Banca de DEFESA: LUIZA RODRIGUES BRITO SILVA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : LUIZA RODRIGUES BRITO SILVA
DATA : 15/04/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Pavilhão de Aulas do Canela
TÍTULO:

O silêncio: as percepções dos tradutores, intérpretes e guia-intérpretes de libras e língua portuguesa na atuação no sus no estado da Bahia


PALAVRAS-CHAVES:

Libras; Intérprete de Libras; Sistema Único de Saúde (SUS); Acessibilidade na Saúde; Surdez.


PÁGINAS: 71
RESUMO:

A assistência à saúde da população surda no Brasil é permeada por barreiras comunicacionais que comprometem os princípios de equidade e integralidade do Sistema Único de Saúde (SUS). Embora marcos legais, como o Decreto nº 5.626/2005 e a Lei Brasileira de Inclusão, garantam o direito à acessibilidade, a implementação prática desses direitos no contexto clínico ainda é incipiente. A presença do Tradutor e Intérprete de Língua de Sinais e Língua Portuguesa (TILSP) surge como uma ferramenta essencial de mediação, porém, sua atuação na área da saúde enfrenta desafios que vão desde a formação técnica específica até conflitos éticos e institucionais. A lacuna deste estudo reside na escassez de investigações que foquem especificamente na percepção dos intérpretes sobre a sua inserção no ambiente de saúde, especialmente no estado da Bahia, onde a carência de profissionais qualificados na área da saúde é notória. Objetivo: Analisar quais são as percepções e os desafios enfrentados pelos TILS na mediação da assistência à saúde no âmbito do SUS no estado da Bahia, investigando sua autopercepção profissional, a relação interprofissional com equipes de saúde e o impacto dessa atuação no acesso dos usuários surdos aos serviços do SUS. Metodologia: Estudo qualitativo e exploratório realizado com sete intérpretes de Libras atuantes no SUS no estado da Bahia, selecionados pela técnica bola de neve. A coleta de dados ocorreu em setembro de 2025 via entrevistas remotas semiestruturadas, posteriormente submetidas à Análise de Conteúdo. A investigação foi organizada em três categorias apriorísticas (autopercepção, relações interprofissionais e com o usuário), respeitando integralmente os preceitos éticos. Resultados: Os resultados revelaram que a maioria dos intérpretes iniciou sua trajetória de forma empírica e voluntária em contextos religiosos, buscando profissionalização técnica posteriormente. Identificou-se que a atuação no SUS é marcada por precariedade: os profissionais frequentemente são contratados de forma particular pelos próprios surdos ou convidados por familiares, devido à inexistência de TILSPs nos quadros efetivos das unidades de saúde. Os participantes destacaram que a sua presença aumenta a segurança do paciente e do profissional de saúde, evitando erros diagnósticos e nas vias de cuidado. Todavia, surgiram dilemas sobre o sigilo profissional em ambientes de alta intimidade, como exames ginecológicos e sessões de psicoterapia, além de relatos de resistência por parte de profissionais de saúde que desconhecem a função técnica do intérprete. Outro ponto relevante foi a necessidade de especialização em terminologias técnicas de saúde e a demanda por melhores condições laborais. Conclusão: Conclui-se que o intérprete de Libras é um agente de autonomia e humanização, sendo sua presença preferível à de familiares para garantir a privacidade do usuário. O estudo reforça que o SUS deve avançar na institucionalização deste profissional, integrando-o às equipes multiprofissionais, pois a efetivação do acesso à saúde para a comunidade surda depende da superação do modelo assistencialista em favor de uma política pública que reconheça o TILSP como um direito fundamental e um agente de saúde essencial para a segurança e qualidade do atendimento.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1876823 - VLADIMIR ANDREI RODRIGUES ARCE
Interna - 1272085 - FERNANDA DOS REIS SOUZA
Interna - 2053266 - MELISSA CATRINI DA SILVA
Externo à Instituição - MAURICIO WIERING PINTO TELLES - UFRN
Notícia cadastrada em: 26/03/2026 15:18
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