A Mestiçagem no Brasil: das teorias raciais à crítica do movimento negro brasileiro
Mestiçagem; Democracia Racial; Identidade Racial; Racismo
Este trabalho tem como objetivo compreender o desenvolvimento histórico da mestiçagem no Brasil e as disputas em torno da identidade racial, com ênfase na construção política do Movimento Negro e na consolidação do uso do termo “negro” para incluir pretos e pardos. A pesquisa foi estruturada em três fases: inicialmente, analisou-se o surgimento das teorias raciais no Brasil, destacando autores como Renato Ortiz, Lilia Schwarcz e Thomas Skidmore, e investigando como instituições acadêmicas e intelectuais influenciaram o debate sobre mestiçagem; em seguida, estudou-se criticamente a obra de Gilberto Freyre, especialmente Casa-Grande & Senzala e Sobrados e Mucambos, para compreender a consolidação do mito da democracia racial; por fim, analisou-se a atuação do Movimento Negro Brasileiro, sobretudo a terceira fase (1978–2000), considerando produções de intelectuais como Abdias Nascimento e Lélia Gonzalez e examinando 24 edições do Jornal do MNU. A metodologia foi qualitativa, combinando análise documental, revisão bibliográfica e estudo crítico das obras selecionadas. Os resultados mostram que a mestiçagem, embora seja um fenômeno universal, no Brasil foi historicamente utilizada para mascarar o racismo e dificultar a construção de uma identidade negra sólida. Observa-se que as disputas em torno da mestiçagem surgiram nos limites do próprio Movimento Negro na década de 1970 e se refletiram politicamente nos artigos do jornal da organização, revelando divergências internas sobre o tema.