Dissertações/Teses

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2020
Dissertações
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  • JÉSSICA TELES SOUZA
  • Estudo do efeito da rutina em células neurais em modelo de excitotoxicidade glutamatérgica.

  • Orientador : VICTOR DIOGENES AMARAL DA SILVA
  • Data: 17/02/2020
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  • destaque no âmbito científico devido as suas inúmeras atividades farmacológicas de interesse à saúde humana, incluindo seu potencial neuroprotetor. No contexto das doenças neurodegenerativas, a excitotoxicidade glutamatérgica tem sido apontada como um importante mecanismo de morte neuronal associado a progressão dessas doenças. Portanto, este estudo teve como objetivo investigar a atividade neuroprotetora da rutina para células neurais sob ação citotóxica do glutamato. Para isso, células da linhagem PC12 foram submetidas a diferentes tratamentos: tratamento direto com a rutina (0,5 – 1 μM) e/ou glutamato (10 - 60 mM); tratamento indireto obtido com o uso de meio condicionado da cultura organotípica cerebral de rato Wistar (p7-p9) tratados com a rutina (0,5 μM) e glutamato (60 mM). Em adição, também tratamos cultura primária de neurônios/células gliais mesencefálicas com rutina a 0,5 μM. Passadas 24 h dos tratamentos direto e indireto das células PC12, realizamos as análises de viabilidade celular a partir do Teste de exclusão do Azul de Tripan e Iodeto de Propídio. Além disto, realizamos análises morfológicas após coloração de Rosenfeld para as células PC12 e para a cultura primária de neurônios/células gliais mesencefálicas. Os resultados obtidos com o teste de viabilidade celular demonstraram que a rutina não foi tóxica para as células PC12. O glutamato, por sua vez, induziu efeito tóxico para as células PC12 de maneira concentração-dependente, sendo que a concentração a 60 mM foi capaz de provocar aproximadamente  100% de morte para as células em cultivo. Em relação aos ensaios de neuroproteção direta, demonstrou-se que a rutina não foi capaz de proteger as células PC12 contra a toxicidade do glutamato em altas concentrações (30 e 60 mM) induzindo cerca de 20% e 100% de morte, respectivamente. Por outro lado, o meio condicionado de cultura organotípica tratada com a rutina (0,5 μM) + glutamato (60 mM) induziu baixa toxicidade para células PC12, mais especificamente apenas 8% das células morreram com o tratamento, enquanto que o tratamento direto apresentou 100% de células mortas. Em relação as alterações morfológicas, o tratamento indireto com meio condicionado de tratamento com rutina induziu mudanças características de diferenciação neuronal para aproximadamente 26% das células em cultivo, diferente do tratamento direto com rutina o qual induziu 2.5%. Estas alterações morfológicas relacionadas ao aumento de pontos de ramificações e ao aumento do comprimento de neuritos também foram observadas em células PC12 sob tratamento indireto e cultura primária de neurônios/células gliais mesencefálicas. Estess resultados indicam um efeito neuroprotetor e morfogênico da rutina que podem estar associados à modulação do metabolismo do glutamato pelos astrócitos e/ ou liberação de fatores solúveis neuroprotetores e indutores de diferenciação neural.

2
  • THIAGO MENDONÇA DOS SANTOS
  • IDENTIFICAÇÃO DE BIOMARCADORES TRANSCRICIONAIS ASSOCIADOS ÀS PRINCIPAIS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA INFECÇÃO PELO HTLV-1

  • Orientador : ALINE CRISTINA ANDRADE MOTA MIRANDA MASCARENHAS
  • Data: 27/02/2020
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  • O Vírus Linfotrópico de Células T do adulto 1 (HTLV-1) é um retrovírus humano sexualmente transmissível que apresenta tropismo preferencial por células T CD4+. Embora a maioria dos indivíduos infectados por esse vírus permaneça assintomática (ASS), as principais manifestações clínicas, como a Mielopatia Associada ao HTLV/Paraparesia Espástica Tropical (HAM/TSP) e a Leucemia/Linfoma de Células T do Adulto (ATLL), são de difícil prognóstico. A HAM/TSP é uma manifestação inflamatória do sistema nervoso central que pode culminar com a perda parcial dos movimentos dos membros inferiores ao passo que a ATLL é um tipo de linfoma não-Hodgkin que geralmente leva à morte. Este trabalho tem como objetivo propor um perfil transcricional diferencial, sugestivo das patologias associadas ao HTLV-1, além de investigar as implicações causadas pela desregulação na expressão gênica. Uma metanálise de dez dados de microarranjos disponíveis publicamente foi realizada para identificar genes diferencialmente expressos (GDEs). Foram realizadas análises de vias KEGG enriquecidas. Redes de interação proteína-proteína (IPP), extração de módulos e seleção de genes hubs foram implementados com STRING, MCODE e CytoHubba. Foram identificados ao total 907 GDEs para ATLL, 368 para HAM/TSP e 150 para ASS. A análise KEGG identificou "Vias do câncer" e "Endocitose" como vias enriquecidas para ATLL no conjunto de GDEs superexpresso e subexpresso respectivamente. Não foram obtidas vias enriquecidas significativas para o conjunto total de GDEs de HAM/TSP e ASS. A partir das redes IPP geradas pelo STRING, foram extraídos três módulos para cada uma das manifestações clínicas. Combinando os resultados do MCODE e CytoHubba, cinco genes hub foram identificados para cada condição. Somente ATLL apresentou micro-RNAs diferencialmente expressos, o hsa-mir-21, diretamente envolvido no desenvolvimento da doença e o hsa-mir-6840, ainda pouco conhecido. Este estudo gerou um banco de dados de marcadores genéticos candidatos e vias enriquecidas desreguladas para os status clínicos associados à infecção pelo HTLV-1, o que pode facilitar a definição e a compreensão de biomarcadores terapêuticos prognósticos.

