Dissertações/Teses

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2020
Dissertações
1
  • ELENEIDE DE OLIVEIRA SILVA
  • A síncope nas proparoxítonas das comunidades rurais afro-brasileiras do estado da Bahia: uma análise sociolinguística

  • Orientador : JULIANA ESCALIER LUDWIG GAYER
  • Data: 14/01/2020
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  • Nesta dissertação de Mestrado, apresentamos a investigação sobre a síncope nas proparoxítonas nas comunidades rurais afro-brasileiras que compõem o banco de dados do Projeto Vertentes do Estado da Bahia, coordenado pelos professores Dante Lucchesi (UFF) e Gredson dos Santos (UFBA). As quatro comunidades afro-brasileiras, Cinzento, Helvécia, Rio de Contas e Sapé, fazem parte do Acervo de Fala Vernácula do Português Afro-Brasileiro. A síncope das proparoxítonas é um processo variável que envolve uma mudança na estrutura silábica. Com sua aplicação, um ou mais fonemas são apagados em sílaba postônica, o que transforma palavras proparoxítonas em paroxítonas, como xícara > xícra, útero > útro, óculos > óclus, abóbora > abobra, entre outros. O principal objetivo desse trabalho é analisar a síncope nas palavras proparoxítonas nas comunidades rurais afro-brasileiras do estado da Bahia, ampliando a descrição do português no nível fônico da língua. Foram selecionadas, do banco de dados, doze entrevistas classificadas por sexo (masculino e feminino), escolaridade (analfabeto e semianalfabeto) e faixa etária (20 a 40 anos, 40 a 60 anos, e mais de 60 anos). No total foram analisadas quarenta e oito entrevistas, doze de cada comunidade. Foram oitocentos e dezesseis dados coletados das entrevistas das comunidades estudadas que passaram por uma análise estatística do programa Goldvarb X, considerando algumas variáveis já analisadas em outras pesquisas. As teorias usadas para este estudo foram Sociolinguística Variacionista, Teorias fonológicas da sílaba e estudos sobre o acento. Esta pesquisa teve como base alguns trabalhos que analisaram a síncope nas proparoxítonas, como Amaral (1999), Silva (2006), Lima (2008), Santana (2008), Ramos (2009) e Chaves (2011). Após a rodada no programa estatístico, os grupos que demonstraram favorecer a realização da síncope nas proparoxítonas foram contexto fonológico seguinte à vogal postônica, traço de articulação da vogal postônica, comunidade, contexto fonológico precedente à vogal postônica, estrutura da sílaba tônica e escolaridade.

2
  • IVAN PEDRO SANTOS NASCIMENTO
  • LEXICOGRAFIA DIALETAL BRASILEIRA: O ESTADO DA ARTE NO SÉCULO XX (1920-1959)

  • Orientador : AMERICO VENANCIO LOPES MACHADO FILHO
  • Data: 20/03/2020
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  • A pesquisa Lexicografia dialetal brasileira: o estado da arte no século XX (1920-1959) visa a uma investigação metalexicográfica, no que diz respeito ao estabelecimento de macro e microestruturas, de cinco dicionários dialetais brasileiros: O Dialeto Caipira, de Amadeu Amaral (1920); Vocabulário Sul-Rio-Grandense, de Luiz Carlos Moraes (1935); Vocabulário Amazônico, de Amando Mendes (1942); Vocabulário de Têrmos Populares e Gíria da Paraíba, de Leon Clerot (1959); e o Dicionário de Termos Populares (Registrados no Ceará), de Florival Seraine (1959). O desenvolvimento do trabalho justifica-se por uma necessidade de se construir uma história lexicográfica brasileira que abarque não apenas dicionários de língua, mas também os dicionários dialetais, objetivando a recuperação de um conjunto de técnicas de sistematização de dados diatópicos para que se possa melhor definir a tipologia de dicionário dialetal, no âmbito das obras de referência linguísticas. A construção de um índice remissivo para os cinco livros também foi tarefa desta pesquisa. Apoia-se o estudo em referências como Atkins e Rundell (2008), Burkhanov (1998), Cardoso (1999, 2010), Faulstich (2011), González (2011), Hartmann e James (2002), Miranda (2014, 2019), Krieger (2009), Rey-Debove (1984), Romano (2013), Silvestre e Verdelho (2007), Welker (2004, 2005, 2006 e 2011) e Zgusta (1971). A metodologia consistiu no exame dos textos pré, intra e pós-dicionarísticos e da bibliografia das obras de referência para a depreensão do projeto dicionarístico e identificação de critérios adotados pelos autores; contagem do número de verbetes de cada obra; seleção dos verbetes de estrutura lisa pertinentes a substantivos e verbos insertos nas três primeiras páginas das letras A, B, C, M, N, O e S de cada volume para se visualizarem a microestrutura de cada obra e a coerência com a macroestrutura pré-estabelecida; identificação e descrição dos segmentos informativos dos verbetes e de seus indicadores tipográficos e não tipográficos; levantamento dos padrões de organização dos verbetes de cada obra lexicográfica para substantivos e verbos; e, por fim, a comparação entre as macro e microestruturas de cada obra para a obtenção de um modelo que represente o perfil de uma lexicografia dialetal do século XX. Como resultados, nota-se que a produção lexicográfica apresentou um destaque especial para a língua portuguesa no Brasil, com abordagens sócio-históricas e levantamento de fenômenos linguísticos caracterizadores dos dialetos, com um notável domínio de terminologia linguística para a descrição fonética e amplo conhecimento da diversidade, não se limitando apenas ao registro do léxico de suas respectivas zonas dialetais, mas desenvolvendo comparações e comentários linguísticos. Não obstante, não se identificou um planejamento lexicográfico bem estabelecido, ainda que os trabalhos sigam a tendência empreendida por Amaral (1920), no que diz respeito às descrições linguísticas e construção de vocabulário. Ao nível de microestrutura, observou-se uma assistematicidade na composição e estruturação de verbetes, que se deve ao grande número de arranjos para o lema principal com a classe e gênero gramaticais, predicação verbal, definições (sinonímica, extensional, enciclopédica ou lexicográfica), variantes lexicais, nomenclatura científica (para as designações de plantas e animais), comentários etimológicos, abonações ou exemplos, notas de referência, fontes de pesquisa, remissões e marcas de uso. Em O Dialeto Caipira (1920), foram identificados 43 padrões de organização; no Vocabulário Sul-Rio-Grandense (1935), 32 padrões; no Vocabulário Amazônico (1942), 28 padrões; no Vocabulário de Termos Populares (1959), 46 padrões; e, por fim, no Dicionário de Termos Populares (1959), 34 padrões. Por fim, define-se os dicionários dialetais como obras de referência linguística monolíngues, organizadas semasiologicamente, que cobrem as modalidades oral e escrita de uma língua, tendo em vista a representação de normas vernáculas, seja em perspectiva sincrônica ou diacrônica, para evidenciar uma dimensão geográfica

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  • ADERLAN MESSIAS DE OLIVEIRA
  • O MODUS OPERANDI DAS REPRESENTAÇÕES DO LATIM NO DISCURSO JURÍDICO BARREIRENSE

  • Orientador : JOSE AMARANTE SANTOS SOBRINHO
  • Data: 27/03/2020
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  • A pesquisa de mestrado, intitulada O modus operandi das representações do latim no discurso jurídico barreirense, teve como objetivo principal investigar como os advogados da Subseção de Barreiras-BA representam o latim em suas peças judiciais. Após sua submissão e aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), deu-se início à coleta de dados, mediante utilização de dois corpora: entrevistas semiestruturadas e peças jurídicas. As entrevistas foram realizadas com cinco advogados com mais de três anos de atuação na prática forense; e as peças jurídicas analisadas corresponderam, também, à autoria de cinco advogados com o mesmo tempo de exercício. O estudo contou com a aplicação das pesquisas qualitativa, descritiva e documental. A qualitativa traçou descrições, comparações e interpretações do latim jurídico e sua utilização no discurso forense, sem prender a dados objetivos, exatos, e de observação controlada; a descritiva, por apresentar posicionamento dos profissionais de advocacia acerca do latim e seu uso na linguagem jurídica; e a documental, materializada na ocorrência de expressões latinas e suas representações nas peças jurídicas. O primeiro capítulo centrou-se na história do latim jurídico e suas representações no Direito Romano antigo; o segundo, nas representações do latim jurídico, seu discurso e suas práticas; o terceiro e último capítulo, na investigação do modus operandi das representações do latim no discurso jurídico barreirense. A pesquisa revelou que o embelezamento linguístico e a redução de complexidade, em ambos os corpora, são as duas representações predominantes no discurso jurídico barreirense. Esse resultado confirmou que as novas gerações de advogados conhecem as expressões latinas utilizadas, e que a sua grande maioria negligencia aquelas que nada contribuem para a objetividade e celeridade do texto. Assim, as hipóteses inicialmente levantadas nesta pesquisa foram parcialmente refutadas, vez que hoje as representações do latim não têm demonstrado preocupação com a erudição, com o conhecimento rebuscado, com o pedantismo ou mesmo com o poder que elas exercem no discurso. Ao contrário, buscam democratizar a Justiça por meio da simplificação e da clareza da linguagem.

Teses
1
  • LUDIMILIA SOUZA DA SILVA
  • DIVERSIDADE SEXUAL NA AULA DE LÍNGUA INGLESA E FORMAÇÃO DOCENTE: CONSTRUINDO UM AMBIENTE RECEPTIVO ÀS DIFERENÇAS

  • Orientador : DENISE CHAVES DE MENEZES SCHEYERL
  • Data: 15/04/2020
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  • Esta tese é fruto de um estudo realizado junto a um grupo de 10 professores em formação do curso de Língua e Literatura Inglesa, do campus Conceição de Coité, da Universidade do Estado da Bahia, com foco na investigação e problematização de suas percepções e práticas no que diz respeito a questões de gênero e diversidade sexual no contexto da aula de língua inglesa. Orientada pelos pilares da Teoria Queer (BUTLER, 1990, 2002 ; MISKOLCI, 2012) da Pedagogia Crítica (FREIRE, 1987; PENNYCOOK, 1998, 2006) da Linguística Aplicada (MOITA LOPES, 1996, 2003, 2006) e da Interculturalidade (MENDES, 2004; WALSH, 2009; ALVAREZ ORTIZ (2013) sob uma perspectiva crítica, de receptividade às diferenças e com ênfase na formação do professor, esta pesquisa-ação foi desenvolvida por intermédio de dados obtidos de interações vivenciadas durante um curso de extensão, de questionários, de uma entrevista, do planejamento e da observação de aulas. Em termos quantitativos e, sobretudo, qualitativos, foi possível verificar mudança nas percepções e práticas dos participantes do estudo, no que diz respeito ao tratamento de questões como o bullying e outras situações de discriminação envolvendo os alunos, assim como uma visível habilidade e receptividade para incluir e lidar com diferentes identidades sexuais e de gênero num plano de aula e na aula de língua inglesa propriamente dita. Tais constatações são um forte indicativo de que o professor, ao valer-se de conhecimentos e posturas que mirem a desconstrução e a problematização de concepções equivocadas sobre gênero e sexualidade, ele pode acabar por fomentar a igualdade, a empatia e o respeito entre os alunos. gênero, 

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  • NATIVAL ALMEIDA SIMOES NETO
  • O ESQUEMA [[X]-ARI-]N do latim às línguas românicas: um estudo comparativo, cognitivo e construcional

  • Orientador : JULIANA SOLEDADE BARBOSA COELHO
  • Data: 17/04/2020
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  • Esta Tese se insere no âmbito da Romanística e tem o propósito de empreender um conjunto de reflexões que contribuam para novos olhares sobre a história, a estrutura e o funcionamento das línguas românicas. Na primeira parte da Tese, discutem-se questões relacionadas à tradicional narrativa da romanização, que emerge em um contexto linguístico-filológico oitocentista marcado por um nacionalismo europeu, que defendia purismos linguísticos, sociais e raciais. A partir de diversos estudos, como os de Webster (2001), Manacorda (2002), Sobral (2004), Glissant (2005), Dwulf (2005), Paixão de Sousa (2006), Guarinello (2006), Witt (2008), Marquilhas (2010), Mattos e Silva (2011), Olender (2012), Garrafoni (2009), Funari e Garraffoni (2018), inseridos em variadas áreas do conhecimento, como História, Filologia, Linguística Histórica, Arqueologia, Antropologia, Sociologia, Pedagogia, Estudos Culturais e Estudos Literários, aponta-se uma série de argumentos e evidências, não só de natureza linguística, como também de ordem social, cultural, religiosa, educacional, arquitetônica, que sugere que a narrativa da romanização falha em vários aspectos, podendo dar lugar a uma narrativa de crioulização linguística e cultural na expansão da România e na formação das línguas românicas. Na segunda parte da Tese, retomam-se os fenômenos linguísticos utilizados na divisão da România Ocidental e Oriental (MAURER JR., 1951; WARTBURG, 1952), como o comportamento das vogais postônicas, das consoantes surdas intervocálicas, do grupo -ct- intervocálico e a realização do plural, analisando-se a possibilidade de inserir novos fenômenos que ratifiquem essa divisão. Para isso, observou-se o comportamento morfossemântico das construções [[X]ari]N no latim (argentarius, quasilaria, linguarium)  e de suas descendentes em sete línguas românicas, o romeno (areţar , mătăsar, bursier), o italiano (bambinaia, acquaio, caudatario), o francês (agencier, colombier, libraire), o catalão (abeller, garganter, carnisser), o espanhol (abejero, bañadero, fornicario), o galego (arrabaldeiro, chaqueteiro, leoneira) e o português (moedeiro, caldeira, peidorreiro). Os dados analisados foram extraídos de dicionários monolíngues, nos casos do italiano, francês, espanhol, catalão, galego e português, e bilíngues, nos casos do romeno e do latim. A descrição das palavras sufixadas nessas línguas foi feita com base em pressupostos da Semântica Cognitiva (LAKOFF E JOHNSON, 1980; FILLMORE, 1982; LAKOFF, 1987), Gramática Cognitiva (LANGACKER, 1987, 2013), Gramática de Construções (GOLDBERG, 1995, 2003, 2006), Morfologia Construcional (BOOIJ, 2010; GONÇALVES, 2016). Para a comparação entre as línguas, utilizou-se o modelo dos Mapas Semânticos, adaptado da proposta tipológico-funcionalista de Haspelmath (2003). Os resultados mostram que, do ponto de vista semântico-cognitivo, as línguas pouco se diferem, utilizando metáforas, metonímias, focalizações e analogias para a construção do significado de palavras complexas. O que as diferencia, nesse sentido, são as experiências utilizadas para metaforizar, focalizar ou fazer analogias. No que toca ao comportamento polissêmico, do latim às línguas românicas observadas, o significado de ‘agente profissional’ se apresenta como o mais produtivo e mais prototípico. De outro lado, o significado ‘agente vegetal’, que designa árvores, arbustos e outros tipos de plantas, se mostra improdutivo no italiano e no romeno, mas muito produtivo em línguas como o francês, o espanhol, o catalão, o galego e o português. servindo, nesse sentido, para marcar uma divisão entre as tendências das línguas românicas. Há ainda de se destacar a presença produtiva dos significados de gentílicos, anomalias e excessos/acúmulos nas línguas ibero-românicas.

2019
Dissertações
1
  • KAROLINE DA CONCEIÇÃO SANTOS
  • A construção identitária de professores de língua espanhola na modalidade de educação a distânica em uma universidade pública

  • Orientador : LIVIA MARCIA TIBA RADIS BAPTISTA
  • Data: 11/01/2019
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  • As inovações tecnológicas na sociedade contemporânea têm impactado sobremaneira a vida das pessoas em todos os âmbitos sociais. Inevitavelmente, o contexto educacional tem sofrido de maneira direta as consequências dessa sociedade da informação e da comunicação exigindo novas práticas educacionais, sobretudo no contexto do ensino de línguas requerendo dos sujeitos envolvidos neste processo, novas formas de agir na sociedade. Outrossim, o cenário educacional exige uma reestruturação das modalidades de ensino e reflexão acerca dos perfis dos profissionais da educação que repercutirão na conceitualização da (s) identidade (s) dos professores e no desenvolvimento de modelos de ensino mais democráticos. Dessa forma, a presente dissertação tem como objetivo compreender a constituição identitária dos professores formadores de língua espanhola na modalidade de Educação a Distância e seus impactos para o processo de ensino e aprendizagem na modalidade investigada tendo em vista os Referenciais de Qualidade da educação superior na EaD; Projeto Político Pedagógico e as representações das coordenadoras e professores formadores que atuam no curso de Licenciatura em Letras, Língua Espanhola e suas Literaturas da UNEB. Esta investigação caracteriza-se no âmbito da Linguística Aplicada como uma pesquisa qualitativa interpretativista. Para tanto, recorreu-se a vários instrumentos e procedimentos metodológicos: análise documental, questionário, entrevista semiestruturada e elaboração de narrativas a fim de compreender a constituição identitária dos professores formadores sob esses diferentes prismas. Outrossim, procedeu-se a triangulação e discussão dos dados gerados a partir da reflexão acerca das dimensões de análise propostas para este estudo. Por fim, pretendeu-se, com a pesquisa, contribuir para uma melhor reflexão as potencialidades dos conceitos de identidade como condição relevante para o desenvolvimento de práticas críticas de ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras no contexto da Educação a Distância.

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  • SAMUEL BERNARDO DA TRINDADE
  • ASPECTOS DA INTERDISCURSIVIDADE DOS ENUNCIADOS POLÊMICO-RELIGIOSOS EM TORNO DAS SEXUALIDADES E IDENTIDADES DE GÊNEROS DISSIDENTES

  • Orientador : ELMO JOSE DOS SANTOS
  • Data: 14/01/2019
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  • A presente dissertação tem como objetivo apresentar alguns aspectos da análise
    interdiscursiva que constitui e atravessa dois posicionamentos discursivos em torno das
    sexualidades dissidentes e identidades de gêneros dissidentes. Buscou-se analisar, pelo viés da
    Análise do Discurso de orientação francesa, conforme os conceitos postulados por Dominique
    Maingueneau, principalmente, nas teorizações apresentadas em suas obras Semantique de la
    Polemique (1983), Gênese dos Discursos (2008), Discursos Constituintes (2000) e Novas
    Tendências na Análise do Discurso (1997), os posicionamentos discursivos das igrejas cristãs
    fundamentalistas e das igreja cristãs inclusivas frente à fé dos sujeitos da população LGBT. A
    análise dos enunciados polêmico-religiosos fundamentalista e inclusivos coletados em
    algumas materialidades discursivas referentes às sexualidades dissidentes, não pretendemos
    abordar linearmente, mas analisar os dois discursos, mas a partir dos conceitos de polêmica e
    interincompreensão constitutivo do discurso. procuramos verificar como se constitui o espaço
    de trocas (interdiscurso) que antecede a gênese dos dois discursos: o Discurso Exclusivo e o
    Discurso Inclusivo. Como constituição do arquivo e banco de dados, buscou-se material
    disponibilizado na internet sobre os dois posicionamento discursivos que constituem um
    discurso religioso na mídia: Jornal Folha Universal (Edição 1.134 de 29/12/13 a 04/01/14,
    matéria de capa com o título “Alguém Acreditou Neles”, Edição 998 de 22 a 18/05/11,
    matéria de capa com o título “Você Aprova?”). Programa De Frente com Gabi, SBT, no dia
    03/02/2013, Programa Superpop da Luciana Gimenez, Rede TV, no dia 15-04-13 que
    entrevistaram o Pr. Silas Malafaia, Sites da Igreja da Comunidade Metropolitana, uma igreja
    inclusiva e o Documentário, O Mesmo Amor, produzido pela Igreja Para Todos, uma igreja
    inclusiva. A análise dos enunciados polêmico-religiosos se dá a partir de traduções e
    elaborações de simulacros do Outro que são evocados como registros negativos, o discurso do
    Outro no discurso do Mesmo, o que caracteriza um procedimento fundado na
    interincompreensão. Os resultados das análises revelam que os dois posicionamentos
    discursivos analisados o Discurso Exclusivo e o Discurso Inclusivo, apesar de partilharem de
    um mesmo espaço discursivo e compartilharem semânticas globais semelhantes estão em
    relação polêmica por buscarem sua legitimidade enquanto voz de Deus. A presente
    dissertação, embora não esgote as problematizações acerca da natureza da polêmica
    estabelecida nesses discursos, lança um novo olhar sobre a questão, em especial, no que diz
    respeito ao estudos da polêmica em defesa de que o procedimento encontra seu fundamento
    na interincompreensão.

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  • LUDQUELLEN BRAGA DIAS
  • O ROTACISMO EM COMUNIDADES RURAIS AFRO-BRASILEIRAS DO ESTADO DA BAHIA

  • Orientador : JULIANA ESCALIER LUDWIG GAYER
  • Data: 21/01/2019
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  • Nesta dissertação, analisamos o fenômeno do rotacismo, processo que consiste na troca da consoante lateral /l/ por um rótico. Observamos tal fenômeno sob a perspectiva sociolinguística. O rotacismo pode ocorrer em dois contextos silábicos: ataque complexo, como em placa ~ praca, e coda silábica, como, por exemplo, calçado ~ carçado. No entanto, para esta análise, focamos apenas na ocorrência do rotacismo no encontro consonantal que ocorre no ataque complexo. O principal objetivo deste estudo é descrever o fenômeno variável de rotacismo em comunidades rurais afro-brasileiras. Para isso, analisamos dados de fala de quatro comunidades de diferentes regiões do Estado da Bahia: Helvécia, Sapé, Cinzento e Rio de Contas. As amostras linguísticas aqui estudadas compõem o Acervo de Fala Vernácula do Português Afro-Brasileiro, que faz parte do banco de dados do Projeto Vertentes do Estado da Bahia, coordenado pelos professores Dante Lucchesi (UFF) e Gredson dos Santos (UFBA). Além da Sociolinguística Variacionista, que nos serviu tanto como aporte teórico quanto metodológico, recorremos a modelos fonológicos de estudo, como a Teoria dos Traços Distintivos, a Fonologia Autossegmental e a Teoria da Sílaba, as quais nos permitiram compreender qual o domínio de aplicação do rotacismo. Os 1003 dados coletados em inquéritos das quatro comunidades estudadas passaram pela análise estatística do programa Goldvarb X levando em consideração algumas variáveis já analisadas em outras pesquisas. Os resultados da nossa pesquisa demostraram que o rotacismo é favorecido nos seguintes contextos linguísticos: ausência de outro segmento líquido na palavra, sílaba átona, segmento precedente sonoro, posição inicial de palavra, contexto precedente oclusivo. O fenômeno parece apresentar, nas comunidades analisadas, um quadro de mudança em curso, além de ser mais favorecido em comunidades específicas e nos informantes que viveram sempre na comunidade.

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  • JAQUELINE LUCCHESI DIAS
  •  DEMONSTRATIVOS COM REFERÊNCIA PESSOAL NO PORTUGUÊS BRASILEIRO

  • Orientador : DANNIEL DA SILVA CARVALHO
  • Data: 23/01/2019
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  • Esta dissertação aborda os seguintes demonstrativos invariáveis no Português Brasileiro: isto, isso e aquilo. Os objetivos aqui são descrever e analisar sua referência pessoal, baseado no fato de que, além de tanto situar informações no espaço e no tempo ou retomar elementos com um traço [-humano], esses demonstrativos também podem referir-se a elementos com um traço [+humano] – o que é um comportamento típico de pronomes pessoais. Tal possibilidade pode engatilhar um efeito negativo na interpretação e induzir, assim, a uma leitura depreciativa, pejorativa ou irônica. Este fenômeno parece resultar de uma espécie de neutralização no gênero, acarretando um N-effect, atestado em contextos com o seguinte conjunto de requisitos: i) competição com suas contrapartes que exibem gênero morfológico ou pronomes pessoais; ii)  presença do traço [+humano]; iii) ocorrência de um referente contextualmente saliente, no discurso, e integrante do conhecimento partilhado do falante e do ouvinte.

