008); (CHEVALIER; GHEERBRANT, 2006); (MACEDO, 2018). No último momento, aborda-se a composição do imaginário e do mito como tecido que envolve a espacialidade e narrativa. O imaginário como um conjunto de imagens que, relacionadas entre si, constituem o pensamento do homem (DURAND, 2012). Portanto, considera-se a primazia do texto e, a partir disso, mobiliza-se aportes teóricos como instrumentos operadores de leitura na análise das seções. Procura-se revisitar a obra osoriana para regar-lhe a seara de criação e motivar a discussão teórica sobre a mesma, apresentando aos leitores que a desconhecem.

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  • FLAVIANE GONÇALVES BORGES
  • LITERATURAS PRODUZIDAS POR MULHERES INDÍGENAS NO BRASIL: PLASTICIDADES, RESSURGÊNCIAS E COSMOVISÕES

  • Orientador : SUZANE LIMA COSTA
  • Data: 29/11/2019
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  • Este estudo apresenta o levantamento e análise de produções literárias feitas por mulheres indígenas que produzem, na literatura brasileira, um projeto estético e ideológico de autoria/autonomia e sobrevivência, a partir dos anos de 2004 no Brasil. Para tanto, selecionei 23 obras assinadas por Eliane Potiguara, Graça Graúna, Lia Minápoty, Sulami Katy, Márcia Kambeba, Niara Terena, Kerexu Mirim, Denízia Cruz, Shirley Krenak, Vângri Kaingãng e Auritha Tabajara. O objetivo geral é analisar e discutir, ao longo das seções, um estudo sobre as produções literárias (poesia e prosa) dessas mulheres indígenas no Brasil, diferenciando a literatura indígena, indigenista e indianista através da leitura crítica de três conceitos estéticos presentes nas obras: (1) as plasticidades literárias; (2) uma ideia de uma literatura de ressurgência; (3) a cosmovisão dos indígenas como pano de fundo dos escritos. Discuto tais conceitos com base nos pressupostos teóricos de Édouard Glissant (1996), Eneida de Souza (2002), Siloé Amorim (2003), Eliane Potiguara (2004), Maria Gorete Neto (2005), Gersen Luciano (2006), Elisa Maria Costa Thiago (2007), Marta Gonçalves (2009), Olívio Jekupé (2009), América Cesar (2011), Amanda de Lima (2012), Graça Graúna (2012, 2013), Stuart Hall (2013), Henrique Freitas (2016), Marília Librandi (2018), dentre outros. Como resultado final desta pesquisa, pretendo viabilizar a circulação de escritos produzidos por mulheres que se preocupam em mostrarem-se diversas, construindo perspectivas no campo literário. Mediante necessidade de democratização literária, essas produções marcam que se há ausências de abordagens raciais e étnicas na literatura contemporânea de maior circulação nacional, há presença dessas abordagens nos atos enunciativos de autoria indígena corpus deste trabalho dissertativo.

     

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  • MARCOS ANTONIO DOS SANTOS
  • AS TRADUÇÕES DE UMA PESCARIA:  DO CONTO À PEÇA RADIOFÔNICA GESCHICHTE EINES FISCHFANGS DE JOÃO UBALDO RIBEIRO 

  • Orientador : MARLENE HOLZHAUSEN
  • Data: 29/11/2019
  • Mostrar Resumo
  • Este estudo tem como enfoque a análise da minissérie: O santo que não acreditava em Deus (1993); do filme Deus é brasileiro (2003) e da peça radiofônica Geschichte eines Fischfangs [História de uma pescaria] (1986). As três produções citadas (textos alvos) possuem o mesmo texto de partida, o conto: O santo que não acreditava em Deus (1981) do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro. Em 1990, João Ubaldo Ribeiro foi contemplado com uma bolsa de estudos do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD), para realizar um roteiro literário na Alemanha. A sua atuação neste país, num período de quinze meses, é marcada por diversas produções. Lá escreveu crônicas semanais para o jornal Frankfurter Rundschau, as mesmas que deram origem ao livro Um Brasileiro em Berlim [Ein Brasilianer in Berlin], e produziu duas peças radiofônicas – gênero literário bastante popular na Alemanha – intituladas: História de uma pescaria [Geschichte eines Fischfangs] e Viva o novo mundo [Es lebe die neue Welt ], ambas traduzidas para o alemão pela tradutora Ray-Güde Mertin (1943-2007). Com base nos estudos realizados em autores como Júlio Plaza, que aborda a tradução intersemiótica; Jaques Derrida com a teoria da desconstrução e, por fim Cristiane Nord que discute, através da perspectiva funcionalista, a tradução sob o prisma da análise textual, os textos alvos referidos acima serão analisados, evidenciando o jogo de significados, explicitando as decisões e as ressignificações adotadas pelos tradutores dos respectivos meios a partir do texto de partida.

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  • MARIA DO SOCORRO FONSECA DE OLIVEIRA
  • O HOMEM DO DIREITO NO LIMIAR REPUBLICANO: UM ESTUDO DE ESAÚ E JACÓ, A PARTIR DA INTERSEÇÃO ENTRE HISTÓRIA, DIREITO, E LITERATURA

  • Orientador : MARCIO RICARDO COELHO MUNIZ
  • Data: 06/12/2019
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  • O homem do Direito é um personagem recorrente na obra machadiana. Contudo, Esaú e Jacó (1904), seu penúltimo romance, ambientado no período da transição Monarquia-República no Brasil, levanta a possibilidade de análise de um sujeito específico, desde a sua decisão de ingressar no curso jurídico, até o início de sua jornada na vida pública, que comumente era o fim perseguido pelos jovens de sua estirpe. Assim, este trabalho tem por escopo traçar um estudo interdisciplinar, viabilizando o diálogo entre o Direito, a História e a Literatura na análise da obra literária, buscando compreender os desdobramentos da inauguração dos primeiros cursos jurídicos brasileiros, sua importância para os rumos políticos do Império e qual o lugar do homem do Direito, instruído nessas instituições, no momento em que o Brasil caminhava rumo à República.

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  • SANIO SANTOS DA SILVA
  • TODAS AS CORES DO AMOR E AS NOVAS CORES DA IRLANDA NA PÓS-MODERNIDADE – MAPEANDO A IRLANDESIDADE NO FILME GOLDFISH MEMORY, DE LIZ GILL

  • Orientador : NOELIA BORGES DE ARAUJO
  • Data: 06/12/2019
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  • Goldfish Memory (2003) é uma comédia romântica escrita e dirigida pela dublinense Liz Gill. O filme aborda a dinâmica das relações interpessoais entrelaçadas ao contexto contemporâneo de globalização. Os personagens estão emoldurados por uma metrópole de diversidade cultural e identitária. Uma representação da multiculturalidade da sociedade pós-moderna definida por Stuart Hall (2001), quando afirma que o mundo não está dividido em culturas distintas, e que existe uma tendência à absorção de traços de vários sistemas culturais. O cinema é um retrato da realidade social com elementos econômicos, estéticos e tecnológicos. Edgard Morin (1970) declara que o cinema é uma máquina que registra a existência dos indivíduos, uma maneira de transpor para a tela o universo pessoal. O autor ainda diz que a realização do filme está condicionada à existência de um contexto social. Nesse sentido, o objetivo geral do presente trabalho é analisar traços contemporâneos da identidade irlandesa no filme Goldfish Memory, observando como o irlandês se entrelaça nas redes culturais tecidas pela globalização, tendo como foco a dinâmica dos vínculos afetivos dos personagens. Os objetivos específicos incluem a descrição das relações interpessoais - encontros, desencontros e desentendimentos amorosos. Perscrutaremos teorias relacionadas à identidade, pós-modernidade e irlandesidade, que darão luz à interpretação dos dados levantados. Análises iniciais indicam que o filme apresenta uma série de ligações com outras culturas, apresentando uma espécie de “aldeia global”, apesar das referências à cultura irlandesa. O filme faz uso de recursos musicais de diversas nacionalidades, fato que também pode ser interpretado como um traço da pós-modernidade. A relevância do trabalho está relacionada à importância de propagar produções cinematográficas irlandesas que oferecem conteúdo cultural significativo para a comunidade acadêmica. É importante destacar que obras irlandesas ainda são pouco exploradas no Brasil, principalmente na Bahia. A presente pesquisa oferece uma contribuição para ampliar o espaço de diálogo com outras culturas dentro do cenário acadêmico local.

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  • DANIEL FONNESU
  •  

    Uma tradução “Transatlântica”: Ziu Paddori de Efisio Melis Encontra Nanetto Pipetta e Juó Bananére

  • Orientador : CARLA DAMEANE PEREIRA DE SOUZA
  • Data: 12/12/2019
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  • Obras pertencentes a literaturas em línguas minoritárias, como o sardo na Itália e o talian no Brasil, e obras literárias em que vários idiomas coexistem no mesmo texto, raramente são traduzidas, e portanto, raramente constituem o objeto de pesquisas no âmbito da tradução. Através da implementação e da análise de uma tradução interlingual para o talian e o português da peça Ziu Paddori, escrita em sardo e italiano, o presente trabalho propõe uma discussão sobre os desafios de um projeto de tradução pautado na reprodução da pluralidade linguística no texto de chegada. Na comédia em três atos de Efisio Vincenzo Melis, publicada em 1919, os mal-entendidos linguísticos e as relações de poder entre os personagens adquirem uma importância comparável àquela do próprio enredo. A implementação e a análise da tradução foram realizadas seguindo quatro vertentes: tradução e pluralidade, em que foram utilizados o modelo de classificação de traduções multidialetais proposto pelo pesquisador catalão Josep Marco, e os levantamentos de traduções multilíngues na Europa e no Brasil, efetuados pela estudiosa italiana Caterina Briguglia e pela estudiosa brasileira Solange Carvalho; tradução e encenação, âmbito no qual se recorreu à sequência de níveis de concretização de uma tradução dramatúrgica teorizados pelo pesquisador francês Patrice Pavis; tradução e transtextualidade, em que se utilizou o conceito de transtextualidade proposto pelo teórico francês Gérard Genette; finalmente, examinando questões de linguística aplicada presentes na tradução, foram utilizados textos de vários autores sobre fonética e sintaxe do sardo, fonética do português em falantes bilíngues do talian sul-rio-grandense, e características da língua literária de Juó Bananére. A presente dissertação visa contribuir com os Estudos da Tradução, especificamente no campo das línguas minoritárias e dos textos multilíngues, mas também com os Estudos Teatrais, os Estudos Literários e a Linguística Aplicada

Teses
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  • DANILO SALES DE QUEIROZ SILVA
  • Valter Hugo Mãe: o filho de mil textos.

  • Orientador : MIRELLA MARCIA LONGO VIEIRA LIMA
  • Data: 19/02/2019
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  • O trabalho busca sintetizar as principais linhas do projeto cultural elaborado pelo autor angolano-português Valter Hugo Lemos. Além de laureado, o autor se tornou uma importante voz no meio midiático, criando uma posição autoral de destaque, que torna urgente a necessidade de uma análise sobre os aspectos mais importantes de sua produção artístico-cultural. Dedicamos parte da pesquisa à observação do perfil autoral e das marcas de sua consagração no campo literário. A partir das características dos seus narradores – que encontramos nos romances ou em performances públicas –, tentamos delinear um estilema que uma sua produção discursiva. Sondando os mais diversos registros (como poemas ou contos infantis), buscamos aproximar tematicamente sua escrita e suas preocupações. Colocando em destaque a preocupação com a formação de uma cidadania humanizadora, recorremos a estudos da psicanálise e da filosofia para ancorar a percepção de que seu projeto cultural se baseia na assunção da importância da falta fundante do “eu” e do encontro necessário com o “outro”. Nesse sentido, o estudo da família irá se mostrar importante como ponto de partida desse encontro e dessa falta na literatura de Valter Hugo Mãe – sua assinatura mais recente. Por fim, o estatuto dos personagens marginalizados, com destaque para o personagem homossexual de sua obra central para nossa análise (O filho de mil homens), servirá para demonstrar o conceito de humanização, base da arte e do projeto para a cultura que elabora o escritor.

2
  • JOSÉ AILSON LEMOS DE SOUZA
  • E. M. Forster no cinema: Questões de gênero e sexualidade nos filmes de James Ivory

  • Orientador : DECIO TORRES CRUZ
  • Data: 22/02/2019
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  • A presente tese é um estudo sobre a adaptação dos romances Um Quarto com Vista (1908) e Maurice (1913), de E. M. Forster, para os filmes Uma Janela para o Amor (1985) e Maurice (1987), dirigidos por James Ivory. Partimos da ideia que os filmes oferecem uma alternativa para o prazer visual que, no cinema comercial, foi estruturado por uma dinâmica entre gêneros que situa um olhar masculino a dominar e objetificar formas femininas (MULVEY, 1983). Tal alternativa apresenta-se através de um rearranjo de posições dos gêneros naquela estrutura, em imagens que ativam um imaginário homoerótico ou centram-se em experiências homossexuais, e assim disponibiliza uma dinâmica de olhares e prazeres mais complexa e diversa. A discussão enfoca a crítica a estruturas de opressão presente nos romances e nas estratégias de adaptação. Para isso, contextualizamos a obra do romancista e apresentamos a crítica que problematiza questões sobre gênero e sexualidade presentes em Sedgwick (1990), Rubin (1984) e Butler (1990). As especificidades das narrativas fílmicas são levantadas a partir de diferentes perspectivas da crítica britânica, como as que apresenta Higson (2003, 2006, 2011), Monk (2001, 2011) e Dyer (2002). Conceitos e ideias dos estudos da adaptação abordados na pesquisa são aproveitados de Bazin (2000), Cruz (2014), Elliot (2004, 2017), Hutcheon (2013), Leitch (2008), Schober (2013) e Stam (2000), dentre outros, com enfoque para a contextualização das adaptações e para a noção de uma intertextualidade que extrapola a relação com os textos adaptados. A análise de Um Quarto com Vista e sua adaptação concentrou-se na discussão sobre representação de gêneros, nas imagens que subvertem a lógica de dominação masculina enquanto resistência e no aproveitamento de um ponto de vista que articula um prazer visual mais diversificado do que aquele que privilegia o desejo masculino e heterossexual. O estudo de Maurice e da adaptação homônima destacou as diferentes cenas de reconhecimento da experiência homossexual. Dentre elas, aquela que se efetiva, sugere a intermediação com uma alteridade de classe que perturba as estruturas de poder do patriarcado. Exploramos as estratégias de Ivory para transmutar as diferentes cenas, bem como o aproveitamento de intertextos que ativam imagens da homossexualidade. Concluímos que as adaptações de Ivory selecionam e elaboram imagens de subversão que, adaptadas no passado, criticam as relações entre poder, gênero e sexualidade e assim diversificam a cultura visual contemporânea a partir de uma distribuição mais democrática dos discursos e representações da experiência humana.

