EVIDÊNCIAS BASEADAS NA CLASSIFICAÇÃO E INCLUSÃO DO PARA-KARATE COMO MODALIDADE PARALIMPICA: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO
Desenvolvimento de Para-atletas, Evidências baseada na classificação, Esporte Adaptado, Reabilitação.
As evidências baseadas na classificação são aspectos fundamentais para o desenvolvimento de um sistema justo e eficaz, que garanta a participação equitativa de atletas com deficiência no esporte paralímpico nas diferentes modalidades. A partir do modelo de evidências baseadas na classificação paralímpica, a etapa de desenvolvimento de um modelo determinante para o esporte é relevante e tem sido utilizada em estudos nos esportes paralímpicos por meio de investigações das opiniões de especialistas. Este estudo explorou as perspectivas de especialistas sobre a inclusão do para-karatê nos sistemas Paralímpico e Special Olympics, bem como o desenvolvimento de um sistema funcional de classificação para a modalidade. Utilizando a técnica Delphi, foram coletadas opiniões de 160 especialistas em karatê (115 homens e 46 mulheres) por meio de um instrumento adaptado. Testes de qui-quadrado foram aplicados para analisar a distribuição dos dados segundo sexo, função, faixa e níveis de atividade, enquanto testes t independentes compararam idade e experiência, com nível de significância estabelecido em 5%. Os resultados mostraram que os homens apresentaram idade, experiência e número de faixas pretas significativamente maiores (p < 0,001) em relação às mulheres. Houve forte apoio à inclusão do para-karatê nos sistemas Paralímpico (98%) e Special Olympics (97%), e 100% dos especialistas concordaram que tanto o kata quanto o kumite poderiam ser incluídos nessas organizações. Os especialistas enfatizaram a necessidade de um sistema de classificação que acomode deficiências físicas, intelectuais e visuais (44–66%). Para o treinamento em para-karatê, os principais atributos físicos apontados foram agilidade (30%), tempo de reação (24%) e velocidade (20%), enquanto para o desempenho competitivo, adaptabilidade (36%), variabilidade técnica (29%) e frequência de chutes (29%) foram considerados essenciais. Esses resultados destacam a importância de um sistema de classificação específico para a modalidade, baseado em evidências, que assegure justiça, transparência e adaptabilidade, fornecendo uma base sólida para o desenvolvimento futuro do para-karatê no contexto esportivo inclusivo.