5
  • RENATO MEDEIROS DA FONSECA JUNIOR
  • O COMPORTAMENTO MORFOSSINTÁTICO DOS POSSESSIVOS CANÔNICOS E NÃO-CANÔNICOS DE TERCEIRA PESSOA NO PORTUGUÊS BRASILEIRO

  • Orientador : DANNIEL DA SILVA CARVALHO
  • Data: 06/02/2019
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  • O objetivo deste trabalho é descrever o comportamento morfossintático dos pronomes possessivos de terceira pessoa canônicos e não-canônicos levando em conta a posição que ocorrem no sintagma nominal, a fonte de concordância nominal, a natureza de seus antecedentes e comportamento semântico. Por pronome possessivo canônico entendemos as formas que possuem marca morfológica de genitivo (seu/sua), e por não-canônicos as formas compostas pela preposição de + pronome pleno (dele/dela). Para a descrição, utilizamos os pressupostos da Gramática Gerativa (CHOMSKY, 1957 e subsequentes), mais especificamente a Teoria da Ligação proposta por Chomsky (1981). Discutimos o conceito de pronome e sua natureza dêitica e apresentamos a perspectiva que as gramaticas tradicionais têm dos pronomes possessivos. Recorremos aos estudos de Cerqueira (1996) – que analisa do ponto de vista sintático, observando suas ordenações na sentença – e Müller (1997) – que faz um paralelo entre sintaxe e semântica – como ponto de partida para entendermos o comportamento dos possessivos de terceira pessoa. Observamos algumas restrições na ligação dos pronomes possessivos a seus antecedentes. Alguns traços como animacidade e definitude no antecedente também se mostraram relevantes distribuição dos possessivos. As posições pré e pós-nominais, da mesma maneira, foram relevantes na distribuição desses pronomes. Por fim, apresentamos algumas evidências para se considerar as formas canônicas do pronome possessivo como anáforas e as formas não-canônicas, como pronomes, de acordo com os princípios da Teoria da Ligação.

6
  • GILDEON ALVES DOS SANTOS
  • RESSIGNIFICANDO MARLEY: UM ESTUDO SOBRE A TRADUÇÃO DE METÁFORAS

  • Data: 23/04/2019
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  • Conforme se observa na epígrafe deste trabalho, os estudos contemporâneos da tradução já não se limitam mais à função instrumental comunicativa da área, ao ato de se fazer entender em uma língua alvo um texto codificado em língua fonte. Mais que isso, a tradução é abordada como uma tomada de decisão política através da linguagem. O tradutor, por sua vez, é um sujeito autônomo, que se posiciona política, histórica e culturalmente, tanto no ato de interpretação do texto/cultura de partida, quanto no ato de (re) criação desse texto na cultura de chegada. No processo de leitura e (re) criação, esse tradutor/autor deixa alguns traços do seu percurso, que revelam pistas diversas a respeito das suas ideologias, crenças, filosofia de vida e visão de mundo. É esse material que, quando colocado em relação à versão tida como final do texto, nos permite ter melhor compreensão do texto/cultura de partida e de chegada, bem como do lugar do tradutor/autor no processo de tradução (re) criação do novo texto como um todo. Tendo isso em mente, no presente trabalho, objetivo compreender como se configuram as ideologias de Bob Marley no processo tradutório das metáforas em suas canções, quando traduzidas para a língua portuguesa por estudantes de Língua Inglesa da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Para tanto, lanço mão do material produzido por esses estudantes durante o processo de tradução das canções, a partir da gravação dos depoimentos dos tradutores e do registro da digitação online no aplicativo Google Documents. A análise desse material se dá a partir dos pressupostos teóricos-metodológicos da Crítica Genética (SALLES, 2011), da Linguística Cognitiva (LAKOFF & JOHNSON, 1980) e dos Estudos da Tradução (BASSNETT & GENTZLER, 2001).

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  • JAILMA DA GUARDA ALMEIDA
  • O /S/ EM CODA SILÁBICA NO PORTUGUÊS FALADO NAS COMUNIDADES RURAIS AFRO-BRASILEIRAS DE CINZENTO-BA E SAPÉ-BA: UMA ANÁLISE SOCIOLINGUÍSTICA

  • Data: 24/04/2019
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  • O presente trabalho propõe-se a analisar o /S/ em coda silábica nas comunidades afrobrasileiras de Sapé-Ba e Cinzento-Ba, com base nos princípios teóricos da Sociolinguística Variacionista (LABOV, 2008 [1972]). A hipótese que rege esta pesquisa é a de que, por conta de sua formação histórica, as comunidades apresentam especificidades no que tange ao fenômeno estudado quando comparadas a outras variedades do português brasileiro que não possuem a história sociolinguística das comunidades de fala afro-brasileira. Para este trabalho, foram analisadas 1200 ocorrências de /S/ em coda silábica na comunidade de Sapé e 1200 em Cinzento, totalizando 2400 dados. As entrevistas analisadas fazem parte do Acervo de Fala do Português Afro-Brasileiro do Estado da Bahia, coletadas pelo Projeto Vertentes (UFBA). Os dados foram extraídos da fala informal de seis homens e seis mulheres, em cada comunidade, sem ou com até cinco anos escolarização, naturais das localidades indicadas, escolhidos aleatoriamente de acordo com três faixas etárias: faixa I, de 20 a 40 anos; faixa II, de 41 a 60 anos e faixa III, mais de 60. As ocorrências foram submetidas à análise estatística multivariada pelo programa Goldvarb X. Os resultados mostram que a realização alveolar, de maneira geral, tanto em Sapé quanto em Cinzento, é mais usada pelos falantes da faixa etária I, enquanto o apagamento é mais utilizado pelos falantes da faixa etária III. A realização palatal ocorreu, sobretudo, na comunidade de Sapé e se concentrou em interior de vocábulo. A aspiração ocorreu em interior de vocábulo e em final de vocábulo seguido de consoante. Conclui-se, então, que há nas comunidades um quadro de mudança em progresso nos termos de Labov (2008 [1972]), visto que os falantes mais idosos de ambas as comunidades são os que mais apagam a consoante, em contraposição aos falantes da faixa etária I, que lideram a implementação da variante considerada padrão.

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  • BIANCA PRAVATTI DE OLIVEIRA SOBRAL
  • USO DO ARTIGO DEFINIDO DIANTE DE ANTROPÔNIMOS: ANÁLISE COM BASE NO CORPUS DO PROJETO ALiB

  • Orientador : SILVANA SOARES COSTA RIBEIRO
  • Data: 25/04/2019
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  • A variação do uso do artigo diante de antropônimos é um fenômeno ainda pouco investigado no português brasileiro, sobretudo com base em corpus dialetal, o que deixa margem para perguntas sobre as variáveis que condicionam o seu uso/não uso no que tange ao português brasileiro.  A escolha do seu uso versus não uso do artigo diante de nome por parte do informante parece estar condicionada por fatores linguísticos e extralinguísticos, tais como função sintática, relação entre os interlocutores, localidade, quantidade de sílabas, gênero do nome e sexo do informante. As gramáticas também costumam restringir o uso do artigo definido como uma partícula que precede um substantivo de modo a especificá-lo dentre outros de uma mesma espécie. Porém, estudos de base semântica, revelam que, além de função referencial, o artigo definido também possui função pragmática dentro do discurso.  Tomando como base alguns estudos realizados acerca do fenômeno em questão, este trabalho tem por objetivo apresentar resultados encontrados sobre a variação de artigo diante de nomes próprios na fala de 88 informantes da Bahia, com base no corpus do Projeto Atlas Linguístico do Brasil, a fim de contribuir para uma melhor descrição da língua portuguesa falada no território nacional e integrar os trabalhos do Projeto ALiB. Para isso, além de considerar as variáveis linguísticas e extralinguísticas já mencionadas, manteve-se sob controle  os  aspectos  relativos  à  natureza  da elocução, como a proximidade entre os envolvidos no discurso, a relação de familiaridade entre o informante e a pessoa referida. A metodologia utilizada na pesquisa, segue a do Projeto ALiB, com 4 informantes por localidade do interior, divididos em duas faixas etária – de 18 a 30 anos, e de 50 a 65 anos – e de acordo com o sexo, homem ou mulher. Para a capital Salvador, só foram considerados os informantes com escolaridade fundamental incompleta, visando o contraponto com os dados das demais localidades. Para o desenvolvimento da pesquisa, realizou-se a audição completa de todos os inquéritos, com uma atenção especial às perguntas de número 1 e 2 do Questionário Morfossintático, específicas para o fenômeno em questão, além de todo o discurso livro do informante durante a entrevista. Os resultados encontrados foram interpretados levando em consideração os pressupostos de Geolinguística Pluridimensional (CARDOSO, 2015) e da Sociolinguística Quantitativa (LABOV, 2015 [2008]). Os resultados encontrados neste trabalho nos mostram que apenas 15% dos falantes entrevistados fizeram uso do artigo definido no contexto estudado, o que nos leva a afirmar que esse é, de fato, um fenômeno regional, mas que sofre influência de outros fatores de ordem interna e externa da língua.

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  • HEIDE MATOS DUARTE
  • “De que África você vem?”: Uma análise de estereótipos a partir dos relatos de experiência de alunos africanos do PEC-G da UFBA.

  • Orientador : LIVIA MARCIA TIBA RADIS BAPTISTA
  • Data: 26/04/2019
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  • Esta dissertação foca-se na análise de estereótipos sobre a(s) cultura(s) africana(s) e também discute os processos de (res)significação das identidades dos alunos africanos do PEC-G (Programa de Estudantes-Convênio de Graduação), participantes do curso do PROFICI (Programa de Proficiência em Língua Estrangeira para Estudantes e Servidores da UFBA), na UFBA. A partir dos relatos de experiências desses alunos, cujo contato intercultural se dá em Salvador, durante o período de um ano, foram identificados e levantados os estereótipos de outrem sobre a África. Desse modo, dos relatos colhidos, foi realizada a escuta desses alunos quanto a que estereótipos sobre suas culturas africanas e sobre ser africano esses alunos experienciavam em seu contato com brasileiros em Salvador. Assim, analisou-se a presença de estereótipos negativos sobre o africano, de diversos países do continente, e de diversas culturas. A escolha, portanto, desse curso do PROFICI como lugar para pesquisa deveu-se ao fato de ter sido o espaço em que haveria um maior contato com alunos estrangeiros africanos, já que o PEC-G proporciona a vinda desses para o Brasil, levando em consideração o objetivo político-educacional deste programa, relacionado ao investimento em relações internacionais com países em desenvolvimento, abrindo portas nas universidades brasileiras para estudantes de outros países da América Central e do Sul, Timor Leste e África. O PROEMPLE, curso de português para estrangeiros do PROFICI, desta forma, possibilita uma relação mais próxima com os sujeitos africanos e suas culturas, por isso, a partir deste contato, buscou-se responder à seguinte questão: Como os estereótipos, construídos por outrem, sobre a África, (res)significam as identidades dos alunos africanos do PEC-G DA UFBA? Para tanto, foram discutidos conceitos sobre identidade, cultura, racismo, preconceito e, além disso, como as aulas de PLE poderiam ajudar no debate e na desconstrução destes estereótipos negativos sobre a África, de forma a contribuir para uma educação crítica no contexto da contemporaneidade.

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  • RODRIGO PEREIRA MOTA SOARES
  • A DIFUSÃO SOCIAL DA ESCRITA NAS ILHAS DOS AÇORES NO SÉCULO XVI

  • Orientador : TANIA CONCEICAO FREIRE LOBO
  • Data: 26/04/2019
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  • Há um desconhecimento sobre de que forma o universo da escrita se profundiu nos territórios ultramarinos dominados pelo Império Português. A fim de preencher essa lacuna, o Programa História da Cultura Escrita no Brasil (HISCULTE), vinculado ao PROHPOR (Programa para a História da Língua Portuguesa), tem lançado mão do propósito de, a partir de diferentes fontes e métodos, compreender os mais diversos graus de penetração da escrita nos territórios colonizados por Portugal, tendo já colhido resultados consistentes sobre períodos mais recuados do Brasil Colônia. Este trabalho objetiva, por sua vez, dar notícias sobre a difusão social da escrita em outros territórios de domínio português, nomeadamente nas ilhas que compõem o arquipélago dos Açores, quando da segunda metade de quinhentos. Para isso, metodologicamente, os resultados emergiram da análise do conjunto de depoimentos prestados e assinados perante o Santo Ofício, constantes nas fontes inquisitoriais produzidas na primeira e na segunda visitações da Inquisição às Ilhas do Atlântico (1575-1579 e 1592-1593). Assim, em primeira instância, o estudo se concentra na contextualização da História Social dos Açores para, a posteriori, mensurar os níveis de alfabetismo da população, aplicando o chamado método do cômputo de assinaturas, indicador que tem permitido aproximações sobre aspectos censitários da alfabetização em sociedades do Antigo Regime. Dentre as nove ilhas do arquipélago, em duas, se instaura a mesa do Santo Ofício: São Miguel e Terceira, tendo destaque a atuação da Inquisição nas cidades de Ponta Delgada e Angra. Na análise, as variáveis sociais que compõem o perfil sociológico das testemunhas são sexo, estado civil, condição religiosa, etnia, origem geográfica, residência, faixa etária e estrato sócio-ocupacional. Desse modo, trabalhando com dados gerais, quantitativos, das referidas assinaturas – entendidas como indicadoras de certo grau de letramento –, é possível compor um quadro aproximativo da faculdade das letras no contexto dos Açores, com vistas a modestamente delinear os diferentes perfis dos letrados nesse período. Pretende-se, portanto, contribuir para o estudo da história da difusão da escrita no Império Português, nomeadamente no contexto de quase ausência de instituições voltadas ao ensino da leitura e da escrita, de modo a reconhecer as diferentes funções sociais de saber ler e escrever no universo açoriano.

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  • NATALI GOMES DE ALMEIDA SANTANA
  • AS CONSTRUÇÕES DATIVAS NO PORTUGUÊS DE DUAS COMUNIDADES BILÍNGUES DE SÃO TOMÉ (ÁFRICA)

  • Orientador : ALAN NORMAN BAXTER
  • Data: 29/04/2019
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  • O objeto de estudo desta dissertação são as construções dativas dos verbos bitransitivos no português reestruturado de duas comunidades bilíngues de São Tomé (África): Monte Café e Almoxarife. A diversidade linguística em ambas as comunidades se verifica pela presença de três variáveis distintas para expressar o dativo. A primeira variável é a alternância dativa, cujas variantes são a realização do OI como Construção Dativa Preposicionada (CDP), no exemplo “dexô casa pa filho”, ou como Construção de Objeto Duplo (COD), no exemplo “ê levava comida filho”. A segunda variável é a realização do OI pronominal, cujas variantes são a Construção com Clítico Dativo (CCD) [padrão], exemplo “Eu vi que nõ ia me dar essa vantagem”, em contraste com as variantes não-padrão, expressas nos exemplos “Tem que dá seôr purada” e “Dá ajuda pa nós”, que correspondem, respectivamente, à COD e à CDP [não-padrão]. A terceira variável corresponde à colocação do OI clítico, cujas variantes são a posição enclítica, no exemplo “Então deram-lhe um lugar” e a posição proclítica, no exemplo “me levô aqui dois cabra”. Este trabalho descreve os condicionamentos linguísticos e extralinguísticos para esse quadro de variação nestas comunidades santomenses que, embora geograficamente distantes, possuem uma sócio-história muito próxima e compartilham com o Brasil uma história de colonização portuguesa, marcada por povoamento, migrações forçadas, distribuições latifundiárias, relações de dominadores-dominados e situações de bilinguismo. A pesquisa se desenvolveu com o aporte teóricometodológico da Sociolinguística Variacionista (LABOV, 2008; GUY; ZILLES, 2007). Os dados foram extraídos de dois corpora (BAXTER, 2004 e 1998-2000), que registram a fala de 24 informantes de Monte Café e de 18 de Almoxarife, distribuídos por gênero em três faixas etárias, I (de 20 a 40 anos), II (de 41 a 60 anos), III (mais de 60 anos), e foram processados pelo programa GOLDVARB-X (SANKOFF; TAGLIAMONTE; SMITH, 2005). Os resultados revelaram a preferência pelas variantes não-padrão; pela preposição para, nos casos de CDP; e pela ordem OI-OD, nos casos de COD, mesmo quando se trata de verbos leves. Verificou-se também que, na escolha da construção dativa, a semântica do verbo é mais relevante do que o tipo de predicação. Em Monte Café, observou-se um favorecimento ao uso do OI clítico apenas na faixa I. Já em Almoxarife, essa mesma variável, associada à variável escolaridade, sugere um perfil de aquisição do clítico dativo, mediante, principalmente, a escolarização. Os resultados contribuem com a proposta de Petter (2009, 2015) sobre a existência de um continuum afro-brasileiro, ao indicar uma relação, no que diz respeito às construções dativas, entre o português dos tongas, o de Almoxarife, o português afro-brasileiro (LUCCHESI; MELLO, 2009) e o português urbano de S. Tomé (GONÇALVES, R., 2016).

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  • RAMON AREND PARANHOS
  • AQUI, ALI, AÍ E LÁ NO DP NO PORTUGUÊS RURAL AFRO-BRASILEIRO DE HELVÉCIA-BA

  • Orientador : MARIA CRISTINA VIEIRA DE FIGUEIREDO SILVA
  • Data: 30/04/2019
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  • Este estudo tem por objeto a análise do uso de aqui, ali, e no DP (determiner phrase) a partir de dados de informantes da comunidade rural afro-brasileira de Helvécia/BA. Esses elementos são usados inicialmente para estabelecer relações dêiticas de: proximidade em relação ao falante, aqui; proximidade ao ouvinte, ; distância medial do falante e do ouvinte, ali; distância remota do falante e do ouvinte, . No que tange ao domínio do DP, tal como acontece no PE, aqui, ali, e podem ser usados como um reforçador para marcar dêixis (como no exemplo (1)). Mas, além disso, o e o lá, principalmente, podem ser um especificador de uma projeção funcional no DP com o intuito de marcar a especificidade (como no exemplo em (2)).

    (1)     Aquele menino lá é meu neto.

    (2)     Um menino aí me disse que isso era mentira.

    O uso desses elementos como marcador de especificidade evidencia uma diferença entre o Português Europeu (PE) e o Português Brasileiro (PB), provavelmente como resultado do processo de contato linguístico da língua portuguesa em um contexto de multilinguísmo generalizado no Brasil. No intuito de verificar as influências do contato linguístico, é feita uma investigação sobre a formação de determinantes e de marcadores de especificidade em línguas crioulas e em línguas africanas, principalmente as línguas bantas e as línguas kwa, do subgrupo Gbe. Além disso, é realizada a análise de dados a partir dos registros de falas de 22 informantes do Português Brasileiro Popular (PBP), da comunidade rural afro-brasileira de Helvécia/BA. Os dados foram quantificados com o objetivo de delinear a distribuição e a produtividade do uso de aqui, ali, e como dêiticos e como marcadores de especificidade. Observa-se que esses elementos atuam normalmente com funções dêiticas, em coocorrência com demonstrativos e podem exercer função de um marcador de especificidade principalmente em DP [- definido]. A estrutura interna do DP (DET[+DEF] / DET[-DEF] / DEM / NOME NU / PRON) revelou ser um fator condicionante para a marcação de deiticidade ou de especificidade.  O estudo da fala de afro-descendentes traz evidências para se entender a emergência de um marcador de especificidade, bem como fornece uma base de dados para compreensão desse fenômeno em outras línguas.

     

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  • LUCAS RODRIGUES SOARES DA CONCEICAO
  • UMA EXPERIÊNCIA COM O PORTUGUÊS LE/L2 NA BAHIA-BRASIL: PERCEPÇÕES DOS ALUNOS PRÉ-PEC-G (UFBA) SOBRE SEU APRENDIZADO A PARTIR DA PEDAGOGIA DE PROJETOS.

  • Orientador : EDLEISE MENDES OLIVEIRA SANTOS
  • Data: 10/05/2019
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  • A presente pesquisa tem o objetivo de identificar quais as percepções de aprendizagem dos alunos pré-PEC-G (Programa de Estudantes-Convênio da Graduação) a partir da experiência com a pedagogia de projetos. Trata-se de uma pesquisa de cunho etnográfico interpretativista, realizada ao longo de um semestre de aulas, em duas turmas do PROFICI (Programa de Proficiência em Língua Estrangeira para Estudantes e Servidores da UFBA), mais especificamente em um dos seus subprogramas, o PROEMPLE (Programa Especial de Monitoria de Português Língua Estrangeira). Para a geração dos dados, foram utilizados diferentes procedimentos e instrumentos de pesquisa, tais como: observação de campo, diário de campo e de registro, questionário e entrevista semiestruturada. As informações obtidas ao longo desse processo possibilitaram discussões a respeito dos contrapontos que podem ser feitos entre os benefícios esperados por aprendizes a partir da pedagogia de projetos e o que os estudantes relataram em suas falas, além de quais melhorias podem ser realizadas, tanto na metodologia do programa, quanto para o curso de modo geral. Para isso, embaso-me teoricamente em alguns conceitos e características do trabalho com projetos no âmbito do ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras, a partir das visões de Fried-Booth (2002), Stoller (2006), Kemaloglu (2010). Ademais, abordo aspectos relevantes para a compreensão do meu objeto de investigação como a gramática contextualizada à pedagogia de projetos, o sentido de autonomia e o trabalho em grupo apoiado nas ideias de autores como Ritcher (2003), Ellis (1997), Oxford (1997) e Freire (1996). Os dados gerados nessa pesquisa apontam para a necessidade de um ensino que dialogue com a gramática em uso, dê ênfase em atividades escritas, permita a redução do número de projetos, promova mudanças de ordem e temas, além da reflexão crítica do professor sobre seu papel diante de tal proposta metodológica.

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  • CEMARY CORREIA DE SOUSA
  • VOCABULÁRIO DIALETAL DA REGIÃO NORTE DO BRASIL: UM ESTUDO DAS CAPITAIS COM BASE NOS DADOS DO PROJETO ALiB

     

  • Orientador : AMERICO VENANCIO LOPES MACHADO FILHO
  • Data: 23/05/2019
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  • Produtos lexicográficos, tais como dicionários e vocabulários, têm em sua gênese a função de registrar um pouco do espólio cultural que se constrói com o uso da língua. Evidencia-se, contudo, que, em especial no Brasil, no que concerne à variação, apesar do contínuo avanço dos estudos lexicais, os trabalhos lexicográficos em geral ainda não registram satisfatoriamente a diversidade linguística, o que serviu de peça motriz para a construção desta dissertação, o Vocabulário Dialetal da Região Norte do Brasil (VDN), filiado ao Dicionário Dialetal Brasileiro (DDB), no âmbito do Projeto Atlas Linguístico do Brasil. Esta dissertação tem, portanto, por objetivo registrar, lexicograficamente, unidades lexicais em variação na norma falada na Região Norte. Para isso, esta pesquisa se vale de princípios teóricos da lexicografia histórico-variacional e da dialetologia. O corpus foi constituído a partir das respostas ao Questionário Semântico-Lexical (QSL), um dos instrumentos metodológicos do ALiB, referente a 14 áreas temáticas – Acidentes geográficos; Alimentação e cozinha; Astros e tempo; Atividades agropastoris; Ciclos da vida; Convívio e comportamento social; Corpo humano; Fauna; Fenômenos atmosféricos; Habitação; Jogos e diversões infantis; Religião e crenças; Vestuário e acessórios e Vida urbana – totalizando 202 questões, em 6 capitais da Região Norte do Brasil: Macapá, Boa Vista, Manaus, Belém, Rio Branco e Porto Velho. No que tange aos resultados, o VDN apresenta 581 verbetes completos e remissivos, e revela a riqueza lexical da Região.

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  • ANDIARA ARAÚJO NASCIMENTO
  • História e culturas afro-brasileiras e afro-anglófonas nas aulas de Língua Inglesa

  • Orientador : MARCIA PARAQUETT FERNANDES
  • Data: 17/06/2019
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  • Alicerçada pelas bases teóricas da Linguística Aplicada e em diálogo com pressupostos da educação étnico-racial, esta pesquisa qualitativa de cunho etnográfico se propõe a responder a seguinte pergunta: de que modo as temáticas relacionadas à história e às culturas afro-brasileiras e afro-anglófonas podem ser trabalhadas na sala de aula de inglês numa perspectiva intercultural? A pesquisa se justifica pela certeza de que a aprendizagem de uma língua estrangeira consiste em desenvolver não somente competências linguísticas, mas em conhecer e interagir com as culturas da língua alvo. No entanto, quando se trata de aprendizagem de língua inglesa, existe uma equivocada ideia imperialista implícita, que concede o lugar de protagonista às culturas brancas, estadunidenses e britânicas, historicamente hegemônicas. Isso oculta muitas riquezas culturais da diáspora africana que também caracterizam essa língua, além de fortalecer ideologias racistas, eurocêntricas, em detrimento de saberes de matriz africana, compactuando com práticas colonialistas que apagam as contribuições dos povos africanos para a construção da nação brasileira, locus dos participantes da pesquisa. No Brasil, o tema da pluralidade cultural no currículo foi incluído nos Parâmetros Curriculares Nacionais, em 1998, como tema transversal, sem obrigatoriedade de sua aplicação. No entanto, somente em 2003 a Lei Nº 10.639/03 altera a Lei Nº 9.394/96 de Diretrizes e Bases da Educação, determinando a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana no currículo escolar. Essa determinação explica os interesses desta pesquisa, cujo foco está na Educação Básica, através do ensino de Inglês como Língua Estrangeira (ILE), já que valida e respalda práticas pedagógicas de combate ao racismo. Para efetivar a proposta foram elaboradas nove aulas de base intercultural, as quais foram ministradas no Ensino Médio de uma escola pública de Praia do Forte, importante centro turístico da Bahia. Os resultados da pesquisa comprovam que os participantes foram impactados positivamente ao interagir com conhecimentos étnico-raciais, uma vez que, ao reconhecer esses saberes como elementos constituintes de suas identidades e das culturas da língua inglesa, puderam expressar suas opiniões e discutir criticamente ideologias racistas, integrando-se com seus discursos de resistência na luta contra o mito da democracia racial.

