O CETICISMO RÚSTICO E O CETICISMO URBANO: UMA INTERPRETAÇÃO DO NEOPIRRONISMO DE OSWALDO PORCHAT
epokhé; neopirronismo; ceticismo urbano; ceticismo rústico; Oswaldo Porchat
Esta dissertação tem como objetivo investigar o conceito de suspensão do juízo (epokhé) no contexto do neopirronismo formulado por Oswaldo Porchat, com especial atenção ao debate entre as interpretações chamadas de ceticismo rústico e ceticismo urbano. A pesquisa parte da tradição pirrônica antiga, tal como apresentada por Sexto Empírico, para compreender como a epokhé, entendida como prática filosófica de não assentimento diante da equipolência de argumentos, conduz à ataraxia (tranquilidade da alma). O trabalho analisa as principais fases do pensamento de Porchat: sua adesão inicial ao estruturalismo hermenêutico, a recusa temporária da filosofia, a valorização da visão comum do mundo e, por fim, a construção de uma filosofia cética própria. A partir dessa trajetória, mostra-se como Porchat transforma o ceticismo pirrônico em uma filosofia contemporânea crítica, que recusa o dogmatismo, mas mantém um compromisso com a vida prática e comum. Na etapa final, a dissertação aborda o debate contemporâneo entre duas leituras do cético pirrônico: interpretação rústica, que defende a ausência de crenças mesmo na vida comum; e a interpretação urbana, que admite crenças ordinárias em coexistência com a suspensão em temas filosóficos dogmáticos. Porchat se aproxima da perspectiva urbana, defendendo que o cético pode viver de acordo com as aparências e convenções sociais, sem comprometer sua postura filosófica. Conclui-se que o pensamento de Porchat oferece uma contribuição original à filosofia brasileira, ao propor uma forma de ceticismo que, longe de ser inerte ou evasivo, assume a dúvida como método rigoroso e a suspensão do juízo como atitude filosófica frente aos limites do conhecimento.