Criações interpolíticas em artes cênicas: experiências entre pessoas mapuche e não mapuche no Sul.
Palavras-chave: Dança, primeira nação mapuche, interculturalidade, interpolítica.
Esta pesquisa-criação em dança desenvolve e propõe metodologias para criação em artes
cênicas situadas em Wadalafkenmapu, realizadas entre pessoas mapuche e não mapuche; e
guiadas pela cosmovisão mapuche lafkenche.
Propõe-se uma abordagem interpolítica que va além da interculturalidade crítica (Cumes,
2019) e se encaminha para a construção de metodologias colaborativas de criação de obras,
buscando contribuir para o trabalho de grupos artísticos universitários, refletindo nas práticas
cênicas sobre a responsabilidade epistêmica que recai sobre artistas performáticos em processos
criativos realizados com as primeiras nações.
Por meio dos processos criativos de quatro obras de médio e pequeno formato, produzidas
entre 2020 e 2025, são obtidos insights sobre a coabitação criativa em Wallmapu e como isso
implica lições sobre identidade, território, resistência e comunhão, particularmente entre as
pessoas mapuche e não mapuche que são parte do Balé Folclórico da Universidade Austral do
Chile, a maioria dos quais são estudantes de graduação da mesma instituição.
São centrais nesta pesquisa as vozes criativas de todas as pessoas participantes, constituindo
eixos centrais e dando cimentos para a construção das obras e do conhecimento; junto a revisão
autobiográfica da pesquisadora e cocriadora das obras aqui propostas; tudo isso em diálogo com
a análise bibliográfica de autoras como Aura Cumes, Silvia Rivera Cusicanqui, Adriana Paredes
Pinda, Jacques Ranciére, André Lepecki e Pablo Parga, entre outros.
Aborda-se o pensamento latino-americano contemporâneo, principalmente por meio
da revisão e diálogo com propostas epistemológicas descoloniais e práticas anticoloniais
desenvolvidas por pesquisadores indígenas, acompanhadas por demandas específicas pela
autodeterminação e autonomia situadas em Wadalafkenmapu, estas últimas trazidas a esta
pesquisa por cocriadores Mapuche (Milanca, Huichicoy, Bustamante, entre outros). Relevam-se
também os saberes ancestrais que foram compartilhados pelas pessoas colaboradoras e co-autoras
desta pesquisa, reivindicando o conhecimento das comunidades e os territórios.