3
  • FERNANDA VIDAL CARVALHO
  • PERFIL METABOLÔMICO E ATIVIDADES ANTIOXIDANTE, CITOTÓXICA E ANTIMICROBIANA DE EXTRATOS DE Lepidium meyenii

  • Orientador : PAULO ROBERTO RIBEIRO DE JESUS
  • Data: 04/06/2020
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  • INTRODUÇÃO: Lepidium meyenii é uma planta que apresenta diversas propriedades medicinais, no entanto, há poucos estudos que correlacionem os metabólitos e as atividades biológicas testadas na planta sob uma perspectiva metabolômica. OBJETIVO: Caracterizar o perfil metabolômico, bem como avaliar as atividades antioxidante, antimicrobiana e citotóxica de extratos obtidos da planta desidratada e de seus produtos comerciais. MATERIAIS E MÉTODOS: Os extratos foram obtidos a partir da raiz da planta e de seus produtos comerciais por maceração em diferentes solventes orgânicos. A atividade antioxidante foi determinada pelo método do sequestro do radical livre 2,2-difenil-1- picril-hidrazil (DPPH) e os fenóis totais foram quantificados pelo método Folin-Ciocalteu. A atividade antimicrobiana foi avaliada frente a bactérias e leveduras através do método de microdiluição em caldo. A citotoxicidade foi avaliada contra a linhagem de células C6 e astrócitos. O perfil metabolômico foi avaliado por cromatografia líquida de alta performance acoplada à espectrometria de massas (CLAE-EM) e cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG-EM). RESULTADOS E DISCUSSÃO: A atividade antioxidante (IC50) variou de 64,97 μg∙mL-1 para o extrato em acetato de etila da raiz da planta desidratada até 935,61 μg∙mL-1 para o extrato em hexano do produto comercial da planta. Os valores de fenóis totais variaram de 6,83 mg∙EAG∙g-1 para o extrato etanólico a 49,83 mg∙EAG∙g-1 para o extrato acetato de etila, ambos os extratos são dos produtos comerciais. Os extratos etanólicos e em acetato de etila foram os mais ativos e apresentaram maior potencial antioxidante, além disso também apresentaram atividade antimicrobiana contra M. luteus e B. cereus e atividade antitumoral contra células C6, não apresentando citotoxicidade aos astrócitos. Foram identificados setenta e seis metabólitos nos extratos e dentre esses, os terpenos foram os principais metabólitos candidatos responsáveis pelas atividades antioxidante e citotóxica e os ácidos graxos pela atividade antibacteriana. CONCLUSÃO: A abordagem metabolômica e a análise estatística multivariada permitiram correlacionar os resultados das atividades biológicas testadas com o perfil químico dos extratos, sendo possível identificar os principais compostos bioativos da L. meyenii relacionados às atividades antioxidante, antimicrobiana e antitumoral da planta. 

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  • TAYLA DA CRUZ SANTOS PEREIRA
  • ANÁLISE METABOLÔMICA DO PLASMA DE INDIVÍDUOS COM OSTEONECROSE SECUNDÁRIA À DOENÇA FALCIFORME

