DO IMAGINÁRIO HEROICO ÀS PRÁTICAS EDUCATIVAS PARA A RESILIÊNCIA AOS DESASTRES: PROPOSTA DE ROTEIRO DE APRENDIZAGEM PARA CRIANÇAS FUNDAMENTADA NA AÇÃO EDUCATIVA DE BOMBEIROS MILITARES DA BAHIA
Corpo de Bombeiros, Crianças, Desastre, Educação, Resiliência
Este estudo propõe o desenvolvimento de práticas educativas voltadas à preparação de crianças para a resiliência aos desastres em áreas vulneráveis, articulando saberes teóricos e as experiências práticas do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia. Compreendendo que os desastres não são apenas eventos naturais, mas fenômenos socialmente construídos, fortemente associados às vulnerabilidades socioeconômicas e à ocupação desordenada do espaço, a gestão de desastres é entendida como um processo contínuo e integrado, que envolve as fases de mitigação, preparação, resposta e recuperação, destacando-se a necessidade de fortalecimento das ações preventivas. A pesquisa enfatiza o papel estratégico da educação na redução dos riscos de desastres, sobretudo quando direcionada às crianças, consideradas grupo vulnerável, agentes multiplicadores de conhecimento e futuro da nação. Desse modo, o arcabouço teórico articula conceitos de Gestão de Desastres, Aprendizagem e Práticas Educativas. A gestão é compreendida como um processo contínuo que integra mitigação, preparação, resposta e recuperação, superando a visão meramente reativa. No campo pedagógico, a pesquisa apoia-se em autores como Piaget (1964; 1970; 1973), Montessori (1965) e Vygotsky (1998), defendendo que, nas crianças, a aprendizagem ocorre por meio da interação social e da ação ativa sobre o meio. Acerca das práticas educativas, Veiga (2015) e Franco (2015) realçam que essas precisam fundamentar-se por intencionalidades, reflexões e sentidos que emergem da própria aprendizagem. A abordagem metodológica é de natureza aplicada e descritiva, utilizando-se de uma perspectiva predominantemente qualitativa por meio da análise documental. Serão analisados documentos fidedignos, como o Plano Estratégico do CBMBA (PLANESB 2025- 2030) e manuais e cartilhas dos projetos sociais promovidos pela instituição, a saber: Anjinhos da Praia, Guardiões do Arraiá e PROEBOM. Por fim, a técnica de análise das informações e dados coletados analisará as práticas educativas para crianças relacionadas a preparação para a resiliência aos desastres, pelos elementos que seguem: caracterização de desastres, percepção dos riscos, prevenção de desastres e métodos ou ferramentas utilizados. Ademais, argumentase que a infância é o período mais propício para a implementação da educação para desastres, pois as crianças, apesar de serem a parcela mais vulnerável, são potenciais agentes multiplicadores de conhecimento em suas famílias e comunidades.