EFEITOS DO COMPLEXO DE INCLUSÃO MIRICETINA-METIL-β-CICLODEXTRINA SOBRE LINHAGEM MONOCÍTICA THP-1 E CÉLULAS MONONUCLEARES DO SANGUE PERIFÉRICO DE PACIENTES FALCIFORMES SOB ESTRESSE OXIDATIVO E PRÓ-INFLAMATÓRIO INDUZIDO POR HEMINA
doença falciforme; miricetina; metil-β-ciclodextrina; estresse oxidativo; inflamação; DPPH; FRAP.
A doença falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária caracterizada pela produção da hemoglobina S (HbS), cuja polimerização desencadeia hemólise crônica com liberação de heme livre. Esta atua como padrão molecular associado ao dano (DAMP), promovendo estresse oxidativo e inflamação sistêmica, processos centrais na fisiopatologia da doença e ainda insuficientemente abordados pelas terapias disponíveis. A miricetina, flavonol com reconhecidas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, apresenta potencial terapêutico para a doença falciforme, mas sua aplicação clínica é limitada pela baixa solubilidade aquosa e pela baixa biodisponibilidade oral. A complexação com metil-β-ciclodextrina (MβCD) constitui uma estratégia farmacotécnica consolidada para superar as limitações de seu uso. Este estudo investigou o potencial antioxidante e anti-inflamatório do complexo de inclusão miricetina–metil-β-ciclodextrina (MIR–MβCD) em células da linhagem monocítica THP-1 e em células mononucleares do sangue periférico (PBMC) de pacientes com doença falciforme, submetidas ao estresse oxidativo e pró-inflamatório induzidos por hemina. A caracterização físico-química revelou nanoestruturas com Z-médio de 36,16 nm e Índice de Polidispersão (PDI) de 0,439, compatíveis com sistemas flavonoide–ciclodextrina descritos na literatura. A ancoragem molecular confirmou a formação do complexo de inclusão, estabilizado por ligações de hidrogênio e interações hidrofóbicas. O complexo apresentou atividade antioxidante (IC50 = 8,3 μM) superior à da miricetina livre nos ensaios de sequestro do radical 1,1-difenil-2-picrilhidrazil (DPPH•) e de redução do ferro (FRAP), sem citotoxicidade significativa nas concentrações de 5 a 30 μM. Os pré-tratamentos com MIR–MβCD demonstraram tendência à redução dos níveis de IL-6 induzidos pela hemina. Os resultados indicam que o complexo MIR– MβCD apresenta perfil antioxidante potencializado e segurança biológica compatíveis com as concentrações avaliadas, constituindo uma estratégia promissora para o manejo complementar da doença falciforme.