  • Orientador : PAULO ROBERTO RIBEIRO DE JESUS
  • Data: 29/07/2020
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  • A doença falciforme é a hemoglobinopatia mais frequente no Brasil e constitui problema de saúde pública mundial, com grande impacto na morbimortalidade da população acometida. Em portadores desta patologia a manifestação clínica articular predominante é a osteonecrose, que comumente evolui para doença terminal. Análises relacionadas a metabólitos e vias metabólicas desreguladas, em sistemas complexos, tornou-se uma ferramenta poderosa para investigar processos metabólicos, identificar potenciais biomarcadores e desvendar a reprogramação metabólica em várias doenças. Neste contexto, este trabalho teve como objetivo principal utilizar uma abordagem metabolômica por ressonância magnética nuclear para identificar biomarcadores relacionadas à doença falciforme, bem como, à osteonecrose secundária a doença falciforme. Foi utilizado o plasma sanguíneo de indivíduos controle e de portadores de doença falciforme sem e com osteonecrose. Baseado no estágio clínico da osteonecrose, graduado com o método modificado de Ficat e Arlet, as amostras foram classificadas como estágio inicial, intermediário e avançado de osteonecrose. Para a obtenção dos espectros uni e bidimensionais foi utilizado um equipamento de ressonância magnética nuclear - Bruker Avance III de 14,1 Tesla - (600 MHz). A otimização do protocolo de preparo de amostras e aquisição dos espectros envolveu a utilização de diferentes sequências de pulso; Zg, Zgpr, Lcipnf2, Noesypr 1D bem como alguns protocolos de precipitação de proteínas com metanol. A identificação dos metabólitos foi realizada com o auxílio do software Chenomx NMR Suite 8.4. O processamento e a quantificação foram realizados no software NMRProcflow. As análises estatísticas foram realizadas no software MetaboAnalyst 3.0. Vinte e nove metabólitos foram identificados por RMN 1H, incluindo 12 aminoácidos, 9 ácidos orgânicos, 4 lipídios, 3 compostos orgânicos, 1 carboidrato. O perfil metabólico do plasma sanguíneo do grupo controle foi significativamente distinto dos grupos falcêmico sem osteonecrose e falcêmico com osteonecrose. Vinte metabólitos com VIP score > 0,5 foram responsáveis pelas diferenças entre as amostras destes grupos. O Sn-glicerol-3-fosfocolina e a fenilalanina foram os metabólitos com os resultados mais promissores para futuras investigações de biomarcador de doença falciforme. O 3-hidroxibutirato e o VLDL+HDL foram os metabólitos com os resultados mais promissores para estudos futuros de biomarcador de osteonecrose secundária à DF. A análise de discriminante também revelou que o plasma dos portadores de osteonecrose secundária à DF em diferentes estágios de osteonecrose apresentam perfis metabólicos distintos. No plasma de sangue periférico quatorze metabólitos com VIP score > 0,5 foram responsáveis por esta diferença. A histidina e lactato foram os metabólitos com os resultados mais promissores para futuras investigações de biomarcador de estadiamento de osteonecrose secundária à doença falciforme, sobretudo para o diagnóstico precoce desta patologia em plasma de sangue periférico. A histidina, o VLDL + HDL e o citrato foram os metabólitos com os resultados mais promissores para futuras investigações de biomarcador de estágios avançados de osteonecrose secundária à doença falciforme em plasma de sangue periférico. Quinze metabólitos com VIP score > 0,5 foram classificados como o conjunto de metabólitos responsáveis pelas diferenças
    entre o plasma de medula óssea de indivíduos em diferentes estágios de osteonecrose secundária à doença falciforme. O citrato foi o metabólito com o resultado mais promissor para futuras investigações de biomarcador de estadiamento de osteonecrose secundária à doença falciforme, sobretudo para o diagnóstico precoce desta patologia em plasma medula óssea. Já o lactato foi o metabólito com o resultado mais promissor para futuras investigações de biomarcador de estágios avançados de osteonecrose secundária à doença falciforme em plasma medula óssea. A análise topológica de vias metabólicas revelou potencial relação entre doença falciforme e osteonecrose secundária à DF e algumas vias metabólicas, nomeadamente; metabolismo do nitrogênio, do piruvato, da tiamina, da arginina e prolina, da fenilalanina; biossíntese de aminoacil t-RNA, da fenilalanina, da tirosina e triptofano, da valina, leucina e isoleucina; glicólise ou gliconeogênese; degradação de valina, leucina e isoleucina; síntese e degradação de corpos cetônicos. Estes resultados fornecem um forte evidência de uma assinatura metabólica para os indivíduos com doença falciforme e com osteonecrose secundária a DF, definida principalmente por um conjunto de vinte metabólitos com níveis alterados no plasma sanguíneo incluindo, prolina, lactato, creatina + creatinina, 2-hidroxi-3-metilbutírico, fenilalanina, glicina, acetona, formato, citrato, glicose trimetilamiona-n-óxido, histidina, tirosina, azelato, 3-hidroxibutirato, leucina + isoleucina, sn-glicerol-3-fosfocolina e acetato. Espera-se, que estes achados, ajudem a nortear futuras pesquisas na área e possa elucidar, ainda mais, as alterações bioquímicas na doença falciforme e na osteonecrose secundária a DF.

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  • VICTOR DE BARROS SERRANO NEVES
  • microRNA COMO BIOMARCADORES PARA IDENTIFICAÇÃO DE INDIVÍDUOS COM PRÉ-DIABETES E DIAGNÓSTICO PRECOCE DO DIABETES.

  • Orientador : SIMONE GARCIA MACAMBIRA
  • Data: 04/08/2020
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  • Introdução: O diabetes mellitus (DM) é uma doença crônica decorrente de defeitos na produção, secreção ou sinalização da insulina. Pré-diabetes é um estado sem sintomas onde o indivíduo apresenta níveis de glicemia de jejum entre 100 - 120mg/dl e hemoglobina glicada entre 5,7 e 6,5%. Antes definido como um estado latente, atualmente é definido como um período de risco para nefropatia, neuropatia e destruição das células β-pancreáticas. Neste contexto, torna-se relevante a identificação de marcadores biológicos, tais como microRNA (miRNA), para este estado patológico contribuindo para o diagnóstico precoce. Os miRNA são pequenos RNA que não codificam proteínas, mas são considerados importantes reguladores pós-transcricionais. São apontados como potenciais biomarcadores, uma vez que tem seus níveis de expressão alterados em função do desenvolvimento ou do grau de severidade de diversas doenças como diabetes, câncer e esquizofrenia. No presente estudo, visamos identificar um perfil de expressão de miRNA que pode viabilizar o diagnóstico precoce do pré-diabetes. Resultados: Após o levantamento dos transcriptomas publicamente disponíveis em NCBI GEO dataset, um transcriptoma atendeu aos critérios de inclusão deste estudo. A partir deste, foram identificados trinta e três miRNA com perfil de expressão aumentado no grupo pré-diabético em relação ao controle (FC≥1,5 p-valor≤ 0,05) e dois no grupo diabético (FC≥1,5 p-valor≤ 0,05). A rede de interação gerada pelo programa Cytoscape mostrou os miRNAs selecionados e seus alvos diferencialmente expressos no transcriptoma de validação. Cinco destes miRNA apresentaram maiores valores de centralidade na rede de interação miRNA-mRNA (let-7a, Let-7b, miR-106b, miR-93 e miR-17). Estes miRNA apresentaram maior sensibilidade e especificidade para o pré-diabetes (AUC = 0,794). Conclusão: Os cinco miRNA identificados estão envolvidos em diversas vias intracelulares relacionadas à resistência insulínica e destruição das células β-pancreática e estão diferencialmente modulados no transcriptoma analisado neste estudo, podendo ser apontados como biomarcadores exploratórios promissores para diagnóstico precoce de DM2.

Teses
1
  • PÂMELA SANTANA DALTRO
  • “Avaliação do potencial terapêutico das células mesenquimais e do meio condicionado no tratamento das disfunções cardíacas decorrentes da obesidade e do diabetes mellitus tipo 2."