3
  • MARIELSON DE CARVALHO BISPO DA SILVA
  • O ATLÂNTICO NEGRO DE ANGÉLIQUE KIDJO:

    MEMÓRIA E ANCESTRALIDADE EM UMA TRILOGIA MUSICAL AFRO-DIASPÓRICA

  • Orientador : JOSE HENRIQUE DE FREITAS SANTOS
  • Data: 15/03/2019
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  • A tese analisa a trajetória artística, artivista e intelectual da cantora e compositora Angélique
    Kidjo (1960, Uidá, Benim), marcada por uma produção musical cujas referências simbólicas e
    materiais de tradição fon e iorubá se relacionam com as diásporas africanas nas Américas em
    termos culturais e religiosos. Reconhecida internacionalmente desde a década de 1980, quando se
    autoexilou na França em decorrência da situação política e econômica no Benim, Angélique
    Kidjo tem uma atuação importante dentro e fora da África, tornando-se uma das mais expressivas
    e influentes vozes contra o racismo em torno da ideia de África construída pelo Ocidente. Através
    da música, a artista beninense aciona e articula discursos afirmativos de inscrição feminina, negra
    e africana em mais de 38 anos de carreira. Pretende-se discutir a diáspora africana a partir da
    trilogia musical que Angélique produziu em um período crucial de sua vida artística de mudanças
    estéticas e temáticas. Oremi (1998), Black Ivory Soul (2002) e Oyaya (2004) são três álbuns que,
    respectivamente, encruzilham as músicas afro-diaspóricas e africanas em uma rede atlântica que
    abrange Estados Unidos, Brasil e Caribe. Ao expandir sua dicção e performance nas Américas e
    incorporá-las a sua criação pela clave da memória e da ancestralidade, Angélique recria uma
    experiência que desde cedo a formou no Benim: a música negra norte-americana, afro-brasileira e
    afro-caribenha. Essas tradições se acentuam na trilogia, como ela mesma descreve, em forma de
    um link com a diáspora, que mostra o quanto o continente africano contribuiu imensamente para
    a cultura contemporânea no Ocidente a partir do jazz, do blues, do hip hop, da salsa, do reggae,
    do samba. As textualidades africanas que a música reinscreve nesse contexto resultam produtos
    interdiscursivos e midiáticos de alcance global, cujas rotas operadas por músicos, intérpretes e
    produtores reencenam modalidades de recepção, para além das limitações coloniais. Esse
    repertório entre as margens do Atlântico transcende fronteiras e nos possibilita entender as
    próprias estratégias e dinâmicas de constituição de seus fluxos e refluxos. Angélique Kidjo
    promove com seu projeto musical essa discussão sobre tradução cultural na diáspora africana.

4
  • MARIA DO SOCORRO BARBOSA DE MIRANDA
  • MEMÓRIA E ESCRITA DE SI NO DIÁRIO ÍNTIMO DE LIMA BARRETO

  • Orientador : EVELINA DE CARVALHO SA HOISEL
  • Data: 22/03/2019
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  • A presente tese empreende uma análise das relações estabelecidas entre memória e escrita de
    si no Diário íntimo, de Afonso Henriques de Lima Barreto, publicação póstuma organizada
    por Francisco de Assis Barbosa. Os registros tomados pelo escritor ao longo da vida são
    constituídos por discursos da memória, tendo como ponto de partida o sujeito que narra. O
    forte traço de subjetividade impresso ao texto diarístico nos leva a considerá-lo como um
    espaço privilegiado de criação/recriação de si mesmo, dos outros e da história. Partimos do
    pressuposto de que o Diário íntimo viabiliza a construção de novas imagens sobre Lima
    Barreto, recalcadas pela crítica literária tradicional, dando visibilidade aos modos de
    compreensão do escritor sobre si mesmo e pondo em cena elementos que sugerem a forma
    como o romancista desejou ser visto, entendido e lembrado. Nesse sentido, buscamos captar,
    por meio das ambiguidades e da fragmentariedade das notas, a maneira peculiar com que o
    narrador, a partir do seu locus de enunciação, constrói/descontrói imagens de si e opera
    deslocamentos nos discursos hegemônicos de poder. Amparados na teoria referente à crítica
    biográfica, que tem em Eneida Maria de Souza (2011, 2012) e Leonor Arfuch (2010, 2012)
    duas de suas representantes, problematizamos, dentre outras, as noções de origem, unidade,
    verdade, identidade, homogeneidade, linearidade temporal, comumente implicadas nos
    estudos sobre a narrativa autobiográfica. Desse modo, o que pretendemos nesta tese não é
    descobrir a “verdadeira” identidade do escritor Lima Barreto, mas investigar as razões e as
    escolhas que o levaram a determinado processo de identificação, atentando para a
    representação que ele fez de si mesmo em sua obra memorialística. Buscamos averiguar o
    potencial dos registros de deslocar verdades e estereótipos, construídos e cristalizados ao
    longo do processo histórico-literário brasileiro.

5
  • ANA GABRIELA PIO PEREIRA
  • ESCRITAS EXCESSIVAS: CASSANDRA RIOS E O PROTAGONISMO EXCÊNTRICO NA LITERATURA BRASILEIRA

  • Orientador : ANTONIA TORREAO HERRERA
  • Data: 29/03/2019
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  • Esta tese Escritas excessivas: Cassandra Rios e o protagonismo excêntrico na literatura
    brasileira se debruça sobre a produção literária de Cassandra Rios (1932-2002), escritora
    muito popular nas primeiras décadas da segunda metade do século XX, no Brasil. Conhecida
    por rótulos como “A papisa do homossexualismo” e “A escritora mais proibida do Brasil”, a
    autora é responsável pela criação de dezenas de romances protagonizados por sujeitos
    socialmente marginalizados, em virtude, principalmente, de uma não conformação aos
    padrões estabelecidos de gênero e práticas sexuais. São muito recorrentes na referida obra os
    gays, as travestis, as prostitutas e, sobretudo, as lésbicas, em torno de quem há uma intensa
    política afirmativa. Neste trabalho, distanciando-nos daquilo que é tendência no trabalho de
    sua ainda tímida fortuna crítica, não trataremos dos romances de Cassandra Rios pelo viés do
    seu projeto de construção de uma imagem positiva para as lésbicas, apesar de acreditarmos ser
    este um dos mais importantes empreendimentos desses textos. Optamos por perscrutar a
    faceta da autora que se volta para o questionamento de uma cultura que, sob a égide do que
    Monique Wittig chama de contrato heterossexual, oprimiu, silenciou e mutilou os sujeitos
    compreendidos pela categoria mulheres. Nesse sentido, nas páginas que seguem,
    procuraremos demonstrar a literatura cassandriana como propulsora de uma política de
    combate ao discurso heteronormativo, que criou um modelo ideal de “mulher”, estabelecendo
    para esse sujeito alguns destinos precisos, dentre os quais o da maternidade e o do
    confinamento no casamento heterossexual são os mais importantes. Para a realização de tal
    empreendimento, lançamos mão de quatro livros da autora: A Sarjeta (1952), A paranoica
    (1969), Eu sou uma lésbica (1975/2006) e Uma mulher diferente (1968/2005). Como não nos
    preocupa nesse momento construir linearidades ou levar o público leitor a acompanhar todas
    as nuances das narrativas, não as utilizaremos na íntegra. Ao invés disso, optamos pela
    fragmentação, por flashes que possam comprovar o que acreditamos ser um desejo subjacente
    nesses textos: o de pensar uma sociedade na qual os sujeitos ditos mulheres possam se ver
    livres da opressão imposta pela cultura regulada pelas regras da heterossexualidade.

6
  • CARLA CECI ROCHA FAGUNDES
  • DEOLINDO CHECCUCCI E O TEATRO INFANTIL BAIANO NO CONTEXTO DA DITADURA MILITAR: ARQUIVO, EDIÇÃO E ESTUDO CRÍTICO-FILOLÓGICO

  • Orientador : ROSA BORGES DOS SANTOS
  • Data: 29/03/2019
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  • O teatro, durante as décadas de 1970 e 1980, teve notável desenvolvimento, mesmo em uma sociedade controlada pela Ditadura Militar, que foi instaurada em território nacional entre 1964 e 1985, restringindo a liberdade de expressão, através da censura. Nesse contexto, destacamos a dramaturgia de Deolindo Checcucci, autor que produz na Bahia desde a década de 1970. Caracterizando-se como um artista multifacetado, Checcucci assume no cenário teatral baiano os papeis de diretor, ator, professor e dramaturgo. Através de suas produções infantis, buscou desenvolver um teatro crítico e inovador, capaz de promover a reflexão e a mudança social. Podemos observar essas características através do Acervo Deolindo Checcucci – Teatro Infantil (ADC-TI), organizado no âmbito da Equipe Textos Teatrais Censurados – ETTC, coordenada pela professora Dra. Rosa Borges, na Universidade Federal da Bahia – UFBA, desde 2006. A presente tese terá como enfoque o estudo da dramaturgia infantil de Deolindo Checcucci, a partir da organização do acervo, da edição e do estudo crítico-filológico de textos selecionados, reunidos em um Arquivo Hipertextual. Desse modo, mediante o diálogo entre a Filologia, a Arquivística e as tecnologias informáticas, podemos analisar criticamente a produção dramatúrgica de Deolindo Checcucci e, a partir dela, configurar os caminhos percorridos pelo teatro infantil baiano durante a Ditadura Militar na Bahia.

7
  • ALEXANDRE CARVALHO PITTA
  • O RAP DO FIM DO MUNDO: MODERNIDADE TARDIA BRASILEIRA E INSURGÊNCIA NAS CANÇÕES DE CRIOLO E EMICIDA

  • Orientador : ANTONIA TORREAO HERRERA
  • Data: 05/04/2019
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  • Criolo e Emicida são músicos que possuem destaque no cenário musical brasileiro contemporâneo, fruto de uma significativa produção artística e de atuações que marcam seus posicionamentos políticos no país. Os artistas compõem e atuam no contexto da modernidade tardia, sob os efeitos nefastos do modelo econômico que se estabeleceu durante a ditadura e com a democracia neoliberal que se firma após os anos de chumbo e que consolida as disparidades sociais já acentuadas nestes tempos. Os rappers paulistas estão situados em um período em que o espaço urbano é o campo de batalha em que essas problemáticas se manifestam, ruínas de um Brasil vendido como potência, porém marcado pelo racismo e pela assustadora desigualdade social. Há, então, na crítica a essa realidade nacional, o entrelaçamento de temáticas e de procedimentos estéticos: partindo do sampling como procedimento de apropriação dos estilhaços desse mundo, os rappers promovem uma ferida narcísica no Brasil montado sob a égide da mestiçagem, sustentada pela falsa noção de democracia racial, que forja um Brasil cuja promessa de felicidade está evidente na harmonia das suas etnias constituintes e cujo passado de opressões foi superado. O sampling, aliado à intertextualidade nas letras, revela uma proposta dessacralizadora e que se apropria de diversos fragmentos de sons, de discursos e de melodias, juntando-os para construir um choque de heterogeneidades, deixando as tensões explícitas, em vez de apaziguadas. A análise do papel político da obra desses artistas, situada no contexto da modernidade tardia brasileira, deve levar em conta uma forma diferente de trabalho com a linguagem, como, no caso do rap, é a linguagem lírica e musical. Ademais, é um modo de enxergá-los, a partir de suas práticas, como pensadores desse tempo e como agenciadores de insurgências para a construção de alternativas para o trabalho de morte que historicamente se impõe sobre os afrobrasileiros, que tem o Estado como um de seus principais agentes. A partir dessas problematizações, o trabalho pretende analisar como as composições desses artistas produzem uma leitura sobre a modernidade tardia brasileira, em que medida suas produções cancionais rasuram os discursos acerca da identidade brasileira e dos afrobrasileiros, como a violência sobre o corpo afrobrasileiro é apresentada como
    um dos traços significativos dessa modernidade e como os artistas e suas obras operam formas de insurgência contra essa face violenta do Brasil tardo-moderno.

8
  • DEBORA DE SOUZA
  • SÉRIE DE ESTUDOS CÊNICOS SOBRE PODER E ESPAÇO, DE NIVALDA COSTA: ARQUIVO HIPERTEXTUAL, EDIÇÃO E ESTUDO CRÍTICO-FILOLÓGICO

  • Orientador : ROSA BORGES DOS SANTOS
  • Data: 05/04/2019
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  • No âmbito da Filologia, em diálogo, principalmente, com a Arquivística e com a Ciência da Informação, elaboramos um arquivo hipertextual do dossiê da Série de estudos cênicos sobre poder e espaço, parte significativa da dramaturgia censurada de Nivalda Costa, composto por edições e documentos, suporte de estudo crítico que subsidiou a construção de uma leitura filológica de sua atuação, no contexto da ditadura militar na Bahia. Essa série, resultante de pesquisas, (re)leituras e experimentos, é constituída de seis textos teatrais escritos (no e) para o palco como manifestos, por meio dos quais a dramaturga, diretora e intelectual negra, denunciava abusos de poder e incitava o público a transformar a sociedade. Por estratégia de leitura, para constituir e interpretar o dossiê, formado por mais de duzentos documentos, organizamos o Acervo Nivalda Costa, integrante do Arquivo Textos Teatrais Censurados, fundo Textos Teatrais Censurados, vinculado ao Instituto de Letras da UFBA. Respeitando a peculiaridade dos documentos reunidos, dentre esses, texto teatral, matéria de jornal, documentação censória, esboço e rascunho, e material audiovisual, que nos permitiu ler os processos de produção, transmissão, circulação e recepção dos textos teatrais, objeto
    de estudo, e o sujeito Nivalda Costa, adotamos uma tendência editorial pragmática, de base social e política, reconhecendo os aspectos materiais e históricos dos documentos/testemunhos, bem como assumindo a conduta crítica do filólogo-editor. Nesse sentido, apresentamos no Arquivo Hipertextual, acessível a partir do website http://acervonivaldacosta.com, composto dos menus Apresentação, A autora, O acervo, Consulta, Edições e Contato, edição fac-similar de todos os testemunhos dos textos, edição interpretativa hipermídia de Glub! Estória de um espanto, edição crítica hipermídia de Aprender a nada-r e edição sinóptico-crítica hipermídia de Vegetal vigiado; textos críticos em modelo de impressão, para leitura, estudo e/ou encenação; critérios de elaboração e de apresentação; e todos os documentos do dossiê. Tecemos, por meio dessa plataforma, das edições e dos documentos, uma crítica filológica de Nivalda Costa, de sua produção aguerrida e de suas práticas de resistência, considerando a figura da intelectual negra, suas redes de sociabilidade, seu envolvimento em projetos artísticos, culturais e populares. Ressaltamos, contudo, sua trajetória no campo do teatro, como dramaturga e diretora, no contexto sociocultural da década de 1970, desenvolvendo uma leitura da artista e da SECPE, na qual sobressaem a figura da estudiosa e a sua prática de pesquisa dialógica e transgressora, parte de uma vertente que defende a diversidade epistemológica, ontológica e cultural, buscando construir um conhecimento a respeito de Nivalda Costa.

