CONHECIMENTO CIENTÍFICO EM MEIO À DESINFORMAÇÃO: COMO O JORNALISMO CIENTÍFICO DE UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS PAUTOU A PANDEMIA DE COVID-19, EM PLATAFORMAS DE MÍDIAS SOCIAIS.
Divulgação científica. Jornalismo Científico. Universidades públicas. Mídias sociais. Desinformação. Modelo Metodológico.
As universidades públicas brasileiras são instituições que produzem conhecimento científico e, por serem entidades mantidas por recursos públicos, têm o dever de difundir este conhecimento para a sociedade. Na configuração social contemporânea, plataformas de mídias sociais consolidaram-se como ambientes de divulgação, devido ao baixo custo de publicação e alcance global, por isso, as universidades públicas também passaram a recorrer a essas plataformas para difundir seus conteúdos científicos. Mas durante a pandemia de covid-19, esse ecossistema informacional foi atravessado por uma intensa onda de desinformação, abrindo uma lacuna analítica para compreender como a difusão do conhecimento se apresentou em meio às dinâmicas de circulação das fake news nos mesmos ambientes digitais. Atenta a esse contexto, esta pesquisa teve como objetivo analisar como a divulgação científica, por meio do Jornalismo Científico praticado por universidades públicas brasileiras, no Facebook e no Instagram, se relacionou com a desinformação referente a temas de saúde sobre a pandemia de covid-19, que foi disseminada nessas plataformas, durante o período pandêmico – de 11 de março de 2020 a 05 de maio de 2023. O estudo considerou como corpus o conteúdo textual, identificado com o gênero do Jornalismo Científico e publicado em fanpages do Facebook e perfis do Instagram das dez universidades públicas brasileiras mais bem posicionadas em rankings de ensino superior. A metodologia adotou a abordagem de Métodos Mistos e associou três estratégias metodológicas complementares: a primeira, Netnografia, utilizada para contextualizar a prática e analisar os temas estruturantes do Jornalismo Científico sobre saúde relacionados à pandemia, que foram pautados pelas universidades selecionadas; a segunda, Análise de Redes Sociais (ARS) que mensurou a relevância entre os temas, mediante uma rede semântica focando na análise de índices como graus simples e ponderado, centralidades de intermediação e proximidade e modularidade e a terceira, Teoria dos Conjuntos, que possibilitou a análise comparativa entre os conjuntos de temas do Jornalismo Científico e das fake news, por meio de operações de interseção e diferença, identificando os termos comuns e exclusivos entre as narrativas. O trabalho possibilitou a compreensão do panorama e práticas do Jornalismo Científico, revelando como esse discurso foi estruturado pelas universidades públicas brasileiras, nos ambientes do Facebook e Instagram. A estratégia comparativa permitiu o entendimento da relação entre o Jornalismo Científico das universidades e as narrativas das fake news sobre saúde relacionadas à pandemia que foram mais disseminadas no período. O percurso metodológico possibilitou inferir que, em relação à onda de desinformação disseminada nos ambientes digitais estudados, o Jornalismo Científico das universidades públicas não foi omisso, apesar de não ter se pautado para o combate à desinformação, oferecendo uma vasta agenda de temas científicos, além do repertório das fake news. O percurso metodológico, trilhado como experimentação, mostrou-se viável e pode ser aplicado a outras pesquisas multidisciplinares no campo.