  • Orientador : SIMONE GARCIA MACAMBIRA
  • Data: 14/02/2020
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  • Hábitos alimentares com altos teores de gordura e o estilo de vida sedentário são fatores desencadeantes da obesidade, diabetes tipo 2 (DM2) e insuficiência cardíaca. Células mesenquimais (MSC) surgem como uma ferramenta terapêutica capaz de melhorar o quadro de doenças cardiovasculares, mas também de outras condições degenerativas, devido ao seu efeito regenerativo induzido pela sua ação parácrina. Com base nisso, os fatores secretados no meio condicionado (MC) destas células também são investigados na regeneração tecidual. Assim, este estudo visou avaliar o potencial terapêutico das MSC e do seu MC no tratamento das complicações cardíacas em modelo experimental de obesidade e diabetes induzidas por dieta com alto teor de gordura (HFD). Avaliações bioquímicas, murinométricas e funcionais cardíacas foram realizadas nos períodos: pré-indução da obesidade, pós-indução e pós-tratamento. Após 36 semanas de uso de dieta HFD, esta foi substituída pela dieta padrão e seguida pelo tratamento: MSC, MC e DMEM (veículo). A disfunção metabólica foi avaliada através de parâmetros bioquímicos e índice de massa corpórea. A função cardíaca foi avaliada por eletrocardiografia, ecocardiografia e teste ergométrico. Mecanismos moleculares de ação da tersapia foram investigados utilizando qRT-PCR em tecido cardíaco e a presença de fibrose por análise histopatológica do tecido cardíaco. A caracterização do MC foi feita por protein array revelou a presença de 19 proteínas incluindo citocinas e fatores de crescimento. Os camundongos alimentados com HFD apresentaram arritmias cardíacas, expressão alterada de genes cardíacos e fibrose do miocárdio, refletindo na redução da capacidade de atividade física. A administração de MSC ou MC reverteu as arritmias e recuperou a capacidade de realizar exercício físico. Na primeira etapa deste estudo, observou-se a melhora funcional cardíaca em consonância com a normalização da expressão dos genes GATA4, conexina 43 e COL1A1 nos corações de camundongos tratados com MSC ou MC. Por outro lado, a expressão dos genes troponina I, adiponectina, TGFβ, PPARγ, IGF-1, SOCS3, MMP9 e TIMP1 normalizaram após o tratamento com MSC, mas não com o MC. Além disso, a administração de MSC ou MC reduziu o percentual de área com fibrose. A fim de elucidar a significativa melhora alcançada pelas MSC, na segunda etapa deste estudo, aprofundou-se a investigação acerca dos mecanismos moleculares envolvidos neste efeito terapêutico. Foi investigada a expressão de genes relacionados ao remodelamento tecidual (SPARC e CTGF), à apoptose (SMAD7 e PDCD4), à inflamação (CCl2 e CHI3I3), bem como, à sobrevivência e proliferação celular (PTEN e STAT3) por qRT-PCR. Elevados níveis da expressão gênica do SMAD7, PDCD4, SPARC, CTGF, CCL2, STAT3 e PTEN foram detectados apenas no grupo tratado com MSC, enquanto que no CHI3I3 e no NPPA a expressão gênica estava reduzida tanto nos camundongos tratados com MSC quanto nos tratados com DMEM. Os resultados sugerem que as MSC e o MC possuem um efeito terapêutico sobre as alterações cardíacas decorrentes da obesidade e DM2, sendo os fatores relacionados ao desenvolvimento da fibrose, apoptose e à sobrevivência celular modulados, demonstrando a relevância dos fatores secretados pelas MSC reforçando sua ação parácrina.

2019
Dissertações
1
  • JÉSSICA DUARTE SOUSA
  • Superóxido Dismutase Tipo 1 como Potencial Alvo Terapêutico para a Leucemia/Linfoma de Células T de Adulto, patologia associada à infecção pelo Vírus Linfotrópico de Células T Humanas Tipo 1