9
  • ADRIANO PORTELA DOS SANTOS
  • ENCOMÉNDALAS A DIOS: A ORAÇÃO NOS AUTOS DE GIL VICENTE

     

  • Orientador : MARCIO RICARDO COELHO MUNIZ
  • Data: 12/04/2019
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  • A presente tese analisa a oração na dramaturgia de Gil Vicente (1465-1536), de modo particular na farsa Clérigo da Beira (1529), nas moralidades Auto Barca do Inferno (1517) e Auto da Barca da Glória (1519) e no mistério Auto da Cananea (1534), com o auxílio da Teopoética, abordagem crítica de estudos comparados entre Teologia e Literatura. Busca-se perceber de que maneira a concepção e a prática da oração foram utilizadas por Gil Vicente como recursos dramáticos; bem como explicitar como a representação desse topus literário – o ato de orar – elaborou e transmitiu noções teológicas na dramaturgia vicentina. Primeiramente, procuramos situar o dramaturgo português no contexto da teopoética, através sobretudo dos estudos de Antonio Carlos de Melo Magalhães (2009), apresentando o conceito e metodologia dessa abordagem, como também realizando revisão bibliográfica dos estudos vicentinos acerca da religiosidade. Depois, procuramos realizar um inventário das orações na dramaturgia vicentina, partindo do que já havia sido realizado por José Camões (2002), analisando os discursos sobre a oração produzidos nas cenas e as próprias orações realizadas: quais foram, por quais personagens foram realizadas, em que contexto cênico. Por fim, debruçamo-nos sobre os procedimentos estéticos e princípios teológicos nos três autos citados mais acima, deparando-nos com a mudança de perspectiva teológica de Gil Vicente de um texto para o outro, proporcionada pela sua aproximação da noção de Graça. Com isso, buscamos estabelecer uma nova perspectiva a partir da qual seja possível falar da religiosidade de Gil Vicente e de sua relação com os ventos reformadores do XVI, uma vez que Graça é uma noção bastante cara ao período inicial da Reforma Protestante.

10
  • WELLINGTON JOSÉ GOMES FREIRE
  • CAVALARIA DO MAR: A PERSISTÊNCIA DO IMAGINÁRIO CAVALEIRESCO NAS NARRATIVAS CRONÍSTICAS SOBRE OS MODOS DE CONDUÇÃO DA GUERRA NA EXPANSÃO IMPERIAL PORTUGUESA- SÉCULOS XV E XVI

  • Orientador : MARCIO RICARDO COELHO MUNIZ
  • Data: 07/05/2019
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  • Nas guerras de expansão marítima do império marítimo português, as tropas lusitanas em trânsito por terra e mar, ou quando imobilizadas em ações de cerco a praças-fortes do inimigo, lutaram animadas por anacrônico imaginário cavaleiresco. Pleiteia-se que o processo de modernização militar das grandes potências europeias do período não fincou raízes em solo lusitano. Os guerreiros e conquistadores lusitanos ao se assenhorearam de vasta porção do globo portaram-se em combate como se desconhecessem ou cultivassem um estudado desdém pelos modernos métodos de guerrear, provavelmente por eles considerado como sinônimo de desonra. O imaginário cavaleiresco impulsionou a execução de todas as grandes e pequenas etapas da campanha de domínio militar lusitano nos três continentes alvo de suas incursões. O estudo se baseou em um corpus constituído por cronistas quatrocentistas e quinhentistas: Gomes Eanes de Zurara; Rui de Pina; João de Barros; Lopes de Castanheda e Gaspar Correia.

11
  • DAIANE GRAZIELE SCHIAVINATO
  • AS CLÁSULAS MÉTRICAS EM ORATOR DE CÍCERO: UMA PROPOSTA DE TRADUÇÃO

  • Orientador : MARCIO RICARDO COELHO MUNIZ
  • Data: 08/05/2019
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  • A presente pesquisa propõe investigar um conjunto de clausulametrica sacados à Poética Clássica Latina, que ocorrem na obraOrator de Cícero (106 a.C- 43 a.C). As clásusulas métricas, metrificações presentes nos finais dos parágrafos ciceronianos, são componentes expressivos característicos da poesia, relacionadas principalmente ao ritmo e à métrica, e representam uma contribuição, de modo direto ou indireto, para a elaboração de discursos oratórios, que constituem o escopo do texto de Cícero.Ao definir o melhor orador, Cícero expressa, em língua latina, suas concepções em relação à forma da poesia e da oratória, sublinhando semelhanças e diferenças. Ao fazê-lo, pratica uma metalinguagem que toca questões formais de Poética, abrangendo definições e usode termos como metrica (métrica), metrum (metro), oratio (discurso), poema (poema), poeta (poeta), res (conteúdo), uerbum (palavra), uersus (verso), uox (forma da enunciação). A tarefa da pesquisa foi a de constituir um córpus formado pelos contextos-ocorrência em que figuram essas cláusulas métricas retirados do Orator, e, em seguida, propor uma tradução e uma discussão dessas clásusulas traduzidas conforme a teoria pós-estruturalista. Trata-se, portanto, de investigação acerca da expressão e conceito poético nos discursos retóricos em circulação na Roma Antiga traduzidas em línguaportuguesa. Espera-se que se possa contribuir para trazer novas perspectivas ao conhecimento de códigos poéticos dispersos nas obras de escritores antigos, como a dos comentadores e gramáticos antigos, ou mesmo de rétores e oradores, como o Cícero aqui estudado.

12
  • MÔNICA MATOS ANUNCIAÇÃO
  • PREPARO UM DESAMOR: AS RELAÇÕES AFETIVO-CONFLITUOSAS EM AL BERTO E CAIO FERNANDO ABREU

  • Orientador : SANDRO SANTOS ORNELLAS
  • Data: 28/06/2019
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  • Esta tese-ensaio aproxima os trabalhos do escritor português Al Berto e do brasileiro Caio Fernando
    Abreu. O problema capital assenta-se na reflexão crítica da maneira como se estabelece as relações
    afetivo-conflituosas que atravessa de forma distinta, mas comparável, a lírica amorosa dos dois
    poetas. O ponto de contato entre os escritores perpassa pela questão dos processos de controle dos
    afetos, e sua relação com a cultura, a política, a construção de subjetividades e a linguagem. O
    esforço interpretativo aqui empreendido se dedica à análise de poemas compilados em O medo, de
    Al Berto, e Poesias nunca publicadas de Caio Fernando Abreu, de Caio Fernando Abreu, por meio
    da problematização do mito do amor romântico e da melancolia.

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  • DAVI SANTANA DE LARA
  • DESAFIOS CRÍTICOS CONTEMPORÂNEOS:
    AUTORIA E AUTOFICÇÃO EM JAVIER CERCAS E ENRIQUE VILA-MATAS

  • Orientador : LUCIENE ALMEIDA DE AZEVEDO
  • Data: 04/07/2019
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  • Partindo da hipótese de que a presença da figura do autor em um número significativo de romances atuais é indício de transformações na literatura contemporânea, esta tese tem como objetivo investigar essas transformações a partir do ponto de vista da crítica. Para tanto, analisamos as obras dos escritores espanhóis Enrique Vila-Matas e Javier Cercas, que são tomados como ponto de partida para elaborar questões relacionadas a um conjunto de obras um conjunto de obras que, além da intrusão da figura autoral na narrativa, têm como característica principal a desestabilização de algumas categorias críticas. A discussão realizada gira em torno de três eixos temáticos, autoria, subjetividade e autoficção, aos quais correspondem os três capítulo da tese. No que diz respeito à discussão sobre a autoria, no primeiro capítulo, além de Barthes e Foucault, nomes obrigatórios neste tema, as contribuições de Giorgio Agamben e de Daniel Link foram muito importantes para a compreensão do fenômeno da autoria no contemporâneo. No segundo capítulo, referente à questão da escrita e da subjetividade, destacam-se os nomes das críticas Diana Klinger e Leonor Arfuch. No terceiro e último capítulo, a autoficção é estudada a partir de uma dupla perspectiva, a da teoria literária e a da estética, conforme a sugestão dada por Josefina Ludmer em ―Literaturas pós-autônomas‖. A noção de pacto ambíguo, desenvolvida por Manuel Alberca, é central nesta tese. Por fim, conclui-se que as narrativas estudadas são marcadas pela ideia mais de um processo e menos de um produto, o que interfere diretamente no modo como as lemos.

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  • NEILA BRASIL BRUNO
  • PROFISSÃO ESCRITOR:
    A trajetória literária de Adriana Lisboa (Um estudo de caso)

  • Orientador : LUCIENE ALMEIDA DE AZEVEDO
  • Data: 05/07/2019
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  • Este trabalho pretende estudar as condições de profissionalização do escritor contemporâneo por meio de um estudo de caso: a análise da trajetória literária da escritora Adriana Lisboa e suas tomadas de posição no campo literário. Para tanto, o trabalho realiza um breve histórico da profissionalização do escritor no Brasil, investigando também o papel do editor e do agente literário no mercado editorial brasileiro. Além disso, analisaremos os elementos que incrementam a profissionalização do escritor na atualidade, como os eventos e prêmios literários, os cursos de escrita criativa e as oficinas, além da relação entre autores e a universidade e a internacionalização da carreira do escritor, comentando as tomadas de posição de alguns autores como Daniel Galera, Luiz Ruffato e Tatiana Salem Levy para examinarmos mais detidamente a trajetória da escritora Adriana Lisboa, procurando reconstituir sua inserção no campo literário brasileiro, a construção de sua imagem pública como autora, as instâncias e agentes que contribuíram para seu processo de profissionalização. Nossas reflexões serão feitas fundamentalmente a partir da perspectiva teórica de Pierre Bourdieu, mais especificamente, seus conceitos de campo literário e capital simbólico e estarão centradas nas circunstâncias que viabilizam a legitimação e a profissionalização de Adriana Lisboa enquanto escritora.

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  • SILVANA CARVALHO DA FONSECA
  • O ESCRAVO, O FANTASMA, O HOMEM NEGRO: EXPERIÊNCIAS HISTÓRICAS E ESTÉTICAS NO MOVIMENTO HIP HOP ENTRE BRASIL,ANGOLA E PORTUGAL

  • Orientador : JOSE HENRIQUE DE FREITAS SANTOS
  • Data: 19/07/2019
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  • O movimento hip hop é uma contra-narrativa da diáspora negra produzido, ao
    longo de sua história, majoritariamente por homens negros. É um movimento
    de ―minoria‖ que apresenta tensões de uma sociedade patriarcal/ machista,
    racista e capitalista. Essa contra-narrativa opera sob a ambivalência que
    conforma na existência dos sujeitos negros contradições e resistências que
    constituem as masculinidades negras expressas na apropriação da palavra, a
    partir da poética do rap. Esta tese investiga como se produzem as
    masculinidades negras no movimento hip hop, nas comunidades de falantes de
    língua portuguesa, Brasil, Angola e Portugal, a partir das relações entre
    experiências históricas e estéticas. Para tanto, foram realizadas descrições e
    análises comparativas/ contrastivas das produções ético/estéticas de Mano
    Bronw, Criolo, Rico Dalasan(Brasil), Kool Klever, Kid Mc e MCK (Angola) e
    Chullage e Valete (Portugal), visando a compreender diálogos, trânsitos,
    confluências e divergências em perspectiva transcultural na diáspora negra. As
    masculinidades negras, formas racializadas de viver o gênero, são constituídas
    a partir da negação e reprodução da sujeição imposta pela colonialidade, pela
    via das formas: escravo – injunção do outro –, o fantasma – introjeção da
    colonialidade do ser –, e o homem negro – devir emancipatório –. Essas formas
    performam masculinidades negras em um movimento centrípeto (direção para
    o centro, ―necropolítico‖), que interroga e denuncia o poder, pois à medida em
    que responde ao lugar escravizado que a sociedade lhe impõe, contrapõe a
    essa injunção denunciando. Nesse movimento de denúncia, as contradições
    gestadas pelo racismo e exploração capitalista também emergem, explicitando
    os efeitos internalizados produzidos pelo conjunto de violências históricas que
    destroem sua humanidade, a introjeção da colonialidade do ser. Ainda contida
    nesse triplo movimento emerge uma concepção de humanidade emancipatória
    que desestabiliza o projeto de genocídio continuamente reelaborado contra o
    homem negro. É dessa relação complexa e violenta, que também é política e
    mobilizadora de afetos, que as masculinidades negras analisadas ao longo
    deste trabalho operaram no movimento reativo e propositivo, caracterizando,
    aí, seu caráter contra-hegemônico por dentro da cultura negra de resistência e
    transculturada.

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  • GABRIELA LOPES VASCONCELLOS DE ANDRADE
  • HORROR ART-HOUSE: INVESTIGAÇÕES SOBRE A CAPITALIZAÇÃO DO EU E DO HORROR

    NA LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

  • Orientador : ANTONIA TORREAO HERRERA
  • Data: 26/08/2019
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  • O presente trabalho busca analisar a tendência do discurso cinematográfico do gênero horror na
    literatura brasileira contemporânea a partir dos romances Neve Negra e Biofobia de Santiago
    Nazarian. O autor transita pela cultura de massa, pela literatura pop, pela linguagem
    cinematográfica e pelo espaço biográfico, ficando atento à recepção de suas obras para criar
    estratégias performáticas de legitimação. O escritor assume uma identidade mitológica e midiática,
    tecida através de uma rede imaginária formada por seus leitores. Nesse processo, dentro de uma
    estética que utiliza elementos do pop, o projeto literário do autor está mudando e se inserido na
    estética cinematográfica do horror. O trabalho busca então problematizar essa trajetória, pensando
    na construção do gosto do autor e na tentativa de consolidar a sua obra a partir do crescimento do
    consumo desse tipo de literatura, influenciado pelo sucesso do cinema de horror, tanto pelo leitor
    comum quanto para crítica literária. Assim, a tese de doutorado busca questionar a classificação do
    termo post-horror, utilizada por esses escritores, como uma estratégia mercadológica vinculada à
    uma indústria cinematográfica que vende o discurso do Art-House no cenário dos festivais e
    premiações independentes, que acaba influenciando na precarização nas condições e nos valores
    do trabalho artístico ao trata-lo como uma commodity, ligado principalmente à produtora de cinema
    RT Features. Para isso, serão utilizados os conceitos de Transmidia de Jenkins, a ideia de
    hiperpresente de Lipovetsky e Serroy, o trabalho de Annatereza Fabris e Eneida Maria de Souza
    sobre o mercado literário brasileiro, a discussão sobre autoria e a construção midiática do eu a partir
    de Sibília e Foucault, no intuito de perceber como o cinema internacional de horror está
    influenciando na construção da estética do terror na literatura brasileira contemporânea. Além
    disso, para discutir o conceito de Horror, serão utilizados Platão, Aristóteles, Derrida, Artaud e
    Niezstche.