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  • ALBERT DA CRUZ RIBEIRO
  • A REALIZAÇÃO DO SUJEITO PRÉ-VERBAL EM ORAÇÕES NÃO FINITAS NO ESPANHOL CARIBENHO

  • Orientador : CARLOS FELIPE DA CONCEICAO PINTO
  • Data: 01/07/2019
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  • Assume-se na Gramática Gerativa (CHOMSKY, 1995) que os verbos finitos licenciam sujeitos léxicos por disporem de traços [+T, +Agr], que são responsáveis por checar o Caso nominativo. Em algumas línguas, como o português brasileiro, o infinitivo, por possui traço de concordância [+Agr], como em É importante eles assinarem a declaração (RAPOSO, 1992), que licencia o Caso nominativo para o sujeito realizado de infinitivo. O espanhol é uma língua que não possui infinitivo flexionado, postulando-se que, na posição de sujeito de infinitivo, está a categoria vazia PRO. No entanto, encontramos no espanhol caribenho construções de infinitivos com sujeitos pré-verbais, como em, Ven acá para nosotros verte (TORIBIO, 2000). O objetivo da presente dissertação é explicitar como se dá a realização dos sujeitos pré-verbais nas orações não finitas no espanhol caribenho, já que esta variedade do espanhol tampouco possui infinitivo flexionado. Este trabalho toma como referencial teórico o Programa Minimalista (CHOMSKY, 1995) e parte dele para lançar luz sobre a variação sintática do espanhol em perspectiva paramétrica, a fim de descrever e explicar, à luz da Teoria do Caso, a realização dos sujeitos pré-verbais de infinitivos no espanhol caribenho. A conclusão é  que o Caso dos sujeitos pré-verbais da oração não finita no espanhol caribenho é realizado por um Caso default (SCHÜTZE, 2001), uma vez que esses sujeitos não são associados a nenhum tipo de traço de Caso (checado por mecanismo sintático) e tampouco são controlados por nenhum elemento sintático.

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  • ERICK NUNES SANTOS
  • ENSINO MÚTUO NA PROVÍNCIA DA BAHIA NO SÉCULO XIX (1821 – 1859): O QUE REVELAM OS DOCUMENTOS OFICIAIS?

  • Data: 05/07/2019
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  • Este trabalho insere-se no campo de investigação sobre a história social linguística do Brasil, no que tange à formação do português brasileiro, e o papel da escolarização (MATTOS e SILVA, 2004), além de dialogar com os pressupostos da história cultural e história da cultura escrita. (CASTILLO GÓMEZ, 2003). Mattos e Silva (2004) apresenta hipóteses de trabalho para recuperar uma história do português brasileiro. Entre essas hipóteses está o “campo que se moverá na reconstrução de uma história social linguística do Brasil”. A partir desse campo, a autora propõe duas vertentes de investigação, sendo uma delas a reconstrução da história da escolarização no Brasil, através das políticas linguísticas, fossem elas a dos jesuítas, ou fosse a implementada pelo Marquês de Pombal. E com eles atrelados o fator demográfico que, embora não seja capaz de explicar os problemas linguísticos, servem como indicadores para interpretar “os processos linguageiros ocorridos no Brasil”. (MATTOS e SILVA, 2004. p. 59). O sistema educacional brasileiro passou, assim, por diversas mudanças ao longo
    dos séculos. Mas é no século XIX, em que vários foram os decretos, leis voltados para a educação; também, foram diversos os métodos de ensino existentes. Alguns desses métodos surgiram na Europa, dentre eles o Método Lencasteriano, ou Método de Ensino Mútuo, no início do século XIX, e logo foi difundido para outras partes, incluído as províncias brasileiras. O Método de Ensino Mútuo é o nosso objeto de pesquisa. Tivemos como objetivo geral verificar como se deu a aplicação desse Método, na província da Bahia, no século XIX. Para tanto, foram desenvolvidas pesquisas, em bibliotecas, arquivos etc. e, no Arquivo Público do Estado da Bahia, foi possível encontrar três maços que apresentam informações sobre o Ensino Mútuo, sendo um deles totalmente centrado no método. São eles, os maços: 3996 – Mapas de alunos 1830 -1844; 4002 – Ensino elementar: prédios escolares; e 4006 - Ensino elementar Ensino Mútuo – Método Lencastriano. Este último maço é uma compilação, composta por documentos referentes aos anos de 1825 até o ano de 1859, nos mais variados gêneros documentais: relatórios ao presidente da província, pedido de ordenado, reclamação em relação a atraso de salários, inventários, pedidos de materiais didáticos, entre outros. Os objetivos específicos desta pesquisa são: identificar nos documentos dos referidos maços do Arquivo Público do Estado da Bahia, em quais estabelecimentos ocorreu a aplicação desse método, no século XIX; qual a quantidade de alunos que frequentava esses espaços, e buscar informações referentes a materiais didáticos e conteúdos de língua portuguesa ensinados. Através das pesquisas, constatamos escolas com expressiva popularidade e êxito. Como procedimentos metodológicos usados na pesquisa, esses são da pesquisa histórica, de cunho qualitativo, pois documental e bibliográfico. Os resultados elucidam sobre como se deu a aprendizagem da escrita, nas escolas em que houve a aplicação do Método de Ensino Mútuo, na Província da Bahia, no século XIX.

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  • GHAITH JANOUDY PENAFORTE
  • The local culture in public high schools? ELT coursebooks: A comparison between Brazil and Syria

  • Orientador : DOMINGOS SAVIO PIMENTEL SIQUEIRA
  • Data: 12/07/2019
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  • Cultura nos livros modernos de inglês é um componente essencial. Tanto importante quanto o conteúdo linguístico. A globalização e a revolução tecnológica fizeram inglês uma língua franca, e uma língua internacional usada para comunicação quase em todo lugar quando os falantes não compartilham outra língua. No mesmo tempo, alunos entraram o centro do processo educacional e tornaram-se mais importante que as suas culturas estejam mais valorizadas. Um processo de valorização que quando aplicada corretamente ajuda criar uma harmonia na sala de aula que facilita ensino e aprendizagem, e que também ajuda alunos se-expressar num mundo onde os falantes
    nativos não são a única autoridade linguística mais. Usando uma categorização baseado numa revisão de literatura de desenvolvimento do conceito de cultura, eu, nesse estudo, faço uma análise da presença e representação das culturas locais em dois grupos dos livros de inglês usados em escolas públicas no Brasil e Síria. Essa é uma pesquisa qualitativa que usa estratégias de análise de conteúdo, e que produz seus dados através de tabelas criadas em acordo com categorias e subcategorias culturais. O estudo analisa esses dados procurando similaridades e diferenças na apresentação e nas escolhas culturais os livros fazem.

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  • CRISTIANE D ECA MOREIRA GONCALO DA SILVA
  • A VARIAÇÃO NA REALIZAÇÃO DO SUJEITO PRONOMINAL NO ESPANHOL AMERICANO

  • Orientador : CARLOS FELIPE DA CONCEICAO PINTO
  • Data: 18/07/2019
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  • A variação do espanhol é tema de discussão desde o final do século XIX. Contudo, a discussão se concentrou em relação aos aspectos fônicos e lexicais. A variação morfossintática, em especial, a variação sintática, foi pouco explorada considerando as perspectivas teóricas disponíveis durante a primeira metade do século XX para o estudo linguístico. A partir dos anos 1980, o modelo gerativista implementou uma perspectiva teórica a fim de explicar o funcionamento da faculdade da linguagem humana baseada no modelo de Princípios e Parâmetros. A variação entre realização e a omissão do sujeito nas diferenças das línguas pode ser explicada assim a partir de escolhas paramétricas diferentes. O Objetivo da presente Dissertação é observar o funcionamento do sujeito pronominal no espanhol americano partindo da descrição do funcionamento da omissão/expressão do sujeito pronominal americano, observando fatores linguísticos e extralinguísticos que podem condicionar a omissão ou a expressão do sujeito pronominal no espanhol de Cuba, Venezuela e México a partir de um corpus de estudo constituído de maneira semelhante para cada uma das regiões. A dissertação está organizada da seguinte maneira: 1) Há uma introdução na qual são apresentadas as propostas, os problemas e as hipóteses do trabalho; 2) Em seguida, apresentamos uma breve discussão sobre a variação do espanhol na atualidade, com alguns destaques para o espanhol caribenho; 3) fazemos uma discussão sobre a realização e a omissão do sujeito pronominal com base na perspectiva tradicional e gerativista; 4) Apresentamos os dados e discutimos os resultados obtidos a partir da análise do corpus PRESSEA; 5) Fazemos as considerações finais do trabalho apontando que os dados não confirmam plenamente as hipóteses formuladas inicialmente.

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  • KAREM EVELYN NOGUEIRA BACELLAR
  • AS FORMAÇÕES EM –DOR: UMA ANÁLISE SINTÁTICO-SEMÂNTICA

  • Orientador : MARIA CRISTINA VIEIRA DE FIGUEIREDO SILVA
  • Data: 31/07/2019
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  • Esta dissertação tem por objetivo investigar as formações com o sufixo –dor do português, considerando os pressupostos gerais da Teoria da Gramática. Na literatura, o sufixo –dor é, em geral, caracterizado por derivar palavras de verbo com valor agentivo habitual, derivando ora substantivos, ora adjetivos, com esses valores (OLIVEIRA, 2009). No entanto, partindo da análise do corpus desta pesquisa, observamos que as formações com o sufixo referido apresentam maior diversidade e, por isso, maior complexidade do que aquelas apontadas na literatura. Além de formações habituais, foram encontradas formações cuja leitura do aspecto do evento verbal é contínua, progressiva e não progressiva, bem como formações com leitura de evento perfectivo. Com o intuito de apontar para uma possível via explicativa que dê conta dessa complexidade, apresentamos uma proposta de análise para essas formações, partindo dos pressupostos teóricos da Morfologia Distribuída (HALLE; MARANTZ, 1993, 1994; MARANTZ, 1997; SIDIQQI, 2009), em que o sufixo possa ser interpretado como um elemento proforma, inserido em contextos não verbais. Esta dissertação norteia-se através da hipótese central de que as diferentes leituras são resultado das diversas possibilidades de configuração da estrutura sintática subjacente a cada formação. Para compreender como funciona esse processo, realizamos uma descrição detalhada das ocorrências encontradas dos dados da língua, considerando os possíveis fatores que possam interferir nas diferentes leituras que as formações em –dor apresentam no português, como interferência das propriedades do verbo base junto à configuração das projeções que podem estar presentes na estrutura dessas formações.

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  • GUSTAVO SANTOS MATOS
  • O LATIM PRESENTE NOS LIVROS DO TOMBO DO MOSTEIRO DE SÃO BENTO DA BAHIA
  • Data: 05/08/2019
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  • Fundado em 1582, representando o desejo de afirmação da fé cristã, o Mosteiro de São Bento da Bahia foi o primeiro cenóbio beneditino edificado em todas as Américas. Sua presença no cenário da sociedade baiana e brasileira foi de grande importância para o progresso da região e para a criação de uma identidade marcante e própria. Produtor e salvaguarda da história escrita da Bahia e do Brasil possui em seu arquivo os Livros do Tombo do Mosteiro de São Bento da Bahia, reconhecidos como Patrimônio da Cultura Mundial pela UNESCO que guardam em suas seculares páginas muito da história da cidade de Salvador da Bahia. São documentos de teor jurídico (doaçoens, escripturas de terras, autos de posse, testamentos, sentenças, despachos, quitações, petições) que trazem em suas linhas muitos elementos latinos. O latim, língua de diversas instituições romanas, sempre esteve presente no caminhar do Direito. Tornaram-se assim, o latim e o Direito, elementos indissociáveis e, a eles, junta-se a Igreja, maior mantenedora da língua latina desde sempre. Este Direito Romano influencia grande parte do Ocidente e isso inclui Portugal onde a prática jurídica possui diversas fontes. Será sob a égide do Direito Português que se desenvolverá o fazer jurídico no Brasil Colônia. Por serem jurídicos os documentos aqui estudados, a presença do latim é intrínseca e, consequentemente, a sua leitura trabalhosa ou impossível para quem não conhece a língua. Assim no campo da Filologia esse trabalho tem por objetivo uma tradução livre dos elementos latinos presentes no Livro Velho do Tombo e o Livro III do Tombo, considerando a falta de regularidade do latim utilizado à época, e a classificação destes em quatro grupos de acordo com as suas características linguísticas: termos latinos isolados no contexto; sequências sintagmáticas livres em língua latina; fraseologismos em língua latina; argumentação em língua latina. Para ambientar sobre a presença do latim nos documentos, é apresentada também as fontes do direto português: o Direito Romano, o Direito Visigótico e o Direito Canônico, que se materializam em território lusitano em uma compilação, primeiramente chamada de Ordenações Afonsinas e posteriormente de Ordenações Manuelinas, além de mostrar como Igreja, Direito e Latim se entrelaçam. O trabalho visa assim facilitar o acesso ao conteúdo dos documentos que apresentam elementos latinos nos Livros do Tombo a qualquer pessoa que queira deles se valer.

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  • MARCIA REGINA PINHO
  • NAVEGANDO EM MAR ABERTO: GLOBALIZAÇÃO E ENSINO DE LÍNGUA INGLESA (LE) DENTRO DE UMA PERSPECTIVA INTERCULTURAL: UM ESTUDO DE CASO

  • Data: 23/08/2019
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  • Aprender Inglês, na atualidade também aparece como uma das habilidades requeridas
    para a inserção no mundo acadêmico e para melhores oportunidades profissionais. Além
    disso, o inglês como língua global é a língua de comunicação entre povos. O mundo
    está em contato com esse idioma nos mais diversos contextos diários, seja nas redes
    sociais, nas músicas, nos filmes e séries internacionais, bem como na enorme
    quantidade de estrangeirismos que são constantemente incorporados à Língua
    Portuguesa. Sabendo-se que a Globalização é um fato consumado na
    contemporaneidade, é (entre outras coisas) o resultado do desaparecimento das
    fronteiras mundiais, minimizando distâncias, e, por conseguinte, propiciando a interação
    entre as nações, nesse processo compartilhamos sobre a nossa vida e cultura com a vida
    e cultura do outro. Há também o outro lado da Globalização, que está presente no
    processo de colonização, que de alguma forma foi e ainda é de “alienação”. Com o
    passar do tempo a Língua Inglesa (LI) tornou-se a língua de transações nos negócios
    entre países e também no uso acadêmico. Esses aspectos conferiram a disseminação da
    LI, o seu caráter de língua internacional. Portanto o seu aprendizado se tornou uma
    necessidade, “de forma a garantir um veículo internacional” (DAVID CRYSTAL,
    2005). Assim, o objetivo da nossa pesquisa foi o ensino da língua inglesa (LI) como
    língua estrangeira (LE), dentro de uma perspectiva intercultural, ligada diretamente ao
    processo de Globalização, observar suas dinâmicas numa sala de aula de Ensino Médio,
    em um Instituto Federal da Bahia. Os participantes da pesquisa, afirmaram que
    “acreditavam que na sala de aula de inglês deles o idioma era ensinado e aprendido de
    maneira intercultural”. A pesquisa é um estudo de caso, onde foram utilizados diários de
    bordo (notas das observações), questionários e chegamos à conclusão que esse caso
    especificamente, mostrou-nos que o grupo tem o seu entendimento sobre
    interculturalidade e globalização, a maioria tinha uma visão sobre a abordagem
    intercultural apenas em se tratando de se ensinar inglês abordando as mais variadas
    culturas possíveis (inclusive as nossas), mas é notório que eles não entendiam a
    abordagem intercultural com todas as considerações que esse termo traz.

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  • REMIGIO PIRES DE NOVAES
  • O DISCURSO ÉTNICO-RACIAL DE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO NAS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA NO CONTEXTO TECNOLÓGICO FEDERAL

  • Orientador : ANTONIO MESSIAS NOGUEIRA DA SILVA
  • Data: 30/09/2019
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  • Este estudo analisou o discurso étnico-racial de estudantes do ensino médio nas aulas de língua portuguesa no contexto tecnológico federal, com o objetivo de compreender como se constitui a prática discursiva étnico-racial de estudantes de ensino médio nas aulas de língua portuguesa no contexto tecnológico federal. Os dados da análise foram recolhidos a partir da produção textual dos estudantes do 3º ano do ensino médio do Instituto Federal da Bahia (IFBA), campus Salvador. Durante as aulas de língua portuguesa, foram gerados 55 relatos de experiência, 55 redações dissertativaargumentativa e 27 questionários. O estudo foi desenvolvido com base nos
    pressupostos teórico-metodológicos da Linguística Aplicada Crítica (LAC), a partir da concepção da transdisciplinaridade da linguagem para problematização das questões sociais (CELANI, 1998; PENNYCOOK, 2008; MOITA LOPES, 2006; KLEIMAN, 2013) e para a reflexão das relações étnico-raciais nas aulas de língua portuguesa. Os dados submetidos à análise qualitativa foram interpretados baseados em três categorias de análise: (a) identidade negra, (b) racismo dentro e fora do contexto do IFBA e (c) relações raciais nas aulas de língua portuguesa. Os resultados evidenciaram, de um modo geral, que para os(as) estudantes negros(as) assumir a identidade negra consiste em romper com o discurso de exclusão e dominação caracterizado pela construção dos estereótipos e inferiorização dos traços fenótipos e da cultura negra. Além disso, nas produções  discursivas dos estudantes foi possível perceber umdiscurso de pertencimento e solidariedade com a valorização da cultura e história afrobrasileira, a valorização da estética da identidade negra. Sobre as práticas do racismo no cotidiano fora do contexto escolar, os dados demonstram que o racismo ainda é uma realidade que afeta as relações sociais, afetivas e de auto aceitação dos sujeitos. No contexto tecnológico federal, os(as) estudantes relatam diversas experiências que ratificam a existência no espaço institucional, mas também apontaram a instituição como um lugar da pluralidade racial e que tem concedido abertura para o combate das práticas de racismo. Por fim, a análise evidenciou que as aulas de língua portuguesa foram importantes para a formação crítica dos estudantes, a partir da inserção de literatura de autores afro-brasileiros, debates, rodas de conversas, seminários, e a valorização da cultura negra na sala de aula.

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  • SARA OLIVEIRA DA CRUZ
  • FIZ UM BLOG, E DAÍ?

    UMA EXPERIÊNCIA DE ENSINO DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA/SEGUNDA LÍNGUA EM PERSPECTIVA INTERCULTURAL E CRÍTICA

  • Orientador : EDLEISE MENDES OLIVEIRA SANTOS
  • Data: 18/10/2019
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  • Este estudo propõe o uso do blog como um ambiente favorável ao ensino de Português como Língua Estrangeira/Segunda Língua em perspectiva intercultural e crítica. Inicialmente, buscamos refletir sobre a experiência de uso dessa tecnologia digital durante o período em que a pesquisadora atuou como professora em formação no Núcleo Permanente de Extensão em Letras (NUPEL), com vistas a ressignificá-la. A partir dessas reflexões, por meio da proposição de um conjunto de atividades, visamos desencadear experiências interculturais que pudessem potencializar o uso dessa tecnologia em uma perspectiva sensível às culturas dos sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem (MENDES, 2008). Trata-se de uma pesquisa qualitativa de cunho etnográfico, com recortes autoetnográficos, que gerou dados a partir de entrevistas, anotações no diário de campo e relatórios de estágio. Esses dados foram gerados tendo a participação de professores em formação de PLE/L2 que atuavam em dois programas da Universidade Federal da Bahia (UFBA): Núcleo Permanente de Extensão em Letras (NUPEL) e Programa Especial de Monitoria de Português como Língua Estrangeira (PROEMPLE). Os principais resultados desta pesquisa apontam para lacunas no processo de formação desses professores, devido à assimetria nas orientações e abordagens dos coordenadores/professores formadores durante a graduação em Letras em Português como Língua Estrangeira. Ademais, mostram que utilizar o blog nas aulas de PLE/L2, em uma perspectiva intercultural e crítica, pode contribuir para a formação de professores mais reflexivos, mais sensíveis às práticas pedagógicas desenvolvidas em sala de aula, uma vez que se trata de um ambiente rico e produtivo para ensinar a própria língua materna como LE/L2, sendo este resultado de um conjunto de ações que envolve professores formadores, professor em formação, aprendizes e sociedade.

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  • MANUELA SOLANGE SANTOS DE JESUS
  • UM OLHAR REFLEXIVO SOBRE AS PRÁTICAS DE LETRAMENTO EM AMARGOSA-BA: DESAFIOS E IMPLICAÇÕES NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

  • Orientador : DENISE MARIA OLIVEIRA ZOGHBI
  • Data: 20/11/2019
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  • O presente trabalho propõe uma investigação sobre as práticas de letramento no ensino de língua portuguesa em classes dos anos finais do ensino fundamental em Amargosa-BA. Para tanto, averiguou-se tal ensino em duas classes de tal nível escolar, 7º e 8º ano, respectivamente, tendo em vista a aceitação de docentes de língua materna a tal pesquisa acadêmica. Com base no entendimento de que as práticas de letramento são capazes de transformar o indivíduo socioculturalmente, haja vista que o ler e escrever envolvem ações dentro e fora do ambiente escolar, entende-se como os letramentos estão relacionados ao exercício da cidadania, no seu sentido mais amplo, mas também a apropriação e utilização das informações e conhecimentos produzidos pela humanidade. Levando em conta a relação entre os letramentos e a agência-escola, espaço por assim dizer privilegiado de diversidades, atuações e sentidos formativos, busca-se, a partir de observações às aulas de língua materna, descrever as percepções sobre ensino de língua e seu imbricamento em práticas letradas, bem como as metodologias empregadas por docentes de língua portuguesa, no que tange a leitura e a escrita, em suas atuações pedagógicas no município amargosense. Ao se enquadrar em uma pesquisa qualitativa – interpretativista de cunho etnográfico –, na qual os fatos foram observados, registrados, analisados e interpretados em seus cenários naturais, a fim de apreender os significados conferidos pelos sujeitos participantes, tal pesquisa centrou-se, especificamente, numa escola da Educação Básica, atualmente administrada pela rede estadual de ensino, situada no município de Amargosa-BA. Partindo do pressuposto de que a linguagem é uma atividade socialmente construída, que possibilita múltiplas interpretações, corrobora posicionamentos e é constitutiva das práticas sociais de leitura e escrita, o trabalho realiza a junção de marcos teóricos relevantes, a saber: concepções de língua, ensino, texto, formação docente, além de letramento(s), leitura, escrita, multiletramento(s), fazendo jus ao campo da Linguística Aplicada, a qual compreende a linguagem em uso, atentando-se às mudanças, manifestações e realidades sociais. Autores como Antunes (2003, 2019, 2010), Britto (2005), Freire (2003), Hanks (2008), Marcuschi (2008), Orlandi (2011), Kleiman (1995, 2002), Street (1984, 2003, 2014), Rojo e Moura (2012, 2019) são exemplos de bases bibliográficas referenciadas. Tais bibliografias aliadas à pesquisa de campo – com aplicação de questionários e observações às aulas de língua portuguesa – buscaram constituir o cenário pesquisado, no que tange as práticas de letramento. Observa-se, por meio de tal trabalho, que docentes de língua materna, no devido município, expõem em suas aulas atuações sociocomunicativas, tendo em vista o caráter sociocontemporâneo o qual fazemos parte, mas ainda conservam reducionismos às práticas de leitura e escrita, especificamente, voltando-se à normatividade e prescrição gramatical/ortográfica. Mesmo reconhecendo as funções sociais e histórico-políticas da língua, presenciamos no espaço escolar uma resistência às múltiplas semioses imersas nas práticas discursivas de todos os sujeitos sociais.
    Palavras-chave: Ensino-Aprendizagem. Letramentos. Língua Materna.

