Escuta e interpretação fonoaudiológica na Comunicação Aumentativa e Alternativa em pacientes hospitalizados
Comunicação Aumentativa e Alternativa; Fonoaudiologia; Pacientes Internados; Escuta; Interpretação; Relações Profissional-Paciente.
A hospitalização pode impor barreiras importantes à comunicação, especialmente entre pacientes adultos que, em decorrência de condições neurológicas, intubação orotraqueal, traqueostomia, fadiga extrema ou outras alterações clínicas, ficam temporária ou permanentemente impossibilitados de falar oralmente. Embora a Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) ofereça recursos e estratégias capazes de ampliar as possibilidades de expressão desses pacientes, sua presença no ambiente hospitalar não garante, por si só, o reconhecimento do sujeito como falante. Este estudo tem como objetivo analisar como a literatura científica aborda a escuta e a interpretação fonoaudiológica da fala de pacientes adultos hospitalizados que utilizam CAA. Trata-se de uma revisão narrativa crítica, de abordagem qualitativa e caráter teórico-reflexivo. Serão incluídos artigos científicos, dissertações, teses, livros e capítulos de livros relacionados ao tema. A análise será orientada por quatro eixos: concepções de linguagem, fala, sujeito e corpo; escuta e interpretação nas produções realizadas por meio da CAA; posição clínica do fonoaudiólogo e implicações éticas da comunicação no contexto hospitalar. O referencial teórico deste projeto é a Clínica de Linguagem, tal como proposta por Lier-DeVitto e colaboradoras no LAEL/PUC-SP. Em especial, destacam-se os trabalhos de Vasconcellos (1999, 2010, 2025). Parte-se do entendimento de que a ausência de fala oral não corresponde à ausência de linguagem e de que os recursos de CAA não funcionam isoladamente, mas em uma relação atravessada pela língua, pela interpretação e pela presença do outro. Espera-se que o estudo contribua para ampliar a compreensão da atuação fonoaudiológica no hospital, deslocando o foco exclusivo da função orgânica de deglutição para uma prática que inclua e reconheça o paciente como sujeito e participante do próprio cuidado.