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  • JOÃO LUIZ TEIXEIRA DE BRITO
  • O CORPO DE KURT COBAIN: RUÍDO DA LINGUAGEM POP IN UTERO 

  • Orientador : DECIO TORRES CRUZ
  • Data: 25/10/2019
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  • A presente tese discute o conceito de ruído como operador associado à linguagem e à possibilidade de transformação corporal na obra de Kurt Cobain e de sua banda, o Nirvana. O texto trabalha as produções estéticas que cercam In Utero (1993), suas canções, letras, ambientações sonoras, composições imagéticas e audiovisuais. A tese discute uma série de temas relacionados a memória, comunidade, figura autoral, fama, mídia, escritura, morte, representação, comunicação, silêncio e transformação. Busca (re)construir a noção de corpo, especialmente o corpo em performance, como ponto focal para o entendimento da poética do Nirvana e para as discussões acerca do fenômeno da cultura pop na contemporaneidade. O trabalho parte de explorações focadas no reconhecimento e análise de certos aspectos específicos da obra do Nirvana como: a herança da Arte e Literatura Pop, o suicídio de Kurt Cobain, a confusão entre vida e obra causada pela lida com a mídia de massa, a representação do corpo em In Utero, a ética da comunidade punk, o aspecto ritualístico do evento comunal da performance ao vivo e a relação homem-máquina, com contornos amplos se referindo a diversos aspectos do embate de binômios como mercantilização e integridade, vida e obra, organização e caos, pertencimento e alienação. Esses aspectos não são isolados, mas fluentes, transientes e rasurados. A poética do Nirvana se constrói no jogo dessas tensões. A tese então trabalha o conceito de ruído como operador das tensões, o ruído que é inerente à mídia (inclusive à mídia corporal) e que é a própria capacidade transformativa do texto e da mídia, sua falha icônica em registrar e comunicar. Esse processo é estruturante no trabalho de Cobain. O passo metodológico seguinte foi, então, demonstrar como esse operador ruidoso se encontra e se aplica aos textos como chave de acesso e transformação da obra. Análises do videoclipe Heart-Shaped Box e de outras canções como “Scentless Aprentice”, “Milk it”, “Radio Friendly Unit Shifter”, “Tourette’s” e “All Apologies” são realizadas para construir a argumentação. O conceito de ruído foi aplicado também ao método, com quatro leituras sobrepostas da obra, rasurando-a consecutivamente para obter novos níveis, não de profundidade, mas de projeção, em luz, som, letra e voz. Diálogos teóricos importantes são feitos com as obras de Friedrich Nietzsche, Jacques Derrida, Georges Didi-Huberman, Jacques Rancière, Leda Maria Martins, Décio Torres Cruz, Carrie Jaurès Noland, Greil Marcus, Phillip Auslander, Michel Foucault, Giorgio Agamben e Judith Butler.

     

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  • THEREZA DE JESUS SANTOS JUNQUEIRA
  • RUMO À CIDADE DO OUTRO LADO DAS MONTANHAS: UMA EXPEDIÇÃO GUIADA POR BERTOLT BRECHT

  • Orientador : MARLENE HOLZHAUSEN
  • Data: 25/10/2019
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  • Este trabalho propõe uma leitura da obra Der Jasager und der Neinsager [Aquele que diz sim e Aquele que diz não], peça didática e ópera escolar, escrita por Bertolt Brecht em parceria com Kurt Weill, que se afasta tanto de uma análise a partir dos parâmetros consolidados para o teatro épico, como da chave marxismo-dialética, reconhecida e estudada como mote de várias peças, as didáticas sobretudo. Pretende-se desenvolver uma leitura genealógica, a fim de se recuperar o Gestus transgressor de Brecht e explicitar a potência de sua obra, acessível justamente quando se desvia de pressupostos que lhe oferecem uma imediata legibilidade. A peça foi escrita progressivamente, entre os anos de 1930 e 1931, durante a República de Weimar, a partir de uma tradução de Elisabeth Hauptamann, colaboradora de Brecht, para a peça Taniko, e por sugestão de Weill por ocasião do festival de música experimental de Baden Baden. Esse percurso transformou o que era inicialmente Der Jasager [Aquele que diz sim] (1930) em Der Jasager und Der Neinsager [Aquele que diz sim e Aquele que diz não] (1931), passando por uma contra peça, Die Maßnahme [A medida] (1930), com base nos diversos comentários e críticas decorrentes de suas apresentações. A partir dessas constatações, elabora-se um estudo dos bastidores dessa experimentação, do processo de concepção progressiva do texto dramático, bem como da combinação de poéticas sugeridas pela inventiva

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  • RAQUEL BORGES DIAS
  • O processo de criação da tradução da peça "Statements After An Arrest Under The Immorality Act", de Athol Fugard

  • Data: 06/12/2019
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  • "Statements after an arrest under the Immorality Act" (1974), obra do dramaturgo, romancista e diretor sul-africano Athol Fugard (1932 - ), mundialmente conhecido por seu engajamento em questões políticas e direitos humanos, reflete a consciência social do autor frente ao contexto em que a África do Sul se encontrava na década de 1970 (O’NEIL, 2004), época em que o Apartheid ainda vigorava. Considerando a grande importância da obra de Fugard para a literatura, o texto dramático em questão foi traduzido do inglês para o português pelo Grupo de Pesquisa da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Tradução, Processo de Criação e Mídias Sonoras em 2011. A análise do referido processo de criação foi desenvolvida a partir do embasamento teórico-metodológico da crítica genética, ou, como é mais conhecida atualmente, dos estudos de processos de criação. Para tanto, partimos do conceito de que esse campo de pesquisa focaliza o ato de produção/escritura de uma obra, tendo por objeto os manuscritos que delineiam a dinâmica criadora do texto em devir, a fim de descrever e explorar sua criação (GRÉSILLON, 1994). Assim, buscamos reconstituir o percurso da tradução do referido texto de Fugard do inglês para o português, com o objetivo de nos aproximarmos da forma como a nova obra foi concebida e realizada, através da análise dos manuscritos deixados pelos tradutores (BIASI, 2000). Com o desenvolvimento dos estudos genéticos nos últimos anos, o conceito de manuscrito tem se ampliado e, assim, o presente estudo focaliza a análise de documentos de processo criados em meio digital. Além disso, foi possível fazer reflexões sobre aspectos culturais, bem como, sobre o contexto social, político e histórico da obra traduzida. Trabalhamos com o conceito de funcionalidade da tradução, em que pudemos refletir acerca da função do texto traduzido na cultura de chegada (VERMEER, 2014 [1984]). Estudos sobre estrangeirização e domesticação também foram relevantes para a investigação aqui delimitada (VENUTI, 2002), de forma que pudemos verificar indícios dessa gênese nos seus documentos de processo que auxiliaram na análise do processo criativo em questão.

2018
Dissertações
1
  • SUSI LEOLINDA ROSAS QUEIROZ
  • A ITÁLIA EM CONTOS, HISTÓRIAS E BALADAS DE PIUMINI: UMA VIAGEM INTERSEMIÓTICA DA PÁGINA AO AUDIOLIVRO

  • Orientador : ALVANITA ALMEIDA SANTOS
  • Data: 17/05/2018
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  • A tradução, vista como um processo de recriação, exige do tradutor uma série de estratégias e escolhas. Quando se trata de tradução intersemiótica, essas escolhas estão condicionadas também às características materiais e operacionais da nova mídia. O presente trabalho tem o propósito de refletir, através da realização de uma tradução do livro infantil Italia storie, ballate e racconti, em língua italiana para audiolivro em língua portuguesa, sobre o processo de tradução de uma obra impressa para uma mídia sonora. O livro do escritor Roberto Piumini, publicado em 2013, conta a viagem de um menino por toda a Itália, região por região, conhecendo arte, natureza e tradições, sempre acompanhado de uma figura icônica do imaginário regional e nacional. A tradução foi realizada sob o aparato teórico da Skopostheorie, proposta pelo linguista Hans Vermeer e mais tarde retomada por Christiane Nord, dos conceitos de Domesticação e Estrangeirização, do teórico Lawrence Venuti, e da reflexão sobre a posição do audiolivro no polissistema literário brasileiro, a partir da teoria desenvolvida por Itamar Even-Zohar, destacando a função inclusiva da mídia. Esta dissertação visa, deste modo, contribuir com os Estudos da Tradução, especificamente no campo da tradução para mídia sonora, e favorecer o encontro cultural entre Brasil e Itália.

2
  • MARINILDA GOMES DOS SANTOS
  • CARTOBIOGRAFIA POÉTICA DE JÔNATAS CONCEIÇÃO DA SILVA

     

  • Orientador : LIVIA MARIA NATALIA DE SOUZA SANTOS
  • Data: 14/06/2018
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  • O presente trabalho se propôs a construir traços de uma narrativa biográfica do poeta baiano Jônatas Conceição da Silva através da análise de um corpus composto por textos críticos e literários, fotografias e entrevistas, levantando ilações e interpretações entre essas distintas textualidades. Chamaremos aqui esse movimento de cartobiografias poéticas, que seria uma forma de, respeitando as dispersão dos traços biográficos, desenhar roteiros possíveis para contar a história do sujeito, acionando a escrita literária como um suplemento (DERRIDA, 1966) na construção de sua cartobiografia. Para tanto, serão estudados os livros Miragem de engenho & Outras Miragens (1989) e Vozes Quilombolas (2004), além de outros escritos do autor publicados em coletâneas como os Cadernos Negros e periódicos da época. Como base teórica foram utilizados conceitos de autoficção discutido por Diana Klinger (2008), de biografema de Roland Barthes (2012), de intelectual proposto por Gramsci (1982) Bobbio (1997) e Said (2005), além dos teóricos Frantz Fanon (2008) Muniz Sodré (1999) e Neusa Santos (1983) para pensar questões de raça.

3
  • PATRÍCIA MARIA DA SILVA
  • A VULVA ABSOLUTA: RESSIGNIFICAÇÕES DO AMOR E DO EROTISMO NA LÍRICA DE RITA SANTANA

  • Orientador : LIVIA MARIA NATALIA DE SOUZA SANTOS
  • Data: 18/06/2018
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  • A dissertação aqui apresenta, intitulada “A VULVA ABSOLUTA": RESSIGNIFICAÇÃO DO AMOR E DO EROTISMO NA LÍRICA DE RITA SANTANA tem por objetivo fazer uma análise das concepções singulares de amor e erotismo que a escritora negra baiana nascida na cidade de Ilhéus, Rita Santana, traz em seus poemas. O estudo se faz articulando as representações acionadas por Santana em contraste com os estudos psicanalíticos de base freudiana. Na tentativa de problematizar, reavaliar e refletir melhor o tema proposto faz-se necessária a ressignificação de alguns conceitos psicanalíticos propostos nas teorias freudianas, conceitos esses que são rediscutidos por Birman (1999), mas que, ainda assim, não dão conta da subjetividade negro feminina e, por este motivo, precisam ser deslocadas e novamente ressignificadas. deslocando o eixo de poder do falo-pênis para a palavra-vulva, que aqui funciona como um falo, Santana nos aponta uma outra possibilidade de lírica, que não se quer submissa aos padrões e estereótipos comumente associados à escrita de mulheres. NA lírica, o fazer poético torna-se então um espaço de ressignificação de si. Para o desenvolvimento da dissertação investi num estudo que, fazendo um entrecruzar entre Amor, Erotismo, literatura negro feminina e psicanálise, resultou em um trabalho que discute e problematiza o apagamento da subjetividade da mulher negra também no âmbito da psicanálise, desnudando a maneira como a poeta em questão tem contribuído para a construção dessa subjetividade - há tanto negada ao corpo negro feminino. Um trabalho de fôlego e de relevância no contexto da Literatura Negra Contemporânea. Para levar a termo este estudo dialogamos com o pensamento de teóricos como Chimamanda Adiche (2009), Foucault (2015), Angela Davis (2016), Audre Lorde (2016[1977]), Neusa Sousa (1983), Fanon (2008) em diálogo com analises dos poemas da autora retirados dos livros Tratado das veias (2006) e Alforrias (2012).

4
  • PEDRO SOUZA SENA
  • LIRICAOS: A POESIA DE SANDRO ORNELLAS

  • Orientador : LIVIA MARIA NATALIA DE SOUZA SANTOS
  • Data: 19/07/2018
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  • Esta dissertação de mestrado, intitulada LIRICAOS: a poesia de Sandro Ornellas, consiste do esforço em: apresentar uma síntese da trajetória e dos momentos que antecederam o que agora convém ser chamado de LIRICAOS, estudando, desde sua estrutura conceitual às suas atribuições mais específicas; e, ao fim e ao cabo, discutir lírica, corpo, cidade, literatura, subjetividade, caos, cultura, todos, eixos temáticos que, conforme os poemas selecionados provocam as discussões, serão abordados fazendo uso de operações de leitura embasadas por fundamentações de natureza, basicamente, filosófica, teórica e cultural. Sandro Ornellas, é natural de Brasília-DF, residente em Salvador-BA, é professor do setor das Literaturas de Língua Portuguesa da Universidade Federal da Bahia, tem três livros de poemas publicados e um de ensaios, além de manter ativo o blogue sandroornellasblogue.wordpress.com. Sua lírica revela um minucioso trato com a linguagem, aliando a densidade de referências e questões filosóficas, teóricas e culturais contemporâneas, a uma escrita cuidadosa que chama a atenção por saber “degustar” as filigranas dos fazeres poéticos.

