Identificação do momento ideal para a introdução do tratamento antifúngico empírico em pacientes de terapia intensiva
Fatores de risco, Infecção fúngica invasiva, Unidades de terapia intensiva, análise de custo-
efetividade, Economia da saúde.
Introdução: As infecções fúngicas invasivas (IFI) representam importantes complicações em
unidades de terapia intensiva (UTIs), associadas a altas taxas de morbimortalidade e elevados
custos hospitalares. O diagnóstico precoce é difícil, o que frequentemente leva ao uso empírico
de antifúngicos com base em fatores de risco clínicos. No entanto, a incerteza quanto ao
momento ideal para iniciar o tratamento pode comprometer os resultados clínicos e a eficiência
do uso de recursos. Objetivo: Identificar o momento ideal para iniciar a terapia antifúngica
empírica em pacientes de UTI, com base no número de fatores de risco para IFI. Método:
Trata-se de uma análise de custo-efetividade baseada em dados retrospectivos de 446 pacientes
adultos internados em uma UTI de hospital público. Os pacientes foram classificados segundo
a quantidade de fatores de risco identificados (até 2, 3 ou ≥4). Foi construído um modelo de
árvore de decisão, com análises de sensibilidade determinística e probabilística, utilizando o
software TreeAge Pro. Resultados: Entre os pacientes estudados, 13,2% utilizaram
antifúngicos. Os fatores de risco mais associados ao uso foram: antibióticos de amplo espectro,
infecção por HIV, cirurgia abdominal e hemodiálise. A análise indicou que iniciar a terapia em
pacientes com até dois fatores de risco é mais custo-efetivo, resultando em melhor desfecho
clínico e menor custo por paciente, quando comparado ao início em pacientes com maior
número de fatores. Conclusão: A introdução precoce da terapia antifúngica empírica baseada
em até dois fatores de risco é uma estratégia custo-efetiva, contribuindo para otimizar o uso de
recursos e melhorar os desfechos clínicos em UTIs.