AVALIAÇÃO DA EXPRESSÃO DA PROTEÍNA RECOMBINANTE sfGFP EM Escherichia coli UTILIZANDO MELAÇO DE SOJA.
proteína recombinante; sfGFP; Escherichia coli BL21(DE3); melaço de soja; lactose; bioprocesso; bioeconomia circular.
A produção de proteínas recombinantes em Escherichia coli representa uma
plataforma consolidada na biotecnologia industrial, porém ainda apresenta desafios
relacionados ao custo dos meios de cultivo, à dependência de indutores sintéticos e à
necessidade de estratégias operacionais capazes de elevar simultaneamente o
crescimento celular e a expressão proteica. Nesse contexto, esta dissertação avaliou
a produção da proteína recombinante superfolder Green Fluorescent Protein (sfGFP)
em Escherichia coli BL21(DE3), utilizando o vetor de expressão pOPT 1.0, em cultivo
submerso com suplementação de melaço de soja. O estudo investigou o uso da
lactose como indutor alternativo ao IPTG, o potencial do melaço de soja como
suplemento nutricional do meio LB, o efeito da composição do pré-inóculo e o
desempenho do processo em biorreator de tanque agitado, incluindo estratégias de
controle de pH e redução da temperatura pós-indução. Inicialmente, os ensaios em
frascos agitados indicaram que a lactose foi capaz de induzir a expressão da sfGFP,
demonstrando potencial para substituir o IPTG em condições específicas de cultivo. A
suplementação do meio LB com melaço de soja também favoreceu a produção da
proteína recombinante, possivelmente devido ao fornecimento adicional de açúcares
fermentáveis, aminoácidos, minerais e vitaminas, que podem contribuir para o
metabolismo celular e para a síntese proteica. Ademais, as bateladas conduzidas em
biorreator evidenciaram diferenças expressivas no tempo necessário para atingir a
DO600nm = 0,6, definida como ponto de indução. As bateladas realizadas em meio
LB sem suplementação com melaço de soja levaram, em média, 4,75 ± 0,35 h para
atingir a DO de indução, enquanto as bateladas suplementadas com melaço de soja
atingiram esse ponto em 1,67 ± 0,29 h. Assim, o tempo para atingir a DO600nm foi
aproximadamente 2,8 vezes maior no meio sem suplementação, demonstrando o
efeito positivo do melaço sobre a aceleração do crescimento inicial. Assim como, a
batelada controle, conduzida em LB com IPTG, alcançou 2,32 g/L de biomassa, 3.397
RFU de fluorescência final e produtividade de produto de 166,74 RFU.h⁻¹. A condição
com LB, melaço de soja e lactose apresentou desempenho superior, atingindo 14,12
g/L de biomassa, 6.783 RFU, μmax de 0,62 h⁻¹ e produtividade de 339,15 RFU.h⁻¹. A
otimização operacional com controle de pH em 7,0 elevou ainda mais o desempenho
nas primeiras 20 h, alcançando 24,75 g/L de biomassa, 12.173,7 RFU e produtividade
de 608,69 RFU.h⁻¹. Em 48 h, essa condição atingiu 49,31 g/L de biomassa e 13.545,63
RFU. A redução da temperatura pós-indução para 25 °C não melhorou o desempenho
global nas primeiras 20 h. Portanto, os resultados demonstram que o melaço de soja,
especialmente associado à lactose e ao controle de pH, constitui uma alternativa
técnica promissora para intensificar a produção de sfGFP em E. coli BL21(DE3),
contribuindo para bioprocessos mais sustentáveis, eficientes e alinhados à
valorização de coprodutos agroindustriais.