5
  • POLLIANNA DOS SANTOS FERREIRA SILVA
  • ESCRITORAS FEIRENSES: O CASO ALCINA DANTAS (1895-1974)

  • Orientador : NANCY RITA FERREIRA VIEIRA
  • Data: 17/08/2018
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  • Este trabalho objetiva reunir e analisar parcela da produção literária publicada pela poetisa e artista baiana Alcina Dantas (1895-1974), em periódicos da cidade de Feira de Santana (BA) e Itaberaba (BA). Esta pesquisa, de fontes primárias, pretende discutir a atuação da intelectual em periódicos como Folha do Norte (1909), Folha da Feira (1933-1935), Gazeta do Povo (1959-1960), O Itaberaba (1926-1954), entre outros. Com o intuito de compreender a contribuição dessa poetisa para a escrita de mulheres em Feira de Santana, foram incluídas escritoras contemporâneas de Alcina Dantas, tais quais Edna Teixeira (19?-19?), Georgina de Mello Erismann (1893-1940), Florísia Arlete (1921-), Rosa de Portugal (1903-19?), Aita (19?-19?) e Zoíla Ribeiro Chagas (19?-19?). Essa análise inicia-se com uma reflexão sobre a pesquisa de resgate de autoras, que surge a partir de questionamentos de estudiosas feministas norte-americanas, com relação à ausência de mulheres no cenário da literatura prestigiada no Ocidente, tais quais Sandra Gilbert e Susan Gubar. No Brasil, tal discussão será realizada por Zahidé Muzart (1995; 2004; 2009), Constância Lima Duarte (2003; 2007; 2010), Ívia Alves (2002; 2006), dentre outras pesquisadoras. Dessa forma, o presente estudo alinhase aos trabalhos desenvolvidos, no Brasil, pela denominada pesquisa de Resgate de autoras. Assim, seguindo essa linha de pesquisa, foi realizada uma contextualização acerca da história das mulheres feirenses da primeira metade do século XX, a fim de entender a trajetória de Alcina Dantas, cujas atuações em vários espaços artísticos dessa cidade, tais quais o Cine-Teatro Santana e a Rádio Cultura foram marcantes. Por fim, foram estudadas parte das produções literárias dessa poetisa, angariadas ao longo dessa pesquisa, evidenciando, a partir de seus textos, a sua relevância no seu contexto sócio-histórico. Isso porque ela trata, entre outros temas, dos direitos das mulheres em Feira de Santana, na primeira metade do século passado.

6
  • ROSANA ALMEIDA JUNQUEIRA
  • A DOBRADIÇA INTERFACE ENTRE A LITERATURA E AS ARTES PLÁSTICAS NO ROMANCE STELLA MANHATTAN

  • Orientador : LIGIA GUIMARAES TELLES
  • Data: 31/08/2018
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  • O enlace entre a literatura e as artes plásticas tem como palco o romance Stella Manhattan do escritor Silviano Santiago. Essa dobradiça interface é apresentada quando o autor dedica a criação dos seus personagens aos Bichos de Lygia Clark e à série La Poupeé, do escultor surrealista Hans Bellmer. É nessa interface que surge uma narrativa travestida, irreverente e pujante sobre a organicidade e a desarticulação do corpo. O romance Stella Manhattan é um elogio ao movimento de resistência do corpo. É nessa perspectiva que o diálogo entre as linguagens se constitui como um dispositivo que promove a criação de personagens marcados por uma afirmação contínua do desejo. As personagens dobradiças de Silviano Santiago são corpos que lutam contra o peso de uma sociedade heteronormativa e excludente. Seus corpos desejam a descontinuidade da opressão, por isso carregam a bandeira do Maio 68 e do movimento Stonewall. No intuito de denunciar a domesticação do corpo, essas máquinas desejantes fazem com que o fluxo dos movimentos coletivos, que valorizam a diferença, perpetue-se na busca de uma nova subjetividade e outros modos de existência.

7
  • BRUNO CARVALHO DE AQUINO SILVA
  • O TRÁGICO ENTRE NÓS: UMA CARTOGRAFIA DOS ELEMENTOS E EFEITOS DE TRAGICIDADE EM ADEUS, VELHO E UM TÁXI PARA VIENA D ÁUSTRIA DE ANTÔNIO TORRES

  • Orientador : ANTONIA TORREAO HERRERA
  • Data: 11/09/2018
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  • Este trabalho consiste na análise dos romances Adeus, Velho (1981) e Um táxi para Viena d’Áustria (1991) do escritor Antônio Torres com o objetivo de estabelecer um mapeamento, nas duas obras, dos deslocamentos e recriações de seus elementos literários naquilo que entendemos como efeitos de tragicidade. Os efeitos de tragicidade são leituras possíveis dos acontecimentos, momentos e eventos da narrativa que se aproximem de características do trágico. Esse conceito, embora não seja novo na teoria, está sistematizado aqui através de uma delimitação bibliográfica que permita uma compreensão da questão do trágico fora da tragédia grega, mas sem a ela renunciar. Compreende-se o trágico não só no seu valor historicamente e teoricamente clássico, mas sobretudo no seu lugar pertencente ao contínuo que é a literatura. A autobiografia e os elementos autobiográficos se inserem nesse processo como realçadores de uma visão de predestinação e fatalidade que é demonstrada pelo autor e que se infiltra para a sua obra e seus personagens. Predestinação e fatalidade são, inclusive, caracteres tidos pela teoria como notoriamente trágicos, o que evidencia e viabiliza, portanto, um primeiro deslocamento no sentido de uma recriação do trágico enquanto efeito na vida. Esse intrincado jogo de caminhos, ressignificações e movimentos se situa diversamente entre o romance e o trágico, entre o antigo e o contemporâneo, entre o autor e sua obra mas, sobretudo, entre o narrador e o narratário. Dentro das delimitações propostas, esse trânsito será discutido aqui através das bibliografias literária e teórica e de materiais de suporte, tais como entrevistas, artigos, depoimentos e discursos, por exemplo. Esses materiais auxiliam a compreender também o caráter de Escritor múltiplo do autor, ou seja, como a sua literatura interage com os aspectos de sua vida, carreira e trajetória acadêmica. A literatura aparece em grande parte do trabalho como aliada da teoria, a fim de que as questões e afirmações feitas não se situem somente na abstração teórica, mas também na reflexão e contemplação do texto literário, nosso primeiro e definitivo objeto de estudo e prazer.

8
  • HILDA FERREIRA DA COSTA FRANÇA
  • TRADUZINDO MAYA ANGELOU: POESIA E ATIVISMO POLÍTICO NEGRO-FEMINISTA

  • Orientador : DENISE CARRASCOSA FRANCA
  • Data: 26/09/2018
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  • A tradução e a análise da poesia e do ativismo político negro-feminista de Maya Angelou vêm a atender as novas demandas de tradução de textos afrodiaspóricos no Brasil, ao buscar respeitar, por exemplo, as marcas culturais e identitárias impressas no trabalho da autora. Nesse sentido, esse trabalho tem a finalidade de, genealogicamente, situar Maya Angelou na história da poesia e do ativismo afro-americano e realizar a tradução de alguns poemas da autora, presentes na obra Just Give me a Cool Drink of Water „Fore I Diiie, seu primeiro livro de poemas publicado em 1971. A princípio, tais objetivos foram organizados levando em consideração os dados sobre o início da poesia afro-americana nos Estados Unidos, em paralelo ao ativismo político dos afro-americanos. Em seguida, houve a problematização acerca da existência da poesia afro-americana, desde o seu surgimento até a chegada dos autores mais recentes, período onde Angelou está inserida. Por fim, foi feita uma discussão sobre o cenário da tradução de textos negros no Brasil e a tradução de cinco poemas de Maya Angelou. Essas três partes do trabalho foram embasadas por teóricos como Jerry W. Ward Jr. (1997), Toni Martin (1976), Jeffrey B. Ferguson (2008), Leda Martins (2003), Louis Gates (1990), Cuti (2002), Denise Carrascosa (2017), Ana Lúcia Souza (2011), Stuart Hall (1996), Gayatri Spivak (2010), Raquel de Souza (2017), Hampaté Bâ (2010) e Lawrence Venuti (2002). Tais autores, de maneira suplementar, têm possibilitado teorizar sobre as questões relativas às temáticas trazidas ao longo do trabalho, de modo a favorecerem a criação de novas ideias e discussões para a tradução literária de textos afrodiaspóricos no Brasil. As perspectivas advindas dessas reflexões ganharam forma, sobretudo, na parte das traduções, a partir da emersão das análises críticas dos poemas traduzidos, ao buscar pôr as culturas afrobrasileira e afro-americana em diálogo, considerando tanto os aspectos estéticos dos poemas, como a sua visualidade e sonoridade, quanto os seus aspectos políticos, históricos e identitários.

9
  • SANDRA DE JESUS DOS SANTOS
  • SOB CUSTÓDIA E O JEJUM E A FESTA: AS RELAÇÕES DE PODER E A DESCOLONIZAÇÃO DOS SUJEITOS EM ANITA DESAI.

  • Orientador : ANTONIA TORREAO HERRERA
  • Data: 12/12/2018
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  • Os estudos pós-coloniais cresceram, exponencialmente, na segunda metade do século XX, corroborando com o quadro político-social de descolonização de colônias africanas e asiáticas e, sobretudo, pela efervescência das rupturas epistemológicas fomentadas e debatidas por intelectuais em vários campos como os estudos culturais e os estudos subalternos. Neste contexto, a escritora e intelectual indiana, Anita Desai, produz obras ficcionais, as quais acentuam o cenário sócio-cultural da Índia pós-independência. Mediante uma narrativa com traços psicológicos, Desai pode apresentar uma Índia híbrida e cheia de contrastes, a qual, por um lado, possui um olhar sobre sua cultura filosófica hindu e, por outro lado, fita os olhos no presente e gradativo processo de descolonização. Ao analisar os romances In Custody (1984), traduzido no Brasil como Sob Custódia (1988) e o romance Fasting Feasting (1999), traduzido em Portugal por O jejum e a Festa (1999), percebe-se o hibridismo identitário dos sujeitos, cujas existências estão atravessadas e, por vezes, subalternizadas por estruturas de poder, oriundas tanto da colonização britânica quanto da tradição indiana. Nestas narrativas da autora diaspórica, Anita Desai, é abordada a multiplicidade cultural presente na Índia, com suas diversas línguas e religiões e, são, também, salientados, os deslocamentos epistêmicos e subjetivos dos indivíduos pós-colonizados. A partir das questões apresentadas, a presente pesquisa objetiva analisar os romances Sob custódia (1988) e O jejum e a Festa (1999) com o intuito de perceber, nos diversos elementos narrativos, a resistência dos sujeitos pós-coloniais frente a estruturas de poder na Índia independente. A pesquisa busca, também, mapear as estratégias intelectuais e criativas de Desai e progredir na reflexão teórica sobre a representação da intelectual diaspórica na contemporaneidade, delineando os aspectos sócio-históricos, cuja presença atravessa a prosa da escritora indiana.

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  • FELIPE SOUZA MENEZES
  • SOBRE OS SEIOS QUE JORRAM OS RIOS NEGROS: TRADUÇÃO E FEMINISMO NEGRO EM DEATH AND THE KING’S HORSEMAN.

  • Orientador : DENISE CARRASCOSA FRANCA
  • Data: 19/12/2018
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  • Neste trabalho, eu discuto sobre as questões políticas no campo dos Estudos de Tradução a fim de pensar os aspectos da cultura negra como forma de produção epistemológica neste espaço.  Trazendo para o jogo a perspectiva de Tradução de Encruzilhada, traço um projeto de tradução afro-centrado que se constitui a base teórico-metodológica para o primeiro esboço da tradução que faço da peça Death and The King’s Horseman, escrita pelo intelectual nigeriano Wole Ṣoyinka. A partir da tradução da peça, faço uma análise dos seus aspectos constitutivos, direcionando-me, maiormente, pelas linhas do pensamento negro feminista, observando a construção das personagens femininas no enredo do texto literário. Neste espaço de interação, conduzo um diálogo reflexivo negro-feminista que unem os pontos do atlântico negro, trocas solidárias de encruzilhadas Negros Estadunidense, brasileiras e continental-africanas.

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  • ESTER DA ANUNCIAÇÃO DUARTE
  • O LUGAR DA ENTREVISTA NA PRODUÇÃO DE SILVIANO SANTIAGO

  • Orientador : LIVIA MARIA NATALIA DE SOUZA SANTOS
  • Data: 20/12/2018
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  • O fazer do intelectual é hoje uma questão que gera muita discussão por conta das novas
    demandas de reorganização socioeconômica experimentadas na era digital. A sociedade tem
    cada vez mais se organizado para retomar uma representatividade que coincida com a sua
    experiência, o que levanta uma suspeita sobre a utilidade de haver um representante cultural na
    contemporaneidade. Alguns críticos apresentaram considerações sobre a atuação do intelectual,
    de acordo com seus respectivos contextos-históricos, as quais irão nortear as análises
    construídas nesse estudo sobre a atuação do escritor Silviano Santiago enquanto intelectual
    disposto a exercer uma mediação cultural no seu país e na América-Latina. Esse autor construiu,
    ao longo do seu exercício docente e artístico, uma crítica literária que vai na contramão da
    legitimação dos clássicos e traz toda uma teoria que potencializa a fissura com as noções de
    dependência cultural, dívida, de identidade nacional coerente. Por conta disso, a sua produção
    passa a compor as grades curriculares das Universidades brasileiras, além de possuir um diálogo
    bem fluido com os principais pensadores latino-americanos. O que esse estudo traz como
    contribuição para o estudo sobre a atuação intelectual desse escritor é a análise proposta sobre
    o lugar que a entrevista possui junto à sua produção; quais os elementos envolvidos na sua
    construção; como ela participa para a divulgação do saber; qual a sua composição, enquanto
    instrumento midiático; quais as demandas às quais ela é submetida, dentre outras questões.

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  • LAURA DE OLIVEIRA SANTOS ALVES
  • AUTOFICÇÃO E LOUCURA EM TODOS OS CACHORROS SÃO AZUIS, DE RODRIGO DE SOUZA LEÃO

     

  • Orientador : NOELIA BORGES DE ARAUJO
  • Data: 20/12/2018
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  • Estudo sobre as formas de irrupção do discurso da loucura na obra Todos os cachorros são azuis, de Rodrigo de Souza Leão. A pesquisa tem como foco as próprias vozes daqueles que são perseguidos por terem um diagnóstico de esquizofrenia ou por apresentarem um comportamento deslocado do discurso da racionalidade. Investiga-se a expressão da escrita de si, intitulada “autoficção”, como uma forma de apoderamento do discurso. Debate-se o termo “autoficção”, na perspectiva da literatura da urgência, proposta por Luciana Hidalgo. O trabalho propõe-se ainda a pensar sobre a dor como poética, sob o olhar filosófico de Arthur Schopenhauer, analisando a possibilidade de transgressão e resistência que incide sobre a questão da loucura na obra de Leão. Apresenta-se um recorte sobre o caminho da construção do discurso da loucura e suas vivências sob a ótica de Michel Foucault, mostrando como ela se apresenta no corpusestudado. Trabalha-se com a ideia de escrita “alucinatória” em Leão, propondo uma leitura que apresenta os descaminhos de sua escrita. Espera-se ratificar a sua literatura como obra de arte que desenvolve e evidencia as infinitas possibilidades de resistir e de viver diante das singularidades, deuses e demônios que existem em cada alma humana.