  • Orientador : ALINE CRISTINA ANDRADE MOTA MIRANDA MASCARENHAS
  • Data: 03/05/2019
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  • INTRODUÇÃO: O mecanismo dos tratamentos secundários, como a utilização de antioxidantes e de interferon (IFN) tipo 1, para a patologia associada ao Vírus Linfotrópico de Células T Humanas do tipo 1 (HTLV-1), Mielopatia Associada ao HTLV-1/Paraparesia Espástica Tropical (HAM/TSP), ainda não é completamente elucidado, mas baseia-se na proteção contra as Espécies Reativas de Oxigênio (ERO). A enzima Superóxido Dismutase do tipo 1 (SOD1) catalisa a dismutação dos radicais superóxido e é importante para a sobrevivência do HTLV-1 no meio intracelular. Mecanismos inibitórios dessa enzima, como através do dietilditiocarbamato (DETC), poderia aumentar a concentração intracelular de superóxido, desencadeando estresse oxidativo e induzindo a morte celular por apoptose. Dessa forma, a regulação dos radicais superóxido em linfócitos infectados, através da atividade antioxidante de SOD1, poderia ser um alvo terapêutico para a Leucemia/Linfoma de Células T do Adulto (ATLL), outra patologia também associada ao HTLV-1. OBJETIVO: Investigar a enzima antioxidante SOD1 como um potencial alvo terapêutico para ATLL; e seu inibidor, DETC, como uma terapia pro-oxidante promissora para essa patologia. MATERIAL E MÉTODOS: O banco de dados Gene Expression Omnibus (GEO) foi utilizado para a busca por conjuntos de dados de expressão gênica associados às formas clínicas da ATLL (indolente, crônica, linfomatosa e aguda). A metanálise dos dados foi realizada utilizando o software Ingenuity Pathway Analysis (IPA). A concentração plasmática de SOD1 em indivíduos infectados sintomáticos (ATLL e HAM/TSP), portadores assintomáticos e indivíduos saudáveis não infectados foi avaliada por ensaio de imunoabsorção enzimática ELISA Cu/Zn-SOD. Linhagens de linfócitos T, MT2 e MT4, foram utilizadas nos ensaios in vitro para avaliação da concentração citoplasmática basal de SOD1, por ELISA Cu/Zn-SOD; e para avaliação da inibição de SOD1 por DETC. A capacidade apoptótica do DETC e a validação da sua ação, pelo uso do antioxidante N-acetilcisteína (NAC) foram avaliadas por citometria de fluxo e quantificada por coloração com Hoechst 33432. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Nas formas clínicas crônica e aguda da ATLL, observamos que o gene NFE2L2, relacionado à regulação da resposta antioxidante, está sendo diferencialmente expresso, sob regulação positiva, e que a via clássica de proliferação de linfócitos, está ativada. A dosagem plasmática de SOD1 em doadores saudáveis (28.3, 15.6 – 37.75 ng/mL,  n= 20), portadores assintomáticos (193.6, 170.2–327.4 ng/mL,  n =19), pacientes HAM/TSP (38,1, 10,6 – 59,25 ng/mL, n = 14) e pacientes ATLL (270.6, 141.8 – 456.9 ng/mL, n=25) demonstrou que a concentração de SOD1 é significativamente menor (p<0,0001) em pacientes HAM/TSP, em comparação aos portadores assintomáticos e pacientes ATLL, o que pode explicar o sucesso terapêutico de antioxidantes, como a vitamina C para esta forma clínica;  significativamente maior (p<0,0001) em portadores assintomáticos, em comparação aos pacientes HAM/TSP e doadores saudáveis, o que também poderia  sugerir SOD1 como um marcador de prognóstico para ATLL; que está significativamente  maior (p<0,0001) em pacientes ATLL, quando comparada a de pacientes HAM/TSP e a de doadores saudáveis, o que pode representar um alvo terapêutico promissor para o tratamento dessa patologia. Foi possível demonstrar também perda gradativa da viabilidade, dos linfócitos MT2 e MT4, com o aumento da concentração de DETC; e maior sensibilidade de MT4 (IC50=11.92µM), a esse fármaco quando comparado com MT2 (IC50= 26.45µM). Determinamos também, o ápice de resposta positiva ao tratamento com DETC em concentração superior em linfócitos MT2 (50 µM) comparado aos linfócitos MT4 (10 µM). A utilização do antioxidante NAC  para a validação da inibição de SOD1 via DETC, mostrou-se mais proeminente em MT2, nos quais foi possível reverter a ação do DETC até 500μM, mantendo metade da viabilidade celular até 2000μΜ, do que em linfócitos MT4, nos quais reverte a ação oxidante do DETC até 10μM. Tais resultados são corroborados pelo fato de os linfócitos MT2 possuírem uma concentração basal de SOD1 (6.73, 4.47–10.43 ng/mL) superior à de linfócitos MT4 (3.15, 2.78–3.5 ng/mL). CONCLUSÃO: SOD1 poderia ser sugerida como um potencial alvo terapêutico para ATLL, assim como a utilização do DETC como uma terapia pro-oxidante promissora nesta patologia.                                                                     

2
  • LUCAS MATHEUS GONÇALVES DE OLIVEIRA
  • Bifidobactérias e lactobacilos da microbiota intestinal  e sua relação com marcadores clínicos e imunológicos na Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

  • Orientador : GYSELLE CHRYSTINA BACCAN
  • Data: 01/07/2019
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  • Uma série de estudos contribuem para a ideia de que a microbiota intestinal (MI) possui papel na regulação metabólica e imunológica do hospedeiro. Existem evidências de que a MI está envolvida no controle da secreção de hormônios como a insulina através da liberação de GLP-1 e controle da saciedade pela modulação do PYY. Além disso, a MI se mostra importante para o desenvolvimento da placa de Peyer e do sistema imune como um todo, especialmente nos primeiros anos de vida. Dentre a diversidade da MI é possível ressaltar as bactérias dos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium, as quais parecem exercer funções imunorregulatórias e são largamente utilizadas como probióticos. A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma enfermidade causada geralmente pela inalação de partículas e gases nocivos que causam danos prolongados às vias aéreas e/ou alvéolos, prejudicando assim o seu papel fisiológico e causando sintomas como dispneia, tosse crônica e expectoração. A inalação de gases tóxicos leva a um processo inflamatório caracterizado pelo aumento sistêmico de moléculas como proteínas de fase aguda, além de IL-1, IL-6, IL-8, TNF e seus receptores. Alguns estudos demonstram que a utilização de probióticos a base de Lactobacillus sp. e Bifidobacterium sp. Pode auxiliar no quadro geral da doença. Entretanto, a relação entre os níveis dessas bactérias na MI e a DPOC não se encontra bem elucidada. Portanto, este trabalho tem como objetivo avaliar se ocorrem alterações nos níveis de Lactobacillus sp. e Bifidobacterium sp. em pacientes com DPOC e relacionar os níveis dessas bactérias com marcadores clínicos e inflamatórios.