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  • SILVANA KARINA TEIXEIRA GÓES
  • (DES)DRAMATIZANDO O ENSINO E A APRENDIZAGEM DA LÍNGUA INGLESA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

  • Orientador : DENISE CHAVES DE MENEZES SCHEYERL
  • Data: 02/12/2019
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  • Esta dissertação foi ancorada nos paradigmas teóricos da Linguística Aplicada e objetiva
    investigar como o uso da dramatização pode favorecer o ensino da língua inglesa na Educação
    de Jovens e Adultos. Esta proposta pretendeu envolver os estudantes em uma dinâmica
    diferenciada das aulas puramente expositivas. Trata-se de um trabalho acadêmico que tem,
    como fundamentação teórica, autores como Paulo Freire (2007), Lev Vygotsky (1998),
    Stephen Krashen (1985), Gillian Ladousse (1987), Nogueira e Nodal (2017), entre outros.
    Segundo esses teóricos, a reflexão sobre o processo de aprendizagem nos instiga ao
    desenvolvimento de um pensamento crítico no sentido de propor mudanças a esse processo,
    apontando, assim, caminhos para uma aprendizagem mais significativa. O estudo, de cunho
    etnográfico, realizado com 52 estudantes do Colégio Estadual Vera Lux, visou investigar
    através da dramatização quais foram as percepções dos estudantes em relação ao seu
    desenvolvimento linguístico comunicativo na língua inglesa, e como ele favorece a inclusão, a
    integração e sua autonomia. A relevância deste trabalho reside no fato de que ele pode
    contribuir para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem da língua inglesa na
    escola pública, especificamente na Educação de Jovens e Adultos.

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  • RENATA MARIANI MIRANDA
  • ESTUDOS SOBRE ACESSIBILIDADE NA RECRIAÇÃO DO ROTEIRO SONORO DO AUDIOLIVRO A ACENDEDORA DE LAMPIÕES

  • Data: 05/12/2019
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  • A presente pesquisa é um estudo sobre acessibilidade no audiolivro A Acendedora de Lampiões (KAY, 2015), uma tradução e adaptação do audiolivro The Lamplighter (KAY, 2008), feito pelo Grupo de Pesquisa PRO.SOM, do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia. Escrito pela autora escocesa Jackie Kay, esta narrativa de gênero épico está no formato de peça radiofônica e apresenta o drama vivido por quatro mulheres negras, durante o regime de escravidão, especificamente, nas colônias britânicas. A temática desta pesquisa foi definida a partir da necessidade de se revisitar o roteiro sonoro da peça radiofônica e identificar nela os recursos de áudio que não proveram uma ampla compreensão de alguns trechos, pelos ouvintes. Por ser o audiolivro uma mídia sonora em que o campo visual não atua como recurso auxiliar para a configuração da cena, o som é estabelecido como o principal canal para a transmissão de informações relacionadas à trama, agregando-lhe uma grande responsabilidade linguística. Como etapa fundamental da pesquisa, algumas pessoas com deficiência visual foram convidadas a participar de testes de áudio, devido à reconhecida acuidade auditiva e à experiência em utilizar o audiolivro como ferramenta de acessibilidade literária. Por meio desses procedimentos, foi possível obter dados para os ajustes sonoros necessários, mais tarde, realizados pelo Grupo de Pesquisa PRO.SOM, em estúdio, e também para constituir um dossiê genético, onde a análise do prototexto selecionado gerou dados importantes que contribuíram para a melhoria do processo de criação audiolivro pelo Grupo de Pesquisa PRO.SOM, incluindo a criação de uma nova versão, em streaming, para peça radiofônica A Acendedora de Lampiões (KAY, 2015), que, oportunamente, será disponibilizada pela Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA).

Teses
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  • LANA CRISTINA SANTANA
  • AQUI TEM MURUNDU, MARIANGA, MURICI, CAPANEMA, AREAL E ÁGUA LIMPA: UMA ANÁLISE DE TOPÔNIMOS DO RECÔNCAVO BAIANO 

  • Orientador : MARCELA MOURA TORRES PAIM
  • Data: 20/02/2019
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  • Esta tese, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura do Instituto de Letras da UFBA, junto à linha de pesquisa Variação da Língua Portuguesa e Teoria da Gramática, apresenta os resultados da pesquisa realizada para sua composição. A área central deste trabalho é a Toponímia, uma disciplina vinculada à Onomástica, uma vertente da Lexicologia. Seu objeto de estudo são os nomes próprios de lugar, os quais são entendidos à luz dos conceitos toponímicos como nomes capazes de revelar traços da cultura e das vivências do homem, enquanto sua trajetória na sociedade a qual faz parte. O corpus desta tese foi composto por 886 topônimos que denominam os povoados do Território de Identidade do Recôncavo baiano (SEI, 2013), esses dados foram analisados a partir da metodologia proposta pela toponimista Dick (1990a, 1990b), com as seguintes etapas: coleta dos topônimos em mapas do IBGE ou de instituições governamentais; análise etimológica dos nomes, a fim de identificar o estrato linguístico ao qual o nome pertence; classificação dos topônimos em taxionomias que revelam sua motivação semântica e catalogação dos dados em fichas lexicográficotoponímicas. Ao final desse tratamento de informações, foi observado que 383 topônimos encaixam-se nas taxionomias que correspondem à natureza semântica antropocultural e 503 estão vinculados às taxionomias que expressam uma natureza semântica física. A base teórica está centrada na Toponímia, Lexicologia, Dialetologia e Sociolinguística. Entre os principais autores utilizados estão Aguilera (1999, 2006), Barickman (2003), Basílio (1987, 2004a, 2004b), Biderman (1978, 2001a, 2001b), Cardoso (2010), Dick (1990a, 199b, 1996, 2001, 2007), Dietrich (2015), Guiraud (1980), Isquerdo (1996), Labov (1983), Mattos e Silva (2006), Peirce (1975),  Petter (2010, 2015), Sampaio ([1901] 1987) e Saussure (1969).

2
  • HUDA DA SILVA SANTIAGO
  • A escrita por mãos inábeis: uma prooposta de caracterização

  • Data: 26/02/2019
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  • O objetivo deste trabalho é estabelecer uma proposta metodológica para identificação do grau de domínio da técnica de escrita de redatores estacionados em níveis iniciais de aquisição da escrita, a partir do estudo de um conjunto de aspectos de inabilidade, usando um corpus constituído por 131 cartas pessoais, escritas por sertanejos baianos, no século XX. Busca-se caracterizar a mão inábil a partir de um contínuo de inabilidade, cujo nível máximo é identificável pela incidência do maior conjunto possível de marcas (principalmente o desconhecimento do padrão gráfico, como a dificuldade em grafar sílabas complexas), enquanto que níveis intermediários são caracterizados pela incidência parcial desses aspectos. São consideradas propriedades comuns a diferentes grupos de redatores inábeis, já estudadas por Marquilhas (2000), Barbosa (1999) e Oliveira (2006). Essa possibilidade de distribuição é uma tentativa de colaboração para o tratamento mais adequado da caracterização dos redatores nos corpora linguísticos, geralmente polarizados entre hábeis e inábeis, sem maiores diferenciações intermediárias. Para o estudo dos aspectos referentes à dimensão externa da escrita, aos perfis sócio-culturais dos redatores, foram produzidas, com base na abordagem da História Oral, entrevistas-narrativas com alguns redatores e destinatários das cartas, pois muitos estão vivos, o que permitiu conhecer os indícios dos processos/espaços escolares e extraescolares, que caracterizaram a difusão da escrita na zona rural do semiárido baiano. Foi possível, assim, estabelecer um melhor cruzamento entre aspectos referentes ao produto gráfico e à história social da cultura escrita. A disponibilização das edições dos documentos, nas versões semidiplomática e modernizada, pretende contribuir para estudos de aspectos linguísticos, sócio-históricos, da difusão da escrita, entre outros.

3
  • CEZAR ALEXANDRE NERI SANTOS
  • A TOPONÍMIA EM SERGIPE: DESCRIÇÃO E ANÁLISE

  • Orientador : SILVANA SOARES COSTA RIBEIRO
  • Data: 12/03/2019
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  • Esta Tese de Doutorado descreve e analisa os nomes de 464 núcleos de povoamento de Sergipe, de modo a identificar elementos etnolinguísticos, linguísticos e sócio-históricos próprios deste estado por meio da nomenclatura geográfica de cidades, povoados e outros aglomerados urbanos e rurais, compreendendo que os nomes próprios de lugares apresentam-se como receptáculos linguísticos e extralinguísticos da simbiose entre sociedade e natureza e podem retratar aspectos diversos dos grupos denominadores locais. Os topônimos foram coletados em uma base de dados oficial que compõem o Cadastro de Localidades brasileiras selecionadas (IBGE, 201-), codificado pela descrição de dados gramaticais, semântico-etimológicos e enciclopédicos dessa nomenclatura geográfica. Tomados sob os postulados teórico-metodológicos da Onomástica e da Toponímia, este estudo alinha-se aos procedimentos de codificação e análise propostos por Dick (1990a, 1990b, 2004, 2007). Dentre os elementos tratados a partir dos signos toponímicos, destacam-se sua origem linguística, estrutura morfológica e motivação semântica, bem como processos de mudança toponímica. Como resultados da pesquisa, os dados de Sergipe confirmam os argumentos apresentados pelos estudos toponímicos do Brasil quanto ao aspecto etnolinguístico: há uma maciça toponímia em língua portuguesa, seguido por nomes de origem tupi e uma tímida parcela de nomes africanos. O tratamento quali-quantitativo do corpus permitiu verificar tendências onomásticas de natureza física e antropocultural. No primeiro grupo, avultam a motivação toponímica de natureza geomorfológica, hidrográfica e por elementos da vegetação local, sendo esta última a taxonomia mais produtiva do corpus, com 19%. Dentre as taxonomias de natureza antropocultural, provavelmente pelo caráter majoritariamente rural dos topônimos selecionados, avultam os ergotopônimos, que imprimem utensílios da cultura material, os sociotopônimos, que ressaltam o aspecto coletivo das aglomerações humanas descritas, e os nomes de ordem religiosa, notadamente de entidades sagradas católicas, além da memorialização de personalidades de valores sociopolíticos diversos, especialmente referentes a homens e a fatos da historiografia local ou nacional. Os dados georreferenciados permitiram a descrição cartográfica de alguns dados, dos quais se destaca o debate acerca dos exemplos de translação toponímica – shift-names (STEWART, 1954). Os processos de mudança toponímica referentes às cidades de Sergipe também permitiram descrever fatores condicionantes dessas alterações e listar aspectos gramaticais, semânticos e sócio-historicos de diferentes sincronias. Como Apêndices, apresentamos a codificação dos dados, quer em quadros, para os topônimos de aglomerações subordinadas aos municípios (povoados, vilas, projetos de assentamentos), quer em fichas lexicográfico-toponímicas (DICK, 2004) para a nomenclatura dos municípios. Assim, pela filiação epistemológica e pelo tratamento analítico deste estudo, esta tese finca as bases para a constituição futura do Atlas Toponímico de Sergipe.

4
  • DEBORA CARVALHO TRINDADE
  • O MAIS CONECTOR NO PORTUGUÊS POPULAR DA BAHIA: ASPECTOS SOCIOLINGUÍSTICOS E FORMAIS

  • Orientador : MARIA CRISTINA VIEIRA DE FIGUEIREDO SILVA
  • Data: 18/03/2019
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  • Este estudo investiga a mudança no advérbio mais, que tem suas funções ampliadas e passa a atuar como um conector, no português popular do Estado da Bahia, em dois contextos sintáticos: subordinação, variando com a preposição com, e coordenação entre DPs, variando com a conjunção aditiva e. O uso de um mesmo elemento gramatical exercendo funções de partícula comitativa e coordenador se verifica em línguas africanas, pidgins e crioulas, assim como no português falado como L2 em comunidades africanas. Em contraparte, esse uso não é um padrão nas línguas indo-europeias. Em um primeiro momento, faço uma análise variacionista do fenômeno investigado, o conector mais. Investigo os condicionamentos sociais e linguísticos para a variante mais no universo do português popular baiano, mais especificamente o português popular do interior, representado por comunidades rurais e das sedes dos municípios Poções, Santo Antônio de Jesus e Feira de Santana; e o português popular urbano, representado pelos bairros de Cajazeiras, Liberdade, Itapuã e Plataforma, localizados na capital Salvador. A base empírica de dados é formada por 120 amostras de fala vernácula pertencentes aos acervos de dois projetos de pesquisa sociolinguística desenvolvidos na Universidade Federal da Bahia e na Universidade Estadual de Feira de Santana. Os informantes são de ambos os sexos e estratificados em três faixas etárias, a fim de se identificar uma tendência à variação estável ou mudança em progresso do fenômeno variável nas comunidades de fala. Um total de 2.370 dados foram coletados e submetidos à ferramenta de análise estatística VARBRUL. A pesquisa é norteada pela hipótese de que o mais conector é resultado do contato linguístico ocorrido no Brasil nos primeiros séculos de colonização, e uma evidência de que as línguas africanas teriam afetado o Português Brasileiro. A fim de comprovar tal hipótese, estabeleço a trajetória do mais conector em um continuum de normas do português popular baiano, retomando os resultados obtidos em pesquisa realizada com o português afro-brasileiro (GOMES, 2014), falado em quatro comunidades afrodescendentes do interior do Estado da Bahia (Helvécia, Cinzento, Sapé e Rio de Contas), e relacionando-os aos resultados do português falado no interior e na capital. Os resultados da análise variacionista indicam que o fenômeno mais/com está em mudança nas comunidades do interior e da capital, a variante resultante do contato linguístico mais está sendo substituída pela variante padrão com, por conta de um processo mais amplo de nivelamento linguístico, em que os modelos dos grandes centros urbanos se difundem para todas as regiões do país, na atualidade (LUCCHESI, 2015). Por outro lado, o fenômeno mais/e é uma variação estável. Em relação à projeção da variante mais no espectro de variedades do português popular baiano, sua realização é mais frequente no português afro-brasileiro, enquanto esse percentual cai gradualmente nas comunidades da zona rural, nas comunidades das sedes dos municípios do interior, até o outro extremo do continuum, a norma urbana da capital. Esses resultados caracterizam a variante mais como um resquício do contato linguístico ocorrido na história do Brasil. No segundo momento, esta tese se debruça sobre a dimensão formal do fenômeno. Tenho chamado de alternância coordenativa-subordinativa(com) a alternância sintática entre as estruturas coordenada e subordinada, considerando a expressão do conjunto de elementos [DP1, DP2, V, conector] e o significado global das sentenças derivadas, em que os DPs ora aparecem contínuos ora aparecem descontínuos. A partir da associação entre essas estruturas sintáticas, delimito duas questões formais: i) os traços que podem ter licenciado o uso do advérbio mais como conector no português popular baiano, permitindo seu uso nas construções coordenadas e subordinadas(com); ii) a relação semântica entre os DPs participantes do mesmo evento, nas construções comitativas.  Para a primeira questão, proponho que a manutenção do traço semântico <INCLUSÃO> e do traço sintático <RELACIONAL>, no processo de gramaticalização, do advérbio mais teria licenciado seu uso como um conector. Em relação à segunda questão, proponho que a atribuição temática do com-DP se dá em um esquema continuum onde, de um lado está o comitativo típico, mais simétrico com o Suj-DP, até o outro extremo onde está o caso menos simétrico, codificando apenas co-presença no evento. A partícula mais/com é lexical e contribui para a atribuição temática do com-DP num esquema de interação entre seus traços semânticos básicos, as propriedades inerentes ao núcleo do DP introduzido pela preposição e as propriedades semânticas do evento expresso pelo verbo. A mudança no advérbio mais é analisada na perspectiva da Sociolinguística Paramétrica.  

5
  • FERNANDA DE OLIVEIRA CERQUEIRA
  • O PRONOME PLENO DE TERCEIRA PESSOA: ESTRUTURA INTERNA E RELAÇÕES REFERENCIAIS

  • Orientador : DANNIEL DA SILVA CARVALHO
  • Data: 21/03/2019
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  • Nesta tese, realizo um estudo acerca da natureza léxico-sintática do pronome pleno de terceira pessoa, em Português Brasileiro (doravante PB), um pronome pessoal não marcado na enunciação e proeminente a sincretismos, a partir do inventário de traços-φ que constitui este pronome, sob a perspectiva da Teoria de Traços-φ (cf. HARBOUR; ADGER; BÉJAR, 2008) e de suas propriedades de ligação (cf. COLLINS; POSTAL, 2012; CARVALHO; BRITO, 2017), situadas no arcabouço do Programa Minimalista, da Teoria Gerativa, conforme Chomsky (1995 e posteriores), com intuito de identificar seu estatuto distribucional e referencial. Para cumprimento desse objetivo, parto da hipótese de que a estrutura interna do pronome no léxico é definida por uma geometria de traços cuja notação impõe restrições à derivação sintática e à interface conceitual-intencional, haja vista que sua forma não parece interferir em sua distribuição, nem estabelecer seu escopo de referência. Assim sendo, a geometria de traços do pronome pleno de terceira pessoa seria constituída por elementos pré-sintáticos, de natureza léxico-semântica, a saber, definitude e especificidade, os quais podem ampliar a compreensão da natureza da categoria pessoa, uma vez que mesmo não sendo definido em termos de elocução, como os pronomes de primeira e de segunda pessoa, essa proforma não é categoricamente subespecificada, o que implica que outro aspecto, além de participante, compõe a condição de pessoal da terceira pessoa: determinação nominal. Em vista disso, proponho que a valoração dos traços da notação do pronome pleno de terceira pessoa, através de uma adaptação da operação Agree (cf. BÉJAR, 2003, 2008; CARVALHO, 2008, 2017), possa solucionar a emergência deste pronome em outras posições sintáticas. Outrossim, proponho que a referência do pronome pleno de terceira pessoa seja estabelecida, não só pelo Princípio B da Ligação (cf. CHOMSKY; LASNIK, 1993; CHOMSKY, 1995; BRITO, 2017), como também pela identidade de traços-φ do antecedente/referente com o pronome (cf. COLLINS; POSTAL, 2012; CARVALHO; BRITO, 2017).

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  • REGINA LÚCIA EGITO SOARES
  • E NO ENTANTO É PRECISO CANTAR!

    Música popular como mediadora do ensino-aprendizagem de PLE

  • Orientador : EDLEISE MENDES OLIVEIRA SANTOS
  • Data: 29/03/2019
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  • Este trabalho versa sobre a elaboração de materiais didáticos para o ensino-aprendizagem de Português Língua Estrangeira (PLE), numa perspectiva que considera língua e cultura como interface indissociável.  São raros os materiais disponíveis no mercado que satisfazem essa exigência, ainda mais numa abordagem intercultural (KRAMSCH; MENDES; FURTOSO), que propõe, além da aquisição da competência na língua, o diálogo entre as culturas em contato, fugindo dos estereótipos e abrindo-se para o conhecimento do outro. Com base em experiências de ensino bem sucedidas, nas quais as canções populares brasileiras constituíam o centro gerador das práticas em sala de aula, verifica-se a sua validade para construir materiais didáticos significativos e adequados.  As canções populares constituem objetos artístico-culturais de grande representatividade na cultura brasileira e, por si sós, despertam a curiosidade de um estrangeiro.  De um lado, representam o talento e a criatividade de gerações de compositores e letristas; de outro lado, trazem as marcas do tempo e do lugar de criação, além das subjetividades autorais. Contextualizadas, tornam-se mais relevantes.  Escolheram-se para o estudo canções produzidas entre os anos de 1950-2000, considerado um período dos mais profícuos da cultura musical brasileira.  A partir das dezenas de listas de “melhores” canções dessa época, foram selecionadas trinta das mais expressivas para compor o corpus de análise, de variados gêneros e ritmos. Considerando-se que melodia e letra formam em conjunto o sentido da canção, explorou-se, sempre que possível, as duas linguagens. Com isso, tornou-se possível traçar, com certa facilidade, as conexões com a cultura do cotidiano, com os fatos históricos subjacentes, e da mesma forma com as manifestações de adesão ou de resistência ao sistema político.  Como materiais autênticos que incorporam o nível coloquial da língua, com sua prosódia própria, expressões idiomáticas e gírias, assim como marcas sociológicas, históricas, de hábitos e costumes, as canções permitem a exploração de um amplo leque de eventos linguístico-culturais.  São, por natureza, flexíveis, dando ao professor liberdade para planejar atividades e tarefas de acordo com as necessidades e oportunidades concretas vivenciadas em sala de aula. Materiais interculturais não devem ser pensados como algo pronto e acabado, mas antes como suporte, como fonte, como recurso que pode ser alterado sempre que necessário. Por oferecer todas essas possibilidades, a canção pode se tornar material didático de grande empatia e funcionalidade.  Elas suscitam experiências culturais e artísticas que podem ser contrapostas às de falantes de outras línguas-culturas, no espaço da sala de aula, como demonstramos com este estudo. Acredita-se que, ao apresentar um conjunto de unidades didáticas centradas no trabalho intercultural com canções populares, este estudo está colaborando não apenas com modelos de material didático destinado ao ensino intercultural de PLE, mas também, e principalmente, dando oportunidade de professores e pesquisadores da área poderem exercitar, a partir do modus operandi sugerido, a elaboração de outros materiais com canções de sua preferência, ou mesmo com outros gêneros textuais. 

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  • RAULINO BATISTA FIGUEIREDO NETO
  • ENGLISHING: INVESTIGANDO PROFESSORES DE LÍNGUA INGLESA EM (PERFORM)ATIVIDADE NO SERTÃO DOS TOCÓS

  • Orientador : EDLEISE MENDES OLIVEIRA SANTOS
  • Data: 22/04/2019
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  • O fazer pedagógico de professores de Língua Inglesa constitui-se em componente fundamental para o entendimento em relação ao seu processo formativo e, sobretudo, daquilo a que chamamos de Englishing, ou seja, da materialização tanto de sua atuação docente quanto dos usos empreendidos na língua ensinada. Nesse sentido, faz-se precípua a compreensão em torno das práticas linguajeiras vocalizadas pelo professor de Língua Inglesa ao largo de sua produção enunciativa, fenômeno que carece de maior entendimento frente ao que significa, hoje, ensinar e aprender Inglês. Por esse viés, há em nossa presente pesquisa de doutorado uma flagrante vinculação tanto aos estudos relacionados à subversão, acomodação e resistência no uso e ensino do inglês (CLEMENTE; HIGGINS, 2008; CANAGARAJAH, 2008) quanto às noções de agência, performatividade e (re)construção identitária (AUSTIN, 1955; BHAT, 2005; BUTLER, 1997). Desse modo, com o propósito de responder as questões orientadoras da pesquisa, lançamos mão de três instrumentos para a geração de dados (questionário-narrativa, entrevista e excertos enunciativos), além das notas de campo e do currículo do curso. As respostas advindas deste estudo resultam em importantes implicações para o modo como se compreende não apenas a docência numa língua estrangeira, mas a própria metalinguagem desses sujeitos em meio às suas atuações verbais. Assim considerando, os referidos resultados conclamam para um postura formativa que instaure, em meio às ações pedagolinguísticas, uma consciência crítica e intercultural acerca da língua ensinada/aprendida.   

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  • GLAUCIA REJANE DA COSTA
  • A FORMAÇÃO (DES)CONTINUADA NO PACTO PELO ENSINO MÉDIO: SUJEITOS, DISCURSOS, SABERES E PODERES

  • Orientador : IRACEMA LUIZA DE SOUZA
  • Data: 03/05/2019
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  • A presente tese apoia-se nos pressupostos teóricos da Análise de Discurso Francesa (AD) e em seus procedimentos metodológicos. Nela temos como objeto de estudo o programa de formação continuada, proposto no Pacto pelo fortalecimento do Ensino Médio. Investigar como se constitui o sujeito-professor nele inscrito e as suas formações imaginárias sobre o programa constituem o objetivo principal dessa pesquisa. Ademais, interessa-nos verificar se tal processo formativo favorece a proletarização do professor e em que medida o faz. Para a sua fundamentação teórica, tomamos como referência, entre outras de igual importância, obras de Pêcheux (1975, 1988), Foucault (1988, 1995, 2003), Orlandi (2001,2006), Coracini (2003, 2008) e Eckert-Hoff (2002, 2008). A relevância deste estudo se explica por diferentes motivos. Entre eles o de dar voz aos professores sobre tal processo formativo, vinculado à Reforma do Ensino Médio. Para tanto consideramos as vinculações ideológicas do programa, destacando os saberes e poderes pelos quais ele é atravessado. A discussão sobre a formação docente na perspectiva da heterogeneidade também confere importância a esta pesquisa. Dela participaram 32 professores e 126 alunos do Ensino Médio da Rede Estadual da Bahia. Como instrumentos de coleta, foram utilizados questionários e entrevistas semiestruturadas. Foram também analisados documentos e recursos pedagógicos do programa, assim como recortes de pronunciamento do Ex-Ministro da Educação, Mendonça Filho. Com a análise do discurso dos sujeitos-professores verificou-se, predominantemente, o efeito de sentido de resistência ao programa. A resistência é explicada pelo uso dos horários destinados ao estudo e planejamento das aulas, para os encontros de formação. Assim, a tomada de posição desses sujeitos é a de contraposição, marcada pelo questionamento e a divergência. Ao assumi-la, constituem-se então maus-sujeitos, conforme classificação Pecheutiana. Na comparação entre os dizeres enunciados pelos professores-orientadores e os professores-cursistas, verificamos a predominância de divergência entre os discursos de seus sujeitos. Os primeiros enunciam a partir da FD da Abordagem reflexiva, na medida em que reconhecem como função dos processos formativos a sistematização do pensamento do professor. Portanto, constituem-se como bons-sujeitos, identificados com a FD das instâncias formadoras. Dessa maneira reforçam e legitimam a domesticação dos professores e uma suposta homogeneização do seu saber/fazer. Já os sujeitos dos discursos dos professores-cursistas apresentam uma valoração negativa do programa, no tocante à forma imperativa como foi implementado, sem uma prévia escuta dos docentes e a sua descontinuidade. No discurso da instância formadora, o MEC, foi verificada a imagem do professor como um profissional desprovido dos saberes necessários a um ensino 7 eficiente e transformador. Em decorrência dessa imagem, esse sujeito discursivo, que enuncia do lugar de poder, também o faz a partir da FD do modelo de formação docente, instituído na década de 1960. Ela é marcada pela desarticulação e hierarquização, redutora da atuação do professor a um técnico, centrada na transmissão de conhecimentos previamente estabelecidos. Em sua fase final, apresentamos pressupostos teóricos e condições, a partir dos quais é possível implementar uma proposta de formação docente continuada, na perspectiva da heterogeneidade do sujeito.