     

13
  • ERNESTO DA SILVA NASCIMENTO NETO
  • MALCOLM X: TRADUÇÃO DOS DISCURSOS, DEBATES E ENTREVISTAS EM CONEXÃO COM ÁFRICA E SUA DIÁSPORA NO ATLÃNTICO NEGRO

  • Orientador : DENISE CARRASCOSA FRANCA
  • Data: 21/12/2018
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  • A presente pesquisa, do tipo qualitativa, propõe-se a traduzir do inglês para o português
    os discursos, entrevistas e debates de Malcolm X (1925-1965), líder dos Direitos Civis
    nos Estados Unidos. Para a realização deste trabalho selecionou-se 37 discursos, 12
    entrevistas, 3 debates e 1 carta. O eixo teórico metodológico para a análise dos textos foi
    realizado a partir do conceito de epistemologia do lugar, uma análise afrocentrada, teoria
    desenvolvida pelo professor Dr. Molefi Kete Asante (1980). No cerne da teoria
    afrocentrada está a ideia de que o sujeito africano foi deslocado em termos culturais,
    psicológicos, econômicos e históricos. Deste modo, qualquer avaliação de sua condição
    deve ser feita com base em uma localização centrada na África e sua diáspora. Além dessa
    teoria, também foi utilizado o conceito afrodiasporicidade elaborado pela Prof. Dra.
    Denise Carrascosa (2017). O conceito de afrodiasporicidade se refere à força agonística
    que destitui e reconstitui territórios, através de deslocamento, movimentações e reversões,
    se projetando como potência contemporânea. Esses conceitos possibilitaram estabelecer
    aproximação teórica com o texto oral de Malcolm X na realização desse trabalho de
    tradução, tentando, na medida do possível, considerar todas as especificidades presente
    neste tipo de texto.

Teses
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  • MARCELA RODRIGUES SOARES
  • ALEGORISTAS CONTEMPORÂNEAS: IMAGENS DO PENSAMENTO NAS LÍRICAS DE MAYRANT GALLO E GONÇALO M. TAVARES

  • Orientador : SANDRO SANTOS ORNELLAS
  • Data: 06/04/2018
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  • Os estudos de Walter Benjamin acerca da alegoria imprimiram uma nova noção acerca
    dessa figura de pensamento. Primeiro, ao estudar o drama trágico do período barroco, o
    filósofo distinguiu a alegoria do símbolo, enfatizando que a linguagem simbólica é imbuída
    da ideia de significado pleno e eterno. A reabilitação da alegoria se deu pelo reconhecimento
    de sua instabilidade de significados, e a profusão da temporalidade e da história.
    Posteriormente, ao analisar a obra poética de Baudelaire, Benjamin conseguiu captar a
    transitoriedade inerente à alegoria na temática da cidade e da modernidade, explorada pelo
    poeta francês. Associada à ideia da alegoria, Benjamin ainda apresenta concepção sobre a
    aura, a categoria do flâneur, a noção de fantasmagoria, de rastro, a experiência vivida de
    choque e a melancolia. A alegoria deixa de ser vista como mero recurso estilístico para ser
    encarada como forma de pensar. Na contemporaneidade, a aproximação temática com o
    cotidiano e a narratividade presente nos poemas reabilitam novamente esse modo de pensar
    por imagens. Propôs-se, então, nesta tese, utilizar a alegoria como procedimento para a leitura
    da poesia contemporânea de Gonçalo M. Tavares e Mayrant Gallo, bem como analisar as
    imagens que a alegoria evoca nessas poesias. Empreendeu-se, portanto, um estudo
    comparado, buscando identificar pontos de convergência e distanciamento no que tange ao
    uso da alegoria por esses poetas. Para isso, intentou-se observar a recorrência de certas
    imagens dentro das temáticas da cidade, do tempo e da morte que denunciam esses poetas
    como alegoristas.

2
  • EVELIN BALBINO DO NASCIMENTO
  • Pelos caminhos encantados – Uma leitura dos contos de Mia Couto

  • Orientador : CASSIA DOLORES COSTA LOPES
  • Data: 30/04/2018
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  • Esta tese versa sobre o tema do reencantamento do mundo através da linguagem poética, tendo como corpus de análise um conjunto de contos do escritor moçambicano Mia Couto, além de palestras, aulas públicas e entrevistas que expõem a compreensão do autor sobre oconceito de reencantamento. Para tanto, acredita-se que o projeto literário de Couto procura revisar a relação do homem com alguns alicerces conceituais caros ao escrutínio acadêmico, tensionando-os: a ciência, o corpo, o animal, o divino e a morte. As obras lidas pela tese são Vozes Anoitecidas (1986), Cada Homem é uma Raça (1990), Estórias Abensonhadas(1994), Contos do Nascer da Terra (1997), Na Berma de Nenhuma Estrada (1999) e O fio das Miçangas (2003). Acredita-se que, desafiando o leitor através de narrativas sobre corpos voláteis e a arquitetura dos sonhos e da imaginação, por exemplo, Couto expõe uma coerente proposta artística em torno do reencantamento do mundo através da literatura. A análise buscará caminhos teóricos sugeridos pelos textos literários, tentando continuamente redimensionar veredas interpretativas que cerquem as relações entre textos em língua portuguesa, através da análise comparativa.

3
  • TATIANE ALMEIDA FERREIRA
  • A CONSTRUÇÃO DA IMAGEM DA BAHIA TURÍSTICA EM BAHIA DE TODOS OS SANTOS: GUIA DE RUAS E MISTÉRIOS, DE JORGE AMADO

  • Orientador : ALVANITA ALMEIDA SANTOS
  • Data: 22/06/2018
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  • A presente tese busca realizar uma leitura das imagens que ajudaram a construir a imagem turística da cidade do Salvador na obra Bahia de Todos os Santos: guia de ruas e mistérios, de Jorge Amado, a partir das suas principais edições, a primeira de 1945 ilustrada por Manuel Martins, e a edição de 1977, atualizada em seu texto verbal e ilustrada por Carlos Bastos. A obra vai sofrer mudanças a fim de acompanhar as transformações urbanas e culturais que se operavam na cidade do Salvador quando novas ações de incentivo à cultura e ao turismo foram pensadas para a cidade, bem como a efervescência cultural em torno da ideia de baianidade e a preocupação em criar um imaginário cultural e, consequentemente, uma imagem para a Bahia que serviria de fomento ao turismo. Partimos do pressuposto de que o escritor sempre idealizou uma imagem para a capital baiana, com a conjugação da paisagem arquitetônica e dos elementos humanos que a constituem, permitindo, portanto, investigações que entendam por que a imagem dessa cidade sempre foi uma preocupação para as elites econômicas, intelectuais, para os artistas, escritores, políticos e empresários. Pensando no recorte temático para a pesquisa, buscamos responder as seguintes questões: De que modo o diálogo entre a palavra e a imagem ajudaram na construção da imagem turística da Bahia no guia Bahia de Todos os Santos? Como os contextos históricos de 1945 e 1977 influenciaram na criação de uma imagem fixa para a Bahia? Como cada ilustrador fez essa leitura da Bahia criada por Jorge Amado? O que é apresentado nas representações ora real, ora ficcional e imagética leva à manutenção do discurso criado sobre a Bahia em representações contemporâneas? Por esse viés, a discussão aqui proposta se debruça sobre as visões empreendidas pelo guia turístico de Jorge Amado, em suas duas edições, que mesclam realidade e ficção quando poetizam, ficcionalizam os espaços da cidade em alguns momentos. Utilizamos essas narrativas para compreender como o olhar sobre ela foi construído. Na busca por respostas, este trabalho tem uma vertente interdisciplinar e transdisciplinar, ao fazer as leituras interpretativas da obra tomando às considerações críticas e teóricas dos estudos urbanos e arquitetônicos, dos Estudos Culturais, dos estudos foucaultianos sobre análise arqueológica do discurso, com a sua abordagem histórica, cujas categorias principais são o discurso e o enunciado que serviram para compreender de que modo o conteúdo escrito do guia se apresenta nas imagens das capas e nas ilustrações do livro, bem como para apresentar uma leitura do discurso criado no diálogo entre o texto verbal e os textos visuais, para verificar as repetições de uma imagem sobre a Bahia nas diferentes edições do livro e em seu diálogo com as representações contemporâneas. A obra incita diversos caminhos de interpretação e fomos conduzidos por ela a tecer algumas provocações que foram auxiliadas pelas reflexões de Derrida e Deleuze para pensar outras questões, na tentativa de realizar outras leituras dessa cidade que existe em sua forma concreta, mas que também habita o imaginário das pessoas sendo tão real quanto, porque se constituiu como verdade. O que percebemos nessa obra é o fato de o escritor se preocupar em fixar uma imagem para a cidade do Salvador em dois períodos: na década de 40 e na década de 70 em conformidade com o contexto histórico-cultural. A pesquisa permitiu identificar nas obras do corpus, cruzando com as propagandas governamentais para o turismo, a presença de uma regularidade discursiva sobre a imagem de Salvador a partir da edição de 77, retratando a cidade como cartão-postal e lócus da cultura negro-mestiça singular e autêntica, impulsionada pela festa cotidiana e pelo encantamento. A imagem construída no livro de 45 denunciava uma urbe desigual, degradada e miserável tanto nos segmentos mais pobres da sociedade quanto na destruição de seu acervo arquitetônico, por isso o escritor vai mudar, vai reconstruir a imagem da cidade na edição atualizada, justamente para fazer a Bahia se firmar como polo turístico e entrar na concorrida rota internacional.

4
  • FABIANA PRUDENTE CORREIA
  • FILOLOGIA E HUMANIDADES DIGITAIS NO ESTUDO DA DRAMATURGIA CENSURADA DE ROBERTO ATHAYDE:

    ACERVO E EDIÇÃO DE OS DESINIBIDOS

  • Orientador : ROSA BORGES DOS SANTOS
  • Data: 31/07/2018
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  • Considera-se a diversidade de práticas acadêmicas que se ocupam do texto em perspectiva
    material e histórica como panorama humanístico da Filologia para realizar uma leitura
    filológica, edição e estudo do acervo de textos teatrais censurados produzidos pelo
    dramaturgo carioca Roberto Athayde durante a ditadura militar. A partir das pesquisas
    documental e bibliográfica, isolou-se o conjunto de sete produções teatrais do autor para, a
    partir delas, organizar um dossiê referente a um dos textos, Os Desinibidos, submetido à
    Censura Federal e encenado entre 1982 e 1983. Tal dossiê é composto por documentação
    censória, textos de jornal, programa do espetáculo e publicações autorais, como contos e
    poemas que integram o texto encenado em 1983. Na interface Filologia e Humanidades
    Digitais, que compreende tecnologia digital, ciências humanas e sociais sob perspectiva
    transdisciplinar, analisou-se a história cultural das práticas de escrita e transmissão do texto
    teatral censurado e construiu-se uma hiperedição como arquivo hipermídia, disponibilizada na
    Internet através do domínio www.acervorobertoathayde.com. Intitulada Roberto Athayde:
    dramaturgia censurada, a hiperedição integra edições e acervo digital, em que se inclui o
    dossiê Os Desinibidos, para o qual se apresentam duas modalidades editoriais: uma edição
    fac-similar e uma edição sinóptico-crítica hipermídia. Caracterizados por manifestar o
    engajamento do autor em diversos temas políticos e sociais que enfrentam o senso comum da
    consciência burguesa e o conservadorismo moral brasileiro, os textos teatrais de Roberto
    Athayde, objetos desta pesquisa, produzem diversos letramentos políticos e sociais sobre
    período do golpe civil-militar de 1964-1984. Dessa forma, a hiperedição realizada, pode,
    enquanto arquivo hipermídia, promover descentramentos sucessivos da história da literatura
    brasileira, democratizando o acesso à informação e criando, através do hipertexto digital,
    novos gestos de leitura e circulação social de textos.

5
  • JULIANA OLIVEIRA LESQUIVES
  • VIOLÊNCIA COMO SISTEMA: ESTUDO DE NARRATIVAS LITERÁRIAS E CINEMATOGRÁFICAS BRASILEIRAS CONTEMPORÂNEAS

  • Orientador : ALVANITA ALMEIDA SANTOS
  • Data: 17/08/2018
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  • A temática da violência ocupou lugar importante no pensamento ocidental durante a modernidade, convertendo-se em fio condutor de análise sobre o humano e seus modos de organização social. Em se tratando da realidade brasileira e de suas manifestações culturais, a representação da violência preencheu nossas páginas e telas em toda nossa história, interesse esse que correspondeu às consequências do processo de formação da sociedade brasileira, configurado, desde o início, com base na violência que se estendeu e desenhou os caminhos de nossa formação nacional, pautada em inúmeros conflitos atrozes e denunciantes da brutalidade de nossas relações. A partir da década de 1990, no Brasil, houve um avolumamento de obras cinematográficas e literárias sobre a violência. De modo geral, as produções, em sua maioria, se dedicaram à violência policial e à violência a ela relacionada. De maneira similar, a crítica especializada também empregou boa parte de seu interesse nas análises da chamada violência subjetiva, aquela praticada na sociedade por um indivíduo identificável. Ainda que existam em número razoável, obras e críticas dedicadas ao exame da violência objetiva, aquela que o indivíduo sofre em decorrência das configurações da sociedade, de seu sistema econômico e político, não tiveram o mesmo espaço que as dedicadas aos fatos mais “aparentes” ou chocantes do fenômeno da violência. Diante desse cenário, o objetivo deste trabalho é investigar como a produção literária e cinematográfica brasileira contemporânea tem representado a violência, levando em conta seu aspecto objetivo/sistêmico/estrutural, examinando como ele é considerado pelas obras em questão. Para tanto, foram escolhidos os seguintes objetos para compor o corpus do trabalho: o filme Quanto vale ou é por quilo? (2005), dirigido por Sérgio Bianchi, o romance Estive lá fora (2012), escrito por Ronaldo Correia de Brito, e o romance Cabeça a prêmio (2003), escrito por Marçal Aquino. Nos três objetos estudados neste trabalho, percebemos como a violência é representada de formas distintas, ora privilegiando seu aspecto estrutural, ora privilegiando a questão organizacional ou situacional do problema, no entanto de modo a retratá-la por ângulos que se detêm mais nas relações e práticas que estão na base de sua produção do que em suas manifestações evidentes. A violência sistêmica a que estão submetidos os indivíduos é representada por essas obras em suas relações com a violência produzida pela exploração do trabalho, pelo Estado, pelo processo de industrialização e urbanização, pelos resquícios do sistema escravista, pelas relações políticas e sociais, pela aniquilação cultural e estratégia de esquecimento, pela negação de direitos básicos, pela imposição do tráfico de drogas e, entre outros aspectos, pelo racismo institucionalizado, que caracterizaram a participação brasileira no desenvolvimento do sistema capitalista e, consequentemente, nossa modernidade, indicando como essas representações nos ajudam a compreender a sociedade brasileira, sua formação e atual configuração.

