Saúde Mental e Vida Universitária no Brasil: Vivências Estudantis em uma Universidade do Interior da Bahia
Saúde Mental; Vida Universitária; Ensino Superior Brasileiro; Sofrimento Psíquico; Educação do Campo.
A inserção e permanência no ensino superior inserem os/as estudantes em um
espaço social complexo, marcado por desigualdades, expectativas e vivências
que afetam diretamente o seu bem-estar. Embora o sofrimento psíquico entre
universitários/as seja um fenômeno expressivo, a literatura sobre o tema tem-se
concentrado em abordagens quantitativas e biomédicas, frequentemente
reduzindo a saúde mental à mera ausência de sintomas e negligenciando
dimensões relacionais, institucionais e territoriais. Esta tese adota uma
perspectiva crítica e emancipatória, compreendendo a saúde mental como uma
expressão dos modos de vida e das condições materiais de existência. O
objetivo geral é analisar as interrelações entre vida universitária e saúde mental
de estudantes de graduação no Brasil. Para tanto, estrutura-se em três artigos:
os dois primeiros consistem em revisões integrativas de literatura que mapeiam,
respectivamente, as tendências metodológicas das pesquisas de campo e os
principais fatores associados ao adoecimento psíquico de universitários/as no
país. O terceiro artigo apresenta um estudo de caso com estudantes da
Licenciatura em Educação do Campo (LEdoC) da Universidade Federal do
Recôncavo da Bahia (UFRB). Ao focalizar um corpo discente majoritariamente
negro, de baixa renda e oriundo de territórios interioranos, a pesquisa tensiona
concepções individualizantes de saúde mental, demonstrando a necessidade de
políticas e ações mais sensíveis às dimensões socioculturais que atravessam a
experiência estudantil e a permanência no ensino superior.