Esta dissertação analisa a violência de gênero e as representações de raiva e trauma pelas mulheres como dimensões de engajamentos nas redes sociais em diálogo com três filmes, Vingança (2017), Bela Vingança (2020) e Fresh (2022), buscando propor articulação entre as noções de constelação fílmica (Souto, 2020) e audiovisual em rede (Gutmann, 2021). A pesquisa parte do objetivo de investigar como, a partir das representações da violência de gênero e vingança nos filmes e das relações entre eles, reverberadas em redes de engajamentos nas plataformas digitais, mulheres reagem, engajam, compartilham experiências e constroem estratégias de sobrevivência e solidariedade. Além disso, o estudo examina o rape-revenge, revisitando textos de cinco autoras que abordam a prática cinematográfica (Clover, 1992; Read, 2000; Henry, 2014; Heller-Nicholas, 2021; Dethero, 2023) e articulando esse debate ao conceito de male gaze (Mulvey, 2009), frequentemente associado às produções fílmicas. O trabalho também mobiliza as noções de tecnologia de gênero (de Lauretis, 1987) e mandato da masculinidade (Segato, 2018, 2025) como lentes analíticas para observar as negociações e disputas que constituem o patriarcado enquanto dimensão estruturante da violência de gênero.