Predição do apego em relacionamentos românicos adultos: vínculos parentais percebidos e variáveis relacionais
Parental Bonding Instrument; Modelo Bifatorial; Apego Adulto; Relacionamentos Próximos; Relacionamentos Românticos.
Os vínculos parentais iniciais, dentre outras variáveis, são considerados como preditores
dos relacionamentos ao longo da vida. Neste trabalho, tratou-se, mais especificamente,
da predição do apego nos relacionamentos românticos na vida adulta. O objetivo geral
desta dissertação foi: “Investigar os vínculos parentais percebidos da infância,
descrevendo suas características, comparando-os entre homens e mulheres, e analisando
em que medida predizem os estilos de apego em relacionamentos românticos na vida
adulta, controlando por variáveis sociodemográficas”. Para o alcance desse objetivo, a
sua estrutura contou com dois artigos empíricos que testaram as hipóteses e os objetivos
específicos desta pesquisa além do desenvolvimento de um e-book sobre
relacionamentos românticos direcionado para o público não acadêmico. Participaram da
pesquisa 400 adultos brasileiros, com média de idade de 26 anos (DP = 8,97), sendo
72% do sexo feminino. Foram utilizados dois instrumentos principais: o Parental
Bonding Instrument (PBI), para avaliar retrospectivamente os vínculos com as figuras
materna e paterna, e a Experiences in Close Relationships – Relationship Structures
(ECR-RS), para mensurar os estilos de apego nos fatores Ansiedade e Evitação nos
relacionamentos românticos. Os dois artigos empíricos buscaram atender aos objetivos
específicos e testar as hipóteses propostas. O primeiro artigo contemplou os objetivos
(1) descrever a estrutura latente dos vínculos parentais da infância percebidos e (2)
testar as diferenças dos vínculos parentais da infância percebidos entre homens e
mulheres, além de testar a hipótese (H2): há diferença significativa entre os vínculos de
cuidado em função dos sexos dos pais e dos filhos. O estudo avaliou a estrutura latente
do PBI e as diferenças de gênero nos vínculos parentais percebidos. O modelo bifatorial
testado apresentou bom ajuste, com os seguintes índices: CFI da versão materna = 0,983
e RMSEA = 0,077; CFI da versão paterna = 0,981 e RMSEA = 0,089. A análise de
invariância escalar demonstrou a equivalência entre os sexos, permitindo comparações
que evidenciaram diferenças estatisticamente significativas. O segundo artigo abordou
os objetivos (3) descrever a estrutura latente dos estilos de apego nos relacionamentos
românticos em adultos e (4) testar a predição dos estilos de apego no relacionamento
romântico considerando gênero, tempo de relacionamento, presença de relacionamentos
anteriores e vinculação parental percebida. Foram testadas as hipóteses (H1): os
vínculos parentais positivos percebidos predizem de forma positiva os estilos de apego
considerados saudáveis nos relacionamentos românticos; (H3): há efeito do tempo de
relacionamento romântico sobre o estilo de apego apresentado; e (H4): ter tido
experiências anteriores de relacionamento romântico apresenta efeito significativo nos
escores de apego nesses relacionamentos. A estrutura latente dos estilos de apego
ansioso e evitativo foi testada, sendo que apenas o Modelo 4 apresentou bom ajuste
(CFI = .973; RMSEA = .072). Com a transformação dos escores fatoriais, o viés de
correlação foi reduzido de V = 0,183 para um valor praticamente nulo (V ≈ 2.802548 -15 ),
permitindo o teste via path analysis. Apresentando ajuste aceitável em seu modelo
inicial (CFI = .930; RMSEA = .038), mas incluía preditores não significativos. Após
retirada das variáveis não significativas, o modelo final, apresentou excelente ajuste
(CFI = 1.00; RMSEA = .000), explicando 13% da variância em Evitação e 17% em
Ansiedade. Além dos artigos, o quinto objetivo resultou na elaboração de um e-book,
com o intuito de ampliar o acesso a conhecimentos sobre apego e relacionamentos para
o público não acadêmico. Esse material pode auxiliar psicólogos e pacientes na
compreensão dos fatores relacionados aos modelos de apego da infância e seu impacto
nos relacionamentos amorosos na vida adulta. Além disso, a adaptação das escalas para
o público do interior baiano contribui com a lógica do mestrado profissional, o qual
propõe a elaboração de conhecimentos e intervenções articulados à sociedade.