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  • ANDRÉ LUIZ ALVES MORENO
  • Escrita (in)surgente: distribuição social da escrita nos movimentos sediciosos de finais do período colonial

  • Orientador : TANIA CONCEICAO FREIRE LOBO
  • Data: 14/05/2019
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  • Em busca de pistas que possam nos aproximar de uma história da cultura escrita no Brasil, esta Tese de Doutorado, a partir de cenários orquestrados em atmosferas sediciosas, tem como objetivo delimitar, a partir do método do cômputo de assinaturas e da análise das provas materiais apreendidas nos autos dos processos devassatórios jurídico-laicos de insurreição, a distribuição social da escrita nos principais movimentos de insurreição na história colonial de finais dos setecentos, a partir das sedições da Inconfidência Mineira (1789), em Minas Gerais, da Revolta dos Letrados (1794), no Rio de Janeiro e da Conspiração dos Alfaiates (1798), na Bahia. As chamadas devassas de insurreição compõem uma importante fonte da história do Brasil, pois, tendo a finalidade de investigar o delito de lesa-majestade, imprimem em seu conteúdo aspectos relevantes da constituição sociológica do contexto em que estão sendo implantadas. Isso as elege como fontes privilegiadas para as investigações que queiram se debruçar sobre a história da difusão social da escrita, porque nelas se fazem presentes os seus registros de assinatura, demarcando aqueles que assinaram, a partir de firmas autógrafas, idiógrafas ou não alfabéticas, e aqueles que não assinaram. Além disso, as apreensões realizadas pela junta investigativa permitem-nos avaliar panoramicamente indícios da circulação da escrita em meio a tais conjunturas, pois a principais provas materiais que compõem os processos são constituídas de elementos que estão diretamente relacionados com as práticas de leitura e escrita dos envolvidos em tais movimentos.

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  • NEILA MARIA OLIVEIRA SANTANA
  • Estudo sócio-histórico-cognitivo das conceptualizações e categorizações do amor em cartas dos séculos XIX e XX

  • Orientador : AURELINA ARIADNE DOMINGUES ALMEIDA
  • Data: 20/05/2019
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  • A presente Tese tem o propósito de estudar os processos de conceptualização e de categorização do AMOR, em cartas de amor escritas nos séculos XIX e XX. Mais especificamente, o estudo busca: a) discorrer sobre a Teoria dos Modelos Cognitivos Idealizados, Teoria da Metáfora e Metonímias Conceptuais, Categorização, Teoria dos Protótipos e Semântica de Frames e suas contribuições para o estudo da conceptualização e da categorização do AMOR; b) descrever e explicar os processos cognitivos subjacentes à conceptualização do AMOR ROMÂNTICO em textos do gênero epistolar; c) analisar se a diferença de sexo/gênero de autoria interfere na variação conceptual desse tipo de amor; d) verificar manutenções, variações e mudanças no modo de conceptualizar o AMOR ROMÂNTICO no devir do tempo, nos corpora estudados; e e) apresentar o frame AMOR ROMÂNTICO a partir do estudo dos corpora. Tem como arcabouço teórico as contribuições da Linguística Cognitiva, nomeadamente, da Teoria dos Modelos Cognitivos Idealizados, da Teoria da Metáfora e Metonímia Conceptuais, dos Esquemas de Imagem, da Semântica de Frames e da Teoria dos Protótipos, sendo o estudo embasado nas discussões realizadas por autores, como Lakoff e Johnson (1980; 1999), Lakoff (1987, 1993, 2007), Johnson (1987), Barcelona (2012, 2009[1996]), Peña Cervel (2012), Fillmore (1982), Rosch (1978), Kleiber (1995), Kövecses (1988, 1990, 2000, 2002, 2015), entre outros; além disso, foram estabelecidos diálogos interdisciplinares com autores da História (DEL PRIORE, 2008, 2012; ADAMS FILHO, 2017; CARVALHO, 2007), Neurociência (DAMÁSIO, 2012[1994]; FISHER, 2015[2004]), Filosofia (BORGES, 2004), Biologia (REECE, 2015), além dos contributos da Lexicografia (HOUAISS, 2011; CUNHA, 2012; AULETE, 2019). A pesquisa empreendida que originou esta Tese deu-se por meio de uma abordagem qualitativa de caráter descritivo-interpretativo, bibliográfico e documental, pautada no paradigma da introspecção. Os corpora foram compostos por cartas de amor escritas nos séculos XIX e XX, constituídos pela Teoria dos Fractais e pela Técnica da Saturação. Os resultados foram organizados, a partir dos domínios da experiência identificados, e revelam, através dos documentos epistolares acessados, que há diferentes formas para conceptualização do AMOR, através de modelos cognitivos metafóricos, metonímicos e imago-esquemáticos. Os domínios identificados, nas cartas investigadas, compreendem o frame AMOR ROMÂNTICO, já que todos os domínios se encontram em uma grande relação de proximidade, não havendo uma quebra radical de sentido, no sistema conceptual do AMOR, mas uma inter-relação de conceitos, conforme a proposta de frame apresentada por Fillmore (1982). Além disso, não observamos mudança conceptual, no decorrer do tempo e nem em relação ao gênero dos escreventes, ocorrendo variações e manutenções conceptuais do AMOR ROMÂNTICO.

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  • MANOELA OLIVEIRA DE SOUZA SANTANA
  • UM ENTRELUGAR PARA OS MULTILETRAMENTOS NO ENSINO E APRENDIZAGEM DE LÍNGUAS EM AMBIENTES DIGITAIS

  • Orientador : SIMONE BUENO BORGES DA SILVA
  • Data: 28/06/2019
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  • O desenvolvimento da presente tese foi motivado por um questionamento: como se configuram saberes e fazeres docentes no ensino e aprendizagem de línguas – português e inglês - em ambientes digitais no contexto do CETEP do Baixo Sul em Gandu-BA. Em busca de uma possível resposta para esse problema, numa perspectiva autoetnográfica (CAMERON, 1993; VERSIANI, 2002) e etnográfica (STREET, 2010), procedi com uma pesquisa qualitativa (TELLES, 2002; GIL, 2010), que descreve, interpreta e problematiza: as nossas interações – minhas e de outros dois sujeitos docentes -  na sociedade tecnológica digital (LÉVY, 2003; PRIMO, 2009); como tem sido o nosso processo de formação docente tendo em vista o trabalho com as tecnologias digitais (PRETTO, 2011; ARAGÃO, 2007); o lugar dessas tecnologias em documentos curriculares como as OCEM (2006), as DCNEM (2010) e a BNCC (versões de 2015, 2016 e 2018) e de que forma se dão as mediações docentes em ambientes digitais como o facebook, o blog e o whatsapp. Para tanto, como alicerce teórico, afilio-me às discussões da Linguística Aplicada Crítica (MOITA LOPES, 2005; RAJAGOLAPAN, 2003; KUMARAVADIVELU, 2012; PENNYCOOK, 2001) que contemplam a dimensão cultural da língua e  seu ensino para além de uma vertente formalista (PAIVA, 2012; MENDES, 2010), entendendo multiletramentos (COPE E KALANTZIS, 2000; ROJO, 2013, 2015) como uma multiplicidade de linguagens e de culturas glocais, e tecnologias enquanto um pensar e um agir humanos (CUPANI, 2016; FOUCAULT, 1995). A pesquisa-formação que alimenta a reflexividade docente (SCHON, 1992; ZEICHNER, 1993) é uma aliada dessa abordagem, autorizando a compreensão de que há um entrelugar para se instaurar os multiletramentos, numa hibridez de letramentos, quando se empreendem ações referentes a um web currículo (ALMEIDA, ALVES, OSB e LEMOS 2014) que favorecem a produção e recepção de textos, usando a tecnologia digital não somente como um artefato, mas como uma ambiência em que, por meio da multimodalidade (SANTAELA, 2008), do hipertexto (XAVIER, 2009), da colaboração e da interatividade, se desenvolve o pensamento computacional e o uso ético dessa tecnologia, aprimorando o conhecimento das dimensões textual, linguística, cognitivo-conceitual, sociodiscursiva somadas à performance crítica do(a) educando(a).

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  • FERNANDA DA SILVA MACHADO
  • IDENTIDADES ANTIRRACISTAS: ECOS E RESSONÂNCIAS DE DISCURSOS E ARGUMENTOS ANTIESCRAVAGISTAS

  • Orientador : IRACEMA LUIZA DE SOUZA
  • Data: 23/07/2019
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  • O Brasil do século XXI apresenta uma modulação de antirracismo distribuído em um continuum. Similarmente, nos anos precedentes à abolição de 1888, o posicionamento antiescravagista estava em voga. Diante desse quadro, podem-se levantar algumas questões: o que significa ser antirracista no Brasil atual? Como se constitui essa identidade? Quais semelhanças podem ser encontradas com a noção de identidade antiescravagista dos anos finais dos anos de 1880? E que semelhanças discursivas e argumentativas podem ser percebidas na
    construção dessas identidades? Sobre o antirracismo e o antiescravagismo, percebe-se que mobilizam semelhantes e inter-relacionados comportamentos discursivo-argumentativos, formando uma rede interdiscursiva que cobriria, paradoxalmente, enunciados racistas (em um recorte iniciado no ano de 2003 até a atualidade, que tem como marco a sanção da lei 10.639/03), bem como enunciados escravagistas ditos contrários ao escravagismo. A textualização dos antirracismos e dos antiescravagismos é interpretada tanto à luz dos estudos de Mikhail Bakhtin, quanto os de Michel Pechêux e os de Chaïm Perelman e Lucie Olbrechts-Tyteca. O primeiro passo metodológico diz respeito ao levantamento e análise dos corpora enquanto sequências de enunciados materializadores de discursos relacionados a determinados campos ideológicos e com função argumentativa. Cada um dos períodos e temas investigados define um corpus: “corpus antiescravagista” e “corpus antirracista”. Nesse sentido, são examinados textos das instâncias jurídicas, a saber, atas, pareceres, propostas de lei e discursos parlamentares. Com o advento das novas tecnologias e novos suportes, são acrescentados, para o período atual, a análise de enunciados parlamentares e jornalísticos/midiáticas apresentados de forma televisionada ou online, artigos, transcrições de participação em mesa-redonda, pixos, entrevistas, etc. sendo esse um trabalho de natureza tanto bibliográfica quanto documental. Como resultado é apresentada qualitativamente a proximidade entre os discursos e os argumentos antirracistas e antiescravocratas, bem como a atualização dos segundos nos primeiros.

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  • PALOMA MOORE NEVES
  • OS SINTAGMAS DETERMINANTES NUS OBJETOS [+ESPECÍFICOS] [+DEFINIDOS] NO PORTUGUÊS AFRO-BRASILEIRO DE HELVÉCIA

  • Orientador : ALAN NORMAN BAXTER
  • Data: 01/08/2019
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  • Esta tese estuda o Sintagma Determinante (SD) nu em posição de objeto no Português Afro-Brasileiro de Helvécia (PABH), combinando a abordagem teórico metodológica gerativista-descritivista e a sociolinguística variacionista laboviana. A variação na realização de SDs com e sem determinante nesta variedade do português foi sistematizada e descrita a partir de um corpus de 18 entrevistas estratificadas em três faixas etárias para os dois gêneros: - faixa 1 – falantes entre 20 e 40 anos; faixa 2 – falantes entre 41 e 60 anos; faixa 3 – falantes ≥ 65 anos. Através da quantificação de dados, traçou-se o perfil da variação apresentado pelas três faixas etárias. A análise mostrou que, no Português Afro-Brasileiro de Helvécia, assim como no Português Brasileiro (PB) em geral, o uso do Sintagma Determinante singular nu é permitido, sendo mais livre no primeiro, onde pode ter uma leitura [+Específica] [+Definida]. As gerações mais antigas da comunidade teriam adquirido um sistema de marcação de definitude e referencialidade diferente daquele do PB geral, devido à situação de contato linguístico prevalente na comunidade em meados do século XIX. Para a análise dos dados, foram utilizados dois programas de estatística: a) o TVARB; e b) o Goldvarb-X. O primeiro observou o comportamento das três variantes da variável dependente: o artigo definido, demonstrativo e determinante zero. O segundo programa foi usado para garantir mais rigor aos resultados a partir dos testes de significância. Na análise realizada pelo Goldvarb-X foram identificados como condicionantes do uso do determinante zero os grupos de fatores faixa etária, presença de outro material que atribui referencialidade, familiaridade e noção de número no SD. O grupo faixa etária revelou um uso mais conservador pelos falantes idosos da faixa 3 (com preferência pelo Det Æ), um comportamento transitório pela faixa 2 (com preferência pelo demonstrativo), e um uso mais próximo ao do PB geral entre os falantes da faixa 1 (com preferência pelo artigo definido). Esse perfil aponta para uma mudança em curso no sistema de marcação de definitude do PABH. No entanto, a relevância do grupo presença de outro material que atribui referencialidade reflete o caráter multifuncional dos SDs no PABH, apontando a importância da interface entre o nível gramatical e o extra-gramatical para derivar interpretações corretas, possibilitando, assim, a leitura [+Específica] [+Definida]. A variável familiaridade revela o papel da pragmática no uso do Det Æ e o grupo noção de número no SD confirma a relação entre o SD singular e o uso do Det Æ.

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  • PEDRO DANIEL DOS SANTOS SOUZA
  • SOBRE O USO DA LÍNGUA DO PRÍNCIPE: HISTÓRIA SOCIAL DA CULTURA ESCRITA, RECONFIGURAÇÕES LINGUÍSTICAS E POPULAÇÕES INDÍGENAS NA BAHIA SETECENTISTA

  • Orientador : TANIA CONCEICAO FREIRE LOBO
  • Data: 01/08/2019
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  • No âmbito das reformas promovidas pela Coroa portuguesa na segunda metade do século XVIII, o Directorio, que se deve observar nas povoaçoens dos Indios do Pará, e Maranhaõ em quanto Sua Magestade naõ mandar o contrario – conhecido simplesmente como Diretório pombalino ou Diretório dos índios  – instituiu uma política de gestão das línguas na América que previa a proibição do uso das línguas indígenas e, em particular, da chamada língua geral, como um dos principais instrumentos para a “civilização” dos ameríndios. Embora formado, em 1757, para o Estado do Grão-Pará e Maranhão, a partir de 1758, o Diretório direciona-se à outra colônia portuguesa na América, o Estado do Brasil, até finalmente suas disposições serem revogadas por meio da Carta Régia de 12 de maio de 1798. Na aplicação do Diretório ao Estado do Brasil, o Parecer de 17 de maio de 1759, exarado pelo tribunal especial do Conselho Ultramarino que se instalou na Capitania da Bahia, desempenhou um papel central, na medida em que direcionou as funções de Diretor de índios, cargo criado pelo Diretório, para os escrivães das Câmaras dos aldeamentos indígenas elevados a vilas. Sem deixar de lado a política de tutela prevista na reforma, essa alteração tornou os escrivães-diretores agentes de letramento indígena, responsáveis por ensinar a doutrina cristã, ler, escrever e contar aos meninos. Assim, a presente tese discute o processo de escolarização dos meninos e das meninas indígenas na Bahia de segunda metade do século XVIII, avançando até as primeiras década do século XIX, bem como dos demais indígenas inclinados a esta matéria, tomando como locus da pesquisa nove vilas de índios criadas pelo tribunal especial do Conselho Ultramarino, em 1758, nomeadamente Abrantes, Soure, Mirandela, Pombal, Santarém, Olivença, Barcelos, Trancoso e Verde, no âmbito de execução do alvará régio de 8 de maio de 1758, e seis vilas criadas na Comarca e Ouvidoria de Porto Seguro, entre os anos de 1764 e 1772, especificamente São Mateus, Belmonte, Prado, Viçosa, Alcobaça e Porto Alegre. Por meio das fontes documentais do Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), fizemos um levantamento dos escrivães-diretores nomeados entre 1760 e 1834, supostamente os responsáveis pelo ensino de língua portuguesa como segunda língua e agentes de letramento indígena nas supracitadas vilas. Da análise da documentação, incluindo as fontes do Arquivo Histórico Ultramarino (AHU) e da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (BNJR), observamos que houve formas diferenciadas de recepção da política indigenista do governo de D. José I nas vilas de índios erigidas na Bahia setecentista. Embora não fosse possível mensurar a real atuação dos escrivães-diretores, conflitos entre estes e moradores da vilas testemunham o não cumprimento das obrigações de ensinar a leitura e a escrita aos meninos, assim como autos de inquirição sobre a civilização dos índios e relatos de Ouvidores revelam as estratégias usadas por alguns vilados para que seus filhos não entrassem nas listas de matrícula ou ainda, quando matriculados, não frequentassem as aulas. Os dados discutidos na presente tese abrem caminhos de interpretação sobre a construção das vilas de índios e suas implicações linguísticas, a partir do mapeamento do cumprimento das orientações do Diretório quanto à abertura de escolas públicas e, em caso positivo, à sua abrangência, assim como até que ponto estavam ou não generalizadas, o papel que desempenharam na eliminação de línguas e culturas e se cumpriram o objetivo de ensinar a ler e a escrever.

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  • ELSO SOARES LEITE
  • A “SAÍDA OU NÃO DO ARMÁRIO” COMO ACONTECIMENTO DISCURSIVO NA MÍDIA ONLINE BRASILEIRA: AS IDENTIDADES DE GÊNERO LGBT NOS EFEITOS DE SENTIDOS ENTRE SABERES E PODERES. 

  • Orientador : IRACEMA LUIZA DE SOUZA
  • Data: 26/09/2019
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  • No mundo contemporâneo, a mídia online tem sido um dos dispositivos comunicacionais mais utilizados nas sociedades ocidentais para noticiar matérias jornalísticas sobre questões relacionadas a corpos, gêneros e sexualidades Por sua natureza interdisciplinar, essas questões temáticas se relacionam a outros campos do saber, como os estudos discursivos, os estudos culturais e os estudos queer. Assim, esta pesquisa, de natureza qualitativa documental, objetiva analisar aspectos do funcionamento do discurso da mídia online brasileira acerca da “saída ou não dos sujeitos LGBT do armário”, materializado em textos jornalísticos. Para tanto, traçamos o nosso percurso teórico-metodológico a partir dos pressupostos teóricos da Análise do Discurso pechetiana atrelado a procedimentos metodológicos oriundos da pesquisa qualitativa documental. O nosso corpus analítico se constitui por sequências discursivas recortadas do interior dos textos jornalísticos selecionados nas fases de seleção e coleta de dados. Os textos jornalísticos foram coletados e selecionados da mídia online brasileira contemporânea que versam sobre a temática a “saída ou não do armário”. Para alcançarmos o objetivo proposto, fizemos, primeiro, a revisão de literatura sobre os pressupostos teórico-analíticos da Análise de Discurso, de linha francesa, a partir das contribuições teóricas de Michel Pêcheux e da teórica brasileira, Eni Orlandi, entre outros. Na sequência, fizemos leituras e tecemos algumas discussões a respeito de questões relacionadas às sexualidades e aos gêneros, sob a égide dos aportes epistemológicos da Teoria Queer. Por fim, examinamos os aspectos do funcionamento do discurso da mídia online brasileira sobre a “saída ou não do armário” como acontecimento discursivo. Para tanto, observamos, inicialmente, se a temática da “saída ou não do armário” no discurso midiático, trata-se de uma formação ideológica. Em seguida, analisamos em qual formação discursiva, heteronormativa ou não-heteronormativa, as sequências discursivas, que constituem o nosso corpus analítico, inscrevem-se para que as sexualidades não normativas sejam “visibilizadas” no discurso midiático a partir do gesto performativo de “saída ou não do armário”. Os resultados nos mostram que há, no funcionamento discursivo midiático, a retomada ou a reprodução de dizeres e de sentidos que, historicamente, estigmatizaram e marginalizaram as pessoas das sexualidades não normativas, como sendo “anormais”, “ilegítimas”, “desviantes”, “subversivas” e “abjetas”. Além disso, constatamos, também, a existência de discursos “inversos”, “subversivos”, discursos de resistência, portanto, a existência de discursos queer no arquivo da mídia online brasileira contemporânea. Observamos, também, que, embora haja uma maior incidência de pessoas “fora do armário”, há uma parcela significativa que ainda “prefere” estar no “armário”. Isto ocorre como forma de se evitar ser vitimado por algum tipo de violência homofóbica ou LGBTfóbica. Nesta discussão, percebemos que há, no funcionamento discursivo da mídia eletrônica, uma incidência significativa de pessoas LGBT que “cedem” à injunção da heterossexualidade compulsória.

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  • CAMILLA GUIMARAES SANTERO
  • O ESPANHOL COMO LÍNGUA FRANCA: ROMPENDO BARREIRAS, ABRINDO CAMINHOS.

  • Orientador : DOMINGOS SAVIO PIMENTEL SIQUEIRA
  • Data: 30/09/2019
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  • A língua é o veículo para a mundialização das informações (ESTERMANN, 2010), mas como se trata de um veículo é governado por sujeitos. A língua não informa simplesmente, mas forma, reforma e deforma. Se a língua intervém nos sujeitos envolvidos na interação, seu uso é uma atividade política que reflete as predileções ideológicas de quem representa (RAJAGOPALAN, 2004). Prova disso são as marcas de políticas imperialistas em línguas internacionais como o espanhol, o francês e o inglês. No entanto, esta última avança a passos largos no seu processo de desterritorialização, o que a eleva da condição de língua internacional para a de língua do mundo e não apenas do império. Há muitas questões que envolvem a constatação do espanhol com função de língua franca (doravante, ELF) em contextos de comunicação entre falantes de diferentes linguaculturas. Há uma fragilidade político-econômica em alguns países de língua espanhola que dificulta o processo, porém não o impede, e há demandas sociais bem diversas que vão desde conceitos puristas que habitam o imaginário de determinados linguistas e falantes em geral, passando por ideologias linguísticas até chegar à manutenção de estereótipos culturais, todos na contramão do decurso que aparece como consequência de uma outra demanda – a globalização tecnológica. Há ainda um entrave externo, oriundo de um país que não tem o espanhol como língua materna e que resiste em aceitá-lo como segunda língua – os Estados Unidos da América. O presente estudo, de cunho teórico, apresenta, por meio de revisão bibliográfica, o ELF como uma língua de comunicação em cenário de língua franca. Uma interação de caráter intercultural, na qual são postas em contato o background linguístico-cultural de cada interlocutor. Neste encontro comunicativo, não há uma língua pré-concebida, mas a co-construção de uma forma fluida, que está em constante reformulação através da negociação de sentidos, simplificações (todos os processos linguísticos que levam a uma diminuição no potencial referencial ou não referencial da língua), reduções (o aumento da regularidade ou a diminuição do traço linguístico mais marcado), inovações linguísticas, entre outros recursos que contribuam para a manutenção da interação. Tendo como objetivo geral a teorização do ELF, este trabalho de natureza exploratória visa definir o conceito de língua franca dos estudos contemporâneos para o inglês (COGO; DEWEY, 2012; SEIDLHOFER, 2011; JENKINS, 2015; SIQUEIRA, 2018, GIMENEZ et al., 2015), comparando-o com a língua franca do sentido originário e com o espanhol língua franca da política linguística espanhola. Sob as lentes da Glotopolítica (ARNOUX, 2010, LAGARES, 2018), são discutidas as implicações do ELF, refletindo sobre as ideologias que cruzam o campo deste fenômeno sociolinguístico (UR, 2010), que é um paradigma empírico e teórico em si mesmo. Em defesa do ELF como uma realidade que surgiu a partir da demanda da globalização das comunicações e que está muito além de governos individuais e indústrias da língua, buscou-se demonstrar como o ELF problematiza a política pan-hispânica do grupo espanhol e substitui a ideologia linguística da hispanofonia (DEL VALLE, 2007) por uma ideologia translíngue (GARCÍA; OTHEGUY, 2015; GARCÍA, 2009; GARCÍA, 2014; GARCÍA; SELTZER, 2016; CANAGARAJAH, 2017).

