IBORU, IBOYA, IBOSHESHE: A ÌYÁNÍFÁ VERSUS FEMINISMO RELIGIOSO NA REGLA DE OCHA- IFÁ.
Iyanifá, Odu, Ifá, babalawo, Òrunmìla, feminismo religioso.
Esta tese tem como objetivo pensar as ìyánífá como mulheres que passam pelo longo processo de formação no culto de Ifá. Estas mulheres adquirem o conhecimento e a sabedoria ancestral da ciência oracular que envolve a manipulação dos instrumentos do jogo oracular; como o ikin Ifá (16 sementes de palmeiras consagradas) e utilizadas na consulta e adoração de Ifá, o òpèlè (corrente consagrada usada para fazer jogos oraculares), o ìróké (espécie de adjá feito de madeira ou marfim, usado pelos Babaláwo para convocar o Ifá durante a leitura do jogo oracular), o opon Ifá (tabuleiro utilizado no jogo), o ìyèrosùn (pó de madeira especial utilizado no tabuleiro para imprimir as letras do Odù durante o jogo oracular), o ajere ifá (madeira baú usado para guardar o ikin), etc. Além disso, o ìyánífá deve saber de cor os 256 odus que compõem o compédio enciclopédico de Ifá, junto com as centenas de capítulos e versos que completam cada volume do Odù. A partir da descrição da sabedoria ancestral e do conhecimento que uma ìyánífá deve possuir, pode-se entender sua importância na sociedade Yorubana. A Iyánifá apesar de ter o conhecimento de Odú, quem é considerada a esposa mística de Òrúnmìlá, não pode vê-la fisicamente, isso é um problema, pois em Ifá você não pode ter dois poderes femininos simultaneamente, sendo Odù também um axé feminino. No nosso estudo desenvolvemos a importância das ìyánífás por serem detentoras de uma sabedoria ancestral incomparável. Ressaltamos também que a ìyánífá não é chamada de babalawa, ela tem um bom conhecimento de Ifá, ela cura e oferece sacrifícios a Ifá e aos orixás.