ANÁLISE DE MULTICRITÉRIOS SOCIOAMBIENTAIS PARA AUXÍLIO NO PLANEJAMENTO TERRITORIAL DE EMPREENDIMENTOS EÓLICOS NO ESTADO DA BAHIA
Energia renovável; restrições ambientais; comunidades tradicionais; fragmentos naturais; onshore;
Nos últimos anos, a geração de energia eólica cresceu de forma significativa, sendo impulsionada como uma alternativa de energia renovável e de baixo impacto ambiental. No entanto, a implantação de parques eólicos tem gerado uma série de conflitos socioambientais. Esses empreendimentos, frequentemente classificados como de utilidade pública, adentram áreas de importância ecológica e social, e a falta de consideração dessas características locais durante a seleção locacional acaba resultando em conflitos com comunidades locais, Unidades de Conservação, recursos hídricos, entre outras áreas sensíveis. Diante desse contexto, o objetivo desse trabalho foi desenvolver um mapeamento territorial que identificasse as regiões do estado da Bahia mais sensíveis, e, portanto, mais restritivas a instalação de parques eólicos devido à concentração de aspectos socioambientais. A base territorial utilizada para discussão dos resultados foram os Territórios de Identidade da Bahia. Para alcançar esse objetivo, foi empregada a Análise de Decisão Multicritério (ADMC), associada a técnica participativa, consulta a legislações e uma ampla revisão bibliográfica, com o intuito de identificar os principais impactos relacionados a esse tipo de empreendimento e, posteriormente, selecionar e ponderar os critérios socioambientais mais relevantes. O mapeamento elaborado, que evidencia as concentrações de aspectos socioambientais, foi sobreposto ao potencial eólico do estado, assim como às áreas onde já existem parques eólicos operantes ou planejados. Esse cruzamento resultou em uma visão clara das regiões onde a implantação de parques eólicos poderia ser mais prejudicial ao meio ambiente e às comunidades. A ferramenta desenvolvida visa orientar os novos projetos para áreas menos sensíveis, além de sugerir a aplicação de medidas mais rigorosas nas áreas mais vulneráveis, como os Territórios de Identidade do Sertão do São Francisco e da Chapada Diamantina. Espera-se que este estudo contribua para um planejamento mais equilibrado da expansão eólica na Bahia, considerando os benefícios econômicos, mas priorizando as necessidades de preservação ambiental e justiça social.