Entremear dos barros: vivendo-aprendendo com a cerâmica
Cerâmica; Ensino de arte; A/r/tografia.
Esta pesquisa investiga a cerâmica como prática artístico-pedagógica vinculada ao território, à ancestralidade e às epistemologias afrodiaspóricas e indígenas, em contraposição a modelos educacionais eurocentrados, autoritários e dissociados da vida cotidiana. A partir das contribuições teóricas de Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo), Nei Leite Xakriabá e Célia Xakriabá, o estudo propõe refletir e agir sobre outras possibilidades de ensino de arte mediadas pela relação entre criação, natureza, memória e comunidade. No campo das artes visuais, a pesquisa dialoga com produções de Arissana Pataxó, Sallisa Rosa, Almir Lemos, Mestre Taurino (Seu Zé), Jucélio Goes, da etnia Kiriri, e Maria da Glória Vasconcelos (Góia), compreendendo a cerâmica como linguagem atravessada por saberes ancestrais e também de modos de existência. Metodologicamente, a investigação se orienta pela A/r/tografia (Dias; Irwin, 2023), articulando as dimensões de artista, pesquisadora e docente na construção da escrita, das imagens e das experiências pedagógicas envolvidas e revisitadas ao longo do trabalho. Como desdobramento prático, a pesquisa envolveu a proposição Cerâmica gestada de sentido, sequência didática realizada com estudantes do 8º ano do Centro Educacional João de Souza Oliveira (CEJSO), em Várzea Nova/BA. Também resultou na concepção e implementação de um projeto de extensão vinculado ao componente EBAB15 – Processos Cerâmicos da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em parceria com a Escola Professor Edvaldo Machado Boaventura, em Maragogipinho/BA, nos semestres 2024.2 e 2025.1.