O ESTADO DA ARTE ACERCA DA PROSTITUIÇÃO FEMININA NEGRA: UMA RASTEIRA DECOLONIAL NO EPISTEMICÍDIO
Mulheres Negras. Prostituição feminina negra. Decolonialidade. Epistemicídio. Prostituição.
A presente pesquisa tem por objetivo investigar as produções acadêmicas publicadas acerca da prostituição feminina negra, a partir de uma perspectiva decolonial, problematizando os atravessamentos de raça, gênero, classe e sexualidade que estruturam as experiências de mulheres negras inseridas no trabalho sexual no Brasil e na afrodiáspora. O estudo parte da crítica à produção hegemônica de conhecimento, que historicamente invisibiliza essas mulheres, operando o que a literatura denomina como epistemicídio. Amparada no pensamento feminino negro e na teoria decolonial, a pesquisa reconhece as mulheres negras inseridas na prostituição como sujeitas políticas e produtoras legítimas de saberes. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica, construção de um estado da arte e análise textual das produções acadêmicas sobre prostituição feminina negra entre 1988 e 2023. O trabalho discute os sentidos históricos da prostituição no Brasil, evidenciando como o legado colonial e racista conformou a sexualização e a marginalização dos corpos negros femininos. Os resultados indicam que o racismo estrutural, aliado ao sexismo e às desigualdades socioeconômicas, não apenas influenciam o ingresso e a permanência dessas mulheres na prostituição, como também define as formas de violência, exclusão e resistência presentes em suas trajetórias. Ao valorizar as produções intelectuais sobre as mulheres negras inseridas na prostituição, a dissertação contribui para a construção de um conhecimento antirracista, tensionando a universalização das experiências das mulheres e ampliando as perspectivas acerca da prostituição feminina negra.