DO IMPÉRIO À REPÚBLICA: A BUSCA DAS HISTÓRIAS NÃO ÚNICAS EM UALALAPI E AS MULHERES DO IMPERADOR (2018), DE UNGULANI BA KA KHOSA.
Ungulani Ba Ka Khosa; Ualalapi; As mulheres do imperador; Ngungunhane; Literatura moçambicana.
As literaturas africanas de língua portuguesa nos dão provas do quanto essas produções literárias não são apenas uma (re)criação despropositada da realidade, principalmente aquelas produzidas no pós-independência. Além de se tornarem documentos da memória cultural de um povo, elas nos abrem possibilidades outras de leituras e conhecimento das cosmovisões africanas. Este trabalho pretende analisar as narrativas Ualalapi e as Mulheres do Imperador (2018), de Ungulani Ba Ka Khosa, com destaque para a relação entre história e literatura. O autor se destaca como um dos escritores moçambicanos que se propõe a (re)contar a história do seu próprio país, através da literatura, atentando-se para o perigo das histórias únicas e o quanto elas são carregadas de apagamentos e silenciamentos históricos. O uso da análise textual, como metodologia e uma abordagem qualitativa, nos permitiu concluir que o autor vai ao encontro de postulados teóricos pós-coloniais, através de uma profunda relação nas forças de poder que envolve a criação, circulação e controle das narrativas. As pistas deixadas pelo próprio escritor nos textos sobre as desconfianças das verdades históricas foram seguidas no decorrer da pesquisa, para, assim, chegarmos a um melhor entendimento da sua escrita e proposta de auto-inscrição, assim como propõe Achille Mbembe (2001). Constatou-se o empenho do autor de não apenas aludir aos fatos, mas também remontá-los, utilizando fontes locais, circulares e de dentro. As contribuições de Mbembe (2001; 2018), Adichie (2009), Mata (2003), Benjamin (1987) e Vilhena (1999) servirão como escopo crítico-teórico da construção da pesquisa.