3
  • JEFFERSON SODRÉ MENESES
  • Perfil metabolômico, propriedades biológicas e atividade tóxica de Abarema cochliacarpos, Alpinia zerumbet, Euphorbia tirucalli, Miconia albicans e Protium heptaphyllum

  • Orientador : LUZIMAR GONZAGA FERNANDEZ
  • Data: 04/07/2019
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  • As plantas medicinais sempre foram usadas para o tratamento de doenças. De modo a avaliar o perfil metabólico e as propriedades antioxidante, antimicrobiana e tóxica de plantas usadas por comunidades tradicionais da região Nordeste do Brasil, cinco plantas medicinais (Abarema cochliacarpos, Euphorbia tirucalli L., Alpinia zerumbet, Miconia albicans e Protium heptaphyllum) foram selecionadas com base na revisão de literatura e no uso dessas plantas por essas comunidades, bem como suas indicações terapêuticas. Folhas, caules e casca das plantas foram coletados na Reserva de Sapiranga, Mata de São João, no Litoral Norte da Bahia, secas a temperatura ambiente e moídas até a obtenção de pó fino. Os extratos brutos foram obtidos por maceração em etanol. A atividade antioxidante foi determinada pelo ensaio de eliminação do radical 2,2-difenil-1-picril-hidrazila. Os fenólicos totais foram quantificados pelo método de Folin-Ciocalteau. A atividade antimicrobiana foi avaliada como concentração inibitória mínima (CIM) usando o ensaio de microdiluição, em placas de 96 poços contra bactérias Gram-positivas - Bacillus subtilis (Bs), Staphylococcus aureus (Sa), Streptococcus mutans (Sm)e Micrococcus luteus (Ml), e Gram-negativas - Escherichia coli (Ec), Pseudomonas aeruginosa (Pa) e Salmonella typhimurium (St). A atividade tóxica foi realizada contra náuplios II de Artemia salina. O perfil metabolômico foi realizado utilizando LC-MS. Quanto a atividade antioxidante, o IC50 para A. zerumbet foi de 15.87μg.mL-1 enquanto para extratos de P. heptaphyllum variou de 4,67 μg.mL-1 (casca) a 22,16 μg.mL-1 (folhas). Para A. cochliacarpos os valores variaram de 3,81 μg.mL-1 (caule) a 5,58 μg.mL-1 (folhas). Para M. albicans variou de 4,63 μg.mL-1 (folhas) a 5,05 μg.mL-1 (caule). E. tirucalli apresentou a menor atividade antioxidante, já que o valor de IC50 foi 317,2 μg.mL-1. Os maiores valores de fenólicos totais foram evidenciados nos extratos de A. cochliacarpos, variando de 70,11 mgEGA.g-1 (folhas) a 100,22 mgEGA.g-1 (casca). O menor valor foi do extrato de E. tirucalli (9,65 mgEGA.g-1). Para A. zerumbet o valor encontrado foi 22,46 mgEGA.g-1 e para P. heptaphyllum os valores variaram de 24,66 mgEGA.g-1 (folha) a 58,22 mgEGA.g-1 (casca). O conteúdo fenólico total dos extratos de Miconia albicans variou de 49,70 a 52,71 mgEGA.g-1para os extratos de folha e casca, respectivamente. O extrato de M. albicans (caule) mostrou atividade antimicrobiana contra Pa, Sa, Bs e Bc. O extrato de A. zerumbet inibiu o crescimento bacteriano na concentraçãode 500 μg.mL-1para Bc e Ec, de 125 μg.mL-1 para Sa. A atividade antibacteriana dos extratos de P. heptaphyllum foi elevada com CIM de 15,62 μg.mL-1 para Ml. O extrato de M. albicans demonstrou uma atividade antimicrobiana conspícua contra as bactérias gram-positivas. Houve também atividade contra a bactéria gram-negativa Pa. Todas as espécies exibiram taxa de letalidade de 100% de Artemia salina na concentração de 1000 μg.mL-1 de extrato. A análise metabolômica dos extratos por HPLC-MS permitiu quantificar diversos metabólitos secundários, tais como flavonoides, compostos fenólicos, fenilpropanóides, terpenos e alcaloides, dentre outros. Conclui-se que estas espécies apresentam grande potencial farmacológico considerando a elevada atividade antioxidante, perfil antimicrobiano e toxicológico correlacionados aos compostos bioativos identificados através do perfil metabolômico.

Teses
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  • LUÃ TAINÃ COSTA REIS
  • EFEITOS INTERGERACIONAIS E DE LONGO PRAZO DE HERBICIDA À BASE DE GLIFOSATO NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

  • Orientador : SUZANA TELLES DA CUNHA LIMA
  • Data: 26/04/2019
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  • O glifosato um dos herbicidas mais vendidos no mundo sob diferentes formulações

    comerciais conhecidas como herbicidas à base de glifosato (GBH). Os agroquímicos se

    tornaram um problema de saúde pública devido ao aumento da exposição, diferenças na

    toxicologia de acordo com formulações variadas e capacidade de agir como

    desreguladores endócrinos alterando a sinalização hormonal. Dentro dos órgãos e eixos

    biológicos afetados por desreguladores endócrinos, o eixo hipotálamo-hipófise-tireoide

    (HPT), devido ao controle e liberação de hormônios da tireoide (HT) responsável por

    vários efeitos biológicos e células neuronais e gliais devido a susceptibilidade a alterações

    durante neurodesenvolvimento, são relevantes para pesquisar os efeitos da exposição a

    herbicidas. No primeiro capítulo, o objetivo do estudo foi avaliar a ação da desregulação

    endócrina de herbicidas à base de glifosato (GBH) na homeostase do hormônio

    tireoidiano no cerebelo. Ratas Wistar gestantes expostas solução Roundup Transorb

    (Monsanto) foram divididas em 2 grupos de tratamento (5 mg / kg / dia e 50 mg / kg /

    dia) e controle, expostos a partir do 18° dia (GD18) até o 5° dia pós-natal (PND5). Os

    filhotes machos foram sacrificados em PND 90 e a análise por qPCR dos genes

    relacionados ao metabolismo e função dos hormônios tireoidianos foi avaliada no tecido

    cerebelar. Como resultado, no tecido do cerebelo de filhotes machos expostos houve

    desregulação de todos os genes diretamente relacionados ao metabolismo intracelular do

    hormônio tireoidiano, Trα1, Trβ1 e Trβ2, Mct8, Oatp1c1, Dio2, Dio3. Além disso, tem

    sido demonstrado que animais tratados apresentaram alterações intergeracionais em

    reguladores chave das mudanças epigenéticas Dnmt3A, indicando um possível

    mecanismo epigenético por trás da ação disruptor. Culturas cerebelares primárias obtidas

    de ratos Wistar expostos a doses de 1 a 100 partes por milhão (ppm) durante um período

    de 24 horas induziram ativação mitocondrial e diminuição de astrócitos positivos para

    GFAP, embora nenhuma toxicidade tenha sido observada nesta dose.