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  • ÁLVARO CÉSAR PEREIRA DE SOUZA
  • O PROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃO E NORMATIZAÇÃO DO PORTUGUÊS EM SERGIPE DEL REY, SÉCULO XIX: A OBRA DE JOSÉ ORTIZ (1862)

  • Data: 08/11/2019
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  • Ao seguir as reflexões de Rosa Virgínia Mattos e Silva (2004), sobre os caminhos perseguidos pela língua portuguesa no Brasil até sua conformação atual, nosso trabalho vem somar-se a de outros estudiosos que buscam desvelar não apenas os fenômenos linguísticos que ocorreram no interior da língua portuguesa, ou seja, a compreensão de sua história interna, mas também os fatores sócio-históricos que promoveram mudanças (fonéticas, morfológicas, sintáticas), ou seja, o entendimento de sua história externa. Como afirma Mattos e Silva, é chegado o momento de “reunir e unir estudiosos da linguística histórica que se interessam por reconstruir o complexo e ainda superficialmente desvendado percurso da constituição do português brasileiro no contexto de várias faces da sócio-história linguística do Brasil” (MATTOS e SILVA, 2004, p. 29). Para tanto, a autora contempla quatro grandes campos de pesquisa que se interligam e se completam. A nossa pesquisa insere-se no campo a) o campo que se moverá na reconstrução de uma história social linguística, tendo como campo empírico a Província de Sergipe del Rey oitocentista, dentro do marco temporal 1834-1870. O objeto de estudo é o processo de normatização da língua portuguesa em Sergipe del Rey, via escolarização, dentro do marco temporal recortado. Assim, o trabalho encontra-se respaldado por uma das vertentes do campo a, propostas por Mattos e Silva (p. 59), que é aquela que “será a reconstrução da história da escolarização no Brasil, que Houaiss formula como a penetração da língua escrita, fator fundamental para a compreensão da polarização entre normas vernáculas e normas cultas do português brasileiro”. Como sabemos, o Brasil era um país majoritariamente rural no século XIX, cuja literalização, nas palavras de Mattos e Silva (p. 59), “foi lenta e de má qualidade”. Tampouco foi alvissareiro o processo de escolarização na Província sergipana em face às grandes dificuldades econômicas pela qual essa passava naquele momento. O estudo da história de Sergipe, desde o período em que ainda fazia parte da Província da Bahia, nos permitiu levantar dados referentes a sua demografia e distribuição étnico-social, informações importantes para a compreensão do quadro social sergipano no século XIX. No que concerne à escolarização, pudemos atestar, pela distribuição das escolas nas vilas e cidades de Sergipe inventariadas, que a maior parte da população pobre e mestiça não teve acesso à cultura escrita. Poucos eram os materiais disponíveis para o ensino-aprendizagem da língua portuguesa, conforme os muitos relatos dos diretores da instrução pública. Assim também a alusão à péssima qualidade dos professores, além da falta de espaços adequados para o trabalho docente. Se a formação docente era inadequada ou praticamente inexistente, os poucos compêndios à disposição para o ensino-aprendizagem dos rudimentos de gramática da língua nacional em Sergipe del Rey também deixavam a desejar, como é o caso da gramática analisada nesta pesquisa, o Novo Systema de Estudar a Grammatica Portugueza (1862), do médico e bacharel em letras, o gaúcho José Ortiz. A obra de José Ortiz é mais uma das muitas gramáticas de orientação filosófica, de cariz normativo-prescritivo, cujo padrão linguístico é o lusitano. O procedimento analítico foi o comparativo com três outras gramáticas conhecidas, do século XIX: A Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza, de Jeronimo Soares Barbosa (1822); o Epitome da Grammatica Portugueza, de Antonio de Moraes e Silva (1806; 1824) e a Grammatica da Lingua Portugueza, de Francisco Sotero dos Reis (1871). Deste procedimento foi possível levantar as convergências e divergências existentes entre os gramáticos de então. No tocante à obra de Ortiz, pudemos observar a tentativa de imposição de uma “norma culta”, em certos momentos, totalmente artificial e distante daquela realidade, mesmo para falantes muito escolarizados.

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  • GEISA FRÓES DE FREITAS
  •  DAS REDES ÀS URNAS: O DISCURSO POLÍTICO ELEITORAL NA ORDEM DAS REDES SOCIAIS

  • Orientador : LICIA MARIA BAHIA HEINE
  • Data: 22/11/2019
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  • FREITAS, Geisa Fróes de. Das redes às urnas: o discurso político eleitoral na ordem das redes sociais. 2019. 378 f. Tese (Doutorado em Língua e Cultura) – Instituto de Letras. Universidade Federal da Bahia. Salvador, 2019.

    Nas sociedades democráticas modernas, as formas de produção política vêm sofrendo profunda interferência em razão dos avanços das tecnologias e mídias digitais. Nesse contexto, as novas formas de configuração do discurso político engendradas, sobretudo, nas redes sociais, tornaram-se um vasto campo de investigação a partir dessa relação. Desse modo, propomos, neste trabalho, analisar como se dá o funcionamento do discurso político-eleitoral contemporâneo na rede social Facebook, fundamentados nos postulados da Análise do Discurso de filiação francesa, derivada dos trabalhos de Michel Pêcheux e associada às contribuições da semiologia histórica, concepção proposta por Jean-Jacques Courtine, que visa articular a materialidade verbal e não-verbal na constituição histórica dos sentidos, pautada na noção de enunciado foucaultiano. Para tanto, o corpus mobilizado para esta pesquisa é constituído por postagens realizadas por quatro candidatos à eleição municipal de Salvador-BA/pleito 2016 – ACM Neto (DEM), Alice Portugal (PCdoB), Pastor Sargento Isidório (PDT) e Fábio Nogueira (PSOL). Foram selecionados perfis e páginas oficiais desses candidatos na plataforma Facebook, durante o período de campanha eleitoral (de agosto a outubro de 2016), constituídos por sequências enunciativas que dizem respeito às regularidades do discurso (materialidades, temáticas). Mais especificamente, buscamos compreender como ocorre a adequação do discurso às condições de produção impostas pelo espaço virtual, regidas pela ordem da liquidez dos discursos, da língua e das multiplicidades de linguagens. Para tanto, entendemos que a noção de semiologia histórica courtiniana, articulada no âmbito do programa de pesquisa da Análise de Discurso, constitui-se numa importante abordagem para tomarmos como ponto de partida a reflexão sobre a relação das metamorfoses do discurso político contemporâneo e a questão da discursividade constituída por materialidade sincrética emergente das redes sociais, nas quais corpo, voz, gestos, verbo e uma série de imagens (selfie, fotografia, live, videomontagem) produzem sentidos, o que torna, assim, evidente o apelo por uma análise semiológica desses discursos que extrapole a materialidade unicamente verbal. De antemão, podemos dizer que, através das análises, foi possível observar que as campanhas políticas eleitorais, inscritas nas redes sociais, tornaram-se diversificadas e amplificadas, conforme notamos os diversos dispositivos e recursos materiais nas mais diversas produções do discurso político e suas formas de interação, visibilidade, espetacularização, que modificaram tanto os modos de produção e circulação do discurso, como os modos de apresentação de si do sujeito político. Um outro aspecto importante com relação à temática foi a predileção dos candidatos pela pauta das minorias, em que se destacaram as mulheres, a população negra e os grupos LGBT+. 

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  • MANUELLE DE OLIVEIRA INACIO
  • ASSISTENTES BRASILEIROS DE PLE/PL2 NA FRANÇA:

    UM OLHAR INTERPRETATIVO DE NARRATIVAS E EXPERIÊNCIAS

  • Orientador : LIVIA MARCIA TIBA RADIS BAPTISTA
  • Data: 13/12/2019
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  • Compreendendo que nos concebemos por meio das interações sociais e humanas, é fundamental refletirmos sobre a noção de experiência (LAROSSA, 2002). Os sujeitos se constituem por meio das suas vivências pessoais e profissionais, na relação com os outros, na interlocução com os saberes institucionais, bem como pela compreensão crítica de si mesmo (JOSSO, 2004). As narrativas de vida são meios pelos quais podemos observar e problematizar as singularidades dos sujeitos frente aos contextos histórico, social e cultural em que se inserem. Sendo assim, propomos uma problematização sobre como a experiência dos participantes do programa “professores assistentes de língua portuguesa” na França pode contribuir para a constituição de suas identidades (HALL, 2004; SILVA, 2014), e alteridades (MIOTELLO, 2014). Além disso, entendemos essa experiência como parte do processo de formação e de conhecimento desses docentes de PLE/PL2 nas escolas em território francês. Situamos a nossa pesquisa nos estudos da Linguística Aplicada e recorremos, ainda, às contribuições teórico-metodológicas da Pesquisa Narrativa (CLANDININ & CONELLY, 2015) que, por estar focalizada na experiência humana, dialoga com várias áreas das Ciências Sociais. Ademais, a Pesquisa Narrativa, inserida no paradigma qualitativo de pesquisa, se caracteriza pela compreensão dos sujeitos a partir de suas interações em um determinado contexto social. Os dados analisados apontam que as identidades dos sujeitos são constituídas a partir das suas experiências. Enquanto alguns se colocam no lugar de reflexão acerca das unidades imaginadas, ou seja, dos discursos reificantes acerca de um espaço, de uma cultura, de um povo; outros se constituem pelas relações pautadas pelas diferenças, pela multiplicidade do discurso. O exercício da alteridade possibilita ao sujeito a reflexão acerca da sua prática docente aliada às suas concepções língua/linguagem/culturas.

2018
Dissertações
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  • CAROLINA ANTONIA SILVA TRINDADE
  • CAROLINA ANTONIA SILVA TRINDADEESCOLARIZAR PARA CIVILIZAR: O RECOLHIMENTO DE NOSSA SENHORA DOS HUMILDES EM SANTO AMARO DA PURIFICAÇÃOBAHIA,SÉCULO XIX

  • Data: 25/04/2018
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  • RESUMOPara compreensão e estabelecimento da sócio-história do português brasileiro, um dos campos estabelecidos pela linguista Mattos e Silva (2004, p. 59) visa a “[...] a reconstrução da história da escolarização no Brasil, que Houaiss formula como a penetração da língua escrita [...]”. Objetiva-se, portanto, analisar e discutir a inserção de mulheresna cultura escrita no Collegio Nossa Senhora dos Humildes, em Santo Amaro da Purificação Recôncavo baiano, no século XIX, à luz da História da Cultura Escrita (CASTILLO GÓMEZ, 2003) e da História Social Linguística(MATTOS E SILVA, 2004). Busca-se compreender de que forma o colégio vinculado a um recolhimento se estabeleceu como espaço de escolarização de mulheres através da imposição do governo, antes mesmo de o ensino para meninas ser regulamentado , tendo em vista fatores sociopolíticos e econômicos. Analisa-se quais foram as práticas de acesso ao escrito, nesse espaço, como ocorreu o processo de alfabetização das mulheres e quais foram os materiais utilizados, o perfil social e econômico das educadoras e das educandas. Estabelece-se um diálogo com a História da Educação e propõe-se, também, um novo olhar (ou leitura) diante dos processos de escolarização das mulheres, através da análise qualitativa do Estatuto do educandário, de relatórios enviados a diretores da Instrução Pública, de livros de registro de entrada e saída de meninas, de relatórios de presidentes da província da Bahia, dentre outros documentos, analisando as representações, as práticas e os discursos (CHARTIER, 1990) gerados acerca do contexto em questão. Verificou-se a mudança docaráter da instituição da condição de assistência exclusiva a órfãs pobres, para constituir-se como uma instituição de escolarização de mulheres majoritariamente brancas e oriundas de famílias ricas de Santo Amaro, grupo até então excluído dos espaços formaisde instrução. O estudo visa a contribuir para a reconstrução da história da cultura escrita, no âmbito da escolarização, e da história social do português no Brasil.

2
  • DAIANE SILVA SOUZA
  • As vogais médias pretônicas na fala de Goiás com base nos dados do ALiB

  • Orientador : SILVANA SOARES COSTA RIBEIRO
  • Data: 09/07/2018
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  • O objetivo desta dissertação é analisar a distribuição diatópica das vogais médias pretônicas [e] e [o], em localidades interioranas de Goiás, utilizando o corpus do Projeto Atlas Linguístico do Brasil. Para isso, analisaram-se os dados de oito localidades interioranas de Goiás, que compõem a rede de pontos do ALiB: Porangatu (118), São Domingos (119), Aruanã (120), Formosa (121), Goiás (122), Jataí (124), Catalão (125) e Quirinópolis (126). A amostra da pesquisa foi composta por entrevistas realizadas in loco, com um total de 32 informantes estratificados por sexo (masculino e feminino) e faixa etária (I- 18 a 30 anos e II- 50 a 65 anos). A análise possui como embasamento teórico os pressupostos da Sociolinguística Quantitativa e da Dialetologia e Geolinguística Pluridimensional Contemporânea. A partir dos dados obtidos, pode-se perceber que há, nas localidades analisadas, uma leve predominância das vogais médias fechadas [e] e [o], 58% e 57%, respectivamente. Em relação à distribuição das vogais pretônicas e as áreas dialetais, o estado possui pontos com características do Falar Baiano e do Falar Sulista, considerando a proposta de divisão dialetal de Nascentes (1953). Das variáveis extralinguísticas, o sexo e a faixa etária foram indicados como favorecedores da realização de [e], e, para a realização do [o], apenas a faixa etária foi selecionada pelo programa estatístico Goldvarb X. Quanto às variáveis linguísticas, mostraram-se condicionantes ao uso das vogais médias fechadas: as vogais tônicas, as vogais inacentuadas seguintes, os contextos consonantais precedente e seguintes (por ponto de articulação), e, ainda, a variável linguístico-discursiva tipo de questionário.

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  • MARANA DE ALMEIDA MOREIRA RIBEIRO
  • A PALATALIZAÇÃO DAS OCLUSIVAS DENTOALVEOLARES ANTES DE [i] NO INTERIOR BAIANO

  • Orientador : MARCELA MOURA TORRES PAIM
  • Data: 09/07/2018
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  • Este trabalho analisa a realização variável das consoantes oclusivas dentoalveolares antes da vogal alta /i/ fonológica, em vocábulos como tio, mentira, e nos casos em que essa vogal resulta da neutralização do /E/ em posição átona, como em tarde, noite, vogal derivada ou fonética, em vinte e uma localidades do interior da Bahia, a partir do corpus do Projeto Atlas Linguístico do Brasil. Admitindo-se como regra de aplicação a palatalização, o estudo tem como principal objetivo identificar os fatores condicionantes do fenômeno, sendo eles linguísticos ou extralinguísticos. Para isso, aglutinam-se os pressupostos teórico-metodológicos da geolinguística pluridimensional (CARDOSO, 2010) aos da sociolinguística quantitativa (LABOV, 2008 [1972]). Este estudo se apresenta como descritivista, uma vez que, a partir de um fato fônico, tenta-se descrever os fatores internos e externos à língua que o favoreceram. Do ponto de vista metodológico, os dados utilizados foram extraídos dos questionários fonético-fonológico (QFF) e semântico-lexical (QSL) do Projeto ALiB (COMITÊ NACIONAL, 2001) aplicados no interior baiano. Para tanto, consideraram-se oitenta e quatro informantes, sendo quatro para cada localidade pesquisada, pertencentes a duas faixas etárias (uma de 18 a 30 anos e outra de 50 a 65 anos). Observa-se a distribuição do fenômeno em estudo a partir de sete mesorregiões geográficas que compreendem o estado da Bahia: Metropolitana, Vale São Franciscano da Bahia, Nordeste Baiano, Centro Norte Baiano, Extremo Oeste Baiano, Centro Sul Baiano e Sul Baiano. Para o empreendimento da análise, o corpus foi constituído por 2970 ocorrências, incluindo as duas possibilidades de realização encontradas no estado: a palatal e a dentoalveolar, totalizando 1818 ocorrências de vogal fonológica e 1154 de vogal derivada. Foram controladas as variáveis linguísticas: vozeamento da consoante, posição da sílaba, nasalidade da sílaba, tonicidade, vogal antecedente, consoante antecedente e natureza da vogal. As variáveis extralinguísticas controladas foram: diatopia, sexo e faixa etária. Os dados foram tratados por meio da análise quantitativa, da codificação e da submissão ao programa Goldvarb X. A partir das análises engendradas, verificou-se que o fenômeno está mais presente nas mulheres jovens e nas áreas que abrangem o Centro Sul e o Sul Baiano, além da região Metropolitana de Salvador e uma localidade do Centro Norte Baiano. Quanto aos aspectos linguísticos, a vogal alta fonológica se coloca como favorecedora, apresentando um percentual de 72.7% e 0.658 de peso relativo. Quando separado o fenômeno por contexto de natureza da vogal, as variáveis linguísticas selecionadas no âmbito da vogal derivada foram a tonicidade e o vozeamento, enquanto que, na vogal fonológica, a consoante antecedente e a vogal antecedente é que favoreceram a aplicação da palatalização na área considerada.

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  • MAÍSA CARLA DOS SANTOS COSTA
  • Conceptualizações do Golpe/Impeachment da Ex-presidenta Dilma Rousseff em Jornais dos Países do Mercosul

  • Orientador : AURELINA ARIADNE DOMINGUES ALMEIDA
  • Data: 09/07/2018
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  • A presente Dissertação de Mestrado socializa resultados de uma investigação que fez o levantamento e estudo das formas de conceptualização do afastamento definitivo da ex-presidenta do Brasil, Dilma Vana Rousseff, tendo como corpus fragmentos de notícias de cinco jornais on-line publicados nos cincos diferentes países que eram membros do Mercosul até o dia da votação final do processo de impeachment, realizada no Senado brasileiro, que acabou por condenar a ex-presidenta por crime de responsabilidade, levando-a à perda do mandato presidencial. Os jornais, usados para a constituição do corpus, foram escritos em língua portuguesa e em língua espanhola: Folha de São Paulo, El Mundo, Clarín, El País e HOY, editados, respectivamente, no Brasil, Venezuela, Argentina, Uruguai e Paraguai; todos os excertos constituintes do corpus foram coletados de notícias publicadas no dia 31 de agosto de 2016, quando ocorreu a votação final que levou à ex-presidenta ao referido afastamento. A pesquisa empreendida se valeu de um estudo de natureza qualitativa, de uma perspectiva documental e hermenêutica. O aporte teórico foi tomado da Semântica Cognitiva, mais especificamente, das discussões propostas por Lakoff e Johnson (2002 [1980]), Lakoff (1987), Lakoff (2007[2004]), Soriano (2012), Barcelona (2012), Lakoff (2007 [1980]), Ibarretxe-Antuñano e Caballero (2008), dentre outros. Os resultados foram organizados, a partir de domínios-fonte da experiência, considerando os mapeamentos metafóricos, metonímicos e metaftonímicos, que apontaram para a conceptualização do afastamento definitivo da ex-presidenta do Brasil, a partir das identificações das expressões linguísticas, cujos sentidos puderam ser concebidos enquanto caracterizadores dos frames, como teoricamente foi proposto por Lakoff (2007[2004]), para assim apresentar a intrínseca relação entre as manifestações linguísticas, culturais, históricas, sociais, experienciais e conceptuais. Como exemplo de conceptualização metafórica, encontramos a expressão: ―O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que: ‗o impeachment, não há como negar, é traumático‘, mas ‗consolida o processo democrático‘.‖ (FOLHA DE SÃO PAULO, 2016, p. 4), instanciando as metáforas IMPEACHMENT É TRAUMA e IMPEACHMENT É CONSOLIDAÇÃO. Já como exemplo de conceptualização metonímica, encontramos o trecho a seguir: ―Aunque desde ayer había certeza que la mandataria sería defenestrada, el episodio no deja de tener un terrible impacto.‖ (CLARÍN, 2016, p. 1-5), instanciando a metonímica CAUSA-CONSEQUÊNCIA, uma vez que o impeachment (causa) levou à defenestração da presidenta (consequência). Esses e outros exemplos são interpretados e discutidos nesta Dissertação de Mestrado.

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  • PERLA ANDRADE PEÑAILILLO
  • REGISTROS DE ENTRADAS E SAÍDAS DAS RECOLHIDAS DO RECOLHIMENTO DE NOSSA SENHORA DOS HUMILDES: EDIÇÃO E ESTUDO PALEOGRÁFICO

  • Orientador : ALICIA DUHA LOSE
  • Data: 24/07/2018
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  • No interior do Convento de Nossa Senhora dos Humildes, em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, está guardada a documentação histórica do seu Recolhimento e nela, a história das meninas, moças e mulheres que por ali passaram. Esta dissertação de Mestrado, em um volume acompanhado de uma mídia contendo os fac-símiles de 3 cadernos manuscritos e um bifólio avulso, apresenta as edições e os estudos paleográficos de quatro documentos manuscritos pertencentes a esse acervo. Os documentos aqui apresentados se referem aos processos de entradas e saídas das educandas, das pensionistas e porcionistas, das órfãs, das expostas e das próprias recolhidas que, por vocação, segundo consta nos documentos, escolheram ingressar na instituição para seguir a vida religiosa. Os documentos aqui editados abrangem um período de 120 anos de registros e são assim intitulados Cerimonial para se lançar o Habito e serem recebidas as Recolhidas de Nossa Senhora dos Humildes, extrahido do cerimonial das Recolhidas do Senhor Bom Jesus dos Perdoes (de 1808 a 1869); o Livro de Assentos de Entradas (de 1871 a 1928); o Livro Ceremonial e o Documento de Entradas (1885, 1890 e 1892). Para melhor compreender os documentos no âmbito dos estudos paleográficos, foram feitas um levantamento grafemático com o intuito de caracterizar as diversas mãos que os compõem, assim como de todos os documentos aqui citados foi feito levantamento e classificação das abreviaturas presentes, tudo isso para que se pudessem identificar e descrever cada uma das mãos que produziram esse grande registro. Assim, temse aqui como objeto maior a edição dos documentos das entradas e saídas do Recolhimento, acompanhada de um breve apanhado da história da instituição, da descrição dos documentos e de cada uma das mãos que os compuseram, a metodologia e os critérios adotados para edição, a transcrição dos textos e os levantamentos e classificações das abreviaturas. Tudo isso com o objetivo maior de fornecer material de qualidade para que futuras pesquisas possam se debruçar sobre esses textos e realizar análises das mais variadas vertentes, ajudando assim a preservar e divulgar a memória da instituição, da região e, sobretudo, a história das mulheres. Os fac-símiles são apresentados em formato digital (DVD).

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  • VICTOR CAVALCANTI MARIANO
  • NOMES NUS NA POSIÇÃO DE SUJEITO NO PORTUGUÊS AFRO-BRASILEIRO

  • Orientador : DANNIEL DA SILVA CARVALHO
  • Data: 03/08/2018
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  • Esta pesquisa estudou a sintaxe e a semântica do sintagma determinante (DP) em um corpus de fala de brasileiras afrodescendentes moradoras da comunidade rural isolada de Helvécia, no interior da Bahia. O trabalho visou fazer uma descrição do sistema de marcação de definitude e referencialidade de DPs em posição de sujeito sentencial no corpus em questão, tendo em vista o processo de transmissão linguística irregular que, teoricamente, está na base da formação do português popular do Brasil. Assim, quis-se entender a variação no uso de nomes com e sem determinantes realizados foneticamente. Além disso, a fim de se traçar uma analogia entre o processo de formação do português brasileiro e o processo de formação de línguas crioulas, o trabalho em questão traça uma comparação entre os resultados encontrados no corpus utilizado e os resultados encontrados em algumas línguas crioulas, como as faladas em São Tomé (ALEXANDRE, HAGEMEIJER, 2007), Cabo Verde (BAPTISTA, 2007) e Guiné-Bissau (KIHM, 2012), e com outros estudos sobre a fala de brasileiros afrodescendentes moradores de comunidades rurais isoladas (RIBEIRO, 2010). Destarte, descrevem-se os contextos sintático-semânticos em que as falantes realizam ou não artigos (definidos ou indefinidos) em DPs em posição sintática de sujeito e compara-os com os resultados encontrados em outros estudos. Por fim, propõe-se uma estrutura sintática para o DP dessa variedade do português brasileiro, que se adéqua à proposta da existência de um artigo não realizado foneticamente na gramática dessa língua e aos contextos sintático-semânticos descritos.

