Paisagens assombradas: as figuras do cinema de John Ford
Cinema Faroeste. Figural. Espectros. Trauma. John Ford.
A dissertação investiga o cinema de John Ford por meio de uma análise figural de quatro obras centrais de sua filmografia: O Cavalo de Ferro (1924), A Mocidade de Lincoln (1939), Sangue de Heróis (1948) e Rastros de Ódio (1956). O ponto de partida da pesquisa é a recorrência de figuras, como paisagens, corpos e temas, no interior do cinema fordiano, compreendendo o faroeste enquanto um regime de repetição. A partir desse eixo, desenvolve-se uma proposta teórico-analítica voltada à ontologia da imagem cinematográfica, pensada a partir de processos de desfiguração, do trabalho do informe e da emergência do figural. Nesse contexto, o cinematógrafo é pensado a partir da noção de trauma, configurando-se como um modo de assombração, no qual a imagem manifesta uma dimensão espectral relacionada a um passado de violência. A dissertação tensiona o regime sensível espectral com a dimensão discursiva do cinema enquanto máquina ideológica, analisando os filmes a partir de um duplo movimento. De um lado, considera-se sua inscrição nos processos históricos de desenvolvimento do capital e da indústria cinematográfica; de outro, investigam-se as possibilidades de perturbação que emergem no interior das próprias formas fílmicas, capazes de desestabilizar tanto a exterioridade das forças produtivas quanto a interioridade das forças narrativas que atravessam o cinema de John Ford.