Banca de DEFESA: GABRIEL SANTANA DE GOES

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : GABRIEL SANTANA DE GOES
DATA : 05/02/2026
HORA: 10:00
LOCAL: na Faculdade de Comunicação, em formato híbrido
TÍTULO:
AGENTES OCULTOS E PRIVACIDADE: A ARQUITETURA DE VIGILÂNCIA DAS STARTUPS BRASILEIRAS
 

PALAVRAS-CHAVES:
Agentes Ocultos; Capitalismo de Vigilância; Colonialismo de Dados; Privacidade; Startups
 

PÁGINAS: 106
RESUMO:

Esta pesquisa analisa a rede sociotécnica de agentes ocultos presentes nos sites de cinco startups unicórnio brasileiras (QuintoAndar, Loft, iFood, C6 Bank e Wellhub) com o objetivo de desvelar práticas de vigilância digital e avaliar o desalinhamento entre discursos de transparência e operações técnicas efetivas. Fundamentada no neomaterialismo e na Teoria Ator-Rede, a investigação adota o protocolo proposto por Lemos (2020a), organizado nas etapas de modos, inventário, transdução e reagregação. O corpus empírico foi analisado mediante ferramentas especializadas (Ful.io, BuiltWith, Wappalyzer) e inspeção forense de código-fonte, complementadas por análise documental de políticas de privacidade e exame da cobertura midiática em dez portais especializados, totalizando 804.873 URLs. Os resultados revelaram média de 29,2 tecnologias de rastreamento por startup, com desvio padrão de 8,04, evidenciando que a Loft apresenta maior densidade com 40 tecnologias, seguida pelo iFood (34), C6 Bank (29), QuintoAndar (22) e Wellhub (21). Identificou-se predominância de ferramentas estrangeiras (95%) e presença do ecossistema Google em todos os casos. O estudo de caso sobre o Hotjar no QuintoAndar demonstrou configurações invasivas incluindo gravação completa de sessões, captura de teclas digitadas, anonimização desabilitada e gravação ativa em páginas críticas. Argumenta-se que essas práticas constituem uma arquitetura da opacidade, operando sob lógica de capitalismo de vigilância e materializando o colonialismo de dados, onde startups nacionais atuam como intermediárias locais na extração de valor da população brasileira para corporações transnacionais. A pesquisa contribui ao desenvolver os conceitos de opacidade estratégica e transparência performativa, demonstrando empiricamente que vigilância intensiva constitui racionalidade estrutural do modelo de negócios das plataformas digitais no contexto brasileiro, reconfigurando usuários em produtores involuntários na produção de excedente comportamental.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1218133 - ANDRE LUIZ MARTINS LEMOS
Externo à Instituição - Daniel Góis Rabêlo Marques - UFRB
Externo à Instituição - GABRIEL OLIVEIRA PEREIRA
Notícia cadastrada em: 16/12/2025 16:13
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