6
  • IONÃ CARQUEIJO SCARANTE
  • PEDAÇOS DE VIDA, DE MADY CRUSOÉ: DAS TRAMAS DO ACERVO À EDIÇÃO CRÍTICA

  • Orientador : ALVANITA ALMEIDA SANTOS
  • Data: 29/08/2018
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  • A produção literária da escritora baiana Mady Crusoé é o objeto desta tese de doutoramento. O trabalho editorial realizado foi o resultado da leitura dos documentos do Acervo de Mady Crusoé (AMC) e do preparo de um inventário, que nos apontou diretrizes para apresentarmos o seu labor na construção do livro Pedaços de Vida ‒ planos, esboços, rascunhos, datiloscritos e impressos, foram peças importantes para este estudo. Partimos do inventário do acervo da autora, cujas fontes materiais nos permitiram reconstituir a sua trajetória pessoal, profissional e literária. Como foram localizados no acervo textos de tradição plural, optamos pela edição crítica de manuscritos de Pedaços de Vida – revelamos como se deu o processo de escritura de alguns textos e como se deu o trabalho da autora quando os retomou para a publicação do livro. A edição traz o texto crítico para os manuscritos selecionados, acompanhado do aparato no qual se registram as modificações textuais/autorais. Situada no lugar da Filologia, esta tese é um exemplo de que uma edição crítica vai além da ação de fixar e publicar textos, isto é, analisa situações textuais das mais diversas, tais como: as modificações autorais/textuais no processo de elaboração de um texto, o modo como este foi transcrito e transmitido, sua circulação e recepção, bem como a ação de agentes sociais que atuam na mediação editorial, entre outros. Por meio do trabalho desenvolvido, disponibilizamos aos leitores o acesso às informações relevantes sobre a produção literária madyana e sobre outros materiais do seu acervo que nos ajudaram a (re)contar também, apesar das lacunas, a sua história de vida.

7
  • ADNA EVANGELISTA COUTO DOS SANTOS
  • O PROCESSO CRIATIVO DE ALEILTON FONSECA EM NHÔ GUIMARÃES: EDIÇÃO GENÉTICA E ESTUDO CRÍTICO

  • Data: 30/08/2018
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  • O processo criativo do escritor baiano Aleilton Fonseca em Nhô Guimarães: edição genética e estudo crítico. Trata-se do primeiro trabalho de tese de doutorado sobre o escritor e sua obra. Buscou-se, através deste, fazer uma proposta de edição genética horizontal do processo de criação de Nhô Guimarães: romance-homenagem a Guimarães Rosa, a fim de projetar uma visão mais ampla sobre o perfil do escritor quanto à percepção do labor da sua escritura, bem como das múltiplas possibilidades e movimentos que um texto pode apresentar, mostrando assim toda sua mobilidade e dinâmica. Apresenta-se o autor, através de sua obra, sua vida acadêmica, e como suas vivências interferiram na construção das obras que escreveu, sua recepção crítica e as relações existentes entre autor, escritor e leitor, objetivando assim, fomentar a representatividade dos escritores baianos no cenário da literatura nacional. Seguese, então, a apresentação do romance e aspectos culturais do texto, como também, um estudo sobre os processos intertextuais presentes em Nhô Guimarães (2006) e Grande Sertão: veredas (1956). Para o tratamento do objeto de estudo, o texto, utilizou-se o olhar a perspectiva da Crítica Genética, propondo-se uma edição genética horizontal, ou seja, de uma parte considerada significativa no processo de criação textual de Nhô Guimarães, analisandose as interpolações feitas por um revisor-crítico na versão C, do dossiê genético, identificando nas versões D e E, o que foi aceito, rejeitado ou aceito parcialmente pelo autor, fomentando assim a discussão das questões de autoria e das vozes presentes no texto. O dossiê genético da obra é composto de oito versões digitoscritas, com características de manuscritos autógrafos, e um impresso, a única edição publicada em livro.

8
  • CLARISSA MOREIRA DE MACEDO
  • A TERRA EM DOIS ATOS:IMAGENS TELÚRICAS NA POÉTICA DE JURACI DÓREA E MIGUEL TORGA

  • Orientador : SANDRO SANTOS ORNELLAS
  • Data: 11/09/2018
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  • As obras de Juraci Dórea e Miguel Torga apresentam imagens telúricas, transfiguradas, muitas vezes, em sertão e em montanhas, revestidas por metáforas e com alguns desdobramentos. Essa imagética constrói uma topografia que reescreve paisagens, sugerindo significações e abordagens. O telúrico na obra desses autores – que enveredam por, além da poesia, domínios e gêneros como o ensaio e as artes visuais no caso de Dórea; o romance, o teatro, o diário e o conto, no caso de Torga – arquiteta um lugar. Na literatura, percebe-se que a imagem da terra assume diferentes acepções, variando de acordo com a perspectiva de cada autora/or. Dessa forma, após algumas leituras e hipóteses, estabelece-se a necessidade de discutirmos a imagem da terra também através da averiguação de uma geopoética (WHITE, 2016) – uma poética da terra – aliada a um pequeno levantamento do telúrico na literatura. Nesse sentido, a partir de um viés relacional – por intermédio do operador-conceito do rizoma, desenvolvido por Deleuze e Guattari (1995) –, apresento no primeiro capítulo desta pesquisa um brevíssimo panorama sobre a presença da imagem da terra no texto literário brasileiro e português de meados do século XIX até hoje. Empreendo, na segunda parte do trabalho, uma síntese sobre o telúrico na obra visual doreana e na contística torguiana. No terceiro capítulo, realizo uma leitura de poemas de Dórea e Torga em que a imagem do terral se faz presente, na tentativa de destacar afinidades e disparidades entre o trabalho dos dois artistas no que se refere ao telúrico, e de explanar como a noção de terra atua na sua literatura. Investigo a hipótese de que a imagem da terra nas obras dos escritores em pauta conforma um terceiro espaço, configurando uma imagética que demanda um entre-meio, um lugar sem precedentes, que pode conduzir a um tipo de reencantamento (MAFFESOLI, 2002). Utilizo, para tanto, um conto de Guimarães Rosa (2016) transformado em operador de leitura, textos de Deleuze e Guattari (1977; 1992; 1995; 1997; 2005), dentre outros.

9
  • LUIZ CARLOS DE SOUZA
  • PRECISAMOS CONVERSAR SOBRE O ALFRED: A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NOS FILMES DE HITCHCOCK

  • Orientador : NANCY RITA FERREIRA VIEIRA
  • Data: 13/09/2018
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  • A Tese pretende investigar a violência contra a mulher como componente estratégico ao suspense hitchcoquiano. A audiência é convocada a assumir uma posição pautada por uma dualidade, pois, num primeiro momento, a audiência simpatiza com as mulheres hitchcoquianas em situações de perigo, motivado por agressão. Porém, a partir do uso da linguagem cinematográfica, usada como elemento a acionar uma misoginia constitutiva das sociedades ocidentais e, portanto, presente na audiência, a narrativa hitchcoquiana convoca o espectador a demandar por cenas de agressão às mulheres. Dentre os filmes analisados, encontram-se: Downhill (1927), O Ringue (The Ring, 1927), O Inquilino Sinistro (The Lodger, 1927), Chantagem e Confissão (1929), O Agente Secreto (Secret Agent, 1936), A Estalagem Maldita (Jamaica Inn, 1939), Correspondente Estrangeiro (Foreign Correspondent, 1940), Interlúdio (1946), Pacto Sinistro (1951), Disque M para Matar (Dial M for Murder, 1954), Janela Indiscreta (Rear Window, 1954)Intriga Internacional (North by Northwest, 1959), Psicose (Psycho, 1960), Os Pássaros (The Birds, 1963), Topázio (Topaz, 1969) e Frenesi (Frenzy, 1972).

10
  • JOABSON LIMA FIGUEIREDO
  • Cartografia Culturais Baianas: identidade, memória e gênero nos romances de Herberto Sales

  • Orientador : ALVANITA ALMEIDA SANTOS
  • Data: 24/09/2018
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  • Este estudo é o resultado de uma pesquisa que possui em seu esteio os romances de Herberto Sales. O ponto de convergência considerado é a cartografia cultural baiana. A pesquisa foi realizada com o propósito de analisar as representações culturais em três romances do escritor baiano: Os Pareceres do tempo (1984), Cascalho (1944) e A prostituta (1996). Esperamos apresentar uma cartografia de representações da cultura baiana nos três romances, a evidenciar discursos identitários nas obras, na interface dos aspectos discursivos com as temáticas histórica e de gênero. O estudo identificou uma consonância do plano literário com o social, sem, é claro, considerar a literatura meramente como reflexo da sociedade e da situação histórica. O ponto de contato se daria no aspecto em que o discurso acerca das representações da cartografia cultural baiana nos romances herbertianos, como narrativa que é dentro do gênero romanesco, assume importância capital, fazendo do cronista um sujeito histórico, um narrador da história, segundo Walter Benjamin. Identifica-se com a cidade e nela se abriga, construindo, com sua obra, um mapa literário-geográfico da Bahia – uma cartografia literária, metáfora e tecido da sua existência. Na construção da tese, utiliza-se como referencial teórico-metodológico, a Literatura em diálogo com a História, a partir desses e de outros teóricos, os da linha investigativa proposta, essencialmente, chega-se à conclusão de uma forte relação com a Bahia do autor, numa relação concreta de amor ao lugar, liga-se a Cidade da Bahia e às Lavras Diamantinas. Na esteira de textos teóricos de MOURA (2011), VILMA (2008), ARAUJO (2008), CHARTIER (1991), BENJAMIN (1980; 2014), RISÉRIO (1993;1995;2004), et alli. Dessa forma, tal como sua obra, Herberto Sales opera na construção de seu lugar no mundo e, ao mesmo tempo, contribui para a identidade cultural, social, histórica e política da Bahia. 

11
  • MARIANA ANDRADE GOMES
  • CAMINHOS DO CÔMICO EM ESCRITAS CABO-VERDIANAS NOS SÉCULOS XX E XXI: DAS NARRATIVAS DE MESTIÇAGEM AO RISO POLÍTICO EM GERMANO ALMEIDA E MÁRIO LÚCIO SOUSA

  • Orientador : MARIA DE FATIMA MAIA RIBEIRO
  • Data: 19/10/2018
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  • Não necessariamente engraçado, tampouco apenas entorpecedor, muito menos exposto de forma instintiva ou irracional, o riso pode ser compreendido e utilizado por/sob vários aspectos, mas nesta tese ele é lido em seu viés político-ideológico. Sob esta perspectiva, a abordagem adotada pelo presente estudo interpreta o cômico em sua implicação e responsabilidade social, assim como preconiza Wole Soyinka (1988), ao defini-lo, também, enquanto recurso de conscientização e enfrentamento das estruturas de opressão. Complementarmente, o risível é discutido a partir de sua ambivalência, assentindo com as reflexões propostas por Bakhtin (1999), ao analisar como seu emprego pode implicar posicionamentos que defendem e/ou questionam determinados ideais. Para identificar e examinar as reivindicações ideológicas expressadas por meio da plataforma literária em Cabo Verde foram pontuadas, enquanto recursos teórico-metodológicos, considerações acerca dos legados de escritores atuantes no periódico Claridade (1936-1966) em suas proposições sobre a mestiçagem enquanto identidade nacional que, supostamente, promove a fusão das categorias sociais de raça, classe e gênero. A partir das rupturas e continuidades da herança claridosa, cuja produção tornou-se paradigmática no cenário literário do arquipélago, investiguei, através de um breve panorama de textos escritos por intelectuais na conjuntura das ilhas, no período concomitante e posterior à independência, como as questões relacionadas a classe, gênero e raça são trabalhadas por meio da utilização do riso de modo a verificar padrões, desvios e tendências. Neste sentido, as leituras críticas das quatro obras: o conto “O Visto” (2010), de Ondina Ferreira, a crônica “Markito com K” (1987), de Filinto Elísio Silva, a narrativa juvenil Cinco balas contra a América (2008), de Jorge Araújo, e a narrativa longa O eleito do sol (1992), de Arménio Vieira, também confluem para averiguar a operacionalização da comicidade nessas narrativas como forma de complementar lacunas teóricas oriundas do arcabouço maioritariamente calcado em pesquisas e pesquisadoras(es) de/sobre a Europa e Ocidente (como as teorias de Linda Hutcheon (2000), Mikhail Bakhtin (1999) e Daniel Cottom (1989)). Embasado nessas ponderações, este trabalho investiga o uso do riso em três narrativas cabo-verdianas contemporâneas, O Meu Poeta ([1990],1992a) e A Morte do Meu Poeta (1998b), de Germano Almeida, e Biografia do Língua (2015), de Mário Lúcio Sousa, para problematizar como esses livros utilizam a risibilidade no tratamento das demandas e categorizações acerca da raça, etnia, gênero e classe no contexto do país. Os dois escritores possuem grande projeção nacional e internacional, transitando em diversos espaços da vida artística e pública, mais notadamente, em suas atuações enquanto criadores literários e deputados eleitos. Dessa forma, espera-se poder contribuir para a bibliografia referente às investigações sobre a(s) literatura(s) produzida(s) em Cabo Verde, bem como para os estudos acerca do cômico nas escritas africanas em língua portuguesa.

