As alterações da estética ao funcionamento do circo moderno ao circo contemporâneo do ponto de vista da relação com o espectador
circo brasileiro; circo popular; circo expandido; relação artista-espectador; estética circense
Esta dissertação investiga as transformações do circo brasileiro contemporâneo, partindo da hipótese de que a relação entre artista e espectador é o eixo fundamental que estrutura as diferentes lógicas de produção. Argumenta-se que o campo circense no Brasil se organiza em dois ecossistemas distintos e complementares: o Circo Popular, herdeiro do circo moderno, e o Circo Expandido, surgido nas últimas décadas. O Circo Popular, cujo modelo de negócio se baseia na bilheteria, orienta-se pelo objetivo de "agradar" a um público amplo e heterogêneo, o que resulta em uma estética que visa o amplo acesso, pautada no espetacular e no grotesco, e em uma estrutura móvel. Em contrapartida, o Circo Expandido, sustentado majoritariamente por editais e políticas de fomento, é protagonizado por artistas com outro perfil sociocultural que substituem o objetivo de "agradar" pela busca de "desafiar" um público segmentado. Essa busca resulta em uma poética da singularidade, alinhada à arte contemporânea, que valoriza a pesquisa de linguagem, a hibridização e a autoria. Com base em revisão bibliográfica e entrevistas com artistas, a pesquisa demonstra como a relação com o público se relaciona não apenas com as escolhas estéticas, mas também com os modelos de financiamento, com o perfil dos artistas e com as dinâmicas de formação, revelando que as tensões e os desafios do circo atual refletem a coexistência desses dois complexos e coerentes sistemas.