DE EXÚ A XANGÔ: QUEM NOS PROTEGE? A DEPREDAÇÃO DOS SÍMBOLOS URBANOS DO PATRIMÔNIO RELIGIOSO DE MATRIZ AFRICANA NO ESPAÇO PÚBLICO DA CIDADE DE SALVADOR – BAHIA (2012 – 2022)
Depredação; Patrimônio; Matriz Africana; Cidade; Salvador
Em uma encruzilhada de caminhos, são revelados os notáveis símbolos urbanos do patrimônio religioso de matriz africana na cidade de Salvador-Bahia, tais como o Busto de Mãe Gilda, Conjunto Escultórico Oxóssi e Mãe Stella de Oxóssi, Busto de Mãe Runhó, Medalhão de Mãe Caetana, Orixás do Dique, Pedra de Xangô, Parque Metropolitano Lagoa e Dunas do Abaeté e Parque São Bartolomeu. Esses símbolos urbanos, ao ocuparem o espaço público com ritos e sacralidade, perpetuam o legado ancestral religioso, mantendo viva e resistente a cosmovisão afro-diaspórica. Contudo, esses símbolos urbanos enfrentam desafios, principalmente atos depreciativos alimentados pela engrenagem do racismo religioso. A obtenção dos objetivos e resultados desta pesquisa envolveu uma revisão da literatura, explorando a interação entre o patrimônio religioso de matriz africana e os espaços compartilhados na cidade. Além disso, foi realizada uma pesquisa de campo para mapear os símbolos urbanos do patrimônio religioso de matriz africana no espaço público da cidade, aliada a uma análise documental sobre os patrimônios, bem como, dos recortes jornalísticos no período de 2012 a 2022, que focaram nas preocupantes ocorrências de depredação que afetam essas espacialidades étnico-religiosas. Em conclusão, este estudo proporciona uma compreensão aprofundada da transformação do espaço público em Salvador. Reflete e concretiza a histórica luta das religiões de matriz africana pelo direito ao culto e à liberdade religiosa, não apenas nos espaços conhecidos como Terreiros, mas também em outros locais da cidade.