O desafio de cuidar de si: reflexões sobre a experiência de cuidadoras de pessoas com deficiência
Autocuidado; Cuidadores; Pessoas com Deficiência; Espiritualidade
Introdução: O cuidado de si, como conceito filosófico e prático, apresenta implicações expressivas para indivíduos em papéis de cuidado integrais, como as cuidadoras de pessoas com deficiências. A pressão social para que essas mulheres suportem o estresse sem reconhecer suas necessidades pode resultar em estigmatização, em prejuízos à saúde, além de moldar suas percepções e práticas de autocuidado. Uma abordagem compreensiva e empática pode auxiliar essas cuidadoras a avaliar o cuidado de si e compreender as estratégias para atravessar as exigências do cotidiano de cuidado com o outro. Objetivo: Compreender a percepção de mulheres que cuidam de pessoas com deficiência sobre vivências de autocuidado no cotidiano. Métodos: O estudo, de abordagem qualitativa, realizou entrevista-conversa após um momento de meditação individual, com vistas a acessar percepções e sentidos sobre o cuidar de si. Os encontros foram gravados e posteriormente transcritos, adicionalmente as impressões e vivências da pesquisadora foram registradas em diário de campo e utilizadas para a análise das informações, que ocorreram por meio da análise temática. Resultados e discussão: O autocuidado é percebido de forma fragmentada e secundária na vida dessas mulheres, restrita a atos rotineiros de cuidado com o corpo e aparência. As possibilidades de escolha no âmbito dos projetos de vida e das práticas de bem-estar são estreitas e influenciadas por condições materiais, afetivas e sociais. A ausência de privacidade e as demandas no ambiente doméstico surgem como barreiras críticas, transformando o lar em um local de trabalho ininterrupto. Embora a meditação tenha se mostrado eficaz na regulação emocional e na redução da sensação de ansiedade, sua prática constante é dificultada pela ausência de tempo e incentivo. Conclusão: As ofertas de cuidado para mulheres que cuidam precisam considerar seu cotidiano complexo, compreendido não como uma realidade circunscrita ao indivíduo, mas como um fenômeno socialmente produzido. Por isso, é urgente a necessidade de estratégias assistenciais e de suporte às mulheres aproximadas dos seus contextos de vida, a partir de políticas públicas e redes de apoio coletivo.