    O segundo capítulo teve como objetivo avaliar os efeitos a longo prazo de doses subtóxicas

    de glifosato puro e GBH Roundup Transorb no neurodesenvolvimento. Utilizando células

    neuroepiteliais diretamente expostas (células parentais) à dose sub-tóxica de 2,5 ppm de

    (GBH), e observando os efeitos nas células que não foram diretamente expostas (F1) ao

    glifosato ou GBH, observamos que o GBH induziu uma maior toxicidade e desregulação

    no neurodesenvolvimento em comparação com o glifosato puro. Exposição ao GBH

    ativou os processos autofágicos, além de induzir a desregulação dos principais genes do

    neurodesenvolvimento, como HES1, HES5, DDK1 e TRKB, juntamente com os

    marcadores neuronais NESTIN, DCX, PAX6, GFAP, TUJ1 e MAP2. As células F1

    tratadas com GBH também mostraram alterações a longo prazo na morfologia, com

    aumento do número de células por agregados e alterações na proporção de células

    neuronais.

    Em resumo, o GBH foi capaz de induzir mudanças a longo prazo nos reguladores da

    homeostase e do neurodesenvolvimento dos hormônios tireoidianos, mesmo em doses

    que não apresentaram toxicidade.

2018
Dissertações
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  • ALBERTO LEONCIO BARRETO VASCONCELOS
  • HIVfird: Software de detecção de mutações associadas à resistência terapêutica dos Inibidores de Fusão em sequências do HIV-1

  • Orientador : JOANA PAIXAO MONTEIRO CUNHA
  • Data: 12/12/2018
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  • O HIV foi descoberto em 1983 e já matou de mais de 35 milhões de pessoas em todo o mundo enquanto atualmente 36,9 milhões são portadoras deste vírus. O HIV-1 é a variante mais distribuída no mundo e sua alta taxa de mutação é uma de suas características mais marcantes, resultando no aparecimento de cepas com resistência aos medicamentos antirretrovirais disponíveis, o que torna vital o desenvolvimento de novos medicamentos. Inibidores de fusão são antirretrovirais de terceira linha que impedem a entrada do vírus nas células do hospedeiro e atualmente o Enfuvirtida é o único antirretroviral dessa classe disponível no mercado. Embora existam softwares que determinem a resistência de cepas de HIV-1 à grande maioria dos medicamentos, ainda não existe nenhuma ferramenta específica para os inibidores de fusão. O objetivo deste trabalho foi o desenvolvimento de uma ferramenta de acesso livre para a identificação de mutações associadas com resistência a medicamentos antirretrovirais inibidores de fusão em sequências genômicas do HIV-1. Secundariamente, este trabalho avaliou a prevalência de resistência ao Enfuvirtida nas populações brasileira e mundial e comparou o grau de resistência entre os diferentes genótipos virais. O HIVfird foi desenvolvido utilizando a linguagem de programação PHP e utiliza o programa Kalign para realizar alinhamentos de sequências de DNA. Como referência para realizar o alinhamento com as sequências inseridas pelo usuário, a ferramenta utiliza 30 bases de DNA obtidas a partir da proteína gp41 (aminoácidos 36 a 45) do HIV-1 HXB2. Para avaliar o grau de resistência ao Enfuvirtida nas populações estudadas, todas as sequências de HIV-1 que possuíam a região genômica associada com resistência ao Enfuvirtida foram extraídas do banco de dados dos Los Alamos National Laboratory. O software HIVfird encontra-se hospedado no endereço https://www.hivfird.ics.ufba.br/, totalmente funcional e disponível para uso público. Foram identificadas na literatura 25 substituições de aminoácidos que isoladamente causam algum grau de resistência ao medicamento e 15 combinações de 2 substituições distintas associadas com a diminuição da susceptibilidade ao Enfuvirtida no fragmento compreendido entre os aminoácidos 36 a 45 da sequência proteica da gp41. As posições 44, 43, 36 e 38 foram as que apresentaram a maior frequência de variações associadas com resistência ao medicamento. A partir dessa nova ferramenta, caracterizamos as sequências de DNA presentes no banco de dados de Los Alamos, onde foram encontradas tais substituições em 3,16% nas sequências da população mundial e 4,67% em sequências da população brasileira. A prevalência de resistência ao Enfuvirtida foi identificada para os diferentes subtipos do HIV e verificou-se que a taxa foi significativamente maior para o subtipo B em comparação com o subtipo C (p < 0,0001), o que pode estar relacionado com características econômicas e geográficas. Por fim, espera-se que o uso do HIVfird seja acrescentado no rol de ferramentas de análise de resistência aos antirretrovirais e auxilie profissionais de saúde no planejamento e acompanhamento clínico, bem como a sua utilização para estudos populacionais de resistência ao medicamento pela comunidade científica.

