A solidão da mulher negra idosa aposentada em suas professoralidades: uma modelagem cart(a)gráfica intergeracional
Perspectiva Cartográfica; Velhice negra; Professoralidades; Solidão; Modelagem Cart(a)grafia.
Esta carta-tese investiga como o compartilhamento epistolar de cartas entre mulheres negras idosas, professoras aposentadas da educação básica em uma cidade do Recôncavo da Bahia, pode constituir uma modelagem cart(a)gráfica intergeracional capaz de enfrentar a solidão na velhice negra feminina. Parte-se do reconhecimento de que as velhices negras são atravessadas por múltiplas opressões estruturais como racismo, patriarcado, etarismo, capitalismo e desigualdades socioeconômicas que se materializam em experiências concretas e simbólicas de solidão. A pesquisa fundamenta-se na perspectiva cartográfica como método de pesquisa-in(ter)venção, compreendendo as cartas não apenas como fontes, mas como contradispositivos epistemológicos, éticos e políticos de produção de conhecimento e de modelagem cart(a)gráfica. O estudo desenvolveu-se a partir do compartilhamento contínuo de cartas entre mulheres negras aposentadas, de diferentes gerações, resultando na produção de quarenta e cinco cartas, das quais foram capturadas narrativas que constituem o corpus principal desta investigação. As correspondências revelam práticas de memória, ancestralidade, pertencimento e cuidado, ressignificando a solidão como espaço de reinvenção subjetiva e de criação coletiva de estratégias de enfrentamento. A professoralidade emerge nas cartas como território ético, estético e político de existência, afirmando saberes forjados ao longo das trajetividades docentes dessas mulheres e tensionando a invisibilidade social da aposentadoria e da velhice negra. A produção dos dados evidenciam que o gesto epistolar, ao articular memória, afeto, resistência e intergeracionalidade, produz vínculos e inaugura cart(a)grafias insurgentes, nas quais a escrita de si e do/a outro/a se constitui como campo de encontro, cuidado e de modelagem. Assim, esta carta-tese afirma-se como um campo de produção, modelagem e difusão do conhecimento que, ao entrelaçar educação epistolar, professoralidades e velhices negras, reconhece essas mulheres como territórios vivos de memória, pertença e resistência à solidão. Por fim, esta cart(a)tese afirma seu caráter rizomático ao consolidar a perspectiva cartografia como princípio ético-político, criativo, in(ter)ventivo e metodológico de pesquisa, sustentando a produção do conhecimento como modelagem cart(a)gráfica intergeracional, aberta, relacional e em permanente devir.