UM ESTUDO SOBRE PESSOAS COM VISÃO MONOCULAR: ciberativismo e função educativa em redes sociais digitais
Visão monocular. Redes sociais. Ciberativismo. Educação não formal. Difusão do Conhecimento.
Nos tempos que correm, debates e práticas relacionados às pessoas com deficiência têm se expandido e permeado múltiplos espaços da sociedade. Com uma abordagem qualitativa, de cunho descritivo-exploratório, tendo a Netnografia como estratégia de investigação, esta pesquisa busca compreender como o ciberativismo monocular, manifestado em redes sociais do Instagram, contribui para o processo de inclusão e autoconhecimento de pessoas com visão monocular, na medida em que possibilita a circulação de informações, a identificação entre pares e a produção de saberes e conhecimentos a partir das vivências compartilhadas. Para tanto, selecionaram-se seis perfis da mídia supramencionada – AMONPAR, Brasil Visão Monocular, Diário Monocular, Instituto Amália Barros, Somos Monoculares e Team Monoculares –, dos quais foram coletadas postagens e threads que constituem o corpus documental do estudo, permitindo compreender como o ativismo digital e a educação não escolar são desenvolvidos nesses espaços mediatizados pela Internet. Revelou-se, por meio da Análise de Conteúdo, que as temáticas mais recorrentes nas publicações envolvem quatro dimensões da deficiência sensorial monocular: funcional, estética, psicológica e político-jurídica. Evidenciou-se, ainda, que as práticas educativas nos perfis possuem caráter não formal, notabilizando-se pela troca e disseminação de saberes, a partir da intencionalidade dos interagentes. Apesar da relevância comunicacional, informacional e formativa, os resultados demonstraram, ainda que não de forma generalizada: a ausência de indicação de fontes; a presença de informações incorretas ou imprecisas; a inexistência de regularidade das publicações; a falta de respostas públicas às indagações dos seguidores; e o fornecimento de respostas em grupos fechados.