A LATA DE LIXO DA OPERAÇÃO ACOLHIDA: notas sobre o eixo de interiorização da imigração de venezuelanos
migração; política pública; Operação Acolhida; fronteira; política externa.
O presente trabalho se propôs a analisar a Operação Acolhida como resposta do Estado brasileiro ao fluxo migratório venezuelano, com foco nas ações de acolhimento, interiorização e controle fronteiriço em Roraima. Com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, OIM e OBMigra, constata-se a entrada de mais de 1,2 milhão de venezuelanos no Brasil desde 2017 até 2025, sendo 74% por Pacaraima-RR, sobrecarregando os serviços públicos locais. A interiorização da Operação buscou redistribuir migrantes para outras regiões por meio de quatro modalidades (reunificação familiar, social, emprego sinalizado e institucional). A pesquisa documental analisou a execução orçamentária da Ação 219C (2021-2024), que destinou R$ 1,2 bilhão principalmente às Forças Armadas e 23 empresas principalmente dos setores de alimentação, transporte e turismo. No período verificado, apenas 18,55% dos migrantes acolhidos foram interiorizados, revelando limitações do desenho e da implementação deste eixo da política.