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  • SIRLENE RIBEIRO GOES
  • ESTUDO DO PROCESSO CRIATIVO DA TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO EM JANELA DE LIBRAS DA ANIMAÇÃO FÍLMICA RACCOON & CRAWFISH: PERCORRENDO CAMINHOS DIGITAIS

  • Data: 29/11/2018
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  • O estudo do processo de criação de obras audiovisuais ainda se encontra em estado inicial, mesmo que tais produtos circulem de modo abundante e despertem o interesse de diversos pesquisadores. Em se tratando de obras audiovisuais acessíveis para o público surdo, não há relato de pesquisas em crítica genética que abordem tais processos. O que se observa é que a complexidade de se obter documentos que registrem processos de tal natureza é um dos principais obstáculos para o desenvolvimento desse tipo de estudo. Quando se discute a necessidade de legendar uma obra fílmica para a promoção de acessibilidade ao público com surdez, de modo geral, a criação de legendas fechadas, closed caption, é a primeira modalidade de tradução audiovisual a ser destacada. Contudo, o seu uso não é suficiente para que o conteúdo de produtos audiovisuais seja compreendido de maneira satisfatória pelo grupo alvo e isso acontece por razões variadas: seja pelos diferentes graus de competência linguística do público surdo, pelo não uso de critérios de legendagem ou pela falta de representação escrita dos elementos sonoros não verbais. Contudo, existem dois recursos direcionados à acessibilidade de produtos audiovisuais que, embora não utilizados em grande escala pelas emissoras televisivas e pela indústria cinematográfica, se mostram bastante eficazes a esse fim. Trata-se da LSE – legendas para surdos e ensurdecidos e da tradução e interpretação em janela de Libras, espaço delimitado no vídeo onde as informações são interpretadas na Língua Brasileira de Sinais. Dessa forma, motivada pela carência de estudos de processo que contemplem a tradução e interpretação em janela de Libras, a proponente desta pesquisa objetiva analisar o processo de criação da tradução e interpretação em janela de Libras do curta metragem Raccoon & Crawfish (2007). Neste trabalho, conta-se com o aporte teórico-metodológico da Crítica Genética para investigar o processo em questão, sendo este o campo de embasamento utilizado para a organização, descrição e transcrição do referido dossiê genético, articulado aos Estudos Surdos, Libras e Tradução Audiovisual, interseções que norteiam as análises tecidas a partir do processo em estudo.

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  • Alex Santana França
  • “VOLTAM OS QUE NÃO MORRERAM, VÃO EMBORA OS QUE AQUI FICARAM. AI, ESTA DANÇA, MINHA MÃE, ATÉ AS CRIANÇAS DANÇAM?”: EXPERIÊNCIAS MIGRATÓRIAS E DIASPÓRICAS  NA TRAJETÓRIA PESSOAL E NA OBRA DE LICÍNIO AZEVEDO 

  • Orientador : MARIA DE FATIMA MAIA RIBEIRO
  • Data: 13/12/2018
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  • Moçambique destacou-se na história do cinema mundial e, mais especificamente, entre os países africanos de língua oficial portuguesa, pelo fato de, após a independência, em 1975, ter desenvolvido uma infraestrutura de cinema nacional desvinculada do circuito cinematográfico comercial global e ao serviço da nação marxista que emergiu após o colonialismo português. Ao longo de sua trajetória cinematográfica, em especial, entre as décadas de 1970 e 1980, agregou uma filmografia variada produzida por um conjunto de diferentes realizadores, estrangeiros e locais, com características estilísticas e temas diversos. Profissionais e artistas de diferentes lugares do mundo migraram para este território africano, a exemplo de Licínio Azevedo, nascido no Brasil e radicado em Moçambique, e colaboraram em variadas esferas nesse processo, assim como, consequentemente também receberam contribuições nas suas vidas pessoais e nos seus trabalhos, resultando em um significativo processo de partilha e troca de conhecimentos, técnicas e linguagens. A proposta deste trabalho foi identificar e analisar as principais razões que motivaram diferentes experiências migratórias e diaspóricas no contexto moçambicano, principalmente, no pós-independência, e quais as implicações desses fenômenos no campo sociocultural, através da análise dos filmes A árvore dos antepassados (1995), O grande bazar (2006) e Virgem Margarida (2012), dirigidos pelo jornalista e cineasta Licínio Azevedo. A análise realizada mostrou que determinados projetos políticos e a guerra civil moçambicana foram as principais responsáveis pelos deslocamentos migratórios retratados nas narrativas e que essas experiências resultaram na (re)definição e/ou valorização das singularidades dos grupos em movimento. 

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  • KÁTIA REGINA MACÊDO BORGES
  • MAPA: CARTOGRAFIA DE UMA GERAÇÃO

  • Orientador : ANTONIA TORREAO HERRERA
  • Data: 13/12/2018
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  • Nesta tese analisamos a relação entre a Geração Mapa e os projetos educacionais em curso, a partir dos anos 1930, no Brasil. Trata-se do primeiro grupo literário baiano desenvolvido no ambiente estudantil, no contexto da educação pública, secundarista e universitária. Sendo assim, defendemos neste trabalho que suas características peculiares – presença feminina, formação de plateia, direcionamento de conteúdo, ocupação de espaços na imprensa – estão vinculadas a um cenário local específico que deriva dos projetos desenvolvidos por Anísio Teixeira e outros educadores liberais, tanto na formatação das escolas secundaristas públicas, caso do Colégio Estadual da Bahia, onde se deram as apresentações inaugurais deste grupo, como das primeiras escolas de nível superior, no âmbito da Universidade da Bahia, sob o reitorado de Edgard Santos

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  • PEDRO ALAIM MARTINS GARCIA JUNIOR
  • Processologia: multiplicidade, descentramento e organização em Finnegans WakeGrande Sertão: Veredas e Galáxias

  • Orientador : EVELINA DE CARVALHO SA HOISEL
  • Data: 19/12/2018
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  • Após as repercussivas transformações dos campos investigativos das ciências humanas ocorridas mais intensa e explicitamente a partir da segunda metade do século XX, e da qual resultou a colocação do conceito de “multiplicidade” no eixo das reflexões epistemológicas, quaisquer tentativas de acionar um modo de organização múltiplo passaram a ser vistas com máxima desconfiança, já que ao denunciar a arbitrariedade da fixação de um centro regulador em sistemas discursivos e propor uma investigação das estratégias de afirmação e manutenção desses sistemas arbitrários, a leitura predominante das emergentes teorias do múltiplo tendeu a associar o próprio conceito de organização a um potencial instrumento de corrupção, ou um mero conjunto de estratagemas de poder. Daí uma das principais questões que norteiam a contemporaneidade é examinar a possibilidade de se organizar o múltiplo sem que o modo de organização composto venha a se tornar um instrumento de dominação a ser manipulado pelos grupos que detenham as formações de saber, isto é, o poder. Impulsionados por tal reflexão-chave do pensamento sobre a organização descentrada do múltiplo na atual episteme de passagem, este trabalho se debruçará sobre cinco conceitos ou linhas de força (“relação”, “paradoxo”, “sistema”, “estrutura” e “processo”) cujo pormenorizado exame nos permitirá refletir sobre o modo como o pensamento tendeu a ser condicionado dualmente e para onde apontam os ímpetos de reconfiguração da forma hegemonizada. A fim de visualizarmos um outro modo de organização (harmonia) desprendido da dualidade, destacaremos, ao longo de todos os capítulos, os mais diversos aspectos organizacionais de Finnegans Wake, Grande sertão: veredas e Galáxias, na medida em que o modo como esses textos se organizam corresponde ao redimensionamento das linhas de força enfocadas. Ao adentramos a dinâmica funcional de Finnegans Wake, Grande sertão: veredas e Galáxias, veremos a passagem de um modo de cada sistema se ver (arbitrariedade) para um modo de conjuntamente nos ouvir (diálogo intersistêmico), donde a reconfiguração do pensamento poder ser vista sumariamente como a substituição da arbitrariedade/violência instalada no centro da dualidade por um eixo dialógico propulsor de outras estratégias que combatem as reduções e homogeneizações duais, ao passo que sustentam e fortalecem o diálogo no comando de um pensar processológico ou polifônico no qual a linguagem do processo se cria – redimensiona-se – com base em um diálogo descentrado entre suas múltiplas perspectivas moventes.

2017
Dissertações
1
  • PAULA MELISSA ALVES
  • ASSENTAMENTOS LITERÁRIOS

    Literatura Negra Brasileira em Criação Crioula Nu Elefante Branco

  • Orientador : JOSE HENRIQUE DE FREITAS SANTOS
  • Data: 20/02/2017
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  • O presente trabalho aborda a formação do campo da Literatura Negra brasileira a partir do livro Criação Crioula Nu Elefante Branco (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 1987), resultado do I Encontro de Poetas e Ficcionistas Negros Brasileiros ocorrido em São Paulo em 1985. Partindo do I Encontro traçaremos os caminhos percorridos até chegar na Criação Crioula e tudo que se desdobrou a partir daquele encontro divisor de águas para a Literatura Negra. Para dialogar com que estamos propondo trazemos teóricxs como Florentina Souza, Eduardo de Assis Duarte, Pierre Bourdieu, Cuti, Regina Dalcastagnè, Mário Augusto Medeiros da Silva, Conceição Evaristo entre outrxs

2
  • MARIA DOLORES SOSIN RODRIGUEZ
  • ALIX ESTÁ AUSENTE

  • Orientador : LIVIA MARIA NATALIA DE SOUZA SANTOS
  • Data: 10/04/2017
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  • Esta dissertação é a construção de um percurso sobre a obra Algo: preto (2005), de Jacques Roubaud, a partir das leituras que o livro sugere sobre a dicção do poeta lírico na contemporaneidade e as ressonâncias que são encontras nos desdobramentos da crítica biográfica e do que ela representa para a teoria literária. Nesse sentido, e levando em consideração que o livro foi escrito em decorrência da morte da esposa do autor, Alix Cléo, este trabalho desenvolve articulações sobre esse ser ausente e que é remontado no livro por meio de uma virtualidade, tensionando para a concepção de um sujeito lírico que se constrói, por meio do texto literário, e em fricção e contaminação com o sujeito empírico, na formação de uma temporalidade poética que ordena outras discursividades a respeito da concepção de uma memória. Articulando essa cena, buscando compreender a ordem instaurada por Eros e Tânatos, o texto poético se organiza no sentido de criar um universo que interroga as demarcações de um texto que está entre a poesia e a autobiografia e de uma teoria que precisa abranger as particularidades de uma voz que se anuncia em um contexto que motiva o debate sobre as regularidades da teoria literária e do cânone, dando passagem para a interpretação de um conhecimento que se erige levando em conta a potência de uma experiência. Desarticulando as estruturas e interrogando uma centralidade e uma origem, o livro fulgura como a possibilidade de desierarquização das formas e dos discursos que está sendo demandada, aqui, por um saber investigativo que problematiza a relação complexa entre obra e autor.

3
  • CRISTIANE SANTOS DE SOUZA PAIXÃO
  • ESCRITA CRIVADA DE MUTILÂNCIA(S): A VOZ POÉTICA FEMININA NEGRA NA PRODUÇÃO LITERÁRIA DE RITA SANTANA

  • Orientador : FLORENTINA DA SILVA SOUZA
  • Data: 01/09/2017
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  • A dissertação intitulada Escrita Crivada de Mutilância(s): A Voz Poética Feminina Negra na Produção Literária de Rita Santana propõe-se analisar como a escritora Rita Santana representa o sujeito poético feminino negro e as estratégias utilizadas para representá-lo nos livros de poemas Tratado das Veias (2006) e Alforrias (2012). O primeiro, contemplado pela seleção da Fundação Cultural do Estado da Bahia e publicado pelo selo As Letras da Bahia, é composto por setenta poemas; o segundo, publicado pela Editus – Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), reúne vinte e oito poemas, e a sua segunda reimpressão em 2016 foi feita pela mesma editora. Para desenvolvimento deste estudo, privilegiou-se uma análise embasada em fundamentação teórica interdisciplinar, enfocando os estudos literários, de cultura e afrodescendência. Após análise crítica-interpretativa dos poemas, constatamos que as vozes poéticas femininas negras apresentam desenhos de outros perfis na literatura brasileira, destoam das representações comumente presentes em textos literários considerados hegemônicos. Além disso, essas vozes reivindicam outros espaços de atuação para as mulheres negras, reagem a todo instante contra os lugares (pré)estabelecidos, (re)constroem outros modos de representação de si, de suas identidades, memórias e sexualidade. Ademais, expõem denúncias à discriminação de gênero, racial, como também o silenciamento e a invisibilidade vivenciada pelas escritoras negras.

4
  • THAIANE PINHEIRO COSTA
  • AS NARRATIVAS DE RE-EXISTÊNCIA DO POVO KIRIRI 

  • Orientador : SUZANE LIMA COSTA
  • Data: 29/09/2017
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  • Nesta dissertação, tenho por objetivo apresentar e discutir as narrativas de autoria do Povo Kiriri. Para tanto, analiso as textualidades presentes nos livros Nosso Povo: Leituras Kiriri: educação diferenciada na visão do povo Kiriri – Aluno e Nosso Povo: Leituras Kiriri: educação diferenciada na visão do povo Kiriri – Caderno de Orientação Metodológica – Professor, ambos publicados em 2007. A partir desses livros, examino como essas narrativas/literaturas compõem o projeto de reconstituição político-social, reconhecimento e de resistência do coletivo Kiriri no presente, etnia que está localizada geopoliticamente na região Norte do estado da Bahia. A metodologia de trabalho adotada foi a leitura analítica dos livros, destacando dezoito textualidades das obras supracitadas, observando os elementos que tornam possível sustentar a ideia de que a produção das narrativas, herança da memória dos antepassados e constituída em coletividade, atuam no processo de reconhecimento simbólico e material desse povo. Os resultados da análise demonstram que essas escrituras são constituídas a partir dos rastros da memória social e das práticas sociais desse grupo, servindo como espaço discursivo de resistência, re-existência e reinvenção dos Kiriri na busca por reconhecimento e justiça.

Teses
1
  • MABEL MEIRA MOTA
  • FILOLOGIA E ARQUIVÍSTICA EM TEMPOS DIGITAIS: O ARQUIVO HIPERTEXTUAL E AS EDIÇÕES DE A ESCOLHA OU O DESEMBESTADO DE ARIOVALDO MATOS

  • Orientador : ROSA BORGES DOS SANTOS
  • Data: 31/10/2017
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  • Os acervos pessoais de autores modernos têm demonstrado o longo e tortuoso processo de criação e de reescrita textual, assim como as interferências de diferentes sujeitos na transmissão dos textos. A desconstrução do texto é perpassada pelos usos dos acervos e, na Crítica Textual, implica a rasura da ideia de que o texto é um objeto estável e fixo, ainda que impresso. Através de um aparato metodológico que conjuga Crítica Textual, Arquivística e Informática, desenvolveu-se um arquivo hipertextual (URBINA et. al. 2005), de orientação pragmática, disponibilizado através da Internet no domínio www.ariovaldomatos.com. A edição apresenta um módulo leitura e um módulo mediação, no qual coexistem três diferentes modelos editoriais – edição sinóptica, interpretativa e fac-similar. Além disso, desenvolvera-se um sistema de gestão de conteúdo, denominado Arconte, a partir do qual foram registrados os documentos que compõem o dossiê arquivístico de A Escolha ou O Desembestado, de Ariovaldo Matos, objetivando a disponibilização e o acesso controlado à informação. Por fim, apresenta-se a leitura crítico-filológica da rede de intenções e significações que caracterizam o jogo teatral e que vão construindo suas próprias “formas finais”, enfatizando as formas de sociabilidades textuais da peça de Ariovaldo Matos que representam a memória de sua produção, circulação e recepção.

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