PPGLITCULT PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LITERATURA E CULTURA (PPGLITCULT) INSTITUTO DE LETRAS Telefone/Ramal: Não informado

Banca de DEFESA: ROBERTA DE ARAUJO LANTYER DUARTE

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ROBERTA DE ARAUJO LANTYER DUARTE
DATA : 12/09/2019
HORA: 14:00
LOCAL: sala de defesa
TÍTULO:

O DEVIR-RIO: REFLEXÕES SOBRE O VAZIO EM PONCIÁ VICÊNCIO, DE
CONCEIÇÃO EVARISTO


PALAVRAS-CHAVES:

Conceição Evaristo. Ponciá Vicêncio. Vazio. (Re)existência. Devir.


PÁGINAS: 120
RESUMO:

Essa dissertação reflete sobre desenho subjetivo da personagem Ponciá Vicêncio
analisando a sua emocionalidade a partir da noção de uma “sensação de vazio”,
descrita no romance de mesmo nome, escrito por Conceição Evaristo e publicado em
2003. A análise parte do vazio como sofrimento psíquico, como dor; mas também
como “(re)existência” (SOUZA, A. 2009). O texto navega entre a constituição do Eu
ou (como preferimos chamar) o traçar “riografias” (NATÁLIA, 2017) identitárias da
personagem, pensando principalmente suas experiências na infância, sua
identificação com seu avô e sua mãe e a importância da ancestralidade nesse
processo que está sempre em movimento; segue para reflexões acerca dos processos
diaspóricos da personagem (que identificamos como sendo três) e como eles afetam
a sua emocionalidade e contribuem para o aumento das sensações de vazio da
personagem; e, por fim, mas buscando manter o movimento fluido e ininterrupto que
a obra de Evaristo suscita, essa dissertação toma o “vazio” como sofrimento psíquico
e como (re)existência - principalmente a partir da noção de “banzo” (NUNES, 2008) –
e defende que esse “vazio”, repleto de “força vital” (OLIVEIRA, 2005) dá origem ao
devir-rio de Ponciá. Para discutir a constituição do Eu de Ponciá Vicêncio, assim como
os efeitos do racismo e machismo na sua constituição psíquica, a psicanálise foi
fundamental. Contudo, estaremos para além de Freud já que o sujeito da psicanálise
freudiana se pretende universal e a universalidade branca da razão ocidental não
alcança a subjetividade de mulheres negras. A psicanálise será acessada
principalmente a partir de Virgínia Bicudo (2010), Neuza Souza (1983) e Isildinha
Nogueira (2017) – psicanalistas negras que subverteram o sujeito da psicanálise,
pensando a subjetividade de pessoas negras. Franz Fanon (2008) também será
essencial à análise aqui pretendida. Além disso, tecemos “costuras” psicanalíticas,
feministas e pós-coloniais para entender como Ponciá Vicêncio (re)existe ao e no
vazio. Afinal, ao fim da narrativa ela está em “puro devir” (DELEUZE, 2015), torna-se
devir-rio. O retorno de Ponciá Vicêncio ao rio, aos seus e à ancestralidade, nos dá
pistas acerca das possibilidades de cura para os sofrimentos psíquicos da população
negra (efeitos do racismo), assim como da criação mundo por vir; um mundo de plena
humanidade.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - JOÃO EVANGELISTA DO NASCIMENTO NETO - UNEB
Interno - 1692579 - JULIA MORENA SILVA DA COSTA
Presidente - 3365799 - LIVIA MARIA NATALIA DE SOUZA SANTOS
Notícia cadastrada em: 02/09/2019 16:02
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