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  • DIEGO DE CARVALHO CARNEIRO
  • Isolamento, Caracterização e Potencial Biotecnológico de Lectinas de Microalgas

  • Orientador : SUZANA TELLES DA CUNHA LIMA
  • Data: 17/12/2018
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  • Para avaliar em escala laboratorial o potencial biotecnológico de sete espécies de microalgas clorofíceas, foram realizadas análises de suas taxas de crescimento específico em diferentes condições de cultura, produtividade de biomassa e conteúdos de proteína e lectina. Lectinas da microalga Scenedesmus obliquus foram isoladas por cromatografia de afinidade utilizando uma coluna de goma guar produzida a partir da reticulação desse polissacarídeo com glutaraldeído. Essas lectinas foram parcialmente caracterizadas por meio de géis SDS-PAGE e por um ensaio de inibição da atividade de hemaglutinação. Como resultados, temos que a aeração do meio de cultura pode significativamente melhorar a cinética de crescimento de todas as espécies estudadas. Ankistrodesmus fusiformis e S. obliquus apresentaram os maiores valores de conteúdo de proteína (22 e 25%, respectivamente), sendo os mais apropriados para a produção de produtos proteicos. Desmodesmus brasiliensis demonstrou a maior taxa de produtividade de biomassa (0,14 g L-1 dia-1 ), o que compensa seu menor valor de conteúdo de proteína. No entanto, o baixo conteúdo de proteína de Chlamydocapsa bacillus (11%) e as baixas cinéticas de crescimento de Coelastrum microporum e Kirchneriella lunaris podem dificultar a aplicação dessas espécies na produção de proteínas em grandes quantidades. Valores específicos de coeficientes de extinção percentual podem ser utilizados como alternativa a outros métodos para a quantificação de proteínas de microalga. Medições dos títulos de hemaglutinação e atividades de hemaglutinação específicas dos extratos brutos de proteína indicaram que Pseudokirchneriella subcapitata e K. lunaris possuem os maiores conteúdos de lectina. As lectinas isoladas de S. obliquus apresentaram afinidade de ligação a galactose como demonstrado pelo teste de inibição da atividade de hemaglutinação e bandas de 46 e 148 kDa de peso molecular aparente no gel de eletroforese em poliacrilamida. Um pequeno aumento dos pesos moleculares aparentes das lectinas eluídas com galactose indicou uma possível mudança conformacional na proteína devido à ligação a galactose. Análises subsequentes serão necessárias para determinar se as bandas de proteína observadas são lectinas monoméricas distintas ou monômeros de uma única lectina ligados por interações intermoleculares fracas ao invés de ligações covalentes como as pontes dissulfeto.

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  • RODRIGO CUNHA OLIVEIRA
  • RECONSTRUÇÃO FILODINÂMICA DO SUBTIPO C DO VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA TIPO 1 NO BRASIL E SUA DISPERSÃO PARA A REGIÃO NORDESTE DO PAÍS.

  • Orientador : JOANA PAIXAO MONTEIRO CUNHA
  • Data: 20/12/2018
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  • INTRODUÇÃO: O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é o agente etiológico da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), doença responsável pela morte de 39 milhões pessoas no mundo e ainda sem vacina e sem cura. O vírus apresenta dois tipos, 1 e 2;o tipo 1 é dividido em quatro grupos M, N, O e P e o grupo M é subdivido em 9 subtipos e formas recombinantes. O subtipo C é responsável por mais de 50% das infecções por HIV-1 em todo o mundo, tendo sido isolado primeiramente na Etiópia na década de 80 e encontrado em países populosos da África, Índia, China, Austrália, Europa e América do Sul. Na região sul do Brasil é a forma predominante do HIV-1, tendo sido relatado o aumento de sua circulação nas outras regiões do país. Estudos filogenéticos reconstruíram a história do subtipo C, evidenciando sua inserção no Brasil a partir de uma origem monofilética nessa região, relacionando às linhagens encontradas nos países da região centro-leste do continente africano. No Nordeste, o subtipo C tem sido detectado com uma prevalencia de 4-5% das infecções por HIV. OBJETIVO: Investigar a origem do subtipo C circulante na região Nordeste e avaliar o seu perfil migratório no território brasileiro. MATERIAIS E MÉTODOS: Sequências do gene pol, previamente classificadas como subtipo C, de 48 amostras do Brasil e 36 do mundo foram coletadas de bancos de dados públicos. As sequencias foram isoladas entre 1998 e 2015. Estas foram alinhadas utilizando o MAFFT e Bioedit. O subtipo das amostras foi confirmado através de análises filogenéticas, usando o método de Maximum Likelihood (ML), implementado no IqTree. A análise filodinâmica foi baseou-se no método Bayesiano através das ferramentas do software BEAST versão 1.8.4. RESULTADOS PRELIMINARES: A análise bayesiana indica a ocorrência de pelo menos cinco introduções do subtipo C no Brasil. Quarenta e quatro (91,7%) seqüências brasileiras do subtipo C formaram um clado monofilético composto exclusivamente de seqüências C do Brasil. Esse grupo teria se originado de países na África Oriental, como Burundi, Etiópia e Quênia, por volta de 1983 (1975 a 1992). As outras quatro introduções do subtipo C no Brasil datam de 1985-1990. Três delas foram representadas por seqüências do Sudeste do Brasil e teriam surgido da África do Sul, Tanzânia e Zâmbia. A quinta inserção do subtipo C no Brasil é representada por uma sequência de Roraima e teria se originado na Tanzânia, provavelmente em 1987. Múltiplas introduções da linhagem principal do subtipo C ocorreram entre 1986 e 2005 na região Nordeste e teriam se originado a partir das outras quatro regiões brasileiras. CONCLUSÕES: A epidemia de subtipo C no Brasil resulta de multiplas introduções dessa variante a partir de países do leste e do sul da África. A maioria dos vírus desse subtipo circulante no país deriva de uma única linhagem predominante. Pela primeira vez, uma introdução independente do subtipo C no norte do Brasil foi identificada. Um padrão de migração em curso do vírus para o norte do país é sustentado pelas análises. Os resultados mostram uma ampla difusão do subtipo C nas cinco regiões brasileiras e enfatiza o papel do estado de Goiás na disseminação do vírus para as regiões mais ao norte.

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