(Afro)Perspectivando o cuidado em saúde: A escrevivência como uma ferramenta
contra-hegemônica
escrevivência; cuidado; saúde
A presente pesquisa teve como objetivo construir uma narrativa analítica baseada no
agenciamento de povos que foram violentados e continuam a ser pelo sistema de
colonialismo. A escrita é uma das vias possíveis para a re-centralização de povos
vulnerabilizados pelo sistema de opressão racial, capitalista, machista e capacitista. Se para a
cosmovisão europeia, a diferença marca a existência de um Outro, para a cosmopercepção
africana e dos povos originários da terra, somos parte do todo. Partindo de inquietações e
desajustamentos atravessados pelas vulnerabilidades estruturalmente impostas, este trabalho
apresenta uma possibilidade para o protagonismo daqueles que foram/são invisibilizados. A
escrevivência é a metodologia escolhida e tem como objetivo “dar uma rasteira” no sistema
colonial e subverter a objetificação de pessoas negras. A escrevivência é um método literário,
desenvolvido por Conceição Evaristo, que busca dar voz e corpo à experiência de mulheres
negras. Essa é uma pesquisa qualitativa exploratória que adota a escrevivência – de uma
mulher negra, no espectro da neurodiversidade, parte da população de terreiro e pesquisadora
no Programa Profissional em Psicologia da Saúde do Instituto Multidisciplinar em Saúde
(IMS/ UFBA) – para a construção de uma estratégia metodológica em que a escrita e vivência
são orientadoras para cuidado da saúde. A escrevivência se relaciona intimamente com a
proposta epistemológica e prática da afroperspectividade, cosmopercepção desenvolvida pelo
filósofo Renato Noguera, inspirada no quilombismo de Abdias Nascimento, no
perspectivismo ameríndio, de Tânia Lima e Eduardo Castro e na afrocentricidade, de Molefi
Asante. Desta maneira, o nosso objetivo foi confluir escrita e vivência, como nos ensina
Conceição Evaristo, em busca do cuidado em saúde. Axé!