Performatividade e resistência na trajetória esportiva de Waldemar Santana: interfaces entre educação, esporte, cultura e imprensa. Um estudo comparado entre Rio de Janeiro e Salvador, 1953-1970
Waldemar Santana; Vale-Tudo; Imprensa Esportiva.
Esta tese apresenta as análises do corpus documental composto de fontes jornalísticas que narram a trajetória esportiva de Waldemar Santana, lutador proeminente do vale-tudo brasileiro na década de 1950. Sua história, marcada pela migração da Bahia ao Rio de Janeiro, pela ascensão no jiu-jitsu e pelo emblemático confronto com Hélio Gracie, reflete as dinâmicas de poder, reconhecimento e contestação que permeavam tanto o universo esportivo quanto a sociedade em transformação. O vale-tudo, assim como o futebol, era um esporte frequentemente coberto pelos cadernos de esportes de alguns jornais daquela época. Realizamos um levantamento documental com o objetivo de reconstituir a trajetória de Waldemar Santana, valendo-se das narrativas veiculadas pelo noticiário esportivo no recorte temporal de 1953 a 1970. A metodologia adotada consistiu na análise comparada de fontes hemerográficas, organizadas em dois eixos geográficos: Rio de Janeiro e Salvador. Quanto aos periódicos cariocas, a investigação foi conduzida no acervo da Biblioteca Nacional, por intermédio da Hemeroteca Digital Brasileira. Identificaram-se registros relevantes nos seguintes veículos: A Noite, Correio da Manhã, Diário Carioca, Diário da Noite, Diário de Notícias, Jornal do Brasil, Jornal do Commercio, Jornal dos Sports, Luta Democrática, Manchete Esportiva, Manchete, O Globo, O Jornal, Revista do Esporte, Revista do Rádio, Tribuna da Imprensa, Última Hora entre outros. Para o recorte baiano, a pesquisa concentrou-se em instituições locais de preservação histórica: a Biblioteca Ruy Barbosa vinculada ao Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB). Nesses repositórios, foram catalogadas matérias publicadas nos periódicos A Tarde, Diário da Bahia, Diário de Notícias, Estado da Bahia, Jornal da Bahia e Tribuna da Bahia. A trajetória de Waldemar Santana emerge, ao final da pesquisa, como um lugar privilegiado para análise de disputas por capital simbólico e cultural no campo do vale-tudo e das lutas no Brasil, no qual vitórias e derrotas importam menos como indicadores absolutos de eficiência técnica e mais como elementos de distinção social, racial e regional. Reposiciona Waldemar Santana no centro da narrativa e contribui para desestabilizar crenças cristalizadas sobre a história do vale tudo e jiu-jitsu brasileiro e para explicitar os mecanismos que marginalizam corpos e trajetórias no esporte, ao mesmo tempo em que evidencia o poder da imprensa na produção de memórias e esquecimentos.