ADAPTAÇÃO E TESTAGEM DAS PROPRIEDADES PSICOMÉTRICAS DO THREE-FACTOR EATING QUESTIONNAIRE-18 (TFEQ-18) NA PESSOA IDOSA BRASILEIRA
psicometria; idosos; comportamento alimentar
Introdução: compor Comportamentos alimentares como comer emocional, comer descontrolado e restrição cognitiva são comuns em diferentes faixas etárias e influenciados por fatores fisiológicos, emocionais e sociais. Contudo, há escassez de instrumentos adaptados e testados para mensurar esses comportamentos em pessoas idosas brasileiras. Objetivo: adaptar e analisar as propriedades psicométricas do Three-Factor Eating Questionnaire (TFEQ-18) para pessoas idosas no Brasil. Métodos: trata-se de um estudo psicométrico dividido em duas etapas: (1) adaptação transcultural e análise de conteúdo com especialistas e população-alvo; e (2) análise das propriedades psicométricas em amostra composta por 235 pessoas entre 60 e 91 de duas regiões do Brasil. Foram avaliadas evidências de validade baseadas no conteúdo, estrutura interna (via Análise Fatorial Exploratória com matriz policórica e RDWLS), e relação com variáveis externas (idade, índice de massa corpórea, percepção do envelhecimento, imagem corporal, entre outras). Os dados foram analisados nos softwares Factor Analysis e SPSS. Resultados: a análise da estrutura interna resultou na exclusão de quatro itens, originando o TFEQ-14. A estrutura trifatorial do instrumento foi mantida, composta por CD, CE e RC, sustentada por evidências empíricas (RMSEA=0,067; CFI=0,999; TLI=0,998) e teóricas. As correlações entre os fatores e variáveis externas, ainda que fracas, foram coerentes: CE se associou positivamente ao IMC e negativamente à percepção positiva do envelhecimento; CD e CE correlacionaram-se negativamente com a idade; RC apresentou associação com nível de atividade física e CD com número de residentes no domicílio. Conclusão: O TFEQ-14 demonstrou propriedades psicométricas adequadas para aplicação em pessoas idosas brasileiras, configurando-se como um instrumento promissor para investigações clínicas e epidemiológicas. As correlações encontradas reforçam a complexidade dos comportamentos alimentares na velhice, influenciados por variáveis como imagem corporal, percepção do envelhecimento e contexto social. Apesar das limitações, representa um avanço nas evidências de instrumentos para o cuidado nutricional e pessoas idosas.