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  • LAYZ MARQUES DA CRUZ
  • A EXPRESSÃO E A OMISSÃO DO SUJEITO PRONOMINAL NO ESPANHOL DE HAVANA E DE MADRID

  • Orientador : CARLOS FELIPE DA CONCEICAO PINTO
  • Data: 17/08/2018
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  • A presente dissertação tem como proposta apresentar e analisar o fenômeno da expressão/omissãodo sujeito pronominal no espanhol falado em Cuba e Madri. Na seção1, introduzimos nosso tema, apresentamos os objetivos geral e específico, bem como nossas hipóteses para esta análise. Na seção 2, discutimos a diversidade do espanhol atual a partir das reflexões de Henríquez Ureña (1921), Rona (1964), Lope Blanch (1989), Fontanella de Weinberg (1993), Moreno Fernández (2000), Alkmim (2001), Fanjul (2004), Irala (2004),Pinto (2009), dentre outros autores, trazendo também algumas propostas de divisão dialetal da língua espanhola.Na seção 3, associamos a Teoria Gerativa, a partir da Teoria de Princípios e Parâmetros reformulada por (CHOMSKY, 1981, 1993, 1995) e a Sociolinguística Variacionista, com bases em Tarallo (1987), Tarallo e Kato (1989), Ramos (1992,1999) e outros, a fim de explicar como será observado o nosso objeto de estudo. Na seção 4, apresentamos como se dá a organização dos pronomes no espanhol e também como são classificados os pronomes pessoais neste idioma. Através da Teoria de P&P explicamos o funcionamento do fenômeno da omissão e/ou expressão do sujeito pronominal. Na seção 5, apresentamosos dados da variável dependente expressão ou omissão do sujeito pronominal nas capitais Madri e Havana através das variáveis independentes de tipo de oração, tipo de pessoa e referência, deixando com sugestão para um estudo mais aprofundado a variável independente de valor discursivo, separando os sujeitos expressos que se apresentam como tópico ou foco na sentença. Observamos o fenômeno na fala de quatro informantes, dois de cada cidade, um jovem e um idoso de cada cidade, sendo todos de baixa escolaridade, de acordo com a disponibilidade encontradano corpus PRESEEA. As conclusões gerais do trabalho mostram que o sujeito nulo prevaleceu em todas as idades, inclusive em ambas as cidades, o que não confirma a hipótese de que Cuba teria um comportamento diferente do espanhol de Madri, mesmo considerando suas influências indígenas e africanas que viriam a interferir na locução do falante atual.

8
  • CELIA FERREIRA BISPO
  • Representações sociais sobre ruralidades e crenças sobre língua inglesa
  • Orientador : DENISE MARIA OLIVEIRA ZOGHBI
  • Data: 31/08/2018
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  • Houve um tempo em que falar a língua inglesa era um bem cultural que poucos se preocupavam em acessar. Hoje, no entanto, o domínio dessa língua se constitui um meio de empoderamento para a pessoa exercer bem seu direito à cidadania global que o mundo contemporâneo requer. Conhecendo as dificuldades que professores e alunos ainda enfrentam e ciente de que as desigualdades em espaços sociais diferentes impossibilitam a realização dessa importante tarefa, o presente trabalho tem como objetivo principal explorar o conceito de representações sociais e verificar se há relação entre as representações sobre rural/ruralidades construídas por alunos de uma escola no campo e suas crenças sobre aprendizagem de língua inglesa na escola no espaço rural. Os conceitos de Representações Sociais foram oferecidos por Moscovici (2015), Jodelet (1992; 2001) e Abric (2000), entre outros. Quanto ao estudo de crenças é em grande parte fornecido por Barcelos (95; 2004; 2007). Para discutir os termos rural e ruralidade buscamos nomes da Sociologia Rural como Halfacree (1993), Moreira e Gaviria (2005), e Carneiro (2005, 2012). E uma vez que ruralidades e Representações estão associadas às identidades, recorremos a Hall (214) e Bauman (2000) para abordar a questão. Alguns teóricos que enriquecem a discussão sobre língua são autores da Linguística Aplicada como Jenkins (2007), Moita Lopes (2008), Rajagopalan (2001), Siqueira (2012), e Scheyerl (2012). A pesquisa envolveu 09 alunos de uma escola num distrito em área rural, onde a coleta de dados foi realizada através de aplicação de questionário, entrevista semiestruturada e etnografia da sala de aula. Os resultados da pesquisa revelaram que as crenças sobre a aprendizagem da língua inglesa pelos alunos estão relacionadas a duas tendências de representar o rural/ruralidades.

9
  • DANIELA MOREIRA DA SILVA
  • O APRENDIZADO DA ESCRITA E A CONSTITUIÇÃO DA AUTORIA MEDIADOS PELO SOFTWAREHAGÁQUÊ

  • Orientador : SIMONE BUENO BORGES DA SILVA
  • Data: 21/09/2018
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  • As mudanças que ocorrem na sociedade atual refletem as constantes inovações tecnológicas. Devido à sua natureza e imersa nessa realidade de celeridade tecnológica atual, a língua também é modificada rapidamente na sociedade contemporânea e seus usos, em muitos contextos, se faz por intermédio das chamadas TDIC (Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação). Esta dissertação é devotada à reflexão sobre o impacto das TDIC em certos aspectos do ensino da Língua. Mais especificamente, a discussão aqui proposta focaliza-se na investigação de como o uso do software HagáQuê, projetado para confecção de historias em quadrinhos no computador, poderia contribuir para o aprendizado da escrita e a construção da autoria. Discute-se também a possibilidade de contribuir para a formação de sujeitos críticos e autônomos, seja no contexto dos processos comunicativos, como também na valorização do acesso e prática das diversas modalidades discursivas que se materializam na sociedade. Assim, este estudo propôs uma intervenção pedagógica de produção textual mediada por ferramenta digital com estudantes do 6º ano de um colégio da rede estadual, localizado em Paripe, bairro que constitui o subúrbio ferroviário de Salvador-Ba.  A pesquisa insere-se no âmbito da Linguística Aplicada, adotando-se uma abordagem qualitativa interpretativista, recorrendo-se, por um lado, a elementos da etnografia da prática escolar, por outro, da pesquisa-ação. O conjunto dos instrumentos utilizados para a geração dos dados compõe-se de dois questionários, da observação e registro em diário de campo, da aplicação de sequência didática visando a produção textual dos estudantes e finalmente, dos textos produzidos pelos mesmos. A perspectiva teórica que embasa o desenvolvimento da pesquisa e as reflexões aqui tecidas centram-se na concepção de língua/linguagem e de gêneros do discurso desenvolvidas pelo círculo bakhtiniano; nos estudos dos letramentos e dos multiletramentos; nas relações entre escrita e autoria. Além disso, também se apresentam reflexões acerca da história em quadrinhos como gênero atualmente bastante utilizado para o ensino língua, e sobre as relações entre educação e tecnologia, pensadas a partir da pedagogia crítica proposta por Freire (2012, 2016). A análise e discussão dos resultados revelam potencialidade e limitações no processo de produção textual mediado pelo software HagáQuê. As potencialidades centram-se nas possibilidades de construção de mecanismos para o trabalho colaborativo, criativo e crítico. As limitações relacionam-se ao desencontro entre a inventividade dos estudantes as reduzidas possibilidades do software. 

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  • CINTIA BÁRBARA SILVA BORGES
  • A CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA PROFISSIONAL DAS PROFESSORAS NEGRAS DE LÍNGUA INGLESA DE ESCOLAS  PÚBLICAS DE PARIPE

  • Orientador : LIVIA MARCIA TIBA RADIS BAPTISTA
  • Data: 14/12/2018
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  • A presente dissertação tem como objetivo compreender os caminhos da [re,des]
    construção identitária profissional das professoras negras de língua inglesa de escolas
    públicas de Paripe a partir do olhar de si mesmas, com vistas a perceber seu papel
    enquanto protagonistas na formação de sua identidade profissional. Trata-se de uma
    pesquisa de natureza qualitativa e interpretativista, com uma perspectiva social e que
    também se enquadra na Antropologia Cultural. Recorreu-se a diferentes instrumentos
    e procedimentos de investigação, a saber: questionário, para conhecer o perfil
    profissional das professoras; entrevista dialogada, a fim de compreender as diferentes
    perspectivas sobre o foco da pesquisa; observação de aulas, com o propósito de
    verificar seus posicionamentos no contexto de ensino; por fim, registro fotográfico,
    para captar cenas que retratassem a identidade profissional das professoras.
    Ademais, procedeu-se a triangulação e discussão dos dados gerados, por meio das
    relações estabelecidas nas dimensões pautadas nas concepções linguísticas,
    constituições identitárias profissionais, impactos do contexto de ensino na identidade
    profissional e representação sobre o papel político, social e ideológico do docente. A
    discussão da identidade profissional perpassa pelas questões étnica e de gênero bem
    como pela relação com o território Paripe, no que tange às implicações dos processos
    identitários, entendendo o local social e lugar de fala dessas mulheres, negras e
    professoras de língua inglesa de escolas públicas. Por fim, esta pesquisa buscou
    contribuir para o fortalecimento desses lugares, sobretudo Paripe e escola pública,
    reafirmando a escuta e visibilidade dos sujeitos e, sobretudo, ratificando o
    posicionamento social, político e ideológico das professoras negras de língua inglesa.

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  • MARIA JOSÉ CERQUEIRA BRITO
  • AS COMPETÊNCIAS DE APRENDENTES DE LÍNGUAS DO CURSO DE LICENCIATURA EM LETRAS ESPANHOL DA UNEAD/UNEB

  • Data: 19/12/2018
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  • O ensino a distância é visto hoje, principalmente, como um esforço de massificação e interiorização da educação no Brasil. A Licenciatura em Letras Língua Espanhola e suas Literaturas da Unidade Acadêmica de Educação a Distância é um dos cursos ofertados pela Universidade do Estado da Bahia em parceria com a Universidade Aberta do Brasil, sistema vinculado ao Ministério da Educação. Sendo um curso de formação de professores para atuar na Educação Básica, torna-se importante a proposição de pesquisas que colaborem para uma melhor compreensão dessa modalidade de educação com o intuito de contribuir para novas ofertas de maior qualidade. Sendo assim, a presente pesquisa objetiva identificar como se configuram as competências de aprendentes de Língua Estrangeira na Unidade Acadêmica de Educação a Distância da Universidade do Estado da Bahia. Para dar conta de alcançar tal objetivo, buscou-se: observar como acontece o processo de ensino aprendizagem no Ambiente Virtual; analisar a interação e outras atitudes do aprendente nesse espaço e o uso de ferramentas que favoreçam o desenvolvimento de competências de acordo com as concepções apresentadas pelo projeto do curso; e identificar os novos esforços atitudes e ações que precisam ser praticados pelos aprendentes de línguas no Moodle. Tendo em vista tais objetivos, utilizou-se a abordagem qualitativa, considerada a mais adequada para atender às especificidades da presente investigação, realizamos, para isso, um estudo de caso e tivemos como participantes da pesquisa os aprendentes do polo presencial de Vitória da Conquista. Para a geração de dados, utilizamos diferentes instrumentos: análise de documentos, questionário e observação online. A perspectiva teórica está embasada na concepção de competências de aprendentes de línguas estabelecida por Almeida Filho (2014), Nascimento (2014), Cunha (2014), Ribeiro(2014) e Ferraço de Paula(2014), além disso, fizemos uso, principalmente, de conceito de autonomia (PAIVA, 2006 e FREIRE, 1996); Estilo de aprendizagem (BARROS, 2009; SCHERER e BRITO, 2014; SCHERER, 2005) e motivação (LIEURY, 2010; GUIMARÃES, 2001). O resultado da pesquisa aponta para uma competência teórica de aprendentes de língua em ambientes online constituída pelo conhecimento da concepção de língua e da abordagem para aprendê-la, assim como do conhecimento das ferramentas disponíveis no ambiente e sua funcionalidade pedagógica. Tais saberes, consequentemente, favorecem também o desenvolvimento da competência aplicada, da acadêmica e da competência comunicativa na língua estrangeira.

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  • MAURICIO JOSÉ DE SOUZA NETO
  • CELPE-BRAS E CAPLE: A PROFICIÊNCIA EM PORTUGUÊS COMO LÍNGUA NÃO MATERNA EM PARALAXE

  • Orientador : IRACEMA LUIZA DE SOUZA
  • Data: 20/12/2018
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  • Nesse presente estudo investiguei os exames produzidos pelo Centro de Avaliação de Português Língua Estrangeira, da Universidade de Lisboa (CAPLE), e o Celpe-Bras. Escolhi fazer essa análise constrastiva porque julgo haver uma carência de estudos dessa natureza na grande área de estudos da linguagem. Visei com isso, também, tomar conhecimento e propriedade, para eventual divulgação, mesmo que inicial, dos examples do CAPLE. Neste estudo, tive como objetivo geral evidenciar as bases político-epistemológicas no que tange o conceito de proficiência sobre os quais se assentam tanto o Celpe-Bras quanto os exames do sistema CAPLE. Utilizando-me da análise documental e eventual revisão de literatura, tive como objetivos específicos 1) situar esses exames enquanto instrumentos de políticas linguísticas, 2) situar os exames entre as políticas traçadas por Portugal e pelo Brasil, 3) analisar o conceito de proficiência nos exames, 4) mapear as competências (linguística, comunicativa, sociolinguística, pragmática, discursiva, estratégica, etc) e habilidades (de compreensão/produção oral e escrita) requeridas, bem como as atitudes esperadas (autonomia, reflexão, etc) nesses exames por parte do candidato. Ao analisar a concepção de língua(gem) presente nos exames (que nem sempre é o que dizem os documentos oficiais sobre esses exames) pude ver que ela está intimamente ligada ao entendimento de proficiência e de avaliação. A análise do Celpe-Bras mostrou que sua base em tarefas, voltada para compreensão e produção de gêneros do discurso, tem a ver com o seu entendimento de língua(gem). A proficiência nesse exame leva em consideração aspectos menos formais da língua, tendo como forte a interação e o uso da língua para desempenhar ações no mundo. A análise do Diploma Intermédio de Português Língua Estrangeira (DIPLE), do CAPLE, revelou uma visão de língua mais voltada para estrutura, com enfoque nas competências lexical e gramatical. Ao avaliar separadamente compreensão do oral, compreensão da leitura e produção e interação escritas o exame deixa claro o seu entendimento por avaliação. A proficiência nesse exame leva em consideração aspectos mais formais da língua, como o uso de conteúdos lexicais e gramaticais para a comunicação. Os resultados obtidos me levaram a ampliar o conceito de proficiência para um campo social e político, para além do linguístico. As discussões aqui empreendidas podem servir de base para futuras discussões que busquem um constraste entre os dois modelos de proficiência, bem como para um maior aprofundamento do tema, expandindo o corpus para outros exames, possibilitando um quadro mais robusto e mais preciso.

Teses
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  • IVANA CARLA OLIVEIRA SACRAMENTO
  • ENTRE ACERTOS E DESCONTINUIDADES: POLÍTICAS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA NA BAHIA E PERSPECTIVAS DE INOVAÇÃO

  • Orientador : EDLEISE MENDES OLIVEIRA SANTOS
  • Data: 24/08/2018
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  • O presente trabalho, fundamentado na Linguística Aplicada Transdisciplinar e Crítica, tematiza a formação docente de professores de Língua Portuguesa como língua materna.  Mais especificamente, problematiza-se como tem ocorrido, em linhas gerais, a formação docente de professores de Língua Portuguesa enquanto língua materna no estado da Bahia, a partir da análise do Programa de Formação para Professores GESTAR. Ainda, discute-se também, com base no referido programa, que concepção de língua e de linguagem é ensinada em tais cursos, bem como a serviço de que (ou de quem, ou de quais) diretriz(es) tais concepções obedecem. Objetiva-se, assim, de modo geral, analisar as políticas públicas de educação em Língua Portuguesa na Bahia para a formação continuada de professores e, para tanto, empreendeu-se um estudo de metodologia qualitativa, baseado na análise documental e na aplicação de questionários com treze professores formadores e duas coordenadoras, no intuito de, conjuntamente à base teórico-crítica que serviu de aporte à pesquisa, ouvir também as vozes dos principais envolvidos no processo de formação de professores. Em termos teóricos, esteprocesso de pesquisa se fundamentou, especialmente, em Candau (2012), Fleuri (2010), Mendes (2004; 2008), Mignolo (2003), Signorini (2005; 2006) e Walsh (2009). Em consonância à abordagem apresentada, a partir da perspectiva decolonial, entende-se, por fim, a necessidade de propor cursos de formação que apoiem-se, sobretudo, numa formação crítica de professores, que possibilite aos docentes reconhecer as relações de poder entre as políticas públicas de formação, entre a própria escola e a estrutura de poder na sociedade mais ampla, abrindo possibilidades para a elaboração de propostas pedagógicas informadas por interesses emancipatórios.

2
  • VERENA SANTOS ABREU
  • A ABORDAGEM DE GÊNEROS DISCURSIVOS EM LIVROS DIDÁTICOS DE PORTUGUÊS NOS ANOS FINAIS DO ENSINO
    FUNDAMENTAL: O DESAFIO DA DIDATIZAÇÃO DOS GÊNEROS DISCURSIVOS DIGITAIS

  • Orientador : LICIA MARIA BAHIA HEINE
  • Data: 03/09/2018
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  • O presente trabalho, fundamentado na Linguística Textual e nos estudos
    bakhtinianos, apresenta uma discussão sobre a didatização, nos anos finais do
    Ensino Fundamental, de gêneros discursivos digitais selecionados em três coleções
    de livros didáticos de Português, aprovadas pelo Programa Nacional do Livro e do
    Material Didático (PNLD) 2017. Os corpora dessa pesquisa são textos, atividades e
    objetos educacionais digitais extraídos de livros do 6° ao 9° ano das coleções
    Português: Linguagens, Singular & Plural e Projeto Teláris: Português. Diante
    de gêneros discursivos que surgem ou reelaboram-se em ambiente digital, o objetivo
    principal dessa pesquisa documental, de cunho qualitativo, é analisar de que
    maneira são abordados e sugeridos aos discentes e docentes textos e atividades
    sobre os gêneros discursivos digitais nos livros didáticos, levando em consideração,
    principalmente, os usos sociais da leitura e da escrita. Também é investigado se as
    atividades selecionadas enquanto corpora, de alguma forma, exploram o potencial
    pedagógico dos gêneros discursivos da mídia digital para o ensino de Língua
    Portuguesa e para proporcionar letramentos, sobretudo, o letramento digital. A
    análise toma como aporte teórico os estudos sobre gêneros do discurso (BAKHTIN,
    [1953], 2011), a Fase Bakhtiniana da Linguística Textual (HEINE, 2012), a noção de
    competência comunicativa (HYMES, 1966; CANALE, SWAIN, 1980; CANALE, 1983),
    a concepção de letramentos (KATO, 1986; SOARES, 2003; BUZATO, 2006),
    destacando o letramento digital (RIBEIRO, 2005; ZACHARIAS, 2016; DUDENEY,
    HOCKLY, PEGRUM, 2016). A análise de dados possibilitou afirmar que as três
    coleções selecionadas, de alguma forma, contemplam atividades que envolvem
    gêneros discursivos digitais, o que contribui para o ensino de Língua Portuguesa e
    para o letramento dos discentes. Também, com esse estudo, conclui-se que didatizar
    gêneros discursivos digitais em livros didáticos de Língua Portuguesa é desafiador,
    por diversos fatores, mas é importante para se promover o desenvolvimento da
    competência comunicativa dos discentes e, assim, contribuir para o processo de
    letramento digital em sala de aula.

3
  • ROBERTA PEREIRA PEIXOTO
  • INGLÊS COMO LÍNGUA DO MUNDO: UM OLHAR SOBRE A ESCOLA PÚBLICA BAIANA

  • Orientador : DOMINGOS SAVIO PIMENTEL SIQUEIRA
  • Data: 28/09/2018
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  • A comunicação em encontros multiculturais vem, cada vez mais, sendo efetivada mediante o uso do inglês funcionando como língua franca global (SEIDLHOFER, 2001, 2011; JENKINS, 2000, 2007, 2015). Mesmo diante do significativo avanço nos estudos sobre a temática, a sala de aula, considerada a representação do mundo que a cerca, parece estar isolada desse cenário. O objetivo geral deste trabalho de pesquisa é identificar se e como professores de língua inglesa da escola pública da rede estadual de ensino da Bahia (re)conhecem o estatuto do inglês como língua franca (ILF) e se pensam e planejam sua prática pedagógica a fim de proporcionar aos seus alunos não apenas o conhecimento formal da língua, mas, principalmente, meios que possibilitem a conquista de seu empoderamento a partir do domínio desta nova língua. Os fundamentos teóricos buscam contextualizar o leitor a respeito do processo de expansão da LI e como esta língua vem sendo vista e usada no mundo atualmente, quando conquistou o status de língua franca global, possibilitando a integração entre povos de todas as partes do planeta. Também trazem aspectos relacionados às implicações pedagógicas do ILF e à formação de professores. Ademais, aspectos relacionados à Pedagogia Crítica, ao empoderamento e à perspectiva do professor como intelectual transformador são abordados, uma vez que se espera que a prática pedagógica de qualquer educador, principalmente atuando no contexto da escola pública, esteja fundamentada nesses princípios. A investigação insere-se no campo da Linguística Aplicada e configura-se um estudo de cunho etnográfico e interpretativista. Inicialmente, foi enviado um questionário online para uma escola de cada um dos 417 municípios baianos, direcionado a professores de inglês, a fim de que fosse traçado um panorama inicial. Em seguida, foram selecionados 7 (sete) docentes, lotados em unidades de ensino nos municípios de Alagoinhas, Amargosa, Bom Jesus da Lapa, Eunápolis, Luís Eduardo Magalhães, Mirangaba e Salvador, para a realização das duas etapas seguintes da geração de dados: o registro etnográfico das aulas e a gravação das entrevistas semiestruturadas. A partir dos dados gerados em todas as etapas do trabalho, culminando com a devida triangulação, foi possível concluir que os princípios teóricos do ILF é algo ‘novo’ para os professores participantes e o que é colocado em prática, que possa a vir a ter relação com os princípios de ILF, ocorre de forma intuitiva e não com base no conhecimento teórico sobre o tema, implementado de maneira consciente. Além disso, o estudo demonstrou que a maioria dos professores investigados vê a língua que ensina como uma forma de promover o desenvolvimento do empoderamento dos seus alunos. Desse modo, fica evidente a necessidade de inclusão dessas questões na formação docente, bem como na capacitação continuada daqueles que já se encontram atuando na área. Além dos aspectos voltados para o ILF, é fundamental que também sejam promovidas discussões com os profissionais sobre temas como identidade e educação empoderadora.

4
  • LISANA RODRIGUES TRINDADE SAMPAIO
  • Cantigas satíricas do Cancioneiro da Biblioteca Nacional: Edição diplomática e estudo dos verbos em perspectiva lexicográfica

  • Orientador : AMERICO VENANCIO LOPES MACHADO FILHO
  • Data: 18/10/2018
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  • A compilação do lirismo trovadoresco galego-português representa um importante legado posteridade, constituindo um conjunto representativo para a análise linguística, histórica e literária, uma vez que os dados depreendidos dessa documentação podem contribuir para o conhecimento de fases pretéritas da língua portuguesa. De rica bibliografia, os muitos estudos produzidos a partir desses corpora têm ratificado sua importância e indicado a necessidade de investigação de alguns aspectos que ainda não foram devidamente explorados, sobretudo no que concerne ao léxico, nível de análise linguística em que as mudanças socioculturais se evidenciam mais clara e imediatamente. Nesse sentido, a presente tese de doutoramento concentra-se em dois objetivos principais: o primeiro consiste na apresentação, à comunidade científica, em geral, e ao público interessado por questões históricas, em particular, de uma edição diplomática das cantigas satíricas do Cancioneiro da Biblioteca Nacional (ou Colocci-Brancuti), considerando o notório valor testemunhal dessa cópia quinhentista e vocabulário muito específico patente nas composições desse gênero; o segundo, alicerçado na leitura filológica elaborada, da composição de um glossário das formas verbais, finitas e infinitivas patentes nessas cantigas, produzido a partir dos preceitos da Lexicografia histórica, com vistas a contribuir com o trabalho de reconstrução da trajetória da língua portuguesa no período arcaico, objetivo principal do projeto Dicionário Etimológico do Português Arcaico (Projeto DEPARC), de longa duração, em andamento na Universidade Federal da Bahia, a que se filia.

