Abordagem Técnica a Tentativas de Suicídio (ATTS): Uma Proposta de Procedimento Operacional Padrão (POP) no Âmbito do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA)
Abordagem técnica; tentativas de suicídio; gestão de crise suicida; Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA); ATTS.
A dissertação propõe um modelo de atuação para o Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA) na gestão e no manejo de crises suicidas, ancorado na Abordagem Técnica a Tentativas de Suicídio (ATTS), com vistas à padronização de um Procedimento Operacional Padrão (POP), como incremento da segurança da cena e à humanização do atendimento. O Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública – Sinesp/MJSP registrou, entre janeiro de 2015 e outubro de 2025, 142.479 vítimas no Brasil e 5.996 na Bahia, com tendência de crescimento, reforçando a pertinência de qualificar respostas institucionais em tentativas de suicídio. Em especial, entre 2022 e 2025, o CBMBA atendeu 1.188 casos de suicídio, com 50 casos consumados. Esse cenário justifica o objetivo geral do estudo, que visa levantar subsídios teórico-metodológicos para a proposição de um Procedimento Operacional Padrão (POP) de atendimento a tentativas de suicídio no âmbito do CBMBA, considerando experiências nacionais. Trata-se de pesquisa aplicada, de abordagem qualitativa, que combina pesquisa documental/eletrônica e análise de conteúdo, com levantamento nacional por ofícios (retorno de 25 unidades federativas – 92,59% das informações solicitadas), resultando em corpus composto por 14 protocolos formais publicados, pela Diretriz Nacional do CONATTS e por referenciais doutrinários da Escola Superior de Bombeiros do CBPMESP, além de registros de visitas técnicas institucionais. Os achados evidenciam heterogeneidade de modelos e graus de institucionalização, com predominância da ATTS em 9 protocolos (64,29%) e coexistência de outros cinco modelos (OTS/IBED, OSAT, ABED, GCSD e ATS). Com base nessa sistematização, elabora-se o POP-ATTS/CBMBA – POP 001 – Atendimento a Tentativas de Suicídio (Tentantes Desarmados), com fluxos, definição de funções (Comandante da Emergência, abordador principal e equipe tática), estruturação do Sistema de Comando de Incidentes, zonamento e perímetro, passos operacionais do primeiro respondedor e Plano de Atendimento à Emergência, bem como proposta de institucionalização por plano de ação, capacitação interagências e comissão permanente. Como limitações, reconhecem-se o recorte documental, a ausência de resposta de dois entes federativos e a delimitação do produto às ocorrências com tentantes desarmados, demandando validação empírica e revisão periódica após implantação. Conclui-se que o modelo é exequível e pertinente para qualificar o atendimento às crises suicidas no Estado, fortalecendo padronização, interoperabilidade e proteção da vida.