ESGOTAMENTO METABÓLICO E INFLAMATÓRIO: COMO A PIORA NO QUADRO DE SÍNDROME METABÓLICA DIMINUI AS RELAÇÕES ENTRE CITOCINAS E MARCADORES BIOQUÍMICOS
Síndrome Metabólica; Inflamação; Doenças não Transmissíveis; Hipertensão Essencial; Diabetes Mellitus Tipo 2
Com a mudança no perfil de morbimortalidade que vem acontecendo com o passar dos anos, a predominância de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) se tornou um fator de preocupação mundial. A síndrome metabólica (SM), condição que envolve a hipertensão arterial sistêmica e a diabetes mellitus do tipo 2 – duas DCNT – além de dislipidemia e obesidade central, tem gerado diversos impactos para a saúde da população. Devido a seu importante papel em diversos agravos de saúde, o estudo da SM é necessário para entender aspectos fisiológicos da condição, assim, podendo direcionar um melhor manejo. Dessa forma, esse estudo propõe avaliar aspectos inflamatórios, bioquímicos e corporais e sua relação com a gravidade da síndrome metabólica. Para isso, foi realizado um estudo transversal misto, onde foram analisados 293 indivíduos com SM. Os indivíduos foram classificados em gravidade leve, moderada ou alta. Para análise do perfil populacional, foi realizado um questionário socioeconômico, além de questionários sobre utilização de medicação e atividade física. Também foi realizada avaliação corporal, a partir de antropometria e bioimpedância, aferição de pressão arterial e coleta de sangue para avaliação do perfil bioquímico e inflamatório da população. Há uma piora absoluta na composição corporal, com o aumento nos níveis de IMC, CC, Razão CC/CQ massa gorda e metabolismo basal em relação a gravidade em contrapartida a diminuição dos níveis de massa magra, massa óssea e água. Já em relação pressão arterial, é possível identificar uma piora nos níveis pressóricos expressos em PAS, PAM e PAD. Em relação aos níveis bioquímicos, os níveis de colesterol total, LDL, VLDL, triglicerídeos e glicemia em jejum estavam aumentados, enquanto os níveis de HDL estavam diminuídos em relação a gravidade. Já os parâmetros bioquímicos apresentaram aumento nos níveis de IL-17a, INF-γ, IL-1β e TNF-α e diminuição nos níveis de IL-10. Além disso, a atividade física foi um importante parâmetro de análise, já que a atividade física está relacionada com um menor grau de gravidade. Além disso, quando comparamos as correlações entre os parâmetros bioquímicos e inflamatórios, percebe-se que o grupo de maior gravidade apresenta um desbalanço na regulação desses parâmetros, indicando um possível esgotamento do organismo mediante ao aumento da inflamação. Portanto, foi possível inferir que a gravidade é um importante parâmetro ao analisar a SM, já que os indivíduos se comportam de diferentes maneiras a partir da sua classificação. Além disso, a realização de atividade física tem forte influência em um perfil populacional de menor risco, fazendo com que seja uma das principais vias de intervenção contra os impactos negativos da SM.