5
  • MAILSON DOS SANTOS LOPES
  • ESTUDO HISTÓRICO-COMPARATIVO DA PREFIXAÇÃO NO GALEGOPORTUGUÊS E NO CASTELHANO ARCAICOS (SÉCULOS XIII A XVI) Aspectos morfolexicais, semânticos e etimológicos

  • Orientador : JULIANA SOLEDADE BARBOSA COELHO
  • Data: 26/10/2018
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  • A tônica desta tese consiste em apresentar o cerne de um estudo histórico-comparativo sobre a lexicogênese prefixal observada no galego-português e no castelhano em seu arco temporal arcaico (séculos XIII a XVI), assente em um lastro empírico representativo, constituído por vocábulos derivados (herdados do latim ou gerados no vernáculo), extraídos ― com o auxílio do programa WordSmith Tools 4.0 e através de leitura verbo ad verbum ― de quase 30 mil linhas de uma centena de documentos remanescentes, de natureza textual-discursiva variada. Visando a uma percepção integrada e panorâmica do fenômeno da prefixação, primeiramente apresentamos sua contextualização nos dois sistemas novilatinos enfocados, em suas sincronias medievais, para os quais adumbramos um conspecto histórico. Daí, inflectimos para três grandes blocos teóricos, relativos, respectivamente, a uma revisitação ao método histórico-comparativo e à linguística românica, a uma apreciação crítica das principais premissas da morfologia histórica e (sócio)cognitiva, e, principalmente, a uma incidência sobre o implexo fenômeno da prefixação, claramente imerso em contextos de continua semântico-morfolexicais. Desse conjunto teórico, passamos à exposição da rota epistemológicometodológica percorrida para o adequado desenvolvimento da proposta investigativa, apontando todos os caminhos que traçamos nesse desbravamento sobre a formação de palavras em línguas iberoromânicas medievais. Por fim, com a análise vertical e horizontal dos dados, chegamos ao núcleo do estudo, que traz em si uma apreciação diacrônico-comparada sobre cada formante prefixal detectado nos corpora empíricos explorados, com uma proposta de delineamento dos paradigmas prefixais dos sistemas linguísticos em tela, em sua configuração medieval, bem como da sinalização dos aspectos fundamentais de um cotejo entre tais conjuntos paradigmáticos, imersos em fluxos e refluxos, perdas e ganhos, arcaizações e inovações, variação e mudança. Da incidência sobre o comportamento formal e semântico-funcional de cada antepositivo, com a sua subordinação às relações entre léxico e processos cognitivos, como a metáfora, a metonímia e a perspectivização, cremos que o estudo logrou apropinquar-se a alguma captação das tensões no léxico arcaico (e sua inflexão ao léxico hodierno), moldadas entre, de um lado, forças e componentes conservadores, mais próximos à matriz genolexical latina (que permaneceram ou não na língua em seu devir histórico) e, de outro, forças e componentes inovadores, representados pelas criações lexicais próprias, que, apesar de estarem incluídas nas possibilidades do sistema, apontam para novas semantizações e novos empregos gramaticais.

6
  • LENILZA TEODORO DOS SANTOS MENDES
  •  

    CRENÇAS DE PROFESSORES SOBRE A COMPETÊNCIA COMUNICATIVA E A PERSPECTIVA INTERCULTURAL NO ENSINO-APRENDIZAGEM DE PORTUGUÊS LÍNGUA MATERNA

  • Data: 29/10/2018
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  • Considerando que o conceito de crenças é muito importante para o ensino-aprendizagem de línguas, tendo em vista que sua conscientização poderá redundar em mudanças positivas na prática dos professores, principalmente porque “as crenças exercem um forte impacto em nosso comportamento” (BARCELOS, 2006, p. 25), o principal objetivo desta pesquisa qualitativa de cunho etnográfico consiste em investigar as crenças de professores sobre a competência comunicativa e perspectiva intercultural no ensino-aprendizagem de português língua materna, face à realidade da sala de aula, dos documentos orientadores e dos materiais didáticos utilizados em algumas escolas estaduais de Itabuna. Para alcançar tal objetivo, nós contamos com a participação de 10 (dez) professoras colaboradoras da pesquisa e utilizamos como instrumentos de coleta de dados, um questionário sobre crenças, uma entrevista semiestruturada, registro etnográfico por meio de notas de campo em sala de aula e narrativas autobiográficas. Realizamos também a análise de 2 (dois) livros didáticos que estavam sendo utilizados nas escolas estaduais no momento da pesquisa e verificamos o tratamento desse tema nos principais documentos balizadores do ensino de português língua materna do Ensino Médio. Os resultados  da pesquisa apontam para a necessidade de incluir a reflexão crítica sobre as crenças inerentes à competência comunicativa e perspectiva intercultural sob o viés da Linguística Aplicada, nos cursos de formação e em sala de aula de português língua materna, ensejando a problematização das diferenças e identidades, o foco no uso significativo da língua e o reconhecimento do protagonismo da linguagem na construção de uma sociedade mais pacífica, justa e solidária.

     

    Palavras-chave: Crenças de professores. Competência comunicativa. Perspectiva intercultural. português língua materna. Linguística Aplicada.

     

7
  • ANA REGINA TORRES FERREIRA TELES
  • Cartografia e Georreferenciamento na Geolinguística: revisão e atualização das regiões dialetais e da rede de pontos para a elaboração do Atlas Linguístico do Brasil formuladas por Antenor Nascentes

  • Data: 17/12/2018
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  • Os estudos de variação linguística levam em consideração questões diatópicas, diastráticas, diafásica, diageracionais e diassexuais podendo relacioná-los entre si. No Brasil, algumas propostas de divisões dialetais foram formuladas, destacando-se aquela proposta por Antenor Nascentes (1953) apresentada na segunda edição de O Linguajar Carioca (Nascentes, 1953) por ser a mais citada, comentada e servir como base para quase todos os estudos de natureza geolinguística. Embora acompanhada de um mapa, a descrição das linhas de limites propostos por ele foi feita usando como referências localidades e acidentes geográficos (especialmente rios e serras) que não estão presentes nesse mapa, não sendo assim, suficientes para a reprodução das divisões. Além da proposta da divisão dialetal, Nascentes apresentou uma sugestão para rede de pontos para uso na coleta de dados para o Atlas Linguístico do Brasil (Nascentes, 1958). Assim como o outro documento, a rede de pontos resume-se a uma listagem na qual os pontos sugeridos são apresentados agrupados conforme as divisões política e regional do Brasil à época e nominados de acordo com os topônimos então adotados e que não correspondem, em grande parte, aos topônimos e dependências político-administrativas atuais (a divisão política do Brasil sofreu várias alterações entre 1953 e os dias atuais). A tese irá apresentar um mapa da divisão dialetal e 26 outros com as localidades sugeridas (um para cada unidade da federação atual), elaborados com recursos da Cartografia automatizada, usando recursos de banco de dados SIG – Sistemas de Informações Geográficas, associando cada elemento da descrição a quantas informações sejam necessárias (atributos), sejam de cunho geográfico, histórico e socioeconômico, identificando-os por suas coordenadas geográficas (latitude e longitude) o que garante o caráter individual de identificação de cada uma delas, descartando-se desse modo, qualquer problema de ambiguidade o que será, para uso desta e de futuras gerações de linguistas, o grande diferencial entre este mapa e todos os demais até então publicados, já que observação à Cartografia oficial permitirá que, a partir da edição deste novo mapa, em qualquer época, qualquer localidade ou acidente físico possa ser identificado e tenha a ela (ou ele) associadas, novas informações.

8
  • THAÍS NASCIMENTO SANTANA SANTOS
  • “É DESAFIO QUE SE FALA?” Estágio, tecnologias e aulas de língua portuguesa

  • Orientador : SIMONE BUENO BORGES DA SILVA
  • Data: 18/12/2018
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  • Este trabalho apresenta uma pesquisa que transita entre a universidade e a
    escola de Educação Básica como locais de formação do aluno do curso de
    Letras. Na Universidade do Estado da Bahia, Campus IV, de Jacobina, o curso
    de Letras forma os futuros profissionais da área de Língua Portuguesa e, para
    tanto, o componente curricular Estágio Supervisionado é obrigatório a todos os
    discentes do curso. Foi nesse contexto que desenvolvemos um estudo cujo
    objetivo foi identificar se e como os documentos oficiais do Curso de Letras da
    UNEB – Jacobina orientam, fomentam e estimulam os estudantes em formação
    a inserirem as Tecnologia Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) em
    seu planejamento e em sua prática de ensino. No âmbito desse objetivo geral,
    trouxemos como objetivos específicos: a) analisar a presença das TDIC no
    planejamento e na prática pedagógica de estágio dos estudantes do curso de
    Letras da UNEB - Jacobina; b) comparar o discurso e a prática pedagógica dos
    estudantes da disciplina Estágio do curso de Letras da UNEB – Jacobina
    quanto à importância do uso das TDIC no ensino de língua. A pesquisa se
    concretizou a partir de ações metodológicas nas quais utilizamos instrumentos
    de pesquisa híbridos, tais como: coleta de documentos (documentos
    institucionais, plano de aula dos estagiários e textos reflexões sobre a prática
    de ensino produzidos pelos estagiários), entrevista aberta, aplicação de
    questionários, observações de aulas do estágio registradas em notas de
    campo. Essa é, pois, uma pesquisa qualitativa que segue preceitos
    interpretativistas e filiada ao campo da Linguística Aplicada. A base teórica que
    orienta o olhar para este estudo centra-se na discussão sobre tecnologias
    (CUPANI, 2011; FOUCAULT, 2004), cultura digital, (CANCLINE, 1996, 1998;
    SANTAELLA, 2003, 2007), Letramentos e multiletramentos (KLEIMAN, 1995;
    ROJO, 2009, 2011, 2012, 2013) e multimodalidade (QUINTANA, 2012) e
    (QUINTANA, SOUZA &amp; PEREIRA, 2015). Desse modo, este estudo nos
    mostrou que do ponto de vista dos documentos regimentais, observam-se
    poucas instruções que possam garantir um enfoque mais consistente relativos
    às práticas formativas que incluem as tecnologias educacionais. E nas práticas
    dos alunos, encontramos mais investimentos, mesmo considerando uma
    formação que empreende pouco o trabalho com as tecnologias e contextos que
    dificultam o uso dos instrumentos tecnológicos nas escolas de Ensino
    Fundamental II, percebemos que os estagiários conseguem planejar e
    desenvolver metodologias que avançam para além da perspectiva tradicional
    do ensino de língua, no que diz respeito aos usos e produção dos novos
    gêneros da cultura digital, enfrentando as limitações que advém da formação e
    do contexto escolar.

9
  • ALINE SILVA GOMES
  • MOTIVAÇÕES, ESTRATÉGIAS E AUTONOMIA NA APRENDIZAGEM: ELEMENTOS MOBILIZADORES PARA O DESENVOLVIMENTO DA EXPRESSÃO ORAL DE PROFESSORES DE ESPANHOL EM FORMAÇÃO

  • Data: 19/12/2018
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  • Com base nos pressupostos teóricos da Linguística Aplicada, nesta tese temos como objetivo principal investigar sobre o papel da motivação, das estratégias de aprendizagem e da autonomia como elementos mobilizadores para o desenvolvimento da expressão oral de professores de Espanhol em formação inicial. Como referencial teórico, adotamos, dentre outros autores: Dörnyei (1994; 2005; 2014), Oxford (1989; 2003) e Benson (1997; 2000; 2001).O tema proposto é relevante por diferentes razões. Entre elas, a escassez de trabalhos direcionados ao estudo do desenvolvimento da expressão oral−enquanto habilidade linguística− nos cursos de formação de professores; a compreensão de que a competência comunicativa desempenha um papel importante na formação integral do futuro professor de Espanhol; a necessidade de pesquisas que busquem compreender os fatores que mobilizam o desenvolvimento da expressão oral em Espanhol nos cursos voltados para a formação docente, e a importância da Língua Espanhola no contexto educacional brasileiro ao longo de décadas. Para realizar esse estudo, investigamos oito estudantes de um curso de Letras/Espanhol, matriculados numa universidade pública localizada no estado da Bahia. Como recursos e instrumentos de coleta e análise de informações, utilizamos questionários, entrevistas, narrativas escritas, observações com notas de campo em sala de aula, um blog e um grupo no Facebook; estes últimos recursos foram criados com o propósito de sensibilizar os estudantes em relação aos elementos mobilizadores para o aprimoramento da expressão oral em Espanhol, considerados neste trabalho. Ainda nesta pesquisa, analisamos como dados secundários os documentos oficiais do curso de licenciatura em foco, bem como questionários e entrevistas concedidos por professores de Espanhol. Após a análise, avaliamos que os elementos que têm propiciado o desenvolvimento da expressão oral em Espanhol dos participantes da pesquisa são as aulas dessa língua na universidade, a ação dos professores e o uso de recursos tecnológicos disponíveis na Internet. Por outro lado, os fatores que têm interferido de forma negativa no aprimoramento dessa habilidade linguística são a timidez, o medo de ser corrigido em público pelo professor e/ou colegas, o nervosismo para falar em público, a insegurança e a falta de confiança em si próprio. No que tange às estratégias de aprendizagem, notamos que os estudantes utilizam as estratégias diretas; houve um incremento em relação a sua frequência de uso, em particular, as de memória. Sobre a adoção das estratégias indiretas, averiguamos que as metacognitivas são amplamente consideradas; entretanto, percebemos que o seu uso diminuiu ao longo da pesquisa. Também observamos uma mudança positiva de atitude dos alunos no que se refere à valorização das estratégias sociais e afetivas. No que concerne à autonomia da aprendizagem da expressão oral da Lmeta, os estudantes reconhecem que precisam ter a capacidade para responsabilizar-se pela sua própria aprendizagem, e que os professores devem atuar como seus aliados nesse sentido. Os recursos disponíveis na Internet têm um papel importante no desenvolvimento da autonomia desses alunos. Ademais, avaliamos que eles precisam desenvolver mais a sua autonomia dentro do contexto de sala de aula.

2017
Dissertações
1
  • EDINEIA DE OLIVEIRA SANTOS
  • ANÁFORA ASSOCIATIVA EM TIRINHAS: UMA ANÁLISE DO TEXTO COMO EVENTO DIALÓGICO

  • Orientador : LICIA MARIA BAHIA HEINE
  • Data: 17/02/2017
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  • Esta dissertação – Anáfora associativa em tirinhas: uma análise do texto como evento dialógico – tem como objetivo geral analisar o modo como a coesão associativa se realiza em tirinhas de quadrinhos, ressaltando a importância do processamento textual pautado não somente no contexto imediato, mas também no contexto mediato. A coesão, um dos temas nucleares da Linguística de Texto, parece ainda se manter presa ao código verbal, apesar de alguns pesquisadores terem transcendido o conceito de coesão de Halliday e Hasan (1976, p. 4). Consoante Costa (2000, p. 35), há “[...] revisões que mantêm em grande parte o conceito e os critérios de delimitação do texto presentes em Halliday e Hasan (1976): mantêm a superfície textual como objeto de análise e procuram reformular o conceito de coesão e complementá-lo com outros de natureza igualmente formal”. Esse aspecto fez que pensássemos em expandir nosso objeto de estudo. Dessa forma, a pesquisa está embasada teoricamente na Linguística Textual, mais especificamente na fase Bakhtiniana, em que o texto é concebido “como evento dialógico, linguístico-semiótico” (HEINE, 2012), dando atenção ao dialogismo de que tratam Bakhtin e o Círculo, mostrando o texto como opaco semanticamente, visto que ele “extrapola os aspectos formais de sua constituição, englobando fatores sociais, históricos e também ideológicos” (HEINE, 2012), não se restringindo ao código linguístico. Portanto, considera-se a coesão, em especial a anáfora associativa, como tessitura textual que não se restringe em manter um antecedente materializado no texto. De acordo com Heine (2016), “o anafórico associativo, embora mantenha relações semânticas com a sua âncora textual, ao processar a costura textual, ele constrói um novo referente” (APOTHÉLOZ, 1995). O corpus deste trabalho é composto por um conjunto de tirinhas em quadrinhos (Calvin e Haroldo, Mafalda, e Turma da Mônica), obtendo uma amostragem de 45 tiras, 15 de cada personagem, analisando-se um total de 15 tirinhas, cinco de cada personagem. A análise dos dados possibilitou afirmar que a coesão, como elemento de tessitura textual, efetiva-se tanto por signos verbais quanto por não verbais.

2
  • DANILDO MUSSA FAFINA
  • Tabu Linguístico no Português Falado no Maranhão, na Bahia e em Guiné-Bissau

  • Orientador : AMERICO VENANCIO LOPES MACHADO FILHO
  • Data: 28/08/2017
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  • O texto é resultado de uma pesquisa geo-sociolinguística que analisa, a partir de uma perspectiva diatópica, comparativa e descritivo-interpretativa, a variação lexical resultante do tabu linguístico no português falando no Brasil e em Guiné-Bissau. Os tabus analisados são de natureza religiosa e social. A pesquisa toma como base para a análise uma amostra representativa de dados do Atlas Linguístico do Brasil (ALiB) e de dados coletados em Guiné-Bissau, coletadas in loco. A pesquisa busca, na fala dos 72 sujeitos entrevistados oriundos de 10 localidades do Brasil e 1 de Guiné-Bissau, como essas duas culturas denominam conceitos considerados tabus, como a denominação do diabo, a menstruação e o nome de pessoas mortas: esses temas foram selecionados considerando o potencial tabuístico que eles podem suscitar. Nesse sentido, o estudo comparativo foi feito como base nas três perguntas do questionário semântico-lexical (QSL) do ALiB, questões 121, nome dado ao ciclo do período menstrual; 135, nome da pessoa que já morreu, ambas do campo temático “ciclo de vida”; e 147, e as denominações para o diabo, do campo temático “religião e crenças”. Com a pesquisa, foi possível perceber a dimensão do tabu linguístico entre os dois países e observar como o tabu social e religioso se manifesta na fala de indivíduos das duas localidades, principalmente, quando se considera as práticas culturas, crenças religiosas e os mitos, que determinam a visão de mundo e o modo de estar dos indivíduos em cada uma dessas sociedades. A pesquisa permitiu observar que o grupo de guineenses apresenta-se como um grupo mais conservador do que o grupo de brasileiros, principalmente, no que diz respeito às questões sobre o diabo e a menstruação.

Teses
1
  • ADIELSON RAMOS DE CRISTO
  • ENTRE A REPETIÇÃO E O DESLOCAMENTO: A PROPÓSITO DO DISCURSO SOBRE A DIFERENÇA NA TETRALOGIA SHREK

  • Orientador : LICIA MARIA BAHIA HEINE
  • Data: 17/02/2017
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  • Uma das asserções fundamentais da Análise de Discurso está em que não há transparência da linguagem, dos sentidos, dos sujeitos e da história. É a partir desse lugar teórico que propomos nosso gesto analítico em torno da tetralogia Shrek, sequência de filmes produzidos pela DreamWorks (2001, 2004, 2007 e 2010). Nosso interesse pela tetralogia deveu-se à afirmação de que ela constitui uma subversão das histórias de fadas tradicionais, cujos efeitos são as atualizações do real-social textualizado em contos de fadas tradicionais para um real-social contemporâneo. Debruçando-nos em torno do discurso sobre Shrek, estabelecemos uma compreensão das condições de produção do filme, o que nos possibilitou chegar à compreensão da “diferença” (ORLANDI, 2008, 2014) como questão a ser investigada em duas perspectivas: uma em torno das produções cinematográficas da Disney e outra em torno dos “personagens diferentes”. Esse percurso nos levou a confrontar a o par repetição-deslocamento em relação à paráfrase e a polissemia (ORLANDI, 2011, 2012a, 2012b; LEÓN, PÊCHEUX, 2011), conceitos basilares nesta pesquisa. Com relação à primeira perspectiva de análise, nosso olhar em torno da compreensão de Shrek como um conto de fadas em sua relação com os contos da Disney nos conduziu às composições das cenas de abertura e de encerramento como marcas relevantes para o funcionamento discursivo da tetralogia enquanto história de fadas, isto é, como cenas prototípicas (LAGAZZI, 2015a) de contos de fadas. Chegamos também à formulação do conceito de narrativa performativa, a partir do qual pudemos concernir o trabalho da ideologia na textualização do discurso sobre a diferença pelo modo como a tetralogia faz intervir uma ilusão de deslocamento de seu funcionamento em relação às histórias de fadas tradicionais. Por outro lado, dando consequência à segunda perspectiva de análise, produzimos o recorte intitulado “rostos em choque” com o qual pudemos pôr em evidência o funcionamento do estranhamento (ERNEST-PEREIRA, 2009; FREUD, 1919) em relação tanto ao corpo monstruoso como ao fato desse corpo monstruoso ocupar as posições de herói e de princesa. Nesse caso a diferença se constitui em relação a dualidade “humano x monstruoso”, em que do lado da humanidade está a normalidade e do lado do monstruoso está a anormalidade. Esse gesto analítico possibilitou-nos a compreensão de que, com relação às personagens, a tetralogia Shrek produz um efeito de deslocamento, isto é, um efeito-de-novo, que dissimula o funcionamento ideológico, mascarando, assim, a produção de um imaginário da diferença que marca, pelo efeito da contradição, a disciplinarização da diversidade.

2016
Teses
1
  • NANCI ARAÚJO BENTO
  • O TRABALHO INVESTIGATIVO PARA A ADAPTAÇÃO E VALIDAÇÃO DO PROTOCOLO PALAVRAS E GESTOS PARA A LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

  • Orientador : ELIZABETH REIS TEIXEIRA
  • Data: 16/08/2016
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  • Os Inventários de Desenvolvimento Comunicativo MacArthur (CDIS) constituem-se em um instrumento de coleta desenhado para obter uma amostra representativa da linguagem infantil em sua etapa inicial, de forma rápida e eficaz, a fim de detectar possíveis atrasos ou atipicidades de desenvolvimento. Já existem adaptações realizadas para mais de 50 línguas diferentes, entre elas duas línguas de sinais: American Sign Language – ASL e British Sign Language – BSL (DALE; PENFOLD, 2011). A adaptação deste inventário para a Língua Brasileira de Sinais – Libras é, pois, um passo importante visando ao estabelecimento de uma medida controlada e balanceada para a avaliação do desenvolvimento comunicativo inicial de crianças surdas brasileiras. O trabalho de adaptação tomou como ponto de partida a versão adaptada para o Português Brasileiro (TEIXEIRA, 2000; 2005; 2005b; SILVA, 2003), a análise e adaptação da versão americana de sinais, levando em conta, também, dados coletados, longitudinalmente, de uma criança surda adquirindo a língua de sinais brasileira como língua materna (BENTO, 2010). Devido à especificidade da população investigada e na impossibilidade de obter relatos parentais sobre a aquisição lexical das crianças, foi necessário, inicialmente, proceder a um estudo de eliciação experimental e longitudinal, por meio de instrumentos e procedimentos de eliciação espontânea controlada, fazendo uso da técnica de nomeação de estímulos visuais. O corpus constituiu-se de 18 crianças surdas filhas de pais ouvintes nas faixas etárias entre 2 e 6 anos de idade, de uma escola para surdos em Cotia, São Paulo; 1 criança surda filha de pais surdos. Para ampliar a amostra, foram utilizadas, também, conforme tem sido feito em relação à ASL e à BSL, crianças mais velhas por conta da especificidade linguística.

2015
Dissertações
1
  • CAMILA BORGES DA SILVA FERREIRO
  • Um estudo de caso da conceptualização do sexo: elementos para se pensarem redes linguísticas

  • Orientador : AURELINA ARIADNE DOMINGUES ALMEIDA
  • Data: 17/11/2015
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  • Este trabalho propõe-se duas tarefas. A primeira delas é inserir epistemologicamente a linguística cognitiva e a gramática das construções na teoria dos sistemas complexos, incentivando diálogos principalmente entre Morin (2013), Maturana e Varela (2011) e Lakoff e Johnson (1980), Lakoff (1987) Fillmore, Kay e O’Connor (1988), Fillmore (2009), Croft (2001) e Goldberg (1995). Com esse ponto de vista, a abordagem analítica proposta se pauta na concepção da língua enquanto sistema complexo, retroalimentado pela relação indivíduo e sociedade. Isso nos encaminha não só em busca da representação da estrutura da linguagem, mas também da sua organização. A atenção do teórico dos sistemas complexos se volta não só para os pontos componentes de uma estrutura, mas também para as relações que esses pontos estabelecem entre si. Há uma preocupação com a organização da estrutura em relação a seus processos estruturantes. A segunda tarefa é oferecer uma proposta de análise sob essa abordagem. Assim sendo, elaborou-se um corpus linguístico através de dados disponíveis no facebook, a partir do qual inventariaramse os diálogos de um grupo do facebook, com o objetivo de investigar relações conceptuais entre sexo e universidade, em termos dos processos que as organizam, por exemplo, processos de metáfora, metonímia e outras integrações conceptuais. Nesse percurso, nos posicionamos ao lado de algumas propostas teóricas da linguística cognitiva como a proposta do continuum entre o léxico e a gramática, entre a semântica e a pragmática, corpo e mente, realidade e ponto de vista. Os dados da pesquisa apontam para a constituição de um sistema linguístico heterogêneo, tanto no nível individual, quanto no nível social, em que se observa a interdependência entre as diversas disciplinas intralinguísticas (gramática, léxico, semântica e pragmática, discurso etc) e também extralinguísticas (psicologia, sociologia, biologia etc), sugerindo que as integrações conceptuais são processos cognitivos de organização da realidade variável e mutante.

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