Validação de critérios para desprescrição de medicamentos anti hipertensivos em idosos no Brasil
Hipertensão arterial sistêmica; Idosos; Desprescrição; Anti-hipertensivos
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença crônica não transmissível que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta cerca de 1,28 bilhão de adultos em todo o mundo. O controle dessa comorbidade pode ser realizado por meio de intervenções farmacológicas e não farmacológicas. No Brasil, estima-se que aproximadamente 60% da população idosa seja acometida pela HAS. Com a prática da polifarmácia, muitos idosos estão expostos a interações medicamentosas graves e a reações adversas decorrentes do uso concomitante de anti-hipertensivos com outros fármacos prescritos para o tratamento de diferentes patologias. Diante desse cenário, torna-se necessário adotar estratégias seguras de desprescrição, aliadas à promoção de medidas não farmacológicas e ao acompanhamento multiprofissional, visando ao controle eficaz da doença. Este estudo tem como objetivo avaliar critérios para a desprescrição de anti-hipertensivos em idosos no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), com base na consolidação da opinião de especialistas de diversas regiões do Brasil, por meio da metodologia Delphi. Ao todo, foram analisados 28 critérios, dos quais 24 alcançaram consenso entre os participantes. Foram validados critérios pertencentes a todas as categorias elencadas, com exceção daqueles relacionados exclusivamente à idade, à obstipação crônica como efeito adverso e à hipotensão ortostática. Esses resultados representam uma contribuição relevante para orientar processos de desprescrição no contexto da atenção à saúde da pessoa idosa. No entanto, ressalta-se que a condição clínica e a individualidade de cada paciente devem ser criteriosamente consideradas durante a tomada de decisão