A VARIAÇÃO NAS ESTRUTURAS DE NEGAÇÃO SENTENCIAL
NO PORTUGUÊS NORDESTINO
Negação Sentencial: Variação Linguística; Português Brasileiro; Dialetologia
A negação é um fenômeno linguístico universal e configura-se invariavelmente como um objeto de profundo interesse para os estudos da linguagem, uma vez que se mostra suscetível a múltiplas perspectivas de análise e interpretação. Todas as línguas de que se tem conhecimento possuem formas de expressar a negação; cada uma, no entanto, apresenta estratégias próprias para sua realização, podendo estas se dar através de recursos fonológicos, morfológicos, sintáticos, lexicais ou realizando a combinação entre esses. No âmbito do Português Brasileiro (PB), constata-se também uma ampla produtividade de construções negativas, registrando-se, por consequência, um número considerável de investigações que descrevem e analisam este funcionamento sob diversas abordagens; contudo, o elemento mais comumente empregado para exercer essa função é a partícula não. Esta pesquisa é uma investigação quantitativa e qualitativa deste fenômeno linguístico que é recorrente no português brasileiro, e consiste nas várias possibilidades de realização da estrutura negativa. Tal fenômeno pode se realizar linguisticamente através da construção canônica [não V] ou através das suas variantes de dupla negação [não V não] e da negação pós-verbal [V não]. O objetivo do trabalho é catalogar e analisar uma ampla gama de ocorrências das estruturas negativas no português falado nas 09 capitais brasileiras situadas na região nordeste, usando como fonte o banco de dados do Projeto ALiB – Atlas Linguístico do Brasil observando principalmente a quantidade de realizações de cada variante; os contrastes de origem espacial; de faixa etária e escolarização, a redução fonética da partícula pré-verbal [não] → [num] e seu possível processo de gramaticalização, buscando catalogar também uma revisão bibliográfica de estudos já realizados sobre esta temática. O arcabouço teórico desta análise baseia-se em três eixos principais: A Sociolinguística Variacionista que fornece a base metodológica e conceitual para a observação da correlação entre a variação linguística e os fatores extralinguísticos (idade, sexo e escolaridade), tratando a variação como parte inerente do sistema. O Sociofuncionalismo que possibilita a integração os princípios da variação com a funcionalidade, investigando a motivação discursiva e os fatores que regem a evolução das formas negativas, como os princípios de economia, iconicidade e frequência de uso, frequentemente explicados pelo Ciclo de Jespersen e por fim a Dialetologia e Geolinguística que incorpora a dimensão diatópica (espacial) ao estudo, fundamental para identificar como as diferenças regionais participam da configuração das formas de negação e como as relações areais entre as capitais analisadas, no caso Salvador e São Luís. O corpus da pesquisa é composto por 16 inquéritos extraídos do projeto ALiB (Atlas Linguístico do Brasil), o que garante um escopo abrangente para a padronização dos dados. A análise estatística da variação é realizada com o auxílio do programa GOLDVARB X, essencial para estabelecer a relevância dos fatores condicionadores do fenômeno.As variáveis independentes incluem fatores linguísticos (a exemplo do tipo de enunciação, o tipo de sentença e a posição do sujeito/complemento) e fatores extralinguísticos (a localidade, a escolaridade, o sexo e a faixa etária dos informantes). O cruzamento desses dados busca identificar as tendências de propulsão e/ou retenção de tais variantes, o que permite traçar um panorama detalhado e fundamentado das ocorrências da negação sentencial no Português Nordestino.