NIETZSCHE E A ÉTICA DOS AFETOS: O EGOÍSMO COMO POTÊNCIA CRIADORA DE SI
Nietzsche; Egoísmo; Vontade de potência; Ética dos afetos.
O presente trabalho investiga o conceito de egoísmo na filosofia de Friedrich Nietzsche, propondo sua transvaloração como princípio afirmativo de criação de si e não como vício moral ou desvio ético, tal como tradicionalmente compreendido pela moral cristã e pela filosofia moderna. A partir de uma análise crítica da metafísica do sujeito e das doutrinas morais que associam o egoísmo à negação do outro, argumenta-se que, em Nietzsche, o egoísmo é expressão da vontade de potência, isto é, da capacidade do indivíduo de afirmar sua singularidade, interpretar os afetos e criar valores próprios. Ao deslocar o centro da subjetividade da razão para os afetos, o filósofo alemão reformula as bases da avaliação moral, mostrando que toda valoração é inseparável de uma dinâmica afetiva. O percurso teórico da tese se organiza em três momentos: a desconstrução da ideia de sujeito como substância moral; a crítica à moral do ressentimento e da compaixão como formas de repressão dos afetos; e, por fim, a elaboração de uma ética afirmativa, na qual o egoísmo surge como cuidado de si e estilo de existência. Com apoio em comentadores como Gilles Deleuze, Gianni Vattimo, Roberto Machado e Scarlett Marton, a tese sustenta que o egoísmo nietzschiano é condição para a individuação e resistência à normatização da vida. Trata-se, portanto, de compreender o egoísmo não como recusa da vida ética, mas como a sua mais alta forma de afirmação e como potência criadora de si.